O governo da França negou o direito à cidadania de uma mulher marroquina que se casou com um cidadão francês e esperava pelo reconhecimento há três anos. A marroquina é mãe de três filhos nascidos na França.

O motivo alegado pelas autoridades foi a “prática radical da religião”, julgada “incompatível com os valores” da sociedade francesa e com a igualdade dos sexos. O casal admitiu seguir rigorosamente o Corão. Para o Conselho do Estado, a marroquina “adotou, em nome de uma prática religiosa radical, um comportamento incompatível com os valores essenciais da comunidade francesa e, em particular, com o princípio da igualdade dos sexos”. O casal admitiu espontaneamente que segue as práticas do Islão salafita. Mas a mulher não quis responder, sob orientação do marido, se existe algum tipo de submissão de gênero na vida familiar do casal.

Uma situação curiosa: a mulher não recebe a nacionalidade francesa porque se submete ao seu marido francês que, obviamente, tem e mantém a nacionalidade. Para defender a igualdade de género a justiça francesa decide que a mulher está obrigada a condições que não são, porque não o podem ser, exigidas ao seu marido. Usando o argumento da defesa dos direitos da mulher a justiça colabora com a discriminação. A mulher está obrigada a libertar-se, o homem está isento de não oprimir. Porque para além de ter nascido homem, ele teve a sorte de ter nascido francês. O mundo está louco.


44 respostas ao post “Duas vezes discriminada”  

  1. 1 1  Ora pois

    Ialão Salafita? O que é isso?

  2. 2 2  Francisco Clamote

    Na verdade, a bota não bate com a perdigota. Cumprimentos.

  3. 3 3  Nuno Cruz

    Decisão acertadíssima, embora para quem viva em Portugal as coisas possam parecer diferentes. é um sinal claro e inequívoco da República Francesa.

    Basta ler o que diz a Fadela Amara, ex-Ni Putes Ni Soumises, sobre o assunto:

    Que représente pour vous la burqa ?

    J’appelle celles qui la portent « les corbeaux noirs ». Au Maghreb, les féministes les surnomment « les ninjas » en référence aux policiers algériens encagoulés qui luttent contre les terroristes. Il faut combattre cette pratique obscurantiste qui met en danger l’égalité hommes-femmes. La burqa, c’est une prison, une camisole de force, ce n’est pas un signe religieux mais le signe visible d’un projet politique totalitariste prônant l’inégalité des sexes et qui porte en soi l’absence totale de démocratie. C’est une castration de libertés. Il y a aussi des mecs qui « kiffent » des filles avec la burqa, c’est donc parfois de l’ordre du fantasme sexuel. Son usage n’est pas seulement lié à la question de l’exclusion sociale. Il y a des « femmes de », dans les beaux quartiers, qui ont également totalement recouvert leur visage.

    (…)

    Que souhaitez-vous dire à cette Marocaine qui s’est vu refuser la nationalité française ?

    Qu’elle redevienne ce qu’elle était au Maroc, avant d’arriver en France, quand elle ne portait ni le voile ni la burqa. L’amour rend aveugle. Elle a sûrement cédé en tombant sous le charme d’un islamiste. Je pense que c’est une victime.

    http://www.leparisien.fr/home/info/vivremieux/articles/LE-VOILE-ET-LA-BURQA-C-EST-LA-MEME-CHOSE_298630659

    http://www.liberation.fr/actualite/politiques/339246.FR.php

  4. 4 4  Sérgio

    A realidade francesa conheço eu muito bem tendo lá passado uns bons anos e tendo toda a minha família materna lá emigrada.

    Sabemos o que é ser emigrantes e eu sou-o, hoje em dia, num outro país que não a França.

    A questão é que na minha família somos portugueses, temos orgulho de ser portugueses mas isso não implica que imponhamos o nosso modo de vida nas comunidades dos nossos países de acolhimento.

    Eu em Roma sou romano, e a partir do momento em que me passe a sentir mal aqui, vou-me embora. Não vou começar a falar mal do meu país de acolhimento, nem vou começar a desafiar tudo e todos à minha volta sendo “mais português” no país que me acolheu que em Portugal. Tudo isto devido à educação que me deram em que os meus pais sempre me disseram para me portar bem na minha casa e melhor na casa dos outros.

