“É um pouco imoral o que se anda a dizer sobre a subida do salário mínimo. Imoral por uma razão. Trata-se de uma medida de justiça, todos com isso concordam, mas, depois, há umas pessoas que vêm perguntar, será que a economia aguenta? A ideia de que o salário mínimo tem efeitos negativos na competitividade das empresas, nos países da liga dos mais desenvolvidos como é Portugal, é uma ideia tão boa como dizer que a limitação do trabalho a 8 horas por dia impede que os países cresçam.”
Pedro Lains. Ler também Ladrões de Biciletas e comunicado da CGTP, a organização que se tem batido por esta medida em nome da decência.


35 respostas ao post “Da decência”  

  1. 1 1  jcd

    “A ideia de que o salário mínimo tem efeitos negativos na competitividade das empresas, nos países da liga dos mais desenvolvidos como é Portugal, é uma ideia tão boa como dizer que a limitação do trabalho a 8 horas por dia impede que os países cresçam.”

    Então, porque não 2000€ e 4 horas/dia?

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  2. 2 2  são banza

    Bom dia!

    Na linha de raciocínio destas criaturas, não seria lógico que a seguinte proposta fosse a do regresso à escravatura?!

    Assim, poupar-se -iam os salários e aumentaria a competividade de vez, não?

    Aliás, um alto responável patronal já defendeu , perante Vieira da Silva, a suspensão do subsídio de férias e do de Natal no sector têxtil.

    Boa semana.

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  3. 3 3  rafael

    Concordo perfeitamente. Aliás, o argumento de que empresas vao fechar pelo aumento de 25 euros no salário minimo parece-me, por razoes inversas às apresentadas bastante pertinente.

    Se existem empresas que nao conseguem subsistir por um aumento desta ordem de valores, se calhar nao têm espaço numa economia que se quer um pouco mais avançada que o 3 º mundo…

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  4. 4 4  portela menos 1

    Uma empresa que não consegue pagar o salário mínimo … não é uma empresa.

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  5. 5 5  isagt

    Às pessoas que fazem essa pergunta, “da economia aguentar ou não”, o melhor será perguntar-lhes se não quererão, descer o seu ordenado para os 475€, para que a economia aguente ;-)

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  6. 6 6  sam wise

    só uma coisa, mas os que aqui dizem que se devia subir o salário minino e os empresários é que são os maus da fita, têm ou tiveram alguma empresa? se sim, peço desculpa pois devem falar com conhecimento de causa. caso contrário acho que devem considerar que a questão não é assim tão linear, para certas empresas pode ser sustentaval para outras não.

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    Daniel Oliveira Reply:

    sam wise, uma empresa que não consegue pagar mais do que 475 euros não tem futuro, com ou sem salário mínimo. Porque não pode competir em qualidade com as empresas europeias e não pode competir em ordenado com as chinesas.

  7. 7 7  Raoul de Joinville

    É que assim dificilmente poderemos concorrer com a China, não é Dr. van Zeller?!…

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  8. 8 8  Leiria

    Já agora, não é querer ser prosélito, mas para memória futura: http://agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?tpl=&id=76520

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  9. 9 9  JMG

    Há uma quantidade crescente de desempregados que já não recebem subsídio e já desistiram de procurar emprego (os nºs estão por aí em qualquer lado, de todo o modo variam consoante a fonte consultada). Uma parte deles ainda teria emprego se não existisse esta ideia da totalidade da esquerda (PCP, BE e PS) e de uma parte da direita (espalhada pelos dois restantes partidos) de que a extinção de empresas pouco performantes abre espaço para o crescimento das que ficam. Às vezes abre; e na maior parte das vezes não. Pode ser que haja estudos a confirmar ou infirmar este ponto de vista. Mas não vou procurá-los – os estudos económicos servem quase sempre para confirmar “cientìficamente” os preconceitos de quem os faz.

