Vale a pena ver os dados do estudo “Emprego, contratação colectiva de trabalho e protecção da mobilidade profissional em Portugal”, encomendado pelo Ministério do Trabalho e ler este texto de Eugénio Rosa , onde se faz uma análise profunda do documento, que dá algumas informações que podem parecer surpreendentes para alguns (os que insistem que andámos a gastar como não houvesse amanhã) sobre a progressão salarial em Portugal e na Europa: o salário real europeu cresceu 2,2 por cento entre 2004 e 2008 e o português 0,3 por cento.

Mas aqui fico-me por um pormenor que, não sendo o mais relevante, tem muito interesse: o grau de escolaridade dos trabalhadores e dos patrões deste País.

Segundo o estudo, 61,3 por cento dos trabalhadores por conta de outrem têm até ao terceiro ciclo do ensino básico, 20,4 por cento têm o ensino secundário e 18,3 por cento o ensino superior. Nos patrões, os números mudam um pouco: 71,7 por cento têm até ao terceiro ciclo do ensino básico, 12,2 por cento o ensino secundário e 16,1 por cento o ensino superior. Ou seja, há muito mais trabalhadores com o ensino secundário completo (mais 67,2 por cento) e com o ensino superior (mais 13,7 por cento) do que empresários.

Como não é plausível que quem tem melhores qualificações tenha menos apetência para o risco, é possível tirar daqui outras conclusões.

O que estes números evidenciam é que, para além de alguns empresários em nome individual que são, na realidade, trabalhadores por conta de outrem, grande parte do nosso tecido empresarial é de tipo familiar, dirigido por pessoas com uma baixíssima preparação técnica. Não sucede assim nos países realmente desenvolvidos. Não só as pequenas empresas têm menor peso na economia como, mesmo para dirigir uma pequeníssima empresa, é exigível algum grau de preparação.

O Estado português gastou, nas últimas três décadas, milhões na generalização do acesso ao educação. Ao contrário do que é dito pelas carpideiras de serviço, foi, mesmo com todas as falhas e erros, resultado de um processo tradio de massificação do ensino e por isso muito rápido, uma aposta ganha e, a par com os progressos na saúde, uma das maiores vitórias deste País. Apesar de ainda haver muito por fazer (a população activa portuguesa com baixas qualificações ainda representa 69,1 por cento do total enquanto na UE fica-se pelos 22 por cento), o tecido empresarial não evoluiu no mesmo sentido do resto do País. A aposta continua a ser a restauração, a construção civil, serviços indiferenciados e o trabalho intensivo desqualificado, que não acrescenta valor ao que produz. Ou seja, este enorme investimento público não teve repercussões na economia.

Empresários pouco qualificados tendem a valorizar pouco a qualificação dos seus trabalhadores. E, mesmo quando a valorizam, faltam-lhes os instrumentos para lhes dar o devido uso e a vontade de investir na formação continuada dos seus funcionários. O resultado é evidente: pouca inovação, pouco valor acrescentado no que produzem, valorização dos custos de trabalho baixos em detrimento da qualidade, pouca competitividade. E isto faz-se sentir em toda a economia e até nas grandes empresas. A cultura empresarial portuguesa é a cultura do “self made man”, com muito empenhamento e pouca técnica, não é a cultura da qualificação que o investimento público na educação poderia ter permitido.

Que há um desajustamento entre a mão de obra disponível e o tipo de empresas que temos é coisa sabida por todos. Mas é costume atribuir-se a isso a uma formação desadequada. De forma mais proverbial, diz-se que já ninguém quer fazer os trabalhos pesados. Ou seja, sente-se falta de mão de obra intensiva e pouco qualificada. Se queremos ser competitivos – com a Europa, não com a China -, temos de pensar ao contrário: há uma desadequação do tecido empresarial às capacidades laborais que tem disponível e na qual nem teve de investir.

Não sei o que nasceu primeiro: se o ovo ou a galinha. Ou seja, se o nosso modelo de desenvolvimento, apostado na obra pública pesada, na construção civil de pouca qualidade e nos serviços pouco qualificados, resulta das empresas que temos ou se as empresas que temos resultam do modelo de desenvolvimento que escolhemos. Sei apenas que, integrados no mercado europeu e em pleno século XXI, são insustentáveis estes níveis de qualificação dos nossos empresários.

É costume falar-se muito da pouca produtividade do trabalhador português. Se estes números não chegassem, bastaria um dado indiscutível: fora de Portugal, a esmagadora maioria dos trabalhadores portugueses são bem sucedidos, respeitados e preferidos pelos empregadores. Fora de Portugal (e mesmo em Portugal), a esmagadora maioria das empresas portuguesas são incapazes de vingar.

Quando os empresários nos dizem que precisam de salários mais baixos para competir, não nos estão a mentir. Com um tipo de produção e gestão terceiro-mundista é natural que precisem de trabalhadores ao preço do Terceiro Mundo: é com esse mercado que podem competir. Ultrapassar esta fase não passa por desqualificar ainda mais o trabalho. Isso seria insistir no erro. Passa por qualificarR a gestão das empresas e os empresários. E isto começa pelas pequenas. Porque não há grandes empresas de qualidade num país repleto de más empresas de vão de escada.

Publicado no Expresso Online.


61 respostas ao post “Empresas de Terceiro Mundo”  

  1. 1 1  Gestrundino Malaquias do Coiro Calhau

    Estou francamente surpreendido.

    Finalmente o Daniel toca num dos problemas mais graves de Portugal.

    Gostava de ouvir mais esquerda a defender aquilo que aqui defende.

    A qualificação dos empresários.

    Já o disse aqui e repito: É fundamental a criação das oficinas de empreendedorismo a partir do 3º ciclo.

    A aposta na economia faz-se na escola. E numa escola que empurre os jovens para a criação do seu próprio emprego.

    De acordo com um estudo recente cerca de 60% dos projectos empreendedores que começam estão condenados a fracassar.

    E é bom que assim seja. Pois na 2ª tentativa estarão mais fortes. E na 3ª ainda mais.

    Os restantes 40% terão criado emprego que não é financiado por dívida pública.

    E isso é uma grande contribuição para o país.

    Partidos que deviam bater nesta tecla todos os dias como o PSD, nem referem este que é o maior problema.

    O da qualificação dos empresários….só depois vem a qualificação dos trabalhadores.

    O exemplo tem que vir de cima. Sempre

    [Responder]

  2. 2 2  Vera

    O Daniel tem toda a razão, mas eu prefiro ver o problema por outro lado. Para mim o subdesenvolvimento estrutural do país tem mais a ver com as circunstâncias históricas, em que manifestamente tudo nos foi dado quase de mão beijada, bastanto um pouco de aventureirismo, como o ouro do brasil, as empresas subsidiadas por fundos comunitários, etc, não se construindo consequentemente uma cultura de mérito transversal à sociedade, e isso independentemente do simples investimento em educação. Para mim é nesse conjunto estrutural e estruturante que se encontra a razão do clima de mediocridade geral reinante no país. Existem excepções, como alguns grupos económicos, ou empresas como por exemplo a SISCOG (passe publicidade) que se conseguiram internacionalizar e são os melhores do mundo numa determinada area e apostam fortemente na I&D.

    [Responder]

  3. 3 3  M

    Concordo completamente. O investimento no ensino é feito a longo prazo, e ainda vamos ter que dar mais algum tempo até que as qualificações da população cheguem ao nível europeu.

    Tal como disse, é necessário modernizar a economia. Isso também passa pelo estado deixar de suportar as ínumeras empresas que vivem à custa dele, não sendo doutra forma competitivas no mercado. Há que deixar que as empresas não competitivas sejam substituídas por outras novas que sejam.

    O dinheiro gasto em resgates e apoios a empresas não competitivas seria melhor empregue na qualificação de desempregados, para que eles consigam trabalho e possam responder às necessidades das novas empresas.

    [Responder]

  4. 4 4  José

    “Como não é plausível que quem tem melhores qualificações tenha menos apetência para o risco, é possível tirar daqui outras conclusões.”

    Claro que é plausível. Há muitos mais empresas que contratem empregadas de limpeza do que que contratem doutoradas em biologia, por exemplo.
    Se eu tenho grandes qualificações e um emprego que me permite utilizá-las, estou perfeitamente consciente que é difícil encontrar outro que satisfaça esses requisitos.
    Se o meu trabalho for pouco qualificado, o que não faltam são alternativas.

    [Responder]

  5. 5 5  Pão Metálico

    O que o Daniel escreveu é mais do que óbvio.
    Talvez não tão óbvio para alguns.

    Só não concordo com um comentário posterior em que se afirma que a qualificação dos empresários vem primeiro. Acho que não deve haver »cronologia« neste caso. Que venham ambas ao mesmo tempo, e se possível bem arranjadinhas.

