Aqui, descrevi a minha viagem a Gaza, Cisjordânia e Haifa. Agora, fica o documentário, feito nos principios de Novembro. Feito por mim e por Nino Alves. Sem grandes pretensões, foi feito em poucos dias, sem condições técnicas e humanas. É um registo de conversas. Uma contribuição que ajuda a perceber o que se passa neste preciso momento na Palestina.

Foi realizado como instrumento de trabalho do Grupo das Esquerdas Europeias. Resulta de uma visita de vários deputados europeus (de quase todo o espectro político), a Israel e Palestina, com encontros com deputados, activistas de ONG’s e pacifistas dos dois lados. A visita teve uma agenda carregadíssima de reuniões, quase todas elas impossíveis de concentrar em poucos dias, não fosse o enorme conhecimento que a eurodeputada Luísa Morgantini tem do terreno e dos principais protagonistas políticos e sociais na Palestina e no movimento pacifista israelita.

Este vídeo, partido em seis partes e com a duração de 45 minutos, traduz uma posição política sobre o conflito. As condições de filmagem estiveram longe de ser as melhores, sobretudo em Gaza, onde os israelitas não permitiram a entrada do material de filmagem e de som e tivemos de nos contentar com uma câmara de mão.

Na primeira parte, ouvimos israelitas (judeus e árabes) pacifistas de Haifa ainda a recompor-se da guerra do Líbano. Na segunda, para além de um resumo da sucessiva perda de território pelos palestinianos, fala-se das reprecursões (sobretudo económicas) da construção do muro. Na terceira, trata-se da situação económica resultado do embargo à Palestina. Na quarta parte, continua-se a falar da situação económica e da difícil situação política que levou ao conflito a que agora assistimos. Na quinta, trata-se da situação em Gaza. E na sexta e última parte visita-se o principal hospital de Gaza e refere-se a utilização de armamento químico por Israel.

Duas correcções: o reconhecimento de Israel por parte da OLP, feito em 1988 e confirmado em 1993, não aconteceu, como é evidente, em Camp David – que foi muitos anos antes e alguns anos depois – como é por lapso de revisão referido no off; e a última intervenção é de um deputado do PPE (do Partido Conservador inglês) e não de um deputado do GUE.

VERSÃO COMPLETA LEGENDADA EM PORTUGUÊS AQUI.

OU POR PARTES:

Parte 1 - Formas de Guerra
Parte 2 - A história de um muro
Parte 3 - O Muro
Parte 4 - Terra onde não há pão
Parte 5 - O gueto de Gaza

Parte 6 - O hospital de Al-Shifa

Ver no Esquerda.net


13 respostas ao post “Documentário: “Between the Walls” (actualizado)”  

  1. 1 1  Nuno Gouveia

    Daniel,

    Ainda não tive a oportunidade de ver os videos. Mas gostava de lhe perguntar: Então foram ouvir os pacifistas do lado israelita. E do lado palestiniano? Eu sei que as verdadeiras organizações paficistas palestinianas, infelizmente não têm voz no ocidente. Ou será que só ouviram dirigentes do Hamas e da Jiahad Islâmica?

  2. 2 2  Anónimo

    Sim, tal como digo nesta introdução que escrevi, ouvimos pacifistas dos dois lados. Aliás, apesar de não aparecer no video (por problemas técnicos) ouvimos um movimento de pacifistas israelitas e palestinianos, que são os mais corajosos de todos.

    De resto, um dos principais intervenientes no documentário é Barguti (não confudir com o Barguti que está preso), que foi candidato presidencial e é defensor de uma resistência não militarizada.

  3. 3 3  Sofocleto

    O número dois da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, lança um sério aviso à blogosfera portuguesa

    O número dois da rede terrorista Al Qaeda, Ayman al Zawahiri, afirmou, num vídeo divulgado ontem pela internet, que os blogues portugueses insultaram as operações de martírio organizadas por Osama bin Laden, e apelou à Jihad (guerra santa) contra os infiéis do ciberespaco luso.

    Vídeo - 3:37m
    ….

