
Souq de Aleppo
Escrevo de Alepo, no norte da Síria. A poucos quilómetros a sul, um país é destruido, num acto de selvajaria consentido pelo Mundo. Mais de 150 mil libaneses estão na Síria, esperando o dia do regresso que pode ser daqui a umas semanas ou meses. A maioria em Damasco. Muitos aqui em Alepo. Os sirios e todos os árabes vivem suspensos no que se passa no Líbano. Mas sem espanto. Há cerca de oito mil anos que o espaço que hoje é ocupado por Alepo é habitado, sem interrupções. Há milénios que é conquistado, reconsquistado, atacado e reconstruido. Aqui sente-se a história toda, em camadas, nas igrejas e nas mesquitas, nos bairros cristãos e muçulmanos. A história nunca passou. Repete-se sempre hoje. E todos os disparates simplistas que por ai se vão escrevendo sobre o Islão, lidos daqui, deixam de irritar. Fazem pena, como faz toda a ignorancia. E ver, ao olhar para os jornais portugueses na Internet, que não falta por aí quem defenda o que está a ser feito no Líbano deixa-me de sem palavras. E ver que não falta quem fale da história recente do Líbano sem falar da sua guerra civil, da anterior ocupacão israelita, de Sabra e Shatila, revela-me como o revisionismo historico tem as mais insuspeitas das faces.
Daqui, de Alepo, na Síria, sente-se a história. O Mundo não vai chegar ao fim. São apenas os árabes - essa nova encarnação do mal, como outrora foram os judeus - que se sentirão cada vez menos deste tempo. A sua decadência faz-se com gritos, mas é uma decadência sem retorno. Perderam. E por isso, aqui cresce a raiva de quem já não tem mais nada para perder. Aqui, escrevendo de Alepo, terra de árabes e turcos e arménios e muçulmanos e cristãos de todo o tipo, sinto-me libanes. O Libano que, ao contrario de Israel, é um Estado multi-confessional e que não conta com uma ponta de ajuda de um Ocidente que se diz laico para o continuar a ser. O Libano reconstruido agora mesmo e de novo arrasado pela estupidez e pela arrogancia absolutas. Um Libano entregue por Israel as maos do Hezbolah. Daqui de Alepo, milénios de historia contam-me da esperança e da barbárie. E agora, mais a sul, so se ve barbárie sem qualquer esperança.
Regresso daqui a uma semana, com muitas fotos e algumas histórias de um pais deslumbrante. Desculpem a demora na aprovação de comentários e desculpem erros de escrita. O teclado árabe não facilita.
PS: Alguem que esteja mais perto e com um bom teclado que explique a Helena Matos o significado de “anti-semitismo” e, já agora, que lhe diga que quem confunde a oposição a politica do governo israelita com nazismo não é diferente de qualquer fundamentalista religioso. Também para o Hezbolah e para o Hamas não há diferença entre judeus e governo de Israel. Quem baralha religião com politica, estados com grupos religiosos, para diminuir aqueles dos quais discorda, baralha-se com quem diz combater.
Por Daniel Oliveira 25 Jul 06 em De Damasco a Alepo, Sem categoria


Daniel, excelente site. Posso pôr um link no meu site?
Daniel, obrigado por mais uma posta. São sempre lidas com prazer. Boa continuação por essas terras “tão” distantes. Abraço
Caríssimo:
“ao contrario de Israel,um estado multi-confessional” - nenhuma confissão é impedida em Israel. como sabe existem várias correntes do judaismo. Mais, nenhum lugar sagrado de qualquer religião, é impedido de ser visitado; mais, estão instaladas várias confissões em Israel: católicos, coptas, ortodoxos de várias correntes,…
“Um Líbano entregue por Israel às mãos do Hezbollah…” - dois membros deste grupo fazem parte do governo libanês. Possuem um exército mais poderoso que o libanês num estado que se chama Líbano e não “Hezbollah”. Não me diga que é Israel que controla o Hezbollah para vir a controlar a Síria….
não posso dizer mais!
muito bem!!!!
e, nem mais perto, nem com um bom teclado, se consegue que todas as helenas percebam!!
desde quando religião e política não caminham lado a lado no oriente?
se vc pensa assim então é mto ingénuo, coitado
Obrigado por ser tão “imparcial”…
“um país é destruido, num acto de selvajaria consentido pelo Mundo.” - exacto, ninguem pode por isto em causa!
sim Daniel, a ignorancia e’ triste e a nossa historia infectada por cruzadismos, nao ajuda nada. muitos comentarios anti-islao desapareciam daqui se por ai’ passassem uns tempos!