    [Responder]

  6. 6 6  joão mn

    Mas, Daniel, parece-me quem tem mais qualificações tem mais apetência para o risco. Digo isto sem vontade ideológica e sem grande discordância em relação ao cenário que se descreve neste post.
    Estudei num colégio e depois num liceu de Lisboa, e depois formei-me em economia, há 12 anos, numa universidade de Lisboa. Os meus três ou quatro amigos mais ricos, e que trabalham por conta própria, ou não se formaram, ou tiveram um fraco percurso universitário. Os melhores alunos são convidados para consultoras e bancos, com estabilidade e bons ordenados. Torna-se menos plausível arriscar. Os outros têm que montar o seu negócio para terem emprego, para se safarem, e muitas vezes há uns que têm muitíssimo sucesso.

    Não sei se isto tem algum fundamento para lá da minha experiência (parece-me normal que assim seja) , mas pode ser uma pista para enteder esses dados.

    [Responder]

  7. 7 7  Pedro Lourenço

    O cerne do problema.

    Mais um texto certeiro.

    E continuação de um excelente dia.

    [Responder]

  8. 8 8  da Maia

    Ovo de Colombo, Daniel?… mas de facto, apesar de estar à frente dos olhos, nunca vi ninguém falar disso assim! Parabéns, pela clarividência…
    Não sei se é a única causa, ou se adianta muito saber, mas há de facto essa relação:
    - empresários pouco formados, apostam em sectores standard, onde não é mais valia a formação dos empregados.

    (nota: depois de enunciado, torna-se quase uma verdade de La Palisse, mas isso não belisca o mérito a quem primeiro o enuncia)

    Hmm… talvez o governo saiba disso, e lá está: – é preciso levar o desemprego aos qualificados para que eles arrisquem, tal como os outros. Perverso, não?… mas afinal, vai ver, como sempre, é tudo pensado para o nosso bem! 8-)

    [Responder]

  9. 9 9  Júlio de Matos

    Lamento, mas desta vez não concordo com o sentido deste texto, embora reconheça que pretender escrever “direito”. Porém, as “linhas” estão demasiado tortas, e tentarei explicar porquê (embora seja difícil, neste formato de comunicação).

    O essencial da sua tese está neste trecho: «Segundo o estudo, 61,3 por cento dos trabalhadores por conta de outrem têm até ao terceiro ciclo do ensino básico, 20,4 por cento têm o ensino secundário e 18,3 por cento o ensino superior. Nos patrões, os números mudam um pouco: 71,7 por cento têm até ao terceiro ciclo do ensino básico, 12,2 por cento o ensino secundário e 16,1 por cento o ensino superior. Ou seja, há muito mais trabalhadores com o ensino secundário completo (mais 67,2 por cento) e com o ensino superior (mais 13,7 por cento) do que empresários.

    Como não é plausível que quem tem melhores qualificações tenha menos apetência para o risco, é possível tirar daqui outras conclusões.

    O que estes números evidenciam é que, para além de alguns empresários em nome individual que são, na realidade, trabalhadores por conta de outrem, grande parte do nosso tecido empresarial é de tipo familiar, dirigido por pessoas com uma baixíssima preparação técnica. Não sucede assim nos países realmente desenvolvidos. Não só as pequenas empresas têm menor peso na economia como, mesmo para dirigir uma pequeníssima empresa, é exigível algum grau de preparação».

    Ora, estes três parágrafos, para além de um erro metodológico crasso no primeiro, embora não muito relevante para as conclusões que pretende retirar (para quem quiser saber porquê, explico-o em adenda), um mero palpite sem consistência no segundo, no terceiro parte do pressuposto de que a Economia é pouco mais do que o somatório directo dos seus agentes, o que não me parece nada verdadeiro.

    Repare-se que um dos argumentos centrais do Daniel, com o qual até estou plenamente de acordo (o de que os Trabalhadores portugueses só são pouco produtivos em Portugal, lá fora são dos melhores), também é válido, na mesmíssima medida, para os nossos Empresários, que no geral também singram muito melhor lá fora (e o que são a maioria dos comerciantes e taxistas portugueses que venceram no Luxemburgo, no Brasil, na Suíça, na Califórnia e na África do Sul, senão pequenos empresários pouco qualificados e donos de empresas familiares, tal qual o Daniel sustenta que deveriam reconvereter-se em Portugal, já que não são dignas do Mundo desenvolvido?), o que, como é óbvio, invalida pela base toda a sua argumentação.

    Não, não acho que seja a “falta de qualificações” do Empresário médio português o principal problema da nossa Economia actual. Voltando à metáfora futebolística, não basta ter melhores jogadores para se passar a dispor, automáticamente, de uma melhor Equipa. Existem muitíssimos outros factores determinantes que diferenciam a nossa Economia das dos nossos parceiros europeus, como é sabido, e um dos exemplos mais apresentados é a ineficiência do sistema de Justiça, mas há muitos outros, de natureza sistémica, que não se resolverão apenas pelo aperfeiçoamento individual de cada um dos actores e intervenientes, mas apenas pela evolução intrínseca dos mecanismos económicos, a começar por uma nova mentalidade e cultura empresariais dos Licenciados. Entre muitas outras coisas importantes, mas de que raramente se fala, porque poucos sabem pensá-las. É um tema demasiado vasto para uma abordagem pela rama. Felizmente, para os mais interessados e disponíveis, há sempre as iniciativas do “Le Monde Diplomatique” (passe a publicidade)…

    —————————

    Adenda: com base nos dados apresentados, não se pode afirmar que «há muito mais trabalhadores com o ensino secundário completo (mais 67,2 por cento) e com o ensino superior (mais 13,7 por cento) do que empresários», pois estão a comparar-se grandezas distintas e os números 67,2% e 13,7% não têm qualquer significado. Para além de que é preciso não esquecer que também os Trabalhadores e Empresários que têm o Ensino Superior dispõem do Secundário completo!

    Em bom rigor matemático, apenas se pode afirmar que a percentagem de Trabalhadores com o Ensino Secundário completo, mas sem mais estudos, face à homóloga percentagem de Empresários, é 67,2% superior. E que a percentagem de Trabalhadores com o Ensino Superior completo, face a homóloga percentagem dos Empresários, é superior em 13,7%.

    Mas muito melhor seria ainda dizer, com o mesmo rigor, que a percentagem de Trabalhadores com mais do que o Ensino Básico (38,7%), face à mesma percentagem entre os Empresários (28,3%), é superior em 36,7%!

    [Responder]

    Miguel Bombarda Reply:

