camané.JPG

Num país onde tanta gente vive obcecada pela aparência e despreza o talento, não é qualquer um que pode cantar Frank Sinatra e Jacques Brel com uma orgulhosa pronuncia portuguesa e misturar Elis Regina com Tony de Matos. Indefectível, desde que me lembro de existir, do bom fado, foi com alívio que há uns anos descobri que depois de Amália não me restava apenas o faduncho de Cascais ou o outro a armar ao modernaço, mas sem chama nem memória. Camané não se limita a ser dono de uma voz e de uma força que nos deixa sem ar. Como Amália, arrisca e nada do que canta são apenas canções. A ir ver, no São Luiz, em Lisboa, até dia 6 de Maio.


Sem respostas ao post “Depois de Amália”  

  1. 1 1  Lopes

    Óptimo, sem dúvida.

    “descobri que depois de Amália não me restava apenas o faduncho de Cascais ou o outro a armar ao modernaço, mas sem chama nem memória.”

    Concordo plenamente. Aqui está algo em que me declaro um conservador. Sem reservas.

  2. 2 2  PR

    …salazar, o eusébio e o Louçã…
    Bom dia e boa semana, abraço, K’mrd.

  3. 3 3  maria joão

    E os olhos do homem, olhem para aqueles olhos são um poema.:-)

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    Também eu, Lopes. Mas, no entanto, Camané está a mudar o fado. Mas muito para lá de modas.

    PR, espero que tenha esse tipo de preconceito que eu, como homem de esquerda, tive de aturar a vida toda.

  5. 5 5  Morais

    hmmm…Sera por ele ser do BE que é melhor que os outros todos, mesmo os que sao mais reconhecidos la fora?? Atençao, que gosto muito de Camane, apenas nao misturo as coisas quando se trata de musica…

  6. 6 6  Xico

    Eu estou de acordo! Mas com um sorriso nos lábios para não desatar a rir às gargalhadas…
    pobre Amália que tanto mal te fizeram!

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Morais, não há paciência. A sério. Ao contrário de si, que pelo que parece vive um pouco obcecado, há na minha vida muito mais vida para além do BE. Estou-me absolutamente nas tintas para as convicções políticas de camané. Suponho que a Amália, de quem eu falo no post, também era do BE. Eu nem sei porque perco tempo a responder a esta gente.

    Xico, assino por baixo em relação à Amália, de que sou admirador desde que me lembro de ouvir música. Sempre me espantou como a política pode ensurdecer tanta gente.

    Mas, bem vistas as coisas, nada mudou. Veja que você se ri por eu gostar de Amália e o Morais atribui a minha admiração por Camané à política. Como vê, também vocês têm dificuldade em olhar para as pessoas para lá da política.

  8. 8 8  Gabriela

    Não lhe ficava nada mal tentar saber o que dizem as canções, já que as vai interpretar…
    Isto a propósito da “linda” figura que tanto o Camané como o João Bonifácio fizeram na entrevista publicada no suplemento Ípsilon do Público sobre a canção “Ne me quitte pas” de Jacques Brel:

    “Laisse-moi devenir
    L’ombre de ton ombre
    L’ombre de ta main
    L’ombre de ton chien”

    JOÃO BONIFÁCIO: “É das canções de amor mais desesperadas que já alguém escreveu: ‘Deixa-me ser (…) o ombro do teu cão’…”
    CAMANÉ: “Ele queria ser o ombro do cão dela porque queria era estar ao pé dela, não queria que ela o deixasse. E nessa fase da canção existe o desespero: nem que seja uma mosca à tua volta, o ombro do teu cão, qualquer coisa, mas que eu possa estar ao pé de ti.”

    O “ombro do teu cão”???? EhEhEh!!!
    Ninguém é obrigado a saber francês, mas tanto um cantor como um entrevistador devem saber do que vão falar. E um dicionário está sempre ao alcance de qualquer um.

    Enfim, bom cantor, mas ignorante.

    Fez-me lembrar há uns bons anos atrás um locutor de rádio anunciar a canção “Amor salta-me para as costas” de Billie Holiday (Love Come Back To Me) - e este deve ter ido ao dicionário…

  9. 9 9  Mário Artur

    Pois é. Mas o homem vai cantar Jacques Brel sem saber que, na canção «Ne me quittes pas», a palavra «ombre» significa «sombra» e não «ombro»!!!! Ou seja, o Camané está convencido de que os fabulosos e terríveis versos que encerram essa canção («Laisse-moi devenir l’ombre de ton ombre, l’ombre de ta main, l’ombre de ton chien») significam «Deixa-me tornar-me o ombro do teu ombro, o ombro da tua mão, o ombro do teu cão», o que, está-se mesmo a ver, faz imenso sentido!!!! Vejam a entrevista que o Camané deu ao «Público». A besta que o entrevistou traduz «ombre» por «ombro», e o Camané alinha nessa tradução! Pode ser um excelente cantor, mas é melhor ficar-se pelas «Marias Albertinas»…

  10. 10 10  Sofia Ventura

    Fado, para mim, é Camané (e Carlos do Carmo). O resto é paisagem.
    O fado interpretado por Camané é tão castiço que, mesmo que quisesse - fizesse todas as experiências e mais alguma - nunca o conseguiria desvirtuar.
    Podia ser a voz, mas é o sentimento. Os fadistas não se fazem, nascem.