atribuir a designacao de terrorista a grupos que defendem uma ideologia ou um povo, e nao querer saber das causas que defendem nem das razoes, e’ uma garantia para nunca chegar a acordos de paz. e assim, o ciclo vicioso continua e escala…
uma pergunta inocente:
Por exemplo, qualquer um de nos, se tivessemos nascido na Palestina, vissemos os nossos avos a serem expulsos das suas casas, atacados, presos e mortos; crescemos num ambiente de campo de concentracao, tratados como povo de 2a, nojento e sem prespectivas futuras; se cada vez que tentassemos lutar pela libertacao do proprio pais, levassemos com tanques em cima, sera’ que um dia nao perderiamos tambem a esperanca em tudo e dariamos a propria vida para pressionar um pouco o inimigo que nos aterroriza ha’ varias geracoes?
sera’ que nao olhariamos para o Hezbolah e para o Hamas com outros olhos, considerando-os, nao o inimigo, mas os unicos Amigos que nos dam a ultima esperanca?
pensem um pouco, empatia tambem nao faz mal a ninguem!
nao e’ com este comentario que condeno o povo de israel, ninguem merece ser aterrorizado, mas sim as politicas dos varios governos israelitas.
com tanta gente bem educada, sera’ que nao e’ possivel arquitectar um plano de paz que sirva a todos… conceder tambem nao faz mal a ninguem!
Oh dear, oh dear! Também me parece que estás um pouco confuso.
Já que estás por essas bandas dá um pulo a Israel, OK?
Infelizmente a realidade desmente diariamente os defensores do sionismo.
Hoje 28 de Julho, foram as tropas da ONU en serviço no Sul do Libano que foram atacadas DELIBERADAMENTE pela aviação de Israel, ontem foi a Cruz Vermelha, antes foram civis brasileiros, canadianos franceses, todos aqueles que se encontraram no caminho do exercito sionista foram liquidados.
Não está aqui em causa se o regime de Israel é mais ou menos democratico, que outros regimes do Medio-Oriente, se respeita mais ou menos as outras confissões religiosas, o que está em causa é que Israel é um regime de assassinos, que humilham assasinam e destroem todos os povos que ao seu redor não se sujeitam ao seu dikat.
E repito leiam a historia dos pais fundadores do Estado de Israel, se querem falar de terroristas, têm ai excelentes exemplos.
parece que ta a ficar na moda chamar anti-semita a toda a gente!!sera que para se ser considerado anti-semita “basta” nao dizer que sim a tudo o que os judeus queiram??
sera que se portugal jogar com israel num desporto qualquer temos que apoiar a vitoria israelita para nao sermos chamados de antisemitas??? parece que sim…
Esta visão maniqueísta de que quem não diz “amen” a tudo o que Israel faz é “anti-semita” ou até nazi é de uma inteligência suprema e de uma honestidade intelectual sem limites!
No mínimo é coerente com a visão bushiana “Those who are not with us, are against us!”
Era tão bonito que o mundo fosse a preto e branco e todos vivêssemos nos Alpes com o Marco e a Heidi!!!
Ainda dizem que a história não se repete…
http://palestinianpundit.blogspot.com/2006/07/lidice-1942-beirut-2006.html
Há 3000 anos os judeus foram expulsos daquelas terras.
Há 2000 os filisteus, deram “origem”aos actuais palestinos.
Não dará para viverem dentro das suas fronteiras, apesar das de Israel terem sido criadas por “decreto”?
O que faz um exército, dentro dum país que não é o seu,(o do Hezbollah)?
Onde está o poder da verdade?
Nas atrocidades cometidas por Israel, ou na sistemática cadência do poderio do Irão e dos seus pares, apoiando outros?
Alguém ouviu mais falar na nuclearização do Irão ?
São cadeias, (elos), de malha apertada para a compreensão dos ocidentais.
Passem bem !
Ainda gostava de saber como é possivel o bloco de esquerda defende um grupo terrorista.
Se eu tivesse em casa um monte de ladrões ou criminosos que vandalizavam os meus vizinhos não teria outra solução que colocar a bandidagem na rua, por isso não entendo porque o Libano não se defende nem coloca os terroristas na rua.
Acho uma resposta fácil para quem tenha 2 dedos de testa.
” atribuir a designacao de terrorista a grupos que defendem uma ideologia ou um povo, e nao querer saber das causas que defendem nem das razoes, e’ uma garantia para nunca chegar a acordos de paz. e assim, o ciclo vicioso continua e escala…”
Oh nic, pá, talvez esteja na altura de parar e pensar:
1)Como se negoceia com alguém cujo objectivo declarado é “aniquilar Israel?”
2)Já pensou porque foram executados os ataques do Hamas?
