DOC

Como tento fazer todos os anos, consegui organizar a minha vida para não perder o DocLisboa. Dos muitos filmes que já vi, escolho apenas alguns. Não obrigatoriamente os que mais gostei, mas aqueles que permitem um debate interessante. Não sou critico de cinema, por isso falo aqui mais do conteúdo político do que do resto. O que nem sempre quer dizer que seja o mais relevante ou que mais me interessou em cada filme.

Bassidji
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Pode ver dois excertos do filme aqui.

Os bassidjis ficaram recentemente conhecidos no ocidente pelas imagens da repressão das manifestações pró-democracia (lembram-se dos tipos das motas?). Esta milícia funciona como um poderoso instrumento civil de repressão, vigilância e delação. Ainda antes das eleições e das manifestações, Mehran Tamadon, um jovem ateu iraniano, conseguiu entrar no seu mundo. Não fez sobre as correntes mais radicais do islamismo xiita iraniano um retrato a preto e branco nem grandes julgamentos morais. O filme é, aliás, a tentativa de encontro entre dois mundos que não se cruzam. Em que um (o do realizador) tenta ganhar a confiança do outro e ouvi-lo.

Ao meu lado, no cinema, estava, por coincidência, um coreografo iraniano que vive em Portugal e que eu conheci durante os protestos internacionais contra a repressão da oposição iraniana. E recordei-me do que ele me dissera nessa altura: que não sabia explicar o que o outro lado pensava porque pura e simplesmente não os conhecia. Não se dava com aquelas pessoas no Irão. Não iam aos mesmos sítios, não tinham nada que os ligasse. E este filme é exactamente sobre isto: sobre a incomunicabilidade de mundos feitos de valores e de experiências políticas, sociais, culturais e religiosas que não se tocam.

Devo dizer que só por uma vez senti qualquer coisa de aproximado (com todas as devidas distâncias, como é evidente) no meu país: na campanha para o último referendo à descriminalização do aborto. Não é que não houvesse pontes de contacto e compreensão, até porque os nossos procedimentos democráticos estão bem estabelecidos e firmes. Mas para mim, vindo de um meio minoritário, com uma educação familiar muito liberal, aquela outra minoria (muito conservadora, muito religiosa e também ela minoritária) funcionava quase como “estrangeira”, distante em quase todas as minhas referências. Estou seguro que, por mais tolerantes que fossem, eles sentiam o mesmo em relação a mim, pessoa a quem o casamento nada diz, o papel da mulher é outro, a homossexualidade ou bissexualidade são as coisas mais banais do Mundo e a religião é algo de muito distante (não tenho um único crente na família). Não estou, como é evidente, a falar do campo do “sim” ou do “não”, bem mais variados do que isto. Estou a falar das suas franjas (onde me incluo) de culturas e modos de vida que quase não se tocam.

E, no entanto, este exercício de diálogo e compreensão, que vai à nossa própria fronteira à procura de algum ponto de encontro, no fundo da humanidade que a todos nos une, diz-me imenso. É o exercício que temos de fazer com o “estrangeiro”. Com ele aprendemos coisas extraordinárias. A primeira delas: que as motivações do outro são muitas vezes, mesmo que não pareçam, tão generosas como as nossas.

Mas falando com os bassidji, o filme acaba por ser também sobre a vigilância social e cultural repressiva feita por estes grupos. O que é extraordinário é conseguir-se ultrapassar o exotismo da diferença e o julgamento moral demasiado fácil. Isso é que é difícil. Calçarmos os sapatos dos outros, mesmo quando eles são tão desconfortáveis. E é isso que Tamadon tenta fazer.

“Bassidji”, Mehran Tamadon, Irão, França, Suiça, 2009, 114′
Próxima exibição: 21 Out, 21h00, Cinema Londres 2

Hasta la Victoria
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“Hasta la Victoria” é provavelmente o primeiro documentário que vejo que não é nem contra nem a favor do regime cubano. Melhor: ele até é acima de tudo critico, mas não parte de abstracções ideológicas ou morais. É sobre um casal de médicos. Eles não são da oposição. São apenas dois jovens com vontade de viver de outra forma. Querem fugir. Ela consegue, ele não. E o filme é um conjunto de “cartas-vídeo” entre os dois, marcados pelas saudades, pelo fascínio crítico por um Mundo desconhecido e pelo desespero da claustrofobia. O fim não vos conto.

