Começam aqui as prometidas colaborações externas. O primeiro texto é de Luís Leiria, ex-emigrante português no Brasil, imigrante brasileiro em Portugal. Como queiram. Jornalista e vice-presidente da Casa do Brasil. Aqui escreve apenas a título pessoal, claro. A nosso convite. Um texto que vem a calhar quando os brasileiros, depois dos ciganos, se transformaram no novo alvo da histeria intermitente. A ilustração é de Pedro Vieira, evidentemente.

Texto de Luís Leiria

Deixem que me apresente: Luis Leiria, jornalista, nascido em Lisboa, brasileiro. Não, não sou filho de brasileiros – a minha mãe é madeirense e o meu pai era alentejano. O Leiria do meu apelido indicia vagamente origem cristã-nova e o Bettencourt materno vem de uma pioneira família de colonizadores franceses da ilha da Madeira. Mas se nasci em Portugal e sou filho de portugueses, por que digo então que sou brasileiro? É simples: sou brasileiro porque assim decidi. Foi uma opção consciente, e nesse sentido posso dizer que sou mais brasileiro que muitos brasileiros que apenas o são por acidente de nascimento.

Também sou português, é certo. O meu lado português é igualmente muito forte, mas não é por sentir correr o sangue de D. Afonso Henriques ou outros disparates que a canalha xenófoba gosta de proferir. O meu lado português é forte porque vivi intensamente o 25 de Abril. Se Portugal tivesse continuado a fenecer no cinzentismo salazarento que marcou a minha infância e início da adolescência, suspeito que me teria visto livre do lusitanismo como de uma peçonha que me agarrasse a pele.

Quando era mais jovem, gostava de dizer que sou um cidadão do mundo. Ainda gosto, mas estou consciente de que esse termo não passa de uma abstracção. Sou português e brasileiro, ou brasileiro e português, os países em que vivi muitos anos e que aprendi a conhecer e a amar.

Vivi no Brasil a maior parte da minha adulta. Foi lá que me fiz jornalista a sério. Participei de movimentos sociais, de lutas políticas, aprendi a amar aquele país e aquele povo que é também meu. A minha mulher e o meu filho são brasileiros. E olhem que nunca me naturalizei, porque não ligo muito para as formalidades. A igualdade de direitos civis e políticos bastou-me até agora. Mas, se amanhã não bastar, naturalizo-me.

Por outro lado, o meu lado português todos os dias sofre sérios abalos. O último foi dado pela famosa manchete do Correio da Manhã de sexta-feira dia 19 de Setembro a noticiar que a criminalidade violenta em Setúbal estava a aumentar porque os jovens das favelas do Brasil tinham vindo para Portugal criar uma organização criminosa, o Primeiro Comando Português, que seria uma filial do sinistro Primeiro Comando da Capital de São Paulo.

É em dias como esse que eu fico com vergonha de ser português (e de ser jornalista).

Como brasileiro, não consigo entender muito bem este crescimento da histeria xenófoba em Portugal. No Brasil, habituei-me a conviver com brasileiros negros, mulatos, brancos. Mestiços de branco com índio, de negro com branco, de negro com índio. Com brasileiros descendentes de italianos, de alemães, de japoneses. Com casais em que o marido é descendente de polacos e a mulher descendente de japoneses. Ou que o marido é descendente de portugueses e a mulher de judeus norte-americanos. Tenho pelo menos quatro amigos que são de origem judaica e que são a favor da causa palestiniana. Tenho amigos descendentes directos de famílias de escravos. É essa babel de povos, essa mistura fabulosa que fez do povo brasileiro um dos mais alegres e abertos à diferença do mundo.

Não idealizo, é certo. No Brasil existe racismo (muito) e xenofobia (pouca). Mas em 17 anos de Brasil, nunca ouvi dizerem-me: “Vai pra casa, portuga!” – como a minha mulher já ouviu aqui em Portugal: “Vai pra tua terra, brazuca!” Se no Brasil quisessem expulsar todos os estrangeiros, restariam uns punhados de índios não-mestiços para apagar a luz.

Portugal, pelo contrário, está muito longe dessa diversidade. Temos ainda um presidente que fala da raça portuguesa. Coitado, nunca lhe disseram que o conceito de raça está totalmente ultrapassado. E que, mesmo que não estivesse, não há raça portuguesa, não somos descendentes de Viriato, nem de Sertório, nem mesmo de D. Afonso Henriques. Raça lusitana? Só conheço de cavalos.

No início, os portugueses receberam muito bem os brasileiros. Gostavam da música, do futebol, das novelas, do português “doce”. Mas agora que a crise económica chegou em pleno, lá vão os portugueses arranjar bodes expiatórios: os brasileiros, pois claro. Eles estão a trazer as prostituas para cá, para “roubar” os nossos maridos. Eles estão a roubar os nossos empregos. Eles, que são tão violentos, estão a criar as filiais da suas organizações criminosas na nossa terra.

Não interessa que tudo isso não passe de fantasias. Nestas alturas ninguém se lembra que São Paulo e o Rio de Janeiro já foram a terceira e a quarta cidade de Portugal – depois de Lisboa e de Paris. Ninguém se lembra que cada família portuguesa tem pelo menos um ramo – quando não são mais – de emigrantes.

O que interessa é entrar na histeria. Precisamos de bodes expiatórios! Chega! Vão para a vossa terra. E toca de acreditar nas patranhas de “arrastões” e “Primeiros Comandos”. Junta a fome com a vontade de comer. Um jornal sensacionalista que quer vender mais. Jornalistas irresponsáveis que fazem tudo para terem direito a uma manchete. Está feita a receita. O caso do “Primeiro Comando Português” saiu deste caldeirão. Os autores do artigo fizeram uma “investigação” sensacional: foram ao Orkut e inventaram uma identidade para poderem ter acesso às fotografias dos jovens que tinham feito uma brincadeira há três anos. Acontece que qualquer um pode criar uma identidade no Orkut, não é preciso ser mestre em artes de espionagem. Os rapazes gabarolas davam a cara nas fotos. Mas que grandes criminosos deviam ser! Ninguém se preocupou com o simples detalhe que a situação das favelas brasileiras é irrepetível em Portugal, nem quando o general responsável pelo gabinete de segurança o disse. O homem foi ignorado.

A reportagem do Correio da Manhã não tinha ponta por onde se lhe pegasse. Era uma mistura de suposições sem nenhum fundamento real, com a intenção de provocar alarme. Uma violação ao código deontológico dos jornalistas e ao mais elementar bom senso.

Mas o Correio da Manhã lançou o alarme, e os outros foram atrás. Televisões, jornais, rádios. Quando a Casa do Brasil reagiu, no próprio dia, o Correio da Manhã ignorou. As rádios ouviram-nos – pelo menos a TSF, a Antena 1 e o RCP – e a SIC ouviu o presidente da Casa do Brasil – mas na Sic Notícias.

Na segunda-feira, a RTP pôs no ar uma mostra de que, apesar deste lamentável panorama, ainda se faz jornalismo em Portugal. Ouviu o fundador do “Primeiro Comando”, que disse que tudo não passava de uma brincadeira de rapazes então solteiros que tinham dificuldades de entrar nas discotecas portuguesas e que quiseram fazer as suas festas. O rapaz, que tem nome, fotografias e até o número de telefone no Orkut, negou terminantemente qualquer ligação com o crime. O “comando” de criminosos esfumou-se no ar. Mas, desta vez, nem jornais, nem as outras Tvs, nem ninguém acompanhou a RTP. Aquilo era a anti-notícia. Não era sexy. Não causava histeria. Não vendia jornais. O Correio da Manhã calou-se que nem rato. Já tinha feito o mesmo quando a inventona do “arrastão” foi desmascarada. No final, milhões de portugueses ficaram mesmo convencidos que os jovens brasileiros são um perigo. Talvez da próxima vez que se cruzarem com o meu filho, que está prestes a iniciar o seu doutoramento, mudem de passeio.

Com isto, o meu lado português morreu mais um bocadinho. E a minha vergonha de ser jornalista aumentou.


68 respostas ao post “Eu, alfacinha, brasileiro”  

  1. 1 1  SeaKo

    Luís, a boa noticia é que felizmente, nem todos os portugueses são jornalistas sensacionalistas. E por isso, espero que uma boa parte dos portugueses não se deixe levar pela palha que lhes é oferecida.

