Não deixa de ser curioso ver como os estremosos paladinos da liberdade de expressão, quando uns certos cartoons sobre Maomé davam para agitar o choque de civilizações, se converteram em três tempos nos editorialistas que fustigam a opinião escrita no seu jornal quando o que está em causa são as “fundamentadas manifestações de indignação” dos adeptos do clube da Cruz de Cristo.

Utilizar um editorial – por definição, o espaço de referência da opinião da direcção de um jornal – para condenar abertamente um jornalista que se limitou a constatar o óbvio, isto é, que o Belenenses não tem adeptos e que os que tem estão envelhecidos, é uma estranha e difusa forma de respeitar o direito “intocável” à “liberdade de opinião e de crítica”.

Que raio de “liberdade de opinião” é esta em que a direcção do jornal admoesta, de forma pública, as figuras de estilo escolhidas por um jornalista no livre e subjectivo exercício de crítica? Liberdade de imprensa não é apenas a do jornal poder ser publicado sem pressões e constrangimentos impostos pelo poder político, é também a dos jornalistas, cumprindo as normas legais e deontológicas a que estão obrigados, poderem escrever o que pensam sem o receio de perder o emprego ou serem publicamente repreendidos pelos seus superiores. O que pensarão os seus colegas? Que o melhor, em vez de tentarem expressar a sua subjectividade pessoal, será transformar as páginas de opinião e de crítica do Público em secos telexes próprios das agências noticiosas? Quem é que quererá ler, e pagar, um jornal assim?

Não deixa de ser sintomático que, no curto espaço de um mês, seja esta a segunda vez que que alguém com responsabilidades editoriais no Público critique abertamente o trabalho dos jornalistas que dirigem.


21 respostas ao post “Como aquilo dos cartoons era lá longe defendíamos a liberdade de expressão. Aqui na redacção impera o respeitinho pelo bom nome da Cruz de Cristo”  

  1. 1 1  José Manuel Faria

    “que o Belenenses não tem adeptos e que os que tem estão envelhecidos”.

    O Pedro Sales não sabe o que diz. O Belenenses pode ter poucos adeptos no Restelo ( média 3000 ), mas é o 4º Clube na distribuição geográfica, fique a saber que há adeptos do Belém de Valença a Sagres de Mirandela a Vila Real de Sto. António da Madeira, Açores, e em todas as comunidades de emigrantes nacionais. Acredite.

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  2. 2 2  Pereira Marques

    Então qual a verdade foi ou não convidada !

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  3. 3 3  cobardolas

    Pedro, completamente de acordo contigo. Haja alguém que vislumbre o ridículo e a gravidade de toda esta situação. E não me estou a referir ao texto do Bonifácio, que esse sim, foi certeiro como poucos. Goste-se ou não.

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  4. 4 4  Fernando Martins

    Pedro Sales, no é que se baseia para escrever: “o Belenenses não tem adeptos e que os que tem estão envelhecidos”? Qual é a “fonte” ou o estudo que consultou para fazer tal afirmação? Existe alguma publicação que aponte, com um mínimo de rigor, quantos adeptos, respectiva pirâmide demográfica, têm os clubes que em Portugal disputam as competições de profissional?

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  5. 5 5  motorista do Obama

    Vocês são um bocado chatos com esta questão. é notório que o repórter fez, desculpem, merda da grossa. o clube que se sentiu lesado e uma instituição histórica, que merece tanto ou mais respeito que a entidade que paga o salário desse jornalista, e fez, por ter direito a tal, um comunicado a expressar a sua indignação.
    Um dos directores, porque o director está de ferias a mandar twitts de 5 em 5 minutos, do jornal põe a mão na consciencia e pensa “hum, se calhar esta merda nao teve piada nenhuma” e decide, humildemente (ou se calhar ate foi ironia e eu nao percebi nada) dar um passo atras e simular um pedido de desculpa.
    now move on,

    e sabe qual é a minha opiniao caro concidadão Pedro Sales? se houvesse mais editoriais como este, isto nao se tinha passado, e ate os the killers dormiam melhor :)

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  6. 6 6  Júlio

    Mas que raio de afirmação se foi lembrar você sobre o Belenenses…

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  7. 7 7  Pedro Sales

    José Manuel Faria, Júlio e Fernando Martins,

    Vamos a ver se nos entendemos. Não tenho nada contra o Belenenses, clube com o qual até simpatizo. Mas, sucede que já fui várias vezes ao seu estádio. O recinto está sempre às moscas, mesmo quando recebe o Sporting ou o Porto, e a maioria dos adeptos nas bancadas está longe de ser jovem. Não tenho nenhum estudo, claro, mas parece-me estranho que um clube com muitos adeptos não consiga juntar mais de 2000 pessoas para ver um jogo. Não lhes parece?