O que impressiona é a lucidez quase ingénua dos dois protagonistas. Que, como explica o rapaz, viver no socialismo é como ter 30 anos e ficar em casa dos pais. Eles dão-nos o essencial (educação, saúde, etc.) e não percebem porque havemos nós de querer sair de casa. Nós queremos conquistar as coisas e não que elas nos sejam dadas. “Ser a flecha e não o alvo”. É sobre o valor da liberdade que eles falam. É por isso mentira quando se diz, noutro documentário de que falo mais abaixo, que ninguém come liberdade. Como se pode ver neste documentário, a sua falta sente-se como a sede e a fome. E sente-se ainda mais quando nos dão a possibilidade de estudar e sonhar com mais. Como eles dizem, de que serve aprender a ler se tantos livros nos estão vedados?

Os dois não deixam, no entanto, perante a experiência da mulher e os vídeos que ela vai enviando, de estranhar o desperdício e a frieza da vida na Suíça. E a dada altura ele diz uma coisa que pode ficar como reflexão: as ditaduras de direita são fáceis de combater. Elas quase só reprimem, e reprimem a maioria das pessoas. As de esquerda dão mais e a repressão dirige-se sobretudo às minorias sociais. São por isso muito mais resistentes.

“Hasta la Victoria”, Chris Guidotti, Matteo Besomi, Suiça, 2009, 85′

Behid the Rainbow

Já tinha visto dois documentários de Jihan El-Tahri (“A Casa de Saud” e “Cuba, Une Odysée Africaine”), e agora até pude conversar um pouco com a realizadora sobre estes dois filmes. “Behid the Rainbow” segue a linha dos anteriores: muita informação, muitos depoimentos, mais jornalismo do que cinema e nenhuma cedência à emoção fácil. O mesmo rigor. É sobre o período de transição na África do Sul e pretende ser também uma metáfora para a política africana. Nele se relatam os conflitos e tensões no interior do ANC, que ficaram claros com a vtória da Zuma, desmontando o “conto de fadas” que a Europa quer ali encontrar.

Para lá do fim do Apartheid, o que sobra das aspirações sociais dos sul-africanos? O que fez Mandela, a quem El-Tahri parece acusar de demissão e de cumprir quase exclusivamente um papel honorário, em todo este processo? Que preço pagou a África do Sul, as suas instituições e a democracia, para garantir a apaziguamento com a elite branca? Que cultura dirigente fabricou a clandestinidade e o exílio? E o que é que isso tem a ver com a corrupção? Mas, acima de tudo, o que significou o mandato de Thabo Mbeki e a sua derrota para Jacob Zuma? Quais os riscos de um sistema partidário em que apenas um partido pode ambicionar a vitória e em que é no seu interior que decidem todas as disputas de liderança?

O filme é de tal forma denso e contraditório, sério e sem respostas fechadas, que não as vou dar eu aqui. Apenas reforço uma ideia: ao olhar para a África do Sul teimamos em ficar pela mera questão racial. Esquecendo que ali, como aqui, as tensões politicas, os problemas sociais e as diferentes formas de ver o papel do mercado e do Estado também contam. Ali, a política e a vida continuou depois do fim do sistema de segregação racial. E depois da história bonita de Mandela.

Behind the Rainbow, Jihan El-Tahri, Fraça, África do Sul, 2009, 138′
Próxima exibição: 20 Out, 22h30, Cinema Londres 1

MGM Sarajevo: Man, God, Monster

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“MGM Sarajevo: Man, God, Monster” é um murro no estômago. Um diário de guerra, pela voz de gente banal. Um soldado criminoso que espera pela sua execução, um grupo de actores que, com Susan Sontag, ensaia “À Espera de Godot”, enquanto luta pelas mais pequenas coisas, como a água ou a luz. Tirando uma ou outra excepção, as imagens nem são especialmente impressionantes. É o quotidiano da guerra que se torna terrivelmente opressivo. É a sua absoluta irracionalidade, que faz o homem recuar no tempo e na civilização, que nos deixa agoniados. A guerra, sem banda sonora nem acção, crua e fria.

