
O meu amigo João Teixeira Lopes levanta, no Esquerda.net, o problema da relação da esquerda com a segurança. Ou seja, o da sua insegurança perante o tema. A insegurança é verdadeira mas para o afirmar de forma tão taxativa teremos de ser um pouco mais rigorosos. Na realidade, a esquerda não tem dificuldade nenhuma em falar de segurança. Nem de segurança no sentido mais lato (na velhice, na doença, no trabalho, etc.), nem no sentido mais restrito (criminalidade). A esquerda fala sem qualquer problema da criminalidade fiscal, da criminalidade de colarinho branco, da violência doméstica, da violência no desporto, do crime rodoviário, etc. Aliás, de grande parte do tipo de crimes que deixam a direita muito insegura, coisa que, curiosamente, raramente lhe é apontada. A esquerda tem, sim, dificuldade em falar da criminalidade de rua: assaltos ou roubos. A que é associada a fenómenos de marginalidade social, económica ou apenas cultural. E que é, muitas vezes erradamente, relacionada com a pobreza.
Se aceitarmos este ponto podemos passar para o seguinte: perceber de onde vem este desconforto.
Antes de mais, porque a esquerda associa a criminalidade comum à exclusão e a exclusão à desigualdade social. E a esquerda tem dificuldade em aceitar que o Estado lide com os fenómenos que ela associa à desigualdade usando preferencialmente meios repressivos.
E aqui, de facto, teremos de fazer uma reflexão um pouco menos simplista. Se é verdade que há um tipo de criminalidade que está ligada à crises sociais e económicas, não é menos verdade que em momentos de crescimento e abundância assistimos a um tipo de criminalidade habitual nas sociedades de consumo: não para conseguir o mínimo mas para aceder a bens que estão longe de ser de primeira necessidade.
Depois, por causa da sua tradição anti-autoritária (e aqui estamos a falar apenas de uma parte da esquerda, aquela que, diga-se em abono da verdade, tem dificuldades neste tema), a esquerda libertária desconfia do Estado. E desconfia ainda mais da polícia. As motivações da cautela são, na minha opinião, as melhores. É o melhor e não o pior da sua história que a condiciona. Só que tem de haver um limite. A polícia, sendo considerada, nas perspectivas revolucionárias mais radicais, como representante da “classe dominante”, do “sistema vigente” ou coisas deste género, é, seguramente, uma conquista das sociedades democráticas. A centralização das funções de segurança no Estado, dando a ele o monopólio da violência, é uma garantia de controlo democrático. A alternativa, a partir de um determinado alarme social, é a privatização da segurança. Seja por empresas (já transmitiram o seu interesse nesta oportunidade de negócio), seja por milícias populares sem regras nem lei.
Por fim, a esquerda enumera, quando fala de segurança, algumas das causas da criminalidade: o urbanismo socialmente estratificado (que explica grande parte do que aconteceu na Quinta da Fonte), a exclusão social, as sociedades de consumo que valorizam a propriedade acima de todas as outras coisas, etc. Faz bem em fazê-lo e nem toda a pressão e histeria a deve inibir de continuar a repetir estas evidências. Uma verdade, por ser impopular, não passa a ser mentira. Só que quando se esgota esta discussão mais estrutural, ficam apenas as questões de curto prazo. E aí, a esquerda nada tem a dizer de diferente da direita. E é isso mesmo que se nota no texto do João. Depois de defender tudo aquilo que a esquerda defende, diz que se tem de dizer mais. Mas não diz. Porque não sabe o que há de dizer.