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  8. 8 8  José Manuel Faria

    Eu sou de Vizela e conheço 5 adeptos, em Guimarães há 40, na Vila das Aves, 30 em Braga 50 ( aprox.).Multiplique por quase todas as aldeias, todas as vilas e cidades de Portugal: um exemplo Há dias estive em Viseu, e lá estava no centro uma representação dos”Repesenses”, disseram-me que se tratava de uma filial do Belém com muitos sócios do Belenenses. A distância ao Restelo impede dezenas de milhares de o frequentar.

    Tem absoluta razão quanto aos adeptos de Lisboa e arredores até 50 Km de raio. É uma vergonha não estarem lá.

    Curiosamente com o Belenenses na II LIga muitos estádios do Norte tinham centenas de adeptos.

    Os adeptos do Belém de longe, ficam estupefactos com a reduzida participação dos seus adeptos Lisboetas!

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  9. 9 9  13b

    Julgo que estamos a sofrer as consequencia desta nova moda tão “in”,da inormação por twitter :
    “Informação” com a menor informação possível.Uma simples frase e tudo está explicado!!!
    De facto para descrever o que se passou no festival bastava ter escrito:”Mau festival,más bandas,mau publico e mau recinto” e todos ficavam contentes.

    Nunca mais chega o dia de tomar um comprimido de manhã e ter as refeições todas da semana tomadas.Tambem era mais simples!!!

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  10. 10 10  mc

    Para além de tudo o resto, acho particularmente engraçado que ninguém tenha reparado que o sub-director do Público tenha falado em Jorge Gabriel, a vedeta da tv, e não em João Gabriel, o director de comunicação do SLB. O Público tornou-se numa anedota.

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  11. 11 11  LAM

    Repito o que disse num comentário noutro post sobre a mesma coisa, e uma vez que este post repete mais ou menos o do Pedro Vieira:

    São coisas diferentes. Uma coisa é a crítica ao espectáculo de música, à organização ou à música propriamente dita, outra é , por falta de assunto do jornalista enviado ou porque lhe apeteceu mandar umas bocas ao clube do estádio onde isso aconteceu, desatar com observações pouco abonatórias ao Belenenses ou aos seus adeptos.
    Se tivesse sido destacado para fazer comentários a um jogo de futebol, onde se verificassem essas situações de falta de público e/ou o público presente ser de idade avançada, se calhar ninguém se melindrava com essas observações. Ora não foi isso que se passou. Esse jornalista foi cobrir (uiii) um evento de música, em que nem os músicos, nem a organização, nem o público são da responsabilidade do Belenenses.

    O protesto aconteceria no Belenenses ou em qualquer clube de futebol em que o jornalista A PROPÓSITO DE NADA, fizesse cosiderações pouco dignificantes sobre o clube.
    Ali foi só alvo de crítica de um director do jornal, conheço outros casos em que de certeza lhe aqueciam a motoreta.

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  12. 12 12  JP

    Será que o homem estava enganado e estava a fazer a reportagem da pré epoca futebolistica.
    Se calhar podemos pegar nas palavras que ele usou para descrever o Clube de Futebol e utilizá-las para o jornal em que ele trabalha, que ao que parece também não tem muita freguesia.

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  13. 13 13  Sérgio

    Anda tudo louco? É um clube de futebol, não é a mãezinha de alguém…….

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  14. 14 14  Beatriz

    Não são as considerações do jornalista que são pouco dignificantes para o clube. A reacção da direcção do clube e de alguns dos adeptos é que o cobrem de vergonha.
    O clube é pequenino, e até parecia um clube simpático, mas afinal comporta-se com a ferocidade irritante de um caniche.
    E a direcção do Público encolhe-se de forma ainda mais vergonhosa.

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  15. 15 15  Antonio Cunha

    O dito jornalista, ou croniqueiro, gosta é de Jaques Brell e do coirão do Leonard Cohen.

    Claro que o Super Bock para ele é uma seca do caraças. E teve que desancar em alguem.

    Foi o Belem que se lixou.

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  16. 16 16  Carlos Serra

    Declaração de interesses:

    Joguei futebol nas camadas jovens do Belenenses, até que, aos 17 anos, conclui que nunca seria um craque, e optei por continuar a estudar; residi no bairro do Restelo de 1980 a 2000 e, nessa altura, fui sócio do clube durante cerca de 15 anos.

    Posto isto, acho que, embora o Bonifácio tenha feito comentários a despropósito, não se justificava o humilde e tolo pedido de desculpa do Pacheco. Nem a reacção da direcção do clube.

    Embora o Belenenses movimente muita gente – na Natação, na Ginástica e noutras modalidades mais ou menos amadoras – é, de facto, um clube pequeno (e aflito) se comparado com os chamados três grandes.

    Porém, isso não é razão para os depreciativos posts (e comentários) de que está a ser objecto neste blogue.