MGM Sarajevo: Man, Good, Monster, Colectivo SAGA, Bósnia-Herzgovina, 1994, 45′

Petition

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Ver excertos aqui

“Petition” é, até agora, um dos melhores documentários que vi neste Doc. Como instância de recurso contra as arbitrariedades do poder local, a ditadura chinesa criou uma instituição: a petição. Uma fantasia. Pior: uma ratoeira. Aqueles que resolvem denunciar os abusos do poder acabam envolvidos em processos kafkianos, internados em instituições psiquiátricas, banidos das suas aldeias, espoliados de todos os seus bens, presos, mortos. E é a saga desta gente, que de repente não tem nada a perder e vagueia por Pequim à espera do fim – uns sonhando com um momento de justiça que nunca chegará, outros esperando apenas a morte – que este magnifico filme relata. Gente de uma coragem (ou será apenas desespero?) imensa. O filme acaba com o começo dos Jogos Olímpicos, quando estes inadaptados a um sistema burocrático e corrupto são expulsos da cidade. Esse momento em que o Mundo todo se tornou cúmplice da maior e mais poderosa ditadura do Planeta.

Petition, Zhao Linag, França, China, 2009, 123′

Black Business

Apesar de ter algumas pontes com o documentário anterior (a arbitrariedade do poder), “Black Business” dá-nos alguns sinais de reflexão, com muitas e devidas diferenças, para alguns debates que aqui costumamos ter. É a história de uma unidade contra o banditismo que, na cidade de Douala (Camarões), teve direito a poderes sem limites. Executou, sem julgamento, mais de mil pessoas, muitas delas inocentes, apenas acusadas por vizinhos. Apesar da chacina, apenas uma pequena minoria continua a bater-se por justiça. No fim, depois de todas as descrições de horror, como uma estalada que nos faz acordar, o realizador recolhe depoimentos de rua. A maioria gostaria de ver essa unidade de novo em acção. E fica a pergunta: diz-se que África não está preparada para a democracia. Estará então preparada para a ditadura?

Black Business, Oslvalde Levat, França, Camarões, 2007, 90′

Dos filmes que já vi, recomendo também uma trilogia sobre um cigano sérvio que tenta emigrar (“Kenedi Goes Back Home”, “Kenedi Lost and Found” e “Kenedi is Getting Married”) e um belíssimo filme sobre uma escola na Argélia (“China is Still Far”) que consegue levantar, a partir dali, quase todas as questões difíceis que hoje se põem aos países do Norte de África.

Continuarei noutro dia o relato de mais um exclente DocLisboa.


14 respostas ao post “Diário do Doc”  

  1. 1 1  xatoo

    deixe-me rir Daniel. Sobre “Petition”, vc é de tal forma tendencioso que nem sequer é capaz de repetir aquilo que viu: diz explicitamente no filme que o hábito de fazer petições é ancestral, do tempo das dinastias imperiais
    Ora veja o resultado de uma denúncia veiculada por uma dessas petições:
    “A mafia trial in Chongqing, the world’s largest city, has stirred up Chinese anger at the infiltration of the Communist party by gangsters”
    A propósito, corrupção há em todo o lado, não se o facto de ser vesgo ideológico o faz reparar nisso. Quer-se propor fazer um exercicio comparativo entre os 1,3 mil milhões de chineses e os 10 milhões de portugueses? vc que tem tempo, ponha isso em termos de percentagem e veja quantos isaltinos ou BPN`s foram condenados,,

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  2. 2 2  Leo

    “MGM Sarajevo: Man, God, Monster” é um murro no estômago. Um diário de guerra, pela voz de gente banal. Um soldado criminoso que espera pela sua execução, um grupo de actores que, com Susan Sontag, ensaia “À Espera de Godot”, enquanto luta pelas mais pequenas coisas, como a água ou a luz.” ???