    Seja como for a leitura radical do Islão é uma realidade em França e as consequências desastrosas. Imensos jovens são desde cedo poluídos com ideias extremistas e raparigas são alvo de violência (verbal, física) das famílias ou mesmo dos elementos mais radicais da respectiva comunidade. São inúmeros os casos em França de raparigas agredidas por se recusarem a usar o véu. Ocorreram igualmente casos em que raparigas foram queimadas com fluído de isqueiro ou gasolina tendo ocorrido pelo menos uma morte. Ora isto não se passou em Rhiade mas na banlieue de Paris.

    É verdade que à primeira vista isto parece ser um ataque à liberdade pessoal da senhora, mas não se trata disso. Trata-se apenas de dar um sinal claro às comunidades muçulmanas de que não podem impor a ninguém práticas religiosas incompativeis com a sociedade francesa.

    Passe o exagero, se na Europa cederem e relativizarem cada uso e costume bárbaro, em breve teremos petições a exigirem a excisão comparticipada.

  5. 5 5  Mouzinho

    Só falta retirar a nacionalidade ao marido

  6. 6 6  PR

    Estás errado, K’mrd.
    Salafita? De burqa?
    A sentença é exemplar. Por algum lado se tem de começar. E não é a capitular ou a ceder nos nossos valores.

  7. 7 7  Nuno Cruz

    Nem mais, Sérgio. Não se pode analisar o Islão radical e bárbaro com as ferramentas de análise tradicionais que partem de princípios diferentes.

    Estamos a falar de comunidades que exprimem a rejeição de certos valores progressistas ocidentais (e, que ao contrário da opinião comum, não se seculariza: os jovens são mais radicais que os pais), e por vezes com alguma violência, e para as quais a Europa não estava preparada. é um problema complexo e os dois modelos europeus de integração, o inglês e o francês, parecem ambos pejados de falhas.

  8. 8 8  zebriu

    Independentemente das razões que levaram o estado francês a recusar a cidadania à senhora nesse caso concreto, não posso admitir que as nossas sociedades não estejam atentas à aceitação dos principios base que lhes servem de fundação.

    É por essas e por outras que populam por essa Europa fora (e nós de brandos costumes começamos agora a ter o cheiro da realidade de outros países) grupos imensos de pessoas vindas de outras sociedades que vivem à margem da nossa cultura (sentido lato) e sem a mínima necessidade/vontade/obrigação de se integrarem , aproveitando apenas as benesses sociais que cada vez mais lhes damos.

    As pessoas criam “guetos”, não são os “guetos” que criam pessoas.

    Quanto à questão da submissão da senhora ao marido: se fosse com fato de latex e alguns chicotes já seria considerado vanguardista? Haja dó. Sol na eira e chuva no nabal?
    A senhora é livre de agir como muito bem lhe apetece, de ter a religião que lhe apetece, agora não queira obrigar ninguém a compactuar com as suas ideias, e oferecer-lhe direitos sem contrapartidas.

  9. 9 9  Minhoto

    Parece que a estória não é assim tão simples como parece no post, agora salafitas e wahabitas longe pois a Europa do sec XXI, da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Estado de Direito não pode de forma alguma ser complacente com estas atitudes.

  10. 10 10  Selim

    Mouzinho
    Alinho nessa sua visão do problema.Afinal os africanos não expulsaram já muitos europeus que até lá tinham nascido?Qual o mal de reverter a atribuição de nacionalidade já dada?Não se integram …fora!

  11. 11 11  Fado Alexandrino

    Estamos a falar de comunidades que exprimem a rejeição de certos valores progressistas ocidentais

    A pergunta já foi feita milhares de vez, mas repito-a.
    Concorda com a excisão do clitóris?

  12. 12 12  Miguel

    “Concorda com a excisão do clitóris?”

    Se estiver a atrapalhar, sim… mas não faço questão.

  13. 13 13  José Henriques

    O habitual coro de Inquisidores volta ao ataque.
    Daniel, será que eu vi mal e você defendeu no post o Islão Salafita, ou apenas chamou a atenção para o paradoxo de que em nome de valores morais aparentemente inatacáveis, esses mesmos valores sejam cerceados por quem os diz defender?
    Por essas e por outras é que eu sou ateu, graças a Deus.