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    Leio os comentários da Gabriela e do Mário e penso “País pequeno, foda-se!”

    Ok, não sabe que «ombre» é «sombra». Assim como Amália não sabia o que cantava quando cantava. E no entanto comoviam. Quantas vezes conseguiram vocês fazê-lo?

  12. 12 12  Gabriela

    Daniel: “Quantas vezes conseguiram vocês fazê-lo?”

    Fazer o quê? Cantar? Comover? Que raio de pergunta! Não é preciso ser-se cantor para saber que alguém canta mal, por exemplo…

    E o Camané canta bem, mas é ignorante. Fez uma triste figura na entrevista.

    Ou lá porque canta bem tem de ser um poço de virtudes?

    E um país pequeno fazem aqueles que usam palas - só vêem o que lhes interessa

  13. 13 13  carlos martins

    Concordo com a Gabriela, como podes tu passar um sentimento sem o conheceres? Para além disso o trabalho do Camané parece-me banal e desinteressante.

  14. 14 14  Von

    Em matéria musical, gostava de deixar aqui uma chamada para “Resistir é vencer”, de José Mário Branco, talvez uma das maiores obras primas dos últimos vinte anos (ou mais). Esqueçam as ideologias e descubram esta pérola demasiado ignorada pelos meios de comunicação.

    Von Barata

  15. 15 15  Sérgio Ganges

    Caro Daniel,
    Tive que esperar pela repetição de hoje para confirmar uma coisa que não acreditei ter saído da sua boca e continuo perplexo como pode ter dito que “Sá Fernandes era um reles cidadão” antes de ter sido eleito.
    Você disse isto!! “Sá Fernandes era um reles cidadão”.
    Eu digo: reles é o que você disse!

  16. 16 16  Dr. Etcétera

    Dedicada aos francófonos, anglófonos e demais poliglotas de serviço:

    http://aspirinab.weblog.com.pt/2007/04/eu_queria_ser_o_ombro_da_shaki.html

    De facto, a história da música sempre rezou dos grandes intelectuais… A começar nas worksongs desses vultos da cultura que eram os escravos…

    Daniel, sem querer adulterar a tua frase, prefiro dizer “país de pessoas pequenas, foda-se”.

  17. 17 17  maria joão

    Bem a Gabriela e o Mário apresentam os argumentos típicos os invejosos, o homem divinamente, o homem arrepia, o homem encanta, o homem é do além. Aleluia, aleluia.

  18. 18 18  Daniel Oliveira

    carlos martins, sem conhecer o quê?

    Disse, Sérgio. E só leva a mal quem não entende já que eu, não sendo eleito, sou também um “reles cidadão”. Acho que se percebe qual era o sentido. O “reles” era irónico, como é evidente. Já que nesse momento estava a elogiar o acto de cidadania de sá Fernandes.

    Gabriela: comover alguém que não conhecem?

  19. 19 19  carlos martins

    Pelo que percebi o Camané não pesquisou uma letra.
    O sentimento que a música pretende passar, a intenção do autor não a conhece já que de ombro a sombra ainda vai qualquer coisa, certo?
    Fica minimamente ridículo mesmo que não fosse insólito mas a ajudar está a poderosa frase: “Ele queria ser o ombro do cão dela”.
    Enfim, trabalho é trabalho e esse senhor trabalhou mal.

  20. 20 20  a.pacheco

    Camané independentemente de apoiar o BE é um GRANDE ARTISTA.

    Amalia independentemente das suas posições como cidadã, que foram altamente contestaveis, era (é) uma GRANDE ARTISTA.

    Tenho pena que há quem não entenda isto.

    Uma coisa é a obra, a qualidade o profissionalismo, outra coisa bem diferente é a postura da personagem enquanto cidadão.

    O livro ” Uma viagem ao fim da noite ” é um GRANDE LIVRO.

    Louis Ferdinand Celine UM PULHA

    Pound foi um grande poeta.
    E um execravel ser humano

    Há outros nomes do fado, que julgo merecerem destaque

    Carlos do Carmo
    e
    Beatriz da Conceição

    Ouçam-nos

  21. 21 21  Morais

    Caro Daniel, talvez seja obsessao minha ou demaisada coincidencia, o que me parece a mim é que foi preciso aparecer o Camane para uma certa corrente politica começar a gostar de fado…

  22. 22 22  joão cília
  23. 23 23  fidel

    ó camarada daniel, sporting, touradas e fado ???
    não tarda nada ainda vamos descobrir que és monárquico.

  24. 24 24  maria joão

    Von Barata lembra bem “Resistir é vencer”, de José Mário Branco, obrigada pela lembrança. :-)

  25. 25 25  Daniel Oliveira

    Morais, eu gostava e cantava (para mal de quem me ouvia) fado quando tinha seis anos. Não se me aplica.