    Que asséptico, DO. Esqueceu-se de dizer que é uma amálgama de três filmes diferentes, produzidos em vídeo feitos por directores do SaGA entre os quais Ademir Kenović e Mirza Idrizović. Esqueceu-se também de dizer que o “monstro” fori um documentário produzido durante a guerra e feito sob os auspícios do governo bósnio, que precisava desesperadamente de um vilão, papel que o jovem bósnio desempenhou bem ao confessar o envolvimento em violações em massa e assassinatos supostamente ordenadas pelas forças sérvias. E esqueceu-se de nos informar do papel que a norte-americana Susan Sontag teve no engajamento de apoios às guerras balcânicas do Clinton e na criação do mito – nunca comprovado judicialmente – das violações feitas por soldados sérvios por ordem superior.

    Esta guerra já terminou mas a propaganda anti-sérvia continua. Aliás nem só essa, muita da habitual, rotineira, obrigatória propaganda ocidental anda pelo post.

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  3. 3 3  isagt

    Tirando as tricas e complicações do que é e do que não é, o que eu vejo aqui, são as tristes realidades de pessoas que sofrem e porquê?
    Porque a política, a religião, a corrupção e principalmente a falta de empatia com os nossos semelhantes faz de um mundo que até podia ser um sítio de uma experiência razoável, acabe por se transformar num grande inferno, gerido por uma minoria estúpida, egoista, tenebrosa, mafiosa que só sabe olhar para o seu próprio umbigo sem um mínimo de consciência e de humanidade. E mesmo quando um deles é derrubado aparece logo uma dúzia para o substituir enquanto as pessoas que tentam melhorar esta aldeia global são quase casos raros, únicos e insubstituíveis, mas o mais triste e deprimente é haver ainda alguém que ache que toda esta tragédia é normal e aceitável.

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  4. 4 4  Fado Alexandrino

    Há uma questão que me intriga.
    Porque é que este DocLisboa só mostra (a crer em si) desgraças?
    Não haverá nada no género documentário que seja bom e que valha a pena ser mostrado.

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  5. 5 5  luis Araujo

    obrigado pela partilha daniel. Ficasm as referÊncias para os que já não poderemos ver… raio de vida esta, de escravos do capitalismo – isto que somos a maior parte dos gestores que trabalham no mundo da economia privada – que nem sequer nos sobra tempo para ver o que realmente deve ser visto …

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  6. 6 6  Leo

    “o que eu vejo aqui, são as tristes realidades de pessoas que sofrem”

    E pela descrição do DO o que se pretende é que se veja:

    - o Irão pelos olhos dum cineasta que vive há 25 anos fora do seu país num filme que teve o apoio monetário dos ministérios da Cultura da França, Suiça e da União Europeia;

    - pretende-se ainda retratar Cuba segundo a visão de dois cineastas suiços Chris Guidotti e Matteo Besomi;

    - o ANC da África do Sul segundo Jihan El-Tahri (nascida em Beirute, Líbano) com dupla nacionalidade francesa e agípcia, formada em ciência política pela Universidade Americana do Cairo e que foi correspondente da U.S. News and World Report e Reuters, produtora de, TV na Tunísia, Líbano, Iraque, Jordânia, Algéria, e Egipto entre 1984 e 1990, começando em 1990 a produzir documentários para a TV francesa e para a BBC desde 1995. Em 1992 filmou os campos de treino de Osama bin Laden no Sudão, entre muitos outros.

    - a Bósnia pelos olhos da norte-americana Susan Sontag & amigos;

    - a China, pelos olhos de Zhao Liang numa saga de mais de 10 anos financiada pelo Institut National de l’Audiovisuel, Arte (France)/3, RTBF Television Belge, YLE TV1, BBC Storyville, Television Suisse Romande, Centre National de la Cinematographie;

    - e os Camarões, segundo Osvalde-Lewat Hallade que nasceu em 1976 nos Camarões e que estudou no Instituto Nacional da Imagem e do Som (INIS) de Montreal e na Audiovisual School FEMIS em Paris. E que segundo a própria “interessa-se pelas pessoas, as suas vidas, as suas esperanças, os seus destinos e sobretudo, por Direitos Humanos.”

    Resumindo: Irão, Cuba, ANC da África do Sul, Bósnia, China, Camarões. Parte da agenda dos interesses internacionais ocidentais, certo?

