Não tenho grande coisa a dizer sobre o disparate, a tiros de microsoft word, escrito por um colunista de não sei onde chamado Alberto Gonçalves e (moderadamente) conhecido por Sociólogo. Não testemunhei a redacção do sr. Gonçalves à mesa da sua secretária nem a publicação subsequente. Apenas me parece que a insistência na analfabetização sumária é uma saída desproporcionada, e que o Diário de Notícias faria bem em investigar o caso e, já agora, em reorientar o zelo de alguns dos seus cronistas.
Mais fáceis de descrever, e mais extraordinárias, são as reacções aos disparates do sr. Gonçalves. Houve-as de dois tipos. As de júbilo notaram-se principalmente em parte incerta, onde multidões de anónimos exibiram puro gáudio a um sujeito de que nunca ouviram falar até às notícias do respectivo artigo, as quais incluíam referências a uma temporada na prisão por acumulação de dislates. A brutal expressão “Faz toda a falta e mais alguma” resume o sentimento desta, digamos, corrente de opinião.
As reacções de pesar não foram menos curiosas. Ao contrário dos familiares, de uma contenção apreciável dadas as circunstâncias, a maioria repetiu a tese de que o sr. Gonçalves escreveu por ser branco, orientado, sociólogo, e, aos olhos do DN, um estereótipo.
É possível, embora a responsabilidade pelo estereótipo caiba inteirinha ao sr. Gonçalves.
O delírio ou absurdo que o sr. Gonçalves pratica não o tranforma no “cientista social” referido em diversas tabernas. No seu primarismo, o gonçalvismo tem pouco a ver com sociologia e muito a ver com uma atitude de confronto face a uma sociedade que é, ou se imagina, de bom-senso. É, vá lá, um estilo de vida, traduzido à superfície no versejar ridículo e nas opiniões animalescas. E no argumentário das “crónicas” (?). O argumentário, que certa “inteligência” considera “poesia liberal-caceteira”, é, além de analfabeto, manifestação de rancor social. Por norma é também glorificação do cretino e panfleto racista.
O gonçalvismo nasceu num blogue enquanto braço “armado” e tardio do trauliteiro de direita à portuguesa, como as loas a Salazar do portugal dos pequeninos constituíram o seu reflexo “intelectualizado” (as aspas não são fortuitas). O princípio, se é que tais misérias possuem um, é o de que a “identidade ignorante” somente se define contra o “sistema”, numa postura de desafio e fúria que a “inteligência” julga legitimada por uma certa opressão. Vale a pena lembrar que, em termos realmente opressores, os brancos inventaram o hamburger, um dos maiores contributos da América para a humanidade. E vale a pena lembrar o exemplo de Ronald McDonald, um génio que os “gourmets” achavam o paradigma do “traidor”. Tudo porque, tendo sofrido no pvc a discriminação, Ronald preferiu combatê-la pela maquilhagem e não agravá-la através de inanidades gritadas por cima de uma grelha de carvão.
Obviamente, o gonçalvismo é principalmente uma invenção das indústrias psicotrópica e Global Notícias, e não traria mal ao mundo se o mundo não se deixasse influenciar por semelhante patetice. Infelizmente, da Avenida da Liberdade a Chelas, essa celebração da boçalidade é erguida aos currículos escolares e milhares de alienados tomam-na por “afirmação”. Na verdade, é o inverso: o gonçalvismo é a sujeição dos brancos ao que o “reaccionarismo” em vigor deles espera. Ao trocar a lucidez pela “poesia liberal-caceteira”, as ciências sociais pela demagogia, a educação pela agressividade, o talento pelo delírio, a única afirmação do gonçalvismo é a da inferioridade. Se levado a sério, o paternalismo condescendente limita os membros de uma redacção a uma existência parcial nas franjas da credibilidade. E não anda longe do folclore abertamente racista.
É claro que incontáveis brancos não engolem estas patranhas, e que vários intelectuais “liberais” (o termo em voga), de J.C. Espada a J. M. Fernandes, exprimem com frequência a repulsa que o atraso implícito e o “segregacionismo” do gonçalvismo lhes suscitam. Ou nas palavras do historiador Pacheco Pereira “quem no seu perfeito juízo daria o lugar de presidente do Instituto Sá Carneiro a Pedro Arroja (uma das vedetas do género que ainda não tiveram um ataque de clarividência)?”
Ninguém. O sr. Gonçalves, ou sr. “Sociólogo”, escolheu o seu próprio estereótipo. O que o Diário de Notícias poderia fazer depois seria justificável e não totalmente imprevisível.

