

Há aquele jogo em que duas pessoas ficam a olhar uma para a outra e a primeira a desviar os olhos perde. As duas querem que aquilo acabe, mas ninguém o pode fazer primeiro. Assim é a conversa sobre a convergência entre o PCP e o Bloco de Esquerda. Jerónimo de Sousa disse que queria convergências à esquerda, que é coisa que o PCP e o BE dizem desde sempre, sempre pensando que a convergência se faz em torno das suas posições. Quando lhe perguntaram se podia ser com o Bloco e Jerónimo respondeu o que tinha de responder - que sim -, nasceu uma notícia. Se incluía alianças eleitorais? Não. Nem, ao que percebi, convergências parlamentares ou na dinamização de lutas concretas. Ou seja, tratava-se de um apelo difuso, dirigido a uma esquerda difusa, com objectivos difusos.
O Bloco respondeu, naturalmente, que também queria. Mas que teria de esperar pelas conclusões do congresso do PCP. Ou seja, como seria de esperar quando não há notícia na notícia, chutando para canto.
Nenhum dos partidos disse realmente nada de novo mas o tema transformou-se num facto político. Daqueles que se alimentam mais de equívocos (ou de frases soltas nos telejornais) do que de alguma coisa de real.
Não vale muito a pena dar aqui a minha opinião sobre algo que, vendo de fora, não me parece que esteja em cima da mesa. Ficam apenas estas perguntas: no que concordam há alguma coisa que impeça o BE e o PCP a convergirem na participação em lutas sociais e em votações no Parlamento? Não. Tal já acontece. Aí, a convergência é natural e não precisa de apelos ou de respostas a apelos. Apenas seria bom que nos espaços de trabalho conjunto existam condições de pluralismo e democracia. Nesse domínio seria positivo algum entendimento. Naquilo em que exitem divergências profundas há condições políticas para aproximações negociadas? Friamente, não me parece. Mais: parece-me que a cedências dos dois, mais do que reforçar a esquerda à esquerda do governo, lhe retiraria peso. A soma das partes acabaria em menos do que as partes separadas e isso seria uma grande ajuda ao PS.
Sendo assim, estamos então a falar de quê?
Por Daniel Oliveira 6 Out 08 em Sem categoria


Não era má ideia, mas há muitos entraves a ser superados por ambos.
Era o ideal para reduzir o Sócrates apenas a maioria relativa, que é coisa que ele vai detestar, espernear, enfim, arrogante como é vai lhe custar muito coitadinho..
A múmia bafienta do PSD nem tem hipóteses de ganhar eleições, o que é um alívio mas o idolo dela, a outra múmia do Palácio de Belem vai fazer de tudo para a ajudar nas eleições.
Sendo assim, estamos então a falar de quê?
Estamos a falar de amor, e logo, de casamentos.
O PCP ama o BE e quer casar com ele que por sua vez ama o PS com o qual ambiciona casar e para complicar as coisas todos querem ser cabeça de casal.
Isto já produziu toneladas de romances e termina sempre em drama e muito choro.
Deveria haver um acordo meramente eleitoral para, pelo menos nos círculos mais pequenos, o BE e o PCP apresentassem listas conjuntas. Com canditatos alternados, por exemplo, em que o primeiro seria do partido que tivesse tido mais votos nas eleições anteriores. Isso permitiria ganhar muitos deputados que seriam de outra maneira perdidos devido ao método de Hondt.
Estamos a falar de coisas concretas, como o comício do Trindade, a luta contra a privatização do SNS, a defesa da escola pública, contra o código do Trabalho, em que o Bloco vem fazendo convergências com gente da esquerda do PS (e muito bem) mas poderia e deveria fazer convergências também com o PCP.
Porque de facto não tem existido nenhuma “convergência natural” fora do parlamento, antes pelo contrário, Bloco e PCP desenvolvem as suas acções de costas voltadas.
Podem até discutir-se culpados - e não tenho dúvidas em apontar o sectarismo do PCP no que respeita aos sindicatos e movimentos - mas não penso que os trabalhadores portugueses estejam muito interessados nessa definição de quem tem obstaculizado as convergências à esquerda.