    Carlos, e no entanto cantou a música com um enorme sentimento. E o trabalho dele não é dar entrevistas.

  26. 26 26  maria joão

    Camané é um grande artista, quero lá saber se é ombro ou sombra, na realidade tanto me dá como se deu, provavelmente antes nem se deram ao trabalho de traduzir a letra e também se comoviam ao ouvi-la. Descobriram que ele vai entrar na dita coutada da música erudita e revoltaram-se contra o seu desplante, bando de pseudo puristas musicómanos de pé de chinelo. Deixem o homem cantar, canta e encanta…bando de invejosos. Olhem para aqueles olhos, o homem trás o mar com ele, ele cheira a maresia, deixem o homem passar e silêncio ele vai cantar o que lhe der na real gana.

  27. 27 27  Carlos Ferreira Kopke Esteves

    Ó Maria Joao??? invejosos??? então o indivíduo reconhece-se numa determinada letra de uma música, põe-na num pedestal? derrete-se em elogios a ela e ao seu autor e confunde sombra com ombro?? acha isto normal?? estou-me nas tintas para ele e para o que canta (eu sou apolítico portanto não tentem tirar nabos da púcara)o camané provou que é um idiota, mas pode ser que seja boa pessoa e que tb cante bem, mas idiota lá isso é. como alguém disse, que fique com a maria albertina

  28. 28 28  palhaçadas

    entãão? então pessoal?
    O Camané é um gajo fixe. para além do faduncho, até alinha nas rockalhadas dos clã, o que faz dele um gajo fixe.
    realmente Daniel, tb não gostei que te tenhas referido ao Sá Fernandes como um “reles cidadão”, apesar de saber que não era isso que na verdade querias dizer… De resto, e ainda quanto ao discurso do PR no 25 de Abril, creio que quando as razões são justas devemos solidarizar-nos tanto quanto possível. Lá porque o Professor Betão não apostou no sistema educativo, não significa que não tenha alguma razão em lembrar que a juventude anda um bocado longe da política. É evidente que compete aos bons jornalistas (e aos bons moderadores, e aos bons empresários de media, etc., etc.) avaliar a qualidade da democracia. Mas não só. Aliás, para além de se saber que o 4º Poder é tb corruptível, os bons jornalistas, como vultos intelectualmente brilhantes e imprescindíveis e insubstituíveis que inquestionavelmente são, não podem esquecer que a sinédoque é uma figura de estilo que às vezes induz em erro.
    Para além dos bons jornalistas que ajudam a monitorizar a democracia hoje, há que preparar outros sobretudo a não terem medo de fazer as perguntas certas na altura certa e com condições legais para mandarem bugiar os administradores das empresas onde trabalham sem irem parar ao olho da rua. Como se sabe isso não existe. Com efeito, ser um “jovem inconformado” está longe de significar que se tem o direito de atirar saquetas de tinta para dentro de lojas. A isso se chama ser um “jovem estúpido com problemas de hiperactividade não detectados na infância”.

  29. 29 29  a.pacheco

    Ridiculo…. a canção do Brel é das canções mais DESESPERADAS que conheço, ouçam a versão do Camané com ouvidos de ouvir, e já agora a interpretação, para mim inultrapassavel, da Nina Simone.

    Camané sentiu a canção e isso percebe-se a quem, o ouviu cantar.

    O ombro ou a sombra..
    São questõezinhas

    Mais são preocupações de criticos de pacotilha, que passam a vida a ouvir os Robertos Leais e os Carreiras ,e não conseguem enxergar quando têm pela frente um Artista com A grande

    Fazem lembrar a personagem interpretada pelo Carlos Mendes, no programa do Vitorino de Almeida actualmente em exibição na RTP 1

    O meu bravo a Camané

  30. 30 30  Rita

    A falha cometida pelo entrevistador induzindo Camané em erro na entrevista publicada chama-se, em didática de línguas estrangeiras, “erro por interferência” e pertence ao domínio dos erros lexicais; ou seja, pela semelhança de um vocábulo entre a língua materna e a língua segunda - pode errar-se um enunciado ou fazer-se uma má tradução, por exemplo, como foi o caso. Honestamente, horroriza-me muito mais construções plagiadas do espanhol, do inglês (tantas e tantas!) que se vêem com frequência na nossa imprensa. O desconhecimento do significado de uma palavra numa língua estrangeira ou a confusão do seu significado não me causa grande transtorno. O trabalho de um artista como o Camané? É cantar. E para quem teve, como eu, a oportunidade de o ver no concerto do último sábado, a avaliação da performance só pode ser muito, muito positiva. Camané é um cantor brilhante. Não é só um fadista. É um cantor de canções. De muitas canções. De toda e qualquer canção que ele saiba (ele sabe!) agarrar e tornar sua…O resto…são piquinhices, ressabiamentos. Quem comenta uns milimetros de uma entrevista, quem comenta uma palavra, uma tradução errónea que não belisca a força, a emoção a exactidão com que Camané cantou Sinatra, Beatles, Brel (muito e muito bem) de uma maneira que nada tem de vulgar, quem o faz, dizia eu, tem ainda muito que andar para alcançar a sensibilidade de Camané, aquela com que nos toca, aquela que é tão sua e da sua voz…

  31. 31 31  Von

    Porra, que o sentido de humor de uma boa parte dos comentadores é uma grandessíssima caca. Claro que reles foi em sentido figurativo, claro que o Camané canta bem, claro que há mundo para além da filiação partidária e quandrante político, claro que o fado e o futebol valem a pena, claro que gostar de algo não significa concordar (eu nunca serei da filiação partidária ou até da ideologia política de um Zé Mário Branco mas acho a sua música um deleite), claro… Lá por gostar de Heavy Metal e Punk, serei um satânico ou um skin?… Porra, libertem-se!

