Ia eu outro dia na carreira 9 da Carris quando reparei com espanto que, no meio de encontrões, um senhor segurava num portátil e lia o Insurgente. Virou-se para mim e disse: “este senhor (ele usou outra termo mas por educação não repito), sabe quem é?” Olhei e assinava o RAF. “O gajo não disse que não lia mais o Público?”, perguntou o homem na casa dos 70 e que me contou, enquanto agarrava o portátil em desequilíbrio, ser torneiro mecânico aposentado. Uma senhora de porte imponente e com uma bata listada, que devia andar pelos 50, lá do fundo do autocarro, confirmou: “É verdade! É verdade!” “Parece que agora tem conversas com desconhecidos que lêem os artigos que ele se recusa a ler e que acham sobre o que lêem exactamente o mesmo que ele acharia se os tivesse lido“, continuou o homem. “Pois é”, respondi eu, um pouco baralhado, enquanto sentia um cotovelo de uma senhora no meu abdómen. “E o mais engraçado”, continuou com um riso talvez exagerado tendo em conta que um miúdo acabara de bolçar em cima do teclado do seu Mac, “é que é logo alguém com uma vida inteira dedicada aos mercados financeiros, de prestígio intocável, que assim dá uma especial autoridade técnica às suas opiniões”.
“Mas o mais interessante, posso mesmo dizer que se trata de uma possibilidade num milhão”, disse, enquanto enfiava o portátil num saco do Minipreço, “é que, noutro dia, o cunhado de uma prima minha que vinha de comboio para Lisboa viu um tipo a ter uma conversa parecidíssima com esta – ficou atento por ele estar a falar da bolha do imobiliário, que é uma coisa que lhe interessa imenso. Estava toda a gente boquiaberta a olhar para ele. É que a cadeira ao lado dele estava vazia, com um jornal pousado”. “A sério?”, perguntei eu, já mais interessado, apesar de ter a cara a esborrachar-se num varão por causa de um grupo de adolescentes que queria sair no Rato. “Sabe o que eu lhe diria, se deixasse um comentário no Insurgente?”, gritou ele, já do lado de fora do autocarro, na rua Alexandre Herculano. Eu aproximei-me da janela, com o autocarro em andamento, para o ouvir. E ele gritou: “Get over it!”.
Apesar de um ou outro pormenor ser romanceado (o miúdo não chegou a bolçar), juro por tudo, tudo, tudo o que há de mais sagrado que esta conversa aconteceu nestas circunstâncias e mais ou menos nestes termos. Um dia destes tenho de vos contar a conversa que tive com Ben Bernanke e Henry Paulson à porta de um bar no Bairro Alto. Foi interessantíssima.
32 comentários 26 Set 08 em Sem categoria



A única coisa que percebi deste post é que o DO não costuma andar de autocarro nem consegue inventar histórias de jeito.
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Costa Nunes, se linkar nas letrinhas em azul (são hiperligações a outros textos) talvez perceba o post e que ele é uma cópia de um outro post absurdo. Custa menos se, antes de deixar um comentário, tentar perceber o que se está a comentar. Depois, se ainda assim não perceber, eu explico.
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É impossivel não soltar uma gargalhada. O Daniel tem que escrever um romance.
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Quando era miúdo, era? Será que ainda sou? Bom , não interessa! Dizia eu: quando era miúdo costumávamos dizer:
“Quem mais jura mais mente“. Sabe porquê não sabe?
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Ibn Erriq, há posts que não se explicam. Ou se chega lá ou não.
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DO há qq coisa que me passou agora ao lado
DO escreve no seu post “juro por tudo, tudo, tudo o que há de mais sagrado que esta conversa aconteceu nestas circunstâncias e mais ou menos nestes termos
tendo comentado “quando era miúdo costumávamos dizer: Quem mais jura mais mente“. Sabe porquê não sabe?”
