Independentemente do que se ache das palavras de José Saramago, o texto de Vasco Pulido Valente, hoje, no “Público”, é deplorável. Não pelo insulto, que é coisa com que todos devemos viver bem. Mas por outras duas razões que marcam quase tudo o que VPV escreve: pela insuportável arrogância social e pelo tom de ajuste de contas. As repetidas referências à falta de habilitações académicas de Saramago denunciam todos os tiques da pequena aristocracia nacional, sempre pronta a enxotar da corte os que não são da sua estirpe. O azedume degradante Pulido Valente, um homem encurralado na sua própria inteligência, e o enfado que empresta a tudo recorda-nos como o cinismo é uma doença auto-destrutiva. E não tem cura.
116 comentários 23 Out 09 em Sem categoria116 respostas ao post “É um doutor de Lisboa, por amor de Deus”
- 1 Pingback on 23 Out 2009 às 17:38
- 2 Pingback on 23 Out 2009 às 21:00




“Filho e neto de camponeses sem terra” – assim começa a breve biografia de Saramago inscrita numa das badanas de Caim. No fundo, é contra isto, sem a isto se referir, que Vasco Pulido Valente se insurge na sua crónica. E não o faz de forma tão inconsciente quanto possa parecer. Fá-lo com a mesma soberba (e ponta de inveja?) com que o oligarca se refere aos novos-ricos. Soberba e preconceito classista e ideológico: é isso que destila o texto de VPV. E na sua fanfarronada fala da “saloiice portuguesa” que dá importância a Saramago. Na sua arrogância venenosa até perde a verdadeira oportunidade de ofender Saramago. Porque saloiice manifesta Saramago ao dar importância a Portugal.
[Responder]
Tem toda a razão, Daniel, quando se refere à intelectualidade portuguesa, “sempre pronta a enxotar da corte os que não são da sua estirpe”. O mesmo no fundo se passa com a esquerda, contudo. Lembro-me do desprezo a que se votou Pessoa, entretanto redimido, e a Agustina, uma das nossas melhores escritoras. Lembro-me também dos nossos comentadores e elites que denunciaram desconhecer quem era Canavilhas. A nossa pseudo elite intelectual só reconhece as letras e mal. Tudo o que se passa nas restantes artes, nomeadamente na música, passa-lhes ao lado. Vão longe os tempos em que em S. Carlos se via constantemente homens de letras como o Ary dos Santos.
VPV limitou-se a expressar um mal de que a própria esquerda sofre, e muito.
[Responder]
Subscrevo inteiramente o seu texto Daniel. Mas a azia de que muitos padecem pelo facto do Saramago não ser doutor já não é novidade para ninguém…
[Responder]
Aqui está o link para o texto se o quiseres usar, Daniel
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/23-10-2009/uma-farsa-18072781.htm#
[Responder]
Alguem arranja o texto ?
[Responder]
É um coitado…
[Responder]
O VPV gostava de ter sido escritor mas não conseguiu.
Em outras ocasiões – lembro-me que ele tem a mesma tara com o Miguel Sousa Tavares – ele reage igualmente mal. Aliás, ele reage visceralmente mal com o sucesso dos outros, especialmente os da área literária.
Os Portugueses com sonhos que se vê impossibilitados de dar azo à expressão aqui na terra, costumam imigrar. Normalmente resulta sempre.
Porque não faz o Pulido Valente o mesmo? Pode até ser que tenha sucesso literário exercendo de fora para dentro!
[Responder]
“pela insuportável arrogância social ”
Oh Daniel, como e’ que suporta as reunioes la’ do seu partido?
[Responder]
Obrigado, shyznogud
[Responder]
‘Presunção e água benta cada um toma a que quer’.
VPL não é digno de si proprio… recusa os apelidos com que foi registado… porque os dum avô Pulido Valente é que dá-lhe jeito para o genero que cultiva. Aquele genero que quando se sentem inferiores dão numa de sobranceria sobre os outros… são uns coitaditos.
[Responder]
Marx dizia que “o Génio Humano não tem Classe”.
A Pulido Valente o que lhe sobra no preconceito de Classe falta-lhe no génio.
[Responder]
Os meus parabéns. Para não dizer que digo só mal.
[Responder]
Depois do que fez na TVI, Pulido Valente está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve.
[Responder]
«a impossibilidade prática de suprir, sobre o tarde, certos dotes de nascença e de educação». Para usar palavra com que ele mimoseia adversários(melhor inimigos que ele não tem adversários) VPV é um canalha.Se os dotes de nascença e educação fossem as determinantes dos nossos comportamentos esse vasco não emporcalharia o respeitável apelido de Pulido Valente. Os copos não justificam o mau carácter.
[Responder]
É verdade, Daniel. Os tiques aristocráticos ainda permanecem nas vísceras de alguns portugueses. O detestável texto de VPV é prova disso mesmo. O enraizado preconceito classista e o profundo ódio aos valores da igualdade e da democracia ainda marcam, infelizmente, presença no espírito de muita gente. Mas não apenas no espírito: eles existem na realidade do dia a dia. E se Saramago é vítima desta gente execrável e desprezível, imagine-se qualquer cidadão sem o nome, o talento e a reputação do escritor. Conheço tanta gente (incluindo eu próprio) que já foi vítima dos arrogantes comentários da mui nobre corte nacional…
[Responder]
O problema com os furores que provocam os textos de Pulido Valente é que não deveria existir furor algum. Pulido Valente não diz mais do que trolhas ou taxistas zangados com os políticos por razões de e inveja.. Claro que Pulido Valente tem 70 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não viveu o que devia viver, muito provavelmente contra a vontade dele.
[Responder]
Mas, se há desculpa para Pulido Valente, não há desculpa para o Daniel Oliveira, que se resolveu escandalizar inutilmente com meia dúzia de patetices.
[Responder]
Por estranho que pareça, concordo com Daniel Oliveira – só se rebaixam as misérias dos outros quando temos medo de nos revermos nelas – mas, ao mesmo tempo, com Vasco Pulido Valente: quem ele golpeia com contundência é a Hierarquia Católica e a elite intelectual portuguesa, não o “coitado” do Saramago!
Daí que, ainda que não concordando nem com um, nem com outro, na substância, eu aplauda na forma tanto o Vasco P. V. como o J. Saramago – porque considero muito louvável a coragem de se dizer o que todos pensam e sabem, mas ninguém ousa dizer!
[Responder]
O VPV gostava de ter sido escritor mas não conseguiu.
Quando uma pessoa começa um texto confessando a sua ignorância devemos ter piedade de ler o resto.
Quanto ao texto de VPV no qual apenas consigo encontrar crítica e não insultos, análise e não mentiras remete para um tempo em que as pessoas tinham a coragem de dizer verdades e não se babarem perante “vacas sagradas”.
Deixem-se só dizer, ao senhor Daniel Oliveira & Coro, tomara eu ter um décimo da cultura de VPV que com a de Saramago posso eu bem.
Reparem que não disse graus académicos, falei em cultura.
[Responder]
Tens toda a razao Daniel. Mas que texto mais triste, e nem vale a pena eu perder nem mais um segundo a comentar essa coisa que o senhor VPV escreveu ao estilo de um blogger adolescente.
[Responder]
Não se conhece a Vasco Pulido Valente uma palavra simpática sobre seja o que for. Preso no século XIX de onde nunca conseguiu sair, esta múmia a quem ficámos a conhecer (para além da prosa execrável) a voz estridente e irritante naquela parelha única da TV que a censura fez o triste favor de tirar do ar, dedica hoje a sua crónica de ódio a José Saramago. Não pelo seu livro, não pelas suas declarações. Apenas porque Saramago não foi parido pela elite burguesa e decadente que ao país só trouxe atraso e miséria.
Para VPV as ideias de Saramago são “de trolha ou tipógrafo semi-analfabeto”, produto da senilidade dos seus “80 e tal anos”. O Nobel foi atribuído como a “vários camaradas que não valiam nada” e é lido por milhões de pessoas “acéfalas que nem distinguem a mão esquerda da mão direita.” VPV não reconhece “a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a bíblia ou sobre qualquer outro assunto”. Essa suposta autoridade só lhe deve ser concedida porventura a ele próprio que opina acerca de tudo dizendo pouco mais do que nada, mantendo porém sempre o indelével traço da arrogância e altivez.
Depois vem a velha lenga-lenga do PREC e do DN há muito desmentida, quer por Saramago, quer por quem o acusava, mas parece que tal não teve eco nas masmorras do séc. XIX onde VPV está agrilhoado. Mas a sobranceria e desdém não acabam aqui: “Saramago está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve” e a pérola final diz tudo sobre o carácter do seu autor: “D. Manuel Clemente conhece com certeza a dificuldade de explicar a mediocridade a um medíocre e a impossibilidade prática de suprir, sobre o tarde, certos dotes de nascença e de educação.” Ou seja, resume tudo à falta de berço, argumento tão querido à nata da sociedade que passados quase 100 anos sobre a fundação da República ainda não entendeu (apesar de todas as obras e teses por ele publicadas) nem o seu significado, nem sequer a premissa de que somos Homens iguais a quem se devem dar iguais direitos e iguais oportunidades. E é por isso que destila diariamente o ódio a tudo e a todos que vêm de baixo, aos que sobem a pulso, aos que não se deixam vencer pela sua condição social, aos que indo da “província” para Lisboa não se intimidam pelas elites que ainda se julgam aristocráticas por viverem das rendas que os negócios do estado proporcionam, bem mais lesivas para o país do que os supostos milhões perdidos para os pobres preguiçosos do RSI a quem todos culpam.
