O Papa deitou hoje água na fervura muçulmana. Fez bem. Mesmo que irrite a hipersensibilidade religiosa islâmica (e todas as outras), a conjuntura exige algum bom senso. Sou insuspeito de ter qualquer simpatia por este Papa, mas, não tendo nenhuma responsabilidade na actual situação política internacional, mostrou, neste caso, estar à altura do lugar que ocupa. Aprendessem com ele alguns chefes de Estado e as coisas estariam bem melhores.


Sem respostas ao post “Esteve bem”  

  1. 1 1  Budapeste

    Guerras Santas, Santas Guerras, hoje, nas Cruzadas ou no tempo do Maomé -
    Tudo a mesma trampa.
    Já mete nojo.
    Mas isto, se calhar, também não se pode dizer…
    A verdade dói a muito má gente e hoje em dia é proíbido dizer-se, nem fica bem, não é minimamente correcto…
    E depois, para além dos fundamentalistas cristãos ou islãmicos, até o Maomé pode ficar zangadinho…

  2. 2 2  zazie

    Pois fez. Para exageros e aproveitamentos já nos bastam os políticos.

    Mas anda para aí muito histérico que estava mortinho por ter mais um pretexto para justificar as políticas intervencionistas.

    É a febre do homem branco. Hão-de querer ocidentalizar todo o mundo a bem ou mal. “:O)))

  3. 3 3  Rui Fernandes

    Para quem ainda ache que realmente foi apenas uma má interpretação das palavras do “santo padre” o que levou a que os muçulmanos se sentissem ofendidos, é fácil para quem queira ler o discurso com a seriedade que ele merece (afinal é do papa…) ver que simplesmente não é assim. O que está ali é islamofobia (e também xenofobia) pura e antiga, expresse em termos essenciais e que não se prende com episódios ou contextos históricos, mesmo que se utlize a história para a construção do argumento.
    De manera sorprendentemente brusca se dirige a su interlocutor simplemente con la pregunta central sobre la relación entre religión y violencia, en general, diciendo: «Muéstrame también aquello que Mahoma ha traído de nuevo, y encontrarás solamente cosas malvadas e inhumanas, como su directiva de difundir por medio de la espada la fe que él predicaba».

    O papa apresenta o diálogo entre o rei bizantino e o erudito persa como uma citação é verdade, mas em nenhum momento tenta contextualizar ou relativizar a afirmação do rei bizantino, muito simpaticamente descrito, e as suas palavras o justificavam amplamente em um discurso que se diz ser de diálogo inter-religioso. O máximo que é dito é que as respostas do erudito persa não são conhecidas tão bem como aquilo que o rei bizantino teria dito. Além disso apenas se diz que o mesmo rei parece se referir a uma sura referente a um período em que Mahoma não havia ainda estabilizado o seu poder, ou seja se contextualiza a razão histórica do conteúdo do islão mas em nenhum momento se relativiza a acusação do imperador ao islamismo. Mais ainda se verá que o papa confirma esta acusação na sua totalidade se bem que não tão grosseiramente. Isto por si mesmo invalida qualquer afirmação de que o que o papa bento pretende é lançar as bases para um diálogo inter-religioso, não, o que aqui se quer é ofender pura e simplesmente. E não é ofender o islão actual, nem sequer utilizar Mahoma para uma acusação que se refere a episódios presentes ou temporais de alguma forma, nada disso, se trata de acusar de forma absoluta e total ao próprio fundador da religião independentemente do que haja vindo depois.

    Para la doctrina musulmana, en cambio, Dios es absolutamente trascendente. Su voluntad no está ligada a ninguna de nuestras categorías, incluso a la de la racionalidad. En este contexto Khoury cita una obra del conocido islamista francés R. Arnaldez, quien revela que Ibh Hazn llega a decir que Dios no estaría condicionado ni siquiera por su misma palabra y que nada lo obligaría a revelarnos la verdad. Si fuese su voluntad, el hombre debería practicar incluso la idolatría.

