Também estreia hoje um filme do produtor Alexandre Valente “plagiado” de uma ideia original de João Botelho. Uma história em que produtores que gostavam de ser realizadores deixam os realizadores fazer o trabalho inicial e depois dão os retoques a seu gosto. Parece que o dinheiro é deles e que quem não tem talento compra-o. Claro que Alexandre Valente poderia ter adquirido os direitos da história de Carolina Salgado e ter produzido o mesmo filme com outro realizador a seu gosto. Mas isso exigia iniciativa. Uma trabalheira. É mais fácil “melhorar” o trabalho e as ideias dos outros.
Por Daniel Oliveira 1 Nov 07 em Sem categoria


Daniel, o João Botelho tem talento, diz o meu caro… Ok… O Alexandre Valente deve ter um nada de bom senso (impossível falar-se em bom gosto)…
Deve agora a arte reger-se pelo bom senso. Iremos longe.
Ó caro Daniel, mas são duas estórias dentro duma, atão o filme não se trata de corrupção e tem um enredo, pois então a estório dos realizadores e dos accionistas tem outro enredo, é mesmo à portuguesa, fiquei preocupado foi com a ausência do PC diga-se pinto da costa, segundo fontes oficiosas estava em lua de mel num paraíso fiscal qq.
Eu creio que depende do contrato que foi feito com o João Botelho, mas à partida o papel do João foi realizar. E nisso o produtor não se intrometeu. Onde ele se intrometeu foi na montagem e na banda sonora. Por isso a estar alguém aborrecido devia ser o montador. A ideia portuguesa de que o realizador acumula todos os cargos, (autor, realizador, argumentista, editor, director de fotografia, direcção de actores…), faz com que o nosso cinema esteja mal. E quanto à recusa do João Botelho em assinar a obra, não tenho a certeza do que estou a dizer, mas creio isso ser impossível de acordo como direito de autor. Para todos os efeitos ele realizou sozinho, ninguém intrometeu-se nisso, e o direito do realizador é algo que não pode ser abdicado. Assim como os direitos conexos por exemplo… Mas não sei bem…
Contràriamente ao que se possa pensar esta questão é o dia a dia das organizações.Veja o que se passa nas equipas de futebol.Muita gente põe lá a massa e um só tipo,um só,toma decisões que podem deitar tudo para o lixo.Ex:o treinador holandês que esteve no Porto se não fosse travado, tinha prescindido de vários jogadores e trocado tudo por um avançado.E se corresse mal?Num jornal uma empresa investe Milhões de Euros e depois coloca tudo nas mãos dos jornalistas sem poder interferir?Um produtor de cinema investe a massa, percebe que o director se deixou enrolar em ideias e casos que nada acrescentam ao filme, e perde tudo sem “gozar” nada?
E nas empresas em geral é assim!Se o accionista não pode intervir, a que título deixa tudo nas mãos de uns senhores que não correndo riscos, tomam as decisões?
Daniel, não é o que você faz (e bem) ao ler prèviamente os comentários?Defende a credibilidade do que é seu por que para si, é o mais importante!
Quantos exemplos.Veja esta decisão da Ministra da Cultura com o Museu Hermitage!Olhei para a Batalha,ontem,e vi tanto onde aplicar aquele dinheiro!
Fosse eu o investidor!
Daniel, não tomes as dores de quem não conheces. Esta cena já estava prevista no contrato. Provavelmente mais um mecanismo rasteiro de defesa, tal como não atribuir os nomes verdadeiros às personagens. É como fazer um documentário sobre o Peorge W. Vush…
ricardo, não sabe quem eu conheço ou não conheço. O erro foi assinar um contrato de legalidade (ou pelo menos legitimidade) duvidosa.
O realizador não se limita a realizar. É autor. E no caso deste filme era mesmo. A adaptação do argumento era do realizador. A ideia também.
Who cares?
Isto é, acho que o Daniel teve aqui o seu momento tablóide. Quem é que está interessado nisto?