A verborreia de VPV é bafienta e rancorosa. Nada mais. Um produto de quem pouco vivendo prefere o ataque à vida dos outros. VPV coloca-se num pedestal tão alto que acaba por pouco ou nada ver, e quando vê, vê desfocado pela névoa do preconceito.
E conclui: “O que espanta neste ridículo (…) é a extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e escolaridade obrigatória”. Deve estar a pensar nele próprio, pois acabou por lhe dedicar toda a sua crónica no Público de hoje, e logo na irrelevante última página do jornal… Quem se espanta sou eu perante espantalhos destes!
[Responder]
Tudo isso é verdade, Daniel. Mas mesmo não concordo com ele, mesmo vendo nele uma pessoa carregada de azedume, o VPV escreve e pensa primorosamente. É o cronista português por excelência.
[Responder]
VPV é só mais um saloio que se entretém a vilipendiar Saramago em vez de o rebater de forma categórica.
Além do mais, o texto tresanda a inveja.
[Responder]
Tenho que concordar consigo Daniel e se na parte escrita se nota o seu ar de enfado e arrogância, ao vivo e em directo é ainda pior.
Por duas vezes,salvo o erro, na TVI, entre um Zip-Zap do comando, apanhei um programa que nem sei o nome, em que fiquei de boca aberta ao ver P.V.,meio torcido na cadeira, com um tremendo ar de enfado, enquanto falava e desdenhava arrogantemente já nem sei do quê, sacudindo a mão como se o assunto estivesse lá colado e numas poses, de quem lá está por favor, num desrespeito total pelas pessoas presentes e pelos telespectadores, era realmente uma cena constrangedora e totalmente despropositada. Francamente na altura não sabia que isto fazia parte do seu ADN, pensava que o senhor estava gá-gá e estavam a fazer-lhe um jeito, para ele ganhar uns euritos.
Como nunca mais me cruzei com esse programa, me perdoe Saramago, mas, “Graças a Deus” que acabou.
[Responder]
Mas se calhar, o programa ainda não acabou e afinal eu tenha andado, simplesmente, com muita sorte.
[Responder]
“Claro que Saramago tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não estudou o que devia estudar, muito provavelmente contra a vontade dele”
– Este VPV merecia a “fogueira”, senhor indigno!
[Responder]
“Não assiste a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a Bíblia ou sobre qualquer outro assunto” Esta’ tudo dito sobre o cronista em questao.
[Responder]
Samuel #6
“É um coitado…”
um coitado sem nome, acrescento eu.
O “dr” do nome é a única coisa verdadeira que apresenta na identificação.
[Responder]
E nem só do Velho Testamento se fazem os males da religião católica:
“A diocese católica de Wiimington (que abrange o estado de Dalaware e o leste de Maryland), requereu a declaração de falência um dia antes de um julgamento por abuso sexual. O requerimento da declaração de falência implica o adiamento do julgamento em mais um caso de abuso sexual.”
Ao mesmo tempo foi o expediente encontrado para evitar o pagamento de indeminizações aos lesados.
[Responder]
faz de conta que não percebi… então o VPV não pode dar a sua opinião sobre o tema em apreço? por acaso, está lá tudo! pode não se concordar com uma ou outra diatribe mais rasteira, mas de resto foi na mouche. O drama é esse mesmo! como é que alguem ainda se preocupa e dá tanta atenção ao que o senhor diz ou escreve… literariamente falando o senhor é uma seca insuportavel. como é possivel alguem ler um livro que seja do dito, e aguentar-se estoicamente depois da pagina 32… se há alguem encurralado na sua inteligencia é saramago… que respeito ou atenção pode ter uma pessoa que admira lenin, stalin e mao? que diz que cuba é uma democracia ( e a coreia do norte… i suppose…) mais, teve um percurso de vida que só neste pais é que não é alvo de condenação pura e simples. haja memória… a presença dele no DN, nos idos de 70, falem com as pessoas que foram corridas… comportamento de um verdadeiro escroque( e estou a ser educado). afinal, ainda é “premiado” com uma fundação e um prediozito (que é ssó monumento nacional!…) com isenção de impostos( é claro) e alguns milhares de euros de subsidios para ele e a matilha que anda á volta dele. simplesmente miseravel
pedro costa
[Responder]
Sejamos claros: VPV é doente. E desde que saíu do escaparate da TVI que estava na fila de espera do disparate…
Contudo sejamos também claros noutro ponto: Saramago é um daqueles intelectuais ao longe, que o deixa de ser ao perto…
Apesar de toda a liberdade possível e imaginária que Saramago pode e deve usar para se expressar sobre seja o que for (a Bíblia, o PCP, o Comunismo, o Nazismo, o Capitalismo, o Benfica, o Preço do Arroz no Mercado de Shangai, etc, etc…), deve fazê-lo ao nível intelectual em que se posiciona naturalmente, e não ao nível da superficialidade da conversa sobre os horários do 32…
Sabemos bem que Saramago não é um pensador, um filósofo, uma mente dos cumes e das profundezas. Mas Saramago também o deve saber se não perdeu a lucidez. E a banalidade e redundância de conteúdo das declarações que despoletaram todo este episódio revelam um Saramago «à Cavaco»… Isto é, alguém que era tido em conceito mais elevado do que aquele que realmente o define.
[Responder]
Coitado do VPV, dia e noite, lá continua ele o seu debate com o copo de uisque.
[Responder]
Este texto serviu para fazer as pazes consigo. Retrata bem um caso de teimosia num ser humano bastante complexo.
Não sei se teve oportunidade de ver isto hoje: http://www.uruknet.info/index.php?p=m59273&hd=&size=1&l=e
A coragem destes americanos em São Francisco, diante de Ehud Olmert é uma boa forma de lutar contra pessoas teimosas, falsas e sem razão.
[Responder]
Não é o primeiro velhote que se questiona, às portas da morte, se não terá andado enganado toda a vida, defendendo o ateismo…
[Responder]
É assim mesmo Vasco Pulido Valente! Mais palavras para quê?
[Responder]
Do Vasco Correia Guedes não se poderia esperar outro tipo de verborreia.
Verborreia de quem por mero oportunismo se sentou um dia numa bancada do parlamento e não cumpriu e muito menos dignificou o cargo para que foi eleito.
Verborreia de quem se licenciou na área do desemprego (filosofia para que mais serve senão para engrossar as filas de professores sem salário) e de quem publica compêndios de história saudosista e sectarista.
Aliás ele é tão coloquial que nem sequer se aguentou à bronca na troca de baralhos que teve com o “simples” humorista Ricardo Araújo Pereira.
É mesquinho, é fraco, muito fraco e do alto da sua douta sabedoria não mais tem lugar como comentador do que num telejornal pasquim muito ao seu jeito por certo e sua cara escarrada.
É um velhaco que não é nem nunca foi ninguém. Se se julga alguém por ser doutor é imbecil porque conheço imbecis mais dignos que ele que não têm licenças e dignos imbecis que como ele partilham esse verdadeiro estado de alma e superioridade hierárquica perante o resto da corja que é o facto de ter um doutoramento.
País de merda este que produziu uma corja de seres humanos que se julgam mesmo acima dos demais só por serem doutorados. Pior. Já se auto-intitulam doutores ao sair da universidade com uma porcaria duma licenciatura. E ainda mais grave fazem-se passar por doutores até na porra do cartão multibanco.
O quão baixo sois vós gente de esterco para que pensais estar acima dos demais devido a umas disciplinas passadas e acabadas num cartucho…
Eu ao Guedes era mandá-lo a excelentíssima e distintíssima bardamerda!
Tenho dito!
[Responder]
Nem mais!
[Responder]
“pela insuportável arrogância social”? Daniel, o homem que aqui há dias me escreveu que sabia mais do que eu a propósito de minaretes? Ridículo.
[Responder]
Fado Alexandrino #17, cito:
“Deixem-se só dizer, ao senhor Daniel Oliveira & Coro, tomara eu ter um décimo da cultura de VPV que com a de Saramago posso eu bem.”
Ó Fado, infelizmente o Saramago parece que não está interessado em debater nada consigo. Ainda não é desta que você alcança os almejados 15 minutos, homem.
Mas vá tentando – lá chegará o dia…
[Responder]
Li com atenção todos os comentários.
Coitado do VPV se ele julga que insultou o Nobel (e claro que o fez pela abalizada pena do senhor Daniel Oliveira) então tem que vir aqui aprender o que são realmente insultos.
É claro que são coisas difíceis de aprender num doutoramento em Oxford, uma lacuna a corrigir.
[Responder]
se é para insultar vasco pulido valente, tudo bem, cá estou. eu que costumo apreciar as suas crónicas pela volubilidade e pelo entrelinhamento da sua escrita, não posso admitir um artigo com insultos tão claros. o homem não bebeu o seu whisky.
[Responder]
…quanto a mim -que ñ m’apetece ser politicamente correcta-estão bem um para o outro: “para arrogante, arrogante e meio!