Se BE e PCP (e também a esquerda do PS) não conseguirem chegar a acordo para lutas concretas, certamente que Sócrates agradecerá.
Mas custa assim tanto a perceber que na hipótese (académica) de o PS não ter maioria absoluta José Sócrates recusar-se-ia a formar governo ?
A convergência pré ou pós - eleitoral BE/PCP nunca acontecerá será mais fácil Cristo descer à Terra.
A “esquerda da esquerda” agita-se, sem conseguir decidir o que é melhor. Se influenciar o poder por dentro ou adoptar um frentismo à esquerda do PS. O problema é que uma caldeirada de descontentamentos não chega para convencer os eleitores de que há outro caminho que vale a pena, especialmente agora que o receio do futuro alastra.
Como é hábito começa-se a discutir a “convergência” sem saber para quê.
Ó Daniel, tenha cuidado. É que há um senhor que vai sempre no 329 da Rodoviária de Lisboa que costuma levar um portátil e que lê este blogue.
Está obviamente fora de questão qualquer coligação eleitoral. Tendo em conta as divergências que existem, isso não faria sentido.
Agora pode - e deve - haver convergência em termos de luta social e política em torno de questões concretas: Código do trabalho, defesa das funções (e das empresas) públicas do Estado, Segurança Social, etc.
Deve haver convergência e é para estas questões, porque se for só para comícios mediáticos em teatros históricos, com os legitimadores do PS (que muito reclamam, mas que ainda lá estão!), então não vale a pena.
uma metodologia sistémica, mas ao contrário…
o BE é um submarino do PS infiltrado no grande mar da “esquerda”
é sintomático como fora das “continhas dos votos” e das previsões das “capelinhas eleitas” ninguém se preocupe em dizer nada
Falar???
O problema é que o BE ama demasiado o PS pela cobertura mediática e ama o PCP para se lembrar que ainda é esquerda…!
“Nem, ao que percebi, convergências parlamentares ou na dinamização de lutas concretas.”, Diz DO. Pois foi justamente sobre isto que eu percebi que JdeS falava.
Já agora, não sou militante de partido mas movimentei-me bastante dentro do associativismo estudantil entre gente do BE e do PCP. Ao contrário do que aqui se vai escrevendo, não me parece que no BE sejam menos sectários contra o PCP, do que vice-versa. Antes, até, pelo contrário.
Do,
Ao contrário do que diz, acredito que, neste caso e no contexto em que estamos, o resultado de uma coligação seria maior do que a soma das duas partes. Primeiro, porque daria uma boa imagem a todos quantos não tencionam votar mas que se veêm como pessoas de esquerda, podendo, inclusivamente, levá-los a votos. Segundo, porque poderia agregar os socialistas descontentes com o PS numa coligação de esquerda. E terceiro, porque os tempos são de crise e exigem de todos que nos concentremos nos maiores inimigos e não nos mais pequenos.
Venha daí a Frente Popular!
“o BE é um submarino do PS infiltrado no grande mar da “esquerda”, escrevia o Xatoo.
Antónimo, esta caixa de comentários, pelo menos, não confirma a sua tese do comentário das 13.48h…ler o Avante também não costuma confirmar…
Heinz, acho que a sua convicção revela algum desconhecimento do que é uma parte muito razoável do voto no BE que dificilmente se reveria num voto no actual PCP e fugiria para o PS. Ficava a esquerda a perder.
A alguns, que aqui deixaram comentários, incluindo, claro, o xatoo: a vossa convicção sobre o que é o Bloco é a prova da dificuldade de algumas convergências. Também acho que valeria a pena fazer uma convergência na acção. Nessa matéria, fica a dúvida: está o PCP preparado para estar sem mandar? O Fórum Social Português e a campanha do aborto deixou-me pouco optimista. E bem gostava.
Caro Heinz:
Não concordo com o seu cálculo eleitoral. Coligações que não tenham programas políticos claros e objectivos nunca duram muito tempo. O PCP já sabe isto e o BE anda a aprendê-lo cá pela capital.