Hummm… espera… Este filme não é com aquela miúda a Margarida Vila-Nova sempre lesta no alivío da pesada carga que é a roupita?
Vou já ver!!!
Penso que o Daniel já refere essas desculpas todas ao dizer que Alexandre Valente poderia ter escolhido um realizador a seu gosto. Mas não, quis usar o nome do João Botelho. Já se sabe qual o sistema em que trabalha o joão Botelho. Se ele não quisesse que o João Botelho tivesse controlo criativo, que pedisse a outro.
Salvaguardadas as diferenças, é o mesmo que aconteceu quando quiseram pedir ao David Lynch que fizesse uma série de sucesso. Saiu uma coisa muito estranha que decidiram que ninguém iria ver. Vá lá que houve quem pegasse nela e fizesse um filme. Chamou-se Mullholland Drive.
É verdade que um produtor, numa indústria cinematográfica comum, pode ter controlo do “final cut” e usar o mesmo caso não goste do caminho que o filme leva. É essa a razão para a proliferação de “director’s cut”. Mas convém que o realizador esteja a par de tal opção e que haja acordo para tal. Porque se há quem faça a edição, também é, geralmente, sob orientação do realizador que ela é feita.
Quanto à zanga, conheci o Alexandre Valente (embora seja 99,99999% certo que ele não se lembre de mim) e confesso que o achei uma verdadeira besta. Não me admiro que um realizador que está habituado a ter controlo criativo recuse ter o nome dele na ficha técnica quando lhe mutilaram aquilo que era, segundo ele, a sua visão pessoal do filme.
Um filme, sobre o modo como uma inocente conselheira matrimonial se deixa seduzir pelo lado mais obscuro do futebol (colocar reticências em tudo o que foi dito até aqui, por favor), com mamas (de silicone) ao léu e sexo (simulado mas muito) desenfreado precisa de um realizador exactamente para quê? Já agora queriam produtores profissionais e um argumento original, não?
Não deixa de ser curioso que o único filme nacional onde se revela a corrupção do mundo à volta do futebol não seja assinado. Pode ser curioso mas já não surpreende ninguém: neste país muito se denuncia mas pouco se assume ou se dá a cara por essas denúncias.
Não percebo o porquê de tanta polémica.
O Cinema é uma industria, e em todas as épocas e em todos os paises, houve filmes, que os estudios, ou os produtores mutilaram, em nome das regras de mercado, isso até agora não se tinha passado em Portugal, mas alguma vez havia de ser a primeira.
O problema é realmente João Botelho, este realizador faz um cinema dito de autor, para pequenas franjas de publico.
Se se queria fazer um cinema de grande espectaculo, há outros realizadores , ( Leonel Vieira), mais rodados no assunto.
Esse foi talvez a falha do produtor, quanto ao resto, serve de propaganda para o filme.
Nem estamos em Hollywood, nem a Margarida Vila-Nova é a Rachel Weisz, nem o Alexandre Valente é o David Geffen. Nunca o Paulo Branco, que é sobejamente conhecido pelo forma intempestiva de produzir, se achou no direito de estrear um filme contra a vontade do realizador. E parece-me pobrezinha esta ideia de que o cinema deva ser mercantilizado, com o único objectivo de dar retorno financeiro. O objectivo financeiro não deve ser descartado, mas não deve ser o único objectivo. A convicção de que existem fórmulas para prender o espectador, contraria a própria ideia de criatividade. O cinema europeu e o cinema americano sempre foram diferentes um do outro: o cinema americano compõe uma indústria lucrativa, onde, precisamente por isso, poucos são os realizadores que têm direito ao ‘final cut’, que normalmente fica nas mãos das grandes produtoras que investem milhões e milhões, sequiosas de lucros astronómicos. O modelo europeu é substancialmente diferente, por ser um modelo de ‘autor’, onde o realizador sempre teve o direito de acompanhar a fase de montagem do ponto de vista criativo, e onde se repudia a ideia do cinema comercial ou de estrito agrado das massas. É um modelo financiado pelos estados onde situações lucrativas são até certo ponto excepcionais.
