Apesar da abstenção ter aumentado em percentagem, tem de se ter em conta que, por via do recensamento automático, o número de eleitores inscritos também aumentou. Ou seja, na realidade votaram mais 163 mil pessoas o que, perante o cenário europeu, não é tão mau como parecia à partida. Se o número de votos nulos foi um pouco acima do normal, o de brancos foi muito superior (4,6% contra os 2,6% de há quatro anos), o que tem uma leitura política.
Nos pequenos partidos, a assinalar apenas o 1,5% do MEP. Mas a leitura mais fina do resultado mostra qual o eleitorado deste partido e a sua origem, coisa que a comunicação social nunca mostrou. Ultrapassa em 3 freguesias algum dos cinco maiores partidos: as duas da Foz, no Porto, e a Lapa. O resto dos resultados confirmam um voto conservador de classe média-alta, muito ligado aos movimentos que fizeram nascer o partido: os “pró-vida” dos sectores mais conservadores da Igreja. O MEP, que fez uma campanha dizendo muito pouco sobre si próprio e tentando passar a ideia que seria “centrista”, é, na realidade, um partido de direita católico, muito conservador nos costumes e mais moderado em questões sociais. Teremos finalmente um partido confessional em Portugal? Não seria mau, pela clareza. O CDS pode vir a ter o que temer. Ou talvez seja apenas o fenómeno Laurida. Veremos.
O PNR consegue ficar à frente do POUS de Carmelinda Pereira e atrás de todos os outros, isto apesar de todas as suas acções ao longo destes anos merecerem largo tratamento mediático. Ficamos a saber o que sabíamos: quase todos os seus pouquíssimos eleitores (0,37%) vivem nas caixas de comentários de blogues e de jornais online. O MMS (que nos disse que era novo e pouco mais) e o MPT deverão ter o mais alto rácio voto/gastos em campanha. No caso do MPT, estou à espera de saber os moldes da sua relação com a rede Libertas. Seja como for, os muito pequenos não ganharam muito com o descontentamento.
19 comentários 8 Jun 09 em Sem categoria19 respostas ao post “Europeias: abstenção, nulos e brancos e outros partidos”
- 1 Pingback on 10 Jun 2009 às 11:32




Sobre o comentário, que considero parcialmente bastante bom, só vou escrever sobre o PNR.
Este partido enquanto permitir que alguns ou mesmo todos façam uma apologia da ideia nazi, deve ser simplesmente banido.
A extrema-direita inteligente que se agiganta pela Europa não é isto.
Ela é aliás necessária para equilibrar a loucura que o socialismo arrasta sempre que pode (des)governar.
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Concordo inteiramente com as palavras do Daniel acerca da génese do MEP. Mais uma vez tentaram vender gato por lebre, mas felizmente o povo não é burro. Shame on you Laurindinha!
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MSS ou MMS (Movimento Mérito e Sociedade)???
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Boas!!
Um palavra para os votos brancos, os verdadeiros votos de protesto!!!
Eu votei…
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Engraçado como quem perde dá grande ênfase à abstenção e quem ganha coloca-a em segundo plano.
Não haja enganos: houve mais votantes, mas a abstenção AUMENTOU!!!! Preocupante…
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A Laurinda também parece ter algum apoio em São Mamede, o que só vem corroborar a sua tese da direita católica, que eu acrescentaria “com um vago perfume New Age” (tipo, também fala/medita com Deus).
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Eu gostava de saber se nas contas desta campanha do MEP vai constar a publicidade feita em centenas de autocarros da Carris a um livro do sr Rui Marques.
É que ninguem acredita que foi a Porto Editora a pagar aquela campanha milionária, a um livro que parece vender bem pouco.
Em suma uma forma expedita de fazer publicidade ao MEP, sem ter de apresentar essas contas como despesa de campanha.
E já agora quem pagou a campanha do MEP, era interessante saber.