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Daniel:
Percebi muito bem.
O que o Daniel não tem coragem de dizer directamente é que acha que o RAF mentiu quando contou o que contou.
Conheço o RAF e posso dizer-lhe que a hipótese de ele falar com pessoas com uma vida inteira dedicada aos mercados financeiros e de que essas pessoas concordem com ele nos aspectos em causa é muito mais verosímil do que a hipótese de o Daniel ter alguma piada quando utiliza o cinismo para não chamar aquilo que entende pelos nomes.
Luís
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eu também não sei “seguramente o que é um clearing, o que são as regras de compliance, a DMIF, as IAS/IFRS, Basileia, o Patriot Act”, nem sonho “o que é um routing de ordens, um ETF, TT’s, CRV’s, ou como se calcula o risco numa carteira de derivados, o que são rácios de solvabilidade, TIER I ou TIER II”…ou seja, tou tramado: não posso fazer comentários sobre a crise, já se vê. e se a minha hipoteca aumentar, a culpa é minha porque fui (e sou) um ignaro. bem feito!
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Está fantástico. Para uma patetice, nada melhor do que “uma patetice e meia”.
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lol. Deixe lá o rapaz em paz Daniel…
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Bem esgalhado!
O puto não terá então bolsado… mas pelo caminho que as bolsas levam, não faltará muito para serem os únicos a bolsar.
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Daniel,
É bolçar, e não bolsar. Quem descobriu esse erro foi precisamente o meu companheiro de viagem (e olha que foi mesmo!).
Animal,
Pode fazer comentários sobre a crise obviamente, mas não de forma a que quem não concordar com a sua opinião seja apelidado de “orgulhosamente ignorante”. Foi isso que fez o RT, que não admite que se veja o assunto de uma forma diferente, o que não deixa de ser estranho, no caso em questão, sendo ele historiador.
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Resultado: Há UMA pessoa que conhece o RAF(Luis 7) e outra que se preocupa tanto com os seus sucessivos delírios que não resiste a delirar também. Não está nada mal.
A parte final é desnecessária. O resto está muito bem (para delírio, delírio e meio, já dizia a minha Tia Josefa)
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Caro RAF,
Se tiver lido a primeira versão do post, terá visto que aparecia “bolçar”. Depois recebi um sms a dizer que estava errado e eu, ingénuo, corrigi. Vê no que dá acreditar em tudo o que os nossos amigos nos dizem?
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Há sempre alguma verdade nessas estórias.
Por exemplo a morte do padre Max não está bem contada, eu ouvi a verdade da boca do Cónego Melo antes de ir ter com o Criador e foi assim. O Cónego e o padre Max eram muito amigos e andavam a pregar em Vila Real. Ao irem embora deram boleia á estudante Maria de Lurdes que era muito católica. Ia o padre Max a conduzir, a Maria de Lurdes no lugar do pendura e o Cónego atráz a ler as sagradas escrituras, dado o ambiente religioso a estudante Maria de Lurdes decidiu rezar o terço, mas dado que não havia espaço á sua frente resolveu virar-se e rezar em cima do colo do padre Max. Parece que já estava a acabar a rezinha ( Aqui o Cónego não sabe bem o que se passou pois estava a ler) e o padre Max terá gritado ” Ai minha Nossa Senhora” que levou ao despiste do carro tal foi a intensidade da voz. O Cónego foi o primeiro a sair do carro explodindo de
seguida. O cónego pensou sempre que teria aparecido a Nossa Senhora no caminho e que para
o padre Max não a atropelar guinou o carro para a ribanceira.
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4 Daniel Oliveira
26 Set 2008 às 18:04
Caro RAF,
“Se tiver lido a primeira versão do post, terá visto que aparecia “bolçar”. Depois recebi um sms a dizer que estava errado e eu, ingénuo, corrigi. Vê no que dá acreditar em tudo o que os nossos amigos nos dizem?”
