Conhece algum conceituado (ou não conceituado) engenheiro que não tenha acabado o curso?
É que exercer engenharia não é bem a mesma coisa que escrever um livro (não estou a dizer que é mais fácil escrever um livro, apenas digo que é diferente).
Mais uma vez,misturou “coisas” que não tem sentido serem misturadas.
Não gosto de o ver fazer isso até porque aprecio o seu blogue.
continuação…
Estamos a confundir educação académica com cultura! e as duas não cohabitam necessariamente!
Mas que , pelos menos na área profisional em que me movo, há imensa gente, honrada e trabalhadora, que gostaria de ter tido acesso aos “estudos” há!!
Neste momento tenho como aluna uma senhora de 46 anos, auxiliar de educação, a frequentar o 2º ano de Ciencias da Informação ( mas continua a lavar, raspar e esfolar as mãos nas salas, ginásios e afins) e outra que é recepcionista num hotelzito que se está a preparar para o AD HOC -quer estudar no ISCTE!! e isto não é achar que o trabalho é indigno..é sim a capacidade de descernir entre o bom e o óptimo, não achas Daniel?
A campanha vende a ideia de que quem não acaba os estudos está condenado ao falhanço. Aprender é fundamental. “Acabar os estudos”, depende do que se quer fazer na vida.
Pedro, o post não é sobre Sócrates. É sobre uma campanha idiota.
No país que tantas vezes é justamente criticado pelo seu número de analfabetos funcionais, pela fraca qualificação de quem trabalha, parece-me pertinente uma campanha para incentivar pessoas de todas as idades em valorizar-se por via da aquisição de novos conhecimentos - esperemos que tenha sucesso.
Não consegui ver onde esta campanha vende a ideia de que quem não acaba os estudos está condenado ao falhanço, vejo apenas deixar a questão no ar de onde se poderia ter chegado se se tivesse tido a oportunidade de ter estudado, oportunidade esta que, infelizmente, não está ao alcance de todos.
Aliás, coloco os seus comentários noutra perspectiva: quando o Daniel diz que esta «campanha vende a ideia de que quem não acaba os estudos está condenado ao falhanço» e que, como tal, é uma campanha idiota, é porque no seu ponto de vista um empregado de limpeza (que aparece no clip promocional) é um falhado. Idiota parece-me ser o que o Daniel conseguiu ler nesta campanha e a sua perspectiva das pessoas que executam funções de pouca qualificação - uns falhados.
Pelo que apurei, também não me parece que os poetas/escritores que colocou no post se apresentassem como doutores ou engenheiros para se auto-promoverem socialmente.
Se forem ao “causa Nossa” verificam que o “grande” MMendes na sua ficha da AR tem como profissão advogado e nem sequer está inscrito na Ordem.
Espero agora que o Publico siga a pista, estão a ver não estão o JMF, o PP e o Barreto,santissima Trindade, a investigarem isto.
E não só, os demais “jornalistas” a gastarem folhas e folhas de papel (não reciclado ainda por cima)e horas de televisão a debaterem isto. Pois, nem sequer investigaram a propósito do caso Sócrates, se por exemplo e como comparação, haveria mais casos destes. Não, que o chefe é do Partido e ainda nos lixamos, pá!!
Este caso Sócrates insere-se , a meu ver , em mais uma campanha de “achincalhamento”, graçola e humilhação tão cara à classe jornalistica, de preferência de acordo com a voz do dono. Sit ubu sit.
PS- Já agora propunha que face ao evidente afunilamento da opinião jornalistica com prejuizo para a liberdade de expressão e informação se instituisse um Prémio anual ao jornalista e comentador que mais se evidenciasse em não seguir a voz do dono.
O prémio teria o nome de “João Carreira Bom” que como sabem foi despedido por ter uma opinião contraria à do dono do jornal, esse grande farol da liberdade o Expresso.
Não, a campanha é que vende que um empregado de limpeza é um falhado. Não sou eu. Porque parte do princípio que uma senhora que trabalha num quiosque só o faz porque não estudou.
Já agora, seria interessante verificar quantos licenciados são caixa de supermercado.
Desculpa, Daniel, fora do assunto. Achei graça, ao seguir um dos links, descobrir que o Daniel vem de uma família de origem judaica. Para quem tantas vezes é acusado de forma não muito pensada de anti-semitismo pelas posições que tem a propósito da Palestina não deixa de ter a sua piada.