O original, sempre melhor que a emulação, pode ser lido aqui.


61 respostas ao post “fantasia para dois coronéis e um sociólogo, a partir de Alberto Gonçalves”  

  1. 1 1  Pinto

    Se apagarmos os insultos desta crónica, o que fica? Um espaço em branco. Sobra em insulto grosseiro o que falta em crítica concreta.

    Eu até percebo que não se goste do que Alberto Gonçalves escreve – apreciar as suas crónicas não é para todos – nem da forma como escreve – os textos bem escritos são tão raros que podem fazer confusão nalgumas pessoas – mas permitam que os jornais publiquem as crónicas do (para mim) melhor cronista português. Deixem esses artigos para quem aprecie inteligência, humor e bom gosto.

    Se toda a gente gostasse do vermelho (com foice e martelo, com um bonequito preto a meio ou revestido de verde) o que seria das outras cores? Já viram a monotonia que isto era?

    [Responder]

    Sérgio Lavos Reply:

    Se apagarmos os insultos da crónica do Gonçalves, o que fica? Um espaço em branco. Sobre em insulto grosseiro o que falta em crítica concreta.

    Percebeu agora o texto do Pedro Vieira? A crónica do “sociólogo” é preconceituosa, ignorante e basicamente ridícula quando se põe a falar de algo que manifestamente não conhece. Inteligência, humor, bom gosto? Deve ser outro Alberto Gonçalves, com certeza, e escusa de me vir dizer que é por ele ser de direita, que eu até gosto de gente de direita que escreva bem, o que não é, manifestamente, o caso do “sociólogo” Gonçalves.

    José Reply:

    Sérgio, acho que se apagar os insultos, fica alguma coisa.
    A análise bastante primitiva nem vale a pena rebater.
    A questão que sobra, porventura não original, que o próprio hiphop cria um estereótipo, terá a sua pertinência, no meu ponto de vista.

    Agora o Pedro Vieira não acrescenta nada ao assunto para além da sugestão de censura.
    E razões para censurar o texto são fracas. Nem o Gonçalves foi tão longe nos anseios e há músicas de hiphop tão ou mais ignorantes ou preconceituosas (tal como textos de esquerda nos nossos jornais).

    Rover Reply:

    Claro sérgio, n quer pagar as crónicas do Alberto Gonçalves heim? E os outro têm de pagar a Câncio?

    Sérgio Lavos Reply:

    Não preciso de explicar novamente o texto do Pedro Vieira, pois não? Usar as palavras do Gonçalves num contexto diferente serve apenas para mostrar quão cretino é o molde original. Não sei porque falam de censura ou do que quer que seja parecido, a democracia permite este tipo de dislates e outros ainda piores -e ainda bem. O Gonçalves pode continuar a escrever para o DN, que eu estou simplesmente me borrifando – agora, no caso deste texto, como em muitos outros dele, aborrece-me sobremaneira o preconceito e a ignorância revelados. É um caso típico do cronista que tem de escrever sobre a actualidade e que, como não domina muito bem o assunto, inventa. As referências que ele faz ao movimento hip-hop e às lutas pelos direitos civis nos E.U.A. são absurdas, principalmente porque, que eu saiba, o cidadão em questão foi morto apenas por ter desobedecido a uma ordem da polícia. Tudo o resto são extrapolações e devaneios de quem tem um mínimo de caracteres para debitar e um prazo apertado de entrega. A expressão “mais valia ter ficado calado” é a única que me ocorre neste caso.

    José Reply:

    “O que o Diário de Notícias poderia fazer depois seria justificável e não totalmente imprevisível.”
    Sérgio, isto é uma sugestão de censura.
    Se é um puro disparate apenas para mostrar o absurdo do molde original e não o que o Pedro acha, não me pareceu.

    Porque, se isso é um disparate, significa que o Pedro não acha que “No seu primarismo, o gonçalvismo tem pouco a ver com sociologia” entre muitas outras frases do género que há no texto?

    De resto, Sérgio, tem razão.
    Esta discussão não tem nenhum proveito. Cada um está no seu direito de dizer disparates, e rebater disparates óbvios também é uma inutilidade.