E por essas e por outra que nunca faço o que os amigos me dizem, lol.
Mas e depois; o que e que tem.
Bolçar bolsar, seja o que for.Um erro na gramatica quem e nunca deu?
Eu aqui vejo-os aos montes e nem porisso passo a vida a apontar . Acho que nem devo sequer, posto que a couza que acontece muito e para alem disso apontar cansa muito o dedo;)
A historia divertiu-me, e bem escrita e e isso o que conta.Muito perto do mundo surreal que abunda neste nosso pais e para mais em electricos e autocarros.
Quem por la anda , se estiver atento acontece-lhe muito.
Excelentes dialogos!
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Grande post! Disto eu gosto no Daniel Oliveira – tem sentido de humor. Foi por isto que não me incomodou nada a resposta do Marco Fortes nos Jogos – teve sentido de humor e desprendimento de campeão, inaceitável pela mediocridade vigente. Foi isto que não gostei da euforia da Vanessa Fernandes com a medalha de prata – ela que passou o ano inteiro a ser-nos apresentada como o Kasparov, ou o Fisher, do triatlo… Na política, falta-nos é um Churchill, alguém que não fume às escondidas… No outro dia vi a Dra. Ferreira Leite a rir e gostei de ver, parece-me que está ali uma pessoa verdadeira, com pouco plástico, plasticina e armários fechados, a gente sabe ao que vai.
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A falta de dignidade dos fascistas vê-se nestas baixezas: um miserável de um tal de Minhoto vem tentar fazer graça com o assassinato de dois seres humanos, o Padre Max e a jovem estudante Maria de Lurdes. É a mesma escola salazarista quando inventaram mil patranhas para justificar a morte de Humberto Delgado…
Manuel Monteiro
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Ó Manuel Monteiro quem matou o Humberto Delgado foi a Amália Rodrigues eu uma altura estava a pesquisar uns livros na Torre do Tombo e encontrei uma carta do Salazar para a Amália em que estava a ordem de execução. Com tempo vem a lume este documento histórico importantíssimo que eu encontrei e onde está referido que o Cunhal afinal era agente da PIDE.
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Este Minhoto que não se cure não, o Minhoto tem cá uma pancada, valhame nossa santa engrácia.
Circo que não tenha palhaço não é circo.
Nada tenho contra os palhaços, vale mais se-lo que parece-lo.
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por acaso o RAF lembra-me alguns comunistas logo após a queda da união soviética…
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Não deixa de ser fantástico que tendo RAF um amigo que é um espectáculo em mercados financeiros, não tenha apresentado um argumento para justificar o desconhecimento de Rui Tavares em relação ao mercado financeiro. Boas gargalhadas dêem ele e o seu amigo, faz bem à saúde, mas ouvi dizer que também faz bem (disse-me um amigo conceituado na área das coisas que fazem bem à saúde, cuja competência é inquestionável) argumentar, isto porque exercita as células cerebrais.
Eu acredito que tenha um amigo, e até mais, e que até perceba de mercados financeiros, só me pergunto é porque é que é os “craques” dos mercados financeiros “nunca” sentem a necessidade de justificar e argumentar como o resto dos comuns mortais. Serão Deuses? Mas mesmo sendo Deuses não escapam ao escrutínio da lógica e da razão, e quem é que explica isso a estes teimosos Deuses? Não sei, mas talvez se lerem o blogue Ladrões de Bicicletas percebam que mesmo quem é “craque” não escapa ao debate e à argumentação, porque quem percebe mesmo de mercados financeiros não receia isso. E bem podem tentar insistir na tese de que a economia e a finança são ciências apolíticas e que, por isso, não estão sujeitas ao debate, mas na actualidade acham que algum banana cai nessa?
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Teve muita mas mesmo muita sorte senhor Daniel Oliveira.