Uma campanha para desviar as atenções dos reais problemas sociais e económicos do País, governado por um senhor que se diz de Engenheiro, altamente rigoroso.
Esta’ para ser provado pelos estudiosos a partir de que momento estudar tem rendimentos decrescentes. Para o governo e’ que o incentivo permanece saudavel, mais gente nas escolas e universidades sao desempregados que saiem do fundo de desemprego e das suas estatisticas.
Nao que esta teoria da conspiracao seja muito credivel, o mais provavel e’ que a campanha seja aquilo que parece, uma piroseira.
Daniel,
aconselho-o a procurar junto de empresários e empresas de recrutamento de pessoal para saber o que é importante neste momento.
Se um indivíduo tem mais de 30 anos e não é especializado ou não tem boas habilitações literárias bem pode pensar em empregos de ordenado mínimo. A única coisa que as pessoas com mais de 30 anos podem fazer actualmente é aumentar o nível académico, porque a idade não volta a trás.
Isto parece mais o falar por falar sem conhecer o chamado país real.
Ainda bem que me apresenta o país real, já que eu vivo noutro.
Hoje a licenciatura vale de muito pouco em imensas áreas. Basta dizer-lhe que muitas das pessoas que ocupam as funções retratadas nos anúncios são licenciadas. Os empresários raramente procuram pessoas qualificadas porque Portugal está a investir na mão de obra intensiva e desqualificada. A probabilidade de um doutorado arranjar emprego, fora do Estado e da vida académica, que corresponda às suas habilitações, é ínfima. Os lugares de topo são ocupados por pessoas conhecidas do empresário ou familiares, raramente havendo qualquer tipo de investimento no recrutamento da melhor mão de obra qualificada. Há algumas, muito raras, excepções, de trabalho de recrutamento junto das universidades.
A licenciatura é fundamental em determinados sectores. Ela não é garantia de emprego e em muitas áreas vale bem mais menos que um curso profissional. Há neste momento 45 mil licenciados desempregados e dezenas de milhares em trabalho precário desqualificado. E, no entanto, não se pode dizer que em Portugal haja licenciados a mais. Muitos estudantes prolongam os estudos o mais que podem, procurando bolsas, por saberem que depois deles não há lugares nas universidades, nos centros de investigação e ainda menos na iniciativa privada.
Por isso, além de despachar lições sobre o “país real”, talvez por julgar que a sua experiência de vida é mais intensa e vivida do que a dos outros, talvez seja bom ir ver os números assustadores sobre o aumento do desemprego entre licenciados (aumento acima da média geral).
“Hoje a licenciatura vale de muito pouco em imensas áreas. Basta dizer-lhe que muitas das pessoas que ocupam as funções retratadas nos anúncios são licenciadas. Os empresários raramente procuram pessoas qualificadas porque Portugal está a investir na mão de obra intensiva e desqualificada. A probabilidade de um doutorado arranjar emprego, fora do Estado e da vida académica, que corresponda às suas habilitações, é ínfima. Os lugares de topo são ocupados por pessoas conhecidas do empresário ou familiares, raramente havendo qualquer tipo de investimento no recrutamento da melhor mão de obra qualificada. Há algumas, muito raras, excepções, de trabalho de recrutamento junto das universidades.”
Jamais esperei ler isto de ti. Sinceramente apanhei uma valente desilusão a ler isto. Estás a querer incentivar as pessoas a não estudarem ? a não serem qualificados porque os patrões isto e os patrões aquilo? Pá, eu prefiro ser desempregado qualificado a ser um desempregado com a 4ª classe. Por mais que não seja por valorização pessoal. Se estás a tentar “impingir a ideia” que actualmente ser licenciado ou não é quase a mesma coisa, acuso-te já de estares a ser um demagogo inacreditável. Como é possível existirem críticas a campanhas para a qualificação individual? Inacreditável.
Daniel,
você fala dos licenciados em cursos que não têm qualquer saída profissional, porquê as licenciaturas que de facto têm saídas profissionais existem poucos desempregados, havendo empresas que absorvem quase todos os formados em certas áreas. Você deve estar a falar de licenciados à espera de emprego no estado, isso de facto existe a “pontapé”, só que fazem o estágio e adeus até à próxima. A culpa também não é só deles, apesar da escolha ter sido (a matemática é muito difícil). O País preparou-se mal, não soube indicar rumos, mas há muito tempo que assim é.