    Esta afirmação que por si só já seria suficientemente ofensiva para qualquer crente do islão (que curiosamente se baseia em grande parte no argumento de autoridade de um orientalista ocidental…) deve ainda ser lida com o complemento de algo que vem mais tarde.

    Más allá de ésta existiría la libertad de Dios, en virtud de la cual Él habría podido crear y hacer también lo contrario de todo lo que efectivamente ha hecho. Aquí se perfilan posiciones que, sin lugar a dudas, pueden acercarse a aquellas de Ibn Hazn y podrían llevar hasta la imagen de un Dios-Árbitro, que no está ligado ni siquiera a la verdad y al bien. La trascendencia y la diversidad de Dios se acentúan de una manera tan exagerada, que incluso nuestra razón, nuestro sentido de la verdad y del bien dejan de ser un espejo de Dios, cuyas posibilidades abismales permanecen para nosotros eternamente inalcanzables y escondidas tras sus decisiones efectivas.

    Se separa o deus muçulmano dos critérios de bem e mal, em oposição é claro ao deus cristão que é racional e não irracional como alá. Poderia estar tudo dito mas ainda há mais.

    Ese acercamiento recíproco interior, que se ha dado entre la fe bíblica y el interrogarse a nivel filosófico del pensamiento griego, es un dato de importancia decisiva no sólo desde el punto de visa de la historia de las religiones, sino también desde el de la historia universal, un dato que nos afecta también hoy. Considerado este encuentro, no es sorprendente que el cristianismo, no obstante su origen e importante desarrollo en Oriente, haya encontrado su huella históricamente decisiva en Europa.

    Com a xenofobia, mais além portanto da simples islamofobia, típica de um orientalista europeu de séculos passados o papa bento redime assim de fácil o cristianismo de sua origem oriental (inferior). O seu momento decisivo e fundador passa a ser aquele em que encontrou os gregos, o ocidente (superior). A oposição é clara: Ocidente versus Oriente, cristianismo versus islamismo, racionalidade versus irracionalidade, deus bom versus deus mau. Por trás do pensamento com aparências de erudição do papa bento, a caricatura do anti-semita europeu mais banal.

    Este post foi inspirado pela resposta de dos Santos a um comentário meu a este seu post. Se posso desculpar-lhe por aparentemente, pelo menos a julgar pelo seu comentário ao meu comentário, não ter lido com atenção o texto de bento xvi, o mesmo não sou capaz de dizer do caso de outros (André Azevedo Alves,Judite de Sousa, etc, etc), para os quais provavelmente todas as acusações aqui formuladas acerca do papa bento também se aplicarão.

    Não, não falo aqui do Bin Laden, do Hezbollah, do Hamas, do Irão, etc, etc. Não falo porque não é disso que o papa falou. As acusações que são ali realizadas são essencialistas e muito mais profundas, e profundas também no racismo e desprezo enraizado e antigo que revelam. (Estou seguro por exemplo que qualquer judeu culto sabe do que estou a falar…) São portanto muito mais graves do que a maior parte da nossa direita, em geral doente e cega de um racismo “mais suave” feito ao sabor dos dias, é capaz de se aperceber.

  4. 4 4  e-konoklasta

    Ao que parece, a água que o “santo” pontífice deitou na fervura da marmita islâmica não vai chegar. Limitou-se a dizer que estava desolado, quando, esperavam dele, uma expressão mais precisa, como por exemplo: Estou sinceramente arrependido, estão a ver a nuance ? Portanto, foi como se não tivesse dito nada ou quase…

  5. 5 5  João Norte

    Simplesmente foi alertado para a burrice que tinha feito e tentou emendar.

  6. 6 6  Anónimo

    O autor deste blogue è mas è insuspeito de ter bom senso ou coerência.

  7. 7 7  Anónimo

    este papa é um canalha e o amigo Daniel deixa-se convencer depressa demais.
    daqui a nada está novamente muito inflamado a desancar a merda do homem e assim esta coisa do blog fica um pouco esquizofrénica.