Ora leia:
Típico bairrista cortês. Astuto e bem falante. Um cavalheiro à antiga. Penteado e sempre bem arreado no seu fato impecável. Aspecto irrepreensível. E a muleta debaixo do braço. O blazer ou o jornal enrolado de apoio ao encosto final – a mão subtil que saca a carteira. Parece sozinho mas é uma ilusão. Nos eléctricos de Lisboa entram aos três, quatro e cada um tem o seu papel a cercar a vítima. O turista. Um bloqueia o alvo, há outro que logo empurra ‘sem querer’. O último ataca. Às horas de ponta, Inverno ou Verão, é a história de 60 portugueses e cerca de 50 romenos no activo e especializados nas carreiras 15 ou 28 da capital. Vivem do “crime subtil”. Não violento. E sabem que isso lhes dá desconto especial perante a lei.
Leia todos os pormenores, em exclusivo, na edição do CM deste sábado.
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Agora um bocadinho mais a sério.
O seu post romanceado está bem esgalhado, mas mesmo quando escrevemos ficção convêm ter sempre uma pequena ligação à realidade e por isso quero avisar-lhe que o “9″ já não existe, agora é o 709.
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Maria:
Nesse caso, trata-se mais precisamente de um erro ortográfico. As palavras são homófonas, mas com significados totalmente diferentes e sem relação entre si. Bolsar (com “s”) significa: fazer bolsos ou foles; enfunar.
Quanto ao verbo bolçar, o significado já foi referido.
Daniel:
Um conselho: Nestes casos, não se emenda sem confirmar. Porque a primeira tendência (a “instintiva”) normalmente está certa.
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Eu aqui vejo-os aos montes e nem porisso passo a vida a apontar .
Faz muito bem.
Devemos sempre ser humildes.
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25 Manuel Leão
27 Set 2008 às 12:30
Maria:
Nesse caso, trata-se mais precisamente de um erro ortográfico. As palavras são homófonas, mas com significados totalmente diferentes e sem relação entre si. Bolsar (com “s”) significa: fazer bolsos ou foles; enfunar.
Quanto ao verbo bolçar, o significado já foi referido.
Ah pois Manuel
e voce acha que eu nao sei portugues loool!
Ja sei o que sao erros ha muito tempo, agora se ha coisa que nao faço e passar a vida a apontar os dos outros. Sabe, a melhor coisa a fazer nisto dos erros e olhar para os que nos proprios cometemos.
Quantos aos verbos–bolsar/ bolçar conheço as diferenças desde que vi a primeira criança a precisar de arranjos na roupita e o primeiro bebe em apuros de vomito.
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26 fado alexandrino
27 Set 2008 às 13:26
” Faz muito bem.
Devemos sempre ser humildes.”
Exactamente Fado
e sem precisar de si para isso
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26 fado alexandrino
27 Set 2008 às 13:26
Eu aqui vejo-os aos montes e nem porisso passo a vida a apontar .
2Faz muito bem.
Devemos sempre ser humildes.”
fado alexandrino
O “porisso ” esta la e de proposito.
Podia e bem certo, ter la deixado a conjunçao–”portanto”.
Podia sim senhor; mas ja que existem figuras tao dadas a critica e como praticamente e so o que sabem fazer – criticar os outros;ha que dar-lhes qualquer coisinha para ocuparem o tempo….
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ha que dar-lhes qualquer coisinha para ocuparem o tempo….
Faz muito bem, foi por isso mesmo que lhe deixei aquela notinha.
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fado alexandrino
27 Set 2008 às 18:27
“….ha que dar-lhes qualquer coisinha para ocuparem o tempo….”
Faz muito bem, foi por isso mesmo que lhe deixei aquela notinha.
O *porisso* esta la e de proposito.
Como ve deu-lhe um bocado de trabalho; ocupou-lhe um bocado de tempo;
“taavere?…..”
Lol.
Passe bem fado, passe bem.
O tempo; e claro;)
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