Quanto a vivências as minhas são de facto intensas e sofridas nem mais nem menos que as de outros, mas quando vejo alguém tentar alterar o marasmo fico contente, você parece que não, porra acha que não é precisa formação? Viu alguém apostar nisso nos últimos anos?
Para quê estudar, não vamos a lado nenhum, pois não? Abaixo o queimar pestanas.
A razão porque em Portugal é difícil a um licenciado encontrar um trabalho adequado à sua formação não se prende só com uma “estratégia” empresarial centrada sobre mão-de-obra intensiva e desqualificada. Também deriva do fraco ensino universitário que temos, com uma oferta curricular muitas vezes desfasada das necessidades das empresas, que se traduz seja em cursos (baratos de leccionar) onde o mercado está saturado, seja em planos de estudo que desprezam os conteúdos que as empresas estão de facto à procura.
E permita-me que acrescente ao seu «post» que os escritores que refere nunca acabaram os seus estudos - é verdade - todavia não porque destes tenham desistido, mas antes porque nunca quiseram deixar de estudar ao longo da sua existência neste mundo. E isto não é «conversa de experiência da vida, blá-blá-blá». O domínio técnico do idioma que eles alcançaram não é algo que lhes tenha caído do céu, ou só com meia dúzia de dias a ler umas gramáticas. Pobre Bolonha quando comparada…
Mas o que verdadeiramente mais me irrita na campanha com que brinca é o desprezo a que esta implicitamente vota profissões dignas como a de empregado de um quiosque. É que mesmo para uma profissão tão (supostamente) modesta existe, e deve existir, formação especializada. E é esta formação que faz a diferença de qualidade que sentimos entre quando somos atendidos por um profissional, ou por alguém que tem aquele emprego porque, enfim, “foi o que conseguiu arranjar”. Ou seja, é esta formação, que faz a diferença entre continuarmos a ser um país atrasado e salazarento, ou um país moderno, escandinavo, como o nosso primeiro gostaria. Até porque na Escandinávia também há quiosques, taxistas, varredores de rua e empregados de café. O que talvez não haja é tanto licenciado em economia e direito a trabalhar como caixa de supermercado.
cachucho, estávamos a falar de saídas profissionais. Ainda assim, as conversas na blogosfera tendem a ser um pouco maniqueistas quando começam a avançar. Eu acho muitíssimo bem que se incentive o estudo e que as pessoas nunca dexem de estudar (e não que “acabem” os seus estudos). Mas a campanha, além de ser provinciana, é ofensiva quer para os não licenciados que fazem muitas coisas na vida, quer para os licenciados que não fazem o que queriam. Apenas isto. Uma campanha de incentivo aos estudos não tem de ser uma campanha de desqualificação das pessoas. Apenas isso.
A campanha mistura com a muito meritória ideia de incentivar as pessoas a estudar duas ideias desastrosas:
1) A ideia de «acabar os estudos» em vez de «continuar os estudos»;
2) A ideia de que «os estudos» se reduzem apenas a um instrumento para arranjar um emprego. Os estudos devem permitir alargar os horizontes, dar outras perspectivas de realização pessoal. Uma pessoa até pode ter um emprego modesto e ser um extraordinário poeta, como era o caso de Eugénio de Andrade. Ou não fazer nada de especial fora do seu emprego mas, porque tem uma formação mais elevada, ajudar de outra forma e dar mais oportunidades aos seus filhos, por exemplo.
Depois a campanha revela um enorme desconhecimento da realidade social dos nossos dias. Há pessoas que, porque perderam tempo a «acabar estudos» que não conduziam a lado nenhum, perderam oportunidades e sentem-se frustradas com os trabalhos não qualificados que arranjam. É preciso explicar-lhes que a vida é feita de opções e de riscos.
O Arrastão é um blogue de Daniel Oliveira, Pedro Sales e Pedro Vieira.
Para contactar cada um deles faça o favor clicar nos seus nomes e dizer de sua justiça: Daniel Oliveira Pedro Sales Pedro Vieira
Muito bem visto… em compensação, conheço muitos licenciados que nem escrever ou falar sabem!
Não acabaram nem tentaram enganar ninguem…
falta aaí o manuel alegre, a amalia rodrigues ou a teresa salgueiro, para não falar do carlos paredes.
