A sensação que fica da entrevista a José Sócrates é que o seu governo tomou posse em Outubro de 2008 e foi apanhado no meio de uma crise financeira mundial. Até lá, de acordo com um primeiro-ministro demasiado satisfeito consigo próprio, tudo corria bem. O país diverge há oito anos da média europeia e o poder de compra esteve sempre a descer durante o mandato do actual governo, mas o que é isso quando temos as maiores centrais de energias renováveis, a nova rede de fibra óptica e o Magalhães. O primeiro-ministro fala em confiança, mas ela perde-se em escusados truques de linguagem como a do orçamento rectificativo, que só falta saber o dia em que vai ser apresentado, mas a que José Sócrates engenhosamente chama de revisão das previsões que serviram de base para o Orçamento de Estado.


13 respostas ao post “(des)confiança”  

  1. 1 1  Idiota Economista

    Carta aberta a Sua Excelência, o Senhor Ministro de Estado, Prof. Dr. Augusto Santos Silva

    Apresento a Vossa Excelência, Senhor Ministro de Estado, uma simples sugestão de política. Faço-o a Vossa Excelência, já que é patente para todos os portugueses que Vossa Excelência é a sombra de todo um Governo.

    No último “Quadratura do Círculo” afirmou-se que o governo, perante a necessidade de distribuir um bolo de x milhões de euros, tinha duas opções: fazê-lo directamente através das prestações sociais ou mediatamente usando as instituições de solidariedade social.
    Afirmou-se, ainda, que a vontade política pouco poderia fazer pela redução das assimetrias ou da desigualdade de distribuição do rendimento em Portugal.
    Correndo o risco de ser redundante, passo a expor alguns pequenos conceitos económicos sobre o tema.

    O Coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade desenvolvida pelo estatístico italiano Corrado Gini, e publicada no documento “Variabilità e mutabilità” (italiano: “variabilidade e mutabilidade”), em 1912. É comumente utilizada para calcular a desigualdade de distribuição de renda mas pode ser usada para qualquer distribuição. Ele consiste em um número entre 0 e 1, onde 0 corresponde à completa igualdade de renda (onde todos têm a mesma renda) e 1 corresponde à completa desigualdade (onde uma pessoa tem toda a renda, e as demais nada têm). O índice de Gini é o coeficiente expresso em pontos percentuais (é igual ao coeficiente multiplicado por 100).
    Fonte: Wikipédia

    Acontece que este coeficiente é de cálculo fácil e rápido, bastando fazer algumas adições e multiplicações. Basicamente somando as diferenças entre os produtos das sucessivas percentagens acumuladas do nº de pessoas envolvidas (10%, 20%,…, 90%,100%) e as correspondentes percentagens de rendimento acumulado. Assim, aos primeiros 10% mais pobres da população corresponderão, por hipótese, apenas 1% do rendimento, etc. Não é o cálculo que importa aqui, apenas a ideia e a sua facilidade de processamento.

    Ora, a maior ou menor desigualdade de distribuição do rendimento do país resulta, necessariamente, da maior ou menor desigualdade de rendimento em cada uma das suas pequenas, médias ou grandes empresas, sejam elas privadas, cooperativas, públicas ou organismos da administração central ou local.

    Havendo vontade política, bastaria incentivar/penalizar cada uma das empresas ou organismos que, analisada a distribuição de rendimentos do seu quadro de pessoal (eventualmente corrigida por coeficientes relativos à menor ou maior intensidade de utilização do factor trabalho), apresentassem valores de desigualdade inferiores/superiores ao aceitável (é bastante fácil utilizar como “benchmark” os valores médios dos países mais desenvolvidos). Essa penalização deveria afectar directamente os accionistas/sócios das empresas (com vontade política, o problema nos organismos públicos resolver-se-ia por acção directa), por exemplo reduzindo o IRC às que apresentassem menores desigualdades, e ao contrário agravando significativamente o mesmo IRC àquelas que ultrapassassem determinados limites. Digo penalizar directamente os proprietários, para que estes, por sua vez, se vissem obrigados a controlar abusos por parte dos administradores / directores / gerentes. Admito que os incentivos / penalizações pudessem, é óbvio, tomar outras formas: taxas de contribuição para a segurança social ou outras; isso é uma questão técnica a ser estudada em mais pormenor por quem o deve fazer.
    A questão essencial aqui presente é a de permitir que sejam os juízos individuais / atomísticos de cada agente económico a decidir o grau de desigualdade que é, do seu ponto de vista, aceitável. Incluir-se-ia, assim, na análise microeconómica de cada empresa / agente económico, um factor que os obrigaria a ter em conta os custos sociais (e económicos) de uma elevada desigualdade de rendimentos.
    E, por outro lado, as verbas arrecadadas dessa forma poderiam financiar as tais medidas centralistas e burocráticas que, perante necessidades infinitas, serão com certeza bem vindas; conquanto se tenham esgotado todas as formas de o fazer sem diminuir a capacidade de decisão e iniciativa da sociedade civil.