O que tem a dizer é simples: a polícia tem de ser eficaz e tem de ter meios para garantir a segurança dos cidadãos. Até porque a insegurança não afecta todos de igual forma. Os excluídos são os mais frágeis perante o caos. Nota-se alguma diferença em relação ao que a direita tem para dizer? Não. Há uma nuance: a esquerda, mesmo quando diz isto, continua a valorizar os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos perante as funções repressivas do Estado. E aqui é que a porca torce o rabo. Se a esquerda escolhe os momentos de alarme social e de histeria mediática (fundada ou infundada, é indiferente) para fazer este debate nunca consegue passar mensagem nenhuma. Ou entra na espiral ou ninguém a ouve. Se o João disser que a polícia tem de ser eficaz (uma lapalissada) mas que é inaceitável que, no meio da histeria generalizada, se resolva mudar a lei para aplicar a pena de prisão preventiva (que deve ser excepcional) a todos os crimes que envolvam arma (uma norma geral muito pouco ponderada), o que ficará no ouvido é apenas a segunda parte. Ou então diz só a primeira e não está a dizer nada. Ou então diz mais para se fazer ouvir. Pode dizer uma coisa como esta, por exemplo:
Compreendo a ansiedade do João. A esquerda fica ansiosa nestes momentos. Não porque desconheça que existe criminalidade. Não, como é evidente, porque esteja do lado dos criminosos. Não porque acredite na infinita bondade humana e no “bom selvagem”. Nem sequer porque nada de diferente tenha a dizer sobre o tema do que diz a direita. Apenas porque o que tem a dizer de diferente (e, por isso, será aí se centrará a polémica) não passa nestes momentos. Para ser ouvida terá de acompanhar a histeria e aumentar a parada.
Estes são os piores momentos para discutir a segurança. E o tema só é perigoso porque envolve medo. E o medo é sempre o pior conselheiro num debate político. É o tempo da propaganda. E, neste caso, de uma propaganda que nos leva para caminhos que podem ser bastante assustadores.
Resumindo: o João está ansioso e eu também. Fora isso, chegado ao fim do texto do João, não encontro respostas. Só o desabafo da ansiedade. Porque há momentos maus para defender boas razões, mesmo as mais equilibradas. Temos de viver com isso.
Vídeo roubado ao Pedro Sales
Por Daniel Oliveira 29 Ago 08 em Sem categoria


Também eu ando ansioso. Subscrevo na íntegra o texto do Daniel. E é extraordinariamente difícil ser-se escutado em tempos de histeria. Se ouso falar na exclusão e na marginalidade sociais, dizem-me que estou a favor dos assaltos e dos homicídios. Ou que sou um pobre ingénuo, filho de uma esquerda utópica e ultrapassada. Se defendo melhores meios para a polícia, posso cair no mesmo discurso da direita, o que, reconheço, não me agrada nada. Sinto-me encurralado. Como disse a Helena Pinto, a questão da insegurança é tão séria que não deve ser subvalorizada nem sobrevalorizada. Ambos por motivos óbvios. Mas será que alguém tem paciência para reflectir sobre o que ela disse? Basta entrar em qualquer café (com os títulos do Correio da Manhã bem visíveis em cima das mesas) para escutar várias “soluções” populares: polícia que deve atirar a matar, pena de morte, milícias, expulsão de “ciganos, pretos e estrangeiros”…
Nas conversas de café, sinto-me quase um inútil. E sinto-me assustado perante tanto racismo, tanta xenofobia e tanto sentimento primário. O medo tira lugar à reflexão. E o problema da criminalidade violenta existe mesmo…
Daniel: para variar, concordo com o essencial da sua reflexão. Ao contrário do que é habitual quando se discute o complexo problema da insegurança, a sua argumentação procura evitar qualquer reducionismo simplista (mesmo que ideologicamente bem intencionado), tentando balancear equitativamente todas as perspectivas em conflito: vítimas e agressores, segurança e justiça social, segurança e abuso do poder repressivo, respostas repressivas de curto prazo e respostas estruturais (sociais, económicas e urbanísticas) de longo prazo. Tenho apenas uma divergência de pormenor. Para mim, parece-me razoável aplicar a pena de prisão preventiva a pessoas que pratiquem crimes com armas de forma a “garantir a segurança dos cidadãos. Até porque a insegurança não afecta todos de igual forma.” Um abraço.
Sou de esquerda. Acho que o artigo do João levanta uma das questões mais pertinentes a serem debatidas dentro da esquerda da esquerda.
A criminalidade grupal, vulgo gangues, aumentou 460% em 5 anos. O carjacking.
A esquerda tem razão nas políticas sociais - mas isso funciona a longo prazo. E a longo prazo estamos todos mortos, como disse o Keynes.
O que fazer no curto prazo?
O que dizer ao rapaz da bomba de gasolina que trabalhava à noite, que apanhava o autocarro para o subúrbio, e que foi assassinado? Que ele morreu por causa das condições sociais do delinquente?
