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A CDU foi uma das forças vitoriosas da noite. Reforça-se, em relação às últimas europeias, com mais 1,6% e mais 70 mil votos. Mantém os seus dois deputados quando se elegem menos dois. Mais importante: volta a ser a primeira força em Setúbal, Beja e Évora, muito por causa da hecatombe socialista. E consegue, em percentagem, o seu melhor resultado nos últimos 15 anos.

Mas é, como se notou no pouco entusiasmo na própria noite, uma vitória agridoce. A passagem do BE a terceira força tem efeitos no futuro e os comunistas sabem-o, já que sempre apostaram no argumento da sua força à esquerda. Longe vão os tempos em que a palavra “divisionista” era eficaz. Ainda assim, o Bloco sobe à conta do eleitorado socialista e não do comunista, o que é bom para o PCP e para a esquerda. Mas fica evidente que, tal como se suspeitava, o BE tem mais capacidade de atracção junto do eleitorado mais distante do que o PCP. Aliás, o PCP tem quatro votantes por cada pessoa que se manifestou em Lisboa, o que diz uma coisa boa e outra má: que tem uma impressionante capacidade de mobilização dos seus apoiantes mas que tem muita dificuldade em atrair os que não sejam indefectíveis.

A importância, até pela pequena margem de diferença, da passagem do Bloco seria apenas simbólica e com pequeno alcance se tivessem elegido o mesmo número de deputados. Como tudo indica (a confirmação é já apenas uma questão formal) que o Bloco elegeu mais um, isso tem efeitos práticos no GUE e no Parlamento Europeu. Vale o que vale.

Ainda assim, o PCP é, com o BE, uma das forças da “Esquerda Unitária” que melhores resultados conseguiu na Europa. Não a considerar vitoriosa por causa de uma diferença de poucos milhares de votos, como vi num jornal, não faz qualquer sentido. Tem, com muito mais propriedade do que o CDS, direito a um lugar no pódio.


22 respostas ao post “Europeias: PCP-PEV”  

  1. 1 1  fado alexandrino

    Excelente comentário.
    Como diz o outro “assino por baixo”.

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  2. 2 2  Vicente de Lisboa

    O Daniel bem tenta tratar o assunto com pinças, mas vão malhar-lhe na mesma, já devia saber isso.

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  3. 3 3  olho

    Isto é muito grave, pura difamação, meu caro Daniel, ASPIRINA B está a ir longe demais, entrou pela difamação

    “Rangel é um animal de rixa de bancada, da boquinha sacana e da filha-de-putice do ganho de curto prazo como estratégia de longa duração. Foi o que fez na celebração do 25 de Abril na Assembleia da República, marimbando-se para a solenidade e simbolismo da ocasião, onde assinou por baixo um discurso comicieiro e arruaceiro. O miserabilismo político do PSD é tal que a sua falta de qualidades como estadista se transformou, por propaganda da claque, em embalagem de inteligência. Pode mudar, claro, mas neste momento a sua fama diz mais de quem o rodeia do que de si, ça va sans dire.

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  4. 4 4  Joana de Freitas

    «A importância, até pela pequena margem de diferença, da passagem do Bloco seria apenas simbólica e com pequeno alcance se tivessem elegido o mesmo número de deputados» -diz Daniel.

    Mas, vistas friamente as coisas, custará assim tanto ao Daniel reconhecer que a obtenção pelo BE do 3º deputado, nas circunstâncias muméricas em que ocorreu (2490 votos mais que a CDU)também é da «esfera do «simbólico» ou quase do «acaso» ou «bambúrrio» ?

    Finalmente, é claro que a muito cuidada análise do Daniel é de incidência eleitoral. Mas, podia-se perguntar: mas agora o Daniel e o Bloco tem uma exclusiva visão eleitoral dos processos sociais e políticos?

    É que se PCP e BE tem praticamente os mesmos votos, alguém se atreverá a dizer que o BE tem um quinto do sólido enraizamento social do PCP e da sua intervenção na sociedade portuguesa ?

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    Daniel Oliveira Reply:

    Joana, é natural que a minha análise seja eleitoral, já que estou a fazer uma análise eleitoral.

  5. 5 5  Toninho

    “O Daniel bem tenta tratar o assunto com pinças, mas vão malhar-lhe na mesma, já devia saber isso.”

    Se me permitem…vou soltar um valente LOOOOOOOOOOOL

    :)

    Cumprimentos.

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  6. 6 6  corvo

    Daniel a Joana é o PCP sectario e obtuso que hoje lambe as feridas . E porquê…. porque foi ultrapassada pelo Bloco.

    Afinal não aprenderam , nem querem aprender nada, o«Jardim da Madeira já vem dizer que 21 % de comunistas é um perigo.

    Que ele é contra o Bloco Central mas….

    Em suma as forças á esquerda do PS terem obtido 5 deputados e 21 % assusta a direita.

    Era nisso que o PCP deveria meditar, e pensar se quer fazer parte de uma esquerda plural, NÂO sectária, com capacidade de se constituir como alternativa á direita e ás politicas de Socrates que essa direita apoia.

