Estou a ouvir Mário Crespo fazer generalizações inacreditáveis sobre a comunidade cigana (usando termos como “esta gente” para falar dos ciganos que viviam na Quinta da Fonte) perante um ministro que vai dizendo que sim a cada afirmação. Os ministros interiorizaram que são técnicos que apenas têm obrigação de debitar estatísticas, decretos-lei e portarias, estando dispensados de ser políticos. E que devem ser subserviente para com os jornalistas e não os podem contrariar.
Por Daniel Oliveira 23 Jul 08 em Sem categoria


São tão cretinos os minsitros como os senhores jornalistas!
Aquilo é uma promiscuidade aberrante
Caro Daniel,
Você retira do contexto “esta gente”…!
O que Mário Crespo disse é que “esta gente” que vive em casas com rendas inferiores a cinco euros e que, ainda assim, não as paga, apesar de receber o rendimento mínimo garantido, valor, posso-lhe garantir, que chega a atingir mais de mil euros por mês em certos agregados familiares, o que é inadmissível.
E que “esta” gente” só conhece direitos e não deveres perante a comunidade em geral.
Ora, acontece uma coincidência óbvia…
É que “esta gente”, no caso concreto, são “comunidade cigana”.
Concluindo, acho que, aqui, meu caro, o preconceituoso é você, em relação ao seu colega jornalista.
a Politica morreu e agora o que nos é dado ver é este simulacro teatral - azar dos leitores, ouvintes e telespectadores.
para quem se (con)forma a conviver com isto, já estou como diria o chinês: “um homem sábio toma as suas próprias decisões, um ignorante segue a opinião pública”
Tambem ouvi e pasmei.
E nao ouvi so isso ouvi muitas outras coisas que me deixaram estarrecida.Mais tarde e a proposito do mesmo assunto ouvi ainda pior e vindo de responsaveis locais , falando na Tv em frente a jornalistas e para todos nos.Nao sei o que se esta a passar neste pais , mas de repente o assunto “comunidade cigana” esta a ficar feio e sem que ninguem explique porque.E para alem de nao gostar do que vejo e ouço desde ha dias , acho que e assunto que esta a ser muito mal conduzido e que se nao for por outro caminho vai dar pessimos resultados.
“fazer generalizações inacreditáveis” aplica-se a muita gente, mas dado que nao vi o prgrama o que disse ao certo o Mário Crespo?
Embora seja bastante xenofobo da minha parte, vou ter que concordar com o J, isto por estarmos a tratar de um grupo etnico com uma estrutura de valores muito diferente dos valores “ocidentais” ou europeus. A incompatibilidade destes valores foi evidente na batalha campal da semana passada, ou entao basta proucurar em qualquer feira ou uma ida ao bairro alto para percebermos o quão diferente é esta dinâmica. Se me conseguirem convencer que os produtos vendidos por “esta gente” paga iva, e que as operações deles estão sujeitas ao irc, ai mudarei de opinião.
Eu considero que tenho um posto de observação priviligiado para “estudar” o comportamento deste grupo. trabalho numa loja de instrumentos musicais num centro comercial, e diariamente atendo individos de etnia cigana. eles fazem a sua festa dentro da loja, completamente alheios aos disturbios que causam, ou possivelmente os danos que causam na mercadoria. se eu dissesse que 2% ja me comprou um jogo de cordas de nylon de alta tensão (exigindo me apenas que sejam…cordas para flameco) eu estaria provavelmente a exagerar. A situação torna-se interessante quando tentamos voltar a instaurar a ordem. Normalmente segue-se uma torrente de agressões verbais, mais o protesto - é so porque somos ciganos! etc etc etc… (tb n foi só uma vez que um “chefe” cigano me mostrou um maço de notas de 50 euros dizendo - eu tenho dinheiro, logo mereço fazer o que quero)
Este comportamento é paralelo ao que se passa no bairro da fonte. Não só vivem em condições ultra especiais, como acham que têm o direito de estar alojados como e onde querem. eu só não percebo como é que eu, como um jovem profissional, partilho a renda da minha casa com um amigo e pago impostos que estão a ser utilizados para dar conforto “ocidental” a um grupo que obviamente não quer aceitar as consequências nem as obrigações sociais que este tratamento traz!
Só para pedir licença para subscrever interira e integralmente o argumento do J.Completamente de acordo.
mas ó Daniel, quando é que quer perceber que ser de esquerda não tem nada a ver com andar de “cócoras”. Onde coloco eu em causa os valores do humanismo, do estado social, do estado providência, se me referir a esta comunidade de “espertos” com gente?!
Sim, eu que devolvi, ou vou ter que devolver mais 450 euros de IRS que devolvi o ano passado. Que vejo o poder de compra das fam´lias a depauperar de ano para ano.Para pagar isto? A esquerda humanista preza a inteligência e o escrutínio: dar a quem precisa na medida das suas necessidades. Não para fazer concessões inadmissíveis a quem se furta a pagar uma renda de 4 euros e tem caçadeiras de centenas de euros.
É claro que subserviência por subserviência ( que é alíás qualquer coisa de particularmente ofensivo, creio que não saberá em rigor o seu significado abjecto) antes sê-lo perante um colega seu (creio) do que perante um conjunto de cidadãos irresponsáveis ( e quero lá saber se são ciganos, romenos, lisboetas ou benfiquistas) que não pagam, repito rendas de 4 (quatro euros) quando eu até há bem pouco tempo pa«agava uma de 350 por um QUARTO.
Quem se comporta assim nun estado de direito de well fair, é gente, mais é gentalha. Agora de raças, etnias, clubes e seitas, eu, não percebo nada. É-me indiferente!
Essa malapata que o Daniel tem parece que já vem do tempo da entrevista do Mário Crespo com o imbecil dos verde Eufémia. Pode não gostar do Mário Crespo, mas relacionar a frase «essa gente» dita por Mário Crespo com o facto de eles serem de etnia cigana e insinuar algum racismo ou preconceito por parte do Mário Crespo é de gosto bastante duvidoso.
Esse papel que às vezes o Daniel assume, ao fazer de fiscal da ASAE na defesa do politicamente correcto, é um pouco pateta, como, por exemplo, neste post.
Li agora os seus textos do EXPRESSO. Ditadura do politicamente incorrecto? Eu vejo é o contrário. Vejo uma ditadura do politicamente correcto, em que se faz cerimónia em chamar os bois pelos nomes. Não se pode dizer «essa gente» sem que alguém se levante a insinuar racismos a colegas de profissão insuspeitos.
“-Ora, acontece uma coincidência óbvia…
É que “esta gente”, no caso concreto, são “comunidade cigana””
Lamento , mas acho muitissimo estranho que TODAS as pessoas da comunidade cigana desse bairro–e apenas essas –sejam as que recebem rendimento minimo e nao pagam os alugueres das suas casas.Para alem de ser dificil de acreditar ate nem faz la muito sentido.Se as rendas sao de tal valor tao baixo so um louco abandonaria a sua casa e deixaria de pagar a renda colocando-se a si e a sua familia em situaçoes de privaçao e risco.
Agora uma comunidade inteira a cometer esse acto parece-me bastante incredivel.Existe aqui algo que nao esta explicado e algo que e no minimo obscuro.
De resto, perante tal tipo de acusaçoes seria imperioso que elas fossem provadas exactamente nos locais onde sao discutidas ( todos os meios de comunicaçao com especial relevancia para os canais de televisao ) e pelas personalidades que as invocam como desculpa para os ultimos acontecimentos.
Nao basta lançar duvidas ao ar ha que provar aquilo se se diz.Se a comunidade cigana nao paga as rendas ha que apresentar as provas.
Sera concerteza muito facil.
Desculpe lá Daniel, mas desta vez não consigo concordar consigo!