Tradicionalmente o cinema europeu repudia a ideia de que deve ser lucrativo, privilegiando a ideia de que o cinema é uma forma de arte e não uma máquina de fazer dinheiro e blá blá blá. Há, no entanto, casos de filmes comerciais americanos de excepcional qualidade artística, donde a título de exemplo destaco ‘Entre Inimigos’ de Martin Scorcese, e por outro lado, há filmes de autor, europeus, excepcionalmente comerciais donde destaco o caso de Almodóvar. São tradições diferentes. Mais vezes o cinema europeu fez tristes figuras a querer aproximar-se do modelo comercial americano do que o contrário. Um filme não passa a ser bom só por ser polémico, só por ter um registo tablóide, só por ter umas maminhas à mostra. Um filme é bom quando é bom. E sobretudo não creio que seja preciso abandonar os critérios de ‘autor’ para se poder ter cinema de qualidade e que leve muitas pessoas às salas de cinema. Veja-se o caso do Michael Haneke, do Lars Von Trier ou do Hector Babenco. Será que levar pessoas às salas de cinema passa por americanizar os modelos de produção nacionais? De resto, o cinema português é um mundinho de conluios e interesses e de lambe botas de toda a espécie e feitio, muito pouco compatível com a noção de que é da liberdade criativa que nascem os melhores autores e realizadores.
Não, Daniel, a arte não se deve reger pelo bom senso. Mas neste caso, imaginando as cenas que foram, digamos assim, censuradas do filme, acredito que o sr. Alexandre Valente usou do seu bom senso para, no mínimo, apresentar um filme aparentemente normal, daqueles que pode ser visto pela maioria, em vez dum filme porno, bem ao gosto da musa inspiradora do filme e da vontade exacerbada que João Botelho tinha de mostrar os factos. O filme, à boa maneira portuguesa, é um sem número de situações cheias de fandango, com prestações notáveis dos nossos actores… Há que referir que eles deram já provas de serem capazes de nos fazer jubilar com aquelas representações de seres asquerosos, de cariz pouco recomendável. Não quero, de todo, “cortar as pernocas” à arte.
Uma senhora esteve envolvida na edição de um livro. Devido a esse facto, consegue facilmente acesso à autora - que o não foi - do mesmo. Em três tempos, interesses e vontades misturam-se: um produtor avança, a senhora escreve um guião, o marido da senhora avança para a realização. Não será particularmente relevante saber quem propôs a quê o quem e em que termos nessa negociação. O produtor sabe que não sendo particularmente inteligente é particularmente esperto e, por isso, salvaguarda A CLAUSULA. O vento muda, as boas vontades mudam e vem ao cimo que os interesses aparentemente idênticos não são assim tão iguais. No fundo, no fundo, ninguém fica muito bem na fotografia. Todos são vítimas e ninguém é vítima. Sendo um filme sobre corrupção - e, mais genericamente, sobre “Bastidores” e “Coisas Pouco Claras” - não deixa de ser irónico - at least - que o processo do filme também esteja cheio de bastidores e inclaridades. Go figure.
Em 2005 escrevi uma peça que me foi encomendada pelo Nicolau Breyner. Entreguei o guião completo dois meses depois e quando, passados quinze dias, fui ao IGAC registar a obra descobri que já estava registada. Um guião igual ao que eu tinha enviado para o produtor, mas em que o meu nome tenha sido apagado e susbtituido por outro, já tinha entrado no IGAC e o autor era o “escritor”- Alexandre Valente. Valeu-me o facto de a peça já ter cartazes expostos com a minha assinatura como autor e outros pequenos factos para conseguir recuperar a autoria e fui aconselhado pelo IGAC a processar o produtor.
Substituído - obviamente