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  10. 10 10  LAM

    Para não poucas “empresas” que reclamam e se sentem muito lesadas com o valor do salário mínimo é indiferente este aumento de 25 euros: funcionam com contratados a recibos verdes a quem pagam 200 ou 300 euros por mês, e assim vão continuar.

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  11. 11 11  joaquim azevedo

    Dedicado aos pragmáticos do Capitalismo:

    “Quando as mães solteiras pobres tinham a opção de não entrarem no mercado de trabalho e continuarem a subsistir à custa da assistência social, as classes média e alta encaravam-nas geralmente com uma certa impaciência, se não mesmo repugnância. Os pobres dependentes da assistência social eram criticados pela sua preguiça, a sua persistência em se reproduzirem em circunstâncias desfavoráveis, os seus presumíveis vícios e, acima de tudo, a sua “dependência”. Aqui estavam eles, contentando-se com viver de “esmolas do Estado” em vez de buscarem a sua “auto-suficiência”, como todas as outras pessoas, através de um emprego. […] Mas agora que o Estado suspendeu em grande medida as suas “esmolas”, agora que a esmagadora maioria dos pobres labuta no Wal-Mart ou no Wendy’s – bem, agora o que havemos de pensar deles? A reprovação e a condescendência já não têm cabimento; qual é a forma de os encarar que faz sentido?

    Com um sentimento de culpa, estareis talvez a pensar com desânimo. Mas a culpa não chega, de forma nenhuma; o sentimento apropriado é a vergonha – vergonha da nossa própria dependência, neste caso, dependência do trabalho mal pago de outros. Quando alguém trabalha por menos dinheiro do que necessita para viver – quando, por exemplo, passa fome para que nós possamos comer de forma económica e conveniente – então essa pessoa faz um enorme sacrifício por nós, concedeu-nos a dádiva de uma parte das suas capacidades, da sua saúde e da sua vida. Os “pobres que trabalham”, como são referidos de forma apreciativa, são de facto os principais filantropos da nossa sociedade. Negligenciam os seus próprios filhos para cuidarem dos filhos dos outros; vivem em casas sem condições para que as casas dos outros sejam reluzentes e perfeitas; aguentam privações para que a inflação continue baixa e os preços das acções subam. Pertencer ao grupo dos pobres que trabalham é ser um doador anónimo, um benfeitor não identificado de todas as outras pessoas. […]

    Um dia, evidentemente – e não vou fazer aqui previsões sobre a data exacta – cansar-se-ão de obter tão pouco em troca e exigirão que lhes paguem o que merecem. Quando esse dia chegar haverá muita raiva e greves e perturbações. Mas o céu não cairá, e no fim de contas todos acabaremos por beneficiar.”

    Barbara Ehrenreich, Salário de Pobreza, Ed. Caminho

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  12. 12 12  Henry

    O segredo da economia portuguesa é que muitos trabalhadores portugueses, tendo em conta a sua baixa produtividade (fruto de uma escolaridade deficiente, de uma cultura neo-marxista etc) não merece um salário mínimo de 450.

    Claro que não é PC nem políticamente vantajoso dizer isso, mas a economia e a competitividade das empresas não se faz respeitando as regras do PC. Faz se trabalhando (muito), pensando e criando riqueza. Coisas infelizmente que muitos trabalhadores portugueses não sabem ou não querem fazer.

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    Daniel Oliveira Reply:

    Henry, suponho que sabe que a escolaridade média dos trabalhadores portugueses é superior à escolaridade média dos seus empregadores. Talvez isso também ajude a explicar alguma coisa.