O Mário Crespo, dentro daquele contexto, disse algumas cruas verdades…
Aquelas pessoas não se podem queixar muito! Quem dera a muitos Portugueses terem uma casa por 5 Euros/mês. Porque se eu pagasse esse valor por uma casa teria de facto uma vida bem melhor…
Pois é, DO, levas porrada em todo o lado pelas tuas posições anti-racista e anti-xenófobas.
Agora levas também porrada porque não gostas, como eu, que se refiram ao ser humano, qualquer ser humano, de forma depreciativa, por muitas razões que possam ser aduzidas.
Parece que voltamos aos velhos tempos…
“O que Mário Crespo disse é que “esta gente” que vive em casas com rendas inferiores a cinco euros e que, ainda assim, não as paga, apesar de receber o rendimento mínimo garantido, valor, posso-lhe garantir, que chega a atingir mais de mil euros por mês em certos agregados familiares, o que é inadmissível.
E que “esta” gente” só conhece direitos e não deveres perante a comunidade em geral.”
Com a desonestidade intelectual típica da esquerda o Daniel sai-se com um clichê e é posto na ordem pelo J.
É por isso que a esquerda não sobrevive bem na blogosfera. É que aqui existe contraditório não filtrado pelos donos dos media.
Pode-se comer o caviar que se quiser que aparecem os J a acender a luz e a estragar o jogo de sombras.
Sim o Daniel é um pouco dado a axiomas.
“Esta gente” tinha um contexto, “esta” gente que abriu fogo e reclama por casa. Sim; “esta” gente.
O próprio antagonismo. Mia contra o “esta” gente, mas logo a seguir fala em “ciganos”. Não entendo, ou os indica como “esta” gente diferente, ou não os chama de ciganos e diz que são gente… ou “humanos” ou “socialistas” ou outro qualquer epíteto colectivo….
Ganhe juízo Daniel, se fala por falar, é melhor que se abstenha.
Daniel, tem de compreender que o Mário Crespo está a dar voz ao que a maior parte dos Manéis e Marias deste país sente.
O Manel e a Maria não querem acabar com a segurança social. Mas o Manel e a Maria sentem uma revolta perfeitamente justificada quando andam cada vez mais tesos por causa das taxas de juro e afins e depois ouvem na tv um palhaço qualquer a chorar-se porque lhe roubaram o plasma de uma casa pela qual paga 4,50€.
Já nem falo da constante acusação selectiva de racismo que apenas depende de quem tem a atitude racista. Mas vai lá explicar ao Manel e à Maria porque é que têm de comer massa com atum a partir de dia 15 enquanto há por aí gente tão pobre que até tem plasmas para roubar.
O que quis fazer entender, é que o Rui Ramos na sua última crónica do PÚBLICO tem uma absoluta razão.
Ora os querem integrar porque é “racista” alhear, ora querem apartar, porque se tem de preservar a “cultura”. Entre os ziguezagues, o arremesso ideológico serve na perfeição para este Estado Social que se justifica nestes “pobres” institucionais. Qualquer pretexto existe para os defender e tratar como crianças grandes. Vivem do bem bom e melhor, sopinha quente, cilindrada à porta e “sociólogos” que existem para eles, tal como comentadores do “estado” e para o Estado, porque são uns coitados que precisam de “explicação”.
A culpa Daniel, é do Estado Social que os criou e se aparta quando eles lhes mordem a mão. O Daniel e os “state man” administrativos desta dita República, são os que mais beneficiam deste Estado feito à papo seco.
Deixem-se de conversetas de integrações, aculturações, explicações. O erário PÚBLICO é delapidado para estes senhores terem um nível de vida que depois não o justificam contribuíndo para um todo que UMA parte anda a contribuir.
Estado de Direito????
Anda bem torto ó Daniel, se não se queixa é porque está do lado de quem vota no partido do poder…. admita vá…
Não conheço as declarações de Mário Crespo, no entanto este episódio é mais um bom momento para os «generalistas» do costume tecerem, passe a redundância, os comentários do costume. Ou seja, um «cigano» comete um crime e a generalização chega logo depois, transformando um caso particular num comportamento colectivo com a chancela da «etnia».
Basta ler as páginas de polícia dos jornais para se perceber que sempre que um «estrangeiro» comete um crime, o jornalista nunca se esquece de mencionar o país de origem ou a «etnia».
Pelo menos por uma vez os jornalistas podiam inovar, e em vez do país de residência ou a «etnia», podiam generalizar a partir da cor dos olhos ou dos gostos musicais…
Como já sugeri, devemos evacuar o Restelo dos seus actuais habitantes e mudar para lá as comunidades da Quinta da Fonte.
Um representante da comunidade cigana dizia, e com razão que os bairros sociais eram edificado nas preferias. Que isso era uma forma de discriminação e que a referida comunidade queria ser alojada no centro das cidades. Eu compreendo perfeitamente o problema, pois vivo na preferia e gostava de viver no centro da cidade. Porém como não pertenço a nenhuma “comunidade” teria de pagar para ter o gosto de viver no centro. E não tenho dinheiro para tal.
Porém, se pertencesse a uma “comunidade” já tinha reivindicado a meu realojamento para o centro da cidade (de preferência o Restelo). E porquê esta fixação no Restelo?…
Porque é uma zona bastante arborizada, com locais apropriados para emboscadas, franco atiradores, abrigos vegetais para camuflagem.
As “comunidades” poderiam praticar desportos marciais com mais eficiência e proveito e não teriam razão para dizer que estão a ser marginalizados, porque nós os contribuintes (que não pertencemos a qualquer “comunidade) estamos a ser pouco generosos, e a esquecer os relevantes serviços que nos prestam.
Lá vem a palavrinha fora do contexto. Querem defender o que não é defensável. Mário Crespo fez uma excelente entrevista. Perguntou o que a maioria dos portugueses perguntaria. Quando ele diz “esta gente” fala daquela gente que esteve envolvida nos desacatos. E não vejo qual é o problema de usar essa expressão. Será um termo ofensivo dizer “esta gente”?
Você, Daniel, é muito engraçado, sempre prontoo a criticar os outros,mas você não se importa nada de ser subserviente com o canal do capitalista Balsemão! Quando é que você é coerente e abandona aquela porcaria do Eixo do Mal?
Texto de Mário Crespo no JN de 21.07
O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. ‘Perdi tudo!’ ‘O que é que perdeu?’ perguntou-lhe um repórter.
‘Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem…’ Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga ‘quatro ou cinco euros de renda mensal’ pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que ‘até a TV e a playstation das crianças’ lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam ‘quatro ou cinco Euros de renda’ à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a ‘quatro ou cinco euros mensais’ lhes sejam dados em zonas ‘onde não haja pretos’. Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - ‘ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.’ A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e autodenominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.
Caro Daniel,
Trabalho a Recibos Verdes (perdão, azuis) e, nos últimos dois anos o meu rendimento diminuiu cerca de 50%. Nos últimos meses, aquilo que ganho não chega para a prestação da minha casa (que não é propriamente uma casa de luxo…).
Informações por mim obtidas junto da Segurança Social indicam que não tenho direito a subsídio de desemprego, rendimento de inserção (de acordo com uma funcionária da Seg. Social “não tenho aspecto de toxicodependente”), não tenho direito a férias pagas, não tenho direito a baixas por doença, etc, etc, etc,…
Choca-me profundamente que haja pessoas que usufruem de uma série de regalias (habitação social, rendimento de inserção, …), que se deem ao luxo de nem sequer pagar uma renda de 4 ou 5 euros e que tenham o dislate de exigir uma casa nova num local novo.
Ouviram-se na televisão, por parte dos visados expressões como “roubaram a PlayStation dos meus meninos” ou “levaram o meu Plasma novo”.
