
Hoje, não me junto à direita numa manifestação contra Sócrates. Porque não desisto de uma alternativa à esquerda, não a empresto à alternância à direita. Porque não desisto da liberdade de imprensa, não a empresto à liberdade da empresa. Porque não desisto da liberdade de expressão, não a empresto à liberdade de opressão. Porque não envio uma mensagem aos outros: que o que me opõe a Sócrates é apenas o facto dele não ser um tipo sério. Porque não troco a política pelo simples ódio.
Posso juntar-me a pessoas de direita por coisas com objectivos muito claros. Já o fiz. No aborto (até com um ou dois dos organizadores desta manif), em algumas lutas estudantis. Em coisas com objectivos tão concretos que até o final da luta era fácil de determinar. Ou até mesmo quando nesse espaço podia influenciar de forma evidente um sentido diferente para a luta. Não é o caso da manifestação de amanhã, que se situa no campo puramente político e até institucional, o que exige uma convergência política mínima.
Nunca poderia marchar ao lado de activistas e militantes de direita (e até de extrema-direita) por objectivos políticos gerais onde, definitivamente, se inclui a defesa da liberdade de expressão. De onde não podem estar, como para muitos deles estão, excluídos os trabalhadores sem contrato, os grevistas, os sindicalistas, os imigrantes, os pobres. De onde não podem estar excluidas a escola e a empresa. Porque se estão, então é de outras coisa que estamos a falar.
Mas há mais: aos olhos da gente de esquerda que está no PS ou vota no PS e a quem dizemos tantas vezes que Sócrates traiu a esquerda, não podemos aparecer ao lado do que de mais conservador e socialmente implacável existe na sociedade portuguesa. Com que autoridade voltariamos a sequer a falar-lhes de coerência? E isto parece-me tão claro, que nem consigo perceber bem o debate. Ainda mais quando ele se faz com alguns dos mais puristas quando se trata de fazer convergências à esquerda. Aí não. Aí é o tudo ou nada: do passado imaculado à absoluta concordância sobre tudo e um par de botas. Talvez porque no seu purismo já não distingam nada pará lá da seita. Fora dela, comem todos da mesma gamela. E assim, a “seita” que mais odeiam, como é costume, é a do lado.
Pois, por mim, a luta contra Sócrates continua. Mas deste lado. Seguramente com alguns dos que, mesmo que com boas intenções, se juntam hoje a uma manifestação em que a sua única função será a de fazer com que ela pareça o que não é.
54 comentários 11 Fev 10 em Sem categoria54 respostas ao post “Deste lado da luta”
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“…o que me opõe a Sócrates é apenas o facto dele não ser um tipo sério. …”
gostei. muito bom.
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Daniel, não há arrazoado com que te justifiques. Desiludes-me. É tudo.
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PALAVROSSAVRVS REX Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 19:45
Tanta blá-blá de esquerda e de direita, quando está em causa a decência nacional. Daniel, deverias ter simplificado.
e é exactamente pelo que diz que eu desisti da política.
gosto de pessoas , não gosto de partidos.
é tudo tão feio!! como este texto. e os mais feios , mais culpabilizadores , mais excluidores , mais infernais , são sempre de esquerda. esquerda , que um dia foi a menina dos meus olhos. esquerda que nunca me deixaria ser como me dá na gana , tal qual o ratzinger.
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Fica o aviso: DO vai acabar por ir para o PS. Basta mudarem o líder e vir um tipo assim mais certinho, um bocadinho mais à esquerdinha.
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Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 3:54
A confusão que vai nestas cabeças.
jcd Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 6:08
Também aposto, mas é coisa para uma década.
OBVIAMENTE que também não estarei na manif. organizada por uma escumalha de direita que apenas tolera a liberdade de opinião quando lhe interessa.
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PALAVROSSAVRVS REX Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 19:46
Isso não é linguagem decente de esquerda, Gui.