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  2. 2 2  Causa Vossa

    L.L., não esmoreça, sobra-nos, imensas, as tangas, http://causavossa.blogspot.com/2008/09/eu-paulistano-portugus.html

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  3. 3 3  Ricardo Ramalho

    Adorei o texto! Fabuloso!

    A “vaga de criminalidade” já existia antes dos media lhe darem a importância que têm dado… É pena que tudo se mova por interesses menos claros!

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  4. 4 4  Mouzinho

    Factos:

    – A reportagem do Correio da Manhã não tinha qualquer sustentação. Faz lembrar a história do famoso “arrastão” : não houve de facto um “arrastão”, mas se não havia “fumo” havia “fogo”: as centenas de negros que causaram (como causam regularmente em grupo nessa praia, em Santo Amaro, ou nos transportes públicos)
    – o preconceito que começa a surgir em relação aos brasileiros (e que é aceite maioritariamente pela população) resulta da evidência da entrada desregrada de naturais desse país, e do elevado peso que têm na prostituição e na criminalidade. Por tabela levam os brasileiros que não têm nada a ver com isso

    A casa do Brasil, tendo o dever de defender os seus, deve colocar a ética e os valores à frente da nacionalidade.

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  5. 5 5  fado alexandrino

    Já tinha lido este texto.
    Centenas de vezes.

    A última foi quando não aconteceu o caso da Quinta do Mocho. Não, perdão, foi quando não aconteceu o assassinato do ourives em Setúbal.
    Gosto imenso de brasileiras e conheço duas ou três, embora a senhora que atenda ao balcão da pastelaria seja romena ou ucraniana, não sei bem.

    Por uma casualidade o senhor que manda no RSI disse ontem que onze mil e duzentos beneficiários do mesmo são estrangeiros.
    Eu julgava que quem vinha para Portugal, sendo lamentavelmente pobre no seu país, vinha para trabalhar e tinha já, obviamente, um emprego.
    Parece que não é assim.

    Bom também não faz grande diferença num RSI que gastou 417 milhões de euros, alguns deles acarinhando portugueses que podiam estar a trabalhar no lugar destes emigrantes, sei lá.

    Ultima nota.
    Nunca tive vergonha de ser português mas se fosse jornalista, por vezes corava.

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  6. 6 6  João

    É o circo. Estamos na época dos brasileiros, estão de folga os pretos e os ciganos… Até parece que neste país não existem leis contra a discriminação.

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  7. 7 7  corvo

    Percebo o seu desencanto e até o seu desgosto, mas infelizmente é a informação a que temos direito, não nego que entre os brasileiros, como nos ucranianos romenos, não existam ladrões e assassinos, mas são uma minoria, só que este tipo de noticias vende….

    Veja como a imprensa portuguesa é uma imprensa selectiva.

    Ontem em Cascais, numa familia classe media, um adolescente de 14 anos, que frequenta um colegio religioso, esfaqueou o pai e a mãe, que se encontram em perigo de vida.

    A noticia tinha este titulo

    Menino de 14 anos esfaqueou os pais.

    Refiro menino, porque era de Cascais.

    A noticia não teve relevo, porque não era da Quinta da Fonte, do Bairro do Aleixo, ou não metia brasileiros á mistura.

    Era um MENINO DE UM COLEGIO RELIGIOSO
    DE CASCAIS….

    E isso faz toda a diferença….

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  8. 8 8  Bruno - Planetas

    Bem Vindo Luís Leiria,
    Gostei do texto. Mas julgo que dele não transparece outra coisa que incompreensão e indignação, em grande parte justificada, no entanto, não é difícil entender os motivos que levam uma comunidade de imigrantes a ser vista de maneira diferente (menos simpática). Deve-se sobre tudo, para alem do que disse, e bem, ao aumento exponencial do nº de brasileiros que vieram (legitimamente) para Portugal à procura de melhores condições de vida. Claro está que, se o nº de imigrantes aumenta é natural que os poucos “pilantras” pareçam muitos mais.
    De qualquer maneira, estou em crer que os Portugueses no fundo continuaram a ver a imigração em geral com bons olhos.

    Bem haja!

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  9. 9 9  João Gomes

    Luís Leiria,

    Li e quase nada tenho a acrescentar, tal a minha concordância com a realidade que descreve.
    E disse quase porque em muitos momentos da nossa História o sentimento de vergonha de sermos portugueses foi ultrapassados com actos que nos restituíram a dignidade de nos sentirmos portugueses.

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  10. 10 10  Maria

    Em primeiro lugar tenho que dizer que gostei muito de ler este texto que para alem de muitissimo bem escrito toca num dos pontos mais sensiveis da nossa Portucalidade.

    E tudo verdade.
    Este pendor cinzento para atacar os outros quando sentimos que sao mais fracos.
    Esta nossa ( passe o termo, que alguns nao sentem desse modo felizmente ) melancolica atracçao pelo abismo da ma lingua e do apontar o dedo naquela :–aquele e pior do que eu –ja vem de longe e e pouco provavel que isso melhore breve, porque esta coisa dos vicios nao se cura com rapidez.

    Existem pessoas neste pais que ficaram paradas no tempo e que manifestamente se sentem invariavelmente atraidas pelas fogueiras da inquisiçao que como todos sabemos, para alem de elemento de destruiçao tortura e morte servia tambem para que o povo se distraisse.

    Esses, os da tal ma lingua ficaram por ai.
    Precisam do fogo para se distrairem e que melhor coisa senao a de perpetuar esses fogo atraves das palavras escritas e ditas todos os dias nao so em jornais e revistas mas tambem na Tv e em todos os outros locais do pais.

    Mas nao sinta que esta so ou que apenas os brasileiros sentem essas labaredas constantes.
    Sao tambem os negros , os ciganos , os brancos mais pobres e desprotegidos , quer sejam portugueses ou nao que sentem todos os dias da sua vida todas essas pequeninas dentadas da ma fe , da ignorancia , das invejas ou do odio racista e pequenino.
    E um estranho pais este.
    Em que os bodes expiatorios sao tao necessarios para que a sociedadezinha bem instalada possa continuar a sobreviver.Para que nos lares felizes exista a capacidade da conversa e da animaçao, para que se possa instalar aquele confortavel sentimento de que existe sempre algo de pior para onde olhar quando ja nao conseguimos olhar para o que temos na frente dos nossos olhos.

    E ataca todos em qualquer lugar.
    Tenham a profissao que tiverem.
    Esta nossa melancolica maneira de tentar sobreviver ao medo.
    Esse nosso lado Portugues que deveria desaparecer para sempre, mas que continua a dar o seu pior quando se trata de fazer do outro o inimigo.
    E vai demorar tempo e muito ate que esse obscuro, negro e tristissimo lado escuro desapareça.
    Talvez o futuro consiga esse milagre.

    O presente nunca o conseguiu.

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  11. 11 11  cm

    Eis aqui,o exemplo chapado do direito à informação,do pluralismo,da qualidade dumas folhas da iniciativa privada!
    Seria também bom apregoar à sociedade em que para além dos bosses da finança(banksters) também há os órgãos de propaganda para não comprarem mais esse asco/vómito do correio da manha também produz artefacos tóxicos!Por mim o cm nem para limpar o c…!

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  12. 12 12  MP

    Poderá passar pela cabeça de alguém que uma noticia num jornal de duvidosa reputação possa traduzir os sentimentos de um povo? Caro Luis, para criticar o Correio da Manhã bastavam duas linhas, e já era demais. Que exagero!
    Livrar-me do meu “lusitanismo” por causa de um regime politico? Nunca. Que falta de coerência, caro Luis.

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  13. 13 13  Luis Moreira

    Todos os comentadores devem corar de vergonha ao ler o PM! O Correio da Manhã e a generalidade da CS não traduz os sentimentos dos portugueses acerca dos brasileiros. Nem por sombras.As generalidades são abusivas, tanto ou mais que a xenofobia de que Leiria nos fala.Bravo PM!