    Cumprimentos

    Von Barata

  32. 32 32  António Fonseca

    O Daniel não precisa de asneirar nem inferiorizar outros pelo facto destes comentarem a gafe de ninguém.
    O Camané é um grande artista. Tenho a sua discografia completa, oiço-a muitas vezes e até (helas!) fui ver o concerto neste domingo.
    Grande concerto, confirmando o grande cantor.
    Mas a verdade também continua a ser esta: a gafe do Camané é ridícula, e não vale a pena virem para aqui com explicações de outra ordem (se o jornalista induziu o Camané em erro, o Camané naturalmente, se soubesse o que a letra queria dizer, corrigia-o). O Camané cantou muito bem a canção, e tenho a certeza que a cantaria ainda melhor se soubesse o que a letra significa.
    Eu não sei medir a diferença entre ombro e sombra, sei que não são a mesma coisa, sei que é importante perceber o que se canta para se cantar com alguma… intenção.
    Para terminar informava ainda que não sou crítico de pacotilha, não tenho nada contra o Roberto Leal ou o Tony Carreira (respeito os artistas e quem os ouve) e não tenho nenhuma razão para estar ressabiado… muito menos faria observações destas sobre alguém que não conheço.

    António Fonseca
    Rio de Mouro

  33. 33 33  António Fonseca

    O Daniel não precisa de asneirar nem inferiorizar outros pelo facto destes comentarem a gafe de ninguém.
    O Camané é um grande artista. Tenho a sua discografia completa, oiço-a muitas vezes e até (helas!) fui ver o concerto neste domingo.
    Grande concerto, confirmando o grande cantor.
    Mas a verdade também continua a ser esta: a gafe do Camané é ridícula, e não vale a pena virem para aqui com explicações de outra ordem (se o jornalista induziu o Camané em erro, o Camané naturalmente, se soubesse o que a letra queria dizer, corrigia-o). O Camané cantou muito bem a canção, e tenho a certeza que a cantaria ainda melhor se soubesse o que a letra significa.
    Eu não sei medir a diferença entre ombro e sombra, sei que não são a mesma coisa, sei que é importante perceber o que se canta para se cantar com alguma… intenção.
    Para terminar informava ainda que não sou crítico de pacotilha, não tenho nada contra o Roberto Leal ou o Tony Carreira (respeito os artistas e quem os ouve) e não tenho nenhuma razão para estar ressabiado… muito menos faria observações destas sobre alguém que não conheço.

    António Fonseca
    Rio de Mouro

  34. 34 34  esquecimento_global

    A “gentinha”, ou como alguém já aqui disse, “os professores” como o que interpreta o Carlos Mendes, são uma espécie que infelizmente não está em vias de extinção.
    Adoram distinguir “sombra” de “ombro” em francês, sobretudo depois de terem lido 50 textos a explicar o caso.
    Adoram ser especialistas de Brel, tanto como eu adorava saber quantas canções de Brel já ouviram até ao fim…
    Odeiam toda e qualquer pessoa que partilhando com eles, por manifesta infelicidade, a mesma nacionalidade, ouse destacar-se e ter algum sucesso…
    Gostam sempre muito do que não é de cá e por isso mesmo não lhes pode fazer sombra.
    Somos uma casta de parolos, comigo à cabeça, mas por me estar e dar a este trabalho…
    Já que houve um comentador (de bom gosto) que lembrou o último disco do José Mário Branco, dedico esta pérola aos “outros”

    DO QUE UM HOMEM É CAPAZ
    (José Mário Branco)

    Do que um homem é capaz
    As coisas que ele faz
    P’ra chegar aonde quer
    É capaz de dar a vida
    P’ra levar de vencida
    Uma razão de viver

    A vida é como uma estrada
    Que vai sendo traçada
    Sem nunca arrepiar caminho
    E quem pensa estar parado
    Vai no sentido errado
    A caminhar sozinho

    Vejo gente cuja vida
    Vai sendo consumida
    Por miragens de poder
    Agarrados a alguns ossos
    No meio dos destroços
    Do que nunca hão-de fazer

    Vão poluindo o percurso
    Co’ as sobras do discurso
    Que lhes serviu pr’ abrir caminho
    À custa das nossas utopias
    Usurpam regalias
    P’ra consumir sozinho