  8. 8 8  Harpad

    O senhor Ratzinger, também conhecido como O Papa, continua a demonstrar que pouco teme e pouco duvida do seu percurso que começou na juventude de Hitler, passou pela Santa Inquisição de Novo Nome e acaba agora numa espécie de fundamentalismo cristão. Apenas, certamente, o pânico causado entre as hostes do Vaticano pelas suas declarações marcadamente xenófobas e anti-muçulmanas, o terá levado, e mal, a retratar-se. Este senhor sabia muito bem o que dizia e com que intuito. Se se rodear de mais alguns fanáticos deveremos esperar o restabelecimento da Divina Fogueira para os herejes (incluindo os apoiantes da Teoria da Evolução) e a convocatória de novas cruzadas. O tele-evangelismo renascido de Bush agradece e também Ahmadinejad e os Ayatollahs, que dia após dia encontram novos argumentos para o radicalismo islâmico que, aliás, é a sua grande razão de existir.

    Meu caro Daniel. Este senhor esteve muito mal em ambas as ocasiões. Para além de fundamentalista e racista é também hipócrita. Confesso que não estou surpreendido.

  9. 9 9  Lidador

    O Papa não pediu desculpa. Deu o dito por não dito, chamando-se a ele próprio mentiro ou incompetente. A Igreja só pediu desculpas uma vez e foi com João Paulo II. Dizer que a diferença entre este Papa e o anterior é infinitamente incomensurável ainda é dizer pouco.

    João Paulo II criou os Encontros de Assis, para promover o diálogo entre religiões, permitindo pela fez encontros que nunca tinham sido realizados na história. Nos encontros desde ano, longe da expressão de outrora, Bento XVI esteve ausente.

    Tem uma visita marcada para Novembro à Turquia. Duvido que se realize. Começou bem, chamando ontem Constantinopla a Istambul, mais uma vez despromovendo a importância do Islamismo.

    João Paulo II teve uma importância fundamental na queda da Rússia como potência e estou convicto que poderá até ter evitado guerras no coração da nossa Europa. Para o desempenho deste seu papel fundamental, não fez uso de tratados, acordos ou outras intervenções instituídas. Foi simplesmente, a sua maneira de ver o mundo.

    É que a maneira de ver o mundo de um líder religioso é a inspiração para todos os seus seguidores. E sendo ele o líder religioso com maior número de crentes no mundo, a sua importância é imensurável. É errado pensar que só os líderes religiosos islâmicos iniciam guerras ou sustêm povos, justificando-o com o fanatismo de alguns povos islâmicos. Para todos os outros a importância não é tão fácil de medir, mas está lá. Está lá na altura em que tomam decisões, muitas vezes até inconscientemente. Está lá quando pensam se devem ou não vingar-se do vizinho que riscou o carro, e está lá quando um líder de um pais decide se deve ao não recorrer à força para retaliar um embargo económico.

    E é isso, só isso, que me preocupa neste novo Papa. Queira Deus esteja errado.

  10. 10 10  Raimundo_LULIO

    O Papa “esteve bem”.
    Pelos vistos a direitice aguda também se pega. “Esteve bem” é uma expressão tipica do professor martelo.
    Caro Daniel, mas que falta de originalidade.

  11. 11 11  carlosantos

    o papa pode ter sido incompetente ou néscio, ok.

    mas quem leu em diagonal o discurso dele e logo resolveu incendiar a fogueira do costume, foi a Al Jazeera e os grandes muftis do costume (mais o turco desta vez).

    parece-me injusto culpabilizar o papa pelo que não disse de facto e passar em claro os gajos que ao minimo pretexto levantam logo a voz e apontam o dedo. esses sim são incendiários, na minha opinião.

  12. 12 12  Trilby

    Eu diria que ele não teve outro remédio.