E depois: agregar os descontentes do PS??? Os descontentes do PS têm-se limitado a insuflar o mito de o PS ser um partido de esquerda, enquanto em nada põem em causa as questões fundamentais da política do Governo! Afinal quem são os descontentes do PS? O que é que propõem?
(pouco ou nada…)
Eu acho que as ingénuas criaturas ( ou nem por isso) que acham que os extremistas, ambos sectários, do BE e do PCP, seriam uma alternativa boa para o país, deveriam de consultar literatura sobre o que esta gente fez ao país nos tempos do PREC.
A estupidez de alguns sectores da sociedade portuguesa não pára de me espantar. Mas o que é verdade é que também há muita gente que vai atrás das IURDs, por isso…
Partindo do santo princípio de que os casamentos e/ou as uniões são para procriar, Manuela dixit, não me parece que este caso fosse dar prole.
O PCP tem muitos anos de namoro consumado com o PS, nomeadamente a nível autárquico (e já estou a tirar as facadas na relação do Rui Sá com o Rio no Porto), para que estas declarações tenham representado mais do que uma “fuga” para a frente de um Jerónimo apanhado em contrapé.
DO:
Parece-me pouco relevante andarmos a ver qual das forças é mais sectária (se quiser saber a minha opinião, empatamos).
Vamos antes discutir o quê e para quê. Depois veremos o como.
Do,
Penso que essa alergia ao PCP se dissolveria caso se constituísse uma coligação de forças de esquerda. Mas mesmo que não se dissolvesse por inteiro, creio que a não formação de uma coligação terá piores consequências. Infelizmente, os tempos de crise não estão a afectar o PS e o Sócrates como eventualmente se poderia pensar. Os ataques entre BE e PCP, necessários caso não vão a votos juntos, poderão arrastar mais votos para o PS do que a coligação de forças de esquerda. Além disso, sem essa coligação, retira-se aos socialistas descontentes uma força para votar. Dificilmente votarão no PC e não serão assim tantos os que votarão no BE. Enfim, acho que qualquer que seja a solução adoptada implicará sempre a perda de votos. Resta saber é de qual das formas se perde menos. Por fim, uma questão. Se os eleitores do BE não votariam numa coligação à esquerda em que participasse o PCP, que eleitores são esses, que se preocupam com questões menores e perdem de vista o essencial?
Tiago R.,
Por que razão não poderá a coligação de que falo ter um programa político claro e objectivos definidos? E quanto a durar muito tempo, interessam-me as próximas eleições. No que concerne aos descontentes do PS, não me parece que sejam tão irrelevantes como os apresenta. Tanto o PCP como o BE poderão beneficiar dos seus votos na altura das eleições. Mais ainda se forem em coligação.
Enfim, para aqueles que andam descontentes com os partidos e com o sistema, a criação de uma Frente Popular, formada por partidos de esquerda e independentes, poderia ser uma forma de os levar às urnas.
