Um bom resumo da posição do “não” neste referendo foi dada ontem pelo arrepiante texto de Rita Ferro: a mulher que aborta ou é fútil ou é adultera. Tudo dito.

Quanto ao resto do debate, nada a acrescentar. Uns falaram da pergunta e das suas consequências. Outros falaram dos seus sentimentos, muito nobres, com toda a certeza, mas não referendáveis em qualquer estado democrático. Se o aborto fosse referendável, teríamos de fazer 18 mil referendos por ano. Eu voto em leis do Estado, não voto nas escolhas privadas dos outros.

Também publicado no Sim no Referendo.


Sem respostas ao post “Essas vadias”  

  1. 1 1  Sinfonia do disparate consonante

    Daniel,
    o debate não se resumiu só ao que lhe interessa a si. Curiosamente, o seu resumo não inclui nada do que não lhe interessa ou prefere ocultar.
    O “sim” afirmou que há cerca de 13 a 18 mulheres que morrem por ano por causa do aborto clandestino, mas você passa a vida a dizer que se matam 18 mil fetos em igual período de tempo. Mesmo que não queira incluir isto no seu resumo, é um problema, foi, pode e deve ser discutido.
    Também gostei muito do momento em que aquele adolescente defendeu o argumento já por mim aqui defendido pelo menos duas vezes: prefiro estar vivo a estar morto!

    Como bem referiu o rapaz para ele a lei foi a diferença decisiva entre estar vivo e estar morto. É capaz de ser um argumento que não lhe interesse, mas é forte!

    A grande maioria dos seres humanos que eu conheço, durante a grande maior parte do tempo das suas vidas prefere estar saudável, sem dor e vivo. Julgo que não há mal na existência de uma lei que proteja esta vontade tão forte e tão natural na esmagadora maioria dos seres humanos. Depois disto, não percebo por que motivo passam a vida a chamar-me a mim e aos que pensam como eu que somos bárbaros, hipócritas e incivilizados. Já agora se é justo chamarem-me estas coisas todas, também posso tratar de modo análogo os do “sim”?

    É curioso que tanto você como o Vital Moreira passam o tempo a dizer o que é que está em causa. Curiosamente para vocês só está em causa o que beneficia o sim e faz do não uma barbaridade. Mas convém aqui dizer a ambos que para lá do que vocês julgam estar em causa, há pessoas que julgam que outras coisas estão em causa. E quer queira, quer não queira, está em causa neste referendo também o dever de proteger o feto, não só a questão penal, mas também a questão moral.

    A respeito das funções da lei Vital Moreira mostrou ser um mau professor de direito. Por que ainda que ele defenda a título individual que a lei deve ter uma determinada função, se fosse um bom professor e um professor competente seria obrigado a reconhecer em directo que nessa matéria a doutrina se divide! Se estivesse realmente interessado em mostrar a sua competência para lá de sofista de meia tigela poderia dizer que o direito penal também pode ter um efeito regulador e não apenas uma função penal. Há aqui um problema jurídico, mas como mau professor o Vital Moreira não o conseguiu apresentar, não conseguiu enumerar outras funções possíveis para o Código Penal. Ficou-se pela sua parcela dogmática e doutrinal.

    A semântica da “civilidade” foi o cúmulo do pedantismo nacional. O homem mostrou mesmo uma rotunda tacanhez. O facto de na perspectiva do Vital Moreira a Arábia Saudita ser um país não civilizado deu lugar a um argumento inteligentíssimo: a Arábia Saudita não é civilizada; na Arábia Saudita o aborto é proibído, logo a proibição do aborto é uma barbárie! Se este argumento é legítimo, então este também é: os juristas são sofistas, o Vital Moreira é jurista, logo o Vital Moreira é sofista!

    [Responder]

  2. 2 2  Lopes

    Daniel, meu caro, Daniel, para além disso, ficar-lhe-ia tão bem prendar-nos com uma “análise” às prestações da namoradinha de Portugal (não estou a falar da f, desta vez) e da Lídia Jorge…

    [Responder]

  3. 3 3  Margarida

    Por acaso o Vital falou da Arábia Saudita e do Irão e deve ter-se esquecido do Vaticano. São o novo sol da civilização?

    Ou este texto é tão somente mais um exemplo da cacafonia dos “nãos” para que a malta não se lembre do que o que vai a votos é a despenalização do aborto nas primeiras 10 semanas, por opção da mulher, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

    [Responder]

  4. 4 4  Sinfonia do disparate consonante

    Margarida,
    você sofre do mesmo mal que o Vital Moreira. A realidade para vocês está divida em compartimentos estanques. Não há relações lógicas, nem princípio de causalidade. Para vocês a “despenalização do aborto nas primeiras 10 semanas, por opção da mulher, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado” não é a causa de um “feto morto”. Não tem nada que ver com a eliminação de um feto. A existência de um aborto legal para vocês não é o mesmo que um feto morto. É como se apesar de o aborto ser feito, só porque é legal, nenhum feto morresse. Para vocês, 17 mil abortos clandestinos por ano são apenas a possibilidade de 17 mil mulheres morrer num vão de escada, mas nunca são 17 mil fetos mortos num vão de escados e descarregados nos esgotos.

    Porém, para as pessoas para quem há princípios lógicos de identidade e causalidade, um aborto é um aborto; a IVG é a causa de um feto morto. Isto não é sabedoria, é lógica Margarida/Mortal Moreira!

    Julgo que nem o Marx se revoltou contra o princípio de causalidade…

    [Responder]

  5. 5 5  Margarida

    Mas afinal o Vital falou mesmo da Arábia Saudita e do Irão e eu lembrei-lhe o Vaticano.

    E para mim a despenalização do aborto nas primeiras 10 semanas, por opção da mulher, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado (que acredito havemos de conseguir!) vai acabar com o aborto clandestino e a consequente criminalização das mulheres que abortarem e salvaguardar a sua saúde e a sua dignidade.

    [Responder]

  6. 6 6  Carpinteiro

    Foi um dos momentos altos, semm dúvida, estou completamente de acordo consigo.

    [Responder]

  7. 7 7  Sinfonia do disparate consonante

    Margarida,
    de cada vez que defende um aborto livre, defende também um feto morto.

    Você gostava de ter morrido nas primeiras dez semanas de vida?

    [Responder]

  8. 8 8  Sinfonia do disparate consonante

    Margarida,
    eu poderia ter passado as minhas primeiras dez semanas de vida na sede do PCP, em casa do Vital Moreira ou do Daniel Oliveira, mas dadas as circunstâncias preferia passar essas dez semanas no Vaticano!

    [Responder]

  9. 9 9  Sinfonia do disparate consonante

    Vocês são todos muito boas pessoas, muito tolerantes, desde que um gajo tenha mais de dez semanas!

    [Responder]

  10. 10 10  Daniel Oliveira

    Ó SIfonia, se o senhor tem menos de dez semanas garanto que serei muito tolerante consigo

    [Responder]

  11. 11 11  Sinfonia do disparate consonante

    Daniel,
    tenho mais de dez semanas, mas uma vez que me consigo defender bem da sua intolerância, poupo-lhe esse esforço e apelo à sua consciência a que seja mais tolerante com os dezassete ou dezoito mil portugueses que morrem por anualmente!

    [Responder]

Leave a Reply