O texto de hoje de Pacheco Pereira no “Público” é o retrato do próprio Pacheco Pereira. Não tem bem posições, paira sobre as posições. Não é uma Paula Teixeira da Cruz, que decide e bate-se por pelo o que decide. Nem um (valha-me Deus) Rui Rio. Não. Pacheco Pereira não tem causas políticas que o movam a não ser ele próprio. Afasta-se de tudo e está em tudo ao mesmo tempo. Não quer pagar o preço da independência, nem o preço do comprometimento. Odeia a arrogância com arrogância, é mesquinho na vingança que mascara com frieza. Pacheco Pereira não é um analista, não é um político, não é um independente, não é um militante.Pacheco Pereira tem uma causa: a sobrevivência de Pacheco Pereira.

No seu blogue de professor primário de aldeia porta-se como em todo o lado: vive de uma provinciana arrogância fingindo que vê de alto só porque se põe em bicos de pés. Exibe a arte como um novo-rico exibe um quadro valioso. Nem com ela se compromete. Debita apenas.

O texto de Pacheco Pereira no Público de hoje é um retrato de Pacheco Pereira. Pacheco atira-se à campanha mas não a faz. Atira-se ao “tom” da campanha mas nem se dá ao trabalho de explicar ao que se está a atirar realmente. Está a atirar-se a uma parte dos actores da campanha do “sim”. Não aos seus argumentos, que neste referendo têm sido os mesmos no PSD, no PS ou no BE. Apenas ao “tom”. Porque tem de ser. Porque é o que sobra a Pacheco Pereira. Ele precisa. É estruturalmente sectário.

Pacheco Pereira acha que falta serenidade neste debate. Mas quando se quer moderar ou acalmar um debate dá-se argumentos moderados e ponderados. Não se grita “tenham calma!”. Mas não espanta. Seja qual for o assunto o assunto de Pacheco Pereira é outro, porque nenhum de nós está bem a ver qual é o assunto. E no fundo o assunto é sempre Pacheco Pereira.


Sem respostas ao post “É sempre a mesma cantiga”  

  1. 1 1  César de Carvalho

    Lindo!!!

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  2. 2 2  Lopes

    Mas anda tudo louco? Paula Teixeira da Cruz bate-se pelo que defende? Mas estamos a falar da mesma pessoa?

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  3. 3 3  The Studio

    Eu ate’ compreendo esse odio ao JPP, porque no fundo ele e’ em tudo o oposto do Daniel Oliveira: Pensa pela sua propria cabeca em vez de se limitar a papaguear a posicao do partido. Defende as suas posicoes com argumentos em vez de se limitar a repetir chavoes e palavras de ordem. E’ coerente em vez de se estar a contradizer permanentemente. E sobretudo nunca faria esta figura de caniche assanhado a tentar morder as calcas de alguem que beliscou as posicoes do partido.

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  4. 4 4  Alberto Safim

    O teu problema Daniel é que o belíssimo artigo do Pacheco Pereira no Público faz mais pelo SIM (posição que sempre defendeu mesmo quando votou quase solitário no PSD com o Rio) do que o folclore do BE e essa tua raivinha. Isso é que tu não suportas,

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  5. 5 5  Melo

    Mas ó Daniel, essa não é a questão essencial!

    http://www.youtube.com/watch?v=spKyAv1v0_w

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  6. 6 6  hugo

    Daniel,
    tenho uma pergunta a fazer-te: qual foi o artigo do Pacheco Pereira que leste… ando à procura de encontrar aquele que descreves no comentário que fazes e não consigo… apenas o que está publicado no Público… mas esse não é o mesmo de que tu falas concerteza.
    Nem te dês ao trabalho de me esclarecer… já não tenho tempo de ler nada hoje!
    h

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  7. 7 7  jb

    P. escreve no jornal do Belmiro. D. fala na tv do balsemão.
    Pense bem dom D….Olhe que é mais aquilo que vos une do que o que os separa.