    A propósito, não resisto a contar uma pequena história que aconteceu a um meu conhecido: no ano de 1999, tinha um emprego mal remunerado numa empresa de informática; acontece que esse ano e o seguinte, em consequência do problema informático do ano 2000 e da entrada do Euro, foram anos extraordinariamente lucrativos para essas empresas.
    “Logicamente”, a administração / direcção decidiu aumentar-se a si mesma, atribuindo-se automóveis de luxo (jipes X5 e quejandos), aumentos salariais de 2 dígitos, etc. O resto do pessoal teve de se contentar com o aumento de intensidade do “Mantra”: a situação é difícil, os aumentos da função pública, a taxa de inflação…
    Um pequeno exemplo que agravou a já elevadíssima desigualdade de rendimentos do país.
    Mas, o que é que aconteceu depois? Bom, necessariamente, os clientes que gastaram mais nesses dois anos, racionalmente, optaram por reduzir os seus gastos nos anos seguintes. A administração, posta perante uma súbita redução de volume de negócios, tinha que, justificando os seus novos níveis de vida, agir rápida e eficazmente: há que reduzir o volume salarial. Como? Não aumentando ou despedindo os funcionários menores ou intermédios, reduzindo o consumo de clips e, quiçá, pois claro, controlando os consumos de papel higiénico. Reduzir os seus jipinhos e salários aos níveis normais? “No way, my friend!”
    Resultado: novo agravamento da distribuição de rendimentos.

    Reconheço que a solução que proponho apresenta um grande e, provavelmente, inultrapassável obstáculo: ao deixar à liberdade ou critério de cada agente económico a decisão de qual o nível de desigualdade que estão dispostos a pagar em IRC vamos, inevitavelmente, deixar mais pobre muita gente pouco disposta a abdicar do que quer que seja: na sua afirmaçãozinha de poder, na sua vaidade, na sua vontade de controlar, na sua predisposição para ver o cidadão como um imbecil incapaz de tomar decisões “boas” - ou seja: as que ele, na sua alta transcendência de governante ou funcionário público, considera correctas.

    Pensando bem, é curioso como o Sr. António Costa engrandece o conceito de cidadania até ao ponto da suficiência na substituição da moral, da ética e dos valores religiosos na capacidade de auto-regulação, e como, depois, os seus seguidores da administração e função pública o reduzem à insignificância da imbecilidade.

    P.S.: Sem querer ser oportunista, aproveito a oportunidade para chamar a atenção do Dr. Vasco Pulido Valente (pessoa que, diga-se, muito admiro), para esta; talvez contribua para que perceba que a existência da Ciência Económica faz sentido enquanto ferramenta da Ciência Política e instrumento da Filosofia.

    Apresento a vossa Excelência, Senhor Ministro de Estado, a expressão da minha mais alta consideração

    Lusitânia, 6 de Janeiro de 2009

    Idiota Economista – CityZen24561

    Epitáfio
    “Here lies Eric Arthur Blair, born June 25, 1903, died January 21, 1950”

  2. 2 2  Amêijoa Fresca

    O abismo em que estamos metidos, /
    para o qual este (des)Governo contribuiu, /
    muitos são os enganados /
    por este “socialismo” que os iludiu.