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  14. 14 14  Patricia

    Na comunicação social,pelo menos na nossa,estamos a assistir a uma situação que nos lembra o que está a acontecer na finança mundial.A ganancia e o lucro sobrepoem-se á transparencia e á verdade dos factos.O bom nome das pessoas e a sua reputação pode ser destruída na opinião pública sem qualquer pingo de moral.Os reguladores que seria suposto controlar os desvios das boas práticas não funcionaram em lado nenhum,na finança,na economia e na comunicação social.Os jornais e as Tvs podem não representar a vontade de um povo mas que a tentam manipular é um facto evidente.

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  15. 15 15  Luis Leiria

    MP,
    O Correio da manhã, gostemos ou não dele, é o jornal que mais vende em Portugal. Mas o pior é que todas as televisões e rádios seguiram a notícia e reproduziram-na acríticamente. Alguns, apenas (está lá no texto), deram-se ao trabalho de ouvir a Casa do Brasil, apesar de termos mandado um comunicado a todos. O dano provocado por aquele artigo irresponsável e histérico (e que teve “sequela” no dia seguinte) à comunidade brasileira foi irreparável.
    Maria,
    Obrigado pelas suas amáveis palavras. Tem toda a razão: os brasileiros estão acompanhados pelos “negros , os ciganos , os brancos mais pobres e desprotegidos”. é uma companhia que me deixa confortável.

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  16. 16 16  The Studio

    E’ um grande texto do Luis Leiria, que nao fica a dever nada ao nivel dos textos dos comentadores residentes.
    So nao percebo as criticas ‘a classe jornalista. Com jornalistas do calibre de um Luis Leiria, Daniel Oliveira, Fernanda Cancio, Rui Tavares, Jose Judice, etc, Portugal deve estar entre os paises do mundo mais bem servidos de jornalistas.
    So mais umas palavras sobre a inventona do arrastao: O arrastao nunca aconteceu. Como muito bem nos foi explicado na altura, os jovens negros nao roubaram mas sim apropriaram-se de bens alheios. E todas aquelas pessoas que julgavam haver perdido os seus haveres devem ter-se enganado e esquecido os seus pertences em casa. Por fim, o facto de irem armados para a praia e’ perfeitamente natural. Eu, sempre que vou ‘a praia, levo o calcao de banho, toalha de banho e uma pistola.

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  17. 17 17  Daniel Oliveira

    The Studio, Rui Tavares é historiador. Um dia destes explico-lhe que ser jornalista não é escrever em jornais e que escrever em jornais não é ser jornalista. Vai ver que sabendo o bê-á-bá vai ser mais fácil avaliar o trabalho dos jornalistas. Começando por saber quem eles são.

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  18. 18 18  atom

    Acerca do arrastão que não existiu, eu, morador em Carcavelos, e testemunha ocular dos acontecimentos, tenho tentado convencer-me que foi um sonho.
    Acerco do tal bando relatado pelo Correio da Manhã, não tenho qualquer informação credível, e como não leio o citado jornal, não me posso pronunciar.

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  19. 19 19  m&m

    O Luis Leiria consegue explicar a razão de no Brasil, apesar de haver muito racismo, a xenofobia ser residual?

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  20. 20 20  Luis Leiria

    m&m,
    No Brasil existe muito racismo contra o negro brasileiro, o descendente de escravos africanos. Apesar de virem a travar muitas lutas, os negros brasileiros ainda não impuseram tantos direitos como nos Estados Unidos. Mas há avanços, para o que tem contribuindo a introdução progressiva da política de cotas.
    Em contrapartida, há pouco medo do estrangeiro, seja ele de que etnia for, justamente porque desde o início do século XX que o Brasil é um caldeirão de etnias e nacionalidades diferentes.
    Em São Paulo comemora-se actualmente, por exemplo, o centenário do início da imigração japonesa. Há mais de um milhão de descendentes de japoneses em São Paulo (duas Lisboas), e bairros como o da Liberdade que parecem situar-se no Japão. A colónia italiana de São Paulo é ainda maior, e pelo menos dois clubes de futebol da 1ª divisão paulista têm origem na Itália: o Corithians e o Palmeiras (Parma Itália). Os portugueses estão espalhados por São Paulo e o Rio e quase todos os donos de padarias do Rio (uma em cada esquina) são portugueses. No Brasil há polacos, finlandeses (que levaram para lá a sauna, acredite se quiser!), dinamarqueses, espanhóis, russos, sírios, libaneses e uma infinidade de países europeus, além de todos os latino-americanos.
    Por isso, há um hábito de convivência com o diferente, um cosmopolitismo que em Portugal não há nem em Lisboa.

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  21. 21 21  Bejense

    Entre os imigrantes de leste tb a criminosos… como os ha entre os ciganos,os chineses, os brasileiros e os portugueses. A questao não é o racicionio simplista: brasileiro (ou cigano) >> criminoso, a questao é que PERCENTUALMENTE a diferença entre os crimes praticados pelos chineses e pelos ciganos ou pelos brasileiros é ABISSAL e quem quizer continuar a assobiar para o lado e ignorar a realidade ou vir falar no fascimo que o faça, mas é um FACTO.

    DA mesma maneira os negros de 2ª e 3ªgeração estão PERCENTUALMENTE envolvidos em muitos mais crimes que por exemplo os chineses, a explicação nao passa por dizer que é pela cor da pele como é obvio, agora que é isto que acontece É.

    Concluindo se forem sozinhos na 24julho as 3 da manha e passar um grupo de indivíduos por vocês preferiam que fossem negros, chineses, ciganos, caucasianos, caucasianos de botas e cabeca rapada :) , etc, etc ou o quê? é obvio que não iriam ser molestados e assaltados por causa da cor da pele ou do país em que nasceram os individuos do referido grupo, mas é obvio que a probabilidade de arranjarem sarilhos varia MUITISSIMO consoante a composicao do grupo.

    O medo de nao parecer moderno e de esquerda e de ser apelidado de xenofobo e/ou racista nao devia toldar a capacidade de ACEITAR a realidade e nao negar os FACTOS – já usar a explicacao que é por causa da nacionalidade ou da raça que as pessoas sao criminosas é uma perfeita estupidez.

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  22. 22 22  Arlequim

    Este texto não diz nada. Absolutamente. E no entanto, aponta. Para incongruências, falácias e outros truques. Nomeadamente a simpatia. Só que esta nunca é argumento no que o Arrastão quer promover, acho: o debate.

    Facto: há uma crescente xenofobia dos portugueses quanto aos brasileiros. O autor acha em parte que tal se deve à manipulação da opinião pública por uma imprensa sensacionalista. Reconhecerá, porém, alguma génese seminal que potencia a aparição das tais manchetes. De seguida dá imensos exemplos vivenciais de si e do Brasil que demonstram como é bela a convivência entre várias cores e recorda a história da irmandade entre Portugal e Brasil. Pelo meio dá-se ao luxo condescender-se com uma frase do nosso Presidente da República.

    Tudo isto é bastante fácil. Qualquer causa poderá, hipoteticamente, ser desmontada através de exemplos que a contrariem: fale-se de prostitutas brasileiras, assaltantes brasileiros, parasitas brasileiras? Refira-se que muitos deles também trabalham, muitos deles são competentes, muitos deles são educados.

    Estas exemplificações servem, contudo, para qualquer assunto. Aos seus exemplos quaisquer outros poderiam ser anexados e de orientação bem diferente: ao invés da simpatia, colheriam o nojo.

    O texto aponta também para a mudança que causou a fractura na outrora harmonia dos portugueses com os brasileiros: o clima económico. Isto é totalmente anedótico meu caro. É estar afirmar que os brasileiros e os emigrantes em geral levam por tabela por os portugueses estarem insatisfeitos com os seus salários, com os seus empregos, com o seu país.

    Em nenhum parágrafo do seu enorme texto o senhor tem a coragem e a seriedade de referir a violência introduzida pelos brasileiros que aqui residem e que cá aterram sem formação nenhuma e com cadastro. Não refere as violações que eles cometeram, não menciona os roubos e acima de tudo não aponta os assassinatos por eles cometidos. Isto não é ser sério nem imparcial.

    A verdade é que existe muito mais por trás dessas manchetes e desses títulos. Muito mais de verdade e de sólido sentimento. Todos os brasileiros que residem aqui, tal como todo e qualquer emigrante, são os embaixadores dos seus respectivos países. E a vossa imagem, por culpa de alguns, concedo, é bastante má e ninguém, sem uma enorme dose de condescendência, pena ou esforço poderá dizer que preferia não ter tantos de vós aqui.