Boa noite
[Responder]
Eh, eh, eh! O gozo que me dá apreciar a autodestrutiva inveja dos outros! VPV, tal como Lobo Antunes, nunca perdoarão a Saramago ter ganho o Nobel. Mas não é só isso. A inveja que têm por qualquer palavra de Saramago ser mais ouvida, para o bem e para o mal, do que a sua.
Sendo um deles um bom cronista e o outro um bom escritor, se continuarem a trabalhar (mas tem de ser muito) e a treinarem as ideias (também muito) ainda hão-de tocar nos calcanhares da importância do escritor que é Saramago. Não percam a esperança, que o “berço” os há-de ajudar!
[Responder]
Um texto baixo, rafeiro. Pergunto se no jornal onde escreve, não há uma edição com vergonha das crónicas que edita. Mais do que o chorrilho de ofensas e insulto gratuito de forma tão cobarde e desesperada que este vpv arrota tentando atingir Saramago, é a ofensa que dirige a milhões de Portugueses que nunca tiveram a felicidade e a oportunidade de nascer em berço de ouro e de frequentar o ensino superior.
Este homem revela ser um escarro.
Não tem o meu respeito.
[Responder]
joaquim azevedo
23 Out 2009 às 22:03
Vou-lhe fazer uma confissão e um desapontamento.
O Saramago não me interessa para nada a não ser no dia em que souber que vai falar com o Cunhal e no seu caso nem esse dia me interessa.
[Responder]
Não gosto do que Saramago escreve e pouco me interessa que tenha ganho o Nobel (o facto de o Nobel ser ocasionalmente entregue a grandes escritores não me parece suficiente para lhe garantir respeitabilidade). Acho – e já neste blog o escrevi – as suas declarações sobre assuntos religiosos miseráveis; tomara ele que as suas obras completas fossem tão boa literatura como a Bíblia de que ele tanto escarnece.
Mas o texto de VPV, difícil de adjectivar sem recorrer a vocabuláro mais rude, é apenas mais um episódio lamentável da exibição pública da sua degradação intelectual e humana. Que ele insista em semanalmente exibir, e orgulhosamente, a sua desgraça perante todos os que ainda lêem jornais é algo que jamais compreenderei.
Outra coisa que provavelmente jamais compreenderei é a “cultura” de que fala Fado Alexandrino. Será, talvez, prima da “cultura geral” de que se falava há uns anos atrás? Ou ainda, daquela homónima que fazia um certo senhor (já não sei bem quem; creio que o nome começava por G.) puxar do revólver? Será essa matéria vaga, pelos vistos cada vez mais inútil, que ainda justifica um Ministério, porque fica bem, mas que para nada serve, a não ser para enfeitar o chapéu? E terá alguma coisa que ver com literatura?
[Responder]
Gostei muito do texto do VPV. A atribuição do prémio Nobel a Saramago teve um efeito acrítico na opinião pública: “se é prémio Nobel, não pode ser criticado”. Numa época em que a esquerda toma conta da comunicação social (o caso da TVI é transparente, em parte similar ao que Saramago já antes tinha feito no DN) e condiciona a liberdade de expressão ao politicamente correcto é importante que alguém recorde que a esquerda intelectual portuguesa é saloia. Se Saramago pode tratar Deus como filho da p***, por que é que VPV não pode tratar o Saramago como saloio? É tão provável que Deus tenha mãe quanto é provável que não tenha. Quanto a Saramago não há espaço para probabilidades. Ele é saloio pela certa. A ignorância da inteligência esquerdista é confrangedora. O ódio à burguesia ainda espuma em muitas dessas cabecinhas aburguesadas pelo tempo.
Este meu texto está mal escrito porque tenho sono e as reflexões do Daniel, assim como as impertinências do Saramago, não merecem 30 segundos da minha vigília.
[Responder]
“Graças à boa harmonia reinante entre o pessoal que andava a trabalhar na obra da arca é que caim pôde conseguir que o seu burro, quando chegar a altura, seja metido lá dentro pela porta do cavalo, quer dizer, como passageiro clandestino, escapando ao afogamento geral”
“CAIM”, pag. 164
[Responder]
Será essa matéria vaga, pelos vistos cada vez mais inútil, que ainda justifica um Ministério, porque fica bem, mas que para nada serve, a não ser para enfeitar o chapéu?
Deixando de lado o seu conceito sobre “cultura” digo-lhe que está muito enganado na importância deste ministério.
É ele que atiras as verbas (que saltam do seu e meu bolso) para as mãos de muitos “agentes de cultura” que depois fazem as obras que são vistas pelos mesmos e família.
São centenas de nomes muito acarinhados pela esquerda, olhe dezenas subscreveram um manifesto de apoio a António Costa que, sim a Câmara de Lisboa também dá generosas verbas a “agentes da cultura”.
Qualquer dos senhores autores do blog lhe pode recitar os nomes.
[Responder]
desculpe VPV mas você só pode ser uma espécie de tentativa de serial killer fracassado.
Das 29 linhas que escreve apenas as duas primeiras são sobre o que se passou, o resto são juízos de valor. Vergonhosos. Lamentáveis.
O Ilustre Doutor VPV, (salvo-seja; Mais um), atribui de cima para baixo ou de forma empertigada e durante 27 linhas, uma série incumensuravel de adjectivos depreciativos ao Prémio Nobel, muito por causa da sua não licenciatura.
Terá ele por ideia que este senhor é reconhecido em todo o mundo?
consegue ele perceber o quanto Portugal beneficiou na altura em termos de imagem?
Além deste quintalzito “indigena” é admirado onde?.
Aparece agora qual virgem ofendida.. Este senhor, que não esperou “que a morte os separasse” e casou 4 vezes.. 2 com a mesma mulher. a atribuir uma serie de adjectivos a José Saramago.
o que dói a VPV é que teve melhores condições para que a sua fama fosse para além da tribo do seu quintal indígena, mas sabe que isso só por si não chega.. para além de muito estudo é preciso nascer-se com o “talento” e isso vale mais que todos os estudos aburguesados existentes o CR7 que o diga
[Responder]
#36 mário borges
«Tenho dito!»
E disse muito bem.
[Responder]
QUANTO MAIS CONHEÇO ESTES BANDALHOS DA ARISTOCRACIA EM DECADENCIA MAIS APRECIO OS RAFEIROS (DANADOS)
[Responder]
O meu feedback a VPV:
“O Sr. deveria ler alguns livros sobre argumentação e retractar-se sobre as várias falácias em que cai no seu texto. Não é melhor que Saramago – ao qual eu acho deplorável – é igual ou bem pior ! Isto devido à insistente desonestidade intelectual que prevalece para fazer valer pontos-de-vista abstractos e pessoais. Pensa que a sua vassalagem e aristocracia “xunga” o faz melhor que o Saramago ? Tire o cavalinho da chuva meu amigo ! Para si, talvez, seja bem mais inteligente ler um livro cheio de alegorias e metáforas como a bíblia para ter razão no quer que seja.
Tenho pena do Saramago. Mas de si, ainda tenho mais …
Um anarquista …”
[Responder]
Só mais uma coisa:
Já repararam como a polémica à volta do livro dá uma bom “tempo de antena” ?
Falando em multiplicação do pão … até parece uma passagem da bíblia. Dá para todos.
Tomem e embrulhem ….
[Responder]
É óbvio que Fado Alexandrino não percebeu a minha dúvida acerca da utilidade dum qualquer conceito de “Cultura”. Os alemães têm uma utilização talvez mais interessante do dito, mas isso não nos serve de muito aqui.
Quanto à diatribe, que de tão gasta já só consegue fazer bocejar, acerca dos dinheiros dos contribuintes que vão para os inúteis da “cultura”, pergunto-me se essa sua indignação também se dirige (não digo sempre, enfim, mas de vez em quando, vá lá) para os dinheiros dos contribuintes que vão para o bolso dos industriais e banqueiros (particularmente estes últimos, tão bem pagos e tão incompetentes) sob a forma de subsídios e benefícios variados e inventivos. É que comparados com estes, as verbas da “cultura” são feijões.
Você dirá que os outros trazem riqueza e emprego ao país. Pois, nota-se…
Mas imagino que você entenda que o dinheiro da “cultura” é bem empregue em filmes como “O Crime do Padre Amaro”, que ao menos fazem 300.000 espectadores (já para não falar dos atributos artísticos, talvez devesse dizer “culturais”, da Soraia Chaves). E porque não dar dinheiros da “cultura” aos Morangos Com Açúcar? Talvez você e o VPV pudessem escrever o argumento e o mundo seria de novo feliz…
[Responder]
“Uma mosca sem valor
Poisa com a mesma alegria
Na cabeça de um doutor
Como em qualquer porcaria”
(António Aleixo)
[Responder]
Fado Alexandrino #45, cito:
“Vou-lhe fazer uma confissão”
Caro Fado, as confissões fazem-se em locais adequados para o efeito. Por exemplo, posso aconselhar uma ida ao novíssimo santuário de Fátima, esse símbolo da pobreza e da humildade católica onde a padralhada resolveu gastar 80 milhões. Dizem-me que até tem uma zona própria para rastejar. Proteja-se com cotoveleiras, joelheiras, eventualmente um capacete e divirta-se. Os mais rápidos a fazer o circuito ficam desde já candidatos a beijarem o anel do Nazi que actualmente representa Jesus no Vaticano.