    Como se pode falar num “Pacto para o Emprego” aprovando-se um “PEC1” e um “PEC2” ?
    UM ESTUDO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO QUE DESMENTE O PRÓPRIO GOVERNO
    RESUMO DESTE ESTUDO
    O Ministério do Trabalho acabou de divulgar um extenso estudo sobre o “Emprego, contratação
    colectiva de trabalho e protecção da mobilidade profissional em Portugal”. O objectivo, segundo
    a ministra do Trabalho, é que ele sirva de base para um “Pacto para o emprego”. Por isso
    interessa analisar os principais pontos desse documento. É o que se procura fazer sintetizando
    o possível.
    No estudo, o governo prevê a perpetuação das baixas qualificações profissionais em Portugal.
    Em 2010, a população activa portuguesa com “baixas qualificações” representava 69,1% da
    população activa total, enquanto na UE27 era apenas 22,7%. E a previsão do governo para
    2020, constante do estudo, é de 64% para Portugal e de 16,2% para a União Europeia, ou seja,a população portuguesa com “baixas qualificações” será cerca de quatro vezes superior à média comunitária. A percentagem de população activa portuguesa com “qualificação média” será
    cerca de 2,7 vezes inferior à média da União Europeia e a com “alta qualificação” 1,8 vezes
    inferior à média comunitária. Para o governo, Portugal continuará a ser um país de baixas
    qualificações.
    O nível de escolaridade e, consequentemente, de competências profissionais dos patrões, é
    muito baixo segundo o estudo. No 4º Trimestre de 2009, 71,7% dos patrões portugueses
    possuíam apenas um nível de escolaridade igual ou inferior ao 3º ciclo do ensino básico; os
    com a escolaridade secundária eram 12,2%, e com o ensino superior somente 16,1% do total.
    Enquanto isto se verifica com os patrões, os trabalhadores com o 3º ciclo do ensino básico ou
    menos eram 61,3% (- 14,5% do que os patrões ); os com o ensino secundário 20,4% (+ 67,2%que o dos patrões); e os com o ensino superior 18,3% (+13,7% do que a de patrões). Fala-se muito da baixa escolaridade dos trabalhadores mas não a dos patrões que impede a modernização das empresas
    Para os patrões e para o pensamento económico neoliberal dominante uma causa importante da
    baixa competitividade das empresas e da economia seria o aumento elevado dos salários
    verificado nos últimos anos em Portugal. Os dados constantes do estudo desmentem essa
    “teoria” já que mostram que o crescimento dos salários reais em Portugal nos últimos anos foi
    muito inferior ao registado nos países da União Europeia. No período 2004/2008, os salários
    reais aumentaram, em média por ano, 2,2% na UE27, 2% na Alemanha, e apenas 0,3% em
    Portugal. O crescimento dos salários reais na UE27 foi 7,3 vezes superior ao registado em
    Portugal, e o da Alemanha 6,8 vezes mais, apesar dos salários nesta serem já mais do dobro
    dos portugueses.
    Um ataque aos desempregados é que ficam por satisfazer inúmeras ofertas de emprego
    existentes nos centros de emprego, o que provaria que “os desempregados não querem
    trabalhar”. O Ministério do Trabalho no estudo que divulgou não faz qualquer análise do tipo de
    emprego que ficou por satisfazer, o que só pode ser interpretado como o desejo de ocultar a
    verade. Esses empregos são, na sua quase totalidade, de baixa qualificação, muito mal pagos, e não respeitam as normas legais sobre horário de trabalho (o trabalhador tem hora de entrada,
    mas não de saída). A confirmar isso, estão os dados do estudo do Ministério do Trabalho. Na
    pág. 22 pode-se ler textualmente o seguinte: “pessoas empregadas dos 25 aos 34 anos, detentoras de ensino superior, encontram-se a trabalhar em profissões menos qualificadas. Em 2000, essa percentagem era de 11,3%; em 2009 passou para 18,2%”. E recebem salários muito mais baixos.
    Na mesma linha de ataque aos desempregados está a “teoria” de que o “subsidio de
    desemprego em Portugal é muito generoso” e que esse facto leva muitos trabalhadores a
    desinteressarem-se de arranjar emprego. Foi essa a justificação utilizada pelo governo para
    aprovar alterações à lei do subsidio de desemprego que reduziram o seu valor para apenas 75% do salário liquido que o trabalhador recebia antes de ser despedido, passando a ser obrigado a aceitar um emprego desde que o salário ilíquido oferecido seja igual ao subsídio de desemprego que recebe. Dados constantes do estudo do Ministério de Trabalho desmentem também tal “teoria”. Na pág. 209 do estudo, refere-se que, em 2008, o numero de desempregados que perderam o direito ao subsidio de desemprego por se ter esgotado o prazo de atribuição foi de
    60.698. Deste total, ao fim de um ano apenas 24.924, o que corresponde a 41% tinham “pelo
    menos um mês de contribuições declaradas para a Segurança Social”, ou seja, um mês de
    trabalho no sector formal da economia. Este número, constante do próprio estudo, dá bem uma ideia das dificuldades que têm os desempregados em arranjar trabalho em Portugal.
    Eugénio Rosa – Mais estudos em http://www.eugeniorosa.com
    Como se pode falar num “Pacto para o Emprego” aprovando-se um “PEC1” e um “PEC2” ? Pág.
    Page numbers
    previsível desde que se tenha presente que há 7 trimestres consecutivos se verifica em Portugal
    destruição líquida de emprego.
    Perante estes dados e as conclusões que dele se tiram, a questão que se coloca é a seguinte: -
    Como é que se pode falar num “Pacto para o Emprego” quando depois do que se referiu ainda
    se aprova, este ano, um “PEC1 “ e um PEC2” com medidas que irão determinar inevitavelmente
    menor crescimento (menos de 0,4% em 2010) e maior destruição liquida de emprego, o que
    fará o desemprego crescer ainda mais rapidamente, apesar dos números já preocupantes
    divulgados pelo INE, pelo Eurostat e, mais recentemente, pela OCDE (10,8% em Abril)?
    O Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social acabou de divulgar um estudo com 234
    páginas intitulado “Emprego, contratação colectiva de trabalho e protecção de mobilidade
    profissional em Portugal”, com dados que desmentem “teorias” e justificações defendidas pelos
    patrões, pelo próprio governo e pelo pensamento económico dominante de cariz neoliberal.
    Segundo declarações feitas pela ministra do Trabalho no programa da RTP1 “Prós e Contra”, este
    estudo visaria obter um “diagnóstico partilhado”, ou seja, aceite por todos os parceiros sociais,
    para, com base nele, ser feito um “Pacto para o Emprego” que o próprio governo ainda não sabe
    bem o que é. Neste artigo vamos apenas analisar alguns dos pontos mais importantes desse
    documento que, devido à sua extensão e ao seu carácter contraditório, acaba por se tornar de
    leitura difícil.
    PORTUGAL VAI CONTINUAR A SER UM PAÍS DE BAIXAS QUALIFICAÇÕES SEGUNDO O GOVERNO
    O governo prevê que Portugal no futuro continue a ser um país de baixas qualificações, ou seja, a
    sua perpetuação como país de baixas qualificações. O quadro seguinte, construído com dados
    constantes do estudo divulgado pelo Ministério, mostra isso.
    QUADRO I – Evolução das qualificações da população activa em Portugal e na UE27 – 2000/2010
    QUALIFICAÇÃO
    POPULAÇÃO ACTIVA
    PORTUGAL UE27 VARIAÇÃO 2000-2020 em
    pontos percentuais (p.p.)
    2000 2010 2020 2000 2010 2020 Portugal UE27
    Baixa Qualificação 78,4% 69,1% 64,0% 31,0% 22,7% 16,2% -14,4 p.p. -14,8 p.p.
    Media qualificação 12,3% 15,6% 18,4% 48,1% 49,9% 50,6% +6,1 p.p. +2,5 p.p.
    Alta Qualificação 9,4% 15,2% 17,6% 20,9% 27,5% 33,2% +8,2% p.p. +12,3 p.p.
    TOTAL 100% 100% 100% 100% 100% 100%
    FONTE: Emprego, contratação colectiva e protecção da mobilidade profissional em Portugal, pág 6 -Maio 2010-MTSS
    Em 2000, os activos com baixa qualificação representavam 78,4% da população activa total
    portuguesa, enquanto na União Europeia (27 países) representavam, em média, apenas 31%.
    Em2010, essa população representava em Portugal ainda 69,1% da população activa total, enquanto
    na UE27 era apenas de 22,7%. E a previsão para 2020 constante do estudo divulgado pelo
    Ministério do Trabalho era ainda de 64% para Portugal e de somente 16,2% em média para a
    União Europeia, ou seja, a população portuguesa com baixas qualificações era cerca de quatro
    vezes superior à média comunitária. No mesmo ano – 2020- o estudo divulgado pelo Ministério do
    Trabalho prevê que a percentagem da população activa portuguesa com “qualificação média” será
    cerca de 2,7 vezes inferior à média da União Europeia e a percentagem com “alta qualificação” 1,8
    vezes inferior à média comunitária. Portanto, no fim desta década Portugal, segundo o Ministério