    Antes de vos acolhermos e em clima de crise como costumamos estar, não havia tantos casos de violência nas restantes comunidades estrangeiras. Explique-me esse facto sem tergiversar com teorias da conspiração na imprensa.

    Porque com o trigo vem sempre o joio e as nossas peneiras estão bastante largas. Só temos de ser mais criteriosos a quem decidimos atribuir a nacionalidade ou a entrada em Portugal.

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  23. 23 23  Luis Leiria

    Bejense,

    Em que dados reais – não percepções subjectivas – se baseia essa sua afirmação de diferença ABISSAL?
    Público de 12/8/2008:
    “Os sociólogos Hugo Seabra e Tiago Santos, com base em dados de 2001, calcularam as taxas brutas de criminalidade, ou seja, o número de condenações por mil indivíduos, dos portugueses e dos estrangeiros, e concluíram que são exactamente iguais se tiver em conta o sexo (masculino), a idade e as condições perante o trabalho: 11 por mil. “A maior criminalidade dos estrangeiros face aos portugueses revela-se assim ilusória”, concluem.

    “Diariamente, há estrangeiros a ajudar o país a crescer e o que vende são as notícias sobre o envolvimento de estrangeiros na prática de crimes”, critica Seabra, lamentando o modo como a comunicação social trata estes temas.

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  24. 24 24  João Pedro

    Típico texto à medida do BE. Os estrangeiros são sempre vítimas, criticar o sque se dedicam ao crime é xenofobia, etc. Só que os factos são o que são e não permitem outra leitura: o assalto à agência do BES em Lisboa era um acto de brasileiros, os vinte marmanjos que invadiram aquela esquadra não sei onde eram brasileiros, vários outros assaltos violentos que têm sido cometidos por aí são da autoria de brasileiros. Negar o facto de que a sociedade brasileira vive num clima de violência urbana muito maior do que aquilo que se verifica em Portugal é pura loucura.

    E já agora, um desmentido: os portugueses são mesmo descendentes de Afonso Henriques, três vezes, em média. A genalogia assim o comprova. Se o Luís Leiria prefere ser brasileiro é com ele – até porque parece que o seu lado português só tem defeitos e o o outro apenas qualidades – mas não tente atribuir factos a qualquer grupo “xenófobo”.

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  25. 25 25  bejense

    como é logico o estudo que refere é global, e não compara os emigrantes entre eles (e.g. chineses versus brasileiros).

    Depois os emigrantes de 2ª e 3ª geração vindos de Africa estao considerados no estudo (e bem) como portugueses, os ciganos tb… ora assim nao é dificil que o racio seja identico. Leia lá bem o que eu escrevi e seja intelectualmente honesto e diga-me lá se a emigracao chinesa e indiana tem alguma coisa a ver com a brasileira? E obvio que estou a falar em termos globais e percentuais. Os esterotipos não nascem do nada, onde ha fumo à (na maioria dos casos) fogo.

    Em todo o lado e em todos os povos, raças e credos ha pessoas boas e pessoas más, agora ha é um medo bacoco de chamar as coisas pelos nomes e ter medo de afirmar que ao cruzar-se com um cigano tem mais hipoteses de ser assaltado ou incomodado do que ao cruzar-se com um e.g. Ucraniano… e não ha pachorra para os sociologos de meia tigela que continuam a tapar o sol com a peneira e chamar xenofobo e racista a quem apenas constata FACTOS. A conta do nao podemos descriminar é que estamos a ser invadidos (ultimamente) pela ralé Brasileira (é obvio que nao sao todos nem quase todos) que vê em Portugal um sitio em que pode practicar a vida que levava no Brasil (de crime) com uma quase total impunidade (devido as leis) e sem repressao policial (ai os direitos liberdades e garantias que davam logo para o louca fazer um discurso de 30min) e chulados (sim chulados) pelos parasitas dos ciganos (claro que nao sao todos, mas estes QUASE todos) que vivem da exploracao do nosso sistema de protecao social e dele tiram proveito – enquanto por fora fazem uns «aeurios» com a contrafacao, droga e roubo (e ainda tem figuras ilustres a explicar que coitadinhos que é da sua cultura e tal – eu ca sou preso (e bem) se tiver relacoes com uma miuda de 13anos – eles casam-nas obrigadas com essa idade…

    à conta do fantasma do fascimo e da pide temos uma policia com medo de actuar e uns tribunais que nao funcionam por incompetencia, por medo e/ou codigos penmais demasiado brandos.

    A probabilidade de ser apanhado num crime associada ao tempo de prisao (castigo) efectivo tem de ser tal que apenas as franjas da sociedade arrisquem optar pelo crime ou esta m****a nao funciona.

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  26. 26 26  Carlos Marques

    Se o seu lado de português definhou um pouco, se já não gosta assim tanto deste país, que ficou assim a ser um pouco menos seu, então por que continua cá? Talvez porque os brasileiros em Portugal ainda são muito menos violentos do que os brasileiros no Brasil e assim ainda é possível sair à rua à noite nas grandes cidades e não viver preocupado com o jovem e louvável doutorando … Porque é que os portugueses que vão para França, ou que foram para o Brasil, ou que vão agora para Inglaterra, não se lembram destas brincadeiras de mau-gosto na Net? Talvez porque tenham mais humildade, a humildade de não cuspir no prato onde comem, a decência de não insultar o país que lhes dá trabalho ou facilidades para estudar ou para roubar – a mania de superioridade, a arrogância, a falsa simpatia deve ser de terem crescido a ouvir contar anedotas de português… Ou talvez se comportem assim porque noutros países, incluindo o Brasil, brincadeiras destas teriam outro tipo de condenação geral. Mas como em Portugal a opinião intelectualizada está maioritariamente entregue a uma clique de estrangeirados de esquerda – tudo bem, continuem a brincar à vontade e o povo que lê o Correio da Manhã que se foda! Eu acho é que o Daniel e sus muchachos têm menos consideração e compreensão com os portugueses desafortunados ou desgraçados do que têm com os outros – com os portugueses, raramente há compreensão e tolerância (excepto se forem ciganos ou pretos). Estamos à espera do texto no Expresso sobre a populaça que agrediu o coitadinho do jovem em Alhos Vedros.

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  27. 27 27  Arlequim

    Cada vez que o SEF expulsa algum imigrante ilegal ou mal comportado não posso evitar ficar contente. É sempre necessário alguma autoridade, aquela que inconscientemente subjaz aos textos do arrastão. Há vários imigrantes que não merecem estar cá nem o país que os acolhe e lhes dá o pão para a boca.

    O texto do Luís Leiria é extremamente parcimonioso na escolha de exemplos e quando tenta ter graça ou elegância falha em sinistro.

    Em suma, a xenofobia é um sentimento generalizador, no sentido em que agrega bastantes membros distintos na mesma classe e que aflora naturalmente quando alguns elementos dessa classe contribuem para serem conotados de um modo negativo.

    Os brasileiros assaltam, estupram, violam, assassinam. Nenhum jornalista ou pessoa sério o pode ignorar. Não se deverá interpretar então a xenofobia como uma reacção típica de defesa ao que é mau?

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  28. 28 28  Nom_de_Guerre

    Um texto tão conciso como certeiro, para além de um retrato pessoal excelente de uma das minhas citações preferidas:

    “Um homem é de onde melhor se sente.”

    Para linkar.

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  29. 29 29  Splash

    Dá muito jeito colar os brasileiros aos ciganos!

    Só se for no crime violento, em que alguns brasileiros se igualam aos ciganos, que por sua vez se igualam aos ucranianos, aos marroquinos, aos romenos …e aos portugueses não ciganos.

    Mas as semelhanças acabam aqui!

    É que vejo muitos brasileiros como empregados de mesa – ciganos nunca vi!
    Vejo muitos brasileiros a trabalharem duramente na construção civil – ciganos nunca vi!
    Vejo muitas brasileiras a trabalhar a limpar escadas – ciganas nunca vi!