A manifestação a que se refere não é, nem deve ser, encarada como uma manifestação da direita. Não me revejo em muitas das atitudes e posições tomadas pela direita portuguesa, ou mais concretamente pelo PSD, que me desilude dia após dia. Muito menos aceito como normal qualquer pessoa que se intitule de “extrema-direita”. No entanto, este post revela apenas o ódio incontido que o Daniel sente pela nossa direita, que o impede de saudar uma causa pela todos os defensores da democracia deveriam sentir a obrigação de lutar. Esta não é uma manifestação “abaixo os comunistas e os trotskistas”, é apenas uma manifestação “não vamos deixar que o iliterado do sócrates interfira com as nossas liberdades mais primárias”. Compreenda isso e deixe os ódios de parte.
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Desiludo, seguramente, alguns dos meus interlocutores mas 1. reitero palavra a palavra o que escrevi, com a vantagem de que me dei ao cuidado de verificar a matriz ideológica, simplifiquemos a coisa, da rapaziada que se vai amotinar hoje – li, em vinte blogues por exemplo, loas a Salazar e à ditadura; 2. Genericamente concordo com o texto do Daniel.
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Esses tipos do Insurgente deviam era ir todos para o Campo Pequeno. Fássistas.
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Bravo, Daniel.
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Daniel:
É efectivamente uma manifestação da direita e faz bem em não se juntar, nem outra coisa esperaria de si e do BE.
Daniel:
Em que se baseia para dizer que Sócrates não é sério?
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Guilherme Pereira Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 10:48
Clara:para que dúvidas não restem – para além do que já escrevi sobre esta manif de direita – ressalvo que o por mim afirmado foi que GENERICAMENTE subscrevia a prosa do Daniel. Aqui se inscreve a minha discordância ao labéu de não sério a Sócrates. Admitiria que, por exemplo, o Daniel pusesse em questão a seriedade política ou intelectual do PM. Estaria e está no seu direito. Mas dizer que ele não é sério, tout court, é afirmação que de todo não subscrevo.
The Studio Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 15:17
“Em que se baseia para dizer que Sócrates não é sério?”
Se o nariz de Sócrates crescesse de cada vez que diz uma mentira, nem precisava de vara para praticar salto à vara.
Os influentes fariseus
Por causa daquilo que faziam, os fariseus sentiam-se superiores aos outros israelitas, que não observavam a Lei segundo a interpetação tradicional dos fariseus.
Além disso, os fariseus queriam impressionar os outros com a sua justiça
Parece que os fariseus pensavam que haveria aviltamento no contacto com aqueles que não observavam a Lei segundo o seu conceito tradicional.
“Fariseu” significa “separado”.
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Os influentes fariseus
Por causa daquilo que faziam, os fariseus sentiam-se superiores aos outros israelitas, que não observavam a Lei segundo a interpretação tradicional dos fariseus.
Além disso, os fariseus queriam impressionar os outros com a sua justiça
Parece que os fariseus pensavam que haveria aviltamento no contacto com aqueles que não observavam a Lei segundo o seu conceito tradicional.
“Fariseu” significa “separado”.
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Ao classificar como de extrema-direita os insurgentes, o Daniel sabe que está a ser pouco sério, não sabe?
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E quando é a manifestação do Bloco?
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Esta não lembra ao careca, Daniel:
«aos olhos da gente de esquerda que está no PS ou vota no PS e a quem dizemos tantas vezes que Sócrates traiu a esquerda, não podemos aparecer ao lado do que de mais conservador e socialmente implacável existe na sociedade portuguesa.»
Tenho 1.000 razões pelas quais não alinho nesta iniciativa, mas nunca me lembraria desta. Ou te explicas melhor, ou soa-me a puro paternalismo.
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Maniqueísmo de esquerda.
O mundo não se divide, por mais que o tentem dividir (já se sabe que dá jeito) em esquerda e direita. Quanto muito divide-se em extremismo e bom senso. Mas também estes lados são coexistentes, na mesma pessoa, instituição, etc.