    do Trabalho, continuará a ser um país caracterizado pelas baixas qualificações da sua população
    muito abaixo da média comunitária. É este o futuro que o governo prevê para os portugueses.
    O NIVEL DE ESCOLARIDADE DOS PATRÕES EM 2009 É BAIXO E INFERIOR À DOS
    TRABALHADORES
    O estudo divulgado pelo Ministério do Trabalho contém dados referentes ao nível de escolaridade dos
    patrões portugueses que confirmam o que, várias vezes, já escrevemos, o de ser inferior à dos trabalhadores
    tendo isso um efeito negativo importante nas competências dos empresários, o que constitui um obstáculo à
    modernização, ao aumento da produtividade e da competitividade das empresas. O quadro seguinte, com
    esses dados, mostra com clareza isso.
    QUADRO II – Escolaridade dos trabalhadores e dos patrões em Portugal no 4º Trimestre de 2009
    NIVEIS DE ESCOLARIDADE
    Trabalhadores
    por conta de
    outrem (TCO)
    Patrões
    (Por conta própria
    -empregadores segundo a
    designação do INE)
    %
    TCO/Patrões
    Até ao 3º ciclo do Básico 61,3% 71,7% -14,5%
    Secundário 20,4% 12,2% +67,2%
    Eugénio Rosa – Mais estudos em http://www.eugeniorosa.com
    Como se pode falar num “Pacto para o Emprego” aprovando-se um “PEC1” e um “PEC2” ? Pág.
    Page numbers
    Superior 18,3% 16,1% +13,7%
    SOMA 100,0% 100,0%
    FONTE: Emprego, contratação colectiva e protecção da mobilidade profissional em Portugal, pág. 129, Maio 2010, MTSS
    No 4º trimestre de 2009, ou seja, em pleno séc. XXI, 71,7% dos patrões portugueses possuíam
    apenas um nível de escolaridade igual ou inferior ao 3º ciclo do ensino básico . Os com um nível
    de escolaridade secundária eram apenas 12,2% do total, e com o ensino superior somente 16,1%.
    Enquanto isto se verifica com os patrões, no 4º Trimestre de 2009, os trabalhadores portugueses
    com o 3º ciclo do ensino básico ou menos eram 61,3% (- 14,5% que os patrões ), com o ensino
    secundário 20,4% (+ 67,2% que o dos patrões), e os com o ensino superior 18,3% (+13,7% do
    que a de patrões). É evidente que enquanto não se resolver este problema estrutural das
    empresas portuguesas – o baixíssimo nível de escolaridade que têm os patrões portugueses –
    será muito difícil sair do profundo estado de estagnação que a economia portuguesa tem vivido.
    SALÁRIOS REAIS EM PORTUGAL CRESCERAM MUITO MENOS DO QUE NA UE27
    Uma das medidas para enfrentar a actual crise mais defendidas pelo pensamento económico de
    cariz neoliberal dominante em Portugal é o congelamento dos salários dos trabalhadores
    portugueses ou mesmo a sua redução nominal, que pode tomar também a forma de poupança
    forçada do subsidio de natal em títulos da divida pública. E tudo como os salários em Portugal
    tivessem aumentado exageradamente muito nos últimos anos. Dados do próprio estudo divulgado
    pelo Ministério do Trabalho, que constam do quadro seguinte, desmentem tal “teoria”.
    QUADRO III – Variação dos salários reais em Portugal e na União Europeia no período 2004/2008
    ANOS
    VARIAÇÃO SALÁRIOS REAIS
    UE27 Alemanha Portugal
    2004 1,4% 2,0% 0,5%
    2005 1,9% 1,6% 0,4%
    2006 2,7% 1,5% -0,4%
    2007 3,6% 2,2% 0,5%
    2008 1,3% 2,9% 0,5%
    MÉDIA ANUAL 2,2% 2,0% 0,3%
    FONTE: Emprego, contratação colectiva e protecção da mobilidade profissional em Portugal, pág. 174, Maio 2010, MTSS
    No período 2004/2008, e são os dados deste período que constam do estudo do Ministério do
    Trabalho, os salários reais aumentaram, em média, por ano 2,2% na UE27, 2% na Alemanha, e
    apenas 0,3% em Portugal. Por outras palavras, o crescimento percentual dos salários reais na
    UE27 foi 7,3 vezes superior ao registado em Portugal, e o da Alemanha 6,8 vezes mais, que é um
    país cujos salários são superiores ao dobro dos portugueses (segundo a OCDE, 2957€/mês em
    2008). A confirmar a generalização de baixos salários em Portugal está também o aumento dos
    trabalhadores que recebem apenas o salário mínimo nacional que, entre 2000 e 2008, passou de
    4,1% para 8,7%, ou seja, mais que duplicou (pág. 160 do estudo) . Afirmar, como fazem os
    patrões e os defensores do pensamento económico neoliberal dominante nos media, que a falta
    de competitividade das empresas portuguesas se deve ao aumento dos salários verificado nos
    últimos anos não tem qualquer fundamento técnico, e são razões pouco credíveis que o governo e
    os patrões utilizam para justificar medidas visando reduzir as condições de vida dos trabalhadores.
    TRABALHADORES COM O ENSINO SUPERIOR OBRIGADOS A ACEITAR PROFISSÕES MENOS
    QUALIFICADAS E DE BAIXOS SALÁRIOS
    Um dos argumentos mais utilizados no ataque aos desempregados pelos patrões e pelo próprio
    governo, que este também utilizou para justificar as alterações na lei do subsidio de desemprego
    que aprovou, é que ficam por satisfazer inúmeras oferta de emprego existentes nos centros de
    emprego. E daí partem para a afirmação de que “os desempregados não querem trabalhar”, e que
    foi necessário mudar a lei do subsidio de desemprego para os obrigar a aceitar as ofertas de
    emprego. A análise dos dados constantes do estudo divulgado do Ministério do Trabalho revela
    que isso também não corresponde à verdade.
    QUADRO IV- Ofertas de emprego e colocações efectuadas no período 2005-2009
    ANOS Ofertas de emprego Colocações efectuadas
    2005 101.719 57.484
    2006 106.515 59.477
    2007 120.038 60.387
    2008 126.669 64.621
    Eugénio Rosa – Mais estudos em http://www.eugeniorosa.com
    Como se pode falar num “Pacto para o Emprego” aprovando-se um “PEC1” e um “PEC2” ? Pág.
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    2009 123.078 63.115
    SOMA 578.019 305.084
    FONTE: Emprego, contratação colectiva e protecção da mobilidade profissional em Portugal, págs.140-141, Maio 2010, MTSS
    No período 2005 e 2009, registaram-se nos Centros de Emprego 578.019 ofertas de emprego,
    tendo sido satisfeitas 305.084. Portanto, ficaram por satisfazer 272.935. No entanto, o Ministério
    do Trabalho no estudo que divulgou não faz qualquer análise do tipo de emprego que ficou por
    satisfazer, embora reconheça que se verifica um “desajustamento entre a oferta e a procura de
    emprego” (pág. 140). Mas como se recusa a analisar porque razão isso sucede, tal conduta só
    pode ser interpretado como a tentativa de esconder o que está a suceder neste campo que até é
    promovido pelos Centros de Emprego, na medida em que são utilizados para divulgar e branquear
    tal tipo de emprego. E de acordo com informações que se obtém facilmente com uma simples
    observação dos “placards” dos Centros de Emprego em que se divulgam “os melhores” desses
    empregos, a maioria esmagadora ou são de baixa qualificação ou são muito mal pagos. É cada
    vez mais frequente a “oferta de emprego” para profissões qualificados em que a remuneração é
    apenas o salário mínimo nacional, portanto um salário inferior quer ao salário constante do CCT
    para essa profissão quer ao subsidio de desemprego que o trabalhador está a receber. Muitos dos
    trabalhadores que nessas condições foram a entrevistas ouviram os “empregadores” dizer com
    total impunidade que “nesta empresa existe hora de entrada, mas não de saída”. O numero de
    trabalhadores que acabam por ser obrigados a aceitar tais condições tem aumentado em Portugal.
    A provar isso, está o que consta do estudo divulgado pelo Ministério do Trabalho onde na pág. 22
    se pode ler textualmente o seguinte: “pessoas empregadas dos 25 aos 34 anos, detentoras de
    ensino superior, encontram-se a trabalhar em profissões menos qualificadas” (naturalmente, a
    receberem salários muito mais baixos). “ Em 2000, essa percentagem era de 11,3% , em 2009
    passou para 18,2%”. Os comentários são desnecessários mas os dados ficam aqui para reflexão.
    60.698 DESEMPREGADOS PERDERAM EM 2008 O SUBSIDIO DE DESEMPREGO E MENOS DE
    METADE CONSEGUE TRABALHO DEPOIS DE UM ANO
    Na mesma linha de ataque aos trabalhadores atingidos pelo desemprego, o governo acabou com
    todas as medidas anti-crise de apoio aos desempregados que tinham sido aprovadas em 2009 e
    que deviam vigorar, pelo menos, até ao fim deste ano (redução do prazo de garantia de 450 dias
    para 365 dias para ter acesso ao subsidio de desemprego; prolongamento do subsidio social de
    desemprego por mais 6 meses quando o desempregado não possui recursos para sobreviver;
    majoração da condição de recursos de 80% do IAS para 110% do IAS que dava direito ao subsidio
    social de desemprego, o que permitia que mais desempregados tivessem acesso ao subsidio de
    desemprego). E também com idêntica justificação o governo, apoiado pelo patronato, aprovou