    Daniel Oliveira Reply:

    É extraordinário que pessoas gostem dos textos desta figura e leiam uma cópia, que apenas muda o sujeito do insulto, e se sintam incomodadas. Que o Pinto o ache o melhor colunista português não me espanta.

    Pinto Reply:

    Sérgio Lavos,
    Usar as palavras do Gonçalves num contexto diferente serve apenas para mostrar quão cretino é o molde original.

    Tal e qual. Nem tirar nem pôr:

    Só um exemplo:

    Alberto Gonçalves diz:
    Houve-as [reacções] de dois tipos. As de júbilo notaram-se principalmente nos comentários da Internet, onde multidões de anónimos exibiram puro ódio a um sujeito de que nunca ouviram falar (…) As reacções de pesar não foram menos curiosas (…) a maioria repetiu a tese de que o sr. Rodrigues morreu por ser preto, pobre, rapper e, aos olhos da polícia, um estereótipo.

    O Pedro diz:
    Mais fáceis de descrever, e mais extraordinárias, são as reacções aos disparates do sr. Gonçalves.

    O Alberto Gonçalves fez uma crítica tanto àqueles que se regozijaram com a morte como aos que repetem a mesma ladainha há mais de 40 anos: “a tese de que o sr. Rodrigues morreu por ser preto, pobre, rapper e, aos olhos da polícia, um estereótipo”
    O Pero, por seu lado, pessoaliza a crítica e direcciona-a para uma pessoa por uma determinada direcção.

    Depois, entusiasmado, toca de reproduzir todos os inslutos que vêm à cabeça à pessoa em questão: desde racista a cretino, passando por demagogo, agressivo, delirante, valeu tudo.

    Há excertos que mostram de forma expressiva, a clareza, o pragmatismo e a inteligência de Alberto Gonçalves:

    Vale a pena lembrar que, em tempos realmente opressores, os pretos inventaram o jazz, um dos maiores contributos da América para a humanidade. E vale a pena lembrar o exemplo de Louis Armstrong, um génio que os “radicais” achavam o paradigma do “traidor”. Tudo porque, tendo sofrido na pele a discriminação, Armstrong preferiu combatê-la pelo talento e não agravá-la através de inanidades gritadas por cima de uma caixa de ritmos (…) É claro que incontáveis pretos não engolem estas patranhas, e que vários intelectuais “afro-americanos” (o termo em voga), de Thomas Sowell a Thomas McWhorter, exprimem com frequência a repulsa que o atraso implícito e o “segregacionismo” assumido do hip hop lhes suscitam.

  2. 2 2  Pinto

    “(…) Ou, nas palavras do historiador Stanley Crouch, “quem no seu perfeito juízo daria um bom emprego a 50 Cent (…)”

    Algum empresário quer responder? Vá, mas só vale empresários a sério e não “empresários” de ocasião.

    [Responder]

    empresário a sério Reply:

    Pinto, caso não se tenha apercebido, o 50 Cent já TEM (!) um bom emprego. Quer você goste, ou não, desse emprego.

    Isso é tão descabido como perguntar: “Quem no seu perfeito juízo daria um bom emprego a Cristiano Ronaldo?”

    João Reply:

    Acho que o Pinto quer que o 50 lhe arranje um emprego.

  3. 3 3  José

    Resumindo:
    O sr. Vieira gosta de hiphop. O sr. Gonçalves não.
    O sr. Vieira acha que o DN devia ter censurado o sr. Gonçalves.

    [Responder]

    moot Reply:

    Resumindo:

    O Sr. Vieira gosta de hip-hop. O Sr. Gonçalves não gosta, não sabe as origens do mesmo, e cai em falácias dignas de um miúdo de 15 anos que “não gosta dos pretos lá da escola”.

    Pinto Reply:

    moot, o Alberto Gonçalves sabe as origens do mesmo. Tanto sabe que o referiu.
    E não perca tempo com grandes histórias fantasiosas sobbre o hip hop porque é mesmo perda de tempo.

    moot Reply:

    Pinto:

    «As letras, que certa “inteligência” considera “poesia das ruas”, são, além de analfabetas, manifestações de rancor social. Por norma, são também glorificações do crime e panfletos misóginos.

    O hip hop nasceu na América enquanto braço “musical” e tardio do black power, como os blaxploitation movies dos anos 1970 constituíram o seu reflexo “cinematográfico” (as aspas não são fortuitas)»

    Isto é puramente falso e qualquer fã de hip-hop ou melómano convicto saberá confirmá-lo.