A esquerda tem de ter respostas também no curto prazo. Daniel, até que patamar terá de crescer a criminalidade violenta para achar que é importante apresentar soluções?
o carjacking quintuplicou.
Nel, leu o meu texto?
Ricardo, eu não acho que não seja razoável. Acho que depende. Da certeza que o crime foi cometido por aquela pessoa, do que se entende por uso de arma de fogo. Nada impede o juízes de aplicarem a prisão preventiva (e aplicam muitíssimo). Ela, sendo aplicada a pessoas que não foram condenadas, serve para garantir a segurança dos outros e o bom andamento do processo. Uma regra genérica como esta pode parecer excelente e tornar-se absurda. Prefiro que sejam os juízes a decidir. E a lei dá-lhes todo o espaço de manobra para o fazer. Os juízes decidem perante o caso concreto e as circunstâncias concretas. Esta mudança da lei serve apenas para o momento mediático. Não se muda a lei criminal nestes momentos.
Caro Daniel,
Depois do post infeliz sobre o CDS, um excelente, honesto e lúcido post.
Bom post! Clap. Clap.
Mais ameaças e uma marcha organizada por miúdos que deve ter ido à vida. A nossa outra criminalidade.
Tás no Porto este fim de semana? Ainda nos vemos.
Abraço,
http://suckandsmile.wordpress.com/2008/08/29/aviso-oportuno-aos-oportunistas-do-costume-aqui-nao-ha-lugar-parece-para-os-patrioteiros-do-costume/
João Teixeira Lopes escreve um artigo magnífico que poderia ele só por si ser o início de um romancista realista.
Infelizmente quando queremos que as nossas palavras sejam ouvidas e respeitadas não é de todo conveniente que ignoremos a realidade.
Ora no caso que ele chamou para exemplo os jovens estavam já indiciados por dezenas de furtos e constituíam o chamado gang da Lapa.
Ele bem se esforça para os por como operários qualificados, no que não anda longe da verdade.
O que o ilustre elemento do Bloco de Esquerda devia questionar era qual a razão porque não estavam detidos e assim pelo menos vivos estariam ainda hoje.
O senhor, e aqui estou a referir-me ao dono do blog escreve uma frase que é toda um modelo de ideologia.
Diz a esquerda libertária desconfia do Estado.
É claro que tem toda a razão.
Desconfia do estado enquanto não se apropria do mesmo.
Não lhe vou citar os inúmeros exemplos da história lembro-lhe apenas o que o camarada Chavez está a fazer, no que queria fazer e naquilo que de momento não faz porque lhe puserem um (débil) travão.
Outros assuntos que este post suscita serão analisados se os comentários assim o justificarem e se me der essa oportunidade.
E agora, vou ver se compro uma pistola a um cigano, pare me defender.
O Daniel tem razão na crítica que faz ao ao timing (num momento de pressão mediática) da mudança da lei. Mas relativamente à necessidade de mudança da lei, em si mesma, tenho uma opinião diferente. O juíz que decidiu sobre o “caso concreto e as circunstâncias concretas” do tiroteio da Quinta da Fonte, ao abrigo da actual lei, não aplicou a prisão preventiva aos autores dos disparos. O Daniel não acha que a prisão preventiva se deveria aplicar nestas situações, de forma a salvaguardar a segurança dos outros cidadãos, nomeadamente daqueles que são “mais frágeis perante o caos” como os outros moradores da Quinta da Fonte?
Para alguém de esquerda, pode-se dizer que este é um bom post. Não creio que as causas “sociais” e a “exclusão” expliquem todo o crime, mas obviamente que ajudam. Mas também há razões culturais que explicam parte dele (assim como o uso da arma de fogo) e se calhar é um processo que demorará décadas a alterar.
Este governo diminuiu os casos com recurso a prisão preventiva por necessidades mais económicas do que de justiça. Não fosse o factor económico e se fosse feita uma alteração correcta da máquina judicial, os tempos de espera para julgamento seriam bem mais breves e os problemas da prisão preventiva estariam resultados.
Desconheço os pormenores da lei sobre os crimes praticados com armas de fogo - se me defender de um assalto com arma de fogo vou preso até provar a legítima defesa? - mas devia haver tratamento diferente para o crime não violento - fuga ao fisco, falsificação, burla, roubo sem ameaça física, etc - e o crime dito violento.