Penso que não existe qualquer possibilidade de convergência entre o BE e o PCP. A questão essencial que daqui resulta é a seguinte: sabemos todos que o PCP terá sempre um espaço politico em democracia (não sabemos o que farão as direitas se algum dia conquistarem verdadeiramente o poder). mas te-lo-á o bloco de esquerda? sou como muita gente hoje adepto do bloco de esquerda e liberal… pois… acontece! e não é impossível… na verdade acredito e partilho das criticas que os pensadores do bloco fazem aos vicios e problemas do capitalismo (estão correctas as análises) mas sei também que é na génese da mentalidade capitalista que esteve, está a estará sempre o impulso primeiro para o desenvolvimento dos povos. Assim, o que importa fundamentalmente é que o Bloco se aproxime do PS, que haja convergência em termos de ideologia (ou não tanto) e, sobretudo, das opções práticas de governação. Os lucros, como os prejuizos devem ser privados e públicos. A iniciativa, parece-me, terá que ser inequivocamente privada. E temos que fazer um esforço para a preservar. O que interessa hoje à esquerda democrática é a influência do BE sobre o PS. o primeiro transporta para este um certo pensamento radical, inovador, cosmopolita e um sentido de honestidade próprio de quem não tem poder; o PS por essa via influenciado e limitado deve ser quem governa e implementa as soluções para o governo da esquersa próprias de quem pensa à esquerda. Com tolerância, bom senso, humanismo e responsabilidade (mais humana do que social)… o que não pode, ou não deve acontecer é o Bloco ficar no espaço que muita gente lhe atribui: o lugar das crianças mimadas e modernas, que na realidade viveram sempre de acordo com os valores e vantagens inerentes aomudo capitalista, socialmente privilegiados (quase sempre), com mania de modernidade…e cosmopolitas. Perde-se isenção e surge a demagogia, como muitas vezes acontece com a Ana Drago, pessoa que particularmente respeito e admiro. Ora essa convergência de atitude com o PCP é o que não pode occorer com o BE. Espera-se visão, determinação e coragem…mas bom senso e realismo, capacidade de interpretação da história e, sobretudo, da natureza humana. queremos (os que são economistas liberais como eu mas votam no BE) um BE com capacidade de determinar com realismo a forma de governo do país. E isso passa por assumir que algumas ideias de direita estão correctas…que são até necessárias, mas num quadro de governação ideologicamente de esquerda… isto na economia, ou no ensino… e na sáude… os professores devem ter mais autoridade (mas numa escola para todos ou para quase todos)…as pessoas nas empresas devem ser forçadas a produzir e criar riqueza para si e para outros…a saúde deve ser paga por quem a pode pagar pois todos temos que reconhecer que tudo para todos não é possíve… e por fim temos que aceitar que não somos de facto iguais…a igualdade é uma abstracção humana não um facto da vida. Mas com isto somos ainda esquerda, porque acreditamos em valores fundamentais de solidariedade e de construção de um mundo que tenda a proporcionar igualdade de oportunidades, não discrimine, proteja… e valorize o esforço individual da forma adequada… sobre isto gostava de ouvir os comentários do Daniel Oliveira
Por uma vez, as “esquerdas” - a sua e a minha - estão de acordo. Não deixa de ser curioso que estejam de acordo numa questão de desacordo…
ps: Gostaria de saber a sua opinião em relação ao vereador do BE e a decisão de retirar o cartaz do PNR, em que Sá Fernandes se substitui ao PGR?
Isabel, Só que nem esta caixa de comentários nem o Avante são o espelho fiel do que são os militantes de um e outro partido. Há uma realidade para lá da cibernética e até, admito, para lá do movimento associativo estudantil. No entanto, se comparar os posts do Daniel Oliveira e do Victor Dias, no Tempo das Cerejas, sobre este tema, acho, honestamente, que o sectarismo se aplica mais aqui, mesmo tendo o ex-cde fama de ortodoxo.
Eu acho que as ingénuas criaturas ( ou nem por isso) que acham que os direitistas, todos sectários, do PS, do PSD e do CDS, seriam uma alternativa boa para o país, deveriam de consultar literatura sobre o que esta gente fez ao país depois dos tempos do PREC.
Chico da Tasca: Como se vê é tudo relativo quando se mudam algumas palavras e as opiniões divergem.
rms: o cartaz, que eu saiba, não é o mesmo sobre o qual o PGR tomou posição. Que eu saiba, e corrijam-me se estou errado, cabe aos tribunais e não ao PGR decidir da legalidade do cartaz. E cabe à Câmara e não ao PGR gerir o espaço público. Não tenho nenhum problema que o cartaz esteja na rua. Lamento não ter ouvido nenhuma revolta quando foi retirado o dos gatos fedorentos pelo executivo anterior. Nem sequer do PGR. Nem quando o PNR organizou milícias para guardar o seu cartaz.
Depois do comentário do Luís, fica mais claro o plano que o PS tem para o BE: a cerejinha vermelha em cima do bolo liberal. O BE é livre de escolher o seu caminho. E esta é que é a questão de fundo. Obrigado ao Luís por a colocar!