Estas afirmações só podem chocar e revoltar os portugueses que, como eu, não têm filhos porqe não teriam dinheiro para os sustentar (é triste, mas verdade…), não têm um Plasma na sua sala (e rezam a todos os santinhos para que a sua velha TV não avarie) porque nunca conseguiram juntar dinheiro para o adquirir, não recebem nenhuma espécie de apoio do Estado (por “não terem direito).
Estes portugueses, sem quaisquer direitos, têm no entanto um conjunto de obrigações que os esmaga.
Sendo eu um deles, não consigo aceitar a moda do “políticamente correcto” que impede de dizer “esta gente” apenas porque se tratam de pessoas da “comunidade cigana”. Existiria esta indignação pela expressão utilizada pelo jornalista Mário Crespo se estivessemos a falar por exemplo de um conjunto de empresários que foge ao fisco?
Quem serão aqui os verdadeiros “oprimidos”?
Chocante. Deviam pedir uma indeminização ao Mário Crespo por danos morais.
Meu Caro Daniel,
Claro que me referi a “esta gente” que dispara nas ruas contra “outra gente” como um outro leitor teu detectou. O que não me vais ouvir nunca é a tipificar por grupos raciais os meus compatriotas seja em que situação for. Confio (e recomendo-te) que faças o mesmo. Assim, creio que, me sinto novamente sem pesos na consciência na confortável posição da vítima das tuas politicamente correctíssimas farpas que infelizmente, me parece, falharam (outra vez) no alvo. Um abraço cordial MCrespo
REQUIEM DA CULTURA PORTUGUESA…
Desculpem não contribuir directamente para a discussão da notícia, mas gostava de divulgar uma informação que considero demasiado grave para ficar esquecida ou ignorada e achei que esta poderia ser uma boa forma de o fazer. Para além disso, e pela consideração que tenho pelo seu trabalho, Daniel, gostaria que pudesse ajudar a luta dos (não)músicos pelo direito à educação em condições de igualdade e razoabilidade.
“COMUNICADO À IMPRENSA
INDIGNAÇÃO E PERPLEXIDADE
NOS CONSERVATÓRIOS DE MÚSICA
A dois meses do início do próximo ano lectivo os Conservatórios de Música vêem-se
confrontados com o despacho nº 18041/2008, publicado a 4 de Julho com normativos
que regulamentam o ensino especializado da música.
Após um ano conturbado, que implicou inúmeras reuniões e a elaboração de
projectos que todos os Conservatórios apresentaram ao organismo ANQ (Agência
Nacional para a Qualificação) que tutela o Ensino Artístico, o Ministério ignorou as
propostas dos profissionais do sector e retrocedeu em todo este processo de negociação,
tendo hipotecado uma reforma que se pretendia estar ao serviço do maior número de
alunos que quisessem estudar música no País.
O trabalho de reformular o Ensino Artístico resume-se na perspectiva do Ministério
a um despacho breve, sem quaisquer linhas de fundo em termos programáticos e de
conteúdo. No entanto, pelo seu carácter redutor e limitativo terá consequências
gravíssimas, tais como:
Exclusão de cursos:
O acesso aos Conservatórios no regime supletivo passa a estar vedado a alunos com
idades superiores a 18 anos, tanto para novos alunos como para os que transitem de ciclo.
O que fazer por exemplo com os alunos de canto, que por razões de maturidade anatómica,
devem iniciar o estudo só a partir desta idade.
Sobrecarregamento absurdo de horários:
Os alunos terão que frequentar obrigatoriamente todas as disciplinas do plano de
estudo em simultâneo com o ensino regular. Sendo assim, um aluno do regime supletivo
que se encontra no 10º ano do ensino regular e no 6º grau do Conservatório passará a ter
cerca de 28 horas semanais de permanência na primeira escola e 13 a 15 horas na segunda,
o que na totalidade soma 44 horas semanais efectivas, ou seja, mais de 8 horas diárias. Já
não falando do necessário estudo em casa para cada um dos cursos.
Imposições rígidas impraticáveis:
O grau correspondente ao curso de Música terá de ser equivalente ao grau
frequentado no Ensino Regular. Quer isto dizer, que um aluno que deseje aprender um
instrumento como a trompa de (5Kg) tem que iniciar os seus estudos no 1º grau do
Conservatório aos 10 anos e estar no 5º ano do ensino regular, numa idade em que pesa em
média 30 kg?
Em Fevereiro saímos à rua em defesa da qualidade e continuidade do ensino
especializado da Música. Chamaram-nos mentirosos, acusaram-nos de agir de má fé e com
receios infundados. Hoje constatamos, com este despacho, que se materializaram as nossas
preocupações. Afinal onde está a Mentira?
Comissão mandatada pela Reunião Geral da Escola de Música do
Conservatório Nacional, em 9 de Julho de 2008″
De facto o Mário Crespo esteve mal, muito mal mesmo! Quem tem a responsabilidade de entrar em casa de muitos milhares de pessoas através da TV, deveria ter cuidado para não acirrar sentimentos primários de racismo e de xenofobia. Menosprezou sempre o problema de fundo e que origina este tipo de situações, ou seja, a concentração de pobres e de excluídos nos processos de realojamento, seja na Quinta da Fonte, ou nos bairros camarários do Porto, onde curiosamente não há ciganos, nem minorias étnicas e onde existem sérios problemas de segurança. É verdadeiramente arriscado passear nos bairros, onde só vivem portugas, como o Aleixo, Viso, etc.
Em Braga, foi posto em prática um plano de alojamento com um enormíssimo sucesso. A Câmara desistiu da construção de habitação social, optando por comprar apartamentos espalhados por toda a cidade, onde o processo de integração tem tido um enorme êxito.
Quanto a este tema, caro Daniel, acho que há que começar por responsabilizar a etnias cigana e ou africana pelo estado deplorável a que se deixaram votar não só neste caso especifico mas também noutros barris de pólvora semelhantes (lembro o caso do bairro das Galinheiras em Lisboa)quando até uma renda miserável ou uma simples conta de água ou de luz de valor irrisório declinam em pagar.
Lutar contra a Pobreza ou o Racismo não significa ter que fechar os olhos ás constantes atrocidades que diariamente o comum dos cidadãos (sejam eles brancos, pretos, ciganos, amarelos ou cor de rosa…) sofrem nas mãos precisamente, e em alguns casos de forma sistemática, destes que agora reclamam uma mudança de habitação por motivos de segurança quando eles próprios são um factor de insegurança.
Acredito piamente no direito a diferença e no respeito pelo próximo mas enquanto as próprias vitimas se fecham em si e se recusam a aculturação da sociedade onde estão inseridos demonstrando aversão ao sentido de cidadania, será bastante complicado desanuviar aos poucos a xenofobia que vai crescendo de forma gritante principalmente nos grandes centros urbanos.
Realmente, esta é de facto uma grande oportunidade para a etnia cigana ou da comunidade africana deste bairro demonstrar o tal sentido de cidadania e trazerem a lume os verdadeiros culpados e se demarcarem de uma vez por todas do estigma da criminalidade a que são muitas vezes associados e que na maior parte dos casos sem fundamento.
Existem pessoas boas e pessoas más e não raças boas e outras assim assim.
Acho também que o SOS racismo deveria também enveredar por este discurso porque defender criminosos só porque têm um tom de pele diferente, não será um bom caminho para fazer passar a mensagem de que devemos ser capazes de viver todos debaixo do mesmo tecto com os mesmos direitos e também com os mesmos DEVERES.
Aquele abraço
A.R.A
gente:
s. f.,
quantidade de pessoas;
povo;
população;
humanidade;
família;
pessoal de estabelecimento;
classe, categoria social;
força armada;
pessoa de valimento;
Não vejo qual é o problema. Se não fosse «esta gente» seria «estas pessoas», «esta população»… Não queria que o Mário Crespo os tratasse pelo nome próprio, ou queria?