Não basta julgar com base em “direitos” do indivíduo, veja-se o caso recente de um indíviduo do Porto, associado a um gang e posto em prisão domiciliária: Simplesmente quebrou a pulseira electrónica e continuou a assaltar. Há aqui algo que não está bem…
E quando se trata da ameaça do cidadão, não devia haver diferenças de esquerda ou de direita. Pode haver nas formas de combater a exclusão que leva ao crime, mas na punição do mesmo não encontro justificação para a divisão entre ideologias.
E já agora, esse conceito de esquerda contra as forças da ordem é deturpado e se calhar resulta também de uma deturpação das funções das forças da ordem. Recentemente tive uma experiência no País Basco que me surpreendeu pela positiva: num festival com mais de 30 000 pessoas a polícia (algumas escassas dezenas)apenas estava presente para controlar o trânsito e gerir os acessos. Problemas? Nenhuns. Violência? Nem a ver.
Fosse cá e teríamos umas dezenas de rambos armados…
Também em Estugarda, num dia de jogo de futebol pude presenciar dezenas de polícias, sentados em carrinhas prontos a intervir, mas colocados num local discreto, enquanto nas ruas mal se viam…
Em ambos os casos senti-me seguro, como cidadão que pago impostos gosto de saber que a polícia existe e tem meios para intervir e me proteger, não gosto é que as minhas opções oscilem, sem meio termo, entre ruas com marginais ou ruas com rambos.
Criminalidade violenta não pode ter reacções de direita e esquerda. É ridículo ! Aliás, a esquerda, pela sua essência, deve ser absolutamente contra este tipo de criminalidade estando aberta a todas as actuações para a combater.
Entendo estes desconfortos se vindos de uma esquerda folclórica que tem medo de ser presseguida por causa dos charros, etc e tal … ai o Estado que mau que é … nós queremos ser livres, mas que chatice haver outra gente que não é como nós ! Na prática, uma esquerda burguesa a fingir que é aristocrata.
Por outro lado, nem uma palavra sobre “estrangeiros” … outro tábu desta esquerda. Estrangeiros sim. Não os que são miseravelmente explorados desde o tempo das obras de Cavaco, mas os que aqui vêm, pensadamente, porque sabem que (ainda) não temos meios para nos defendermos desta criminalidade. Mas este é outro problema para ser falado … “é pá estrangeiros … cuidado … é melhor não falar … nem raças”, e com a mania de não estigmatizar, esconde-se um boa parte do problema. Um desgraçado que cometeu um pequeno delito (não violento) pode ser logo “localizado” como sendo natural ou residente em tal parte, mas se um assalto violento foi cometido por brasileiros ou negros (já houve tempos em que eram os de Leste), shiu … é melhor não dizer. Ridículo !
Desculpe li o seu artigo e não entendi só uma coisa, refere-se frequêntemente à “esquerda” excluindo a “esquerda totalitária”, quem é uma e quem é outra. Não posso acreditar que seja tão segtário que só reconheça ás pessoas que pensam como você o direito a dizerem-se de esquerda.
Daniel, excelent post.
Concordo na integra com a análise que faz ao problema que a esquerda tem com a segurança/criminalidade.
É verdade o que a esquerda diz sobre as causas gerais da criminalidade.
Mas permita-me que discorde quando diz que as questões que a esquerda não consegue responder são de curto prazo.
Os erros urbanistiscos, a falta de redes de apoio social que permita as familias carenciadas ter ajuda na guarda e educação dos seus filhos, a desagregação da escola, entre outros disparates, são uma realidade. 1 ou 2 gerações vão ser vitimas desses erros.
A questão é saber como vamos lidar nos proximos 20/30 anos com os resultados desses erros.
Como vê Daniel não são questões de curto prazo.
Como se resolve a questão?
Pão numa mão cacete na outra!
Numa mão:
Crescimento económico, redes sociais de apoio à familia ( qualquer tipo de familia ), educação e formação profissional, requalificação de zonas degradadas, etc.. Ou seja melhorar a qualidade de vida das pessoas ( não é só dinheiro no bolso ).
