No julgamento da Maia (ao contrário do que tem dito a campanha do “não”, quando foi possível apurar o tempo de gestação tinham menos de 10 semanas de gravidez) foram arguidas seis desempregadas, duas operárias, uma cozinheira, uma costureira, uma cabeleireira, uma recepcionista e três empregadas do comércio. Estas são as vítimas desta lei. E as vitimas da clandestinidade e de quem lucra com ela. O cofre que foi encontrado na “clínica” clandestina mostra o que os «nossos impostos» não podem pagar:

Carla, 26 anos, deixou 2 fios, 4 pulseiras de criança e um anel;
Carminda, 31 anos, três filhos, separada e desempregada, tinha de pagar 92 contos, pagou 45, uma medalha de ouro e ficou a dever o resto;
Rita, 36 anos, operária, deixou ficar o anel de noivado e dois cheques;
Teresa, 27 anos, cozinheira, com um relacionamento esporádico, pagou 40 contos, um fio, três anéis, uma aliança e um par de brincos;
Piedade, 34 anos, empregada de balcão, deixou cinquenta contos e dois anéis;
Maria João, 38 anos, cabeleireira, dois filhos, sem relação estável, deixou 70 contos e uma pulseira;
Maria Manuela, 35 anos, recepcionista, deixou 15 contos e um cordão de ouro;
Sandra, 18 anos, pediram cem contos, deixou quarenta, um fio de ouro, um anel, uma pulseira e ficou a dever trinta contos;
Paula, 19 anos, desempregada, seis semanas de gravidez, 45 contos e uma pulseira.

No cofre havia 26 fios, 13 pulseiras, cinco libras, 19 anéis, um cordão, duas alianças, quatro pares de brincos, três relógios e três alfinetes de ouro.

Nomes fictícios.

Também publicado no Sim no Referendo.


Sem respostas ao post “Com os nossos impostos, não!”  

  1. 1 1  Anónimo

    Daniel, tem email que possa publicar? Obrigado.

  2. 2 2  Arrastado

    Este tipo de realidade ninguém quer conhecer. Não interessa!

  3. 3 3  ze

    Grata pelo texto, coisa de fazer circular. Assim farei

  4. 4 4  Arrastado

    Este tipo de realidade ninguém quer conhecer. Não interessa!

  5. 5 5  Dunya

    Olá.

    Uma coisa que eu gostaria de saber, após ler o seu texto e porque não conheço os pormenores sobre o julgamento, o que eu gostaria de saber é se elas continuaram grávidas e se foram obrigadas a ter os filhos. Gostaria de saber o que lhes aconteceu depois.

    Um abraço.

  6. 6 6  Metroidsamus

    Estou mesmo a ver a maltosa do não: “se são pobrezinhas não tivessem aberto as pernas. quem as mandou pecar se nao tinham intensão de procriar?”

  7. 7 7  Anónimo
  8. 8 8  Anónimo

    Não consigo perceber.
    Então há quem ganhe com o aborto clandestino?
    Eu julgava que ele era todo feito por voluntários de esquerda que graciosamente ajudavam as mulheres em dificuldades.
    Lá se vai mais um sonho cor de rosa.
    E já agora, esses pessoas que recebem dinheiro, alguma foi presa?

  9. 9 9  Daniel Oliveira

    Estas pessoas só existem assim porque o aborto está de facto completamente liberalizado com a lei que o senhor defende: ilegal, não há regras. E depois, umas servem de exemplo. As mais pobres, claro.

  10. 10 10  Nao me identifico para n me encherem a caixa postal como tanto gostam (se n fossem exagerados...)

    Bom exercício de melodrama, 18 valores. Quantos colares e brincos nao continuarão a ser “oferecidos” depois das 10 semanas? Conheço o processo, não há casos antes das 10 semanas, por que mente? Teve acesso a documentação? Se teve, desafio a mostrar onde diz que houve um aborto antes das 10 semanas! Não seja mantiroso. Eu sou do Bloco de Esquerda, luto ao seu lado, Daniel, mas porque sempre acreditei em resolver as coisas de raíz. Desta vez não. Vemo-nos dia 12.

  11. 11 11  Jaime

    A lista de bens com que foram pagos os abortos dá um toque emocional à questão e levanta a questão de quem paga o aborto, mas notemos que o referendo é só sobre se o aborto deve ser crime ou não, não é acerca de quem o deve pagar.

    Jaime
    http://www.blog.jaimegaspar.com

  12. 12 12  ezer

    E puqu’ é que não uma tiiia?

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    «Conheço o processo, não há casos antes das 10 semanas, por que mente? Teve acesso a documentação? Se teve, desafio a mostrar onde diz que houve um aborto antes das 10 semanas!»

    Acórdão da Maia. Eu li-o todo. Você leu? 7 mulheres com menos de dez semanas de gestação, as restantes dez o tribunal não conseguiu definir. Vá ler. É público.

  14. 14 14  Anónimo

    alguém mente, o ministro ou voces

  15. 15 15  Anónimo

    Será que depois da legalização os hospitais públicos lhes vão aceitar o pagamento em fios e medalhas?

  16. 16 16  Anónimo

    Não, depois não são precisos fios e medalhas querem que paguemos todos nos

  17. 17 17  Anónimo
  18. 18 18  Anónimo
  19. 19 19  João Pedro

    Se essas mulheres tivessem comprado a pílula ou se tivessem pensado antes tinha sido uma opção bem mais barata!

  20. 20 20  Anónimo

    prefiro qe os meus importos contribuam para instituiçoes qe AJUDEM essas mulheres a ter e a tratar dos seus filhos do que para os matar. Um aborto nunca traz felicidade ou alivio! O qe é qe se compara ao sorriso de uma criança?

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