Não sei se o Daniel costuma ler a coluna da direita no expresso. Presumo que sim, porque escreve na da esquerda.
A expressão que foi utilizada na última semana assenta-lhe que nem uma luva.
O Daniel é um racista cor-de-rosa.
A sociedade devia ter menos tolerância para “esta gente” que quer receber tudo do Estado mas não aceita deveres, vive da rendimento mínimo e podia trabalhar mas não quer, tem armas ilegais e dispara-as na via pública, trafica droga.
Não interessa se “esta gente” é branca, preta, amarela, roxa, ou verde às bolinhas azuis. Cidadãos são cidadãos. Têm de ser todos iguais. Nos direitos e nos deveres.
Por acaso, nesta situação “esta gente” é cigana. E o Daniel vem com os seus complexos de superioridade moral dizer que quem acusa “esta gente” a acusa por ser cigana, e não pelos actos concretos que fez. Mas essa interpretação é de alguém que é arrogante e acha que os outros são todo racistas.
Mas no fundo o racista é o Daniel. Um racista cor-de-rosa.
Mais um tiro á água. Mário Crespo é simplesmente um senhor, outros apesar da idade para terem juizo não passam de garotos e pensam que todo o cenário é um recreio para brincar.
Clara Martins,
o DO e a CFAlves são bem interessantes de ouvir.
Não há grandes problema em que o Eixo do Mal continue.
E nem é preciso comparar com outras coisas que correm por aí…
E “esta gente” das petrolíferas que enche os bolsos dos accionistas à conta dos preços especulativos dos combustíveis, e “esta gente” que inventa um código de trabalho que estava mal nos governos de direita e que fica bem com “consciência social”? Que dizer, também, “desta gente” do BCP (viram?!) e dos seus roubos - há melhor palavra?
Claro, é óbvio, “esta gente” é em sentido depreciativo.
Continuo: que dizer “desta gente”, dos jovens precários a quem por não terem rendimentos fixos nenhum banco empresta dinheiro?
Contextos… alguém falou por aí.
Sobre o Mário Crespo, começo por dizer que é dos jornalistas que sempre respeitei desde os tempos da RTP, apesar de muitas vezes não concordar com as suas “extrapolações” que por vezes manifesta. Convenhamos que o “esta gente” no contexto em que foi dito pode sofrer interpretações. A mim, passou-me ao lado. O que me chateia é serem sempre os mesmos a falarem de tudo. Mas isso é outra conversa…
E, óbvio, estava-se mesmo à espera, em matérias de ciganos apareceram logo uma série de “especialistas” doutorados em ciganice a falar dos leitores de DVD e dos plasmas. Se fosse de pretos, o Daniel teria uma “resma” de tamanho igual a falar das suas experiências. Pois claro. E o problema não está (vou utilizar a mesma palavra de há pouco) na “extrapolação” do Daniel sobre o “esta gente”, mas no seu e no geral complexo de Esquerda” - “esta gente” gosta mesmo de generalizar…
O problema está mesmo aí, na generalização. Porque é a generalização do defeito/característica negativa de um indivíduo de uma determinada cor/religião/género/posição política/profissão/orientação sexual/e mais o que vos der na gana a todos os seus semelhantes que dá origem a confusões. Pois é: os “portugueses são trabalhadores” - pelos vistos só os que estão emigrados, porque cá dentro precisam de um código para evitar os “abusos”; os ciganos só querem rendimento mínimo e chuva no nabal, os pretos assim-assim e mais Hondas Civic…
Já alguma vez alguém pensou por que as anedotas dos portugueses são sempre sobre marrecos, putas, paneleiros, pretos, ciganos… e sobre poderosos nada? Porra! basta verem as televisões para verem que “esta gente” é só para rir… Desgraçados, nunca perceberam os filmes do Charlot.
O outro lado da questão.
Já pensaram caros “especialistas” quantos licenciados ganham a vida à custa dos ciganos? As carradas de assistentes sociais que ficavam mais pobres se houvesse um princípio social que defendesse ensinar a pescar em vez de dar peixe? Já pensaram que se acabassem com os indigentes (reais ou de ocasião) a malta da caridade ficava desesperada porque queria fazer o bem e não sabia a quem?
Que se cada um merecesse o seu pão pelo trabalho, mesmo o mais humilde - e, já agora, que esse pão enchesse barriga? - a malta (este termo é datado e claramente de Esquerda) era capaz de pensar pela sua cabeça e não pela do Marcelo e do Vitorino?
Isso é que não. Pois é, têm pena dos administradores do Banco de Portugal, do BCP, da EDP, da GALP, das Águas de Portugal… “essa gente” de sucesso que está nos locia sonde está por mérito. Esse filho da mãe do Louçã é um invejoso!
Distraiam-se com os DVD dos ciganos e continuem a votar nos bairros sociais. Não perguntem porque é que há rendimentos que nos insultam - desculpem-me: isso já fazem, “esses filhos da mãe do rendimento mínimo!”.
Continuem assim, ó Sócrates e a sua “gente” trata de vocês!
(claramente depreciativo, outra vez)
Para quem não conhecer o Mário Crespo aqui está o link de duas grandes entrevistas em que mostra a excelência dos conteúdos, a excelência deste jornalista!
http://br.youtube.com/watch?v=DWDjRD3ygko
http://br.youtube.com/watch?v=iEeRW6O2XKE&feature=related
Geralmente o SOS Racismo actua apenas quando é um branco a agredir outra raça ou etnia.
O contrário nunca ouvi falar, nem deve tar nos estatutos deles.
O racismo funciona para os dois lados, entre as próprias raças e etnias sejam elas quais forem.
Mas em Portugal é diferente..
O Daniel usa de má fé!!
O grande problema destas situações é quando as questões de raça e as questões de delinquência se misturam. Um ladrão preto não é mais nem menos condenável do que um ladrão branco, mas a verdade é que tendemos (nós, os que nos achamos anti-racsiats) a desculpá-lo com mais facilidade. Nesta história da Quinta da Fonte eu ouvi esse portento de inteligência que dá pelo nome de José Falcão, dizer que (cito de memória) «não há ne nhum problema de racismo entre as comunidades cigana e africana do bairro»! Falcão, Bolche para os amigos, é um solidário profissional que criou e vive à sombra do SOS Racismo. É assim uma espécie de Guida Gorda do anti-racismo, e no fundo nem é mau rapaz (tirando o facto de, há mais de 20 anos, viver à conta de todos nós com uma incrível reforma por invalidez de trinca-bilhetes da CP) mas a inteligência não é, de todo, um dos seus atributos. Agora vir dizer que não houve motivações rácicas nos confrontos entre as duas comunidades é querer tapar o sol com a peneira. Ou ouvi as acusações de parte a parte, com os ciganos a falarem dos «macacos» (os africanos, está bem de ver) e outros dislates assim. E também não aceito que pessoas («esta gente» de que falava Mário Crespo) vivam à conta do rendimento mínimo, se recusem a pagar os quatro ou cinco euros da renda simbólica que que lhes coube e depois usufruam de uma qualidade de vida a que boa parte da classe média nem sequer pode aceder. Eu vi, na Televisão, os plasmas e as play-stations destes alegados pobres! Não, meus caros, a questão não é de racismo, é de delinquência pura e simples. E, aí, tanto se me dá que sejam pretos, brancos ou azuis. Porque se o sol quando nasce é para todos, a chuva também. Se queremos direitos, temos de cumprir com os nossos deveres. Ou então entramos definitivamente no salve-se quem puder…
Uma pergunta:
Um racista cor-de-rosa é um racista gay?