Na outra:
Policia forte e bem equipada, forte combate à pequena delinquência, forte combate à delinquência juvenil e rápida resolução dos processos criminias.
A segunda parte já foi tentada, e com sucesso, em Nova York. Mas sem a primeira ficamos mancos.
Só agora vi o video. Sr. Mario Crespo, sem garantias fortes dos direitos fundamentais, não há autoridade há autoritarismo.
Daniel, sou seu leitor compulsivo. Posso não ter inteligência para o perceber, mas ainda assim não precisa de ser arrogante e mal-educado.
Teresa, não acha que, em Portugal, sucede precisamente o contrário? Se for, por exemplo, um brasileiro, um cabo-verdiano ou um ucraniano que comete um assalto ou outro tipo de crime, a nacionalidade do delinquente é logo noticiada aos quatro ventos. Acha que a notícia é dada da mesma forma quando é um português que assalta um multibanco ou que mata o cunhado com uma caçadeira? Salvo raras excepções, um crime “estrangeiro” vende mais nos jornais… De modo que as suas acusações contra a esquerda (que, na verdade, não está “aberta a todas as actuações” para combater a criminalidade violenta) são totalmente injustas.
«não encontro respostas»
Nem à esquerda, nem à direita.
Uma simples questão:
Quando o juíz manda o assaltante para aguardar em casa…ou mesmo quando os assaltantes acabam uma pena de prisão, o que vão fazer?
Há trabalho/emprego para os ocupar?
De que vão viver?
Que oportunidades vão encontrar no mercado?
Que pode esperar-se que vão fazer?
Alguem no sistema, está verdadeiramente interessado ou preocupado com a questão?
Tretas… ainda há menos de 30 anos Portugal era muito diferente para pior Portugal cresceu mais neste 30 anos do que em todo o sec XX e não havia este tipo de violencia que nos é agora servida diariamente existe é uma certa esquerda que tém a mania que é intelectualmente e moralmente superior e portanto minimiza intelectualmente quem não pensa o politicamente correcto da nossa praça utilizam a linguagem da desculpabilização dos criminosos tipo: roubo=pobreza?? violencia=exclusão??? não não me parece essa gente demagoga só descansa quando a policia andar armada com pistolas de água depois temos os vários “entretantos” que a policia tem de cumprir antes da atirar uma decisão em tempo real onde a minima hesitação pode ser fatal supunhemos que agora que o indice de criminalidade se tornava extremamente reduzido e rezidual amanhã era uma boa desculpa para o Estado deixar de investir em politicas sociais como se o trabalho do Estado alguma vez será finalizado mas adptar-se a novos desafios
«E agora, vou ver se compro uma pistola a um cigano, pare me defender».
Mas, tenha cuidado, não vá dar um tiro no seu próprio pé! Corre o risco de ficar em prisão preventiva…
A criminalidade, nomeadamente contra a propriedade, aumentou, é um facto adquirido, mas associar esse aumento às alterações do CPP feitas o ano passado é um juízo de má fé, por falta de dados estatísticos. Ninguém, direita, esquerda, Magistrados, policias e demais especialistas conseguiu demonstrar, até agora, essa conexão.
O governo, ao alterar, agora, as leis que contemplam a utilização de armas na prática de crimes, demonstra mais uma vez a sua fragilidade. É firme com a pequena delinquência, esquece a restante grande delinquência, sobretudo a económica.
E os Magistrados que apareceram e aparecem em profusão em tudo que é OCS clamando por mais segurança, mais parecem querer atacar o governo do que propriamente ajudar a resolver o problema.
O que é sugerem os Magistrados e especialistas? Nada de novo, maior rigidez na aplicação da prisão preventiva e tão-só. E construir mais umas quantas prisões, digo eu…
Sou militante do Bloco e concordo com o João.
Mas igualmente não avanço com soluções.
Conheço toda a estória das desigualdades sociais, etc, etc, mas acredito mais em que eu, que trabalho todos os dias e chego ao fim do mês sem dinheiro para poupar, se for assaltado será por malta que provavelmente até arranjava emprego mas preferem andar nessa vida. É a realidade. O crime compensa. Não adianta negar, existe muito crime pelo crime.
Já me basta ser roubado pelo estado e pelas adjacentes máfias.