[Responder]
Eu li e também achei ácido, mas VPV tem razão e não disse mentira nenhuma. VPV não é um romancista, aliás acho que gostaria de o ser mas não se atreve pois reconhece (penso eu) que não consegue criar obra e ficar nas mãos da crítica literária é coisa que o seu ego não lhe permite. VPV é um biógrafo e nesta opinião fez a biografia, bem escrita, do Saramago ou seja o Saramago é “uma farsa” e não me venham com o choradinho da “arrogância social” pois é coisa que sobra ao Saramago, ainda me lembro quando pôs-se a dizer ao povo como se dizia Nobel, e realmente mostra que deve algum tempo a passar os olhos em alguns livros. É de Esquerda, logo tudo é-lhe permitido e se alguém contesta lá vêem os “violinos” com a cassete contra a Direita com os argumentos do costume.
VPV é um cromo? É ! Mas é dos nossos!
[Responder]
vamos lá pôr as coisas no sítio. O Daniel Oliveira está-se cagando para o Saramago; o que atingiu o Daniel em pleno peito foi a seta de também ele pertencer à tribo dos não licenciados académicos do reino. VPV é recorrente nestes ataques aos sem-canudo, que por outra vez, que me lembre, dirigiu à Clara Ferreira Alves. Como espectros, isto são tudo tirinhos de pólvora seca, porque a concorrência no acesso a lugares de relevo nos Media é feroz. Vale tudo
Quanto ao Saramago, ele é bem mais vosso, dos mediocres que se abespinham mais com ele que as beatas com um qualquer berimbau murcho. Vejamos o percurso do nosso Nóbel (do qual tem feito aliás uma gestão politica inteligentíssima em termos de visibilidade) e para onde tem caminhado nos últimos tempos:
1. Saramago classificou as FARC como “um bando de assassinos” fazendo passar em claro que o governo de Uribe é outro bem mais poderoso, bem apoiado e subsidiado (e lá estão as 6 bases militares yankees para o demonstrar)
2. Saramago tem promovido as acções do seu amigo pessoal, o super-Juiz Garzòn, na “luta pelos direitos humanos”(ad-nihil, claro) o tal que iria processar todos os envolvidos na administração Bush em peso, responsáveis da CIA, etc. Onde estão acções e resultados? a julgar pelos antecedentes vão morrer na cama, como o Pinoxchet. Em contrapartida Garzòn é o mais feroz dos pides na perseguição e ilegalização dos Partidos Bascos que lutam pela independência dos seu país
3. Saramago teceu rasgados elogios a Jesús Polanco, quando o dono do grupo de comunicação social Prisa bateu a bota, dizendo que ele “tinha sido um dos rostos amáveis do capitalismo”.
Ora, “capitalismo amável” é coisa que qualquer revolucionário (ou reaccionário) sabe não existir. E aí fica o cadáver politico de saramago exposto na grande planicie desértica do grande centrismo que governa para que possa ser depenicado pelos abutres da direita, ou cristãmente enterrado em nome da esquerda
[Responder]
neste caso acho que não é cinismo , é pura inveja , um dos pecados capitais…concordo com o josé bastos , é transparente a crónica do vpp no que toca ao motivo de tanta sanha . não estava à espera.
[Responder]
joaquim azevedo
24 Out 2009 às 11:00
Peço-lhe um favor, nunca morda a língua, não é necessário dizer-lhe porquê.
O que morde e muito a esquerda é ver na televisão, ainda por cima na pública, mais de meio milhão de pessoas em peregrinação a Fátima sem ser preciso alugar e pagar-lhes as camionetas.
Também dói saber que a tal igreja foi inteiramente construída com donativos dos fiéis e por uma vez não foi o bolso do contribuinte a ser roubado.
Mordam-se.
[Responder]
Luis 24 Out 2009 às 9:40
Parabéns é de esquerda.
Consegue numa discussão sobre cultura, sobre quem recebe as esmolas, se quem as recebe faz obras de arte percebida por cinco ou uma merda de que o público gosta, introduzir os bancos e o capitalismo.
Assim é muito difícil ganhar-lhe a não ser que comece a falar no Benfica e na alegria do povo (por acaso acho que como anti-depressivo devia ser subsidiado) e tenho medo de que falar sobre aquele Clube elimine o comentário.
[Responder]
27 em 29, linhas a adjectivar prejurativamente o J Saramago.. Este homem (VPV) devia estar a escrever no Jornal do Incrivel.
Afinal esta foi uma não crónica. Coisa que ele está habituado a fazer, só que desta vez mostrou ordináriamente o quão queimado e azedo anda por dentro.
O que dói a VP Valente é que é um PSEUDOINTELECTUAL enquanto J Saramago É O INTELECTUAL e os estudos aqui não pesam nada.
VPV é visto como o cronista , Saramago como o escritor… é isso que doi
E agora vou embora que já falei demais
[Responder]
Pela urticária que provoca pelo menos quanto à saloiice nacional acertou em cheio…
[Responder]
Eu concordo com o xatoo no ponto da falta de carreira académica, na minha opinião por vezes não é condição sine qua non para legitimar a obra, e a seta no peito que tomou como seu. Não quis referir isso no anterior comentário mas já que foi mencionado posso aconselhar a si, Daniel Oliveira, uma passagem por Coimbra que o seu amigo Boaventura tratará de bom grado essa irregularidade, se for preciso fora do expediente, até num Domingo caso seja necessário pois os amigos são para as ocasiões.
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Outubro 24th, 2009 at 16:34
Minhoto, para sua informação estou a estudar. Não para resolver nada (sempre fui bom aluno e foi a minha vida profissional intensa e que começou aos 17/18 anos que ditou que o curso ficasse a meio), mas apenas porque gosto. Dispenso o canudo, a que tanta gente medíocre e insegura (enfie o barrete se entender) dá tanta importância, mas não dispenso o conhecimento e o estudo. Mesmo que nesta fase da minha vida implique o dobro do esforço. E só para acabar com a mesma arrogância que usou: o senhor devia fazer o mesmo em vez de perder os seus dias a deixar comentários indigentes em blogues. Bom fim-de-semana.
#21 Viseu Esquerda
Não vou comentar o que diz sobre VPV. Ele diz o que quer tal como Saramago o faz. É um direito que nos assiste a todos. Se eu considerei que Saramago faltou ao respeito a alguns símbolos que me são caros, o problema é meu. Vivemos numa sociedade laica e democrática em que tudo se pode pôr em causa e ainda bem.
Mas gostei particularmente desta parte:
“Ou seja, resume tudo à falta de berço, argumento tão querido à nata da sociedade que passados quase 100 anos sobre a fundação da República ainda não entendeu (apesar de todas as obras e teses por ele publicadas) nem o seu significado, nem sequer a premissa de que somos Homens iguais a quem se devem dar iguais direitos e iguais oportunidades. E é por isso que destila diariamente o ódio a tudo e a todos que vêm de baixo, aos que sobem a pulso, aos que não se deixam vencer pela sua condição social, aos que indo da “província” para Lisboa não se intimidam pelas elites que ainda se julgam aristocráticas por viverem das rendas que os negócios do estado proporcionam, bem mais lesivas para o país do que os supostos milhões perdidos para os pobres preguiçosos do RSI a quem todos culpam.”
Acho que no essencial tem razão. A única razão que me faz ser republicana é esta que transcreveu, de que todos podem ascender a elite independentemente do nascimento. Embora saibamos que na prática é difícil, pelo menos este regime esclarece a situação, tornando-o um fundamento da sua organização social.
Mas há elites.
Na sociedade das abelhas, as obreiras trabalham cada qual com a sua função, mas apesar da rainha não ter poder legislativo nem censório, todas vivem em função dela, tendo-a como referência e dando-lhe um tratamento especial para que possa procriar e manter a sociedade activa.
O anarquismo é uma utopia – todos são de tal maneira responsáveis que não se exerce a autoridade _ porque só seria possível com seres humanos perfeitos.
Isto para dizer que as elites são fundamentais.
São pessoas que se distinguem pelo seu trabalho, sucesso, dinheiro, cultura artística, talento ou conhecimento científico. Servem de modelo aos outros e influenciam com o seu prestígio a sociedade.
Independentemente do que distingue essas pessoas, tem que haver uma base comum que leva gerações a conseguir. É a maneira própria de ver o mundo de quem o viu. Normalmente associa-se a esse “ter mundo”, os aristocratas que tinham dinheiro e tempo livre para conhecerem o dito e dedicarem-se às artes, quando não estavam em guerra.
A república deu a possibilidade às pessoas de poderem ser aristocratas apesar de plebeus. Uns por serem inteligentes, outros porque leram, outros porque ouviram, outros porque viveram, outros porque souberam e porque pensaram tudo isso. Essa experiência deu-lhes uma maneira especial de estar no mundo, muitas vezes não compreendidia pelo obreiros, ( veja-se por exemplo a pedagogia no Colégio Militar).
Há ainda aqueles que muito do que são, do património cultural que transportam, foi-lhes transmitido pela família. É esses que você critica quando fala de VPV.
Infelizmente esse património cultural não se adquire numa geração. Um dos nossos problemas é, à elite recente, (com imenso valor que não lhe tiro), faltar-lhes passado e isso é importante. Pode fazer muita diferença na nossa civilidade e afirmação no 1º mundo. Não lhes faria mal ser um pouco humildes e aprender qualquer coisa com as pessoas que, mesmo injustamente, possuem esse património.