Existe aqui um problema de fundo de que ninguém (ou poucas pessoas) fala(m): mais do que culpar determinadas pessoas ou grupos étnicos (neste caso os ciganos/africanos), importa ver porque é que estes casos acontecen sempre nos mesmos bairros. É por demais evidente que os chamados “bairros de realojamento” são um fracasso em termos urbanisticos e sociais. São os gestores da coisa pública (presidentes de câmara, politicos dos mais diversos quadrantes, arquitectos, assistentes sociais, etc.) que devem ser responsabilizados por esta degradação permanente. Acabaram-se com as “barracas” e em seu lugar construiram-se verdadeiros guetos de pobres e marginalizados da sociedade, onde não existe vida social, jardins, postos médicos, creches, supermercados ou mesmo postos da polícia. Esta, quando aparece, é só depois dos motins e nunca antes em acções de prevenção e dissuação dos mesmos. Primeiro “despejam-se” os marginais para os bairros e depois logo se vê…
Obviamente que quem não paga 5 euros de renda por mês deve ser obrigado a fazê-lo. Mas, porque raio é que não pode ter um “plasma” em casa?
E porque é que as Câmaras não obrigam os inquilinos a pagarem as rendas e a cumprirem as suas obrigações de cidadania? Tem instrumentos para isso. Logo, se não os aplicam é por laxismo ou medo. Medo de quê?
Vivo a 800m da Cova da Moura que, há trinta anos, era um campo de trigo a perder de vista. Em menos de trinta anos, foram construidas mais de 1000 casas ILEGAIS onde, hoje, vivem 5000 pessoas. Mas de quem é a culpa? Certamente dos diversos poderes (PCP no passado e PS actualmente) que deixaram construir às portas de Lisboa um dos maiores bairros ilegais de toda a Europa! Onde não existe autoridade e política de integração, este é o resultado.
Alguém imagina um português emigrante a poder construir uma casa ilegal num país Europeu desenvolvido?
Ora foi este aspecto que faltou no “contraditório” de Mário Crespo, preocupado em arranjar um acusado, mas “esquecendo-se” sempre de criticar os poderes e as políticas que estiveram na origem desta crise social.
Os provocadores dos desacatos na Quinta da Fonte devem ser identificados (há imagens) e punidos. Os que se recusam a pagar a renda, a electricidade ou a água, devem ser obrigados a faze-lo. Mas, paralelamente, devem ser criadas condições para que estas situações terceiro-mundistas acabem de uma vez para sempre. É aqui que Portugal, um país pobre e sem políticas coerentes de integração, falha: por incompetência, laxismo e falta de estratégias adequadas. Depois, não se queixem!
Pois é, meu caro Daniel, somos todos uns filhos-da-puta racistas, mas que quer, não suportamos ver aquela gente, que andou aos tiros como se a Quinta da Fonte fosse o Iraque, a sacar ao erário público o que saca sem produzir nada neste país que não seja a venda em feiras de material roubado e/ou contrafeito e ainda ameaçar com concentrações se não lhes derem outras casas.
Ó Daniel, não nos f… com o seu politicamente correcto e tenha tento quando tenta farpear o grande Mário Crespo. Ele não merece isso, nem de um colega.
Sabe o que diz o povo sobre o caso em questão? O povo quer é que aqueles ciganos vão para a “puta-que-os-pariu” mais as suas reivindicações e, isto aplica-se a todos os que tenham comportamentos similares, sejam brancos, amarelos ou pretos. Percebeu, Daniel.
PiresF, agradecia que se moderasse na linguagem. Não está em casa. Obrigado.
Suponho que o senhor foi mandatado para falar em nome do “povo”.
Sabe Daniel, você faz perder a cabeça a um santo, depois, um pouco de vernáculo, não lhe tira bocado nem ofende ninguém quando até tive o cuidado de não ser totalmente explicito, mas, como estou em sua casa, tenho de lhe pedir desculpa por isso.
Mas não se ofenda, é claro que não tenho mandato de ninguém, é exactamente isto que ouço no metro e no autocarro.
Daniel, o que me chateia neste seu post é que o Daniel não se coibe de acusar de forma velada de racista um colega seu de profissão, alguém que é respeitado no seu metier, alguém que trabalha na mesma empresa que o Daniel, com quem provavelmente se cruza no corredor e trata por tu e, sobretudo, alguém insuspeito de ser racista. E não é algo que faz em privado, fa-lo em público, no seu blog, num espaço com alguma audiência.
Mário Crespo é um senhor e foi com a elegância que o caracteriza que lhe respondeu de uma forma muito cortez. Não sei se para si este é um insulto que faz com a mesma facilidade com que chama «nabo» a quem faz uma manobra perigosa no carro à sua frente. Se a mim me chamassem de racista, ficava bastante ofendido. Da forma que o Daniel o fez exigiria no lugar do Mário Crespo um pedido de desculpas. Resta saber se o seu trauliteirismo lhe tolhe a capacidade de pedir desculpas quando perde a razão. Só lhe ficava bem reconhecer quando se excede.
Sebastião,
1 - Eu não acuso de forma velada (costumo ser bastante explícito nas coisas que digo quando as quero dizer) de racismo. Criticar um termo e uma prestação não é fazer uma avaliação política, de carácter ou profissional. Se eu quisesse chamar racista a Mário Crespo tinha chamado. Se não o fiz, é porque não acho que a acusação fosse adequada ou justa. Não acho que Mário Crespo seja racista e por isso mesmo não o afirmei.
2 - Não sou “colega” de Mário Crespo. Não sou funcionário da SIC. Sou comentador na SIC e no Expresso. Não é a mesma coisa. Não é a primeira vez que critico jornalistas da SIC (já o fiz na própria SIC-N, várias vezes, incluindo Mário Crespo e o seu ex-director, quando ainda o era, Ricardo Costa). E já fui criticado por o que escrevi na páginas do Expresso. Acho isso natural e saudável.
3 - Não só falo com Mário Crespo como é para mim um prazer falar com ele, até porque tenho bastante simpatia pessoal por ele. E, das duas vezes que aqui o critiquei, falámos do assunto. Ele não concordou e disse-o, com bastante mais poder de encaixe do que Sebastião mostra. Porque sabe que falando em público está sujeito à crítica. Assim como eu o sei.
4 - Se eu não pudesse criticar as pessoas com quem me cruzo e falo estava bem tramado. Tendo sido jornalista durante 16 anos, tendo sido assessor de imprensa, dirigente político e sendo agora comentador, conheço uma parte razoável da classe política portuguesa e tantos jornalistas que nem imagina (vivo rodeado de jornalistas na minha vida profissional e pessoal), sendo muitos deles pessoas com quem falo com muita frequência e outros tantos meus amigos. Um dos problemas deste país é ser muito pequeno. Critico e elogio pessoas que conheço muitas vezes. É fácil? Nem sempre. Mas faz parte da minha vida e vivo bem com isso. Pelos vistos, se o Sebastião acha que não devemos criticar publicamente pessoas que conhecemos pessoalmente, nunca poderia fazer o que eu faço.
Mas o que vai para aqui !
E por e que estao a misturar Mario Crespo com comentarios em tudo defensores de um racismozito pernicioso e tristito??
O Mario Crespo e o seu “esta gente”.-de que volto a dizer , nao gostei que tivesse usado como expressao nao tem nada que ver com a maior parte das bacoradas que por aqui andei a ler e que ao que parece so tinham a intençao de agredir e ofender o autor deste blog, o que so por si me parece baixito–se querem desconversar com o Daniel Oliveira ao menos façam-no com classe, lol.
Posto isto,gosto do Mario Crespo e muito e considero o homem um dos melhores profissionais que alguma vez tivemos , mas e assim; nao tenho que concordar com tudo o que ele diz.E como com o Dr Marinho Pinto que penso ser um dos melhores homens que este pais ja viu nascer e no entanto por vezes discordo e muito com muito do que ele diz.