Luís: Já olhou pela janela? O seu liberalismo podre está a ir por água abaixo! Até já os camaradas George Bush e Angela Merkell (será assim que se escreve?) andam a nacionalizar a banca!
berto
o que os “direitistas”, extraordinário que para os extremistas de esquerda, tudo o que se mexe e não pertença à sua clique seja de direita, fizeram depois do PREC, foi tentar juntar os cacos em os comuno-facistas deixaram este país.
Ainda não o conseguiram, tais foram os estragos.
Mas foi uma época engraçada : perseguições politicas, prisões em culpa formada, saneamentos politicos, roubos de propriedade, enfim, um fartar vilanagem, até os cofres se esvaziarem.
Hipotecaram várias gerações, deram cabo disto, puseram-nos a pedir de mão estendida a tudo o que era vizinho e, pasme-se, a culpa não foi de ninguém.
A coisa ficou mal resolvida na época, não se foi ao fundo da questão, não se apuraram responsabilidades, mas nunca é tarde para acertar contas com a história.
http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/417267
“12:23 | Segunda-feira, 6 de Out de 2008
Na última edição do Expresso, o procurador-geral, Pinto Monteiro, declarou que o cartaz não é ilegal. “Mas é”, reclama Sá Fernandes. “Só se o procurador não o viu”.
Ok, o Daniel, teve um súbito ataque de ingenuidade…
ps: Antes que comece já a dizer que defendo a extrema-direita e que os maeus camaradas blablabla, digo desde já que acho o cartaz miserável.
Sendo a pergunta retórica penso que pode dar azo a várias respostas. Na minha opinião, onde se quer chegar com esta proposta de convergência é essencialmente a um pacto de não agressão. BE e PCP conseguem sempre, de quando em vez, entrar em tricas secundárias (não me interessa quem é que as começou), que penso terem causa na diferença de matrizes de ambos os partidos, mais conservadora e fracturante a do PCP e mais urbana e vanguardista a do BE. No entanto, quando se trata de atacar o governo (de fazer oposição, no fundo), ambos os partidos parecem já convergir em alguns pontos, muitos destes essenciais, o que faz com que o PS se sinta igualmente arreliado com ambos. Penso que esta proposta de convergência, hoje em dia, nunca pode acabar em coligação ou sequer em convergência de filosofia partidária, mas pode, ao menos, contribuir para um bem comum. Não será este apenas um convite para jantarem à mesa?
O PNR tem todo o direito a pôr os cartazes que quiser.
É suposto viver-mos num país de livre expressão.
Se os Comuno-Fascistas têm o direito a colocar cartazes, toda a gente tem.
Para que não me venham chatear, onde está viver-mos será vivermos.
Daniel Oliveira,
respondendo a Heinz, escreveu:
«Heinz, acho que a sua convicção revela algum desconhecimento do que é uma parte muito razoável do voto no BE que dificilmente se reveria num voto no actual PCP e fugiria para o PS. Ficava a esquerda a perder»
Este foi sempre o argumento usado pela direita do PS, antes de se terem coligado para concorrer ao Município de Lisboa. Mas, quando concorreram, ganharam. E, depois, o que tem o “actual” PCP de diferente do que tinha nessa altura?
Para aprofundar o meu comentário, necessitava daquela resposta que o Daniel ficou de dar e que nunca mais apareceu.
De qualquer modo, paira algum nevoeiro sobre o seu discurso, de tal modo, que me leva a acreditar que preferiria uma aliança com a esquerda do PS. Mas esses, não embarcam em coligações, obviamente. têm o poder e isso tem muita força. Aceitam independentes, nas suas listas, que pouco tempo depois se tornam dependentes. o que não falta são exemplos disso. Como parece que vai acontecer com o tal Zé que faz, que fez ou que faria falta.
Isto dos cartazes é muito simples.
O cartaz é ilegal porque o PNR é um partido que devia ser ilegalizado por violar o artigo 46º da Constituição.
Retira-se o cartaz, prendem-se os dirigentes (alguns até já foram) e não se gasta mais cer com ruins defuntos!
http://nempaznemguerra.blogspot.com/2008/10/qual-resposta.html
Tiago
e porque não hás-de ir tu preso ?
