Pinto Monteiro está muito preocupado com a técnica legislativa dos diplomas apresentados pelo Governo. Vai daí foi ontem ao Parlamento apontar as vírgulas fora de lugar e os neologismos da nova lei da violência doméstica. Muito me apraz o zelo de Pinto Monteiro com a língua de Camões – até porque termos como “empoderamento” nem no twitter deviam ter lugar, quanto mais numa lei -, mas talvez não fosse má ideia ser igualmente picuinhas com o trabalho que lhe diz directamente respeito.
Talvez assim não tivéssemos processos seis e oito anos em fase de investigação, ou outros que são suspensos 4 anos sem razão aparente, ex-administradores do BPN a falarem no Parlamento em malas de dinheiro que circulavam e em centenas de crimes e irregularidades sem que o MP dê sinal de vida, ou em mega-processos como o Furação que, do alto, das suas vastíssimas centenas de arguidos, estão condenados a acabar sem nenhuma conclusão e responsabilização criminal. Empoderamento no MP precisa-se, e não é nas vírgulas. É mesmo nos resultados.
14 comentários 11 Mar 09 em Sem categoria



Poderá ser picuínhas, mas diga-me: quem dos doutos deputados da nação, se levanta e põe em causa a redacção inexplicável da maioria das leis.
Ou será que leis como “…e): Tutelar os direitos dos trabalhadores que, na relação laboral, sejam vítimas de violência doméstica…”, podem ter uma apreciação leiga e generalista pelos portugueses a quem essas leis se destinam?
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Qual BPN? O país recuou 1,8%. Já não foi 2,1%. Não é bom? Vamos lá deixar o J. Rendeiro que isto com jeito recupera. Chamam eles de o mercado a corrigir-se. Não atrapalhe. EU explico-lhe aqui http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/03/recuamos-18que-tal-deixar-o-mercado.html mas tem de prometer que segue a receita…
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Pois, de facto Pinto “Monteito” deveria estar mais ocupado em outras tarefas. É que a corre(c)ção linguística não interessa para nada.
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Já dizia o advogado da Fatinha Felgueiras, o Brasileiro, que a nossa justiça era atrasada e salazarento.
Nessa altura vieram os Onoris Causa da nossa justiça defender a bela dama.
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Mas, ainda há para aí alguém que acredite nesta gente?
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Se algum de Vocês lesse um simples relatório de um determinado Inspector do Ministério Público que escreve o texto, primeiro, e só depois põe as vírgulas em “random”, perceberiam que o que diz PInto Monteiro é só palavreado…
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Eu tenho para mim que o brilhante profissional da escrita legislativa é o mesmo da brilhantíssima redacção magalhânica! (andei eu a aprender Português…)
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Caro G,
Sim, tem razão. O problema deste país são as vírgulas fora do lugar e as gralhas nos blogues.
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Post simplista, preguiçoso e redutor. Foi muito mais o que foi dito – mas pelos vistos resume-se à lógica do soundbyte. Isso não representou 1% do que foi discutido. Reproduzir notícias inanes é contribuir para a inanidade da discussão pública.
Há seis, oito anos, nem o PGR era o mesmo. Algum rigor
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Parece-me que o pior dos neologismos da nova lei, será o de que passou a ser muito mais fácil ao agressor ficar em casa , de pulseirita no pé e cervejola numa das mãos,enquanto que com a outra vai praticando seu barbarismo na companheira ou nos filhos.
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Pedro,
a verdade é que muitas das leis deste país têm interpretações dúbias por serem mal redigidas, já para não falar daquelas que, mesmo escritas sem erros, são de uma anormalidade atroz pela impraticabilidade que lhes é inerente.
Existisse legislação clara e bem escrita neste país e era meio caminho andado para desentupir tribunais e ter tempos de resposta a queixas menores.
A preocupação do PGR não é a de um professor numa sala de aula a ensinar os meninos a escrever bem, é ter a certeza que as leis são aprovadas em condições de serem aplicadas.
Não é o único (nem o maior) problema da justiça, mas ajuda.
Inadmissível é continuar a ter deputados e juristas que nem escrever sabem.
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Caro Pedro Sales. Adorei a forma como reconheceu o erro sem o reconhecer. Reconheceu corrigindo-o, e desreconheceu-o mandando a boca. É bonito, isto.
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Empoderamento talvez não exista, mas empoderecimento é capaz de existir… Uma tradução mais ou menos livre da expressão anglófona “empowerment”.
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