As elites têm que ser “melhores” que nós e não iguais. É essa a condição de o serem.
PS Lembrei-me de Marinho Pinto indignado no Prós e Contras, com o facto de saírem fornadas de juízes com 25 ou 26 anos. Alegava ele, que estes técnicos eram muito novos para poderem julgar a vida dos outros. Faltava-lhes “tempo”e experiência para poderem ter um olhar sábio sobre as questões.
Pode-se não ter elites “vintage”?
Pode.
Mas não é a mesma coisa…
[Responder]
Tem razão Daniel, o dia de hoje por acaso foi um pouco dado a futilidades, estou a espera das 17h para fazer algo útil. Tenha também um bom fim-de-semana.
[Responder]
ATENÇÃO!!!
Vem aí a “Fúria Divina”!
Sempre quero “ver”…
[Responder]
Mas, Daniel, o Vasco Pulido Valente disse alguma mentira?
[Responder]
È interssante e não vejo contradição, mas concordo com o VPV e com o que o Daniel Oliveira publicou hoje no Expresso a proósito do “pensamento” filosófico-teológico de Saramago. Ambos dão relevo ao que criticam, mas não há como sair daqui.
[Responder]
Fado Alexandrino
Pensei que as esmolas eram um exclusivo dessa maravilhosa instituição que é a Igreja Católica. Nunca pensei que os financiamentos do estado fossem parar nessa categoria, mas tudo na vida está sujeito a promoção, pelos vistos.
Devo dizer que quem introduziu a questão dos dinheiros da “cultura” foi você, pelo que não sei porque é que agora reclama. Eu limitei-me a perguntar-lhe se o também conseguia indignar-se com “as esmolas”, para usar a sua terminologia, que o Estado dá, por exemplo, aos bancos, que acabam por sustentar os indigentes (e incompetentes, como a presente crise demonstra à exaustão) que os dirigem. Foi apenas isso. Continuo à espera de resposta, mas já me sentei a fazer outra coisa qualquer.
Quanto a ser de esquerda, é um facto, não particularmente digno de felicitações. É apenas assim, felizmente.
Um dia espero vir a ter uma discussão inteligente sobre os financiamentos da “cultura” com pessoas com opiniões diferentes da minha.
Mas é tão difícil que já duvido que venha a acontecer.
[Responder]
Um dia espero vir a ter uma discussão inteligente sobre os financiamentos da “cultura” com pessoas com opiniões diferentes da minha
Parabéns por se considerar inteligente e, logo, considerar os outros, como direi, estúpidos.
É muito típico da esquerda e no cocktail ainda gostam de misturar uma superioridade moral que nem necessita de discussão.
As centenas de milhares de euros que o Estado (nós contribuintes na realidade) espatifa a financiar obras de arte merecia um estudo mas ele não pode ser feito.
E não pode ser feito porque é um “lobby” poderosos que se encarrega de transmitir uma mensagem:
“ Se não nos compreendes (e logo não nos dás o dinheiro) então és um ignorante.”
Ora ninguém quer passar por tal e há até vários contos infantis onde esse axioma é demonstrado.
Outro dia pedi para me comprarem um jornal, como não havia nenhum dos que eu queria trouxeram-me o Semanário, depois comentei que não percebia como é que aquilo existia.
Já acabou.
Era o que devia acontecer a muitos “artistas” que sustentamos.
[Responder]
Pulido tem medo, como todos nós. O que o não faz crer em Deus mais nem menos que a maioria dos padres e de Saramago, à vez.
Perguntaram-lhe, um dia, por que não escrevia romances. E ele, Valente, que tão bem se exprime a escrever, desconcentrou-se e, Pulido, disse algo como a exigência de tempo, de dedicação, que o género requer.
Esqueceu-se é do óbvio, da falta génio e da inspiração.
Ora isto chateia e, de Letras que seja, apanha na curva a um qualquer doutor.
[Responder]
#58 Minhoto
“VPV é um cromo? É ! Mas é dos nossos!”
Todos cromos,
despeitados, invejosos,
diga assim, que essa é a grande verdade.
[Responder]
Lixada é a inveja, com efeito, seja a frio seja a quente. A Inveja, como o seu irmão Despeito.
E eu, VPV, merecia mais esse nobel que Saramago, ignorante. Acontece é que não tenho tempo.
[Responder]
O que se extrai do “texto” de Vasco Correia Guedes é: não ser José Saramago, chamando-se Vasco Pulido Valente.
[Responder]
o orçamento de Estado para a Kultura é de 1%. E o anterior ministro investiu uma boa fasquia dele na recuperação turistica da rota dos Conventos.
Na opinião do poder a nossa cultura deve basear-se exclusivamente na história das ordens religiosas, seitas belicistas e em palacetes-albergue de padralhada que sempre viveu à conta do Estado.
a ICAR rejubila e Saramago tem razão em ridicularizar a crendice do povo na nomenklatura clerical que lhes efabula lendas antigas como se fossem “sagradas”. P
No lado oposto da história, por alguma razão a Fundação José Saramago que, segundo o contrato celebrado com o mesmo Estado, deveria ter aberto em Junho na Casa dos Bicos, ainda continua com as obras paradas
[Responder]
Não vos percebo. VPV diz que Saramago é tonto e que não percebe quem perde tempo a irritar-se com a criatura. Isto é de meridiana evidência para quem tenha dois dedos de testa. Até concedo que há ou houveram alguns escritores estalinistas com algum talento e graça, mas aqui não é o caso. Perdeis tempo com irrelevâncias, senhores. O fulano não passa de uma pele rançosa e mal curtida a babujar, com perdigotos, rancores mesquinhos tentando ao mesmo tempo sacar mais uns cobres que tanto diz odiar. É uma ‘cara de bacalhau’ literária feita de peles moles e hediondas esticadas em cartilagens secas, como um osso, à muito tempo. É uma pedra estéril. É um vendilhão balbuciante, rastejante, e patético, não do templo, mas da Caminho. Velyn.
[Responder]
61 Fado Alexandrino
24 Out 2009 às 14:30
Está enganado, Fado. Morder-me é reacção que não tenho quando vejo aquela tristeza. Por vezes rio-me, outras sinto pena – apenas isso.
Vem você com conversa de fieís… Fieís a quê e a que valores? Tenha juízo, Fado.
Vão 500 mil fieís a Fátima e há 500 mil desempregados. Quantos empregos arranjará a Nossa Senhora a estes devotos? Sim, porque é isso que eles lá vão pedir: um trabalhinho; sorte na vida; que o filho saia da droga; que haja muita saúde; que o Benfica seja campeão, etc.
Isso, e perdões. Fizeram merda, pecaram. Vão a Fátima, pedem perdão e mostram-se muito arrependidos. Confessam-se a um badameco de batina que lhes perdoa tudo desde que eles rezem uma série de terços, de pais nossos e por aí fora. Regressam ás suas casinhas limpos de pecado e, assim, podem continuar a pecar até à próxima confissão e respectiva penitência. Claro que neste processo convém sempre investir uns dinheiritos em velas automáticas, em santinhas várias que funcionam a pilhas, em saquinhos de terra sagrada, em postais com anjinhos, em bíblias de leitura rápida, em cd’s de música religiosa, em livrinhos repletos de histórias com milagres fabulosos, etc. No fundo, contribuir com “algum”, sempre foi uma boa maneira de ajudar a expiar pecados. Há 2000 mil anos que é assim.
[Responder]
a Fundação José Saramago que, segundo o contrato celebrado com o mesmo Estado…
Há aqui um erro muito grande que até me admira que o senhor que tudo sabe cometa.
A Fundação não tem aquele nome chama-se Fundação De Dinheiro Atirado à Rua Pelo Estado Português e de Um Prédio Monumento Nacional Dado, a que José Saramago faz o favor de emprestar O Nome.
Há, no entanto, uma desculpa, foi dada a Casa dos Bicos por um motivo que toda a gente sabe mas não se pode dizer.
[Responder]
Vão 500 mil fieís a Fátima e há 500 mil desempregados. Quantos empregos arranjará a Nossa Senhora a estes devotos?
Uma dedução muito inteligente, fiquei saramagado, Esta é uma palavra nova, inventada por mim e que significa que esmagamos o adversário com um argumento do qual nada percebemos.
Não sei quantos empregos é que a Nossa Senhora de Fátima arranja, uma coisa lhe garanto, nunca mandou ninguém para o desemprego.
Infelizmente as pessoas só conhecem as coisas quando são mergulhadas nelas, não vou adiantar aqui pormenores que são pessoais, mas a obra que a Igreja e as paróquias (sim os padrecas de batina) fazem no campo social substitui com vantagem e menos custos aquilo que o Estado devia fazer.
Sem ela e sem eles muitos velhos já tinham morrido abandonados.
E sim, claro que se mordeu e pensou quando é que a esquerda conseguirá reunir tanta gente mesmo pagando as camionetas os almoços e os lanches?
[Responder]
Meu caro Joaquim Azevedo:
Lá está o “meu” Benfica metido nisto. Bolas, os adeptos do FCP é que têm um “Papa”. Os sócios do SLB até já tiveram o seu “Torquemada”. Está a ver no que dá “misturar” religião com futebol?
Para quem nos está a “ouvir”, isto é a brincar.