    O (des)Governo que a recessão negou, /
    com todas as palavras e mais algumas, /
    ela há muito se alastrou /
    e muitos serão os nossos problemas.

    O Sócrates mentiu mais uma vez, /
    o Orçamento em Novembro foi aprovado, /
    com toda a sua desfaçatez /
    o povo tem sido enganado.

    Um Orçamento deplorável /
    por causa das suas ilusões, /
    não é nada recomendável, /
    com as suas miseráveis previsões.

    Um Orçamento Rectificativo será fundamental /
    para corrigir os erros nas previsões, /
    o falhanço da política orçamental /
    baseia-se num “mundo de ilusões”.

  3. 3 3  Spartakus
  4. 4 4  ondina

    Por uma vez não mentiu esse ministro, se disse a voz do BP, que hoje Portugal entrava em recessão. E não mente, não mentiu portanto desta, porque a sabê-lo Constante, atrasadinho, é que o já topava toda a gente, à distância, excepto eu.

  5. 5 5  Saloio

    O Ministro SS, sempre igual a si mesmo. O outro ministro da propaganda, o de há 60 anos, não era melhor.

    Já a sessão de propaganda do nosso primeiro, paga a troco de uns anúncios ao Tio Francisco, é o início da campanha eleitoral do PS para os próximos 4 anos a chupar na teta dos saloios.

    Vivam os Coelhones, os Vitorinos, os Vitalinos, os Júdices, as Martas, …

    Digo eu…

  6. 6 6  Spartakus

    Bolas! Mas ninguém ouviu a letra das janeiras cantadas hoje em São Bento???
    Aquilo só na Coreia do Norte!
    Haja VERGONHA e LIMITES!

    http://bandeiranegra1.wordpress.com/2009/01/06/este-nao-e-um-blogue-respeitavel-ou-de-referencia-aqui-nem-gajas-nuas-nem-politicos-nem-banqueiros-ou-copos-de-verde-artistas-pederastas-ou-pornografos/

    Boa noite e um abraço.

  7. 7 7  Minhoto

    Ó Saloio não se esqueça dos Lello, ou coloquialmente falando os Lellos!
    Sales não fale mal das renováveis pois não sabe o que está a falar!

  8. 8 8  Joe

    Confesso que me sinto repetidamente assolado por náuseas sempre que ouço esse tal de Sócrates falar!

  9. 9 9  João Pedro

    “a maior ou menor desigualdade de distribuição do rendimento do país resulta, necessariamente, da maior ou menor desigualdade de rendimento em cada uma das suas pequenas, médias ou grandes empresas, sejam elas privadas, cooperativas, públicas ou organismos da administração central ou local.”

    Resulta também de compadrios e corrupção que levam a enriquecimentos ilegitimos, sistema fiscal que prevelegia impostos indirectos que têm menor poder distributivo (o peso relativo destes nos directos é dos maiores de paises da OCDE), de um sistema de educaçao que não promove a mobilidade social, de uma justiça que é forte com os pobres e branda com os ricos, e por ai fora.

    Quero com isto dizer que o estado tem muito com que se preocupar antes de pensar em dizer aos privados aquilo que devem pagar aos seus gestores.

  10. 10 10  João Pedro

    Mas é um bom estudo para uma dissertação de mestrado e talvez uma tese de doutoramento.

  11. 11 11  a presença das formigas
  12. 12 12  Luis Melo

    Não pode haver confiança no governo quando o primeiro-ministro passa a vida a dizer que Portugal não vai entrar em recessão e que apesar de tudo, com o esforço dele, a crise não é tão grave… e depois, antes que o governador do BP venha dizer (pq é obrigado) que o país está em recessão, o mesmo PM marca á pressa uma entrevista na TV para o dizer e não correr o risco de ser desmentido ou criticado no dia seguinte pelo governador.

    Enfim, parecem brincadeiras de meninos…

  13. 13 13  Patricia

    Se José Socrates iniciou a campanha eleitoral do PS com a entrevista os partidos da oposição fizeram exactamente o mesmo.Com os politicos em campanha eleitoral e estando os portugueses perante uma crise económica global,estamos todos bem tramados.

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