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  8. 8 8  João Pedro Dias

    O JPP tem aversão ao que ele considera de “politicamente correcto”. Sempre que existe na sociedade um entendimento generalizado sobre certo assunto isso causa-lhe urticária. É por isso que ele defende tanto o Bush, e até no caso do Sargento que foi preso por causa da criança ele tinha que ter uma posição diferente de toda a gente sem que se percebam bem os fundamentos da sua posição. Ele próprio não sabia bem por onde ir mas sabia que se imprensa se pôs toda de acordo, isso só por si era mau sinal. Isso mostra bem como é o JPP. Esse gosto pelo “politicamente incorrecto”, se às vezes mostra coragem e inteligência outras vezes quase que roça o ridiculo tão irracional é por vezes a sua aversão ao que ele entende como “politicamente correcto”.

    P.S. Estou ansioso que se faça o referendo ao aborto para ver se se fala de outra coisa neste blogue que eu aprecio, mas que ultimamente já se torna monótono pela insistência no assunto!

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  9. 9 9  O_assassino_de_criancinhas

    Brilhante, acho que nunca tinha lido uma definição tão boa do JPP. O unico assunto sobre o qual não paira e tem uma opiniao bem vincado é sobre o Iraque e nesse mais valia tar caladinho. Outra boa anedota do dia é a argumentação do Marcelo no Youtube. Aquilo já deixou de ser comentário espectáculo, agora é só espectáculo.
    Dia 11 tudo a votar para liberalizar o assassinio de criancinhas.

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  10. 10 10  vasco morais

    Acho esta «posta», no essencial, muito justa e penetrante até porque também já me vai faltando a paciência para estes observadores «neutros» e «isentos» que não sujam as mãos nestas batalhas.

    Entretanto, a certa altura, diz Daniel Oliveira que Pacheco Pereira «está a atirar-se a uma parte dos actores da campanha do “sim”. Não aos seus argumentos, que neste referendo têm sido os mesmos no PSD, no PS ou no BE.»
    Ora o Pacheco Pereira, no seu artigo, só referiu o BE e não disse uma palavra sobre o PSD e o PS. Assim sendo, porque é que nas referências do Daniel a partidos se fala do PSD,do PS e do BE mas não se fala no PCP ?
    Será que acha que os argumentos que o PCP está a usar são assim tão diferentes dos outros partidos ? E já agora, em quê ? E com que prejuizo para o objectivo comum ?

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  11. 11 11  Paulo Alves

    Quem diria que nesta estamos em sintonia. Mas não vamos generalizar o pensamento do autor. Tem momentos, digámos, mais abruptos que outros. Mas também votar sim assim é o que dá.

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  12. 12 12  jaime lacerda

    Não vem muito a propósito, mas já agora o Daniel importa-se de explicar porque é que, já tendo havido, agora nos seus links para os movimentos pelo sim está excluido ou não contemplado o «em movimento pelo sim» (antigo «pela despenalização da ivg») que tem um sitio em http://www.emmovimentopelosim.org (onde aliás faz ligações para os outros 4 movimentos pelo sim).
    Convinha uma certa reciprocidade e não discriminação, não era ?

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  13. 13 13  Margarida

    “(…) Se percebêssemos esse silêncio interior da maternidade, mesmo quando dilacerado pelo aborto, seríamos menos arrogantes, menos estridentes, menos obscenos nas campanhas.” (José Pacheco Pereira, 25/01/07)

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  14. 14 14  gajo que ainda não está com sono

    O Pacheco põe-se em bicos de pés? Então e este post é o quê?

    Ai o ciúme é uma coisa tão feia…

    E então o ciúme gritado em público é pior que feio, é ridículo.

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  15. 15 15  Daniel Oliveira

    jaime lacerda, se usar o fierfox verá que o link está lá. Use ou pergunte a alguém que use. No Internet Explorar (deve ser sectário) não aparece. Se alguém me ajudar a resolver o problema será um prazer.