  14. 14 14  Euroliberal

    Muito bem. A laicité á la française é um sistema fundamentalista ateu que visa expulsar do domínio público toda a manifestação religiosa num país em que a maioria esmagadora é cristã.

    Os muçulmanos são a ponta de lança da luta contra a opressão secularista da jacobinada anti-clerical, mas todas as religiões são visadas. Em matéria de vestimenta feminina, o estado só deve intervir para assegurar a liberdade (de usar ou de não querer usar hijabs, niquabs, é o caso aqui, e não uma burca, ou outros véus). Os amish (menonitas) americanos que vivem e se vestem como no séc XVIII, recusam a eletricidade, os automóveis, a escola pública, etc, não poderiam também ser franceses, aparentemente. Quelle connerie…

    Na Europa “gaullista” (do Atlântico aos Urais) há mais de 130 milhões de muçulmanos, a segunda comunidade religiosa europeia, que são insultados por esta decisão islamófoba e discriminatória…que só ajuda a expansão meteórica do Islão na Europa, transformando-a em religião perseguida…

    P.S. quanto à excisão não é um costume islâmico, mas tribal de certas zonas do corno de Africa e Africa ocidental. Também o assassíno de mulheres ou namoradas não é uma imposição católica, embora em Portugal ou Espanha sejam frequentes (40 por ano em Portugal, 70 em Espanha), numeros muito superiores aos “crimes de honra” em países islâmicos….

  15. 15 15  Fado Alexandrino

    numeros muito superiores aos “crimes de honra” em países islâmicos….

    Como se sabe um terço de África, para ser modesto, é islâmico.
    O seu mais populoso país, a Nigéria, usa mesmo a bárbara justiça de seu nome sharia.
    É claro que há poucos assassinatos de mulheres por motivos passionais.
    Elas são ensinadas de pequeninas, se preciso for com a ajuda de um chicote, a colocarem-se no seu papel.
    Que é o de escravas com valor inferior a uma cabra.
    Que isto seja sistematicamente ignorado pelas Anas Drago’s de toda a Europa dá que pensar.

  16. 16 16  rosa-que-fuma

    Que isto seja sistematicamente ignorado pelas Anas Drago’s de toda a Europa dá que pensar.

    e por ventura tem que ser mulher quem não ignora por essa europa fora?
    sabe o que acontece a interlucotoras que se especializam neste tipo de “assunto de classe”?

  17. 17 17  Euroliberal

    Fadista: dois terços de africa são muçulmanos e o corno de África e o golfo da Guiné são uma pequena parte desses dois terços e menos de 1% do Islão mundial. A excisão não é islâmica e é anterior à islamização. O facto de serem muçulmanas essas regiões não implica que o Corão é a raiz de tal costumes, porque se o fosse seria um costume seguido de Marrocos à Indonésia.

    Quanto ao papel da mulher no islão, ela é considerada irmã do homem e não feita a partir de uma costela deste. Nem é suposta parir na dor para pagar um pecado original. E as “ocidentais” violações, espancamentos e assédios sexuais são quase desconhecidos entre eles. As mulheres muçulmanas nada têm a apreender com o mal-amado, despeitado e decadente putedo feminista ocidental.

  18. 18 18  mf

    Pois , nisto o Fado tem razão. As árabes já sabem o que lhes acontece se puserem o pé em ramo verde.E ao abrigo da lei.

  19. 19 19  Fado Alexandrino

    sabe o que acontece a interlocutoras que se especializam neste tipo de “assunto de classe”?

    Eu não sei, mas o Senhor Euroliberal terá todo o prazer em lhe explicar.

    Nota
    Agradecia que quando comentassem as minhas intervenções se me querem interpelar usem o nick e não variações do mesmo. Quando me dirijo a alguém uso sempre o nome, o mesmo tratamento de volta seria apreciado.
    É que eu não sou fadista, nem alexandrino e nem gosto nem de um nem do outro.