    Mas em lugar disso, é a raivinha, o despeito, que os move, é por isso que a direita dos interesses se consegue coligar para defender os tachos, e a esquerda não consegue traçar uma politica unitária de combate á crise.

    Continuo a pensar que o Bloco deve ser claro, o comboio está em marcha, não marginalizamos ninguem, mas tambem não aceitamos que nos queiram atribuir estatutos de subalternos, todos são benvindos, desde que deixem o sectarismo á porta, e que estejam neste combate com o intuito de derrotar as politicas de direita de Socrates, e a direita no seu todo.

    E que sejam repudiadas quiasquer tipos de alianças com sectores dessa direita.

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  7. 7 7  bico de lacre

    Ó Daniel essa sua mania de fazer análises eleitorais a seguir ás eleições…

    Já agora, quantos avos de Deputado Europeu elegeu o PEV?

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    Daniel Oliveira Reply:

    nenhum, bico. Era o terceiro da lista, segundo sei.

  8. 8 8  Joana de Freitas

    Resposta a Corvo:

    Mas desde quando é que levantar serenamente questões – que nem sequer foram respondidas – é «despeito» ou «lamber feridas».

    E como pode escrever que «não marginalizamos ninguém, mas tambem não aceitamos que nos queiram atribuir estatutos de subalternos, todos são benvindos, desde que deixem o sectarismo á porta» quando é público, notório e indesmentível que o BE e Alegre não fizeram qualquer contacto com o PCP para as iniciativas que promoveram ?. Afinal, quem é que foi tratado como «sabalterno» ?

    No caso de a «troca de galhardetes» prosseguir, é favor responderao que concretamente escrevo e não com variações em ré menor que passam ao lado das questões colocadas e dos argumentos usados.

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  9. 9 9  Tiago R

    Muito boa análise, DO. Merecido aplauso.

    E, de facto, psicologicamente pode ser complicada a passagem a quarta força, ainda que tangencial.

    Mas, creio que quando a CDU cresce, tende a ser um eleitorado fiel, um apoio sólido.

    E mais 70.000 votos são 70.000 votos!

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  10. 10 10  Nuno Alentejano

    o PCP tem quatro votantes por cada pessoa que se manifestou em Lisboa, o que diz uma coisa boa e outra má: que tem uma impressionante capacidade de mobilização dos seus apoiantes mas que tem muita dificuldade em atrair os que não sejam indefectíveis.

    Não percebi. Estamos a partir do princípio que quem participou na manifestação é um indefectível do PCP? Correlaciona-se o número de manifestantes e o número de votantes no PCP nas eleições para o PE, para depois se concluir que tem uma fraca capacidade de atrair quem não seja indefectível (isto é, quem não participou na manifestação)?
    Podes esclarecer este ponto?

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  11. 11 11  JP

    Caro Daniel,

    Estou inteiramente de acordo com a sua análise.

    Enquanto eleitor da CDU teria preferido ficar com o 3º deputado (mais importante que ser a 3ª força, quanto a mim) e foi pena isso não ter acontecido e ainda por cima por uma margem tão pequena. Não fosse esse particular e a festa tinha sido perfeita.

    Apesar disso, creio que foi bom ter ido para o Bloco (para o PSD não teria adiantado nada), reforçando a equerda nacional. Parabéns ao BE pelo seu resultado.

    Muito gostaria que estes resultados (quer da CDU quer do BE) fossem repetidos nas eleições legislativas porque, aí sim, poderiam fazer uma grandíssima diferença nas políticas nacionais (coligação?).

    Cumps
    JP

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  12. 12 12  A.R.A

    DANIEL OLIVEIRA

    Excelente leitura dos resultados! Salvo uma ou outra ressalva de somenos importancia, estou totalmente de acordo.

    Aquele Abraço
    A.R.A

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  13. 13 13  Antonio Cunha

    O PCP domina as câmaras municipais quase todas à mais de 30 anos na península de Setúbal.

    Setúbal é dos concelhos onde existe mais miséria e violência em Portugal, onde existe mais desemprego e mais corrupção.

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  14. 14 14  EL.CaBonG

    Vá lá…aguentaram-se…

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  15. 15 15  Fernando Norte

    A CDU, com maior abstenção, viu nestas eleições a sua votação crescer 22,91%, relativamente às realizadas em 2004.

    Perante isto, falar-se em lamber feridas… só de um… corvo!

    Ver o BE com alguns votos mais que a CDU custará apenas, porque, ninguém o negará, tem sido tal o favorecimento dos média, relativamente àquela força política (em claro contraste com o que acontece com a CDU), que falar-se em “concorrência” desleal é eufemismo.

    A CDU congratula-se sempre com o reforço da esquerda, qualquer que seja, desde que… esquerda. Lembrando que o PS também se apresenta como de esquerda, ainda que a sua prática política se faça ao arrepio das vestes com que se apresenta. Aliás, já o diz o aforismo “o hábito não faz o monge”.