    alterações à lei do subsidio de desemprego que reduziu o valor máximo do subsidio de 65% do
    salário ilíquido antes do despedimento para apenas 75% do salário liquido e que obriga o
    desempregado a aceitar um emprego desde que lhe seja oferecido um salário ilíquido igual a 75%
    do salário liquido que recebia antes de ser lançado no desemprego. E tudo isto com a justificação
    de que assim o desempregado encontrará mais rapidamente emprego. No entanto, dados
    constantes do estudo do Ministério do Trabalho revelam que isso não acontece na realidade.
    Assim de acordo com dados que estão na pág. 209 do estudo, em 2008, o numero de
    desempregados que perderam o direito ao subsidio de desemprego por se ter esgotado o prazo
    de atribuição do subsidio de desemprego foi de 60.698. Deste total, ao fim de um ano apenas
    24.924, ou seja, 41% tinham “pelo menos um mês de contribuições declaradas para a Segurança
    Social”, ou seja, um mês de trabalho no sector formal da economia. Este numero, constante do
    próprio estudo do Ministério do Trabalho, dá bem uma ideia das dificuldade que têm os
    desempregados em arranjar trabalho em Portugal. E a situação não podia ser outra, se se tiver
    presente que neste momento não se verifica no nosso País criação liquida de emprego. O que se
    tem verificado é que desde o 2º Trimestre de 2008, portanto há 7 trimestres contínuos, se tem
    verificado uma destruição liquida continua de emprego em Portugal (neste período, o emprego
    liquido destruído já atinge 219.400 segundo os dados oficiais divulgados pelo INE).
    A PERCENTAGEM DE CONTRATOS A PRAZO EM PORTUGAL É QUASE O DOBRO DA DOS PAÍSES
    DA OCDE E É SUPERIOR EM 60% Â DOS PAISES DA UE15
    Segundo os patrões e os defensores do pensamento neoliberal dominante em Portugal, a baixa
    competitividade das empresas e da economia portuguesa seria determinada pela pretensa rigidez
    das leis do trabalho em Portugal. Também este argumento não resiste a qualquer análise séria.
    Para isso vamos utilizar dados constantes do próprio estudo divulgado pelo Ministério do Trabalho.
    Assim, de acordo com dados constantes da pág. 131 do estudo do Ministério do Trabalho, em
    2008, os trabalhadores com contrato a prazo em Portugal representavam 23,3% do total de
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    Como se pode falar num “Pacto para o Emprego” aprovando-se um “PEC1” e um “PEC2” ? Pág.
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    assalariados, quando a média na UE15 era apenas de 14,5% e na OCDE de 12,3%. Se a análise
    for feita por idades conclui-se, com base também nos dados do mesmo estudo, que 54% dos
    trabalhadores com idade entre os 15-24 anos tinham contratos a termo; e que na idade entre os
    25 e 54 anos a percentagem era de 20,7%. E segundo o próprio estudo do Ministério do Trabalho
    (pág 187) “a análise aos tipos de contrato revela-nos que os trabalhadores com vinculo temporário
    estão muito mais expostos à pobreza (11%) face àqueles que detêm um vinculo permanente
    (7%)”. Perante estes dados afirmar, como fazem os neoliberais, incluindo os eurocratas de
    Bruxelas, que a baixa competitividade das empresas e da economia portuguesa se deve à rigidez
    das leis do trabalho não tem qualquer fundamento, revelando apenas a intenção de
    desregulamentar ainda mais as leis do trabalho para que o arbítrio dos patrões possa ser maior.
    A DIFERENÇA ENTRE SALÁRIOS DOS CCT E SALÁRIOS REAIS É CADA VEZ MAIOR VISANDO
    FRAGILIZAR A CONTRATAÇÃO COLECTIVA E AUMENTAR O ARBITRIO DOS PATRÕES
    Aproveitando o poder acrescido resultante das alterações à legislação de trabalho, nomeadamente
    às normas que regem a contratação colectiva, feitas pelo governo do PSD/CDS e pelo governo de
    Sócrates, como foi a introdução da chamada clausula da sobrevigência agravada, que está a
    determinar a caducidade de um número crescente de CCT deixando um número cada vez maior
    de trabalhadores sem serem abrangidos pela contratação colectiva, os patrões têm procurado
    impor nos contratos que assinam, cujo número diminuiu em 2009 (entre 2008 e 2009, o numero de
    trabalhadores abrangidos por IRCT publicados diminuiu em 400.000 – pág. 37 do estudo), salários que cada vez mais se afastam dos salários efectivos, criando assim uma zona de arbítrio patronal que é cada vez maior. O quadro seguinte, construído com dados do estudo do Ministério do
    Trabalho, mostra com clareza a evolução negativa que se tem verificado também neste campo.
    QUADRO V – Remuneração base e ganho em relação à remuneração contratual – 1998/2008
    RÚBRICAS 1998 2003 2008
    Remuneração contratual 439,27 € 519,73 € 596,65 €
    Remuneração base 557,43 € 710,73 € 842,74 €
    Ganho 680,70 € 866,29 € 1.028,01 €
    Remunera base > Remuneração Contratual +26,9% +36,7% +41,2%
    Ganho > Remuneração contratual +55,0% +66,7% +72,3%
    FONTE: Emprego, contratação colectiva e protecção da mobilidade profissional em Portugal -Maio 2010-MTSS, pág. 175
    Em 1998, a remuneração base era superior à contratual em 26,9%; em 2003, essa diferença já
    tinha aumentado para 36,7% e, em 2008, atingiu, 41,3%. Mas é o ganho médio total que é muito
    superior à remuneração contratual. Em 1998, o ganho médio era superior à remuneração media
    contratual em 55%, em 2003 era já de 66,7% e, em 2008, a diferença era já de 72,3%. Esta
    diferença salarial tão grande, em que o trabalhador fica dependente do arbítrio patronal, pois não existe qualquer norma contratual ou legal que obrigue a pagar os salários a que o trabalhador tem direito de acordo com as suas qualificações e responsabilidades, mostra bem as consequências
    da desregulamentação legal e contratual que as politicas dos governo do PSD/CDS e do governo
    de Sócrates tem levado o País. A proposta de Passos Coelho de tornar os custos do
    despedimento (leia-se indemnizações a receber pelo trabalhador no caso de despedimento) nulos
    no fim dos contratos a prazo assim E de prolongar o prazo dos contratos a termo para jovens que já atinge em Portugal 54% dos activos com idade até aos 24 anos, dos 18 meses permitido pela lei
    actual para 3 anos, enquadra-se nesta politica de desregulamentação das leis do trabalho, com a
    falsa justificação de que assim se aumentará a produtividade e a competitividade das empresas
    portuguesas. O que tem acontecido é precisamente o contrário: à medida que aumenta a desregulamentação diminui a competitividade das empresas e da economia portuguesa, o que só
    mostra que as verdadeiras razões não são a suposta “rigidez das leis do trabalho”.
    UM PACTO PARA O EMPREGO OU PARA O DESEMPREGO?
    Face aos dados e à análise anterior, as questões que imediatamente se colocam são as
    seguintes: Como é que se pode falar num “Pacto para o Emprego” quando, para além da situação
    que os próprios dados de um estudo do Ministério do Trabalho revelam, se aprova um “PEC1” e
    um “PEC2” que contém medidas que vão inevitavelmente determinar um menor crescimento
    económico (e o Banco de Portugal já tinha previsto que em 2010 seria apenas de 0,4%) e uma maior destruição de emprego e, consequentemente, o aumento rápido do desemprego que os dados do INE, do Eurostat, e mais recentemente da OCDE mostram que é uma situação cada vez
    mais insustentável (recorde-se que, perante a fraqueza do governo de Sócrates, a Comissão
    Europeia veio exigir novos cortes no défice em 2011 no montante de 2.500 milhões € o que se for aceite, torna a situação ainda mais insustentável)? Como é que se pode falar de “Pacto para o
    Emprego” quando se prevê a perpetuação das baixas qualificações em Portugal, e quando os
    Eugénio Rosa – Mais estudos em http://www.eugeniorosa.com
    Como se pode falar num “Pacto para o Emprego” aprovando-se um “PEC1” e um “PEC2” ? Pág.
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    salários reais diminuem e afastam-se cada vez mais dos salários médios da U.E? Como é que se
    pode falar seriamente de um “Pacto para o emprego” quando se impõe a caducidade
    administrativa de um número crescente de Contratos Colectivos de Trabalho deixando de fora da
    protecção da contratação colectiva milhares de trabalhadores? Como é que se pode falar em
    Pacto para o Emprego, o patronato apoiado no poder dado pelas leis aprovadas pelo governo do
    PSD/CDS e pelo governo de Sócrates impõem salários contratuais que se afastam cada vez mais
    dos salários reais? São estas as questões que se deixam aqui para reflexão.
    Eugénio Rosa
    Economista
    edr2@netcabo.pt
    18.6.2010
    Eugénio Rosa – Mais estudos em http://www.eugeniorosa.com

