«Embora 44 por cento dos europeus considerem que os casamentos entre homossexuais deviam ser autorizados em toda a Europa, o barómetro indica uma enorme divisão entre os blocos Norte e Sul e Leste. Os holandeses (82 por cento), os suecos (71), os dinamarqueses (69) e os belgas (62) são os mais favoráveis. (…) A maior relutância em aceitar estes valores encontra-se nos novos estados-membros: Letónia (12 por cento), Chipre (14), Grécia (15), Lituânia e Polónia (17), Malta e Hungria (18) e Eslováquia (19). De um modo geral, os europeus do Leste e do Sul são mais conservadores. A República Checa (52 por cento) é o único novo estado-membro a aceitar o casamento gay. E a Espanha o único do Sul (56). » (“Público”)
No que toca aos valores da liberdade individual e aos direitos dos homossexuais Portugal está ao nível de Malta, Chipre, Itália e da Europa de Leste profunda (países marcados pelo conservadorismo católico e comunista), enquanto a Espanha se aproxima da Europa do Norte. Um bom barómetro do que está a acontecer em Espanha e não está a acontecer em Portugal. É que nem tudo se explica pela pela religião. Mesmo em países muito católicos o desenvolvimento económico e a política podem fazer milagres.
Por Daniel Oliveira 19 Dez 06 em Sem categoria


Não seja assim…
Porque aproveita para colocar o comunismo como justificaçao para o conservadorismo ?
Neste caso ele só é culpado, de em 40 anos, não ter conseguido alterar a visão religiosa da Hungria e da Eslovaquia.
Razoes historicas bem mais profundas estao por detrás e sabe-o bem.
De resto, a divisao avassaladora entre Checos e Eslovacos, que viveram sobre o mesmo governo “comunista”, devia ter chamado o “amigo bom senso”.
Não entrem nesse jogo de apontar as armas - mesmo as de polvora seca como esta - aos comunistas
È estrategia que não lhes convem…
A estratégia não me convém. Fui comunista enquanto o comunismo ali imperava. De resto, a diferença sobre a República Checa (onde vivi um ano) e a Eslováquia levava a um longo debate.
Não tenho qualquer reserva sobre qualquer tipo de relações entre homens ou mulheres. Quando me conseguirem provar que a não aceitação do casamento entre homosexuais é violação de um direito eu estarei a favor do mesmo. Até lá não. E a minha religião nada tem a ver com a minha atitude. Os números às vezes interessam outras vezes não… A Holanda foi um dos grandes percussores do capitalismo e do liberalismo económico. A igreja católica foi, antes da existencia de estados comunistas, uma voz contrária! Isto significa o quê.
Na África do Sul os descendentes dos holandeses inventaram o apartheid…
Quando o Povo concorda com os Esquerdistas, é bom e desenvolvido; quando discorda, é mau, atrasado, estúpido, atávico, etc. e tal.
Oh Daniel, meta uma coisa nessa (calva) cabeça: por muito que vocês não queiram, o Povo é mesmo quem mais ordena!
Mas que grande salgalhada de post para uma conclusão tão boa: a politica pode fazer milagres. Neste caso o politica(mente) correcto… 82% dos holandeses a favor do casamento gay? Só há duas hipoteses: mentiram ou sondagem foi feita exclusivamente em Amesterdão.
1. Por acaso as diferenças entre a República Checa e a Eslováquia davam um post interessantíssimo.
2. Sejamos claros. Defender as liberdades individuais e o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é a mesma coisa.
Aliás, penso que tudo o que não seja defender a abolição do estado civil só vem valorizar publicamente a instituição casamento, logo é uma perspectiva absolutamente conservadora.
O facto de estatisticamente sermos um povo ligeiramente homofóbico não me espanta assim tanto. Estamos num pais de machos latinos viris e orgulhosos de o serem. O que de facto me espanta é sermos considerados socialmente atrasados em relação a um pais com uma fervura católica infinitamente superior à nossa. Como é que uma matriz de pensamento cristã está mais presente na agenda dos portugueses quando estamos a tratar de um assunto de cariz simultaneamente legal e emocional? Como é que os nossos vizinhos ibéricos conseguiram evoluir para alem deste paradigma?
Isto trata se de uma questão de liberdade, como já foi referido. Possivelmente a melhor definição de liberdade que já ouvi aplica se a este caso. A liberdade acaba quando interfere com a liberdade dos outros. Como é que interfere com a minha liberdade sabendo que tenho perto de mim homens e mulheres que possivelmente são homossexuais e casados? Eu sei que se barrarmos a possibilidade da existência do casamento homossexual, assim estamos de facto a alterar a liberdade dos outros. Será que estamos num pais livre? Ou será que estamos num pais livre mas limitado pela convenção católica?
Eu sei que não posso esperar o mesmo nível de aceitação social em Portugal que se pode encontrar no norte da Europa. Apenas me sinto revoltado com questões da vida pessoal que estão a ser debatidos pelo estado com a igreja em mente
caro daniel
que raio quer dizer “países marcados pelo conservadorismo católico comunista”?
conservadorismo católico comunista é o quê?
uma ideologia nova?
velha?
durou quantos séculos, para determinar assim o “feitio” da sociedade?
é só uma gralha?
agradecia a explicação que certamente terá.
the hand that bites back
E blah, blah, blah, e a igreja em mente, etc, e tal. Os espanhóis e coiso e tal.
Quem é que está a debater seja o que for com a igreja em mente? O casamento é mais antigo que a igreja e talvez a instituição mais antiga e mais estável das sociedades. Ninguém está a debater seja o que for com a igreja em mente. Libertem-se desse fantasma mais dos paradigmas… e a liberdade dos outros e tal e coiso. O casamento é uma instituição social e tem a ver com todos e com cada um. Ninguém é proibido felizmente de se unir com quem quiser. Agora o casamento implica direitos e deveres que têm de ser equacionados por toda a sociedade no que a ela diz respeito.
Muito bem, de facto tudo o que disse é verdade, mas a sociedade é uma realidade dinâmica e bastante fluida. A meu ver o paradigma de casamento contemporâneo baseia se nos moldes cristãos certo? Pensamos em igrejas, registos e de facto uma série de obrigações e direitos que o casal adquire. A palavra-chave aqui é casal. Ao barrar este “direito” ou possibilidade a casais homossexuais estamos a criar uma situação (que existe neste momento infelizmente) onde as opções sexuais de um indivíduo retiram uma porção da experiência social. Cria se uma casta social com menos direitos que o resto dos “normais”? Será que isto faz sentido? Como é que o casamento homossexual ofende a sociedade? Essa é a minha questão.
Em relação ao meu comentário anterior o meu objectivo era de interrogar o facto de não aceitarmos o casamento homossexual e o facto dos espanhóis, sendo infinitamente mais religiosos que nos conseguem. Como já referi o casamento é percebido como um ritual cristão.
amigodaonça: Polónia…
“Agora o casamento implica direitos e deveres que têm de ser equacionados por toda a sociedade no que a ela diz respeito.”
Tipo o quê? E mais importante, por que raio é que os homossexuais não os hão-de ter?
Votar? Não é também um direito/dever? E o senhor deixa-os fazer isso? Eu se fosse o senhor, revoltava-me!