Aconselho esta conferência TED sobre a questão esquerda/direita.
http://www.ted.com/talks/lang/eng/jonathan_haidt_on_the_moral_mind.html
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Está correcto Daniel.
Ética é Ética e nada de misturas.
Os tiques de Sócrates encontram-se elevados à enésima potência na direita. Isto é uma manifestação ÓPTIMA para os controleiros se mascararem no desfile daqueles que não o são.
Declara-se oficialmente aberto o carnaval 2010!
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Subscrevo este texto do Daniel, excepto na parte “o que me opõe a Sócrates é apenas o facto dele não ser um tipo sério”.
Mas de certeza não era bem isto que queria escrever.
Não faltam exemplos de discordâncias que o Daniel já manifestou quanto às políticas do Sócrates.
Este triste episódio da manifestação conjunta entre direita e alguma esquerda em breve estará ultrapassado. Não tarda nada, começarão a ficar claros os campos da esquerda, do socratismo e da direita.
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Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 10:39
Tem de ler a frase antes. Estou a dizer exactamente o contrário.
Confesso que não sei bem quem organiza esta manifestação, pensava que era uma iniciativa de uma série de bloggers e nem todos associados à direita…
Mas, Daniel, há aqui uma questão que não consigo perceber. Quando afirma que para esses activistas de direita a liberdade de expressão não pode incluir os trabalhadores sem contrato, os grevistas, os sindicalistas, os imigrantes, os pobres, quer dizer exactamente o quê? Que essas pessoas de direita afirmaram inequivocamente que as manifestações devem ser silenciadas? Que as greves devem ser violentamente reprimidas? Que os recibos verdes e a precariedade são algo de maravilhoso e fundamental para a produtividade e desenvolvimento da economia?Que os pobres não podem ir à televisão queixar-se publicamente da sua miséria? Ou apenas por terem concepções diferentes da sociedade e da economia que, segundo a sua visão formatada de esquerda, permitem ou aumentam injustiças e desequilíbrios sociais terá que decorrer, necessariamente, que não podem defender a liberdade de expressão, uma vez que há gente oprimida seja pelo patrão, seja pela simples pobreza? Não estará a confundir a liberdade de expressão com outra coisa qualquer?
É que se alguém critica certas greves ou a justeza ou razoabilidade de certas demandas de trabalhadores, por muito que custe, também está a exercer o seu direito de liberdade de expressão ou não? Francamente, acho que esta questão é transversal à direita e esquerda democráticas. Posso estar a interpretá-lo mal, mas para si é uma “bandeira” exclusivamente de esquerda. Se a direita a defende é que porque que tem haver outra coisa qualquer por trás, é isso?
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Guilherme Pereira Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 13:03
Meu caro Hugo: ressalvada a minha ignorância, muito gostaria – escrevo sem ironia – que me explicasse que coisa é essa de direita democrática.
Far-me-ia um favor grande, acredite.
Hugo Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 14:46
Lamento, caro Guilherme, mas esse tipo de questão não merece que me dê ao trabalho de responder.
Hugo Reply:
Fevereiro 12th, 2010 at 18:31
Esperava já ter resposta do Daniel a estas minhas dúvidas. É pena.
E que tal ir e deixar este post como uma espécie de (excelente) declaração de voto?
Como disse alguém, (RAF no Insurgente?), as manifestações políticas não são um monopólio da esquerda — principalmente quando se desconfia das intenções dos participantes só porque, e apenas porque, estão à direita da esquerda.
Não me parece ser nem elegante nem razoável nem construtivo. Soa a politiquice e clubismo.
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É preciso muita coragem para ser coerente e íntegro. Parabéns por defender a sua posição (com a qual concordo).
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Isto é tudo subjectivo claro. Do meu ponto de vista (Libertário) tanto a esquerda como a direita sofrem de claros deficits de liberdade. É sempre uma “liberdade” que depende das circunstâncias.
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A minha Liberdade expressa-se nas minhas acções, no meu quotidiano.
Creio ser assim com todos nós.