    Com políticas concretas
    Impõem essas metas
    Que nos entram casa dentro
    Como a Trilateral
    Co’ a treta liberal
    E as virtudes do centro

    No lugar da consciência
    A lei da concorrência
    Pisando tudo p’lo caminho
    P’ra castrar a juventude
    Mascaram de virtude
    O querer vencer sozinho

    Ficam cínicos, brutais
    Descendo cada vez mais
    P’ra subir cada vez menos
    Quanto mais o mal se expande
    Mais acham que ser grande
    É lixar os mais pequenos

    Quem escolhe ser assim
    Quando chegar ao fim
    Vai ver que errou o seu caminho
    Quando a vida é hipotecada
    No fim não sobra nada
    E acaba-se sozinho

    Mesmo sendo os poderosos
    Tão fracos e gulosos
    Que precisam do poder
    Mesmo havendo tanta gente
    P’ra quem é indif’rente
    Passar a vida a morrer

    Há princípios e valores
    Há sonhos e há amores
    Que sempre irão abrir caminho
    E quem viver abraçado
    À vida que há ao lado
    Não vai morrer sozinho

    E quem morrer abraçado
    À vida que há ao lado
    Não vai viver sozinho

  35. 35 35  esquecimento_global

    …ou então ainda melhor, em directo e ao vivo…
    http://www.youtube.com/watch?v=xarY80QeKjk

  36. 36 36  Sebastião Dias

    Acho que o José Mário Branco cheira imenso a mofo - muita gente gosta mais do que o ZMB representa do que propriamente da música dele, acho que a música do Sérgio Godinho não é nada músical, de uma forma geral mal composta, com erros de harmonia e com acordes que não jogam bem uns com os outros (gosto das letras) - muita gente gosta mais do que o Sérgio Godinho representa do que propriamente da música dele -, acho chato o Seca Afonso, mas apesar de achar que o homem compôs grandes músicas, acho que a gata dos Madredeus anda há 20 anos a miar a mesma coisa, acho que o Fernando Tordo canta mal e desafinado, acho que a música portuguesa na sua generalidade e salvo honrosas excepções (Amália, os Xutos, o Veloso e poucos outros)é fraca.

    Sou doido por música. Vou lá perder tempo a ouvir a música portuguesa em detrimento dos meus Coltrane, Miles Davis, Tom Waits, Jarrett (a lista é infindável).
    Farto-me de rir quando ouço dizer que a música portuguesa é tão boa como a que se faz lá fora - geralmente quem o diz é sempre a mesma canalha de marretas, que não devem perceber nada de música.

    Ah, acho que o Camané canta que se farta e dá gosto ver um músico doido por música, independentemente do seu género. A gaffe não passa de uma história engraçada.

  37. 37 37  Von

    Ó Sebastião, você é um autêntico monumento. Um melómano encartado. A música que se faz cá dentro, quando é feita por quem sabe tem a qualidade de ser boa. Não me interessa se melhor ou pior da estrangeira. Não pode, nem deve, contrapor génios como o Waits, o Coltrane, o Peterson ou o Grapelli, para nos mantermos no seu estilo, com Godinho ou Branco, ou Correia de Oliveira ou Afonso. Não se comparam por não serem comparáveis. A sua música não tem pontos académicos de comparação. Apenas o prazer com que se ouve. Um grupo como os Blasted Mechanism, se existissem lá fora, eram uns Red Hot Chilli Peppers. Se os Madredeus existissem lá fora, seriam uns Dead Can Dance. Se o Sassetti fosse la´de fora, seria um Wim Mertens. Se houvesse uma alta autoridade para a qualidade da música, você seria o presidente… mas muito chato… O prazer que sinto ao ouvir Kraftwerk, Legião Urbana, In The Nursery, Jethro Tull, Suicide, Guillermo Portabales, Rammstein ou Pergolesi, dispensa regras, obrigações e doutrinas. Já agora, caro Sebastião, descubra “Sunset Mission” dos Bohren & Club of Gore e relaxe esse stress

    Cumprimentos

    Von Barata

    PS: Essa da honrosa excepção do Veloso… mas aí está, estou a cair no seu exemplo…

  38. 38 38  Luis Moreira

    Nós somos muito miudinhos, para não dizer outra coisa!

    Que o tradutor seja criticado,tudo bem,ele está ali porque é suposto saber Francês.Mas o cantor?

    Saber o tom, a mensagem da canção, isso é fundamental, se não é uma fraude.Agora, saber a tradução exacta de uma palavra ?

    Nós Portugueses gostamos de deitar abaixo.

    Mesmo quando se trata de um artista que está, claramente, acima da média.

    Lá estarei 6ª feira no concerto!