  4. 4 4  Miguel F

    Sobre a parte 1: interessante o facto de uma marcha gay conseguir juntar cristãos, muçulmanos e judeus (no caso por serem todos contra) mostrando o quanto exacerbada é a religião por aquelas bandas e que totalmente desprovido de razão é o conflito que separa os mesmos grupos.

    Parte 2: já tinha visto um documentário sobre a palhaçada que são os checkpoints. Também todos se lembram de um jornalista baleado inúmeras vezes mesmo depois de estar no chão completamente imobilizado com a sua poderosa e periclitante arma - uma máquina fotográfica.

    Parte 3: o sufoco económico deve-se apenas à não existência de matéria-prima abundante que justifique uma posição de um dos gigantes. Se por cada liderança duvidosa existente se cortasse a ajuda 75% do mundo entrava em colapso. Estas condicionantes nada mais são do que a contínua tentativa de exterminar de vez a Palestina do mapa.

    Parte 4: A tão desejada imposição da democracia, sobejamente implantada no Iraque como se pode observar diariamente, parece desta feita na Palestina ter que reunir estranhos pressupostos para que seja verdadeiramente vista como uma democracia.

    Parte 5: Desafia-se qualquer lugarejo que seja, a funcionar devidamente com burocracia esquizofrénica até para importar sementes.

    Parte 6: não consigo visualizar, comento depois.

  5. 5 5  The Studio

    Esta sim, é uma abordagem imparcial ao conflito: Ouvem-se ambas as partes, a parte árabe e a extrema-esquerda Israelita.

  6. 6 6  Daniel Oliveira

    Se leu o texto viu que eu disse que não era imparcial. Que era uma leitura política. A minha. Ainda assim, aquilo a que chama extrema-esquerda israelita faz parte de Israel e não sofre menos com os atentados que o resto de Israel.

  7. 7 7  J

    Dois portugueses saem de Portugal para entender melhor e fazer um documentário imparcial sobre o conflito Israelo-Palestiniano

    Têm convicções firmes e não pretendem que os factos atrapalhem essas convicções.

    O que há melhor para fazer: pré-seleccionar um conjunto de pessoas que têm exactamente essas mesmas convicções e entrevistá-las, sem contraditório e sem perguntas difíceis. Grande surpresa, confirmam as conclusões que já tinham tirado.

    E quem entrevistaram estes bravos repórteres que não gostam de dissonância cognitiva:

    -Mustafa Barguti, um pacifista que pretende uma solução pacífica. Infelizmente ficou a faltar a explicação que apenas 2% dos Palestinianos votaram neste pacifista, preferindo a solução genocida do Hamas. Pormenores. Este pacifista mostra-se indignado com a “agressão israelita”. Mas ficámos sem saber qual a opinião sobre a a “agressão palestiniana”. Talvez não haja agressão palestiniana ou talvez este seja um pacifista unilateral.

    -Um elemeno do Hamas.
    Este é para mim o momento alto. Este senhor pertence a uma organização que pretende eliminar Israel e atirar os Judeus para o mar. Este senhor pede o apoio da Europa. Está triste por os Europeus já não ajudarem. Uma espécie de “porque não nos ajudam? Nós só queremos eliminar Israel e matar os Judeus!”.
    Num valente acto de dhimmitude, nenhum dos entrevistadores faz qualquer pergunta difícil.
    Uma bela parelha de demopata / idiotas úteis. O elemento do Hamas queixa-se da falta de apoio externo. Os entrevistados ouvem, comem e calam. Nem uma perguntinha, tipo “acha correcto matar deliberamente civis inocentes, só por serem Judeus?”. Nada. Propaganda terrorista gratuita, financiada por dois lunáticos. Engraçado, o elemento do Hamas prometeu que Hamas e Fatah se entenderiam através do diálogo. Premonitório.

    Outro entevista, um elemento da extrema-esquerda israelita. Sim, coincidência, tem as mesmas opiniões sobre o conflito do que os entrevistadores.