    A diferença entre o que diz o Julio e o Daniel, é que o Daniel apoia-se num estudo com dados concretos. O Julio em conjeturas e generalizações…eu sei lá quantos taxistas portugueses existem no Luxemburgo e de entre estes quantos são donos do táxi (empresário) ou que trabalham por conta de outrém(empregado)
    Cumprimentos!

    da Maia Reply:

    Julio de Matos:

    Ao contrário do texto do Daniel, não consigo perceber a sua linha de raciocínio…
    É para dizer que existem outros factores?
    - Mas isso não é óbvio?
    É para dizer que se podem fazer outras contas?
    - Sim, e o que a sua conta trouxe de novo?
    Francamente não percebi qual era a ideia…

    Podia ter citado em itálico, ou entre aspas o texto do DO, ajudava o leitor.

    Assim, deu para perceber que houve uma coisa que o DO disse, e que não está muito clara:
    não é plausível que quem tem melhores qualificações tenha menos apetência para o risco
    - pois acho que é plausível “ter menos apetência para o risco” se estiver numa posição confortável, bem empregado, ou com pais financiadores…

    Júlio de Matos Reply:

    Caro da Maia, tem razão em quase tudo. Vou tentar ser mais claro e sucinto: o “motivo” invocado pelo Daniel Oliveira, com base nas estatísticas, não constitui, para mim, um motivo relevante, face aos outros que, como diz, são óbvios. A meu ver, as causas dos nossos atraso e incompetência económicos radicam menos na insuficiente qualificação dos Patrões, do que na má qualidade do ambiente económico em que eles se movem. Tem muito mais a ver com falta de regulação económica, falta de confiança no funcionamento do sistema da Justiça, falta de exigência dos consumidores e excesso de promiscuidade entre Economia, Política e Sociedade. Como lhe disse, não dá para discutir o assunto pela rama. Dou-lhe apenas uma caricatura do que penso:

    – Os mesmos Empresários portugueses desqualificados fariam muito melhor, por exemplo, na Alemanha e, igualmente, os Empresários japoneses ultra-modernos e esclarecidos, em Portugal, não fariam muito melhor do que os nossos. O problema reside sobretudo no ambiente económico português, não nos seus intervenientes.

    da Maia Reply:

    ok, estamos de acordo (bom… se calhar os nossos empresários desqualificados nunca teriam chegado a sê-lo na Alemanha…)

    Miguel Bombarda Reply:

    Caro Julio:
    Os Japoneses fariam muito melhor que os empresários portugueses em Portugal. Vá ao Alentejo e veja o sucesso das explorações agricolas alemãs e holandesas, comparativamente aos empresários nacionais. O conhecimento é muito importante! E cada vez será mais, ou não vivessemos numa economia onde o saber, a informação e o conhecimento são soberanos para o sucesso de qualquer emprendimento

  10. 10 10  Beijoqueiro

    Os 7 pontos críticos de relatório M.Porter.

    Os 7 pontos são:

    * Estratégias de internacionalização infantis,

    * Grandes atrasos na qualidade,

    * Modernização tecnológica inacabada,

    * Descuido no marketing e nas vendas,

    * Associativismo empresarial fragmentado,

    * Falta de uma visão oficial de longo prazo,

    * Confronto artificial entre liberalismo e dirigismo.

    Desta maneira, terá de haver a mudança de paradigma na gestão e assim depara-se com algumas dificuldades:

    * Viciação em estratégias estáticas baseadas meramente nos custos dos factores,

    * As estratégias de internacionalização dominantes nos nossos principais clusters de especialização internacional são ainda muito infantis,

    * O atraso na gestão da qualidade é ainda dominante,

    * Uma modernização tecnológica inacabada – por vezes falha a utilização devido a problemas com os recursos humanos e com os inputs inadequados por parte dos fornecedores,

    * Ênfase inadequado no marketing e nas vendas,

    * Uma cultura de representação empresarial fragmentada,

    * Insuficiente desenvolvimento integrado de políticas públicas,

    * Tradição das políticas oficiais serem ditadas pela oferta em vez de investigadas pela procura,

    * Falta de uma visão coerente de longo prazo,

    * Polarização errada nos debates sobre política pública.

    Nem uma palavra sobre o código do trabalho….e insiste, rebola, me abraça, me adora

    [Responder]

    Júlio de Matos Reply:

    É isso.

  11. 11 11  Tonibler

    Daniel,

    “Ou seja, este enorme investimento público não teve repercussões na economia”

    Claro que teve. Negativo. É só o que falta para que este seu post diagnostique bem o problema da estatização da economia portuguesa. E isto não é muito complicado de entender, se o estado retira dinheiro ao país para gastar em calhau, a sociedade retira-se das actividades onde a qualificação interessa para se dedicar ao calhau onde, obviamente, a qualificação que interessa é a qualificação do calhau.
    Portanto, não é só o custo da educação que não vai servir para nada, é o custo de oportunidade de a educação não estar a ser usada em actividades de maior valor acrescentado. A qualificação dos empresários não é uma causa, é uma consequência.

    Claro que depois deste post, vai levar com os comunas todos da vida…

    [Responder]

  12. 12 12  Miguel Bombarda

    Este país é uma comédia!!!
    “Aproveitem a contenção, para comer sopinha”
    M. Saúde, Ana Jorge.
    Já imagino os empresários:
    Epá! Vou-te diminuir o salário…tás a ficar gordo como um camelo!!
    Aguenta-te à sopa!!

    [Responder]

  13. 13 13  JMG

    Há mais de 40 anos, uma desgraça familiar levou a que fosse forçado a interromper os meus estudos (estava então no que hoje seria o 10º ano) e fosse trabalhar. Trabalhei alguns anos como funcionário da Câmara local, entretanto acabei o Liceu e matriculei-me em Coimbra. A meio do curso, fundei a minha primeira empresa, com um sócio capitalista e outro despreparado teso, como eu. O curso foi para o galheiro, ser micro-empresário não casa bem com encornanço de sebentas. Nos vinte anos seguintes co-fundei mais dez empresas, sempre com sócios sem formação, cambada de ignorantes. Uma das razões pelas quais o acaso colocou no meu caminho tanto bronco empreendedor é que, nos anos fundacionais das carreiras de empresário, os futuros cidadãos com boa preparação académica (engenheiros, economistas, gestores, etc.) estavam a estudar. Esta historiazinha pessoal não tem em si qualquer interesse, é claro, excepto na medida em que comporta, acredito, um certo grau de generalização. Em Portugal, ser pequeno empresário (quer dizer, sobreviver sem ser à sombra do Estado) é coisa para quem, sendo ambicioso e não tendo vocação para trabalhar para outros, que aliás sempre pagariam uma côdea, se atira de cabeça; sendo que a maior parte fica precisamente sem a cabeça, porque a porta do sucesso é hoje demasiado estreita. E, ao contrário do que o texto do post pode permitir que se conclua, não há falta de formação: não se pode dar um pontapé numa pedra sem que debaixo não saiam licenciados em gestão e engenharias, desempregados ou a desempenhar funções abaixo das suas qualificações. A pergunta relevante, assim, não é por que razão os empresários que há têm formação escolar reduzida; é por que motivo os que a têm completa não fazem empresas.

    [Responder]

  14. 14 14  Alexandre Carvalho da Silveira

    Daniel Oliveira debita uma serie de estatisticas, que estão concerteza correctas, mas está enganado nalguns pontos.
    A maioria dos empresarios deste país são pequenos e medios, e concerteza com medias e baixas qualificações academicas, porque a maior parte deles ainda veem de um tempo, em que se fazia a 4ª classe ou quando muito o antigo 5º ano do liceu ou da Escola Comercial e Industrial. E durante decadas, foram essas pessoas o principal tecido empresarial do país, porque estiveram dispostos a melhorar as suas vidas, correndo os respectivos riscos.
    Há poucos empresarios licenciados, porque a maioria quando sai das Universidades, quer é um bom emprego, bem remunerado, se possivel no estado, porque é para a vida toda; arrumarem a vidinha, como se costuma dizer.
    São muito raros os que estão dispostos a arriscar investindo num negocio, e muitos estão a emigrar, indo à procura de melhores condições para as suas carreiras.
    Quanto à boa qualidade geral dos trabalhadores portugueses no estrangeiro, é um facto. Mas os que foram lá para fora à procura de uma vida melhor, foram na maior parte dos casos, porque se fartaram de ver a sua competencia e voluntarismo, recompensada com “trabalho igual, salario igual”, e trabalhando mais e melhor e no fim recebendo o mesmo que os “calões”.

    O Estado, meu caro Daniel Oliveira, tem sido o paizinho deste país, e a maioria dos portugueses tem-se sentido confortavel debaixo da sua protecção. Agora que é preciso arregaçar as mangas e mudar este secular estado de coisas, temo que não estejamos à altura da situação.
    A teoria que os empresarios querem os seus empregados a ganhar pouco, já cheira mal, e só serve para os partidos de Esquerda angariarem uns quantos votos. Qualquer empresario digno desse nome, quer ter nas suas empresas, pessoas qualificadas, e trabalhadoras, e já se sabe que a essas tem que lhe pagar bem.

    [Responder]

  15. 15 15  Isabel

    O problema das PMEs é que este assunto nunca foi abordado a sério. O socialismo que nos desnorteou estes anos funciona para encher o país de funcionários públicos e abrir as portas ao grande capital que negocieia à porta fechada.