  20. 20 20  Pinto

    Diz o Sr Euroliberal que “A laicité á la française é um sistema fundamentalista ateu que visa expulsar do domínio público toda a manifestação religiosa num país em que a maioria esmagadora é cristã.”. Mas parece-me que a recusa de nacionalidade se deve a um facto concreto: “o casal admitiu seguir rigorosamente o Corão”; admitiu ofender a norma constitucional francesa que garante igualdade entre os sexos (este direito, tal como do direito à vida, não pode ser renunciado segundo as constituições francesa, portuguesa, etc, etc. etc.).
    Como disse o Sr. Euroliberal no blogue atlântico (e muito bem) “Se eu [você] for trabalhar para o Dubai (um paraíso, aliás) não vou exigir que o meu catolicismo seja tratado em pé de igualdade com a norma (religiosa) local (procissões, programas de televisão, feriados católicos, descanso ao domingo, etc).” (http://www.atlantico-online.net/blogue/2007/12/03/o-lobby-gay-a-tentar-arranjar-conversa/). Resumindo, não poderia chegar ao Dubai e querer seguir rigorosamente o catolicismo. E depois continuou: “Basta-me não ser discriminado e poder praticar a minha religião livre e discretamente. Atacar a norma muçulmana seria uma provocação grave e gratuita.” Eu pergunto: e atacar a norma constitucional francesa o que é se não uma provocação grave e gratuita?

  21. 21 21  Euroliberal

    Pinto: Qual norma constitucional francesa ? a da igualdade de sexos ? Mas onde é que o niquab (não burkha) vestido voluntariamente diminui a igualdade da mulher ? Isso é uma interpretação dos coirões feministas, um sector minoritário e extremista e já antiquado. E o autorizado zeroquini não diminui ?

    Aí é que está a interpretação islamófoba de uma norma que ninguém contesta. E o hábito de freira não diminuirá nessa perspectiva a igualdade da mulher ? Disparate… É ainda o caso dos laicistas turcos (quequerem derrubar nos tribunais um governo eleito com maioria absoluta, parecem o Benfica !) impedirem as filhas do PM Erdogan de estudarem no seu próprio país obrigando-as a irem para universidades americanas onde podem usar o véu… lembro que 95% dos turcos são muçulmanos. Os laicistas fundamentalistas interpretam as constituições, como os comunas do PREC o fazia em relação às “conquistas irreversíveis do socialismo”. Contra a vontade do povo.

    Em França, 10% dos nacionais são muçulmanos. Não é uma seita como a das testemunhas de Jeová… E de forem ao Dubai verão o que é a tolerância em matéria de vestimenta. As emiratis (20%) vestem todas abayas com niquab, as ocidentais (ná dezenas de milhares residentes ou turistas) vestem à ocidental, as paquistanesas, bangla deshis, filipinas, indonésias (quase todas muçulmanas, vestem à maneira da sua terra sem niquab).

  22. 22 22  Maria

    Sim senhor
    E que bem que eles tratam as irmas.

    1-Crianças do sexo feminino sao afastadas das escolas
    2-Mulheres sao impedidas de trabalhar e de andar nas ruas sozinhas.
    3-Mulheres consideradas transgressora a lei sao espancadas e muitas vezes assassinadas.
    4-Sempre viveram em regime de submissao absoluta mas estao pior desde que os Talibã chegaram ao poder em 1996.
    5-O ambiente social e misogino e desrespeitador dos direitos e mulheres que lutam pelas liberdade sao consideradas traidoras ao islao.
    6-Existem mesmo videos que ensinam como bater e
    que tipo de espacanmento se deve utilizar consoante os tipos de mulher a que se dirigem(!!) Para os que me vao atacar –consultem o magnifico yutube , esta la tudo graças a deus.
    7-Mulheres sao forçadas a prostituiçao porque nao tem modo de alimentar as suas crianças.

    8-E para finalizar esta perola:-”Em Novembro de 1999, uma mulher em Kabul foi sentenciada a morte por suspeita de adultério. Todas as mulheres de Kabul foram convocadas para assistir a execução, que tomou todos os lugares do estádio de esportes no centro da cidade. Um membro da RAWA contrabandeou uma camera de video e colocou sob a “burqa” e filmou todos os procedimentos. Desde então outras punições tem sido documentadas: amputações, um enforcamento, morte por cortar a garganta, etc. ”

    Nao tenho nada contra as religioes seja de que povo for , mas dizer que e perfeito e por ali nao se cometem crimes contra as mulheres , que sao todas felizes desde o principio ate ao fim das suas vidas , enquanto que por ca no ocidente sao so desgraças e que nao.Desgraças existem em todo o lado, mulheres oprimidas violentadas, muitas vezes agredidas pelos que deveriam respeita-las tambem as ha em muitos lugares infelizmente.