Passando ao topico devo acrescentar que muito do que aqui li e triste manifestaçao de pequenas invejas , misturadas com bastantes rancores e que e pena ver que tudo isso se mistura com o tal racismo insuportavel que muitos negam mas imenso partilham.
Todas as pessoas tem o direito a viver com dignidade pois.O facto de muitos nao o conseguirem nao deve ser motivo para defenderem que os ciganos tenham que ser postos a margem e agredidos nos proprios bairros onde vivem.
Neste caso a desculpa e a de que nao pagaram as rendas das casas onde habitavam , pois se assim e devem os responsaveis por tais ditos mostrar prova de que assim foi.Enquanto o nao fizerem este assunto nao passa de mais uma demonstraçao de que ainda ha muito por fazer ca no burgo e em varios planos.Agora se la no bairro de que se fala ha pessoas com plasmas, televisoes e ou aparelhagens de primeira ou mesmo de segunda nao nos diz respeito nem tem que servir de base para demonstraçoes penosas de um racismo em tudo cinzento e coberto de poeira.
“Já alguma vez alguém pensou por que as anedotas dos portugueses são sempre sobre marrecos, putas, paneleiros, pretos, ciganos… ”
Eu conheço uma anedota de ciganos muito engraçada, mas não conto para não me chamarem racista.
Li o artigo de Mário Crespo. Usou, com efeito, a expressão “esta gente”, que o Daniel Oliveira acha ofensiva se aplicada aos ciganos. Tudo bem: eu acharia o mesmo.
Acontece, porém, que no artigo de Mário Crespo não ocorre a palavra “ciganos”. Nem a palavra “pretos”. Em parte alguma do artigo se toma partido contra uma “comunidade” a favor de outra. O próprio conceito de “comunidade” está ausente do artigo: Mário Crespo, quando olha para as pessoas, vê pessoas - e isto, pelos vistos, é politicamente incorrecto. O que seria politicamente correcto era Mário Crespo olhar para as pessoas e ver nelas representações abstractas de grupos identitários - de “comunidades” - como quer Daniel Oliveira.
O problema de Mário Crespo é o mesmo que o meu: estamos demasiado velhos para podermos executar esta acrobacia mental. Mário Crespo olha para a quinta da fonte e, em vez de ver pretos e ciganos, vê pessoas. E das pessoas que vê, verifica que se podem classificar em dois grandes grupos: pobres que trabalham e pobres que não trabalham. E falando com eles ouve os primeiros dizer que se sentem cada vez mais explorados pelos segundos.
Trata-se aqui, é claro, de uma percepção subjectiva. Objectivamente é provável que os pobres que trabalham sejam bem mais explorados pelos ricos do que pelos pobres que não trabalham. Mas os ricos não vivem na Quinta da Fonte, vivem na Quinta da Marinha. Os habitantes da Quinta da Fonte não os conhecem e mal sabem da sua existência.
A percepção subjectiva que Mário Crespo nos relata é uma realidade. E, como todas as realidades, tem consequências. No estado em que as coisas estão em Portugal, não é provável que se dê, no futuro previsível, uma revolta dos pobres contra os ricos; mas cada vez parece mais provável que se venha a dar uma guerra civil de pobres contra pobres.
É para isto que temos que estar preparados. E não me parece que as políticas identitárias com que Daniel Oliveira simpatiza sejam água deitada para cima do fogo: pelo contrário, são gasolina.
Eu, 29 anos;
Eu, licenciada;
Eu, com dois empregos (1 full time e 1 part-time sexta à noite + sábado todo o dia), semana de trabalho de 55 horas e uma folga ao domingo; Eu; que chego ao sábado à noite com as pernas a arder, os derrames inchados após 10h de trabalho em pé; Eu, que este semestre já foram 458 € em formação pós-laboral indispensável à minha actividade (ESpanhol e MS Project); Eu, que não terei retorno em sede de IRS os gastos de formação porque a minha remuneração principal vem de uma “bolsa de estágio” fruto da engenharia financeira que as entidades têm para não terem grandes encargos com pessoal;Eu, que fruto da bolsa de estágio não terei nenhum subsídio ou ajuda após o seu final; Eu, que no final do estágio não serei integrada porque a entidade não tem quadro próprio e vive de estágios e destacamentos de funcionários públicos; Eu, que continuo a viver em casa dos pais porque sair agora significava parar de investir numa carreira que quero acreditar que vou conseguir alcançar e mereço; Eu, que por enquanto não quero nem posso ter filhos; Eu, que vou desesperar quando um dia decidir que quero ter filhos e não posso porque não sei se terei fonte de rendimento no mês seguinte; Eu, que nunca fiz férias dignas dessse nome porque o dinheiro dos meus pais era canalizado para educação porque nada mais nos tinham para oferecer (só conheço Espanha); Eu, que até podia ter ido de férias este ano mas tive medo de mexer na conta poupança porque em Novembro fico sem emprego; Eu, que por semana e há mais de 6 meses concorro a + - 6 anúncios de emprego; Eu, que não tenho plasma nem televisão no quarto, nem aparelhagem, só temos 1 televisão e 1 aparelhagem na sala; Eu, que não tenho carro; Eu, que sou manipulada quase todos os dias veladamente com ameaças subtis que não levarei carta de referência de estágio se não for um bom “cordeirinho”; Eu, que todos os domingos acabo o dia a chorar, por mais um dia sem descansar (sim, não temos empregada, há que tratar da roupa para a a semana, arrumar quarto, organizar papéis pessoais, etc), sem passear, sem saber o que virá depois; Eu, Eu, Eu, Eu… E o problema maior é que há muitos “Eus” como o meu em Portugal, demasiados… Até ao dia…
Quando Mário Crespo falou desta gente, queria-se referir á ciganagem. Ciganagem é o termo que eu ouvi muitas vezes pelo povo alentejano quando se referia a esta étnia de humanos que está entre nós já vai para 500 anos e ainda não se integrou por ser racista e xenofoba. Ninguem pode olhar para uma cigana que tem logo problemas, mas eles podem casar com «lusitanas» que não há qualquer problema pois aumenta o numero de ciganagem, visto só o homem contar na paternidade.
Depois no desenvolvimento da econimia e produção deste pobre país todos sabemos qual é o contibuto da ciganagem. O povo tem muita sabedoria, está é acorrentado.
Peço desculpa por ter ido longe demais na minha indignação perante o seu post sobre o Mário Crespo, sobretudo por o Daniel nem sequer ter concretizado as «generalizações inacreditácveis» sobre os ciganos, presumo. Aliás, ouvi o Mário Crespo, portanto gostava mesmo de saber quais as generalizações a que se refere e, já agora, o que essas generalizações indiciam para si.
Apesar do meu pedido de desculpas, continuo a achar - e certamente não sou o único a fazê-lo - que o Daniel faz com bastante frequência e alguma leviandade acusações de racismo e xenofobia a pessoas insuspeitas de o serem.
Aceite o meu pedido desculpas e eu fico à espera das taios generalizações inacreditáveis de Mário Crespo.
Sobra alguma coisinha para mim?
27 Jul 2008 às 16:36
“Eu, 29 anos;
Eu, licenciada;”
Livra que grande rol de queixas.
Pois eu tambem nao tenho plasma , e tenho que pagar em montes de dinheiro para conseguir viver mais ou menos dignamente etc etc .
Mas nao me sinto tentada a misturar as coisas.
E nao e porque a vida esta dificial e cara que me ponho a acusar os outros pelos meus males nem atiro ” boutades” mais ou menos recistas para me sentir melhor.
