Alertado por um comentador, descobri que o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas pediu esclarecimentos a um blogger por causa de um texto seu. Sendo o blogger em causa jornalista, apesar do seu post não ter sido escrito num órgão de comunicação social, será interessante saber se se lhe aplica neste caso o Código Deontológico. Não sei, talvez sim, talvez não. Será um novo campo a explorar. Independentemente do teor do post em causa, o que perturba mesmo, por ser mais um sinal do divórcio entre os que tratam da regulação e da auto-regulação na comunicação social e as novas realidades de comunicação, é o começo da carta enviada ao blogger em causa:
“Exmo.Sr/Camarada, o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas recebeu, no passado dia 13 de Setembro, uma queixa relativa ao comentário que assinou no blog Bola na Área, a cujo Conselho de Administração também pertence“.
Ainda não chegámos ao terreno das dúvidas éticas e deontológicas, a partir do qual o debate se pode fazer. Ainda estamos na fase da ignorância pura, em que a reflexão ainda não é possível.
11 comentários 29 Set 08 em Sem categoria


“a cujo Conselho de Administração também pertence” é de facto extraordinário!
[Responder]
Caro DO,
O blog em causa faz parte do site “mais futebol” e é constituido integralmente pelos jornalistas da casa, tendo links, anuncios e banners no próprio site. É certo que pode ser problemático admitir imediatamente o blogue como simples ramificação do site, mas a extrapolação que o sindicato faz não é assim tão absurda como à primeira vista pode parecer
[Responder]
Pedir explicações (oficiais) sobre o que um jornalista exprimiu num blogue é o mesmo que pedir essas mesmas explicações acerca do que teria dito à mesa de um café ou numa conversa de autocarro. No tempo da PIDE isto era claro como água. Só prova como a Democracia é uma coisa complicadinha…
[Responder]
Ainda estamos na fase da ignorância pura, em que a reflexão ainda não é possível.
Com esta frase arrumou o assunto.
Quem assinou aquela carta mostrou que, sendo jornalista, devia ter escolhido outra profissão.
Não admira.
Começar por chamar “camarada” a um associado mostra a largueza mental do dito e por osmose do referido “sindicato”.
[Responder]
não querendo meter foice em seara profissional alheia quer-me parecer que todo o jornalista trata os da mesma profissão por camarada. tal como os militares, aliás, mesmo que não tenham todos vontade de ir vender senhas de tropicola para a barraquinha de cuba na festa do avante. coisa que, suspeito, o general kaúlza nunca terá feito.
[Responder]
Não concordo.
Orlando César pode ser até membro do Politburo, se calhar até é, mas ao assinar uma carta de um órgão do sindicato deve meter o “camarada” no sítio que Maria Armanda Falcão lhe indicaria com muito gosto se recebesse uma carta nestes termos.
Até eu, que nem jornalista sou.
A não ser que o senhor e ele, considerem que os jornalistas portugueses são todos de esquerda e gostam de ser chamados assim.
[Responder]
Esse Conselho Patológico não tem a noção do ridículo.
[Responder]
alexandrino, tresleu o que eu escrevi. claro.
[Responder]
Vieira, se tresli, é porque escreveu mal.
Pareceu-me que li todo o jornalista trata os da mesma profissão por camarada..
Ora isso pode ser muito verdade no orgão de comunicação social onde trabalha, não o é certamente no Jornal de Negócios nem no Diário do Minho, logo a conclusão do seu silogismo está errada.
[Responder]
No livro que escrevi, e lanço na próxima terça-feira, abordo o tema da regulação e da desregulação. Não o escrevo lá, mas digo-o aqui: anda tudo tolo!
[Responder]