  39. 39 39  palhaçadas

    Sebastian Days,

    que seria de mim without your musical guidance?
    nem vou perder aqui muito tempo, mas perco o suficiente para lhe dizer isto:
    só quem não é músico é que pode dizer que o sérgio godinho compõe mal. para vir falar em erros de harmonia, é porque não está por dentro de grande parte da música contemporânea “ensemblática” que se faz actualmente. O talento do sérgio godinho consiste precisamente em encaixar as palavras onde os “clássicos” achavam que não era possível. Por outro lado, experimente ir à Holanda dizer que a música portuguesa não presta. Diria que lhe está a fazer falta tanto um retiro espiritual com uns quantos compositores portugueses contemporâneos dakeles mesmo chatarrões para passar a perceber sérgio godinho, como também umas bebedeiras valentes com o pessoal fixe de almada: a naifa, dead combo, cabaret voltaire, boite zuleika, clã, ornatos, sci-fi-industries, buraka som systema, sam the kid, sara tavares, mind da gap, mente anti censura, linda martini, bizarra locomotiva, lulu blind, and soy on and soy on…
    pelo que vejo, tem muiiito, muiiito de música portuguesa para conhecer…

  40. 40 40  palhaçadas

    ah! é verdade sebastião:
    esqueci-me dos moonspell…

  41. 41 41  Sebastião Dias

    Palhaçadas, a pessoa do Sérgio Godinho gera-me imensa simpatia, acho que tem o dom da palavra e gosto muito das suas letras, mas mantenho que acho a música uma trampa, aliás, não sou o único a achar, posso dar-lhe o exemplo do Luis Jardim, um músico e produtor português de grande reputação (já produziu os maiores nomes da pop como Rolling Stones, McCartney. Bjork, Bowie, etc), que já vi defender exactamente a mesma coisa, mas enfim, gostos não se discutem, o Sérgio Godinho que continue lá a tentar encaixar o que os clássicos dizem não ser possível e continue você a comprar os discos dele. E não é preciso ficar ofendido (a).

    Von Barata, talvez seja um bocado disparatado da minha parte estar a comparar a música que se faz lá fora com a que se faz cá, mas todos nós temos os IPODs com a música que mais gostamos e o meu realmente tem falta de música portuguesa – e não é por desconhecimento. Agora dizer-se que determinados músicos não têm sucesso ou projecção mundial porque são portugueses é quase uma teoria da conspiração, posso dar-lhe inúmeros exemplos de músicos de países de terceiro mundo, ou outros países de linguas pouco faladas que alcançam projecção mundial. Porque é que não acontece o mesmo com os portugueses? Culpa do santana Lopes? Do Bush? Essa conversa hoje em dia, com os meios que há, com as possibilidades técnicas que permitem produzir um disco com pouquíssimos meios, não faz sentido. Olhe, a Cesária Évora vem de Cabo Verde e é uma superstar no circuito da World Music, com concertos nas grandes salas em Londres, Nova Iorque, etc, até ganhou um grammy. E essa de comparar os Madredeus aos Dead Can Dance… os Madredeus fazem a mesma coisa há vinte anos, descobriram a fórmula e vão fazer discos iguais até morrer; agora ouça a discografia dos Dead Can Dance e compare. Quanto à honrosa excepção do Veloso é que, apesar de eu não gostar, acho que é um dos artistas que poderia ter tido uma carreira internacional com bastante sucesso. E acho que a Sara Tavares é uma bomba.

    Somos mesmo um país pequeno e queremo-nos auto-convencer que somos tão bons ou melhores do que os outros. Em algumas coisas somos. Agora dizerem-me isso acerca da música ou (vá lá, mais posts de resposta) acerca do cinema, só mesmo a rir.

  42. 42 42  Von

    Ó Sebastião, não percebeu. tenho toda a discografia dos Dead Can Dance. Apenas lhe quis fazer notar, que uns Madredeus, com a visibilidade e a mística correctas, seriam no seu estilo o que os DCD o são na sua respectiva área. A Cesária Évora e a esmagadora maioria dos nomes africanos da música que ganharam notoriedade, têm o mercado francês para o efeito. É a partir deste mercado que a world music africana ganha estatuto. ora aí está: se a Sara Tavares gerisse a sua carreira num mercado mais abrangente, seria efectivamente uma bomba da música mundial, ao nível das melhores. Claro que nos nossos mp3 temos a música que gostamos. Quanto a isso não há discussão. No meu caso há uma esmagadora maioria de música estrangeira relativamente à portuguesa. Porém não há teorias da conspiração: se nem em Portugal se defende e divulga com a visibilidade suficiente a música portuguesa, se as editoras nacionais (ou deveria dizer os braços nacionais das editoras estrangeiras) se estão a borrifar para a generalidade da música nacional, limitando as apostas de largos orçamentos, às Floribelas e derivados, a promoção do que vale a pena ou não se faz ou não se quer fazer. Ou você acredita mesmo que para tocar em salas de nomeada de Londres ou Nova Iorque, ou mesmo para ganhar grammys, não é necessário o apoio de editoras multinacionais? Portugal tem qualidade; talvez não tenha é quantidade. No cinema dou-lhe mais razão. Mas também lhe digo, leve o “Alice” ao Festival de Sundance, entregue-o a uma máquina oleada de promoção e provávelmente tem um novo “21 Gramas”.