Eu nao conheço as circunstancias em que a comunidade cigana vivia la por esse bairro, mas sei pelo que vejo, que em processos desta natureza existe sempre muita mentira e imensa falta de contençao.Se as pessoas que sairam do bairro tinham ou nao os tais plasmas frigorificos televisoes ou mesmo rolls royces , nao e da minha conta nem da de ninguem porque esse nao e o facto apontado pelos que assumindo os seus poderes,vieram prestar declaraçoes justificativas das acçoes cometidas contra essas pessoas.
O que essas pessoas vieram declarar foi de que a comunidade nao teria nunca pago as rendas dos predios que habitaram e essa acusaçao continua a carecer de prova.Ate la , o que eles tinham ou nao tinham interessa-me realmente muito pouco.A vida esta dificil demais para me perder em argumentos que so viam confundir outros.
Quanto ao resto parece muito visivel que nesse bairro pessoas agredidas e bens foram roubados.
E essa e uma realidade que tem que ser investigada.
Rafael Ortega
26 Jul 2008 às 19:53
“Já alguma vez alguém pensou por que as anedotas dos portugueses são sempre sobre marrecos, putas, paneleiros, pretos, ciganos… ”
“Eu conheço uma anedota de ciganos muito engraçada, mas não conto para não me chamarem racista.”
Nem todas , tambem ha muitas sobre patetas , tontinhos e ignorantes e sao as duzias.
Daniel, os vários comentários deixados neste post revolvem a volta de dois topicos: defesa/ ataque da utilização das palavras “esta” e “gente” feitas pelo Mário no seu espaço prime time, e vários desabafos sobre o que achamos dos ciganos. (de facto, não houve nem um comentário até agora a dizer coitada “desta gente.” Mas ha que ter em consideração que estamos de facto a tratar tambem de seres humanos) Eu ja expressei o que acho desta gente… agora, o que ainda não li aqui, foi qual a intenção do Daniel com o post.
Será o Mário Crespo racista?
Será a comunicação social racista?
Seremos Todos racistas?
Será que devemos linchar Mário Crespo, basta uma boa desculpa?
Ou será que vamos falar aqui um pouco dos ciganos?
ou será apenas que nos não gostamos dos ciganos?
Do meu lado, é apenas assinalar que quando a excitação começa soltam-se aslínguas e surgem os piores sinais nas pessoas mais insuspeitas e que os políticos, mesmo os que se dizem de esquerda, são incapazes de contrariar. Aliás, se reparou, o meu post era sobretudo sobre o ministro.
the hand that bites back
28 Jul 2008 às 2:41
“Será o Mário Crespo racista?
Será a comunicação social racista?
Seremos Todos racistas?
Será que devemos linchar Mário Crespo, basta uma boa desculpa?
Ou será que vamos falar aqui um pouco dos ciganos?”
E claro que se nao deixarmos de falar SO no Mario Crespo ( figura
muito respeitavel e agradavel da nossa vida publica ) deixaremos
concerteza de falar no proprio assunto do topico, mas esta a parecer-
me que e isso mesmo que se pretende.
E nao me parece tambem que o post de Daniel Oliveira tivesse alguma
coisa a haver com o linchamento de quem quer que fosse.
Por outro lado , dada a violencia da linguagem de alguns dos que por
aqui passam, fico-me pensando se nao e deles que vem as mas ideias
de linchar alguem e depressa .
Se o Mario Crespo e ou nao racista nao sei–nao o conheço
pessoalmente;mas tenho ca para mim a esperança de que nao o seja e
nao vi que DO o tivesse acusado de ser.E voce quem esta a dar ideias.
Se a comunicaçao social e racista, acho que nao na sua maioria.
Tem imensos profissionais reconhecidamenre competentes que deixaram claro atraves dos anos quem sao e porque trabalham.Mas a comunicaçao social e imensa e como em todos os grupos de trabalho tem gente boa e ma–logo e impossivel afirmar se tem ou nao elementos racistas no seu
seio.E capaz.
Se seremos todos racista ou nao.E a mesma coisa que com a comunicaçao
social.E muita gente , logo havera do bom e do mau; sendo que pelo
que ouço e leio todos os dias e pelos comentarios de alguns atrevo-me
a dizer sim senhor, nao somos todos racistas mas ha muitos e nao sao
nada poucos, que o sao.
Se deveriamos linchar Mario Crespo ou outro qualquer . Pois e claro
que nao, mas tambem nao devemos linchar na praça publica, nem a
comunidade cigana nem os que nao tem as mesmas opinioes.
Falar da comunidade cigana e sempre bom se for para lhes reconhecar
algumas qualidades e nao apenas para dizer deles que roubam, que nao
pagam as rendas que tem tudo o que nos nao temos e que nao merecem
respeito.Merecem.E merecem que se fale deles com o mesmo respeito que achamos que nos e devido.
Se todos gostamos deles .acho que nao e nem e preciso ir muito
longe.Basta ler algumas das bacoradas de alguns presentes e ouvir o
que tem sido dito nos meios audio visuais.
Como observador, reparo que as excitações acontecem de parte a parte, onde por vezes se fazem também acusações exageradas ou sem razão de ser (não deixo de fazer o mea culpa). Abraço
Minha cara Maria,
Primeiro, obrigado pela disecação das perguntas retóricas que deixei no final do meu comentario. Eu apenas queria (e consegui) uma resposta do sempre eloquente Daniel sobre as intenções dele. Eu n estava a insinuar que somos ou não aquilo que foi perguntado.
Em relação ao respeito por “esta gente”- é uma falácia partir do particular para o geral. “Esta gente” de que estavamos a falar e que o Mário referio e agora eu me refiro, são foras-de-lei, praticam crimes. (posse de armas illegais… obvio) entre vários outros. Se me estão a tentar obrigar a aceitar a “cultura cigana” que defende e permite este tipo de comportamentos, não vou! agora dizer :apesar de roubarem e demosntrarem violência territorial, são boas pessoas e vivem de acordo com a paixão e o fogo que lhe corre nas veias… a lei é para todos… e os castigos tambem devem ser. não merecem tratamento especial so por serem ciganos e terem “problemas de insereçao na sociedade” digo eu.
C’um catano, ao que isto já chegou!
Acalmai-vos, ó gentes! Porque nem o Mário Crespo é racista, nem o Daniel é parvo, nem nós somos atrasados mentais (não sei se isto ofenderá este grupo social, pelo qual naturalmente tenho o maior respeito, mas arrisco).
Volto ao que julgo já ter dito uns comentários atrás: o problema todo está na generalização (que Crespo não fez, aliás), o que leva, por regra, a confundir a árvore com a floresta. Mas o certo é que a floresta é feita de árvores.
Todos conhecemos o uso que é dado, na linguagem popular, a palavras como “cigano”, “judeu”, “judiaria”, etc. A língua portuguesa está cheia de provérbios politicamente incorrectos: “estar com um olho no burro e outro no cigano”, “não ter dinheiro para mandar cantar um cego”, “trabalhar como um mouro”. Significa isto que o povo é racista? Talvez, que eu não sou dos que acham que tudo o que vem do povo é naturalmente bom. Mas todos sabemos que, por trás de cada dito popular, há uma razão histórica e/ou sociológica. É o que acontece quando hoje dizemos que “Fulano de tal é um judeu” (no sentido de “forreta”, “avarento”) ou quando Almada escreveu, no seu célebre Manifesto, que “o Dantas é um cigano / o Dantas é meio-cigano /o Dantas é um ciganão”. Vá lá, esse teve a sorte de não haver, na altura, um SOS Racismo, senão estava feito!
Antes que comecem a chamar-me nomes, esclareço que tenho bons amigos judeus, vivo paredes meias com meia dúzia de famílias ciganas (e dou-me muito bem com uma delas) e tive uma das maiores paixões da minha vida foi uma belíssima mulata caboverdiana.