Lucas, eu coloquei aqui os escritores que admiro e o que ganhou o Nobel. Cada um terá a sua lista. E muitos mais faltam
Ñão lhes fez falta nenhuma e não foi por isso que arranjaram uma Independente para os concluirem.
Conhece algum conceituado (ou não conceituado) engenheiro que não tenha acabado o curso?
É que exercer engenharia não é bem a mesma coisa que escrever um livro (não estou a dizer que é mais fácil escrever um livro, apenas digo que é diferente).
Mais uma vez,misturou “coisas” que não tem sentido serem misturadas.
Não gosto de o ver fazer isso até porque aprecio o seu blogue.
continuação…
Estamos a confundir educação académica com cultura! e as duas não cohabitam necessariamente!
Mas que , pelos menos na área profisional em que me movo, há imensa gente, honrada e trabalhadora, que gostaria de ter tido acesso aos “estudos” há!!
Neste momento tenho como aluna uma senhora de 46 anos, auxiliar de educação, a frequentar o 2º ano de Ciencias da Informação ( mas continua a lavar, raspar e esfolar as mãos nas salas, ginásios e afins) e outra que é recepcionista num hotelzito que se está a preparar para o AD HOC -quer estudar no ISCTE!! e isto não é achar que o trabalho é indigno..é sim a capacidade de descernir entre o bom e o óptimo, não achas Daniel?
A campanha vende a ideia de que quem não acaba os estudos está condenado ao falhanço. Aprender é fundamental. “Acabar os estudos”, depende do que se quer fazer na vida.
Pedro, o post não é sobre Sócrates. É sobre uma campanha idiota.
Como deve imaginar não tenho nada contra (pelo contrário) o incentivo ao estudo. Mas não desta forma bimba.
Estes escritores não são apenas cultos.
No país que tantas vezes é justamente criticado pelo seu número de analfabetos funcionais, pela fraca qualificação de quem trabalha, parece-me pertinente uma campanha para incentivar pessoas de todas as idades em valorizar-se por via da aquisição de novos conhecimentos - esperemos que tenha sucesso.
Não consegui ver onde esta campanha vende a ideia de que quem não acaba os estudos está condenado ao falhanço, vejo apenas deixar a questão no ar de onde se poderia ter chegado se se tivesse tido a oportunidade de ter estudado, oportunidade esta que, infelizmente, não está ao alcance de todos.
Aliás, coloco os seus comentários noutra perspectiva: quando o Daniel diz que esta «campanha vende a ideia de que quem não acaba os estudos está condenado ao falhanço» e que, como tal, é uma campanha idiota, é porque no seu ponto de vista um empregado de limpeza (que aparece no clip promocional) é um falhado. Idiota parece-me ser o que o Daniel conseguiu ler nesta campanha e a sua perspectiva das pessoas que executam funções de pouca qualificação - uns falhados.
Pelo que apurei, também não me parece que os poetas/escritores que colocou no post se apresentassem como doutores ou engenheiros para se auto-promoverem socialmente.
Se forem ao “causa Nossa” verificam que o “grande” MMendes na sua ficha da AR tem como profissão advogado e nem sequer está inscrito na Ordem.
Espero agora que o Publico siga a pista, estão a ver não estão o JMF, o PP e o Barreto,santissima Trindade, a investigarem isto.
E não só, os demais “jornalistas” a gastarem folhas e folhas de papel (não reciclado ainda por cima)e horas de televisão a debaterem isto. Pois, nem sequer investigaram a propósito do caso Sócrates, se por exemplo e como comparação, haveria mais casos destes. Não, que o chefe é do Partido e ainda nos lixamos, pá!!
Este caso Sócrates insere-se , a meu ver , em mais uma campanha de “achincalhamento”, graçola e humilhação tão cara à classe jornalistica, de preferência de acordo com a voz do dono. Sit ubu sit.
PS- Já agora propunha que face ao evidente afunilamento da opinião jornalistica com prejuizo para a liberdade de expressão e informação se instituisse um Prémio anual ao jornalista e comentador que mais se evidenciasse em não seguir a voz do dono.
O prémio teria o nome de “João Carreira Bom” que como sabem foi despedido por ter uma opinião contraria à do dono do jornal, esse grande farol da liberdade o Expresso.
Não, a campanha é que vende que um empregado de limpeza é um falhado. Não sou eu. Porque parte do princípio que uma senhora que trabalha num quiosque só o faz porque não estudou.
Já agora, seria interessante verificar quantos licenciados são caixa de supermercado.