Talvez a esquerda deveria ser mais viril nesta questão da segurança.
É a minha opinião, vale o que vale.
Sr. Dourado (18):
Um contra exemplo…
Morreu um assaltante brasileiro durante o assalto ao banco em Campolide. Tudo quanto era “esquerda libertária e afins” gritou a sua indignação pelo sucedido.
Passados dias morreu um assaltado indigena durante um assalto a ourivesaria em Setubal. Tudo quanto era “esquerda libertária e afins” silenciou o acontecido.
Porque será.
Talvez o segundo acontecimento não ajude ao plano de descontrução do estado, rumo ao futuro recomeço a partir do zero, com que sonha a “esquerda libertária e afins”.
Pão e educação, deve andar sempre no mesmo caminho…, mas não há pão nem educação para muitos e isto é um dos factores de violência…mas não só. Quando vivemos num país sem qualquer governo que podemos esperar???
Estou ca de frias e tenho acompanahdo este “desalvoroço” do mes de agosto! nos telejornais é so isto! Imagens tao “violentas” quanto os assaltos! Atenção, começo a sentir-me em França no tempo em que o Sarko era ministro do Interior e que a paranoia começou com o problema da segurança, tempo tambem em que o Le Pen chegou aonde chegou esse tal Abril! Atenção! as eleições são ja para o ano e tenho a certeza que este vai ser um tema muito aproveitado!!!! e outros mais importantes vão ficar para traz…..
Como já se soube que muitos frequentadores deste blog não lêem jornais de direita peço licença ao dono do blog para transcrever duas opiniões sobre este assunto.
Uma de direita, a que se segue, e outra de esquerda e pertence a um blog que se afirma como tal.
Links inckuidos:
A fulminante excepção vem do dirigente do BE João Teixeira Lopes, que, sem abdicar da ladainha (as causas estruturais, a “raiz do fenómeno”, a “violência social do Governo”, etc., etc., etc.), acusa a esquerda de falta de pensamento sobre a delinquência. O dr. Lopes, pelo contrário, pensa o assunto e preocupa-se com as vítimas do crime. Ou com algumas das vítimas. A demonstrá-lo, desce da teoria e, através do exemplo de um indivíduo a quem roubaram o automóvel, lembra que o indivíduo poderia ser operário de uma empresa sob, cito, “ameaça de deslocalização” e, cito de novo, “votar à esquerda”. Ou seja, se não há problema que um contabilista reaccionário fique sem o Opel a troco de dois tiros, é urgente a preocupação perante os crimes de que o potencial eleitorado do BE é alvo.
Em última instância, a espantosa argumentação do espantoso dr. Lopes eleva o racismo ideológico a lei e, de caminho, acaba com a anacrónica distinção entre agressor e agredido: o primeiro só é criminoso se for de direita, o segundo só é vítima se se inclinar para a esquerda. Por acaso, não questionei o tal arrumador a propósito, mas os trajes e a peculiar higiene definiam um nobre activista antiglobalização. Provavelmente, o biltre que apanhou com o pau era militante do PSD. Mereceu, sem dúvida
http://dn.sapo.pt/2008/08/31/opiniao/dias_contados.html
Ontem fui ao Minipreço. Ir ao Minipreço não é um acontecimento em si. Vou todas as semanas. Mas ontem havia uma novidade: um agente da polícia do lado de dentro, de costas viradas para a porta, vigiava o estabelecimento. Pude observá-lo bem enquanto estava na fila da caixa. Os alvos de atenção do polícia eram escolhidos segundo o sexo e a raça. As mulheres não lhe mereciam preocupação e os brancos muito menos. Portanto, eu poderia, se quisesse, ter praticado alguns pequenos crimes à vontade. No entanto, dois jovens negros e altos que entraram lestamente para comprar pão e leite, foram alvo de grande vigilância. Partir-se do princípio de que todos os jovens negros são potenciais assaltantes revela enorme ignorância, incultura e falta de educação. Aquilo a que chamamos racismo é isso tudo junto.
http://omundoperfeito.blogspot.com/2008/08/quietinho.html
PS. Pede-se ao dono de blog que modifique a caixa de comentários de maneira que dê para incluir os links embebbed.