    Enfim, vejo os cidadãos brasileiros perfeitamente integrados e respeitados porque trabalham em todo o tipo de profissões!
    A integração dos ciganos é uma fábula enquanto esta etnia continuar a pensar e a agir em prol dos direitos que tem e não em prol dos deveres a que devioa ser obrigada.
    E os culpados disto somos todos nós que continuamos a trabalhar e a pagar impostos para eles continuarem a “cultivar a sua identidade” de viver sem nada produzir.

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  30. 30 30  Mouzinho

    O sr Luis que citou os “sociólogos” pode falar com os seus colegas do Público e perguntar sobre as reportagens onde se fala (sem contar com os portugueses de BI e pele mais escura) na peso superior ao que tên na população.

    Se já foi a uma prisão na Grande Lisboa( eu já fui a várias) confirmará que na maioria…há negros ou negras. é de referir a censura, que dizer o cuidado em não revelar este tipo de estudo…porque não se pode esconder, quer dizer…estigmatizar nada nem ninguém

    O sr pode também falar do estudo do ACIME que refer (em 2003) 12% de presos são estrangeiros, ou dos que têm RMI, ou dos que têm casa paga…mas sempre a zurzir nos racistas dos portugueses

    aproveito para citar
    “Ora nem de propósito! Na semana em que dirigentes do SPP apontaram a abertura de fronteiras como uma das causas do aumento da criminalidade, tendo sido imediatamente atacados pelo MAI, acusados de “xenofobia & racismo”, eis que o Correio da Manhã vem dar razão a estes polícias!*

    O CM de hoje noticia que “catorze por cento dos reclusos que cumprem pena nas cadeias portuguesas são estrangeiros e a maior parte deles (696) foram condenados por tráfico de droga”. Para além destes 14%, o CM informa que “as cadeias albergam ainda, além dos que cumprem pena, mais 3016 reclusos em prisão preventiva – destes, cerca de um milhar [33%] são estrangeiros que aguardam julgamento por crimes diversos”.

    O mesmo CM informa-nos ainda de que “o número de estrangeiros que residem legalmente em Portugal aumentou de 2004 para 2005: passou de 443 583 para 457 721. Representam hoje quatro por cento da população portuguesa, mas as autoridades acreditam que residem ilegalmente no nosso país, pelo menos, mais 150 mil imigrantes – o que significa sete por cento da população.”

    Para além destes dados, ficamos também a saber que “cada recluso, segundo o Ministério da Justiça, custa ao Estado 43,08 euros por dia. Contas feitas, a população prisional estrangeira custa 1,8 milhões de euros por mês, 21,7 milhões por ano.”

    A primeira coisa que chama a atenção a qualquer pessoa é a desproporção: a população estrangeira é desproporcionalmente mais criminosa que a população portuguesa – e isto é um facto, não é um juízo de valor. Até parece que já ouço a explicação dos arautos do “politicamente correcto” e da “tolerância”: “essas pessoas são exploradas, vivem em guetos, são vítimas de exclusão social e pobreza extrema, e é só por isso que são obrigadas a recorrer ao crime para sobreviverem!” Não digo que não. A questão é outra: porque é que importamos pobreza e consequentemente criminalidade? Porque é que não há rigor nas entradas? Porque é que o recurso à mão-de-obra estrangeira não é a excepção e sim a regra? Porque é que há imigrantes desempregados em Portugal? Porque é que há imigrantes desempregados a receber o subsídio de desemprego? Talvez não existam assim tantos “trabalhos que os portugueses não querem fazer”… talvez haja interesse na criação de um vasto “exército de proletários” dispostos a trabalhar por qualquer salário… Temos então que a política de imigração maciça, é também uma política de importação maciça de miséria!

    Outra dúvida que me ocorre é a seguinte: em 29 de Dezembro de 2003 o DN publicava que 30% dos presos em Portugal eram estrangeiros. O que é que se passou para este número se reduzir de 30% para 14%? Repatriamento? Nacionalização? Fica a dúvida…

    Uma última dúvida: estes criminosos importados custam aos cofres do Estado português 21,7 milhões de euros por ano. Será que aqueles magníficos “estudos científicos” com que somos recorrentemente presenteados, que demonstram “sem qualquer margem para dúvidas” que os imigrantes contribuem imenso, em termos financeiros, para o país, também incluem este valor? (já para não falar dos custos relacionados com as incontáveis campanhas de “sensibilização” e promoção da “tolerância”, com o reforço de policiamento em “certas” áreas, com a sobrecarga dos nossos hospitais, escolas e serviços públicos de uma maneira geral, com o crescimento desorganizado das cidades, com os “bairros sociais” que de tempos a tempos são oferecidos aos nossos colonizadores, com os subsídios dados a associações imigracionistas, etc.)

    Agora só nos resta aguardar ansiosamente que Rui Marques, Alto-comissário para a Imigração e Minoria Étnicas, nos venha explicar, como se fossemos crianças de 4 anos, que a imigração não tem nada a ver com o aumento da criminalidade!”

    in http://vanguardanacional.blogspot.com/2006/05/imigrao-e-criminalidade.html

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  31. 31 31  m&m

    Luis Leiria
    como bem sabe, xenofobia é essencialmente medo do «estrangeiro». Os brasileiros não são xenófobos (diz você); superioridade moral? ADN? educação? não me parece, pois até são racistas. Porque será então que não têm medo do «estrangeiro»? simplesmente porque não têm razão para isso, digo eu.

    Subscrevo em parte o seu texto. O correio da manhã fez uma campanha miserável e xenófoba. O crime vende.
    A grande maioria dos brasileiros entre nós são gente honesta . Trabalhadora. Agora não se pode escamotear que no universo de crimes violentos há uma boa percentagem de brasileiros e africanos; e é essa a imagem que fica. Infelizmente.

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  32. 32 32  alice goes

    Por que não fala sobre uma lei da Benedita que leva qualquer um a prisão sob o estúpido e falso argumento de racismo quando uma pessoa chama a outra de pretinho, negro, negão e outras quejandas expressões!
    Visto por mim em Paço de Arcos na BP, junto ao ar para os pneus, no último domingo: um senhor septuagenário(talvez) de maneira educada dirige-se a um “cara” brazuca e diz-lhe que ele não podia curcular em seu Renault19 com duas criancinhas bem novitas sem as cadeiras apropriadas pois era irregular e perigoso, resposta do dito: “-ó meu se mete com a sua vida tá… os filhos são meus!… vai a m…! O senhor ficou encarnado e vexado… Aliais se a polícia tivesse mais atenção naquelas bandas fazia uma razia e peras, “meninas” então!
    Quanto ao senhor ter nascido em Portugal, isso não o faz português! Acima de tudo ser PORTUGUÊS é ter um estado de espírito permanente para com esse rectângulo.
    Já deveria ter optado a muito tempo. Afinal ninguém pode ter dois mundos tão diferentes e espero que assim permaneça!Cada macaquinho no seu galho!
    Sempre portuguesa!…
    ps.: se o senhor alguns anos de Brasil, eu tive mais que 30 anos… conheço as manhas cariocas todas…

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  33. 33 33  Jack Ansei

    Parabéns, meu caro Luis.
    Bom te ver assim, aguerrido, combatendo o bom combate.
    Zé.

    Ps.: Aliás, para os demais, informo que sou brasileiro, filho de matrimônio entre neto de suiço com filha de libaneses, ambos também brasileiros. E tem mais: aqui também tem português que não presta, mas a gente não faz estardalhaço nem matéria jornalística culpando-os por nossos males. Isso, aqui, não se faz não.

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  34. 34 34  Neubauten

    Texto de génio reflexo exacto da realidade.
    Ai o q seriamos nos pobres lusitanos se n fossemos o q os brasileiros nos fizeram! n seriamos nada.
    Desde Fernando Pinto que salvou a nossa TAP, praticamente falida.
    Desde Scolari e Otto Gloria, os únicos q levaram longe a nossa seleçao.