    Parece finalmente que se está a descobrir que a base da economia são estas empresas, esquecidas ou propositadamente abandonadas pelas tendências políticas socialistas.

    Desculpem o disco partido mas o CDS anda há anos a chamar a atenção para isso. A política que preconoiza assenta exactamente na promoção das PMEs e na mobilidade social.

    O CDS é o único partido que defende o capitalismo estatutariamente, posto ao serviço de todos.

    Daí ser de “direita” e o único capaz de lutar contra o capilalismo selvagem porque funciona como uma vacina; é um anticorpo que combate o desenvolvimento desordenado de “bactérias”.

    É também o partido dos “ricos”. Porque neste tipo de economia, todos são tendencialmente prósperos, como se viu na europa.

    Pode ser que ao fim de 36 anos de cegueira, se comece a abrir os olhos e ver alguma luz ao fundo do túnel.

    [Responder]

    Rui F Reply:

    “…“direita” e o único capaz de lutar contra o capilalismo selvagem porque funciona como uma vacina; é um anticorpo que combate o desenvolvimento desordenado de “bactérias”…

    Já acharam a solução da doença dos sobreiros?
    ou ainda se ficam pela opção de abate-los pela raíz?

    Nightwish Reply:

    Ainda andam a tratar dos supositórios alemães…
    Estranhamente, quem os paga somos nós.

  16. 16 16  Manolo Heredia

    Muitos pequenos empresários portugueses só são empresários porque não são qualificados e por isso não distinguem por exemplo cash-flow de lucro. Metem-se a formar uma empresa e só reparam na asneira que fizeram quando estão com a corda na garganta para pagar as dívidas. Outras vezes nem se apercebem da asneira e lutam desesperadamente durante anos e anos, trabalhando 20 horas por dia para não irem à falência. Não reparam que estão a ganhar menos de 5 euros por hora!
    Uma coisa é certa: produtivedade tem muito pouco a ver com qualificação acima do 9º ano de escolaridade. Tem muito mais a ver com automatização e com organização do trabalho.

    [Responder]

  17. 17 17  Carlos Marques

    Ideia 1:

    Os cursos de Gestão passarem a ter uma cadeira de Burocracia / Contactos – onde se aprendesse como lidar com o Estado e os funcionários públicos pouco qualificados e bastante desmotivados / desresponsabilizados que por lá abundam. Essa cadeira teria também uma parte de contactos, em que se ficaria a saber com quem falar nos vários partidos políticos para olear as coisas.

    [Responder]

  18. 18 18  Carlos Marques

    Ideia 2:

    Esta é bem ao gosto da esquerda Beluga: pegar nas práticas do ANC na África do Sul e instituir um sistema em que todas as empresas teriam de passar a ter um sócio qualificado e com poder de decisão na gestão da empresa, preferencialmente com forte resistência às más práticas do capitalismo e que antes do lucro colocasse o bem comum e os avanços civilizacionais que tão bem prega Frei Alegre.

    [Responder]

  19. 19 19  Daniel Oliveira

    Onde é que ouviu isso, Miguel Bombarda?

    [Responder]

    Miguel Bombarda Reply:

    Na Antena 1!

  20. 20 20  Rui F

    Tocou no ponto Daniel

    Uma economia da globalização não floresce com amadorismos, facilitismos e novas oportunidades da treta e da tanga.
    Quando em apenas 1 ano – APENAS 1 ANO – um individuo faz o 9º, o 10º, o 11º e o 12º e ao mesmo tempo sai Técnico de Electrónica Industrial (ou outra profissão), está tudo errado!
    Há casos de indivíduos com cursos de Apontador de sexo de bois e cavalos!!! Foi tudo subsidiado nos anos 90!

    TUDO ERRADO! Portugal está todo e completamente errado.

    [Responder]

    Dazulpintado Reply:

    Rui F,
    como é que o senhor pensa que é obtido o esperma para as massivas inseminações artificiais?
    Ou pensa que os animais de estábulo ainda namoram?

    Fánã Reply:

    Dazul vejo que percebe de meita!!

    Dazulpintado Reply:

    Fanã, saiba que é tudo deste mundo. Os veterinários fazem-no diariamente, a maioria das vezes usando os braços.
    Agora também você já percebe um pouco mais.
    Para mais ideias recorra à linha erótica.

    Fanã Reply:

    Epá isto do emprego está pior do que eu pensava!! Já existem veterinários a trabalhar nas linhas eróticas!! Fosga-se

    Dazulpintado Reply:

    Fanã, há quanto tempo não visita a sua irmã?

  21. 21 21  mf

    não se compreende então porque os mais qualificados estão na posição de “empregados”. a esta hora , e com a sua apetência pelo risco , deviam ser todos patrões de empresas de altíssimo sucesso , a darem banhadas aos patrões analfabetos , em lugar de estarem à espera de entrar no funcionalismo público , sobretudo na área do ensino…

    [Responder]

  22. 22 22  fidel

    “A ministra da Saúde apelou, esta sexta-feira, à mudança dos hábitos alimentares da população. Para Ana Jorge, os portugueses devem aproveitar a necessidade de contenção económica para passarem a comer mais «sopa em casa».”

    não há quem ponha esta gente no campo pequeno ?

    [Responder]

    Miguel Bombarda Reply:

    Consegue arranjar-me uma arma, de preferência uma carabina? É que assim faço o trabalho sem me sujar!

    Dazulpintado Reply:

    É a versão do século XXI da frase, “beber vinho é alimentar um milhão de portugueses”.

  23. 23 23  Alexandre Carvalho da Silveira

    O assunto aqui abordado é o “Calcanhar de Aquiles” da nossa economia; sem um tecido empresarial dinamico, moderno, sem medo de correr riscos, e bem gerido, nenhuma economia se desenvolve num mundo globalizado.
    Os pequenos e medios empresarios que apesar dos condicionalismos atrás descritos, mesmo assim criaram milhões de postos de trabalho neste país e deram o seu contributo para o crescimento economico que conhecemos pelo menos desde os anos 60 até ao fnal do sec XX, porque a partir daí como sabemos estagnamos, ou até regredimos.
    Para quem nunca pôs a cabeça no cepo para criar uma empresa, é facil apontar culpas e culpados. Dificil é apontar soluções exequiveis, e não utupias.
    Eu sou um pequeno empresario que vive na provincia, e quando na 2ª metade dos anos 90 me apercebi que para manter e fazer crescer o meu negocio tinha que arranjar alguem que soubesse mais do que eu, foi o cabo dos trabalhos, porque os licenciados que eu contactei, se eram da provincia, ou queriam empregos no estado, ou queriam ir para Lisboa. E os da capital fizeram exigencias de tal maneira exorbitantes que não foi possivel satisfaze-las. Resultado: em 2005, não foi mais possivel aguentar a situação, a minha empresa deixou de ser viavel, e acabou.
    Casos como o meu são aos milhares em Portugal, porque o estado sempre protegeu e acarinhou as grandes empresas, mas as pequenas só serviam para pagar impostos, porque normalmente são sociedades familiares em que o estado se tem banqueteado com o patrimonio dos socios faltosos. Quero ver é quando acabarem com elas todas onde é que vão ao dinheiro.
    Só para terminar: ontem foi divulgada a contabilidade do estado; juntamente foi divulgada uma auditoria que diz que o estado em 2009 meteu 167 milhões de euros em varios institutos publicos, que ninguem sabe como funcionam e cujas contas não são controladas por ninguem. Já viram algum admnistrador desses institutos ter o seu patrimonio familiar penhorado para pagar dinheiro publico mal gerido? Ninguem viu.
    Mas isto é o estado no seu explendor onde o dinheiro arranjado por muitos com muitosacrificio, é delapidado por uns poucos impunemente. E ainda há quem defenda este estado de coisas.

    [Responder]

  24. 24 24  Dazulpintado

    Os empresários mal preparados são de esquerda. (Um palpite como outro qualquer, não é só o Daniel Oliveira que tem direito)

    Talvez possamos inferir que empreendedores com tão baixo grau académico só podem ser de esquerda. Senão vejamos: aqueles que têm um grau académico superior sabem que, sendo os seus recursos financeiros escassos e insuficientes para criar uma empresa que não se fique pelo vão de escada, o primeiro acto de inteligência é investi-los em empresas com dimensão, bem geridas, com conselhos de administração capazes e trabalhadores motivados e bem pagos, esperando obter por essa via uma boa remuneração do seu capital. A bolsa de valores serve para isso mesmo, fornecer os meios financeiros de que as empresas precisam para investir e criar riqueza. Meios financeiros considerados individualmente insuficientes para criar uma empresa, mas importantes somas de dinheiro no conjunto dos investidores.
    Ao contrário, os que desprezam essa forma de investimento e acham que investir em bolsa é um jogo de casino, vendo-se sem alternativa de aplicação dos seus parcos recursos, arriscam criar empresas que na sua maioria estão à partida votadas ao insucesso ou a uma vida de agonia permanente. Sem o suporte financeiro adequado ao risco de criar uma empresa de raiz, incapazes de acompanhar o nosso volume de produção legislativa, com um plano de negócio que terá sempre mais uma incerteza do que seria normal, chamada impostos, e uma certeza absoluta, a de que a justiça tarda 20 anos, vão permanecendo vivos apenas porque arrependimento não mata. Esses proprietários, as únicas coisas que gerem nas suas empresas são o sufoco da tesouraria e os labirintos que as facturas devem percorrer até que lhes cheguem às mãos. Tenazes, lutadores, pensam que é tarde para desistir e julgam que fazê-lo já não depende apenas deles. A falta de preparação alimenta-lhes a casmurrice. Tanta casmurrice só pode ser de esquerda.