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Só não percebo o resultado do POUS. Juro que não percebo.
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Uma imensa minoria, por enqunto ainda (já) é o 6.º maior partido. Vamos apagar Portugal:
http://hipocrisiasindigenas.blogspot.com/2009/06/eu-voto-branco-parte-i.html
Saudações Democráticas
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Daniel, em relação ao MEP penso exactamente o contrário.
Meteram a Laurinda Alves (católica e pró-vida) para darem uma imagem falsa.
De facto MEP n é de direita e muito menos confessional.
Fez foi uma tentativa (com pco sucesso parece-me) de se passar por isso.
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Não só é católica como da linha Vaz Pinto, tal como Rui Marques.
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A leitura politica dos votos em branco é que ficou por fazer… fica para a proxima.
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Z
Concordo absolutamente consigo.
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Gostei daquele video do POUS que passou por aqui no outro dia.
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Dá q pensar: 4,6% de votos em branco…porque as pessoas deram-se ao trabalho de se deslocarem e irem ver as modas às escolas e juntas de freguesia e não votaram…alto protesto!
Ou então eram pessoas q iam para votar CDS e depois cairam na real e preferiram votar em branco…se foi assim está bem!porque…quem é q vota CDS???!!!acho incrivel q votem CDS…Quem é q vota CDS???!!!
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É fácil denegrir assim os pequenos partidos… eu votei MEP e não sou de classe média-alta. Bem antes pelo contrário! Eu gostava de saber se o Daniel também gostava quando apelidavam o BE de “um bando de trostykistas”… É pena que a mensagem de esperança, o elogio a associações ou empresas que têm enfrentado com mérito o desafio europeu, o debate sério de assuntos europeus sejam abordados desta forma por si! mas é o que eu vejo e o que sempre vi na política… campanha negativa!
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Afinal de contas o marinho pinto tinha muita razão quando disse que o não voto é democrático, já devia estar á espera dos discursos em tom de desgraça do PR e dos seus amigos e seguidores que é tudo gente que o que quer é o bem da nação de preferência quando são eles a estar no poleiro
-Felizmente que ainda há boa gente neste país que topa ao longe e que não se deixa enganar pelos sinais de mau agouro, lol.
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Não concordo com a sua opinião e muito menos com a de algumas pessoas acima. É muito bom que tenha aparecido um partido como o MEP, para chamar “os bois pelos nomes” e também alertar muitas consciências distraídas,desprovidas dos maiores valores éticos e civilizacionais que sempre caracterizaram esta Europa. Já agora,transcrevo esta notícia do seu site e meditem sobre os tristes sinais dos tempos em que vivemos :
“A recente decisão do Governo de incluir a interrupção voluntária da gravidez no rol das situações em que é garantido às mulheres um subsídio social de maternidade constitui uma opção política que o MEP critica e que considera particularmente grave.
Note-se que, com esta opção, excede-se em muito a despenalização e legalização do aborto que esteve em cima da mesa, no último referendo. Mesmo para os defensores do “sim” esta decisão deve gerar uma enorme perplexidade, porque, não só se despenaliza, como se atribui um subsídio por uma realidade – maternidade – que estas mulheres livremente rejeitaram.
Esta decisão política revela, pois, uma visão oblíqua de quem confunde duas realidades inconfundíveis: a maternidade plena e a sua interrupção livre e consciente. O Governo perdeu, nesta matéria, a noção dos limites da razoabilidade e dá sinais profundamente errados à comunidade.
Este erro político e ético soma-se às opções – também erradas – que, em sede de regulamentação da lei do aborto, já haviam sido tomadas. Estas riscaram o compromisso anteriormente assumido pelos defensores do “sim” no que respeita ao aconselhamento às grávidas e a colocação de alternativas efectivas ao aborto, como por exemplo, o apoio social a grávidas carenciadas para que pudessem levar a termo a sua gravidez.
O Governo decidiu mal. O MEP lamenta-o.”
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