Caro Tiago R. Não vou tratar-te na terceira pessoa. E acho pouco adequado o tom de “O seu liberalismo”… a crise financeira tem causas que a comunicação não apresenta. É um episódio, mas concedo que se trata de convicção. Poder-me-ás dizer que o futuro estará num mundo de unidades de produção nacionalizadas e pessoas remuneradas de forma equitativa. Assumo que possas ter razão, nada sei do futuro e não sou suficientemente inteligente para imaginar uma dessas formas de governo. O que sei é o que a história do homem mostra, o que reconheço é o que tenho observado nos 36 anos de vida (14 de trabalho). Por um tempo dei aulas na Faculdade de Economia do Porto. Há mais de uma década que trabalho na mesma empresa. E em todo lado, em pessoas de direita e esquerda, homens e mulheres, portugueses e estrangeiros, brancos, negors, indianos e asiaticos, na escola como no trabalho… em todo o lado vi competição e as pessoas a lutarem por terem / serem mais do que as outras. Umas assumem-no, outras nem tanto…quase todas boas pessoas dentro da moral de simpatia de que, há mais de um século, adam smith falava na riqueza das nações. Tenho assistido a isso mas em todas as pessoas vi e senti aquela ideia que os judeus forjaram há 5 séculos: o homem perante o seu caminho. só. individual. indíviduo e individualista. e responsável por criar para si e para os seus um caminho melhor… e queiramos ou não enquanto houver duas pessoas no mundo uma há-te tentar liderar a outra, trabalhar menos do que a outra, viver melhor do que a outra…porque é essa a sua personalidade,ambição e determinação…acredito e acreditarei sempre que é a ambição indiviidual das pessoas que faz a diferença. Há muito tempo que a gestão me mostrou isso. Pessoas simples, de esquerda umas , de direita outras, mas que dia após dia agem com rigor e responsabilidade, fazendo cada vez melhor, assumindo como sua a responsabilidade de crescerem, produzirem mais e melhor, sabendo que o capital se apropriará de uma parte maior mas que assim elas próprias e os outros viverão um pouco melhor. Estes são os liberais que me interessam. Não me importo que sejam de esquerda ou de direita. Gosto que sejam assim e dessa forma ensinem os seus filhos. Este tem sido sempre o liberalismo desde que o humano é parte do homem e da sua humanidade.
Luis
concordo a 1000% consigo. É por isso, aliás, que o Socialismo e, especialmente, o Comunismo, não têm aplicabilidade prática : vão totalmente contra a natureza humana !
O Homem é um individuo com ambição, com um desejo profundo de procurar e de trilhar o seu próprio caminho, de tentar atingir o seu limite e impedi-lo de fazer isso, mercê de uma ideologia totalitária de cariz colectivista, é a coisa mas Fascista que existe !
“fica a dúvida: está o PCP preparado para estar sem mandar?”
Daniel:
queria que o PCP estivesse incluido em algo que estivesse fora do seu programa? quer que o PCP entre em coligações, (sirva de muleta), para cumprir os programas sociais democratas abastardados do P”S” ou do P”SD”?
Eu não sou militante do PCP, nem sequer voto no partido, mas reconheço que a principal dificuldade para uma Frente unida à esquerda é as pessoas não compreenderem isto
A mosntruosa amoralidade de alguns comentários é perfeitamente chocante!
Se têm baixa auto-estima e má opinião de vocês próprios, não a tentem aplicar a toda a espécie humana!
Uma convergência entre PC e BE poderia incidir sobre aquilo que mais interessa hoje: Ética na política, coisa que os partidos do poder dificilmente podem reclamar. Esta convergência poderia também obrigar a atenuar (adiar?) alguns temas “fracturantes” que parecem menos urgentes e menos consensuais, o que não afastaria - e até talvez atraísse - alguns descontentes de outras áreas. Um lema para esta convergência poderia ser: “Acabar com a pouca vergonha”.
Pois, porque há liberais e conservadores e tipos que não se reclamam da esquerda nem da direita e que votam BE porque acham que é importante que algum Louçã ponha o dedo na ferida.