  13. 13 13  Pigeon Detective

    O Daniel pode corrigir tais injustiças: Cria uma empresa e paga € 2000/mês a todos os trabalhadores que estão a receber € 450/mês noutro lado.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Pigeon Detective, não quero criar uma empresa. E quem a quer criar a isso não é obrigado. Não é um mártir. Segue esse caminho porque acha que é aquele que mais lhe convém. Eu trabalho, ganho o meu dinheiro a trabalhar, e sem mim e os que trabalham as empresas não existiam. Não devo nada a quem me paga a não ser o meu trabalho a tempo e horas e cumprindo os objectivos. Quem me paga não me deve a não ser pagar-me decentemente pelo trabalho que faço. Quem paga menos de 475 euros por 40 horas semanais da vida da alguém explora o trabalho do outro. Geralmente aproveitando a existência de desemprego. É isto que eu acho. E não tenho de criar empresa nenhuma para achar isto. Contribuo com o meu trabalho para os lucros das empresas para as quais trabalho. Isso chega para ter tanta autoridade como qualquer outra pessoa para ter opinião sobre o assunto.

  14. 14 14  JMG

    Daniel: Taí uma coisa que eu não sabia, essa que disse ao Henry. E também nunca tinha pensado nessa comparação. Mas que defeito terá o nosso sistema de ensino, além dos que lhe aponta Medina Carreira, e Nuno Crato, e muitos outros, que inibe as pessoas com formação académica de serem empreendedoras?

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  15. 15 15  joão viegas

    Quem defende que um ligeiro aumento do salario minimo nacional português afecta de forma importante a competitividade das empresas portuguesas defende que as empresas portuguesas nunca poderão vir a ser competitivas com as do mundo exterior.

    O nosso modelo economico não pode continuar a ser um modelo em que o quintal do labrego sustenta (a par com a fraude fiscal) a fabrica de cobertores do industrial local, enquanto este esta no café a ler a Bola.

    Ponto final.

    Vejam se metem duma vez por todas esta ideia na cabeça !

    Ou então, sejamos consequentes e fechemos as fronteiras, e decidamos claramente que queremos viver orgulhosamente sos…

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  16. 16 16  Antonio Cunha

    Eu tenho uma empresa e pago cerca de 3 ou 4 vezes o salário mínimo aos meus empregados. Mas não é pela bela cor dos seus olhos. É porque os mesmos tiveram formação e tornaram-se em empregados altamente qualificados que trabalham num mercado altamente competitivo. São avaliados diariamente pelo seu desempenho e produtividade. Para quem não sabe procura por “scrum metting”

    Em Portugal a maior parte das empresas tem empregados que não tem qualquer tipo de qualificação nem formação. Logo são pagos de acordo com isso.

    E mais uma coisa, o aumento de 25€, representa muito mais do que isso. Pois só quem nunca teve uma empresa e pagou ordenados é que pode dizer isso. E a taxa social única ? Não conta ?

    “O salário mínimo vai aumentar 31 euros em termos brutos para o ano, mas as empresas, que contestam esta subida, não vão arcar com os custos sozinhas.

    O Estado dá-lhes como contrapartida um desconto na taxa social única de um ponto percentual, o equivalente a 4,75 euros por trabalhador. Significa isto que, na prática, os cofres públicos suportam 15% do custo da subida do salário mínimo em 2010.”

    Num ano em que temos deflação o ordenado mínimo aumenta 5% !!!

    Por mim deveria aumentar 100%, mas com a crise que temos isto só vai provocar mais desemprego.

    Cá estaremos para ver depois….

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    António Cunha, sõ mesmo como informação: a sua empresa investe na formação?

    Já agora, muitos dos teabalhadores que recebem o salário mínimo têm formação profissional e, como saberá, muitos dos desempregados têm formação académica. O problema é muitos empresários, até por falta de capital ou de preparação para mais, continuam a apostar na mão de obra intensiva para modelos de negócio sem qualquer futuro perante a competição asiática. São esses que querem continuar a pagar ao nível do limiar de pobreza. Falamos muito da falta de qualificação dos trabalhadores e esquecemos sempre a assustadora falta de qualificação de muitos dos nossos empresários. Como saberá, não basta muita vontade e trabalho para construir uma empresa.