    Mas dizer que o islao e perfeito para as mulheres e que sao tratdas como irmas essa so para rir, mesmo ate porque nem sequer quer dizer muito quando sendo irma ou mulher ou mae ou esposa se sofre diariamente o abuso dos que sendo homens se julgam donos de todos os direitos.

  23. 23 23  Pinto

    Sr. Euroliberal, a Constituição Francesa garante igualdade e dignidade a todos os cidadãos, tal como a nossa: “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.” (nº 1 do Art. 13.º da CRP). A Constituição Francesa garante a inviolabilidade da vida e da integridade física e moral, tal como a nossa: “A vida humana é inviolável.” (nº1 do Art. 24.º da CRP); “A integridade moral e física das pessoas é inviolável.” (nº1 do Art. 25.º da CRP)
    Ora o que aqui está em causa não me parece que seja o que a Senhora iria vestir ou deixar de vestir (vista o que ela quiser). O que está em causa é que “seguir rigorosamente o Corão” implicaria abdicar da sua dignidade social e da sua igualdade perante a lei e uma submissão completa ao marido. A França não pode permitir isso, não pode. Isso seria o mesmo que um chinês vir ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras solicitar a sua nacionalização e quando lhe perguntassem qual a sua actividade em Portugal, dizer que pretendia ser escravo num restaurante chinês. Há valores dos quais não podemos abdicar, seja em nome de uma qualquer religião, seja por outra razão.
    Já agora Sr. Euroliberal, entende que este Governo sofre de catolicofobia por ter proibido todo e qualquer objecto de índole religiosa nas escolas quando sabia de antemão que havia milhares de escolas com crucifixos nas paredes e que a esmagadora maioria da população portuguesa é católica, ou acha que foi um exercício de reposição da lei constitucional, como o Governo alegou? É que às vezes dá-me a sensação que criticar a religião islâmica é islamofobia mas criticar a religião católica é liberdade de expressão.

  24. 24 24  Pinto

    Segundo o Alcorão “suas esposas são para vocês um campo a ser arado, vão a ele como e quando quiserem e arem para si mesmos antes” (Sourate 3 verset 223)

    O direito de castigar existe também no Alcorão: “as mulheres virtuosas são obedientes e protegem o que deve ser protegido, com a proteção de Alá e quanto àquelas das quais temem a desobediência, é preciso exortá-las, afastem-se delas no leito e surrem-nas. “(sourate 4, verset 34 )

    Vou repetir: SURREM-NAS

    Quem vier para Portugal dizer que vai seguir RIGOROSAMENTE o alcorão (como disse este casal), está a admitir que poderá vir a praticar um acto que, pela lei vigente, consubstancia um crime público.
    Eventualmente na França a situação é similar, portanto a recusa de atribuição de nacionalidade é COMPREENSÍVEL.

  25. 25 25  Euroliberal

    “é que “seguir rigorosamente o Corão” implicaria abdicar da sua dignidade social e da sua igualdade perante a lei e uma submissão completa ao marido.” Pinto

    Então nenhuma muçulmana poderia ser francesa, e há milhões que o são…

    E ainda há milhões de católicas a quem no casamento o padre leu a epístola de S.Paulo que diz mais ou menos o mesmo…Assim não vamos lá..

    E é evidente que a jacobinice de proibir os crucifixos nas nossas escolas é igual a esta jacobinice islamófoba dos franceses, que só acabam por só fazer propaganda do islão..os cristãos nunca cresceram tanto como no tempo das catacumbas…

  26. 26 26  Euroliberal

    SURREM-NAS ?

    Então diria que Portugal e Espanha ( e o México, ao que parece) são muçulmanos, pois batem os recordes de surras em mulheres… de facto são mais que surras, são milhares de espancamentos e dezenas de assasinatos por ano.