    Também o BE, apresentando-se como de esquerda, por vezes parece tergiversar. O que também não admira, dadas as múltiplas “pluridades” que em si encerra. Daí que, tantas vezes se lhe vá repetindo que “a convergência faz-se na acção”, que não na retórica.

    No que o BE deve meditar é que a partir de agora, quem o ajudou a incubar, facilitando-lhe a vida, vai ter que fazer pela própria vida, o que, consequentemente, se traduzirá no apertar das facilidades e apoios… Pelo que, o invocar e jocar com as posições de personalidades de outras forças políticas para atrair simpatias à sua causa, passará a ser chão que deu uvas!

    Lá mais para o final do ano, veremos então quem tem razões para “raivinhas” e despeito…

    Já agora, importante mesmo, é atentar que, na Europa, os partidos de direita no poder se aguentaram, ainda que baixando a votação, já os ditos partidos de esquerda, que andaram a fazer o que a direita nunca se atreveu, foram penalizados. É que, por muito boas que se apresentem as “cópias”, sempre há quem prefira os originais, sobretudo se não foram sujeitos a desgaste!

    Em traços gerais, a análise de Daniel O. não é merecedora de grande contestação.

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  16. 16 16  Tiago R

    Será psicologicamente complicado, já o afirmei, para algumas pessoas, essa questão da hierarquia de forças, o quem ficou à frente de quem.

    Mas há que olhar as coisas racionalmente. E, racionalmente, a esquerda não “centrista” (a esquerda centrífuga?) teve um importante crescimento de votação. Quer absoluta, quer relativa.

    A transposição de um cenário deste género para as legislativas poderia abrir perspectivas muito interessantes em termos de convergências (que não coligações) parlamentares futuras.

    Havendo (muita) matéria em que PCP e BE discordam, há também muita em que concordam e poderão pôr muito peso político e parlamentar nestas propostas.

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  17. 17 17  Kim

    O BE e a CDU que se deixem de merdas e mesquinhices.
    Os 21,5% que tiveram obriga-os a coligarem-se e a oferecerem ao país uma clara alternativa de esquerda.
    Desse modo o país tinha 3 blocos eleitorais distintos. PSD, P”S” e uma união de esquerda, CDU e BE com clara hipotese de dispotarem o poder.
    Mãos à obra!

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  18. 18 18  José Dourado

    Kim, há muito tempo que penso que, um dia, as esquerdas terão que se unir necessariamente, pois terão de travar o mesmo combate. Digo-lhe até que, afectivamente, uma aliança de esquerda é o que mais me seduz. Julgo que essa aliança será inevitável.
    No entanto, e olhando para a realidade do momento, talvez a não existência (agora) de coligações seja um factor fortemente favorável para o crescimento das duas esquerdas em questão, BE e PCP. E creio que esta análise está bastante clara nos dois partidos.
    Portanto, creio que a estratégia deve ser mantida, com o objectivo de, no parlamento (e prevendo bons resultados eleitorais), aí sim, haver uma convergência capaz de mudar muita coisa neste país.
    Para já, estejamos sorridentes com esta percentagem de 21,4% e, sobretudo, confiantes para os combates que se avizinham.

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  19. 19 19  Kim

    José Dourado, o problema não é esse. Agora com a aproximação das legislativas vai começar o choradinho do voto útil, de que a escolha é entre socrates e ferreira leite, enfim as tretas do costume, e isso tem sempre efeito e vai acabar por marginalizar o BE e a CDU e fazer com que as pessoas não olhem para eles como verdadeira alternativa de governo. Pelo contrario uma coligação pré-eleitoral entre a CDU e o BE criaria claramente 3 alternativas eleitorais em pé de igualdade, além de que teria um efeito mobilizador muito grande, iria buscar muitos votos à abstenção e tudo estaria em aberto e tudo era possivel. Desunidos o BE e a CDU limitam-se a ser as ovelhas negras do sistema e nada mais, além de que há um desperdicio enorme de votos que não servem para eleger deputados e vai continuar-se a perpetuar a dança de cadeiras entre o PSD e o PS como tem acontecido nos ultimos 35 anos da democracia da treta em que temos vivido. Eu falo por mim, sem uma coligação deste tipo, sem uma alternativa clara de governo de esquerda vou-me abster…

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  20. 20 20  Tiago R.

    Caro Kim:

    Você tem razão quando diz que uma verdadeira alternativa de esquerda só se construirá, um dia, com uma aproximação entre o PCP e o BE. E há, desde já, muita matéria de convergência parlamentar.

    Mas uma coligação pré-eleitoral é uma coisa muito mais séria. E isso será muito mais difícil enquanto houver posições tão divergentes como o facto de o BE defender uma Europa federal e uma constituição europeia e defender posições tão irresponsáveis como defender um referendo sobre o aborto (vá lá, ganhou-se) quando a questão podia ser resolvida na AR ou, ainda, defender posições tão irresponsáveis como as do Verde Eufémia, que distanciam os trabalhadores das forças de esquerda.

    Não digo com isto que o PCP não devesse também alterar algumas das suas posições…

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