Talvez esta seja a empresa ideal, que trate os trabalhadores de uma forma exemplar. Mas a mim parece-me o inferno.


PÚBLICO - DIA D
Quem quer ser Googler?
Por Helena Cristina Coelho

É o motor de busca mais popular no mundo inteiro, mas na Irlanda há um motivo adicional a justificar o orgulho de quem trabalha na Google: além de estar entre as 100 melhores empresas para trabalhar na Europa, segundo a lista da consultora Great Place to Work - Institute Europe (GPTW-IE) - a empresa de Internet foi também eleita a mais divertida de todas. Isto porque os seus funcionários elegeram um conjunto de boas práticas que mereceram distinção e fazem da Google Irlanda uma excepção à regra.
O perfil excepcional da empresa começa logo no grupo de trabalho: são mais de 700 pessoas, 60 por cento das quais de diferentes nacionalidades e oriundas de 32 países. Os inquéritos feitos aos funcionários revelaram elevados níveis de satisfação e produtividade e permitiram concluir que 95 por cento das pessoas sente que a empresa promove altos níveis de camaradagem. Qual o segredo? Simples: dão às pessoas mais daquilo que elas gostam e transformam isso numa vantagem competitiva. Num inquérito feito aos funcionários em 2005, uma larga maioria garantiu que “tinha bons amigos no local do trabalho”. O que ganha a empresa com isso? Ajuda o grupo a funcionar melhor em equipa, comentaram na altura.
O conjunto de boas práticas eleito pelos funcionários é vasto e cheio de situações invulgares. A começar, por exemplo, pelo recrutamento de novas pessoas. Durante a fase de avaliação, qualquer candidato é entrevistado por diferentes Googlers (nome atribuído aos funcionários da Google), de forma a assegurar que a pessoa em causa se ajustará sem problemas ao grupo - um factor considerado crucial para o sucesso da empresa. Assim que é contratado, o recém-chegado ganha o estatuto de “Noogler” e é gradualmente integrado na cultura da companhia através de um dedicado programa de acolhimento e orientação. Exemplo disso é o que acontece ao novo funcionário assim que “aterra” em Dublin, onde a empresa está sediada: recebe uma chave para um alojamento temporário juntamente com um pack de boas vindas. Na sexta-feira antes de entrar na empresa, todos os novos funcionários reúnem-se num seminário no qual recebem orientação sobre quase tudo o que precisam para o seu dia-a-dia, desde como aceder ao serviço de saúde no país até movimentarem-se sem dificuldades pela capital irlandesa - uma ajuda completada com a oferta do livro interno Guia Absurdo da Irlanda… Já nos primeiros tempos de trabalho, os “Nooglers” são apoiados por um colega específico e acompanhados por gestores que vão avaliando a sua performance no sentido de os integrar nas equipas mais adequadas às suas características. Esta espécie de estágio inicial conclui-se com a apresentação formal à companhia num dia especial, o “Thank Google it”s Friday” (que se poderá traduzir por “Graças a Google é Sexta-Feira”). É aí que funcionários e gestores se reúnem, todas as sextas, para avaliarem a semana e actualizarem as mais recentes inovações, enquanto comem e bebem em ambiente descontraído. A partir daí, começa o trabalho a sério e, como a empresa gosta de dizer, “é também aí que começa a verdadeira diversão”.
Embora este ambiente descontraído possa parecer estranho para uma boa parte das empresas, na Google ele é encarado como uma peça importante da ética de trabalho na empresa e vital na sua estratégia de sucesso. A taxa de atritos entre funcionários é muito baixa - na ordem dos oito por cento - e todos os Googlers são encorajados a gastar 20 por cento do seu tempo em actividades não directamente ligadas às suas funções e dez por cento em “pensamentos criativos” de forma a explorar novas ideias. O verdadeiro espírito “Googler”.


Sem respostas ao post “Devo ter mesmo mau feitio”  

  1. 1 1  Luís Lavoura

    Não vale a pena fazer linques para o PÚBLICO, uma vez que esse jornal só funciona para os assinantes.

  2. 2 2  Daniel Oliveira

    Tens razão: já meti o texto para dentro.

  3. 3 3  JSM

    Hã… inferno… pois!

  4. 4 4  joana

    felizmente há mais empresas que têm esse espírito… mas não conheço nenhuma que seja portuguesa…

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