  4. 4 4  CBO

    O estilo do sr. Gonçalves adapta-se bem à linha editorial do DN. Tem por lá tantos aficcionados, que nem compreendo a razão de lhe terem reduzido as crónicas a metade.

    [Responder]

  5. 5 5  são banza

    Esta criatura continua a ter um tempo de antena que não consigo entender, francamente!

    A mim, não me surpreende a sua maneira vesga de falar seja do que for.

    Aliás, eu própria no meu blogue já tive ocasião de dizer o que penso acerca dele.

    Boa noite.

    [Responder]

  6. 6 6  LAM

    o Alberto Gonçalves é o Bruno Alves do DN, com a diferença do 2º às vezes intervalar.

    [Responder]

  7. 7 7  Fado Alexandrino

    Peço milhões de desculpas, nunca tinha ouvido falar no senhor Pedro Vieira e já eu lia as crónicas do senhor Alberto Gonçalves com muito agrado.
    São aliás as segundas coisas que leio no Diário de Noticias e volta a pedir desculpa por ser tão ignorante e preferir aquilo a isto.

    Esta última é particularmente corrosiva e acerta em cheio, e daí a dor do senhor Pedro Vieira.
    Como nota final já não é a primeira vez que um dos colegas de blog se substitui a outro a desmontar as críticas.

    Eu sei que trabalham em equipa como camaradas mas assim parece-me demais.

    [Responder]

    Sérgio Lavos Reply:

    Caro Fado,

    eu apenas comento quando o assunto me interessa, e este interessa-me bastante, até porque tenho uma opinião de Alberto Gonçalves exactamente contrária àquela que o senhor tem. Portanto, eu não tento desmontar as críticas que o Pedro faz, julgo que o texto dele é bastante claro, ainda que de forma implícita. Simplesmente, quis apenas acrescentar algo ao exercício que ele ensaia, enquanto não escrevo um texto mais extenso sobre o tema, se tiver para aí virado. Alberto Gonçalves encarna os piores preconceitos da direita que se afirma liberal mas que no fundo é conservadora, e por isso é tão apreciado.

    Daniel Oliveira Reply:

    “…já eu lia as crónicas do senhor Alberto Gonçalves com muito agrado.”

    Está explicada a sua inspiração. Agora tudo faz mais sentido.

    Fado Alexandrino Reply:

    O senhor Daniel Oliveira ao fim de dezenas de intervenções minhas conseguiu atingir a compreensão de quem eu sou do que penso e do que vou fazer daqui a bocadinho.
    Na minha modesta opinião demorou muito e precisa daquelas pilhas de que não se pode dizer o nome por causa da publicidade..
    É por ser assim demorado e pensativo que nunca vai chegar a deputado.
    Sim eu sei, não o quer ser.
    Há até uma fábula muito engraçada sobre esses sentimentos.

    Fado Alexandrino Reply:

    Portanto, eu não tento desmontar as críticas que o Pedro faz, julgo que o texto dele é bastante claro, ainda que de forma implícita

    Pois não, se calhar até dava algum trabalho.
    Do que conheço do cronista do DN a resposta vai ser demolidora, lá que aposto que ele aqui não vai dar a mínima importância ao textinho do senhor Pedro.

  8. 8 8  Pedro M Lourenço

    Brilhante!

    [Responder]

  9. 9 9  Luis Silveira

    Não sei quem é o sr.Vieira,a não ser que faz parte deste blog e que representa muito bem o seu espírito democrático quando deixa claramente entender que quando não se gosta,corta-se – uma prática relativamente frequente cá no sítio.Quanto ao resto,pouco ha a referir,para alem do espectáculo indecoroso e inestético de um sr. a babar-se de puro e vesgo ódio,gaguejando insanidades várias,na impossibilidade de puxar da pistola e abater, sem mais aquelas,quem tanto mal lhe fez ao avinagrado fígado.E quem é semelhante malfeitor? Apenas Alberto Gonçalves,um dos mais conhecidos e brilhantes cronistas da nossa imprensa,culto,inteligente,informado,cultivando um humor desarmante e descomplexado que faz as delícias de muitos milhares de leitores e põem a gaguejar de raiva os pobres Vieiras que ainda ha por aí.