    O que não acontece no mundo islâmico. Com Corão, e talvez por causa dele…

  27. 27 27  maria

    “O governo da França negou o direito à cidadania de uma mulher marroquina que se casou com um cidadão francês e esperava pelo reconhecimento há três anos. A marroquina é mãe de três filhos nascidos na França.O motivo alegado pelas autoridades foi a “prática radical da religião”, julgada “incompatível com os valores” da sociedade francesa e com a igualdade dos sexos”.
    Lido assim parece, realmente, que o mundo está louco. Mas antes, é preciso ver o que é a prática radical de uma religião e se colide ou não com a legislação francesa. Em Portugal, a violência doméstica, física ou psicológica, é um crime público independentemente da vontade da vítima se queixar ou não. A sociedade tem o direito de levar a tribunal, de julgar, de condenar um homem que surra a mulher apesar desta aceitar ou consentir, por exemplo, por amor. Será que neste caso o mundo também está louco?

  28. 28 28  maria

    Quanto ao segundo ponto: concordo absolutamente com a critica. O problema está também no marido.

  29. 29 29  Pinto

    Euroliberal: “Então nenhuma muçulmana poderia ser francesa, e há milhões que o são…”
    Porquê? Todos os muçulmanos seguem RIGOROSAMENTE o Alcorão? Não.
    E outros há que até o possam seguir mas afirmá-lo no momento da solicitação da nacionalidade parece-me uma provocação grave e gratuita.

    Euroliberal: “Então diria que Portugal e Espanha ( e o México, ao que parece) são muçulmanos, pois batem os recordes de surras em mulheres… de facto são mais que surras, são milhares de espancamentos e dezenas de assasinatos por ano.”

    E também há assassínios (em percentagem muito inferior aos EUA), e roubos e furtos e violações e ofensas à integridade física, etc., etc., etc..
    O que está em causa é a afronta de assumir que se vai seguir RIGOROSAMENTE o Alcorão no momento que se pede a nacionalidade.

    “O que não acontece no mundo islâmico. Com Corão, e talvez por causa dele…”

    Não sei. Não conheço o serviço análogo ao “Instituto Nacional de Estatísticas” do Irão nem do da Arábia Saudita. Uma coisa já vi na televisão: uma Senhora muçulmana dizer (com naturalidade) que levava porrada do marido.

    Só mais um ponto: se uma procissão católica no Dubai é “exigir que o meu catolicismo seja tratado em pé de igualdade com a norma (religiosa) local” e por isso “uma provocação grave e gratuita”, como qualifica a atitude deste casal ao dizer que vai “seguir rigorosamente o Alcorão” quando este apela à “surra” nas mulheres, quando este apela ao crime?
    Um pouco mais de bom senso neste casal: não se perdia nada.

  30. 30 30  Pinto

    Euroliberal: “E ainda há milhões de católicas a quem no casamento o padre leu a epístola de S.Paulo que diz mais ou menos o mesmo…”

    Mais ou menos o mesmo que o quê? Que a este excerto que publiquei? Em que Igreja. Em que paróquia? Onde?
    Já assisti a muitos casamentos e nunca ouvi um apelo (por muito subtil que fosse) para o marido surrar na esposa. Pelo contrário: aos últimos casamentos que tenho ido, os Padres apelam ao respeito mútuo, repudiando vigorosamente a violência doméstica.

  31. 31 31  Maria

    Euroliberal
    20 Jul 2008 às 1:07

    SURREM-NAS ?

    Então diria que Portugal e Espanha ( e o México, ao que parece) são muçulmanos, pois batem os recordes de surras em mulheres… de facto são mais que surras, são milhares de espancamentos e dezenas de assasinatos por ano.

    O que não acontece no mundo islâmico. Com Corão, e talvez por causa dele…

    Pois.
    e isso mesmo, para que veja o quanto e dificil erradicar os maus costumes.
    Mas entre um pais e outro existe 1 pequena diferença.Apesar dos maus costumes existem algumas leis que punem os que desalinham.
    So e pena que sejam ainda demasiado frageis.
    Mas mesmo assim nao compare Portugal com os Iraos deste mundo, por ca apesar de tudo vive-se muito melhor.