Agora, a sério (ou talvez não):
1- “Há muito, muito tempo, era eu uma criança…”
que tinha que ir à Missa, frequentar a Catequese, confessar-me e comungar (a hóstia tinha que se derreter na boca, sem nunca tocar nos dentes);
2- “20 (30…tanto faz) anos mais tarde…), soube que já se podia morder a hóstia;
3- “Desculpem qualquer coisinha…”, já se pode morder a hóstia, mesmo sem confissão.
“Moral” da “estória”:
Sem confissões, sem penitências, já podem pecar a cada segundo. Basta morder a hóstia e, se puserem lá a esmolinha, tanto melhor.
A culpa não é do povo, pá, é dos “mais papistas” que querem comprar um carro novo, pá!
Um grande abraço.
[Responder]
A tragédia de Vasco Pulido Valente é o terror (justificado) de que à sua morte se siga, a breve prazo o esquecimento. Nunca nenhum doutoramento assegurou fosse a quem fosse a imortalidade; e a este respeito o ser “bem nascido” é igualmente inútil.
Não vou cometer a temeridade de afirmar que Saramago será recordado pelas gerações futuras. Estas coisas não são previsíveis. Mas trata-se, no caso dele, duma possibilidade: mais remota ou menos remota, disso ajuizará quem ler este comentário, mas uma possibilidade em todo o caso.
Pulido Valente sofre de inveja. Faço-lhe justiça: não inveja, que eu saiba, a riqueza ou o poder de ninguém. Inveja apenas um putativo (para usar uma palavra que lhe é cara) lugar na História. É a menos vil das invejas, mas também é a mais amarga.
[Responder]
O VPV é um falsário e um falhadinho.
Falsário porque falsifica conscientemente a história ( vg a história de Gomes Freire, por simples ódio à maçonaria).
Falhadinho porque se acha com direito ao lugar de Cavaco, mas quando ocupou uma simples Secretaria de Estado demonstrou a sua incompetência.
Nem percebo porque é tratado aqui com tanta reverência, esse medíocre.
[Responder]
Fado #82, o seu discurso está toldado por questões pessoais, está demasiado emotivo e pouco racional. Nota-se que você está perturbado com o assunto. Eu compreendo e, por isso, não o maço mais com estas questões. Se você é crente eu respeito-o. Mas, por favor, não me insulte a inteligência – achar que alguma coisa tem valor só porque mete lá muita gente é demasiado básico, e você sabe disso…
[Responder]
“Sim, porque é isso que eles lá vão pedir: um trabalhinho; sorte na vida; que o filho saia da droga; que haja muita saúde; que o Benfica seja campeão, etc.”
Assim de repente lembro-me de um que costuma ir a Fatima pedir para o seu clube ser campeao. Não me recordo é do nome.
Bimbo, papa…não, não…. é aquele que tambem costuma consultar bruxos lá para o Geres, e casa com prostitutas… aí esta minha cebeça….é que não me recordo !!!!
[Responder]
Tanta pancada no VPV por ter escrito duas ou três cretinices é simplesmente ridículo. Tão ridículo como as reacções ao que Saramago disse em Penafiel.
Será que não há nada de mais interessante a acontecer por aí?
[Responder]
Cunha, eu disse Benfica como podia ter dito outro clube qualquer. O que eu pretendo demonstrar é que os supostos crentes e fiéis acham que podem pedir estas coisas fúteis aos deuses ou às nossas senhoras. E isso diz tudo sobre a fé das pessoas – é uma treta pegada.
Se a Sra. de Fátima ouvisse as preces o SLB era sempre campeão. Trata-se seguramente do clube com maior número de pedidos efectuados e rezas dedicadas. Mas, como o SLB raramente ganha algo que se veja, só há uma de duas conclusões a tirar: ou a Sra de Fátima não existe, ou não é benfiquista.
[Responder]
achar que alguma coisa tem valor só porque mete lá muita gente é demasiado básico, e você sabe disso…
Ainda bem que mo confirma.
Vou já avisar o Sócrates para ele não se voltar a preocupar quando lhe berrarem que em Lisboa, entre professores, familiares, amigos, conhecidos e pessoas que vieram em turismo conseguiram juntar duzentos mil para uma manifestação com muitos cartazes e “rezas” a condizer.
[Responder]
“ou a Sra de Fátima não existe, ou não é benfiquista”
Ou então tambem anda metida com o PC em negócios pouco claros.
Fado
Mas que grande tirada.
[Responder]
Fado, quem também junta muita gente em determinados eventos é o Tony Carreira. E quase que apostava que há muito boa gente que tem sonhos eróticos com o Tony, mas que depois vai a Fátima redimir-se dos pensamentos pecaminosos e húmidos…
500 mil, são 500 mil – acho que são pecadores a mais para um país tão pequeno. Como você dizia algures: se todos vivessem segundo os valores católicos isto era bem melhor. Pois era, mas se até os católicos conseguem pecar em tão grande número…
[Responder]
Como simples, e quase iletrada, habitante deste país, não entendo a importancia que deram às palavras de Saramago. Para além de um grande escritor, que é, mostrou também que sabe promover um livro como poucos. O resultado é que “Caim” ainda antes de estar nas livrarias e já era quase um best seller.
Outra coisa que não entendo também é: se Saramago pode falar o que quiser, como quiser, onde quiser, os outros não? Não podem discordar? E dizer alto e bom som que discordam? Só porque é o Sr Saramago? A liberdade não é uma conquista nossa? Que coisa…
Sempre ouvi dizer dizer que “quem diz o que não deve, ouve o que não quer”.
Não quero dizer com isto, que se cale o Sr Saramago (era o que faltava), mas caramba, deixem que, quem não concorda com ele, emita também a sua opinião.
Obrigada
[Responder]
caro joaquim azevedo
ao falar dessa maneira sobre a igreja catolica, voce fez-me lembrar, a meu ver claro, das semelhanças entre o partido comunista e a igreja, o que apesar de ser paradoxal é tmb curioso. ora vejamos: os membros eleitos pelo pcp pagam uma especie de “dizimo”, juntam-se em grupos para ouvir a grande “cassete” secular com as diversas formulas, e em setembro juntam-se todos em “romaria” e vão para a quinta da atalaia, receber a palavra do “grande chefe”. existem para mim algumas coincidências.
[Responder]
Sam Wise #94, não penso que o PCP seja isso que você descreve. No entanto, não me cabe a mim desmenti-lo. Isso é com a malta do PC.
Concluo do seu comentário que, em relação à ICAR, você me dá razão.
[Responder]
Maria 93
Inteiramente de acordo!
[Responder]
Maria 93
Exactamente!
A isso chama-se liberdade de expressão… que deve ser respeitada!
[Responder]
Maria #93, quem é que foi impedido de emitir opinião? Conhece alguém que tenha sido ameaçado, despedido, espancado, insultado, silenciado, torturado, censurado, por ter opinado em sentido contrário ao do Saramago?
Já agora, Maria, tome lá um bom exemplo de intolerância democrática, malcriadez e insulto de um proeminente cavaquista. Um dos poucos intelectuais de direita, de seu nome Vasco Graça Moura. Alguns excertos, apenas.
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1376419&seccao=Vasco%20Gra%E7a%20Moura&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco#
“O povo português acaba de demonstrar a sua fatal propensão para viver num mundo às avessas. Não há nada a fazer senão respeitá-la. Mas nenhum respeito do quadro legal, institucional e político me impede de considerar absolutamente vergonhosa e delirante a opção que o eleitorado acaba de tomar e ainda menos me impede de falar dos resultados com o mais total desprezo.
Só o mais profundo analfabetismo político, de braço dado com a mais torpe cobardia, explica esta vitória do Partido Socialista.”
“O voto nas legislativas revelou-se acomodatício e complacente com o status quo. Talvez por se tratar, na sua grande maioria, de um voto de dependentes directos ou indirectos do Estado, da expressão de criaturas invertebradas que não querem nenhuma espécie de mudança da vidinha que levam e que se estão marimbando para o futuro e para as hipotecas que as hostes socialistas têm vindo a agendar ao longo do tempo. O que essa malta quer é o rendimento mínimo, o subsídio por tudo e por nada, a lei do menor esforço.”
“A vida dos portugueses é, e vai continuar a ser, uma verdadeira trampa, mas eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a encontrar soluções verdadeiras, competentes, dignas e limpas. A democracia é assim. Terão o que merecem e é muitíssimo bem feito.
O País acaba de mostrar que prefere a arrogância e a banha de cobra. Pois besunte-se com elas que há-de ter um lindo enterro.”
Agora, diga lá o pé de vento que se levantaria se fosse o Saramago a escrever isto…
[Responder]
Meu caro Sr Joaquim Azevedo,
O que está em causa aqui não é quem escreve, mas sobre o que se escreve. Comparar politica a Deus é, no minimo ridiculo. E o nosso país, como bem sabe, é maioritariamente católico. Logo seria de esperar que houvesse alguma repercussão.
E tanto quanto sei também ninguém ameaçou,
espancou, insultou, silenciou, torturou ou mesmo censurou o Sr Saramago. Assim como ele diz sim, outros dirão não. Tão simples como isso.
E quanto ao Sr Vasco Graça Moura, não lhe reconheço estatuto para falar seja sobre o que for. E tanto quanto sei também está muito longe de ser um “opinionmaker”.