A violência de hoje deve-se em parte às políticas “sociais” da esquerda libertária e ao fomento do parasitismo social de quem, sem fazer por isso, deseja à lei da bala aquilo que outros por mérito ou com muito trabalho conseguiram. E é ver essa turba agarrada ao subsídio, sempre o subsídio, com o carros tunings, com as músicas em altos berros, é ver como desrespeitam as leis e as regras de vizinhança e convivialidade.
Coitado do brasileiro que levou um balásio na cabeça! Os reféns (cidadãos que resolviam as suas vidas sem atropelos) é que foram os culpados!
Essa ladaínha de uma esquerda pretensiosamente libertária faz-me lembrar aquela anedota do pecador que recusa a salvação dos santos que, a toda a força, o querem libertar, mesmo que o homem se sinta livre.
Não defendo um estado policial. Mas que os criminosos devem ser reprimidos e presos, disso não duvido. E para gente cuja carreira no crime é recorrente, é fechá-los por 20, 30, 40 ou 50 anos. Só assim, quem aceita e se submete à lei (que é a base de uma sociedade livre) pode efectivamente ser livre de fazer a sua vida como bem entende. E sublinho: como bem entende!
Atom, não sei bem a que se refere quando usa a expressão “esquerda libertária e afins”. Para mim, a esquerda é, por definição, libertária. Quanto ao sucedido nos assaltos que descreve, qualquer morte é lamentável. Desconheço como chegou à conclusão que apresenta.
Fado Alexandrino, eu também leio jornais de linha editorial de direita (até porque o são quase todos)…
Você é um criminologista sem doutoramento
Depois da sua resosta típica de fascista das palavras, reli o texto dez vezes e ainda não lhe encontrei as soluções para a insegurança a curto prazo.
Parabéns pela abordagem lúcida e desassombrada.
A esquerda precisa de se ir libertando de complexos. Sem, no entanto, deixar de se preocupar com os excessos securitários que alguns alegremente implementariam, se pudessem.
Mas o seu post foi também sobre a oportunidade, ou o ‘timing’, da discussão da criminalidade.
Não me parece que isso seja muito relevante.
De uma forma ou de outra o debate impõe-se e é inevitável.
Nem que seja através da análise da cobertura feita pelos ‘media’, como o Daniel vem fazendo aqui.
Há policiamento e acção da justiça, com punição. E mesmo assim haverá sempre criminalidade. Por isso digo que as respostas, deste ponto de vista, não variam muito. Apenas muda até onde se está disposto a ir.
1. Sr. Dourado (29):
A expressão “esquerda libertária” está no post do nosso hospedeiro Sr. Daniel Oliveira. Embora eu também pense que toda a esquerda é, por definição, libertaria, quem diz que há uma esquerda libertária (o que pressupõe que há uma esquerda que não o é) é o Sr. D.O. Se quiser reler a linha 29 do poste do Sr. D.O lá encontrará a citada expressão.
2. Evidentemente que todas as mortes são lamentáveis, mas posso lembrar-lhe outro caso que se deu, passado um dia do sequestro com morte do assaltante do BES de Campolide. Durante o assalto um trabalhador de bomba de gasolina foi baleado. Não sei o referido trabalhador morreu ou se sobreviveu. Mas sei que nenhuma comentário sobre este crime, por parte dos comentadores da “esquerda libertária” que se comoveram com a morte do assaltante do BES. Ora eu penso que um assaltante tem um papel activo no drama que é um assalto. É um acto que é realizado por vontade do assaltante. No caso do ourives de Setúbal e do trabalhador da bomba de gasolina, eles são vitimas de actos despoletados por vontade de outros. Todas as mortes são para lamentar, mas de forma superlativa as mortes dos sujeitos passivos do drama. Deixo-lhe a pergunta… porque é que os referidos comentadores silenciam esta parte do drama dos assaltos?