    Cumprimentos

    Von Barata

  43. 43 43  palhaçadas

    exactamente sebastião, não tá a perceber: a discografia dos dead can dance tb tem o seu lugarzinho na minha estante de vinis.
    é evidente que se toda a gente gostasse do verde, o que seria do amarelo?
    mas não misturemos o cinema com a música portuguesa que é muito melhor que a nossa 7ºartezinha. e dizer que o alice podia ser uma espécie de “21 gramas” é um exagero, se bem que o marco é um querido e enfim lá conseguiu realizar um filme compostinho, apesar da equipa de labregos que tinha a acompanhá-lo.
    o problema é que a música portuguesa não é promovida como deve ser. e não creio que seja preciso nenhuma multinacional para o fazer. basta acreditar no produto nacional que tem coisas muito boas. a sara tavares está aliás a conseguir passar as fronteiras… os moonspell têm tanto respeito na alemanha como os rammstein. na holanda, os espectáculos de fado esgotam semanas antes de terem lugar. a marisa, que não deixa de ser uma voz do “establishment” encanta os ingleses, etc etc.
    e não haja dúvidas que os dead combo estão na música portuguesa como os filmes de tarantino estão no cinema mundial. do melhor.
    quanto ao sérgio godinho, sinceramente não consigo ouvir mais de 30 / 40 minutos. e não é que adore. mas a questão é mais esta: apesar de não ser uma aficionada do sérgio godinho, reconheço-lhe o talento, porque sei que são muito poucos os intérpretes e / ou compositores que conseguem dar a volta aos tempos e aos contra-tempos como ele, saltitando do ré pró si bemol enfim com o mesmo à vontade com que o meu professor de geografia costumava enfiar o dedo mindinho no ouvido esquerdo durante as aulas, para horror de muitos de nós; a música contemporânea ou electro-acústica portuguesa, à semelhança da sua “congénere” internacional, veio desafiar os cânones tradicionais da música clássica; e é isso que eu acho que o sérgio godinho tb faz: desafia os cânones tradicionais da música popular. e é por isso ser tão difícil que me vejo forçada a tirar-lhe o chapéu.

  44. 44 44  Sebastião Dias

    Palhaçadas, quanto ao Sérgio Godinho, há uma grande afectividade em relação a ele, principalmente de alguns quadrantes, e eu próprio também a tenho, e há músicas que marcam também pelo momento. Mas acho que ele é um grande poeta mas um péssimo músico, mas são gostos.

    Isto não se trata de se ser mau português ou bom, consoante gostamos ou não da música portuguesa. Gostaria muito de dizer que a música portuguesa é das melhores mas não acho, apesar das honrosas excepçôes ( a Sara Tavares, que vi ao vivo recentemente e sei que tem todos os ingredientes para ter sucesso, ou o Rão Kyau, que também ouvi ao vivo recentemente e, digo-lhe, joga mesmo noutra liga).

    As editoras poderão por vezes ter vistas muito curtas mas, felizmente, hoje há todos os meios de se produzir um disco caseiro de grande qualidade, e de divulgá-lo em grandes meios de difusão.

    A Maria João e o Mário Laginha (que não gosto muito) estiveram na ECM (não sei se ainda estão), uma grande editora alemã que tem nomes como Jan Garbarek, Pat Matheny, Gismonti, Charilie Haden, etc. Aquele tipo que canta fado, acho que se chama Pauilo Bragança, esteve na editora do David Byrne dos Talking Heads, Luaka Bop e teve também o seu trabalho divulgado e promovido. A Dulce Pontes gravou uma música com o Morricone e teve também uma enorme divulgação e um palco gigantesco. Todos eles tiveram grande divulgação. Agora vir-se, como muitas vezes vêm, com grandes hipérboles, dizer que somos tão bons ou melhores que os outros, que se não fosse portugiuês era um Frank Sinatra. No outro dia na televisão, ouvi o extremo. Mr Herman, no Biography Channel, quando lhe perguntaram como gostaria de ser lembrado, ele disse «Um grande artista num país demasiado pequeno». Eis como alguns artistas se acham maiores do que Portugal. Se querem ter projecção maior então que saltem o muro e cumpram essa ambição, não venham dizer que são os melhores e se não fosse a má sorte de serem portugueses. Não somos um país de músicos. Depois da Amália, não há um nome de projecção mundial, emblemático, como os espanhóis têm o Paco de Lucia (que por acaso é meio português), os brasileiros têm um Veloso (e tantos outros), os gregos têm entre muitos um Vangelis, Cabo Verde tem a Cesária, etc, etc.

    Eu por acaso toco, mas veja-se que a quantidade de pessoas que toca um instrumento é mínima, em Inglaterra a maioria sabe, pelo menos fazer umas habilidades. Quer sair em Lisboa a um bar de musica ao vivo, quantos sítios conhece?

    O gosto pelas artes pratica-se desde miúdo, aprende-se na escola e os talentos revelam-se desde cedo. Este tema tem pano para mangas. Se alguém agora mandar um post sobre o teatro português ou o Parque Mayer então fico mesmo imparável.