  13. 13 13  Anónimo

    Numa coisa “esteve bem” o papa Bento revelou o carácter violento do cristianismo.Violento na intenção, cínico e hipócrita, refugiando-se na hermeneutica do texto.Foi, exactamente, através de truques e malabarismos interpretativos que o cristianismo perseguiu, ao logo de dois mil anos, cientistas e filósofos, esmagou o pensamento e culturas que lhe se oponham. Dois mil anos de sabedoria interpretativa que quase sempre acaba em morte e perseguição.
    Quando precisamos de paz e de bom senso, eis que o anti-cristo surge para provocar e atiçar o islão.

  14. 14 14  Raimundo_LULIO

    O Papa bento “esteve bem”? pelo menos revelou o carácter violento do cristianismo. Violento na intenção, hipócrita e cínico. Com sempre refugia-se no malabarismo hermeneutico. Malabarismo hermenutico que ao longo de muitos séculos legitimou perseguições e devastações culturais. Tão afoito a criticar o Islão e tão lento a criticar as violações dos direitos humanos.

  15. 15 15  Daniel Arruda

    Daniel, julgava-te menos ingénuo. Não vi em nenhuma das declarações ou comunidados do Vaticano ou do Papa nenhum arrependimento ou recuo. Ele disse o que queria dizer com as repercurssões que queria ter. Não considero o Natzinger assim tão parvo.

  16. 16 16  Al

    Enquanto andamos entretidos com o Papa e a Jihad, não nos preocupamos connosco próprios, o que não é nada aconselhável…O Sócrates agradece.

  17. 17 17  Sofocleto

    CNN - como manter um interminável clima de medo.

    CNN - 23 de Junho de 2006

    Sete homens foram presos e acusados de formarem uma suposta conspiração para bombardear o mais alto edifício dos Estados Unidos - a Torre Sears de Chicago. Os homens faziam parte de uma célula de “terroristas locais” que queria trabalhar com a Al-Qaeda, mas que terá sido infiltrada por um agente americano, informou o Procurador-geral do país, Alberto Gonzales. A intenção dos sete indivíduos era realizar um atentado tão grande ou maior que o 11 de Setembro, afirmou o Procurador-geral americano.

    Jon Stewart do Daily Show dá-nos os hilariantes pormenores (legendado em português):

    Vídeo - 5:20m

  18. 18 18  Antonio L

    Será que deitou água na fervura?

    dizer que a culpa é dos que seguem o Islão que nao sabem interpretar as coisas corretamente, mas sem apresentar um unico argumento de defesa e limitando-se a dizer que estava magoado e foi mal interpretado não só é nao clarificar nada em sua defesa, como tambem é insinuar que a culpa é (novamente)dos “outros” que sao maus interpretadores. Portanto para mim parece-me quase um reforço daquilo que o Papa havia dito.

    Esta tudo como no inicio.

  19. 19 19  antimater

    O mal está feito!
    Há certas posições em que os passos atrás contam pouco…

  20. 20 20  Carlos Reis

    Há uma contradição insanável daqueles que pavlovianamente criticam o Papa porque assim tem sempre de ser (e era o que faltava alguns dos nossos intelectuais de pacotilha darem alguma vez razão a´Bento XVI) e no facto de o virem agora atacar…. por defender a união da racionalidade com a fé!!!

    Santa ignorância!!!

    Tanto ódio, tanta cegueira!!!

    Tudo serve… até condenar o Papa porque… enfim tocou num tabu (para alguns fundamentalistas islâmicos!)

    Talvez na Somália, no Afganistão dos Talibãs, ou no democrático Irão, pudessem exercer mais livremente o seu ateísmo ou agnosticismo racional, o seu espírito crítico e…. já agora, praticar alguns estilos de vida que aqui podem viver (felizmente!)

    Infelizmente quando o preconceito cega ao ponto de não se atender à ideia expressa mas apenas ao seu mensageiro, não há clima RACIONAL que resista!!!

  21. 21 21  Paulo Alves

    Justa e adequada reflexão. O pior são os seguidores que vai fazendo por aqui, em alguns dos seus post. Já não tem mão neles…lê-se…

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