A minha Liberdade é radical. ou a vivo, ou abdico dela.
Não existe Liberdadezinha ou quase Liberdade, ou Liberdade assim-assim.
Não é a soma das Liberdades individuais, que cria uma sociedade Livre, é a súmula, a espuma, o que delas sai.
Quem a rejeita, uma vez que seja, quem a não respeita nos outros, dificilmente é um homem Livre.
A minha Liberdade sussurra-me que não trinque a vistosa maçã que alguns me oferecem. Que pode adormecer.
Por isso… Não vou.
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Guilherme Pereira Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 12:57
M.Sampaio: ora aqui temos um texto sério, belo e além do mais bem escrito, que me limito a subscrever porque se tivesse talento seria eu a fazê-lo…:)
Rui F Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 15:35
M Sampaio
Inspiradíssimo!
Tema para crónica audível?
Abraço
“Nunca poderia marchar ao lado de activistas e militantes de direita(…)”
E poderia marchar ao lado de activistas e militantes de esquerda?
É que muitos deles, falam em liberdade, mas defendem a China, o Chavez – que sempre que é criticado, por exemplo, pelo controlo da comunicação social, o Daniel lembra que ele foi eleito – e todos os ditadores supostamente de esquerda.
O Daniel nunca reconhece que se enganou, que não usou os melhores argumentos? É infalível?
Eu não assinei a petição porque tenta pegar em dois sentimentos generalizados: a defesa da liberdade de expressão e a antipatia por Sócrates, para um objectivo que não é claramente assumido e pode servir para vários fins.
Por exemplo, o que significa:
“Apelamos, por tudo isto, aos órgãos de soberania para que cumpram os deveres constitucionais que lhes foram confiados e para que não hesitem, em nome de uma aparente estabilidade, na defesa intransigente da Liberdade. ”
Parece claramente estar implícito um pedido de dissolução do parlamento, mas sem ser totalmente assumido.
Uma petição tem que ser totalmente clara. Concordo, quem escreveu a petição tem como objectivo maior não a defesa da liberdade de expressão, mas o objectivo da dissolução do parlamento.
Acho que o Daniel tem razão sobre as pessoas e os motivos que originaram este petição.
Mas dizer que não participa por causa de quem participa, é um argumento extremamente frágil.
E a insistência em dividir bons e maus em esquerda e direita, é clubismo primário.
Agora, sempre que participar numa manifestação, lembre de ir verificar o currículo e as posições de todos os que participam e organizaram.
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Guilherme Pereira Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 13:09
É o que eu faço, caro José – quando participo em manifestações ou quaisquer actos cívicos, informo-me previamente não apenas ao que subjaz a tais actividades, mas também quem serão as minhas companhias, as quais, por ora, ainda tenho o direito de escolher.
Já o disse noutro comentário: não ando ombro a ombro com escumalha, embora tenha que levar com eles na rua, no trabalho, nas TVs, enfim, eles andam por aí…
José Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 14:23
Guilherme, por vezes, nem todas as pessoas que pensam diferente de si são escumalha.
É esse sentimento de superioridade moral que é – sendo simpático – irritante.
Daniel, subscrevo completamente o teu post.
Não saio à rua a gritar pela liberdade com quem daqui a uma semana vai sair à rua a gritar pela intolerância.
O Sérgio Godinho cantava há quase quarenta anos: só há liberdade a sério quando houver a paz, o pão, habitação, saúde, educação…
A liberdade de muitos dos que hoje saem à rua não é esta. E esta é a minha. Não há, pois, nenhum hipótese de nos encontramos numa qualquer rua ou num qualquer momento.
A razão que me impedirá de fazer campanha por Alegre ao lado de Sócrates é a mesma que me faz não sair á rua ao lado da Direita contra Sócrates: Continuo a acreditar naquela coisa das barricadas terem dois lados…e o meu não é, definitivamente, o mesmo que o de nenhum deles!