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  16. 16 16  Luís Marvão

    Daniel,

    Creio que não tens razão, o artigo do JPP é uma boa razão para votar Sim no próximo 11 de Fevereiro. E fala de coisas irredutíveis, gostemos ou não.
    A última sondagem da Universidade Católica revela o crescimento da abstenção. Ora, não poderá isso estar relacionado com a campanha em si mesma? Não será que a entrada em cena de alguns movimentos, pelo primarismo evidenciado e pela prática histriónica (não estou a dizer que seja aquele em que militas), desmobilizam mais do que mobilizam?
    Temo que estejamos a assistir a uma história que se repete, dito de outro modo, que o desenlace seja o de 1998, para nosso descontentamento.
    O referendo é não raro um terreno movediço, fértil em demagogias, transformando-se em instrumento de imposição da vontade da maioria sobre a minoria (o que será evidentemente o caso, se voltarmos a assistir a uma do Não).
    Pela minha parte, preferiria que este assunto tivesse sido tratado em sede da Assembleia da República, no respeito pelos direitos e garantias. Mas não foi esse o entendimento, à época, do eng. Guterres nem do prof. Marcelo. E nem é assim que o Bloco vê a questão.
    O Pacheco Pereira pôs o dedo na ferida, “a campanha tem sido feita mais para os homens…” Mas oxalá desta vez as coisas corram de modo diferente.

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  17. 17 17  Margarida

    O Luís Marvão fez bem em chamar a atenção para mais esta deriva (enciumada), e bom será re-dirijamos o foco para a pergunta que vai a votos e que lembro é: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”

    Claro que eu voto SIM , solidária com as mulheres que tenham de interromper uma gravidez, porque defendo a sua saúde e a sua dignidade e em respeito pela capacidade das mulheres em tomarem decisões responsáveis.

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  18. 18 18  joão dias

    Daniel Oliveira,

    Não só não percebeu o que escreveu o Pacheco Pereira como a inveja pelo facto de JPP fazer mais pelo SIM com um artigo do que todos os restantes apoiantes do SIM junto o cega completamente. Lamentável. E triste.

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  19. 19 19  Kaiser

    Isso é tudo inveja?

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  20. 20 20  Henrique Silveira

    Desta vez acertaste no ponto. E olha que ideologicamente estou a anos luz de ti.

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  21. 21 21  João Martins

    Daniel:
    Concordo consigo e com o sketch do Gato Fedorento e irrita-me frequentemente a forma como os assuntos deslizam no capote do JPP por não serem “questões essenciais”, mas a verdade é que, como outro dos seus leitores, fui ler o artigo em causa, disposto a concordar consigo e dei por mim a pensar se seria aquele o artigo. Há bocados da prosa que são tipicamente “JPP”, retorcidos e alienantes, mas a posição dele no referendo é clara, como aliás sempre foi e parece-me que não há nada no artigo que prejudique a posição do SIM.
    O que é que o deixou tão irritado?

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  22. 22 22  Sebastião José

    “…Seja qual for o assunto o assunto de Pacheco Pereira é outro, porque nenhum de nós está bem a ver qual é o assunto. E no fundo o assunto é sempre Pacheco Pereira.”

    Nenhum de nós está a ver qual é o assunto não é bem assim. Você está!!! Aliás outra coisa não era de se esperar.

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  23. 23 23  Sinfonia do disparate consonante

    Daniel,
    você é tão mesquinho.

    Já pensou em mudar de atitude?

    Sabe o PP pode ser um bom exemplo para se “des-mesquinhar” ou engrandecer. Leia como ele lê, estude como ele estuda. Nem tudo o que é possível aprender se encontra na sua play station.

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  24. 24 24  Jardim

    Pacheco Pereira não foi nada dúbio em matéria de aborto:

    http://abrupto.blogspot.com/2007_01_01_abrupto_archive.html#116976534691710778#116976534691710778

    Veja-se o seu post de dia 26 de Janeiro: “O DEBATE DO REFERENDO DO ABORTO”.

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