  45. 45 45  palhaçadas

    sebastião,

    gostos são gostos definitivamente.
    Mas isso de achar que a música portuguesa nunca poderá ser tão boa ou ter tanta projecção como a inglesa, é um sintoma de um complexo de inferioridade típico dos portugueses.
    garanto-lhe que por esta europa fora os moonspell são uma lenda; ao nível de rammstein garanto-lhe.
    a Mariza é recebida em Londres com dotes de diva…
    para além da Amália, o duo Ouro Negro fazia as delícias da world music mundial da época e era recebido na corte do mónaco com honras de princípes.
    Temos felizmente excelentes músicos, somos felizmente um país de músicos. em Almada e no Porto os músicos são mais que as mães. O que se passa é que, como em tudo, o investimento nesse sector é nulo. tornando-se assim muito mais difícil encontrar as pérolas. de resto, um excelente músico não se limita a tocar apenas aquilo que gosta. Para poder tocar à vontade aquilo que gosta, tem primeiro que aprender a tocar tudo aquilo que não gosta. é por isso que quem diz que o trash metal não presta, não percebe que, para lá dos guinchos insuportáveis oriundos do além, está ali uma coisa muito difícil de fazer: que é tocar guitarra como deve ser, reproduzindo notas e tempos como apenas um excelente intérprete o consegue fazer. claro q se me perguntarem se oiço frequentemente trash metal digo q não. mas tive de ouvir e perceber que havia ali realmente talento.

  46. 46 46  Sebastião Dias

    «Para poder tocar à vontade aquilo que gosta, tem primeiro que aprender a tocar tudo aquilo que não gosta. é por isso que quem diz que o trash metal não presta, não percebe que, para lá dos guinchos insuportáveis oriundos do além, está ali uma coisa muito difícil de fazer: que é tocar guitarra como deve ser, reproduzindo notas e tempos como apenas um excelente intérprete o consegue fazer.»

    É sempre preferível ter-se técnica do que não a ter -tanto mais não seja por questões técnicas, certo? ;)- mas a simples exibição da técnica pode também matar a música, apesar de poder ser um número de circo interessante. Já dizia o velho Miles que não é preciso tocar as notas todas, basta as melhores.

    O verdadeiro complexo de inferioridade típico dos portugueses não é o de achar que a sua música nunca terá a projecção da música inglesa, mas sim achar que é acontece precisamente por se ser português.

    Aos doidos por música (como eu sou) deixo a ideia de um disco fabuloso (e muito de esquerda) que vale a pena conhecer, ou pelo menos investigar, Industry, Richard + Danny Thompson

    Palhaçadas, sinceramente torço para que você tenha razão relativamente à música portuguesa, nada me encheria mais de orgulho.

  47. 47 47  João Pinheiro

    Mas não é só o deslize de Bonifácio (e de Camané, já agora, recorde-se) em relação a Brel..O mesmo jornalista tem nos brindado com pérolas nesse suplemento – a que alguns insistem, na sua juventude eterna e estúpida, a chamar de cultural e onde pululam “cronistas” como Bárbara Reis??? – de nome “Ípsilon”. Tais como, e aqui fazendo uso da memória: “Os King Crimson têm uma obra-prima: “In The Court of King Crimson”. O seu legado enquanto músico durou até “Lizard”. Mentira, ignorância da mais da crassa. Próprio de quem está a escrever sobre áreas que não conhece – neste caso, o rock progressivo. O que dizer de “Islands”, de 1971; de “Red”, de 1974, já para não falar do majestoso e complexo “Lark’s Aspic in Tongues”? Claro que Bonifácio pode discordar, mas a sensação é que os desconhece, o que é torna o caso bem mais grave: manda patacoadas para ar e a ver onde cairão. Se sair mal ou dizer coisas erróneas, who cares? É isto suposto ser um crítico musical? Só se for o crítico da Trafaria…

  48. 48 48  João Pinheiro

    Mas não é só o deslize de Bonifácio (e de Camané, já agora, recorde-se) em relação a Brel..O mesmo jornalista tem nos brindado com pérolas nesse suplemento – a que alguns insistem, na sua juventude eterna e estúpida, a chamar de cultural e onde pululam “cronistas” como Bárbara Reis??? – de nome “Ípsilon”. Tais como, e aqui fazendo uso da memória: “Os King Crimson têm uma obra-prima: “In The Court of King Crimson”. O seu legado enquanto músico durou até “Lizard”. Mentira, ignorância da mais da crassa. Próprio de quem está a escrever sobre áreas que não conhece – neste caso, o rock progressivo. O que dizer de “Islands”, de 1971; de “Red”, de 1974, já para não falar do majestoso e complexo “Lark’s Aspic in Tongues”? Claro que Bonifácio pode discordar, mas a sensação é que os desconhece, o que é torna o caso bem mais grave: manda patacoadas para ar e a ver onde cairão. Se sair mal ou dizer coisas erróneas, who cares? É isto suposto ser um crítico musical? Só se for o crítico da Trafaria, como uma vez fez gáudio em brincar (algo paradoxal para quem foi proibido de escrever o quer que fosse na redacção do “Público”, do Porto e veio tentar a sua sorte em Lisboa…capelinhas). Mas desta vez a brincadeira sai-lhe pela culatra…

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