3)Já reparou que há bastante tempo que Israel retirou do Líbano (que passou a ser controlado pela Síria..) - e há menos, da faixa de Gaza ? Pararam os ataques de Hamas e Hezbollah? Houve cedências ? Pois, bem me parecia…
Incrível como de repente todos os pró-sionistas portugueses acordaram, submergindo os pró-árabes, que eu julgava formarem a maior parte da opinião pública portuguesa… Apesar de provavelmente ser incluído (embora não seja eu a incluir-me)no grupo “pró-árabe”, vou tentar resumir a minha posição de forma a evitar equívocos.
Os ataques do Hezbollah a cidades israelitas não tem qualquer justificação. São sinónimo de brutalidade e, sim, de terrorismo. Mas, não tendo justificação, têm explicação.
Do outro lado da barricada, os ataques israelitas, quando conduzidos contra alvos do Hezbollah, são perfeitamente compreensíveis e justificáveis. No entanto, hospitais, estações de televisão, instalações da ONU, não são, nem para o mais arreigado dos defensores de Israel, alvos do Hezbollah. São, isso sim, alvos puramente civis, cujo bombardeamento é, pelas convenções de Genebra, considerado como crime de guerra.
Que temos, então? De um lado, terroristas que consideram defender a sua terra. Do outro, a resposta vem sob a forma de crimes de guerra. Digam-me se algum é mais justificável que o outro… porque para mim a resposta é um rotundo Não! Só que enquanto na opinião pública sempre se encontra quem explique a posição de Israel, é cada vez mais difícil encontrar quem compreenda a mentalidade árabe…
Por isso Força Daniel! e já agora aproveito para divulgar o meu modesto blog onde também escrevi umas linhas sobre o assunto, é o Altermundo, altermundo.blogs.sapo.pt/. Posso também colocar um link para o teu blog no meu? Não que muita gente o vá ver…
Aos prós-israelenses acéfalos recomendo lerem o diário ateísta de 26 de Julho ‘Israel não é um Estado Laico’.
E por favor deixem de ser racistas e sobretudo Anti-Semitas.Ontem,à noite deveriam ter visto o Clube de Jornalistas com José Goulão,Rui Pereira e Pezarat Coreia sobre o Médio Oriente.
Curiosamente,a ‘nossa’ informação(?) tem como comentador Loureiro dos Santos quer na Sic Notícias quer no canal público da RTP!!!!
Imparcialidade,não é?…
Oh Daniel, Valha-me Deus (aplica-se, não acha?)! Então você ainda não percebeu que:
a) por trás do Hezbollah está o Irão (que jurou e jura exterminar o estado de Israel todos os dias), a Síria e o Hamas (que juram exterminar o estado de Israel todos os dias)e que, portanto e por consequencia (a redundâcia serve apenas como ênfase, para que você perceba) qualquer tomada de posição por parte do governo de Israel, tem de ser sempre uma clara demonstração de força e poderio bélico. Eles não podem dar-se ao luxo de intermináveis nogociações diplomáticas que pudessem ser interpretadas como fraqueza. Israel é como um um leão (ou que vc quizer), acossado por todos os lados por hienas e abutres e age em conformidade.
b) estrategicamente, Israel é, provavelmente, o país mais importante do Mundo inteiro porque mantem em respeito todos esses estados muçulmanos que são controlados, ou dão treino, ou apoiam de alguma forma grupos terroristas.
c) Obviamente que os civis pacificos (apolíticos) desses países não tem culpa nenhuma e o nosso c pensamento tem tambem de estar com eles. Mas e os judeus que há milhares de anos que não tem sossego? Qual a solução para eles senão defenderem-se mais uma vez?
d) Por isso deixe-se dessas tretas de “sinto-me Libanês”, porque para se sentir Libanês, então sente-se tambem, de certeza absoluta, mesmo que não o saiba ou tenha escolhido ignorá-lo, Israelita.
daniel
coragem
é na siria criticar a siria e a politica do seu governo
criticcar israel é para meninos
agora que te passeias por uma ditadura repressiva (vai à pagina da AI) de bico calado
mete dó
sérgio
Não ligues Daniel. Ele há malta que já nasceu com uns óculos de sola… É um cansaço, tentar que se informem minimamente! Um abraço, resto de boas férias e bom regresso. E deixa as Helenas!
«Um Libano entregue por Israel às mãos do Hezbollah»? Explique lá melhor o raciocinio. Até agora não o foi?
Excelente texto. A estupidez e a brutalidade desta (como das outras) invasao deixa-me perplexo. Ao fim destes anos todos os israelitas (e os americanos e os ingleses) ainda nao perceberam que o taxista de Tom Friedman - o que lhe disse que achava que os israelitas deviam bater nos arabes ate eles deixarem de os odiar - nao tinha razao, que com violencia nao se estanca violencia, que o Ocidente perdeu as cruzadas todas menos a contra os cataros…
O hezbollha defende a criação de um estado islâmico em todos os países árabes! O hezbollha é um partido representado no Líbano! O hezbollha é um partido armado com mais poder que o exército do seu país! Será que isso defende o povo palestiniano? Ou o povo Libanes? Não me parece que se esteja a atacar as ideologias mas sim um partido armado que se esconde atrás de crianças, mulheres e velhos!