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De facto não deixa de ser caricato ver como a direita se presta ao ridiculo de se manifestar contra algo que sempre cultivou desde que se tornou poder e ou alternativa do mesmo.
Mas verdade seja dita que quem votou ou vota direita sempre disse ao que veio e nunca se fez representar por uma bandeira de esquerda para a posteriori praticar politicas de direita.
Prefiro mil vezes debater com alguem de direita do que com um “socialista” de pseudo-esquerda que vem de mansinho, camuflado com o simbolo do punho fechado (que agora é rosa), incentivar politicas que há uns bons 15 ou 20 anos farião espumar de raiva as bases do seu proprio partido.
Dizem os entendidos que este travestismo politico foi a machadada final nos intentos de governação do PSD que após se ver mergulhado numa crise interna, vê os seus votos dispersados entre um PS de direita e num CDS de centro/ extrema-direita, ficando assim num limbo ideologico e com a necessidade de se reinventar sob pena de se diluir em facções internas.
Tem piada que há muito que era esse o vaticinio feito por todos os quadrantes politicos aos destinos do PCP e se não me falha a memoria, ouvi até o prof. Marcelo Rebelo de Sousa, na altura, com um tom paternalista e premonitorio a afirmar que o PCP faz falta a democracia Portuguesa.
Pois bem, não chego ao ponto de sentir falta do PSD mas sem duvida que tal tambem seria impossivel quando vemos a sua agenda politica ser praticada por um partido que se afirma de esquerda.
Portanto, participar numa manifestação de direita com cariz partidario que se esconde atrás de semanticos ideiais que são usuais palavras de ordem na esquerda só porque sentem falta dos seus “jobs for the boys”, sinceramente é hipocrisia a mais quando nos lembra-mos da Marinha Grande ou da Ponte 25 de Abril.
Até agora ainda consigo vislumbrar o que é de esquerda e de direita (excluindo o PS, claro) mas se a moda pega (como parece ser o caso) acredito que o travestismo politico veio para ficar!
Os lobos de então, andam agora travestidos de cordeirinhos a clamar pela presença de capuchinhos Vermelhos para dar um tom de seriedade a coisa.
Pois que se manifestem …………… mas sozinhos porque a mim o capuchinho não me serve.
A.R.A
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O Daniel nunca defendeu Sócrates. O Daniel, e Louçã, claro, porque é dele a estratégia, defende as pontes para o PS. O BE quer ser o que os Verdes foram na Alemanha. Claro que isso pode significar que o pântano continue mais uns anos, mas por outro lado pode ser verdade aquela máxima que diz que para alguns partidos conquistarem votos quanto pior, melhor.
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Rui F Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 15:33
Carlos Marques
Com toda a educação permita-me: não diga baboseiras!
Carlos Marques Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 17:05
O Rui sabe que é verdade.
Não ouviu o elogio de Sócrates a Louçã ontem no Parlamento?
Além disso, a esquerda-esquerda cresce quando a pobreza aumenta e só num país em que metade, pelo menos, da população activa trabalha no Estado é que pode ter 20% de votos em partidos que defendem não se sabe bem o quê em termos de políticas económicas.
Bem esteve ontem o deputado Galamba ao criticar incisivamente os sindicatos.
Rui F Reply:
Fevereiro 11th, 2010 at 20:01
Carlos
O BE não tem uma politica económica?
Mas você vive onde?
Carlos Marques Reply:
Fevereiro 12th, 2010 at 0:17
“…de votos em partidos que defendem não se sabe bem o quê em termos de políticas económicas.”, foi isto o que eu escrevi.
Aplaudo e assino por baixo. Seria uma incoerência estar numa manifestação onde vão estar presentes tantos pseudo-paladinos da liberdade de expressão. Aliás, se há algo que a maioria dos portugueses não aprecia é a liberdade. A manifestação é composta sobretudo (com raras e honrosas excepções) por alpinistas políticos, gente que faz tudo para cheirar poder e que quando lá chegar tenta logo calar e secar tudo o que se encontre à sua volta. Tal qual o actual PM…
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Bravo, Daniel! Como sempre, tens a coragem de defender as tuas ideias, o que não é fácil.