    [Responder]

    Nightwish Reply:

    *sigh*
    1) Acho que você perdeu o que se passou na bolsa e com VCs nos últimos 20 anos;
    2) Você está a defender que qualquer micro-empresa que não entre na bolsa é burra, porque é fácil, só dá dinheiro e não dá trabalho nem tem custos.

    Dazulpintado Reply:

    Não, Nightwish não estou a defender nada disso.

  25. 25 25  MP

    Caro Daniel,

    Como referido anteriormente, creio que o ambiente económico que rodeia as empresas é bem mais importante que a formação que refere.

    Note que reconheço a plena validade da sua argumentação, no entanto creio que não é esse (por si só) o factor determinante.

    Dou-lhe um exemplo que me é próximo. Uma pequena empresa tecnológica lançou recentemente um produto inovador no mercado. Esta empresa recebeu 0€ de subsídios ou incentivos do estado, toda a sua actividade resulta de investimento pessoal dos sócios.

    Esta empresa, na sua actividade, tem que celebrar contratos e pedir licenças junto de entidades estatais e públicas. Muitas e muitas vezes encontra funcionários superiores totalmente ignorantes acerca de assuntos da sua directa competência; que desconhecem a legislação e quais as suas funções e/ou competências.

    Para não serem descobertos protelam até ao impossível a emissão de pareceres ou a celebração de acordos. Há casos de contratos com 8 páginas (OITO) demorarem mais de 1 ano (UM ANO) a serem avaliados. Como é que isto se justifica? Como é que pode ser aceitável que uma entidade demore um ano a analisar 8 páginas!!! O custo disto é incomportável…

    E isto repete-se em tantos e tantos lados. Com um misto de incompetência e/ou indiferença. Porque no final do mês é tudo igual e o ordenado cai da mesma forma…

    De que é que vale ter quadros altamente qualificados (100% licenciados) se depois se deparam com paredes inultrapassáveis?

    É claro que uma multinacional menos inovadora pode dar-se ao luxo de esperar mas uma PME ou avança ou morre. Quando o avanço devia ser ajudado pelo estado e é boicotado está tudo dito.

    Sabendo o que sei só me admiro é como é que não há mais gente a desistir.

    Cumps

    [Responder]

  26. 26 26  MP

    De que vale ter trabalhadores 100% licenciados e pós-graduados quando há entidades públicas que não se dignam a responder a propostas que elas próprias solicitaram?

    Faz ideia de quanto custa preparar uma proposta séria e rigorosa em algumas áreas? Do número de pessoas que o processo envolve?

    E isto já para não falar de legislação totalmente desadequada e altamente nociva e castradora para o desenvolvimento de novos projectos e feita por quem não percebe “puto” do assunto em que se está a meter. E para não falar numa justiça em que sai mais barato deixar cair uma factura do que ir a tribunal receber o trabalho que se realizou.

    Por isso reafirmo, sendo importante o que referiu (e com o qual concordo) é apenas uma gota no meio disto tudo.

    Cumps

    [Responder]

  27. 27 27  Isabel

    Penso que toda a gente já percebeu que o caminho é promover e dar condições às PMEs.

    Uf! Até que enfim.

    Na modéstia deste blogue, (que se diga de passagem, muito bom), isto não deixa de ser um momento histórico.

    [Responder]

    Dazulpintado Reply:

    Isabel, estes dias li algures, que o custo de uma obra pública qualquer derrapou mais de 300%. Talvez pudéssemos ir buscar o gestor público responsável por essa obra, que deve ter dois ou três doutoramentos, e pô-lo a gerir dez ou vinte PME`s. Se ele conseguir aumentar os seus volumes de negócios na mesma proporção das derrapagens de que já provou ser capaz, depressa sairemos da crise.

  28. 28 28  Escorpião Vermelho

    O que você não percebe – nem nunca perceberá – é que o capitalismo não vai lá com remendos. Sem a apropriação dos meios de produção, bem pode pregar a piedade que os capitalitas não se demovem. É essa a questão essencial. Política social, questões fracturantes, mais justiça social são vacuidades sociais-democratas que servem para aguentar um pouco acima da linha de ruptura o proletariado. Mas esta malta bloquista prefere ler Giddens a Marx, prefere Olof Palme a Lénine.

    [Responder]

  29. 29 29  Escorpião Vermelho

    Mas confesso que há coerência editorial num blogue que se dedica mais a criticar o comunismo histórico do que o nazismo e que propagandeia livros de traidores e promove o escapismo do futebol – um dos novos ópios do povo. Quem vive da imprensa burguesa, tem destes constrangimentos…

    [Responder]

  30. 30 30  Escorpião Vermelho

    E viva a obamamania! – o novo ícone pop dos bloquistas.

    [Responder]

  31. 31 31  Escorpião Vermelho

    Tenha a coragem de não me censurar de novo, Daniel. As próximas teses do congresso terão uma análise psicanalítica sua e dos seus quejandos.

    [Responder]

  32. 32 32  Daniel Oliveira

    Escorpião: eu sei que o senhor é de fraco entendimento, mas escreveu um comentário às 4.38 da manhã, outro às 4.41, outro às 4.42 e às 4.43 já se estava a queixar de censura. Que fique claro: se não insultar as pessoas, como é seu hábito, os seus posts, por mais vazíos de conteúdo que sejam, serão publicados, sem que não deixem quase sempre de fazer mal ao partido que o senhor diz apoiar.

    Não gosto de Giddens, que acho pouco mais do que desinteressante, e prefiro ler Marx. Repito: ler Marx, não os textos seleccionadas pela ortodoxia. Sim, prefiro Olof Palm a Lenin, apesar de não estar bem a ver em que plano estão eles a ser comparados. Quanto à “malta bloquista” não sei. As pessoas, nos partidos, não são todas iguais. Por exemplo, os simpatizantes do PCP não são, felizmente, todos como o Escorpião Vermelho.

    [Responder]

  33. 33 33  Escorpião Vermelho

    No meu partido, não há simpatizância, há militância. E fico sempre feliz quando um revisionista, um tipo-que-só-quer-é-brilhar ou um burguês, vai para outro lado.

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  34. 34 34  Escorpião Vermelho

    Ora me acusa de ser seguidista e acrítico ora me acusa de ser uma ave rara dentro do PCP. Decida-se. Ao menos não fui excluídos das listas do meu partido. Ao menos estou onde estava. Ao meu menos não me vendo à imprensa e televisão burguesas. Ao menos, no Comité Central não há danieloliveirismo, nem pessoas que põem o seu ego acima do serviço à causa proletária (palavra que o Daniel nunca emprega nos seus textos).

    [Responder]

  35. 35 35  Escorpião Vermelho

    Onde estão os mrpp´s do pós de 25 de Abril? Onde estarão os bloquistas daqui a 10 anos?

    [Responder]

  36. 36 36  Escorpião Vermelho

    Mais uma pergunta: o que defendem hoje os que que abandonaram o PCP? Criticam o comunismo acefalamente, traficam livros pejados de mentiras, dão a cara a tudo o que é fashion e pop.

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  37. 37 37  Daniel Oliveira

    Escorpião, só ressentimento e nenhuma ideia. Bolas!

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  38. 38 38  Daniel Oliveira

    Não se vende à imprensa burguesa? Mas quem é que o queria comprar?

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  39. 39 39  Escorpião Vermelho

    É típico da burguesia chamar ao proletário uma cambada de invejosos. O que é você sabe do povo, dos problemas do dia-a-dia dos trabalhadores? Quem é o que compra? O mercado é que manda, não é Daniel. Viva o mercado, não é? Daniel, o meritocrata, o mercado-endeusador.

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  40. 40 40  Daniel Oliveira

    Escorpião, eu nem sei do que está realmente a falar. E suspeito que o senhor também não. São apenas palavras umas depois das outras.

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