  32. 32 32  Euroliberal

    Tanto em Portugal como nos países islâmicos há penas para quem maltratar mulheres. Só que nos segundos são muito mais severas, e tais crimes muito menos frequentes. A posição da mulher é mais defendida na prática do que entre nós.

    A espístola de S. Paulo diz que a mulher deve obedecer ao marido, etc e tal…i. é., o mesmo que o Corão.

    O Corão poderá falar num surate em surrar as mulheres, mas quem as surra de facto são os católicos… No islão isso é raríssimo, até porque pode provocar vinganças familiares. Também se diga que são raras as mulheres muçulmanas que dão motivo para uma surra…

    Logo, a comparação é largamente favorável às mulheres muçulmanas, que beneficiam de maior protecção familiar, inexistente nas decadentes e dissolutas sociedades ocidentais. Para já não falar nos hipócritas defensores dos direitos das mulheres muçulmanas que apoiam os islamocídios unilaterais dos cruzados neocons que vitimam centenas de milhares delas…” para as libertarem da opressão”. Tod macht frei…

  33. 33 33  rosa-que-fuma

    caro vómito (já me chamou puta alguns comentários atrás, não se deve importar), concordo plenamente consigo quanto aos católicos, tarda o laicismo.

    Mas estou longe de perceber do que fala. Parece-me o classico tratamento do pres”o”-por-ter-cão-pres”o”-por-não-ter, tão vulgarizado também pela decadente e laicíssima psicologia, que só confere subjectividade à mulher na obdiencia e na auto vigilância da ideosincracia, que por sua vez a indispõe a tomar decisões e a remete a uma total dependência, levando os ideologos a considerá-la futil, e a evitar maus tratos por questões mais proximas dos direitos dos animais.

    Paraíso ou progresso, tanto me faz, hipotecas do futuro e promessas da pilinha.
    Você não faz os trabalhos de casa. está a defender a pilinha com disparates aleatórios.

  34. 34 34  Pinto

    1º Surrar é diferente de obedecer.
    2º Não defendo que a França devesse tomar outra posição se um católico dissesse que iria seguir rigorosamente a Bíblia.
    3º A única coisa que as mulheres muçulmanas beneficiam mais, em relação às católicas, é de protecção solar na cara. Desde que vi umas imagens (há cerca de 5 ou 6 anos) de mulheres a serem agredidas por homens com paus, em plena rua, deixei de acreditar que o Islão fosse o paraíso feminino.
    4º É bonito elogiar os países muçulmanos mas do lado de cá, bem confortáveis no nosso sofazinho.

  35. 35 35  Daniel Oliveira

    Pinto, não me obrige a ir de novo buscar citações da Bíblia.

  36. 36 36  rosa-que-fuma

    “protecção solar na cara” ihihihihih. juro q teve piada, por muito tragicómico que se

    mas há já muito que o marido deixou de poder assassinar (HÁ 30 ANOS), e nunca foi o estado a fazê-lo.

    cumprimentos

  37. 37 37  Euroliberal

    Só em Portugal há 40 mulheres assassinadas por ano, por maridos ou companheiros. Mais milhares se espancamentos, violações, assédios, etc. Em todos os países do ocidente há refugios e associações de defesa de mulheres batidas, porque estas são milhares.. No islão não há nada disso…porque não é preciso…não se bate nas mulheres…

    A grande maioria das mulheres muçulmanas anda de cara descoberta. Vão a Marrocos e falem…

    “É bonito elogiar os países muçulmanos mas do lado de cá, bem confortáveis no nosso sofazinho.”

    Olhe que a coisa está a mudar rapidamente no Golfo e não só… Não tarda que se viva melhor lá… gasolina a alguns cêntimos o litro…crescimentos entre 6% e 16% ao ano…Os árabes tem centenas de biliões para investir… Não convém haver discriminações laicistas à francesa…podem custar caro no futuro…

  38. 38 38  Nuno Cruz

    Mas o que é que a Bíblia tem a ver com a discussão? Existe algum equivalente da Sharia, ou do Hijab, ou das lapidações, ou da leitura literal e dogmática de um texto sagrado, na Europa Ocidental hoje em dia?