    [Responder]

    ZeJota Reply:

    A sua apreciação sobre o rapaz gonçalves, é verdadeiramente orgásmica…para si, claro!

    A Besta Bestial Reply:

    “um dos mais conhecidos e brilhantes cronistas da nossa imprensa,culto,inteligente,informado,cultivando um humor desarmante e descomplexado que faz as delícias de muitos milhares de leitores”
    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH! (limpar as lágrimas) HAHAHAHAHAHAHAHAH! (inspirar, expirar fundo) HAHAHAHAHAHAHAHAH! (retomar o fôlego, voltar a limpar as lágrimas) HAHAHAHAHAH!
    Luís Silveira, assim não vale! Se mata os leitores a rir, depois não sobra ninguém para rebater esse “brilhante e descomplexado” argumentário…

    Wyrm Reply:

    Aqui corta-se? Vá ao insurgente e tente lá responder a um insulto daqueles grunhos…

  10. 10 10  Mouzinho

    Aplauso para o escriba que repudia o ódio primário:

    “onde multidões de anónimos exibiram puro ódio a um sujeito de que nunca ouviram falar até às notícias do respectivo fim, as quais incluíam referências a uma temporada na prisão por tráfico de droga. A brutal expressão “Não faz falta nenhuma!” resume o sentimento desta, digamos, corrente de opinião”

    Apulaso para o escriba que refere a cretinice de colocar o “músico” como mártir

    “a tese de que o sr. Rodrigues morreu por ser preto, pobre, rapper e, aos olhos da polícia, um estereótipo”

    e que resume bem o que é o hip hop:

    ” No seu primarismo, o hip hop tem pouco a ver com música e muito a ver com uma atitude de confronto face a uma sociedade que é, ou que se imagina, discriminatória. É, vá lá, um estilo de vida, traduzido à superfície no vestuário ridículo e nos gestos animalescos. E nas letras das “canções” (?). As letras, que certa “inteligência” considera “poesia das ruas”, são, além de analfabetas, manifestações de rancor social. Por norma, são também glorificações do crime e panfletos misóginos”.

    No dia da mulher o Arrastão pode fazer uma compilação de centenas de vídeos em que a mulher é tratada carinhosamente como bitch

    Ó problema é que a virgem Vieira se revê claramente

    “Obviamente, o hip hop é principalmente uma invenção das indústrias discográfica e televisiva, e não traria mal ao mundo se o mundo não se deixasse influenciar por semelhante patetice. Infelizmente, do Bronx a Chelas, essa celebração da boçalidade é erguida aos currículos escolares e milhões de jovens tomam-na por “afirmação”. Na verdade, é o inverso: o hip hop é a sujeição dos pretos ao que o “multiculturalismo” em vigor deles espera. Ao trocar a literatura pela “poesia das ruas”, a música pelo ruído, a educação pela agressividade, o esforço pela automarginalização, a única afirmação do hip hop é a da inferioridade. Se levado a sério, o paternalismo condescendente limita os membros de uma etnia a uma existência parcial nas franjas da legalidade. E não anda longe do folclore abertamente racista.”

    E se falar com pretos, sr Vieira, muitos dirão que diz o escriba do DN :

    “exprimem com frequência a repulsa que o atraso implícito e o “segregacionismo” assumido do hip hop lhes suscitam. Ou, nas palavras do historiador Stanley Crouch, “quem no seu perfeito juízo daria um bom emprego a 50 Cent (uma das vedetas do género que ainda não tiveram morte violenta)?”

    Dizer que esta crónica é ofensiva, ou que tem ódio (o eterno argumento de certa pseudo-intelectualidade para a minima crítica a negros) é de má fé, ignorância ou pura estupidez.

    Faltou ao escriba do DN mostrar um exemplo recente da cultura pacífica, conciliadora do hip hop

    http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?channelid=00000010-0000-0000-0000-000000000010&contentid=A9A0115E-23D0-4338-A48B-AB5AF13686E1

    E ó Vieira, gostaria de ver rebater os argumentos, em vez de atacar o oponente, mas talvez se aplique a história do lacrau – é a sua natureza, e este artigo revelou o seu lado pavloviano.

    [Responder]

    Pedro Reply:

    Sr. Mouzinho, já se apercebeu da canalhada que andava a passear-se pelos corredores da assembleia da república, pagos por todos nós que roubo com a mão desarmada e de cara destapada e ainda têm a lata de se fazerem de vítimas em jornais em televisão… essa laia toda junta também já era hora de ir dentro, é que vai da rosa à laranja, passando pelos submarinos e ainda é bem capaz de chegar à tomatada!