O que me choca é ver um “pai”, no Irão, com um bebé ao colo a dizer que está disposto a sacrificá-lo pela luta do hezbollha! Ele fica descansadinho e manda o bebé! Isto é ideologia ou é crime em qualquer parte do mundo? Acabou de dar na TV!
Uma coisa é a ilegalidade dos actos de Israel sobre os palestinianos, outra é a defesa do seu território de bandidos armados!
…mais cegueira que a da ignorância, só aquela de quem não quer ver!… mas por favor, deixem de falar de religiões, de “cruzadas” ou de “jihads”…
Falem sim sobre “Direito Internacional” da “Carta das Nações Unidas e das sucessivas Resoluções”… e verifiquem o seu desrespeito.
Falem sim, dos interesses económicos no Médio-Oriente (petróleo) e verifiquem as sucessivas traições britânicas e francesas aos “Acordos” feitos com os árabes, desde a 1ªguerra mundial.
Falem das ocupações ad-eternum da Palestina, cujo povo continua oprimido, subjugado e humilhado em campos de concentração…
Enfim, NÃO ME CONTEM MAIS HISTÓRIAS DE GUERRAS SANTAS… Aqui não há “judeus” contra “muçulmanos” - Aqui há apenas um Estado chamado Israel, comandado por politicos sem escrúpulos, que está destruindo outro estado chamado Líbano… parte integrante da Arábia antiga(a grande nação árabe, tão ardilosamente dividida durante o sec.XX…)
Tudo o resto é foclore para desviar atenções…
quer-me ca parecer q israel passou a bombardear o líbano depois de um ‘partido’ ter entrado em Israel e raptado 2 soldados desse estado…
Que lindo post!
As guerras são sempre estúpidas.
Mais do que andar a ver quem tem razão, deve-se pensar que ninguém a tem.
Este cenário só faz vítimas nos inocentes cidadãos apanhados no meio do conflito.
E os beneficiados são os vendedores de armamento. Como sempre…
À distância interrogo-me se o Líbano realmente existirá enquanto estado. É uma terra alugada ao metro quadrado para que dois exércitos fundamentalistas se defrontem: o Hezbollah, islâmico e o israelita, judaico. Enquanto isso, a comunidade internacional, na pessoa dos seus mui nobres e ávidos de férias governantes, assiste, incomodada por um assunto que prefere remeter para baixo do tapete. Até a própria ONU é colocada a saque, enquanto escudo ou alvo fácil, perante a complacência e dócil sujeição de quem a gere, como infelizmente se tem visto.
Interrogo-me também sobre o que sucederia se Israel não se tivesse tornado no primeiro estado fundamentalista ao tornar-se judaico e no que fariam duas gerações de palestinianos integrados numa terra a que todos têm direito: de nela viver e por ela lutar, judeus, cristãos e muçulmanos.
Isto é o que se pode chamar de post com vendas nos olhos. Daniel Oliveira parece o turista que chega entusiasmado da sua viagem, e descreve as suas impressões com benevolente condescendência e/ou altaneira sabedoria, aos que nunca fizeram a mesma viagem.
Absolutamente naïf!
E não é que os palestinianos e os árabes, são tão semitas como os judeus?
Oh revelação divina!!
Então, na realidade, o que é que significa ser-se anti-semita?
Para Israel 3 pessoas neste caso soldados valem muito!
Para os Libaneses 10.000 pessoas presas nas prisões de Israel não valerão nada?
Foram a Israel capturar os 3 soldados, terão ido de livre vontade os 10.000 libaneses para as prisões de Israel?
Um ser humano seja de um qualquer Pais ou religião vale o mesmo.
Tanta hipocrisia!
qual seria a explicação para esse conflito???
Essa política religiosa é apenas uma desculpa para que esses homens satisfaçam suas necessidades violentas. Essa conversa de dizer que DEUS (ALAH) mandou isso ou aquilo é pura desculpa. Se fosse mesmo desejo de DEUS (ALAH) de haver tanta matança Ele mesmo faria isso. Não ficaria mandando um punhado de homens estupidos fazer o trabalho sujo.
Quanto a ocupação, creio sim que os palestinos tem que abrir os olhos pois estão sempre sendo usados como marionetes para atender a interesses externos. Só não vê quem não quer. Estou em Rio Branco no Acre - Brasil. Olá para vocês!