Fique bem
[Responder]
Parece-me que há demasiada confusão neste blog entre a crítica, a censura e o insulto. Tentemos estabelecer alguma razão: Saramago emite opiniões (na minha opinião, tontas) sobre a Bíblia; a partir desse momento sujeita-se a críticas, o que é normal; sujeita-se também a insultos, do género do que escreveu Pulido Valente, demonstrando este não estar provavelmente no uso perfeito das suas faculdades (se alguma vez esteve ou não é outra questão); ambos, tal como a multidão que já participou neste blog e na discussão geral sobre o “publicity stunt” do velho Saramago, falam em plena liberdade; criticar (e até insultar) não é censurar, suprimir, ou qualquer coisa do género. Os insultos, como estamos cansados de saber, definem quem os profere, por exemplo, Graça Moura, esse grande monumento da direita que acredita ser bem pensante, que resolveu amuar e insultar o país.
Seria até divertido se não fosse trágico.
Mas não são censura. Nesta história ninguém censurou ninguém; é bom não esquecer.
[Responder]
Outro Vasco?
Outro doutor?
Será praga?
Será vírus?
Oh, valha-me Deus!!!
[Responder]
Bem, não era para me meter nisto, mas depois daquilo que tenho lido, não posso deixar de dizer que li a crónica de VPV e a achei magistral. Se assim não fosse não tinha levantado tanta reacção.
VPV pode ser, por vezes irritante, mas tudo o que ele diz é claro como água, e não vai lá por meias palavras.
Isultou Saramago? E depois? Quem vai à guerra dá e leva.
VPV é um dos grandes intelectuais do nosso tempo, com uma bagagem que deixa Saramago a milhas, e não é por ter mais estudos, mas por ser muitíssimo mais inteligente e ter investgado e estudado muito mais. Além de esrever muito melhor. Por isso, apenas em poucas linhas, conseguiu dar uma chapada (bem merecida) no “nosso nobel”.
Saramago é tão pequenino e tão limitado que não consegue sequer imaginar uma linha recta, ficando-se por segmentos de recta, os que estão imediatamente ao alcance dos seus olhos. Como uma mula com palas que apenas consegue zurrar sobre aquilo que está mesmo à frente do seu focinho.
É verdade que não se bate em animais, a não ser quando se tornam cabeça de manada, levando atrás de si uma quantidade de outros animais como ele.
Sendo assim, enxotá-los é da mais elementar higiene.
[Responder]
caro joaquim
se a sua opinião sobre a igreja é que aquilo se transformou numa corporação de interesses, de todo o tipo menos o na beneficiencia e solidariedade, então concordo consigo. não acho no entanto que as pessoas que acreditam , digamos, na igreja, o façam apenas para lavar os seus pecados, acho que existe na igreja gente que segue bons caminhos, assim como tudo na vida, há o melhor e o pior.
[Responder]
Maria #99, caso não saiba, o sr Graça Moura até há bem pouco tempo era deputado europeu eleito pelo PSD. O Saramago pode ter insultado uma parte dos portugueses, mas o Moura conseguiu insultar um povo inteiro sem que ninguém se indignasse.
Isabel Coutinho #102, proponho desde já que enterremos o Pulido Valente ao lado da Amália e do Camões. Um tipo tão brilhante deve ter lugar no Panteão Nacional. O Saramago deve ser atirado ao mar em Lanzarote mas ainda com vida. Pode ser que passe por lá algum tubarão que lhe inflija o Castigo Divino.
Gosto muito desta sua ideia, Isabel:
“É verdade que não se bate em animais, a não ser quando se tornam cabeça de manada, levando atrás de si uma quantidade de outros animais como ele.
Sendo assim, enxotá-los é da mais elementar higiene.”
Se foi esta tolerância que lhe ensinaram na igreja, estamos conversados. Tenho uma surpresa para si: a inquisição já acabou, por muito que isso lhe custe.
Sam Wise #103, para “seguir bons caminhos”, não é necessário perfilhar religiões. Basta o bom senso, a revolta contra as injustiças e a necessária acção para “dar a volta a isto”. Os Deuses não entram nestas contas, Sam. Os Deuses apenas servem para prometer salvações na outra vida (no além) e fazer com que nos conformemos com esta, mesmo que seja uma bosta.
[Responder]
Isabel Coutinho
Li o que escreveu e fiquei surpreendido, logo eu que “às vezes digo coisas acertadas” e esperava
que a minha amiga nunca falhasse (ironia)!
A falha é, pura e simplesmente de lógica, contida no seu primeiro parágrafo, ou seja:
a) “não posso deixar de dizer que li a crónica de VPV e a achei magistral. Se assim não fosse não tinha levantado tanta reacção”.
b) Teremos, então, que concluir que muito mais magistrais foram as declarações de Saramago, por
terem levantado muitíssimo mais reacções do que VPV (tanto quantitativa como qualificativamente).
Passo, já, aos seus três últimos parágrafos. Espantaram-me e, pelo tom e termos utilizados, não me parece que sejam do género de “uma pia de água benta pelo cachaço abaixo”.
No que ao Saramago diz respeito, “tudo bem”, é “lá convosco” mas “levando atrás de si uma quantidade de animais como ele”…!!!
Desculpe, minha amiga, mas os termos utilizados fizeram-me “recuar” aos “tempos” em que o Arnaldo Matos era o “grande educador da classe operária”. Imagine o que um “fanático total” do
Saramago poderia fazer com a sua expressão (referindo-se ao VPV) “tudo o que ele diz é claro como água”…
Boa noite, cumprimentos e até à próxima.
[Responder]
Onde escrevi qualificativamente, leia-se qualitativamente.
É o que dá “pegar” em palavras grandes…
[Responder]
Joaquim Azevedo 104
“Se foi esta tolerância que lhe ensinaram na igreja, estamos conversados. Tenho uma surpresa para si: a inquisição já acabou, por muito que isso lhe custe.”
A Inquisição não se limitava a enxotar os hereges: queimava-os. Ora o Saramago ainda por aí todo lampeiro, enriquecendo dia a dia com todos os insultos que escreve. Se o que disse sobre a Bíblia tivesse dito sobre o Corão, já tinha uma fatwa em cima. Ah, já me esquecia, os muçulmanos são tão tolerantes, e bonzinhos …
Já agora, uma das “Obras de Caridade” que a Igreja nos ensina é “corrigir os que erram”. Eu disse “corrigir”, não disse “perseguir” nem “matar”.
CAFC 105
“Espantaram-me e, pelo tom e termos utilizados”
Tem alguma razão, admito que me excedi. Mas, dá-me licença que deteste Saramago?
Não consigo esquecer (pronto, lá vão dizer que sou velha) o dia em que estive à porta do Diário de Notícias, a apoiar os jornalistas saneados por esse “grande democrata”, porque não tinham o cartão do PC.
Se fosse o Otelo, a minha reacção seria a mesma.
Cumprimentos.
[Responder]
Não, Isabel Coutinho #107, o Saramago não enriquece à custa dos insultos. O Saramago vende livros a quem os quer comprar. E, que eu saiba, não anda por aí, de porta em porta ou de rua em rua, a tentar vender a banha da cobra da Salvação Divina, como fazem as confissões religiosas.
Por outro lado, como é normal para um comum católico ocidental, você não resistiu à comparação com os muçulmanos (desqualificando-os) e isso fica-lhe mal. Lá se vai o tão apregoado ecumenismo…
Além do mais, cara Isabel, quem se afirma por oposição aos outros, fá-lo por incapacidade de afirmação própria.
Os católicos não são melhores nem piores que os outros. A grande diferença é que no Ocidente os povos souberam colocar a religião no seu devido lugar, enquanto que noutras paragens essa batalha civilizacional ainda não foi ganha.
Pudesse a ICAR fazer o que lhe dá na gana e isto haveria de ser bonito: discriminação de homossexuais, mulheres na prisão por abortarem, divórcio proibido, dever de fidelidade e de obediência por parte da mulher mas não do homem, preservativos e pílulas igual a pecado, sexo só para reproduzir, etc.
Religiões não, obrigado.
No que diz respeito à sua memória em frente ao DN, eu compreendo bem o que você possa ter sentido, provavelmente com razão. E digo provavelmente, porque também desconheço quantos sabujos e bufos fascistas e/ou lambe botas do ex-poder existiriam, à época no DN. Tal como hoje, aliás…
[Responder]
Isabel Coutinho
Se teve a oportunidade de ler o que eu já “disse” sobre a “praxis” de Saramago, pode constatar que a sua opinião não é muito diferente da minha.
Como escritor, é como diz o nosso Povo, “gostos
não se discutem”.
Otelo, porquê? Então e se fosse o Jaime Neves?
E, o Eanes? E o…………….
Para mim, seria a mesma coisa. Podemos detestar
as pessoas mas, “colar” outras ao nosso alvo….
Cumprimentos e volte sempre, porque acho que, na sã divergência, nos entendemos (pronto, lá vão dizer que é por “sermos velhos”).
[Responder]
#108 Joaquim Azevedo
1. “Pudesse a ICAR fazer o que lhe dá na gana” … etc. & tal
A ICAR (que raio de mania esta das siglas!) têm as suas próprias normas, que só dizem respeito a quem dela faz parte.