  17. 17 17  Cecília

    A conversa da falta de produtividade e competência dos trabalhadores portugueses já chateia. Tenho muitas perguntas. Há por aí algum empresário que me elucide?
    Por que motivo é que estas mesmíssimas pessoas quando emigram passam a ser produtivas? Por que motivo em qualquer país onde há comunidades de imigrantes portugueses, onde muitas vezes mal falam a língua, estes se distinguem normalmente pela sua capacidade de trabalho, qualidade, espírito de iniciativa?
    Será o incentivo, esse raro ingrediente na nossa sociedade? O incentivo de um salário que lhes dá uma vida relativamente desafogada e possibilidades de economizar um pouco ou consumir mais? O incentivo de um aumento ou de uma promoção devida unica e exclusivamente ao seu mérito e qualidade de trabalho? O incentivo de saber que enquanto houver esforço extra haverá extra compensação? O incentivo de uma reforma que lhes dê uma velhice descansada? O incentivo de saber que as leis que os protegem – mesmo poucas, mesmo nos países mais capitalistas – são cumpridas?
    Qual é a qualidade das nossas empresas e empresários? Qual é a qualidade dos empresários nacionais? Quais são os seus objectivos a médio e a longo prazo? Qual a qualidade dos empresários estrangeiros? Quais são os seus objectivos a médio e a longo prazo? Qual é a ética por que se regem, se alguma? Qual é o investimento que fazem na formação do seu pessoal para além do estritamente necessário? Qual é o desnível de salário entre o empregado menos bem pago e o mais bem pago? Quais são as consequências legais do incumprimento dos seus deveres para com os trabalhadores?
    Como são possíveis tantos casos de trabalhadores à espera de salário meses seguidos e de empresas e fábricas a fechar deixando os trabalhadores à porta com meses e meses de salários em atraso? Como é que isto acontece? São as leis que nos regem deficientes? São insuficientes? A lei não é aplicada? É a mentalidade e falta de ética dos empresários e deste país? O que é que acontece a um empresário que não paga aos seus trabalhadores?

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  18. 18 18  Cecília

    Pois é… vejamos a questão do salário mínimo em termos das suas consequências em relação ao desemprego:

    O Economic Policy Institute, uma organização non-profit Americana que se dedica a estudar e dar voz às condições económicas dos americanos e famílias americanas da baixa e média classe média, publicou, entre outros dados também importantes, os seguintes dados sobre o aumento do salário mínimo no seu “FACT SHEET FOR 2009 MINIMUM WAGE INCREASE” (Nos Estados Unidos o último aumento foi em três fases, tendo subido de $5.15 por hora em 2007 para $7.25 em Julho de 2009, portanto +- 40%. Isto pela lei federal pois o mínimo em muitos dos estados era já superior. Prevalece o mais alto.):

    “……….
    There is no evidence of job loss from previous minimum wage increases.

    • A 1998 EPI study failed to find any systematic, significant job loss associated with the 1996-97 minimum wage increase (Bernstein and Schmitt 1998). In fact, following the most recent increase in the minimum wage in 1996-97, the low-wage labor market performed better than it had in decades (e.g., lower unemployment rates, increased average hourly wages, increased family income, decreased poverty rates).

    • Studies of the 1990-91 federal minimum wage increase, as well as studies by David Card and Alan Krueger of several state minimum wage increases, also found no measurable negative impact on employment.

    • New economic models that look specifically at low-wage labor markets help explain why there is little evidence of job loss associated with minimum wage increases. These models recognize that employers may be able to absorb some of the costs of a wage increase through higher productivity, lower recruiting and training costs, decreased absenteeism, and increased worker morale.

    • A recent Fiscal Policy Institute (FPI) study of state minimum wages found no evidence of negative employment effects on small businesses.
    ………………..”

    Economic Policy Institute aqui: http://www.epi.org/publications/entry/mwig_fact_sheet/

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  19. 19 19  joaquim azevedo

    Cunha #19, cito:
    “Em Portugal a maior parte das empresas tem empregados que não tem qualquer tipo de qualificação nem formação. Logo são pagos de acordo com isso.”