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  35. 35 35  Luis Leiria

    Carlos Marques, Alice Goes,
    Já estava a estranhar que ainda não tivesse aparecido alguém a querer expulsar-me de Portugal. Querem o telefone do SEF? Podem denunciar-me. Quem sabe eles fazem vista grossa ao BI português? (Aviso já que acho difícil, conheço a direcção do SEF, eles respeitam-me e eu respeito-os… e sabem que em Portugal não se pune delito de opinião. Mas não custa tentar…)

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  36. 36 36  Carlos Marques

    Expressei a minha opinião e a sua resposta é dizer que estou a advogar que o senhor seja punido por expressar a sua e que essa punição seja a expulsão, devolvido a um sítio que considera melhor e com gente mais civilizada. É típico da vossa clique: só se é decente nos argumentos se for para concordar. Porque não disse também que eu defendi que o SEF, no processo de expulsão e de punição pela sua opinião, pegasse no seu BI e lho devolvesse com o nome de Luís Pernambuco em lugar de Luís Leiria? Não tenho nada contra quem trabalha, seja de que nacionalidade for, assim como não tenho nada a favor de quem rouba ou se dedica a provocações gratuitas, seja de que nacionalidade for, seja de quem meio social for. Mais respeito e consideração pelas dificuldades dos portugueses pobres, que certamente não têm condições para a sua elevada visão do mundo, era só isso que gostava também de ter lido no seu texto.

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  37. 37 37  Ricardo Ramalho

    Tenho aqui lido algumas barbaridades, algumas já clichés tão gastos que até irrita… Mas enfim!

    Deixo aqui um repto aos saudosistas das fronteiras fechadas:

    - Quais são as opções que há? Têm alguma ideia? Expulsar todos, e generalizar pondo toda a gente no mesmo saco não vale.

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  38. 38 38  João

    Ainda bem que a nossa malta que está lá fora não é criminosa…

    Fonte http://jn.sapo.pt/
    Mais de 1600 portugueses detidos no estrangeiro
    Tráfico de droga está no topo das acusações. Europa tem mais portugueses atrás das grades

    2008-08-28
    EDUARDA FERREIRA

    O maior número de portugueses detidos no estrangeiro está em sistemas prisionais europeus, sobretudo os da UE. Mas, entre os mais de 1.600 presos, há os que cumprem penas em países como o Japão, a Tailândia ou o Perú.

    O peso das comunidades portuguesas é visível na distribuição de detidos nacionais pelas prisões de outros países. Números fornecidos ao JN pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros dão conta de 1.615 portugueses a cumprir pena ou a aguardar julgamento fora das nossas fronteiras. França (581) tem o maior número de casos e, no seu conjunto, a Europa soma cerca de 1.130.

    O número global não corresponde ao efectivo de presos nacionais além-fronteiras; ele diz respeito aos casos em que houve contacto com postos consulares, por iniciativa do cidadão ou de instâncias do país em que se encontra.

    A distribuição de detidos pela geografia mundial não cobre apenas lugares em que a emigração portuguesa é expressiva (e também uma segunda geração com passaporte português). Esses serão o caso já citado da França e também a realidade relativa ao Luxemburgo (142), a Espanha (182), Bélgica (37), Suíça (21), aos Estados Unidos (165), ao Canadá 41)e, parcialmente, à Venezuela (34) ou Brasil (90). A emigração recente para o Reino Unido também já terá contribuído para que ali haja 75 portugueses detidos. Emigração à parte, os números de Espanha foram ontem aumentados com quatro detenções na Galiza, por distribuição de marcas de vestuário falsificadas.

    Os países das Américas Central e do Sul expressam uma realidade coincidente em muitas detenções: o tráfico de estupefacientes, aliás apontado como o motivo mais recorrente para o encarceramento de portugueses em solo estrangeiro. Naquelas regiões, e se excluirmos o Brasil, há 102 nacionais sob essa acusação; o último desses casos ocorreu há duas semanas, com um jovem detido no aeroporto de Lima (Perú), onde já havia 31 compatriotas atrás das grades, mais do que a Colômbia e a Costa Rica (cada um com quatro).

    Um número diminuto de detenções tem a ver com casos de burla, fraude, abuso de confiança e, com expressão ainda mais reduzida, com acusações ou condenações por violação, pedofilia e homicídio.

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  39. 39 39  João

    Já os brasucas no “exterior” são criminosos a sério! Três ou quatro vezes mais brasileiros presos no estrangeiro do que portugueses! Bandidos!
    Hum, espera lá, os emigrantes brasileiros no mundo são 3,5 milhões e os portugueses são 1 milhão. Eh pá, não me digam que somos tão criminosos como os brasucas!?

    Fonte: http://noticias.terra.com.br/
    Prisão a brasileiros aumentou

    O crescimento do número de casos de brasileiros detidos no exterior não é exclusividade dos imigrantes que vão para os Estados Unidos. Nos últimos 12 anos, o número saltou de 921 para 4.020, de acordo com o Itamaraty. As estatísticas podem ser ainda maiores, porque nem todos os governos fornecem os dados sobre o assunto.

    Metade dos casos envolvem brasileiros que tentam a vida no exterior de maneira clandestina. Os crimes mais comuns são tráfico de drogas, prostituição, roubos e furtos. Vários brasileiros detidos em alguns Estados americanos, no entanto, foram presos por estar sem documentos no país.

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  40. 40 40  atom

    Ex. Senhor Luís Leiria:
    Pergunto-lhe se, para salvaguardar o bom nome dos brasileiros em Portugal, não seria avisado que as nossas autoridades exigissem o cadastro criminal de cada um dos seus compatriotas, candidatos à entrada neste país?
    Eu até sugiro que esta medida só deve ser aplicada a países com os quais não há tratado de extradição, e que tem comunidades imigrantes significativas (Brasil e Cabo Verde).
    Posso recordar o caso do Sr. Padre Frederico que regressou ao Brasil sem que possa ser extraditado.
    Recordo o Sr. que é suspeito do assassinato de um polícia na Amadora (polícia esse de origem cabo-verdiana) que parece que está em Cabo Verde sem que possa ser extraditado.
    Como conheço brasileiros que estão em Portugal para se afastarem da violência no seu país de origem, esta medida também seria tranquilizadora para eles, e claro era tranquilizadora para nós, indígenas.

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  41. 41 41  Luis Leiria

    Ó Atom,
    Se a sua única fonte de informações é o Correio da manhã, fica realmente mal informado. O SEF já faz isso há muito tempo.

    “a) Controlo de entrada de estrangeiros nas fronteiras externas de Portugal
    – Ao contrário do que é referido no artigo [do Correio da Manhã], o controlo da entrada de estrangeiros em Portugal, nas fronteiras externas portuguesas, que é da competência do SEF, é exaustivo e completo, obedecendo a regras uniformes que foram aprovadas ao nível da União Europeia, expressamente consagradas no Código das Fronteiras Schengen – Regulamento (CE) n.º 562/2006, de 15 de Março. Tal controlo, entre muitas outras diligências, inclui consulta obrigatória a todas as bases de dados nacionais e internacionais com informações de natureza criminal e policial, em especial o sistema de informações do SEF, a base de dados de pessoas procuradas a nível nacional e ao nível dos países que integram a Interpol, e ainda o sistema de informações schengen. Assim, a circunstância de ser nacional de país terceiro que se encontra dispensado de solicitar visto prévio para entradas em países da União Europeia no que toca a estadias de curta duração e de natureza turística, não superiores a 90 dias, não equivale de todo a qualquer pretenso “livre trânsito de entrada” nas fronteiras. A este propósito, refira-se que, os últimos dados do SEF referentes ao ano de 2008 apontam para a existência de 2600 decisões de recusa de entrada em Portugal.”

    “b) Cadastro dos cidadãos estrangeiros para efeitos de regularização
    – O artigo desvirtua por completo a realidade ao referir que a eventual regularização da permanência de estrangeiros em Portugal para estadias de longa duração, designadamente para fins de trabalho, não é precedida da verificação da existência de eventuais antecedentes criminais, quer no país de origem do cidadão estrangeiro, quer em Portugal. O novo regime de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros de território nacional só permite equacionar a regularização de tais estadias após verificação da inexistência de antecedentes criminais no país de origem e em Portugal, circunstância que é previamente verificada pelo SEF em todos os pedidos de regularização entrados no Serviço.”

    Leia mais em:
    http://www.sef.pt/portal/v10/PT/aspx/noticias/Noticias_Detalhe.aspx?id_linha=5162

    [Responder]

  42. 42 42  Luis Leiria

    Arlequim,
    Os seus comentários a um texto “que não diz nada” somam 3647 caracteres. Que trabalheira para responder a “nada”.
    Desculpe, mas não vejo utilidade de entrar em debate com alguém que antes de alinhar argumentos desqualifica de entrada o texto que quer criticar.

