A propaganda adora efemérides. Quanto mais inócuas melhor, que a celebração do vazio tem a vantagem de ser dificilmente escrutinável. Imbuído desse espírito, há dois dias que os ministros e secretários de Estado se desdobram em comemorações desse feito inolvidável que são os 100 dias de governação. Hoje cabe a vez a Sócrates. O dia é atarefado, almoçando com 12 mulheres e a tarde, que os adolescentes não são para madrugadas, passa-a no Pavilhão Atlântico com 100 jovens. Diz o Governo que é um “diálogo” com a “sociedade civil”, um eufemismo para uma plateia escolhida a dedo que aceitou fazer de cenário para o Governo montar um número para as televisões e objectivas fotográficas.
Se a cerimónia já tem os condimentos certos para ser uma patética encenação de coisa nenhuma, a TSF entendeu por bem garantir que a humanização do carácter do primeiro-ministro não ficava ausente da peça. Vai daí foi ouvir o que algumas mulheres pensam de José Sócrates. Algumas é como quem diz. Foi escutar ex-ministras do anterior Governo. Assim, ficámos a saber que Sócrates “é bastante elegante, bastante disponível e um pouco cerimonioso entre as mulheres”, diz Pires de Lima. “Um profissional e cavalheiro”, acrescenta Lourdes Rodrigues, que não esquece que estamos perante um homem de “muitas atenções e [que] procura normalmente ser delicado”.
Uma pessoa ouve este pequeno arremedo de hagiografia, onde até nos é garantido que o primeiro-ministro fica muito incomodado quando sente que foi ríspido para alguém no seio de uma discussão política (!), e fica mais sossegada. Mais uma peça sobre as notáveis qualidades do primeiro, quem sabe sobre a forma estremosa como trata os animais, separa o lixo ou recicla os jornais, e já encaramos os próximos números sobre o desemprego e a economia com um sorriso nos lábios. Afinal, a coisa compõe-se.
11 comentários 2 Fev 10 em Sem categoria



Também já sabemos que o défice português cresceu não por descontrolo mas porque o governo assim quis, sabemos agora que «aumentou para responder à crise» «para ajudar a economia, as famílias e as empresas»
O BPN, as obras megalómanas, as derrapagens orçamentais…afinal é tudo para ajudar as famílias.
[Responder]
A coisa está sempre composta, há os que comemoram, os que se aproveitam das comemorações e os que pagam (única razão para terem nascido), por isso, como as despesas são muitas, convém incentivar com 200 € o nascimento de mais “pagadores”.
[Responder]
Não tenho a mínima duvida que muita gaja e alguns gajos votam em Sócrates por causa do look.
Aliás, aquela eleição espanhola do homem mais bem vestido, valeu-lhe mais votos do que qq comício ou debate.
Diziam as gajas, pseudo-jugulares :
“- Votar no bonzão do pinto de sousa, ou votar na velha da manela ?”
[Responder]
dor de cotovelo por não terem convidado a aninhas e vejam lá nem o sacristão mas voces já estão todos na mesa do orçamento ainda querem mais?
[Responder]
São 100 dias de coisa nenhuma, regados à pala de quem paga os impostos. E estamos em crise, faria se não estivessemos.
(já agora, ninguém fala sobre o aumento de 3,2% em despesas de deslocação e representação dos ministros e sus muchachos? É o que eu digo; crise? só para quem paga!)
[Responder]
e as obras do museu dos coches? Ouvia ontem a notícia do lançamento da primeira pedra, mas a construção “só começa lá para maio”!
[Responder]
ó pedro e uma palavrinha sobre a madeira, não há?
tão prolixa que a maltosa do BE é em relação a todas as injustiças, desperdícios, dinheiros malbaratados, os melos, os amorins, os bpn, os bpp, os ricos, outra vez os ricos, enfim, tão justiceiros copm a vida e o estado e, agora, nem uma palavra sobre a madeira. a madeira que gasta à tripa forra, que exala corrupção por todos os lados, que suga o suor e os impostos dos agricultores de bragança e dos pescadores da afurada e cujos cidadãos não contribuem um centímo para a vida da comunidade e do país a que pertencem. Fala lá do amorim, dos melos e dos ricos, sem corar de vergonha
[Responder]
Pedro Sales Reply:
Fevereiro 2nd, 2010 at 17:40
Nem de propósito, Real, vai sair uma posta sobre a Madeira para a mesa do canto. Mais uns minutinhos e já está.
Os 100 dias… isso lembra-me a curta restauração do Império por Napoleão em 1815. Espero que que Sócrates tenha o seu Waterloo. E vá para Santa Helena, ou o raio que o parta, e já não volte.
[Responder]
o sócrates segue o velho lema romano de pão e circo, mas desta vez o circo é usado para esconder a falta de pão.
estou cada vez mais farto do fulano, f#%&-se. é que se isto é um circo, eu sei quem sou… o palhaço.
[Responder]
cafc Reply:
Fevereiro 2nd, 2010 at 22:41
Meu caro chapeleiro louco
Em termos de “circo”, o nosso Povo só encontra, desde que há eleições livres em Portugal, duas opções: o “Chen”, ou o “Vítor Hugo Cardinalli”. Qual deles é o PS, ou o PSD? Quero lá saber!
Cada um monta as suas tendas, com artistas diferentes, com atraccções distintas mas, o espectáculo essencial é o mesmo. Circo.
Um dia, “quando toda a gente assim quiser”, deixará de haver “remendos e côdeas”. (Entre aspas, citações de José Mário Branco. O seu a seu dono).
Nesse dia, deixem-me sonhar (Gedeão, nós sabemos que “o sonho comanda a vida”, é da tua autoria), a diferença entre “palhaços ricos e pobres” será mínima. Não haverá mais lugar para os “malabaristas”, “ilusionistas”, “contorcionistas” e outros “istas”. Nem para os “domadores” que causaram tantas dores.
Como estou a sonhar sentado, agora vou para o sítio “política e socialmente correcto” para o fazer.
Meu caro, um abraço.