Alertado por um comentador, descobri que o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas pediu esclarecimentos a um blogger por causa de um texto seu. Sendo o blogger em causa jornalista, apesar do seu post não ter sido escrito num órgão de comunicação social, será interessante saber se se lhe aplica neste caso o Código Deontológico. Não sei, talvez sim, talvez não. Será um novo campo a explorar. Independentemente do teor do post em causa, o que perturba mesmo, por ser mais um sinal do divórcio entre os que tratam da regulação e da auto-regulação na comunicação social e as novas realidades de comunicação, é o começo da carta enviada ao blogger em causa:
“Exmo.Sr/Camarada, o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas recebeu, no passado dia 13 de Setembro, uma queixa relativa ao comentário que assinou no blog Bola na Área, a cujo Conselho de Administração também pertence“.
Ainda não chegámos ao terreno das dúvidas éticas e deontológicas, a partir do qual o debate se pode fazer. Ainda estamos na fase da ignorância pura, em que a reflexão ainda não é possível.
Por Daniel Oliveira 29 Set 08 em Sem categoria


“a cujo Conselho de Administração também pertence” é de facto extraordinário!
Caro DO,
O blog em causa faz parte do site “mais futebol” e é constituido integralmente pelos jornalistas da casa, tendo links, anuncios e banners no próprio site. É certo que pode ser problemático admitir imediatamente o blogue como simples ramificação do site, mas a extrapolação que o sindicato faz não é assim tão absurda como à primeira vista pode parecer
Pedir explicações (oficiais) sobre o que um jornalista exprimiu num blogue é o mesmo que pedir essas mesmas explicações acerca do que teria dito à mesa de um café ou numa conversa de autocarro. No tempo da PIDE isto era claro como água. Só prova como a Democracia é uma coisa complicadinha…
Ainda estamos na fase da ignorância pura, em que a reflexão ainda não é possível.
Com esta frase arrumou o assunto.
Quem assinou aquela carta mostrou que, sendo jornalista, devia ter escolhido outra profissão.
Não admira.
Começar por chamar “camarada” a um associado mostra a largueza mental do dito e por osmose do referido “sindicato”.
não querendo meter foice em seara profissional alheia quer-me parecer que todo o jornalista trata os da mesma profissão por camarada. tal como os militares, aliás, mesmo que não tenham todos vontade de ir vender senhas de tropicola para a barraquinha de cuba na festa do avante. coisa que, suspeito, o general kaúlza nunca terá feito.
Não concordo.
Orlando César pode ser até membro do Politburo, se calhar até é, mas ao assinar uma carta de um órgão do sindicato deve meter o “camarada” no sítio que Maria Armanda Falcão lhe indicaria com muito gosto se recebesse uma carta nestes termos.
Até eu, que nem jornalista sou.
A não ser que o senhor e ele, considerem que os jornalistas portugueses são todos de esquerda e gostam de ser chamados assim.
Esse Conselho Patológico não tem a noção do ridículo.
alexandrino, tresleu o que eu escrevi. claro.
Vieira, se tresli, é porque escreveu mal.
Pareceu-me que li todo o jornalista trata os da mesma profissão por camarada..
Ora isso pode ser muito verdade no orgão de comunicação social onde trabalha, não o é certamente no Jornal de Negócios nem no Diário do Minho, logo a conclusão do seu silogismo está errada.
No livro que escrevi, e lanço na próxima terça-feira, abordo o tema da regulação e da desregulação. Não o escrevo lá, mas digo-o aqui: anda tudo tolo!