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  7. 7 7  rosa

    obrigada sr. Daniel Oliveira
    Já agora, se ñ for pedir muito tem alguma/s sugestão,de entre o resto do festival?

    Fado Alexandrino: a 1ª sugestão parece bem…esperançosa!

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  8. 8 8  isagt

    Ora resumindo alguns dos comentários que aqui li, o mais importante será ir ver uns filmezitos mais alegres e animados, talvez daqueles que embalam consciências, antes de irem fazer ó-ó.
    Esta “treta” de nos mostrarem só os filmes cheios de segundas intensões, se calhar, até é tudo mentira, vivem todos muito bem e são apenas actores muito bons, servindo unicamente agendas de interesses ocidentais e por isso, serão assuntos que não interessam, nem a nós, nem ao menino Jesus e “até será para o lado que muitos dormem melhor” e pronto… está tudo nos “conformes”e dentro da “normalidade” habitual.
    Já nem querendo falar de empatia, no mínimo dos mínimos, não será muito, perder um pouco do nosso tempo a debater estes assuntos e mostrar alguma indignação contra os males do mundo ou então… com “sorte”, se conseguirmos mesmo, deixar de “sentir alguma coisa”, seremos todos (com a ajuda de algum silicone), umas belas e modernas máquinas de processamento de dados ;-)

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  9. 9 9  xatoo

    6
    em cheio Leo
    há uma agenda nos filmes do DOC que é programada segundo os interesses dos patrocinadores, tanto da parte de quem recebe subsidios para filmar na origem, quanto da parte a quem é facultado exibi-los aqui (CGD, BES, Público, Lusomundo, SIC, etc.) tudo identidades, como é obvio, que não estão propriamente interessadas em difundir visões fora do contexto conservador.

    Há o caso de “Mãe Fátima”, cuja realizadora é uma jovenzinha loira pouco mais que adolescente. A Escom (grupo do BES, envolvido no financiamento de armas ao MPLA durante a guerra) patrocinou o documentário cujo tema é o da “heroina da AMI que vai ajudar os nativos” num hospital de uma cidade longinqua de Angola, o Menongue no Cuando Cubango. O que vemos é um discurso do miserabilismo mostrado de forma atroz, imagens chocantes da falta de meios, feridas expostas, comas alcoólicos, mortos por malária em caixas frigorificas, o sofrimento explicito das gentes, etc. Coisas horriveis intercaladas aqui e ali com imagens de tanques de guerra na sucata. Corolário subliminar: a culpa da miséria é da guerra.
    Mas a jovem realizadora mostra apenas a cidade ao longe, como pano de fundo. Omisso, podia ter intercalado imagens do palácio do Governador ou a dependência Bancária principescamente reconstruidas, ou por contraste a vida dos ricaços que se metem no avião sempre que precisam de uma pomada prós calos; mas não, “Mãe Fátima” ficou-se exclusivamente pelo hospital pouco mais que em ruinas
    .

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  10. 10 10  Madalena Madeira

    “Estou seguro que, por mais tolerantes que fossem, eles sentiam o mesmo em relação a mim, pessoa a quem o casamento nada diz, o papel da mulher é outro, a homossexualidade ou bissexualidade são as coisas mais banais do Mundo e a religião é algo de muito distante (não tenho um único crente na família).”

    Sim !Encaixo-me nesta mentalidade e cultura e digo : o pior é como está a tola destes gajos , dos Aya tollas e seus satélites, diametralmente oposta à nossa. É possível que eles pensem o mesmo da nossa…

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  11. 11 11  Leo

    “o pior é como está a tola destes gajos , dos Aya tollas e seus satélites, diametralmente oposta à nossa. É possível que eles pensem o mesmo da nossa…”

    E porque é que teriam de pensar de modo diferente? Não são seres humanos como nós?

    [Responder]

  12. 12 12  lorelei

    Queremos que o doclisboa venha à província!

    [Responder]

  13. 13 13  Madalena Madeira

    Leo
    21 Out 2009 às 21:02

    E porque é que teriam de pensar de modo diferente? Não são seres humanos como nós?

    R: Têm , desde que cumpram os direitos e as liberdades fundamentais, ou seja, a dignidade e o respeitos por todos os seres vivos.

    [Responder]

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