    Aposto que os entrevistadores tentaram descobrir algum elemento dos Naturei Carta para fazer uma peça ainda mais neutral, isenta, e credível, mas não devem ter encontrado ninguém. Fica para a próxima.

    Temas abordados no documentário: a agressão Israelita, a exploração Israelita, a maldade Israelita, o sadismo Israelita, a usurpação Israelita.

    Pergunta tipo: “é verdade que / pode confirmar que os Palestinianos são os bons/explorados/vítimas, os Israelitas são os maus/exploradores/culpados”. Para a resposta ser sempre a pretendida, excluíram-se da reportagem pessoas que poderiam responder “Não”. Just in case.

    Temas não abordados (terão ficado para a 2a parte do documentário?): a Jihad Palestiniana (política externa oficial do governo do Hamas), os atentados terroristas, a eleição do Hamas, a recusa de negociar a paz em Camp David, a indoutrinação anti-semita Palestiniana, o herói Amin Al-Husseini. Enfim, temas menores neste conflito.

    Grande conclusão desta reportagem “super-neutral” e “ultra-isenta”: a ideologia cega.

  8. 8 8  J

    O Daniel Oliveira, para provar a sua “leitura política”, poderia fazer um “teste ácido” às suas teses, e desobrir quem é intolerante e brutal.

    a) Vestir-se como Árabe Muçulmano e passear-se em Tel Aviv

    b) Vestir-se como Árabe Muçulmano e passear-se em Jerusalém

    c) Vestir-se como Judeu Ortodoxo e passear-se em Ramallah

    d) Vestir-se como Judeu Ortodoxo e passear-se em Meca

    O que pensa que lhe aconteceria em cada uma das 4 situações?

    PS Obviamente NUNCA experimente a c) e a d).

    http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2000/10/19/15/wmid315.xml
    http://en.wikipedia.org/wiki/The_lynching_in_Ramallah

  9. 9 9  Pedro Esteves

    “Se leu o texto viu que eu disse que não era imparcial. Que era uma leitura política. A minha.”

    na minha terra isso chama-se propaganda abusiva, com clara intenção de induzir a “sua” leitura politica na mente de alguns incautos …

  10. 10 10  Duarte Sousa

    Os EUA foi o país que mais contribuiu com ajudas financeiras para a Palestina, seguindo a UE e o Japão. Como é que as autoridades palestinianas decidirem aplicar esse dinheiro? Na compra de armas, munições, veículos, apartamentos em países estrangeiros, escolas (onde se ensina pouco mais do que o Al-Corão e se encorajam os miúdos a aderirem à Jihad), contas privadas, campos de treinos, etc…

    Isto não quer dizer que não os israelitas não tenham cometido alguns excessos, mas sejamos razoáveis. É impossivel conviver pacificamente com vizinhos que se recusam a reconhecer o nosso direito à existência e ao domínio do nosso território.

    Outra coisa que deve ser tida em conta, é que as ofensivas de Israel não são nada em comparação com as agressões que os países muçulmanos praticam ente si (como o caso massacre dos curdos cometido pelos sunitas no Iraque, guerra entre o Irão e Iraque, invasão do Kuwait, o actual confronto entre sunitas e xiítas no Iraque, as perseguições às minorias no Irão etc.).

    Mas a Esquerda actual, mesmo apesar destes factos, opta por dar preferência a estes países. Mais facilmente apoiam um Sadam Hussein do que um George Bush, que apesar de todos os defeitos que lhe possamos apontar (e que não são nada poucos), a meu ver ainda é ligeiramente preferível.

  11. 11 11  Pedro Esteves

    Duarte Sousa:”Mais facilmente apoiam um Sadam Hussein do que um George Bush, que apesar de todos os defeitos que lhe possamos apontar (e que não são nada poucos), a meu ver ainda é ligeiramente preferível.”

    Precisamente!!!
    A questão é mesmo essa, qual a alternativa ao imperialismo Americano ?