    Amigo Cunha, faça o favor de dar uma vista de olhos ao site do IEFP. Encontrará inúmeros exemplos de empresas que pretendem recrutar “engenheiro com experiência na área” oferecendo salários de 800 ou 1000 euros.

    Cecília #20, cito:
    “O que é que acontece a um empresário que não paga aos seus trabalhadores?”

    Cara Cecília, não lhes acontece rigorosamente nada. Em contrapartida, se os trabalhadores que estão a ser espoliados dos seus salários resolverem bloquear as instalações da empresa ou pedir contas olhos nos olhos aos patrões, são confrontados com a polícia com o argumento da manutenção da ordem e do respeitinho pela propriedade privada. Ou seja, a polícia serve para proteger quem não cumpre as obrigações e ameaçar quem é roubado. Infelizmente, este tipo de criminalidade o Paulo Portas (e a direita em geral) não vê…

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  20. 20 20  Emanuel

    Para estimular o consumo (e mesmo a poupança) é preciso mais dinheiro no mercado. Para isso acontecer é preciso aumentar o nível dos salários mais baixos. Se as empresas não o podem fazer, reorganizem-se. Simples. Um amigo, licenciado ganha 2000 € (mt dirão alguns, médio para nível europeu direi eu); o chefe (não é o patrão), com mesma formação e poucas mais funções, ganah 8000€. Será isto correcto?
    Segurança social? Se calhar devia-se apostar mais em prolongar o subsídio de desemprego (proporcionalmente aos anos de trabalho, por exemplo) e retirar o rendimento mínimo a pessoal que nem é cidadão português e apenas veio morar para cá para beneficiar de esquemas, ou cidadãos nacionais com acusações de crimes… medidas talvez populistas dirão alguns, mas que seriam sempre em função de quem trabalha/trabalhou e não dos subsídio-dependentes!

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  21. 21 21  kruzeskanhoto

    Essa coisa de ter de pagar salário, mínimo ou não, é uma chatice…

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  22. 22 22  JMG

    “São esses que querem continuar a pagar ao nível do limiar de pobreza.”
    “Querem?” Não seria mais aderente aos factos, na maior parte das empresas, dizer “podem”?
    “Falamos muito da falta de qualificação dos trabalhadores e esquecemos sempre a assustadora falta de qualificação de muitos dos nossos empresários.”
    Como se compreende a “assustadora falta de qualificação etc.” se todos os anos as Universidades despejam no mercado centenas de licenciados em Economia e Gestão? De que é que os moços têm estado à espera para fazerem as centenas de empresas exportadoras de produtos de alto valor acrescentado de que o País precisa? E de que estão à espera os Sindicatos para apoiarem estes nóveis empreendedores?
    “Como saberá, não basta muita vontade e trabalho para construir uma empresa.”
    A vontade e trabalho não chegam, de facto. É preciso crédito, algum capital, espírito de risco, sentido de organização e alguma inconsciência (este último factor é requerido pelos custos de contexto, os que o mainstream dos economistas costuma referir mais o ambiente social hostil, do qual este blogue é, digo-o sem animosidade mas como quem enuncia um facto, uma afloração concreta).

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  23. 23 23  PedroM

    A realidade é triste e dura: não podemos competir com a(s) china(s) nos baixos preços/salários nem com a(s) suécia(s) na alta produtividade/salário.
    E vai ser nesta retórica que nos vamos alegremente afundar. Mas não se preocupem, porque alguém nos vai acordar à força, quer queiramos ou não.