Não aceita a homossexualidade, mas não discrimina quem a pratica. Nunca meteu nenhuma mulher na prisão por ter abortado, embora condene o assassínio, como aliás consta na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Só não aceita o divórcio nos casamentos católicos, em que este acto é um Sacramento e como tal indissolúvel. Mas não abandona os divorciados, antes os ampara quando a ela recorrem. O dever de fidelidade é igual para ambos os cônjuges. Quanto ao dever de obediência ao marido, esse já há muito que desapareceu. Note-se que não era só exigido aos católicos, mas a todas a mulheres pela lei civil. E, se o sexo apenas servisse para procriação, a Igreja nunca permitiria o casamento em que um ou ambos fosse estéril (o que nunca aconteceu), nem permitiria relações sexuais a casais de idade avançada.
Quanto aos métodos de limitação da natalidade, aí sim, a Igreja vai ter de mudar, desde que não sejam abortivos, claro.
E, mais importante que tudo: para um crente o último a julgar é Deus.
2. “sabujos e bufos fascistas e/ou lambe botas”, havia-os e como muito bem disse, ainda os há em toda a parte. Mas não foram saneados por não terem o cartão do PC. Pelo contrário: muitos foram aproveitados pelo PC, onde foram a correr filiar-se logo a seguir ao 25 A (casos destes conheço eu alguns, que foram colegas meus) e onde as suas qualificações foram bem úteis ao Partido durante os tempos do PREC.
3. Por fim, a “comparação com os muçulmanos” fica-me mal, porquê ? Essa da “batalha civilizacional” é uma boa desculpa …
__________
#109 cafc,
“Otelo, porquê? Então e se fosse o Jaime Neves?
E, o Eanes? E o…………….”
Porque, caro CAFC, não me consta que o Jaime Neves, o Eanes ou o ……… , tenham passado mandatos de captura em branco, enchido as prisões de gente que tinha por único “crime” o terem um nome conhecido, ou algum dinheiro. No caso dos MRPPs, nem isso. Também não apadrinharam (se é que não foram os seus criadores e instigadores) associações criminosas como as FPs. Otelo tem as mãos sujas do sangue de demasiados inocentes. E continua por aí à solta, considerado um herói por muita gente.
Mas não vamos discutir o Otelo, que isso dava “pano para mangas”.
Cumprimentos aos dois.
Isabel Coutinho
[Responder]
Tem razão, Isabel Coutinho #110. As posições retógradas da ICAR apenas dizem respeito a quem faz parte da seita – assim é que está bem.
O problema começa quando pretendem transpor para a Lei que nos rege a todos as posições particulares da seita. Por isso eu disse que no Ocidente se conseguiu, em grande parte, colocar a igreja no seu devido lugar e a consequência foi um progresso civilizacional. Esse desiderato ainda não foi alcançado, nomeadamente nos países muçulmanos. Onde as religiões são o poder político os resultados estão à vista. Portanto, quanto mais as religiões estiverem nos templos a pregarem aos crentes, maior é a possibilidade de as liberdades e os direitos civis aumentarem. É simples, Isabel.
Denegrir outras crenças é uma prova de intolerância, cara amiga. Os muçulmanos também acreditam em Deus, tal como você. Não vejo qual a razão para que o seu seja melhor que o deles, o que aliás implicaria o reconhecimento da existência de pelo menos 2 Deus. Mas, como isso é uma possibilidade que as religiões monoteístas não colocam, não sei em que ficamos. É que, se apenas existir um, anda meio mundo a adorar o deus errado. Esta é a razão pela qual a religião sempre foi fonte de de intolerância, de perseguições e de conflitos quantas vezes sangrentos em nome de deus – o ecumenismo é uma treta que apenas serve para manter uma fachada dialogante e compreensiva.
De facto, as diferentes religiões detestam-se uma às outras e isso é compreensível porque reconhecer o deus dos outros implica admitir a não existência do nosso. É um beco sem saída.
[Responder]
joaquim azevedo #111
“Os muçulmanos também acreditam em Deus, tal como você. Não vejo qual a razão para que o seu seja melhor que o deles, o que aliás implicaria o reconhecimento da existência de pelo menos 2 Deus.”
Engana-se, Joaquim Azevedo: para as 3 religiões monoteístas (ou religiões do Livro), Deus é só um, e o mesmo. Para as 3, Deus prometeu a vinda de um Messias (Salvador). Judeus e Muçulmanos ainda estão à espera d’Ele, enquanto que para os Cristãos o Messias já veio e é Jesus Cristo, Filho de Deus e consubstancial a ele, juntamente com o Espírito Santo.
Os muçulmanos acreditam num Profeta, Maomé, e baseiam toda a sua crença na mensagem que ele terá recebido dum arcanjo.
Esta é a verdadeira diferença entre as 3 únicas religiões monoteístas.
Se, para os judeus, Cristo não é nada (quando muito um reformador bem intencionado), já os muçulmanos acreditam que terá sido um profeta menor a cuja mensagem (Evangelho, ou “Boa Nova”) contrapõem o Corão de Maomé.
Logo, ninguém, “detesta” o Deus do outro, porque, para todos Deus é só UM e o mesmo.
Os problemas surgem das mensagens quase sempre antagónicas dos Evangelhos e do Corão.
Tem razão, é daí que vem a intolerância, que seria escusada se cada um se ficasse na sua. Também estou de acordo consigo que a intolerância é sinal de incivilização. Judeus e cristãos já há muito que ultrapassaram esse estádio, pelo menos no que respeita a guerras e perseguições: a discussão limita-se ao campo das ideias (o tal Ecumenismo).
Se os muçulmanos não pregassem a Guerra Santa, pela qual pretendem destruir e arrasar todos os outros, a paz seria possível.
Em conclusão, são o muçulmanos que precisam de se civilizar, não acha?
Enquanto isso não acontece, assiste ou não aos outros o direito de se defenderem ?
Uma coisa em que não estamos de acordo: a Religião não se pode limitar aos templos, pois dirige-se a todos os homens “de boa vontade”. É um direito que tem.
Se a sua actuação for civilizada, não virá daí mal ao mundo. Só a segue quem quer.
Se quiser continuar a discutir este assunto (civilizadamente), seja bem vindo.
[Responder]
Já entendi, Isabel #112, os Cristãos adiantaram-se à concorrência e foram premiados com o Filho de Deus. Os outros bem podem esperar sentados à espera que Deus lhes envie o Filho a que se julgam com direito. Ou seja, Deus discriminou uma parte dos seus servos em benefício de outra, neste caso dos cristãos. Será este Deus justo? Penso que não.
Diz você que: “Judeus e cristãos já há muito que ultrapassaram esse estádio [de intolerância], pelo menos no que respeita a guerras e perseguições: a discussão limita-se ao campo das ideias.”
Como, Isabel? Então você não conhece o que se passa na Palestina? Desconhece as posições fanáticas dos judeus ortodoxos? Nunca ouviu falar da guerra santa do George Bush e da direita americana? Nem das perseguições que se fazem – em nome de Deus – nos States aos “abortistas” e aos homossexuais?
Por favor, não faça de mim parvo.
Realmente não estamos de acordo quanto à confinação das religiões aos templos. Entendamo-nos. Eu não me oponho a que os religiosos percorram as ruas a interpelar os cidadãos com a palavra de deus, a vender biblias e corãos (ou será corões?), a prometer salvações e milagres, etc. O meu problema é quando essa propaganda entra nas escolas, nos edifícios públicos, nas cerimónias de Estado ou nas Leis da República.
Nesses locais, eu não quero ver o Maomé, o Buda, o Moisés, o Cristo ou outro qualquer símbolo religioso. É assim tão complicado entender o conceito de separação entre religião e estado?
[Responder]
“Já entendi, Isabel”
Creio que não entendeu nada, Joaquim Azevedo # 113.
Deus prometeu o Messias a TODOS. Acontece que nem todos acreditaram (estão no seu pleno direito). Não houve pois alguma espécie de discriminação nem de injustiça.
Quanto ao fanatismo dos judeus ortodoxos, penso que é mais um problema para Israel. Enquanto o fanatismo muçulmano, como o do Sr. Ahmadinejad (será assim que se escreve?), é um problema para todos, incluindo para os próprios. E a guerra de Bush e da “direita americana” é tudo menos Santa, defendendo sobretudo interesses económicos e estratégicos. Nem nos States (ao contrário do Islão) se rebentam à bomba homossexuais e “abortistas”. Isto para já não falar nos direitos das mulheres.
Quanto aquilo que chama “propaganda religiosa”, não tenha tanto medo dela. Desde que não obrigue ninguém, também não mata ninguém. E ninguém (a meu ver) deve ser privado dela, seja de que religião for. Volto a lembrar-lhe que Cristo foi o primeiro a defender a separação da Religião e do Estado, ao dizer “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Quer mais claro do que isto?
Só não compreendo em que é que o ofende a visão dum crucifixo e não ofende a visão de um tchador? Ou daqueles turbantes cor de laranja (não sei como se chamam) e de umas barbas que vão quase até ao chão ou de certos xailes pelos ombros e caracolinhos na cabeça. Ou não são estes símbolos religiosos? Devem também se proibidos de entrar em edifícios públicos?
Já nas “Leis da República”, estamos de acordo, mas também já não há documentos civis que comecem pela fórmula “Em Nome de Deus Ámen”, pelo menos em Portugal. Mas vá lá dizer aos ingleses que alterem a letra do seu hino, abolindo o “God save de Queen”…
Agora sou eu que lhe digo: um pouco mais de tolerância só lhe ficava bem.
[Responder]