3. A forma como cheguei ás conclusões que aponto, é que há uma sistemática tentativa por parte dos comentadores que se reclamam da “esquerda libertária” para, e parafraseando um político que nunca contou com o meu voto” desculpar o criminoso, culpar a sociedade e desprezar a vítima” e acrescento eu, desautorizar as polícias. Eu penso que isto faz parte de um plano para proceder á desconstrução da sociedade (também se pode dizer favelização). Depois da descontrução da sociedade, as “vanguardas” começam a reconstrução da sociedade a partir do zero. É certo que os elementos de topo dessa corrente política já se demarcaram, naquilo que me parece ser um movimento táctico, das posições mais “doutrinárias” dos comentadores que lhe são afectos. Penso que a indignação pública perante os crimes violentos propiciou esse recuo táctico embora a estratégia se mantenha.
4. Dirá o Sr. Dourado que estou a ver fantasmas onde eles não existem… é possível, mas a História tem tendência a repetir-se
Daniel!
O problema não está na oportunidade!
O problema está na falta de resposta da tal “Esquerda” libertária ou não. Não sabe o que dizer porque não reconhece o problema nos moldes em que este existe ou o problema não encaixa na figura de resposta! Temem abandonar a coerencia!
Neste aspecto os libertários de esquerda e direita aproximam-se muito a única distinção é que os de direita não almejam “acabar” com o crime, reconhecem-no como inevitável à vivencia em sociedade e vivem tranquilos com isso(têm tradições nesse aspecto), e os de esquerda sentem-se desconfortáveis com a falta de resposta(Tem a ver com as suas origens…o totalitarismo cria o vício de resposta a todas as dimensões da vida)!
Atom, é verdade que o Daniel Oliveira usou a expressão “esquerda libertária”. Eu, quando falo de esquerda, estou também a falar de libertação (conceito vasto, reconheço, mas ao mesmo tempo concreto). A meu ver, não existe uma esquerda que não seja libertária (seja por caminhos evolucionistas seja por explosões espontâneas, mas este é outro debate).
Relativamente aos assaltos, insisto: não escuto o silêncio por parte dos “comentadores” do desfecho trágico dos mesmos. O que escuto, sim, é a amplificação desmedida desses mesmos desfechos por parte da maioria dos comentadores, que nada têm a ver com a esquerda. Ao mesmo tempo, constato como a maioria desses comentadores aplaudiu a morte do assaltante brasileiro (e isto não significa que eu discorde consigo acerca dos sujeitos activo e passivo dos assaltos).
Quanto ao que refere no seu ponto 3, trata-se de um debate teórico e ideológico, no plano da filosofia política, que muito me agrada mas que, neste momento da história, carece de actualidade e até de sensatez (não se tratando, pois, de tácticas eleitoralistas). Em todo o caso, e agora sim teorizando descaradamente, a desconstrução que aponta não seria a da sociedade, mas a do Estado. A sociedade transforma-se, isso sim, não se desconstrói e reconstrói a partir do zero, pura e simplesmente…
Se não me levam a mal, defender a liberdade (partindo do mais que duvidoso e comprovado princípio de que toda a esquerda se bate pela liberdade) não é o mesmo que ser libertário.
Evidentemente, o estudo aprofundado das palavras, da sua origem ao seu significado, levar-nos-ia longe. O próprio conceito de liberdade permite-nos, como o Daniel sabe, uma enorme gama de aplicações. Podemos falar de liberdade em vários planos: o metafísico, o individual, o colectivo, o político, etc. Isto para não mencionar o entendimento que a direita tem da liberdade. O termo libertário remete-nos para o conceito de liberdade absoluta, o que nos faz pensar numa outra liberdade, relativa, contida, incompleta (a merecerem todas estas um ponto de interrogação à frente). Historicamente, são os anarquistas que sempre transportaram o lema de libertários.
Seja como for, a esquerda, enquanto pensamento e movimento histórico, sempre se bateu pela liberdade, ou pelas liberdades, num determinado tempo e num determinado espaço. Combater pela liberdade (ou, num sentido mais estrito, pelas liberdades concretas) é, pois, combater pela libertação das formas concretas de subjugação e de exploração. Outra coisa é o facto de alguma esquerda, após conquistar o poder, ter adulterado os próprios princípios de liberdade. Para mim, foi uma esquerda que deixou de o ser. Por exemplo, a revolução bolchevique de 1917 constituiu um marco histórico da esquerda, um acto de libertação humana. Infelizmente, o estalinismo e derivados cercearam esse processo.
Peço-lhe desculpa pelo tom escolástico. A última coisa que desejo é dar lições a alguém, muito menos a si.