Acrescento que foi com judeus, pretos e alentejanos que aprendi as melhores anedotas de judeus, pretos e alentejanos, respectivamente. (Aliás, isto das anedotas é, como se sabe, universal: as que nós contamos sobre alentejanos, contam os franceses sobre belgas e os brasileiros sobre… portugueses. Racismo? Não necessariamente. Tudo depende do modo como as coisas são ditas, ou seja: não basta o que se diz, mas o modo como se diz.)
Assim sendo, o que possamos dizer sobre “esta gente” só ofendeu o Daniel & Amigos porque, na circunstãncia, “esta gente” eram delinquentes ciganos e negros. Fosse “esta gente” um qualquer sector marginal da população branca e tenho a certeza de que não teria havia tamanho sururu…
Em relaçao ao comentario do sr the hand that bites back:–
Exactamente porque a frase-”esta gente” dirigida a comunidade cigana e falacciosa e que e preciso ter cuidado.Relembro que essa frase foi dirigida apenas a comunidade cigana e nao a TODOS os habitantes do bairro em questao.
Acentuar esse tipo de intervençoes acrescentando; e passo a citar:-
“Esta gente” de que estavamos a falar e que o Mário referio e agora eu me refiro, são foras-de-lei, praticam crimes. (posse de armas illegais… obvio) entre vários outros. Se me estão a tentar obrigar a aceitar a “cultura cigana” que defende e permite este tipo de comportamentos, não vou!”
e acrescentar o acinte a falacia, uma vez que associa as palavras–”posse de armas ilegais, foras- de-lei ” etc apenas a comunidade cigana o que me parece na verdade intoleravel e nao comprovado.
Em relaçao ao comentario do sr Carlos Santos.
Concordo com a quase totalidade do que escreveu, especialmente quando diz -”Tudo depende do modo como as coisas são ditas, ou seja: não basta o que se diz, mas o modo como se diz.)” porque e bem verdade que as palavras exijem muito cuidado, por esse motivo disse algures no que aqui escrevi que considero que houve muita falta de contençao em muito do que ouvi e li.
Agora deixo de concordar quando logo a seguir escreve:-”esta gente” apenas ofendeu o Daniel & Amigos dando como razao para tal o facto de a frase se dirigir a –deliquentes ciganos e negros”-
( a definiçao e toda sua ) e acrescentando que se fosse um sector da marginalidade branca ja nao haveria sururu.Com esse sofisma pretende fazer o que; acrescentar a falacia o insulto?
Porque tentar fazer distinçoes entre marginalidades brancas negras ou ciganas nao e outra coisa senao fazer um exercicio de hipocrisia.A marginalidade nao tem cores nao tem raças nem tem classes sociais.E a deliquencia tambem nao.Pode sim ter graus de perigosidade e dever ser julgada segundo esses mesmos graus.
Para alguem que e vitima de deliquencia o facto de ter sido agredido por um marginal deliquente negro, branco, cigano ou as riscas e igual.
A violencia nao tem cores; e cinzenta.
“Se as pessoas que saíram do bairro tinham ou não os tais plasmas, frigoríficos televisões ou mesmo Rolls Royces , não é da minha conta nem da de ninguém”
Cara Maria: só não é da sua conta se você não pagar impostos. Da minha conta é, porque os pago.
É certo que, se são da minha conta os subsidiozinhos pagos ao “lumpen” com os meus impostos, são igualmente da minha conta os subsidiozões pagos aos banqueiros e outros que tais. E é certo que destes a Comunicação Social não fala, nem o Paulo Portas se indigna com eles. Mas estas são contas doutro rosário…
«É certo que, se são da minha conta os subsidiozinhos pagos ao “lumpen” com os meus impostos, são igualmente da minha conta os subsidiozões pagos aos banqueiros e outros que tais. E é certo que destes a Comunicação Social não fala, nem o Paulo Portas se indigna com eles. Mas estas são contas doutro rosário…»
São contas do mesmíssimo rosário. Porque julga que as prestações aos mais pobres são o assunto permanente? Porque nada como entreter o roto com aquilo que recebe o nu para não falar do que interessa.
Cara Maria,
Ao contrário do que afirma, não pretendi “fazer distinções entre marginalidades brancas, negras ou ciganas”. Apenas referi o facto porque me pareceu haver, em toda esta discussão, por parte de quem se indignou com a tal frase (”esta gente”) um preconceito (esse sim, racial, mesmo que na aparência anti-rascista) gerado pelo facto de os delinquentes em causa serem negros e/ou ciganos. Porque há, por força do pensamento dito “politicamente correcto”, um complexo que nos leva (sim, também me incluo no grupo) a contemporizar com a delinquência dos grupos não-brancos, de uma maneira muito diferente do que acontece quando os ditos delinquentes pertencem a outros grupos. É verdade que as questões sócio-económicas são determinantes nesse tipo de comportamentos. Mas não chegam para explicar tudo, caso contrário todos os pobres seriam ladrões, traficantes ou assassinos.
Por outro lado, tal como concordo plenamente consigo quando diz que “a marginalidade não tem cores nem tem raças”, já não posso concordar quando acrescenta que não tem classes sociais. Ai não que não tem! Basta olharmos para o Apito Dourado ou para o Processo Casa Pia. Fossem os delinquentes em questão pobres (ou pretos, ou ciganos) e aposto como já estava tudo mais do que resolvido.
Carlos Santos
Estamos de acordo em todos os pontos .
Tambem acho que casos como Apitos Dourados, Processo Casa Pia e todos os outros que se arrastam apenas porque por la andam alguns
de colarinho branco e arzito engomado seriam velozes como o vento se so por la houvesem pobres.
E claro; tambem e minha convicçao de que a justiça que para ai anda , existe
muito mais para o lado dos que tem altas contas bancarias e muito boas relaçoes.Os outros; a tal gente, ficam sempre a ver navios.
Ontem por exemplo ouvi imensa coisa la pelas Televisoes acerca dos montoes de milhares de euros que ganham os cerca de 700 gestores ca do burgo e fiquei pasmada com analistas politicos ( o que eu gosto destes nomes ) e declaraçoes ministeriais. Ja se sabe que compadre e compadre pois entao; e sao -no em tudo o que podem e quando toca a defender o dinheirinho e os privilegios ja se sabe, nunca falha.
E claro que as condiçoes socio economicas nao chegam para definir que tem honra e quem a nao tem , sendo que muitas vezes o tal estuto elevado nao oculta senao gente capaz de tudo e do pior.E ai sim poder-se ia adaptar a todos esses do tal estatuto social elevado mas que nao passam de gente desonesta , calmamente e de ironico sorriso nos labios, a tal frase que aqui gerou tal polemica–”Esta gente” e no tal sentido bem pejorativo, posto que bem o merecem.
São contas doutro rosário, sim. Estamos a falar da Quinta da Fonte e não da Quinta da Marinha. As prestações dadas aos mais pobres são o assunto permanente porque interessa à direita que o sejam, e também porque nós à esquerda lhe damos esse argumento de bandeja.
Tenho apreciado a discussão do tema e o que vejo é ainda existe um fosso colossal racial entre as pessoas sem se distinguir o trigo do joio ou seja das pessoas boas e das más, independentemente da sua cor de pele.
Espero com isto que não haja algum mal entendido quanto ás minhas intervenções e aconselho vivamente alguns dos intervenientes a visitarem um blog de nome gueto, e aí talvez alguns comecem a interacção, sem medo ou preconceitos parvos, que realmente falta para o inicio de uma melhor compreensão da separação racial que SEMPRE existiu em Portugal. Se calhar se houvesse essa tal compreensão talvez a frase “essa gente” não criasse tanta celeuma.
A reflectir!
Disse.
Aquele Abraço
A.R.A