  39. 39 39  Daniel Oliveira

    Nuno Cruz, grande confusão que para aí vai, em que se mistura a hijab (o que usam as freiras? o que usam muitas mulheres nas missas?) com a lapidação. Em quantos países é praticada a lapidação? Sabe? É que as pessoas repetem lugares comuns…

    Leituras literais e dogmáticas da Bíblia no Ocidente? Conhece as correntes evangélicas mais radicais? Leitura literal, pois claro. Não há religiões radicais ou moderadas, há religiosos radicais e moderados.

  40. 40 40  rosa-que-fuma

    http://diario.iol.pt/internacional/irao-apedrejamento-pena-de-morte-iol-jornal/973783-4073.html

    certamente é teoria da conspiração a informação que se encontra no google. Toda falsa, destinada a fomentar o ódio contra essa variação da pater potestas

  41. 41 41  Euroliberal

    da Primeira Epístola de S.Paulo aos Coríntios:

    3 Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo.
    4 Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.
    5 Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.
    6 Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu.
    7 O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem.
    8 Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem.
    9 Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem.
    10 Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.
    11 Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor.
    12 Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus.
    13 Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?
    14 Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o homem ter cabelo crescido?

  42. 42 42  Nuno Cruz

    Daniel Oliveira,

    Lugar-comum é repetir um malabarismo de retórica, como quê não existem religiões radicais ou moderadas. Sendo uma religião um sistema de pensamento e uma construção ideológica, política e historicamente determinada, porque é que não existiriam religiões mais ou menos progressistas, mais ou menos tolerantes? Como se alguém ousasse afirmar que não existem movimentos políticos ou sociais mais ou menos radicais.

    Misturei propositadamente o hijab (aconselho a ler a entrevista da Fadela Amara que deixei aqui) com a lapidação (eu sei, não é um exclusivo das sociedades islâmicas) porque ambos são dimensões do problema dos direitos das mulheres. E o hijab, como é usado hoje por uma parte significativa da população europeia na Europa, não é apenas um signo religioso, como sabes.

    Enfim, e comparar o peso minúsculo das correntes evangélicas (que são meninos de coro ao lado dos wahabistas) com o dos movimentos radicais islâmicos na Europa…

  43. 43 43  Pinto

    Continuo sem ler o mais leve apelo à surra. No alcorão, pelo contrário, diz expressamente: “surrem-nas”.

    Quanto ao véu, a Bíblia até pode dize-lo mas vejamos quem segue a religião com mais rigor:

    MUÇULMANAS NA PRAIA

    http://img.terra.com.br/i/2007/01/16/445519-7685-it2.jpg

    http://www.infobrasil.org/fotos/fotos/Christian-PMI/images/2250.jpg

    PRAIA DO RIO DE JANEIRO

    http://www.geocities.com/Hollywood/Set/4213/nuas.jpg

    DESCUBRA AS DIFERENÇAS

    Euroliberal: “Olhe que a coisa está a mudar rapidamente no Golfo e não só… Não tarda que se viva melhor lá… gasolina a alguns cêntimos o litro…crescimentos entre 6% e 16% ao ano…Os árabes tem centenas de biliões para investir… Não convém haver discriminações laicistas à francesa…podem custar caro no futuro…”

    O crscimento económico e o PIB per capita não são sinónimos de qualidade de vida. Os EUA têm o mais elevado PIB per capita do mundo, contudo a Austrália tem o maior índice de desenvolvimento humano (que traduz a qualidade de vida dos seus cidadãos). Antes da Austrália havia sido a Noruega e a Suécia.
    A China e a Angola têm um elevadíssimo crescimento. Mas eu prefiro viver em Portugal.
    E se estes países nada alterarem no que concerne à qualidade de vida dos seus cidadãos, tenho a certeza que daqui a 20 anos terei a mesma opinião.

    Por último, quero dizer que fui a Marrocos há dois anos (Tanger) e ainda vi muita cara tapada. Não todas, mas algumas ainda tinham a cara completamente tapada.

    Não sou laico: sou católico praticante (com moderação). Interpreto a Bíblia da forma que me apraz interpretar. Como essa interpretação não viola as normas jurídicas, tenho liberdade para o fazer.
    Era bom que em todos os países se pudesse dizer isto.

  44. 44 44  Pinto

    “Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre; não há homem nem mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus”.
    (Epístola de Gálatas, v. 28)

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