Desculpa, Daniel, fora do assunto. Achei graça, ao seguir um dos links, descobrir que o Daniel vem de uma família de origem judaica. Para quem tantas vezes é acusado de forma não muito pensada de anti-semitismo pelas posições que tem a propósito da Palestina não deixa de ter a sua piada.
Uma campanha para desviar as atenções dos reais problemas sociais e económicos do País, governado por um senhor que se diz de Engenheiro, altamente rigoroso.
Esta’ para ser provado pelos estudiosos a partir de que momento estudar tem rendimentos decrescentes. Para o governo e’ que o incentivo permanece saudavel, mais gente nas escolas e universidades sao desempregados que saiem do fundo de desemprego e das suas estatisticas.
Nao que esta teoria da conspiracao seja muito credivel, o mais provavel e’ que a campanha seja aquilo que parece, uma piroseira.
Daniel,
aconselho-o a procurar junto de empresários e empresas de recrutamento de pessoal para saber o que é importante neste momento.
Se um indivíduo tem mais de 30 anos e não é especializado ou não tem boas habilitações literárias bem pode pensar em empregos de ordenado mínimo. A única coisa que as pessoas com mais de 30 anos podem fazer actualmente é aumentar o nível académico, porque a idade não volta a trás.
Isto parece mais o falar por falar sem conhecer o chamado país real.
Acho curiosa a expressão «acabar os estudos». É que para quem realmente estuda, com ou sem grau académico de permeio, os «estudos» nunca acabam.
Kota,
Ainda bem que me apresenta o país real, já que eu vivo noutro.
Hoje a licenciatura vale de muito pouco em imensas áreas. Basta dizer-lhe que muitas das pessoas que ocupam as funções retratadas nos anúncios são licenciadas. Os empresários raramente procuram pessoas qualificadas porque Portugal está a investir na mão de obra intensiva e desqualificada. A probabilidade de um doutorado arranjar emprego, fora do Estado e da vida académica, que corresponda às suas habilitações, é ínfima. Os lugares de topo são ocupados por pessoas conhecidas do empresário ou familiares, raramente havendo qualquer tipo de investimento no recrutamento da melhor mão de obra qualificada. Há algumas, muito raras, excepções, de trabalho de recrutamento junto das universidades.
A licenciatura é fundamental em determinados sectores. Ela não é garantia de emprego e em muitas áreas vale bem mais menos que um curso profissional. Há neste momento 45 mil licenciados desempregados e dezenas de milhares em trabalho precário desqualificado. E, no entanto, não se pode dizer que em Portugal haja licenciados a mais. Muitos estudantes prolongam os estudos o mais que podem, procurando bolsas, por saberem que depois deles não há lugares nas universidades, nos centros de investigação e ainda menos na iniciativa privada.
Por isso, além de despachar lições sobre o “país real”, talvez por julgar que a sua experiência de vida é mais intensa e vivida do que a dos outros, talvez seja bom ir ver os números assustadores sobre o aumento do desemprego entre licenciados (aumento acima da média geral).
“Hoje a licenciatura vale de muito pouco em imensas áreas. Basta dizer-lhe que muitas das pessoas que ocupam as funções retratadas nos anúncios são licenciadas. Os empresários raramente procuram pessoas qualificadas porque Portugal está a investir na mão de obra intensiva e desqualificada. A probabilidade de um doutorado arranjar emprego, fora do Estado e da vida académica, que corresponda às suas habilitações, é ínfima. Os lugares de topo são ocupados por pessoas conhecidas do empresário ou familiares, raramente havendo qualquer tipo de investimento no recrutamento da melhor mão de obra qualificada. Há algumas, muito raras, excepções, de trabalho de recrutamento junto das universidades.”
Jamais esperei ler isto de ti. Sinceramente apanhei uma valente desilusão a ler isto. Estás a querer incentivar as pessoas a não estudarem ? a não serem qualificados porque os patrões isto e os patrões aquilo? Pá, eu prefiro ser desempregado qualificado a ser um desempregado com a 4ª classe. Por mais que não seja por valorização pessoal. Se estás a tentar “impingir a ideia” que actualmente ser licenciado ou não é quase a mesma coisa, acuso-te já de estares a ser um demagogo inacreditável. Como é possível existirem críticas a campanhas para a qualificação individual? Inacreditável.