    [Responder]

  43. 43 43  Luis Leiria

    Carlos Marques,
    Tenho o maior respeito e consideração pelos portugueses mais pobres. Muitos deles estão a voltar a emigrar, e a sofrer nos países de acolhimento as consequências de campanhas xenófobas, expulsões, etc, promovidas por pessoas que pensam como você. O Canadá foi um exemplo recente.

    [Responder]

  44. 44 44  Luis Leiria

    m&m,
    Na minha modesta opinião, os brasileiros são pouco xenófobos porque o Brasil, durante todo o século XX, foi um país de acolhimento de milhões de estrangeiros das mais variadas nacionalidades: japoneses, italianos, portugueses, alemães, sírios, libaneses, judeus de várias nacionalidades. Só para dar um exemplo: entre os melhores hospitais de São Paulo estão a Beneficiência Portuguesa, o Hospital Sírio e Libanês, e o hospital Abert Einstein (construído pela comunidade judaica). Não tem nada a ver com ADN, e sim com cosmopolitismo.
    Quanto à criminalidade de estrangeiros ser maioritariamente de brasileiros e africanos, não conheço estatísticas que o comprovem. Não nego que haja brasileiros criminosos em Portugal, como os do BES. Mas também houve um homicídio feito por um francês e ninguém fez campanha contra os franceses.

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  45. 45 45  Luis Leiria

    bejense,
    É capaz de me dizer onde obteve a informação de que “vinte marmanjos que invadiram aquela esquadra não sei onde eram brasileiros”? Pode-me citar a fonte? Essa acusação não conhecia, gostava de saber…

    [Responder]

  46. 46 46  Carlos Marques

    Caro senhor Leiria, para não o deixar dizer-me o que eu penso, típico da esquerda que vive das opiniões que defende e quer impor aos outros, vou-lhe dizer o que penso: emigrante que comete crimes com violência contra outras pessoas, que até podem ser brasileiras, veja lá bem, deve ser devolvido à origem, a xenofobia (isto é: discriminação) deve ser dirigida não contra os emigrantes, mas contra os patrões que se aproveitam de mão-de-obra mais barata para pagar menos a toda a gente.

    Meu caro, acha que aquela brincadeira, vamos assumir que é mesmo brincadeira porque eles agora dizem que são todos inocentes e enquanto outro não matar outro ourives a sangue frio não temos provas do contrário, não acha que aquela brincadeira devia merecer mais condenação da sua parte do que o jornal que a publicou? Conheço pessoas de nacionalidade brasileira que ficaram horrorizadas, pois se vieram para cá para viver melhor, só a ideia de o pior das favelas estar a vir atrás não é algo que deixem passar como se nada fosse ou não existisse nada, como se não se tivesse passado nada. Já estava em Portugal quando se deu o caso dos Verdes Eufémios? Na altura o BE começou por defender os “jovens activistas”. Essa defesa puramente ideológica e descrente da realidade foi boa ou má para a causa dos anti-transgénicos? Quando à vergonha de ser jornalista, e dado que o é, tem bom remédio, comece por investigar as construções selvagens que continuam a ser feitas em Lisboa, apesar do Zé, que afinal não faz assim tanta falta.

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  47. 47 47  Daniel Oliveira

    carlos, estou baralhado.foram estes rapazes que mataram um ourives?

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  48. 48 48  atom

    Ex. Senhor Luís Leiria:
    Informo que nunca, desde que o jornal existe, comprei o Correio da Manhã ou sequer o li.

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  49. 49 49  Carlos Marques

    Sim, Daniel. Um dos rapazes que entrava nestas brincadeiras matou um ourives em Setúbal. Pode ser coincidência, mas pode não ser. Eu acho que não sou fascista, nem para um lado nem para o outro, melhor, eu não quero ser fascista – se foi uma brincadeira, foi só uma brincadeira, apenas acho que, se não se deve acusar levianamente as pessoas de uma nacionalidade, não se deve cair no oposto de desculpar. Se a comunidade brasileira em Portugal fica com má imagem, a culpa não é dos portugueses, logo os próprios brasileiros respeitáveis devem ser os primeiros a condenarem sobretudo os seus compatriotas brincalhões. Ponho-me a pensar: o que faria um oriental, um japonês? Não ficaria com vergonha dos seus compatriotas, antes de mais? Mas o senhor Luis Leiria é português, apesar de pensar que é brasileiro – se calhar se fosse mesmo brasileiro tinha ficado mais incomodado com os “rapazes”, que agora parece que são apenas todos bons rapazes.

    [Responder]

  50. 50 50  AG

    «O meu lado português é forte porque vivi intensamente o 25 de Abril. Se Portugal tivesse continuado a fenecer no cinzentismo salazarento que marcou a minha infância e início da adolescência, suspeito que me teria visto livre do lusitanismo como de uma peçonha que me agarrasse a pele.»
    (…)
    «É em dias como esse que eu fico com vergonha de ser português (e de ser jornalista).»

    Então, afinal, o que identidade é essa de “ser português”?

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  51. 51 51  Maria

    49 Carlos Marques
    25 Set 2008 às 13:34

    Concordo consigo.
    O que diz acerca dos brasileiros que vivem no nosso pais e que cometem crimes e verdade e de facto todos os actos criminosos devem ser punidos segundo a gravidade dos mesmos.
    Serve tambem e e boa verdade para todos o elementos de todas as comunidades que residem em Portugal.

    No entanto , os crimes cometidos por cidadaos quer sejam eles brasileiros, negros, russos ou ciganos,sao cometidos nao pelas comunidades mas por elementos dessas comunidades e sao na sua natureza tao graves como os que sao cometidos por qualquer outro cidadao de origem portuguesa.
    Nao devem portanto tornar-se arma de arremesso contra essas comunidades.
    E isso e o que esta a acontecer e desde ha muito ca por estas bandas.
    Quando foi o caso da quinta da fonte ( e este e apenas um exemplo ) o que se viu e ouviu foi vegonhoso.Quando aconteceram estes ultimos crimes cometidos por brasileiros repetiram -se as cenas.Esses sao ataques que ultrapassam em muito a natureza de criticas ao comportamento selvagem de alguns e e completamente inceitavel .

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  52. 52 52  Bejense

    @luis leiria:

    nao fui eu q disse que eram brasileiros, mas ja agora:

    in CM: 25 Setembro 2008 – 00h30

    «Operação Maresia: Ataque à máfia das favelas da margem Sul
    SEF ataca máfia das favelas
    O objectivo do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras era claro. Identificar brasileiros para perceber a dimensão de uma realidade que começa a preocupar as autoridades portuguesas. São centenas, vêm de favelas do Brasil e agrupam-se na Margem Sul. Estão ilegais e muitos têm cadastro. Edivaldo, o jovem recentemente detido pela PJ pelo homicídio de um ourives em Setúbal, pertencia ao Primeiro Comando Português, um movimento que apregoava a violência.»

    vale o que vale pois o CM so esta unsfuros acima do jornal o crime…

    PS: ainda nao me disse se, estatisticamente, lhe era indiferente cruzar-se com um grupo de chineses ou de brasileiros as 4 da manha na 24julho :) para o ajudar a escolher eu se a escolha fosse entre ciganos e braileiros escolhia os brasileiros pois acho que a probabilidade de me lixar era substancialmente maior

    [Responder]

  53. 53 53  fado alexandrino

    estou baralhado.foram estes rapazes que mataram um ourives?

    Foi um deles.
    E mais curioso tinha cadastro estava ilegal, e já tinha sido convidado a abandonar o país.
    Mas deixe lá, com um pouco de sorte ainda se descobre que tem um trisavô transmontano e assim a culpa passa já para um português

    [Responder]

  54. 54 54  Luis Leiria

    bejense,
    Portanto não existe isso de “vinte marmanjos que invadiram aquela esquadra não sei onde eram brasileiros”? Bem me parecia.
    Não frequento a 24 de Julho às 4 da manhã. Mas era-me indiferente cruzar-me com um grupo de chineses ou de brasileiros.