A manifestação de hoje, a que até aderiram pessoas como a Helena Roseta (!) foi uma mistificação deplorável. A Lberdade anda adulterada, na voz de muitos que a não desejam.
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Aplauso veemente
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Não esperava tanto cinismo e paternalismo da sua parte, Daniel. Pensava que as manifestação se justificavam pelas causas… Pelos vistos, o Daniel preocupa-se mais com a frequência das manifestações do que com o seu conteúdo.
Nunca se manifestou ao lado de quem defende a ditadura do proletariado? Daqueles que defendem (ou defenderam) um regime político que produziu o anti-homem, criou os gulags, perseguiu e internou em hospícios os intelectuais? Não integra o Bloco de Esquerda gente que defendeu, em tempos, posições que hesitaria em classificar como democráticas? A sua posição é a de um “poseur”. Mais nada.
Não conhecia uma pessoa que fosse, entre os presentes naquela manifestação, assim como não conhecia as íntimas razões de cada um para ali comparecer. As minhas bastaram-me. Pela parte que me toca, estive lá porque somos governados por um Primeiro Ministro que tem tentado exercer domínio sobre a emissão de opinião na imprensa. Só. Os filmes do Daniel são o retrato da hipocrisia da esquerda caviar. Cada um com a sua consciência.
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Até porque os inimigos dos nossos inimigos não tem de ser nossos amigos
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eu reponderia. mas como n sei escrever assim, deixo isso para quem sabe..
“O Daniel Oliveira é um tipo curioso. Por um lado não vai a uma manifestação pela liberdade de expressão apenas e só porque os seus promotores se situam, em maioria, à direita. O Daniel Oliveira, que poderia gerar uns quantos empregos se arranjasse as sobrancelhas e que só não os cria porque não é bem bem de esquerda (o leitor sabe que a malta de esquerda tem o exclusivo do gosto pela prosperidade, sendo que todos os outros apenas querem é miséria, que a miséria é boa de ver, porque somos todos uns filhos-da-puta e o Daniel Oliveira é que é bom), dizia eu que o Daniel Oliveira poderia tentar falar com os organizadores, poderia tentar perceber (eu sei que o Daniel Oliveira tem problemas de compreensão – o bug no cérebro nasceu-lhe aí pelos 14 anos nas praxes da Juventude Comunista) que esta manifestação na sua génese não tinha nada de táctica política e que desde o primeiro momento tentámos fazer a ponte com pessoas mais à esquerda, dado que o propósito era fazer algo supra-partidário, completamente sem amarras, para que senhores como o senhor Manuel Falcão não fossem empertigar-se para as televisões.
O Daniel Oliveira pode estar com as merdas que quiser, que isto de escrever é muito giro e também me dá muito gozo, mas a verdade é que o Daniel Oliveira, tal como o Pedro Sales (que esteve lá por uns momentos, mas que saiu mal lhe perguntaram se estava a apoiar a manif), só não foi porque não foi quem começou. Porque quando o Daniel Oliveira e a gente do Daniel Oliveira promove ‘lutas’, a malta da ‘direita’, esses filhos-da-puta, não esquecer, são muito bem-vindos, porque a gente quer é existir, aparecer, ter programas, sei lá. Já quando o Daniel Oliveira é convidado não vai, não vá ainda ficar com um papel secundário em tudo aquilo e o Daniel Oliveira não é pessoa de ir encher chouriços.
Aquele texto que publicou no Arrastão é a demonstração simples de duas coisas: ódio e ignorância. Daniel Oliveira odeia qualquer pessoa que tenha a infelicidade de estar do outro lado e justifica esse ódio com a simples ignorância, afirmando que os ‘reaccionários’ não podem defender a liberdade e que estão todos ali a fazer favor a alguém. É do caralho, este Daniel Oliveira. É do caralho.”
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