    Muitos utópicos vão alegar que é possível alcançar-se um acordo nas ONU, e que posteriormente um mundo alcançará o seu estado de Nirvana.
    Mas a realidade não se compadece com os delírios estéreis, e na prática, as grandes potencias vão sempre rivalizar entre si, e aqueles que baixarem os braços, estarão sempre à partida, condenados ao fracasso !

    O Islão olha com desdém para o declínio ocidental, das mesma forma que os Romanos testemunhavam a queda do império Grego. (ouvi isso de um analista económico)

    Em relação ás guerras fratricidas no seio do Islão, os obstinados tem um argumento bem porco para explicar isso, são fruto de um esquema mirabolante do Bush, para criar clivagens e desunião, segundo os teóricos das conspirações, essas guerras milenares são culpa dos americanos que os patrocinam para se matarem uns ao outros! O que é um argumento surreal, visto ser o Irão de um lado e Arábia Saudita do outro, a patrocinarem a guerra sunitas/xiitas no Iraque , e não a América, que coitada, está cada vez mais tida como “fraca” e que já não intimida ninguém.

  12. 12 12  Duarte Sousa

    Pedro Esteves: Precisamente!!!
    A questão é mesmo essa, qual a alternativa ao imperialismo Americano ?

    Alternativas hão de surgir com o tempo. A UE é uma delas, ou pelo menos representa uma etapa para tal.

    Para ser sincero, o meu desejo é chegar a ver uma UE que inclua a Turquia, Síria, Líbano e Israel. Claro que isto implica sérias reformas nestes países, mas creio que é possivel, sobretudo se a Turquia se tornar num caso de sucesso.

    A União do Mediterrâneo poderá também contribuir para o aprofundar da UE. Basta que haja interesse por partes do seus membros e que estes disponham das condições exigidas para tal.

    Israel e os EUA também terão de assumir um papel preponderante, sobretudo se surgir agora um confilito entre Israel, Líbano, Síria e Irão.

    Mas tal como disse, isso seria apenas um contratempo.

    A tendência é para se formarem uniões entre países. Veja-se o caso da Ucrânia e de outros países de Leste que pretendem aderir à UE. A Geórgia também não esconde esse sentimento.
    Qualquer dia segue-se a Arménia, e por aí adiante.

    Também não me surpreenderia se os EUA constituirem daqui a uns anos uma união nos mesmos moldes da UE com países como o Canadá ou o México. O mesmo se poderá dizer da China, caso venha formar uma união com a Rússia, Coreia (Norte e Sul), Japão, Vietname entre outros países.

    E a partir daqui, a Rússia poderá agir com um ponte de ligação entre a UE e uma eventual União Asiática.

    Por sua vez, uma UE que abranja países do Norte de África, poderá formar depois uma ligação com uma possível União Africana.

    Eu julgo que esta será uma da sgrand emudanças na vida dos humanos nos próximos anos (ou séculos).

    Uma outra grande mudança surgirá dos avanços nas ciências biogenéticas. Refiro-me à formula da imortalidade. Esta é tendência da nossa evolução ao longo da História. Aumentar a nossa esperança de vida. Assim que for possivel controlar o “envelhecimento” das células humanas teremos condições para nos tornarmos praticamente imortais.

    Essa será uma das condições para a próxima grande aventura dos humanos: a conquista do espaço. Para os humanos viajarem no espaço, terão de viver muitos anos para não morrerem durante as viagens até outros planetas a distâncias de milhares de anos luz.

    A meu ver, é no espaço, e através da Ciência, que encontraremos a verdade sobre as nossas origens, e pelo andar da História, parece que esse é o nosso destino natural.

    Todavia, existem três elementos perigosos que poderão condicionar essa evolução: 1) uma guerra nuclear à escala mundial; 2) a queda de um meteorito gigante cujas consequências arrasem também com a população humana; 3) a erupção do Yellowstone, i.e., a maior cãmara vulcânica do mundo, e que segundo vários cientistas já deveria ter entrado em actividade há uns anos, o que indica que a próxima explosão será ainda mais intensa.

    Se escaparmos a estes perigos, talvez tenhamos futuro pelo qual ansiamos.

    Shalom

  1. 1 Arrastão: Dois anos

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