    [Responder]

  24. 24 24  LGF Lizard

    É curiosos (ou talvez não) que as melhores empresas para trabalhar em Portugal sejam sempre estrangeiras.
    Enquanto que o patrão português tenta pagar o menos possível, o patrão estrangeiro tenta que o funcionário produza mais. É dos livros que funcionários moralizados e satisfeitos produzem mais e melhor. E para isso, é preciso dar regalias. O caso da filial portuguesa da Microsoft é um bom exemplo.
    Para mim, o patronato português tem de evoluir. O patrão semi-analfabeto que gere a sua empresa como se gere uma mercearia da esquina tem de acabar. A mentalidade que vigora, onde o trabalhador é apenas mais um e que existem milhares disponíveis para o substituir, está caduca.

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  25. 25 25  Antonio Cunha

    LGF Lizard

    Caro amigo lamento desiludi-lo mas não existe filial da MS em Portugal.

    Existe sim uma empresa de capital Português que é subsidiaria da MS.

    [Responder]

  26. 26 26  JMG

    “… e sem mim e os que trabalham as empresas não existiam.”
    Grande verdade. Agora outra verdade, que é a minha e de alguns milhares de pessoas como eu: se algum trabalhador meu se despedir, substituo-o. Posso ganhar ou perder com a troca, mas a organização sobrevive. Se porém eu desaparecer, difìcilmente alguém quererá tomar conta do negócio: teria que herdar os meus avales pessoais do endividamento da empresa, e, face aos meios que ela liberta, não haverá muita gente que arrisque os seus cabedais neste passo. Já sei, já sei: se a empresa fosse muito bem gerida não estaria nessa situação. Pois sim, mas nem sequer teria nascido, pois se para empreender for necessário ter a certeza de que se é muito mais capaz do que os futuros concorrentes, então mais vale realmente continuar a ser trabalhador por conta de outrem, além de que ninguém sabe realmente o que vale antes de se pôr à prova. Concedamos então que a empresa não tem sido muito bem gerida. Mas, por outro lado, exporta há mais de vinte anos, tem os salários de miséria em dia, paga impostos, não custa nada, muito pelo contrário, à comunidade …
    “É curiosos (ou talvez não) que as melhores empresas para trabalhar em Portugal sejam sempre estrangeiras.”
    Sim sim, enquanto não derem às de vila-diogo. É o que estão a fazer.

    [Responder]

  27. 27 27  Cecília

    JMG,
    Tenho umas perguntas para si, se não se importa.
    O Estado dá às companhias/empresários nacionais facilidades/incentivos comparáveis às que dá aos estrangeiros?
    As associações de empresários oferecem formação, certificações, etc. aos seus membros?

    [Responder]

  28. 28 28  JMG

    Cecília:
    Na mesma ordem das perguntas:
    Não.
    Às vezes. A maior parte das PMEs, porém, ao que suponho, não pertence a associações de classe. Nas que pertencem, a maior parte dos gestores não tem tempo e/ou interesse na vida associativa, que aliás oferece como principal atractivo o poder conhecer as pessoas certas para “dar uma ajudinha” (estamos em Portugal, que diabo) e facilitar a participação em feiras, prospecções de mercados, etc. Quanto à formação, trata-se de um equívoco: Não há nem pode haver formação em empreendedorismo. O que há é formação em técnicas e meios de gestão, diagnóstico, marketing, etc.; e, nos melhores casos, estratégia. Eu próprio frequentei um curso desses, na Católica, durante um ano, além de ser um leitor razoàvelmente empenhado de escritos da especialidade. Aprendi umas quantas coisas úteis no curso, sem porém ter a certeza de ter feito uma boa alocação do meu tempo. E conclui que boa parte dos meus professores, se tivessem o atrevimento de fundar e gerir uma PME vulgar em Portugal (isto é, exposta à concorrência internacional), teriam que deitar fora uma parte do que julgam saber.

    [Responder]

  29. 29 29  Cecília

    JMG,
    Obrigada pelas suas respostas. Em termos de formação eu referia-me precisamente a cursos/seminários em áreas específicas de gestão, marketing, procedimentos vários, nova legislação, prospecção de mercados, etc.

    [Responder]

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