Daniel,
você fala dos licenciados em cursos que não têm qualquer saída profissional, porquê as licenciaturas que de facto têm saídas profissionais existem poucos desempregados, havendo empresas que absorvem quase todos os formados em certas áreas. Você deve estar a falar de licenciados à espera de emprego no estado, isso de facto existe a “pontapé”, só que fazem o estágio e adeus até à próxima. A culpa também não é só deles, apesar da escolha ter sido (a matemática é muito difícil). O País preparou-se mal, não soube indicar rumos, mas há muito tempo que assim é.
Quanto a vivências as minhas são de facto intensas e sofridas nem mais nem menos que as de outros, mas quando vejo alguém tentar alterar o marasmo fico contente, você parece que não, porra acha que não é precisa formação? Viu alguém apostar nisso nos últimos anos?
Para quê estudar, não vamos a lado nenhum, pois não? Abaixo o queimar pestanas.
A razão porque em Portugal é difícil a um licenciado encontrar um trabalho adequado à sua formação não se prende só com uma “estratégia” empresarial centrada sobre mão-de-obra intensiva e desqualificada. Também deriva do fraco ensino universitário que temos, com uma oferta curricular muitas vezes desfasada das necessidades das empresas, que se traduz seja em cursos (baratos de leccionar) onde o mercado está saturado, seja em planos de estudo que desprezam os conteúdos que as empresas estão de facto à procura.
E permita-me que acrescente ao seu «post» que os escritores que refere nunca acabaram os seus estudos - é verdade - todavia não porque destes tenham desistido, mas antes porque nunca quiseram deixar de estudar ao longo da sua existência neste mundo. E isto não é «conversa de experiência da vida, blá-blá-blá». O domínio técnico do idioma que eles alcançaram não é algo que lhes tenha caído do céu, ou só com meia dúzia de dias a ler umas gramáticas. Pobre Bolonha quando comparada…
Mas o que verdadeiramente mais me irrita na campanha com que brinca é o desprezo a que esta implicitamente vota profissões dignas como a de empregado de um quiosque. É que mesmo para uma profissão tão (supostamente) modesta existe, e deve existir, formação especializada. E é esta formação que faz a diferença de qualidade que sentimos entre quando somos atendidos por um profissional, ou por alguém que tem aquele emprego porque, enfim, “foi o que conseguiu arranjar”. Ou seja, é esta formação, que faz a diferença entre continuarmos a ser um país atrasado e salazarento, ou um país moderno, escandinavo, como o nosso primeiro gostaria. Até porque na Escandinávia também há quiosques, taxistas, varredores de rua e empregados de café. O que talvez não haja é tanto licenciado em economia e direito a trabalhar como caixa de supermercado.
cachucho, estávamos a falar de saídas profissionais. Ainda assim, as conversas na blogosfera tendem a ser um pouco maniqueistas quando começam a avançar. Eu acho muitíssimo bem que se incentive o estudo e que as pessoas nunca dexem de estudar (e não que “acabem” os seus estudos). Mas a campanha, além de ser provinciana, é ofensiva quer para os não licenciados que fazem muitas coisas na vida, quer para os licenciados que não fazem o que queriam. Apenas isto. Uma campanha de incentivo aos estudos não tem de ser uma campanha de desqualificação das pessoas. Apenas isso.
A campanha mistura com a muito meritória ideia de incentivar as pessoas a estudar duas ideias desastrosas:
1) A ideia de «acabar os estudos» em vez de «continuar os estudos»;
2) A ideia de que «os estudos» se reduzem apenas a um instrumento para arranjar um emprego. Os estudos devem permitir alargar os horizontes, dar outras perspectivas de realização pessoal. Uma pessoa até pode ter um emprego modesto e ser um extraordinário poeta, como era o caso de Eugénio de Andrade. Ou não fazer nada de especial fora do seu emprego mas, porque tem uma formação mais elevada, ajudar de outra forma e dar mais oportunidades aos seus filhos, por exemplo.
Depois a campanha revela um enorme desconhecimento da realidade social dos nossos dias. Há pessoas que, porque perderam tempo a «acabar estudos» que não conduziam a lado nenhum, perderam oportunidades e sentem-se frustradas com os trabalhos não qualificados que arranjam. É preciso explicar-lhes que a vida é feita de opções e de riscos.
Passem por aqui, pode ser que o nível da vossa discussão ganhe com isso:
http://avezdopeao.blogspot.com/
Podiam oferecer uns diplomazitos da Independente a estes moços.