    P.S. – Já agora, aproveito a deixa do comentador Pereira Marques, e renovo a sua pergunta: afinal a Joana foi ou não convidada pelo PS (já sabemos que, tal como o Daniel, pelo BE não foi)?

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  17. 17 17  P.

    Concordo plenamente com o Pedro Sales, no que disse sobre o Público.

    O artigo era de opinião e tinha toda a legitimidade de existir. É ridículo o Belenenses andar preocupado com isto – é uma crítica musical, recorde-se.

    E como leitor do Público, e especificamente do Ipsilon, é assustadora a ideia de que perante algo assim tão banal, o Público recua (quem serão agora os tais mansos e cobardes?). O bom do Ipsilon – e já agora do próprio João Bonifácio – é precisamente dizer as coisas sem receio. Para dizer banalidades sobre concertos já há muito boa revista e jornal por aí.

    Como o texto não foi bonitinho deu logo bronca. Como foi efectivamente bem escrito, com piada e inteligência, foi o descalabro. O Belenenses faz birra e o Público satisfaz os desejos. Ridículo.

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  18. 18 18  Nuno

    Não deixa de ser sintomático é que o Público não tenha… público e não venda mais que o 24 horas, Correio da Manhã e JN.

    Não deixa de ser sintomático que os amigos do João Bonifácio o defendam e não deixa de ser sintomático que na sua resposta o jornalista diga que os dois últimos anos do Belenenses foram de maus resultados desportivos. Num deles, jogaram a Taça UEFA e só não se apuraram para a Europa porque lhes foram retirados seis pontos devido a um processo de inscrição de um jogador.

    Para mim, que sou jornalista, o que está em causa é que o crítico João Bonifácio (não tem carteira profissional, segundo o site da comissão) falou (e insiste na resposta ao Provedor do Público) sem se informar.

    Fez piadas de mau gosto sobre o Belenenses (mas adiante) e deu informações falsas. Quanto à resposta de que o Belenenses tem má taxa de aproveitamento do estádio… patético! Ora, se o estádio é enorme, porque antigamente todos os eram e se a CML não deixou levar adiante o processo de reconversão, com diminuição da lotação, que erro há da parte do 7.º clube com mais assistências em Portugal?

    Cumprimentos a todos

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  19. 19 19  Nuno

    Pedro Sales…

    também o senhor erra.
    Consulte os dados da Liga.
    O Belenenses tem em média 5 mil espectadores por jogo. Não é muito? Pois não… sabe porquê?

    Porque o futebol é caro e porque em Portugal se cultiva apenas três clubes. Acabe-se com os outros e joguem apenas os três do costume…

    É isso que o Bloco de Esquerda defende? Julguei que eram pelas minorias e pelo respeito. Afinal estava equivocado. São, também, pelo poder instituído, pela falta de rigor e pela defesa dos intelectuais, mesmo quando o povo demonstra que está contra.

    Isso dá-me boas indicações sobre em quem não votar. Obrigado pelo serviço prestado.

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  20. 20 20  Maria

    Opá isto é assim .
    Ninguém gosta de se sentir ridicularizado.Seja de que maneira for e para mais em cartaz que sabemos foi ideia concebida para chegar a um vasto número de pessoas e ainda por cima é arte e tudo, ficar mal no retrato já é mau agora imagine-se ficar mal num cartaz.
    Quanto a jornais e revistas pois é -os jornalistas têm direito á liberdade de expressão assim como os artistas têm direito á criação dos seus cartazes em paz mas se formos a ver estão os jornalistas muito melhor posicionados que os artistas.
    Corem menos riscos .

    Portanto não se queixem muito porque poderia ser muito pior olhem o que aconteceu ao tipo que fez os cartazes do pateta de turbante ;)

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  21. 21 21  Mário

    Dois comentários com graça no site do Público:

    Ainda não parei de rir com isto: João Bonifácio n’o Público, a 27 de Junho de 2007, sobre o concerto de Aimee Mann “quase todas as canções foram belas e nem uma palha buliu: se o concerto começou calmo, bem calminho acabou.” Agora rimos nós: o Belenenses pode ter velhinhos, mas quem usa bengalas é o João Bonifácio

    22.07.2009 – 23h20 – Paulo Assunção, Almada
    Sr. “Jornalista”, relacionar a afluência de um jogo de futebol com o sucesso ou insucesso de um festival musical parece-me errado, a não ser que essa relação seja baseada no espaço ou em problemas de segurança. Repare no trabalho jornalístico que se segue. “Toda a gente que lê jornais com um mínimo de regularidade conhece a constante falta de qualidade do Público. O jornal é publicado e há duas dezenas de pessoas que o compram, nem uma palha bule, é um sossego. Portanto a idéia de reduzir os salários naquele mesmo jornal quase parece uma acção de beneficência.” Aprendeu alguma coisa, ou escrito assim já não tem graça?

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