No seu editorial de hoje, José Manuel Fernandes diz que no site Esquerda.net «exulta-se com a vitória antecipada de Hugo Chávez, o caudilho venezuelano.»
Ficamos a saber que para José Manuel Fernandes dar notícias é sinal de apoio. A sua direcção editorial já tinha dado a entender esse estranho conceito de informação. Mas nada como ir ler ao portal aquilo a que se refere Fernandes.
O dossier sobre a Venezuela tem textos para todos os gostos. Uma notícia com projecção de resultados e ambiente de fim de campanha. Um artigo do jornalista brasileiro Gilberto Maringoni. A reprodução de uma entrevista a Hugo Chávez. Uma entrevista a Eric Toussant, Presidente do Comité pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, critico em relação ao governo de Chavez. Outro texto igualmente crítico de José Quintero Weir, professor na Universidade de Zulia e membro do movimento indígena venezuelano. Uma entrevista a Tariq Ali, que elogia Chavez. Um artigo, previsivelmente critico, desse perigoso esquerdista que dá pelo nome de Francis Fukuyama. Tempos de antena de Hugo Chávez e de Manuel Rosales. E uma lista de sites para acompanhar as eleições.
Das duas uma: ou José Manuel Fernandes só leu as gordas e ainda assim resolveu escrever sobre elas, e é, como jornalista, um incompetente e um irresponsável. Ou leu e preferiu fingir que não viu. E então é muito pior do que isso.
Como já escrevi várias vezes, não gosto de Hugo Chavez e do seu populismo. E o dossier agradou-me imenso. Longe de tomar posição, faz o que se esperaria que um jornalista como José Manuel Fernandes fizesse: dá os vários lados (de quem apoia Chavez, de quem o critica pela esquerda e de quem o critica pela direita) e deixa as pessoas pensar. Mas para José Manuel Fernandes isso é inaceitável. O contraditório é conceito que desconhece. Está apenas familiarizado, como se precebe pelos seus desvairados editoriais, com a propaganda histérica. Note-se que, ao contrário do director do “Público”, o portal de um partido político não tem as obrigações da imprensa. Mas, extraordinariamente, parece que até os partidos são mais exigentes com a informação que divulgam do que José Manuel Fernandes, director de um jornal e detentor de carteira profissional.
José Manuel Fernandes tem todo o direito de criticar um partido. O mesmo, todas as semanas, se assim o entender. No tom que entender, mesmo que se aproxime do hooliganismo. Tem todo o direito de usar um jornal fundado por jornalistas como tribuna das suas campanhas. Enquanto lhe derem esse direito, pode continuar a destruir a reputação daquele que, antes de lhe darem o lugar de director, foi o melhor jornal português. Mas ao deturpar o que lê, seja porque não foi escrupuloso no seu trabalho, seja porque não consegue esconder os seus preconceitos, mente aos seus leitores. E mostra mais uma vez (ver texto a propósito de um editorial sobre o Líbano, em que em cada frase havia uma erro factual ou mesmo uma mentira deliberada) a sua falta de brio profissional. É o que dá quando um activista político se faz passar por jornalista.
Por Daniel Oliveira 3 Dez 06 em Sem categoria


Sou aderente do Bloco e não com o Chavez populista e perigoso.
Daniel o que está aqui em causa não é o Chavez e o seu populismo nacionalista.
O que está em causa para o Fernandes , que goza fèrias em Israel na altura da invasão do Libano com tudo pago, , e se revela um subserviente criado do governo de Israel, que apoia a invasão do Iraque e a politica agressiva de Bush, é que possa haver um blogue de um partido de esquerda o Bloco, que é capaz de fazer um dossier sobre as eleições venezuelanas, com várias, e algumas contraditórias opiniões, deixando a cada um que as leia ,fazer o seu juizo.
É isto que incomoda o Fernandes, para ele só pode existir, uma linha justa, e uma opinião abalizada , a DELE….
mas ouve ou não arrastão? ainda nao sei…
O Público já foi um grande jornal. Já deixei de comprar hà algum tempo. Mas, se calhar, apesar de o Publico ter menos leitores o engº Belmiro gosta mais assim. De jornal de referencia a um mero panfleto.
manuela, claro que para o bloco de esquerda é fácil não se associar com nenhum líder mundial. por muito bom que ele seja, por muita riqueza que ele tenha trazido ao povo venezuelano, por muito democraticamente que ele tenha sido eleito, por muito socialistas que sejam as suas políticas, não se apoia, porque há risco de ele não ser perfeito!
ninguém é perfeito… e se se descobrisse os “crimes do chavismo” como é que atacavamos o PCP com os “crimes do estalinismo”, (mesmo sabendo que muitos comunistas não se revêm na ex-URSS)… ficavamos sem bocas para mandar!!!
alguns bloquistas vão passar a vida à procura do socialismo feito por homens perfeitos, sem nunca arriscar apoiar ninguém (porque ninguém é perfeito)… assim é fácil.
O PCP passa a vida a ser acusado de complacência para com crimes brutais da era de Estaline. Mas na altura não se sabia… e hoje sabe-se e o PCP deixou de ser estalinista, e ainda bem.
assim sem arriscar vão longe e um dia hão de chegar ao poder. é nessa altura que o bloco deixará de fazer sentido, que os bloquistas descobrirão que o humano é imperfeito e a imperfeição é humana.
Pior do que o Zè sò o Lu Del gado, ambos populíssimos.
Baldassare, deculpe mas não percebi de todo onde quer chegar…
Criticar, o Chaves o Lula, o Morales, naquilo em que estes dirigentes erram, é obrigação de todos os homens de esquerda.
Eu não me revejo nestes populismos, e desconfio deles, o que não impede que siga com a maxima atenção todas estas novas experiências que vão surgindo, e não deixe de dar todo o meu apoio ao desejo de indepêndencia destes povos, e á sua luta para encontrar um caminho livre da bota dos USA.
Agora tambem não embarco, em caudilhismo populistas, mesmo que mascarados de socialismo ou de ideias ditas de esquerda, só porque estes dirigentes , tenham em relação aos USA e ás suas politicas, uma posição semelhante á minha.
Demitir-me de criticar aquilo que nestas experiêncas me parece perigoso,esta visão estranha de homens providenciais, isso sim seria abdicar de ser um homem de esquerda.
Quanto ás complaçências do PCP com o periodo do José Estaline, não me vou aqui pronunciar, pois é assunto demasiado complexo, para ser tratado de forma leviana .
Agora o que não entendo é que contra todas as evidências, o PCP continue a defender o dito Partido Comunista Cubano, e o regime autoritário que Fidel impôs em Cuba, ou essa ditadura sanguinária, mascarada de comunista que é o regime da Coreia do Norte.
Confesso ter um ódiozinho de estimação por José Manuel Fernandes. Dá-me ideia de ter faltado a toda e qualquer aula sobre honestidade intelectual.
J.M.Fernandes joga com os seus (seus do Daniel O.) complexos de esquerda. E o Daniel alinha, incomoda-se imenso e…parece dar-lhe razão nos complexos!É isso que se lamenta. Que a Esquerda se acanhe…
Como que é curioso este artigo do Fukuyama!
Com nao carescer de uma que deve ser certa aproximaçao a realidade venezuelana, esquence que papel xogou os USA no colapso da America Latina e a incapacidade de construir democracias representativas e modernas! E nessa historia algo estiverao a fazer…
Sera que era este tipo de democracia “tipo latino” das ultimas décadas a que os americanos tinhao em mente para o Iraque?