    [Responder]

  55. 55 55  Carlos Marques

    Maria,

    É isso mesmo, foi isso que eu disse. E o que acho igualmente lamentável é o processo inverso de meter todos no mesmo saco, isto é: são todos bons, bem intencionados ou vítimas. Se já não nos bastava ajudar as vítimas da nossa própria sociedade desigual querem ver que agora ainda vamos ter que ajudar as vítimas da brutalmente desigual sociedade brasileira? Portugal não tem dimensão para isso, por muito que doa ao Daniel e a outros , isto ainda não é a Suécia.

    [Responder]

  56. 56 56  João Pedro

    Deixe lá o Bejense, que quem falou no assalto À esquadra, em Moscavide, fui eu. Mea culpa, não eram vinte, eram entre dez a quinze, e só depois, baixinho, é que se disse que eram brasileiros.
    Fica o link:

    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1327103

    Neubaten, e que seria dos brasileiros sem os portugueses, já agora? Existiriam como tal, ao menos?

    [Responder]

  57. 57 57  Luis Leiria

    João Pedro, no link que postou não fala em brasileiros. Quem disse baixinho que eram brasileiros? Você? Rica fonte… Que falta de seriedade, francamente.

    [Responder]

  58. 58 58  Luis Leiria

    Carlos,
    A Segurança Social lucra com os imigrantes, ao contrário do que está para aí a dizer. Se se baseasse nos factos em vez de nos seus preconceitos, o debate seria mais fácil…

    [Responder]

  59. 59 59  Maria

    E o costume.
    Da maneira como alguns aqui escrevem , ate parece que o pais esta em guerra e que os brasileiros sao a tal fonte de instabilidade e terror.
    Pois olhem , onde eu vivo os brasileiros e brasileiras ( e conheço imensos ) sao pessoas muito afaveis , bem dispostas e muito trabalhadoras.Nao existe nenhum gang lol as crianças sao do melhor que ha , os adolescentes tambem e nao existe nem panico nem medo nem nada desse ambiente que teimam em fazer crer que existe em todo o lado.

    Agora vao me dizer que eu vivo onde??
    Paraiso setimo bairro a esquerda??….

    Tanto preconceito enjoa mesmo e muito.

    [Responder]

  60. 60 60  Bejense

    Infelizmente à muitos imigrantes sem contracto de trabalho, entregues as mafias de empresarios chicos espertos… ora esses nao descontam para a SS, como é que a SS lucra com os imigrantes? esta-se mais uma vez a basear numa estatistica em que nao estao (nem poderiam estar) os imigrantes clandestinos e os sem contracto?

    [Responder]

  61. 61 61  Luis Leiria

    bejense,
    Os irregulares só não têm contrato porque não lho dão; mas também nunca recebem nem irão receber qualquer benefício da Segurança Social.
    Por isso, não alteram em nada o lucros que os imigrantes dão à S Social.

    [Responder]

  62. 62 62  Carlos Marques

    Luís Leiria,

    Preconceitos? Vá falar sobre preconceitos à família do ourives assassinado em Setúbal – esses é que só se forem santos é que não têm preconceitos. Eu não tenho razões para ter, ou não ter, preconceitos contra os brasileiros – sei que nem todas as brasileiras são uma doçura, nem todos os brasileiros são uma simpatia, são pessoas como toda a gente. Do que eu gostava mesmo era de jornalistas mais independentes em Portugal, e mais corajosos já agora, mas isso era querer que os médicos também fossem mais altruístas – estou a generalizar para efeito de argumentação, não é preconceito, sei que há excepções.

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  63. 63 63  Pacheco

    Até pode efectivamente ser assim como diz, uma grande invenção da imprensa.

    Mas será que podemos garantir a 100% que é assim?

    Se efectivamente houver qualquer coisa em concreto, como podemos ter a certeza ?

    Só quando houver um padrão tão definido que não deixe margem para qualquer dúvida?

    Isso não será um bocado tarde ?

    Quando é que na América descobriram que havia crime organizado ?

    Quando ele era já tão evidente que se tornou óbvio.

    Quando é que em Portugal descobriram as brigadas FP 25 Abril ?

    Quando já estavam no terreno a fazer estragos. Tarde demais, na minha opinião.

    Quando é que no Brasil descobriram que havia um PCC, tarde demais na minha opinião.

    É óbvio que não pretendo uma policia ao estilo Minority Report, a prender os criminosos antes mesmo de eles agirem.

    Contudo estarem á espera de um recrudescimento da criminalidade para poderem tirar conclusões, não me parece uma boa politica.

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  64. 64 64  André Correia Maricato

    Boa iniciativa! Bom post. Em todo o lado há quem não goste dos estrangeiros, no Brasil também há quem não goste dos portugueses.

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  65. 65 65  Renata

    Somos quase 190 milhoes de pessoas , enquanto que em Portugal sao qq coisa como 10 milhoes. O negócio é nao dar ouvidos à ignorancia, pois coitados dos que a ouvem aí em Portugal. Ficarao cada vez mais pobres e ignorantes e a vida vai continuar sendo sempre infeliz por culpa dos “outros”. Enquanto isso vao ficando cada vez mais sem dinheiro e profissionais para lhes arrumarem os dentes, cada vez mais sem escolas e “escolaridade”, cada vez menos atraentes em todos os sentidos aos olhos do mudo, sendo que pela ignorancia que carregam ( salvo excecoes, claro), estao num sitema evolutivo abaixo de muuuitos e em quase todas as áreas.
    Poxa e no jornalismo, nem se fala! Ainda bem que o senhor voltou e escreve lindamente…coisa de quem conhece a vida e sabe julgar uma árvore pela beleza que ela possui nas 4 estacoes….e nao só no inverno!
    É uma pena, pois adoro visitar Portugal e amo este país, mas o povo realmente está mesmo desesperado…Coitados!!tstststsss…

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  66. 66 66  Francisco

    Luís, se você é o jornalista que militou na Convergência Socialista, nos conhecemos nos anos 80. Se não, és um homônimo com um ótimo texto e uma causa digna: tanger a xenofobia. Uma das provas de que o capitalismo passa por uma crise aguda de valores (a crise econômica é ridiculamente pequena diante disso) similar àquela que antecedeu ao fim do Império Romano, é que a xenofobia está reciclando seu discurso, tentando fazê-lo parecer com “defesa de direitos” – como emprego, cultura, espaço. Durante alguns anos tomei o gosto de ir a Portugal com minha família. Desde 2006 não o faço mais porque o tratamento mesmo a turistas brasileiros começou a ser desairoso. Na cidade onde vivo e onde nasci, Belém do Pará, a colônia portuguesa domina o comércio varejista desde a década de 60. Integraram-se de tal maneira que é impossível não conviver com seu sotaque sem percebe-lo como parte de nossa cultura. Brasileiros serem tratados como “estranhos” em Portugal é uma indecência. Que sua luta tenha sucesso.

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  67. 67 67  eu

    Luis…vc que vive no Brasil sabe da quantidade de brasileiros que se espremem nos ônibus das grandes cidades, às vezes 4…5…horas por dia…por salários miseráveis…e ainda são chamados de canalhas e malandros por quem nunca viveu por aqui e essa realidade vai se repetir em Portugal, há crime tb, considerável.Mas a maioria de pobres trabalha, e muito. Mas qual a graça falar de pobres trabalhando…coisa chata, não? Se tiram empregos de Portugueses por aceitarem menos???…não sei, não conheço Portugal. O que sei mesmo, é que até onde as condições de vida são dificílimas a grande maioria dos brasileiros que moram lá são trabalhadores. Mas fiquei achando incrível mesmo é o fato de que há 3 vezes mais brasileiros presos em todo o mundo que portugueses. Levando-se em conta que há 200 milhões de brasileiros e 15 milhões de portugueses….o que pode-se dizer?????
    Não…não vou fazer o que nos fazem…
    Outro dia vi um comentário de um brasileiro dizendo que portugueses não gostavam de brasileiros pq aceitavam qualquer trabalho….bem, o problema é por trabalharem ou não trabalharem?…sobre mão de obra barata, não se preocupem a china está dando um banho em todos nós quando se trata disso. e a europa não vai conseguir viver de si mesma…sem mão de obra barata…por que acham que as coisas estão cada vez mais complicadas? Foi necessário a China e seu capitalismo assustador para que o mundo rico começasse a perceber o que é na verdade o que eles chamam de “trabalho” e trabalhador”.

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