Citando DO “acho que a sua convicção revela algum desconhecimento do que é uma parte muito razoável do voto no BE que dificilmente se reveria num voto no actual PCP”. Lá estão eles a sonhar com outro PC, qual??? não sabemos, mas desconfio que seria uma especie de BE. E isso seria bom para a esquerda? Não ,não e não. A esquerda precisa de um PC, como o actual, combativo, coerente, ideologicamente preparado para dar respostas, nestes tempos que se adivinham de agudização da luta de classes . Eu sei que para o DO este tipo de discurso já não diz nada … ele e os amigos estão noutra, as chamadas causas facturantes…… pois pois….. e o PS a rir-se. Quanto ao comentário do Sr Luis é no minimo hilariante. Só espero que o DO não se reconheça neste tipo de “liberalismo”. Mas enfim já não digo nada, depois de social democrata quem sabe….
Caro Nuno Oliveira. Gostava que explicasses o motivo por que é hilariante. Dizer assim, sem mais explicação não é resposta adequada. Eu voto sempre em partidos de esquerda. Normalmente no BE. Casos há em que prefiro que seja o PS a ganhar e voto contra o PSD. Também já houve épocas em que votei PCP pois há que manter a vitalidade deste partido. Mas cou economista e gestor e não posso de reconhecer a validade de certos resultados das teorias neoclássica e monstarista…e de alguns pressupostos sobre o comportamento humano. E se não fosse assim, todo o ocidente democrático, votaria à esquerda. e isso não acontece. precisamente porque as peesoas intuitivamente reconhecem que não é essa a forma realista de governo… mas acrescento o seguinte Nuno Oliveira. Escrevo aqui porque gosto da forma como o Daniel Oliveira pensa e por isso estou-lhe grato. Tenho aprendido. Mas fui aluno de mestrado do Prof dr Cavaco Silva, sua exª presidente da nossa republica, e sobra-me honestidade intelectual e humildade para reconhecer que é um grande professor. Uma pessoa em que nunca votei… quanto ao resto Nuno, sou do norte e do FCP mas não gosto de ao escrever aqui assumir a forma e o tom de quem é do Benfica ou do Sporting… ninguém é dono da razão e ninguém está absolutamente certo de coisa alguma… convém manter o espirito aberto assumindo que os outros podem ter alguma razão…
Luis, uma pessoa que pensa como voçê, só pode ter votado PC por engano. Claro que eu não falo em nome do PC mas parece não ser exagerado dizer que aquilo que pensa está nos antipodas do que qualquer pessoa que vote PC pensa. Essa visão do mundo é de tal maneira caricatural que sinceramente pensei que estivesse a brincar…..
Conheço bastante gente como o Luís, que vota segundo uma estranha (e estrambólica!) “teoria da compensação”, em que a ideologia e os valores que cada um dos partidos defende é algo de secundário.
Mundo curioso o nosso, verdade?!
O internacionalismo do capital leva a que, qualquer governo em Portugal fará aquilo que fazem os seus parceiros europeus. Senão fizer logo ou se demorar muito tempo a fazer será repreendido.
Portugal para ser diferente faria as seguintes opções de esquerda:
Todos os valores progressistas que lhe deram o nome, actualizados na liberalização dos costumes.
Os sectores estruturantes da economia - energia (petróleo, electricidade), águas, mobilidade (estradas, transportes, aeroportos) e outros altamente apetecíveis que rendem sempre milhões e milhões seriam administração pública.
Por serem estruturantes, são sempre em princípio rentáveis; uma vantagem para todos.
Outros sectores, que nenhuma esquerda pública (não privada) que se preze pode descurar - Educação, Saúde, Cultura.
Sabe qual é a principal diferença entre BE e PCP? É que o PCP não almeja formar coligações de poder com o PS. Essa sim é a verdadeira diferença, e por mais que esperneie e destile ódio edipiano contra o PCP, este continua a ser o principal partido com uam estreita ligação ao mundo dos trabalhadores. E Marx continua a ser a nossa referência, qual a sua Daniel - Olof Palme?
Gostaria de ver o pcp e o blogo a ganhar as eleições. Poucos meses depois o país estaria de rastos e acabava-se de uma vez por todas com a esquerda.