    Desses ninguém escreve…pelo menos assim!

  11. 11 11  Tarzan

    Fantástico! Dezenas de linhas e nem um só argumento. Só ataques pessoais não fundamentados. É obra!

    [Responder]

    Wyrm Reply:

    E que argumentos deu o bruto para fundamentar a sua opinião acerca da morte de um rapaz?

  12. 12 12  joao cortes

    Parece-me que ‘o ‘ Vieira muito atento ‘ao’ Gonçalves, na verdade estava à espera de um pretexto para escarrapachar um discurso quase literário (ou tem muito jeito – q inveja! – ou perdeu demasiado tempo) de ataque ‘ao´Gonçalves e pegou neste como poderia ter pegado noutro artigo dele. Seria mais interessante ir à raíz da questão tratada pelo Gonçalves sem preconceitos e racismos paternalismos ridiculos de análise, que os pretos não precisam nem querem, ou seja sem racismo. Os pretos e os brancos são iguais (é preciso afirmá-lo? Porra!), há grunhos em todas as raças e racistas em todo o expectro politico (uns complexadamente outros assumidamente).

    [Responder]

  13. 13 13  Antonio Cunha

    O Hip Hop está para a musica como as claques estão para o futebol.

    Agora tirem as vossas conclusões.

    [Responder]

  14. 14 14  Daniel Oliveira

    Fado, adoro ler os diálogos que tem consigo próprio. Queres ser deputado, diz o Fado. Não, não quero, responde o Fado. Mentira, grita o Fado. Mas ainda estou à espera daquele momento em que o senhor escreverá qualquer coisa sobre qualquer assunto. Que as palavras que aqui deixa, todas juntas, transmitam uma qualquer ideia.

    [Responder]

  15. 15 15  Daniel Oliveira

    Vai ser “demolidora”!!!!!
    Fico contente por haver mercado para tudo. E de facto, o “sociólogo” Gonçalves é cara do Fado Alexandrino.

    [Responder]

    Fado Alexandrino Reply:

    Muito bem, agora responde à resposta que foi dada ao senhor Lavos que assina por procuração do senhor Vieira.
    Deixa lá homem, nunca quis ser deputado?
    Prontos, tem razão.

    Olhe também já não consegue ser vogal a ganhar do CCB, foi sorteado e calhou á sua colega e grande “escritora” CFA.

  16. 16 16  Pinto

    O gonçalvismo nasceu (…) como as loas a Salazar do portugal

    Isto só mesmo de quem não lê nem conhece a forma de pensar de Alberto Gonçalves. Só de quem nunca leu as duríssimas críticas que já fez aos neonazis.

    Alberto Gonçalves tanto já exprimiu simpatia pelo povo americano, pelos judeus, pelo capitalismo, pela liberdade económica, como repulsa pelo exagerado intervencionismo estatal, pelos totalitarismos e pelos nacionalismos.
    Não me parece que Salazar partilhasse tais gostos e opiniões. Até iria jurar que muitas destas ideias são hoje partilhadas, não pela direita, mas pelo quadrante político oposto.

    Infelizmente já não sei o número da revista em que Alberto Gonçalves compara os meninos que deixam crescer o cabelo, praticam ecoterrorismo (não há muito tempo em Silves, por exemplo) e expressam ódio aos americanos e aos judeus com os outros meninos que rapam o cabelo, tatuam suásticas e expressam ódio a todos os imigrantes do país. Como ele disse (embora por outras palavras), penteados à parte a coisa é mais ou menos a mesma.

    [Responder]

  17. 17 17  Rodriguez

    “inventaram o hamburger, um dos maiores contributos da América para a humanidade”

    Hum. Caro Pedro. As veces até parecería que o que é, nao é assim tao evidente.

    Dever de començar aquí a perguntarse o porqué de que uma comida tao americana leva o nome de uma cidade alemá…

    [Responder]

  18. 18 18  Vitor Pereira

    Este foi provavelmente o texto mais idiota que li em blogs. Mas teve mais piada que os cartoons :P

    “Reaccionários”, onde é que eu já ouvi esta palavra…

    [Responder]

    Libertário Reply:

    Normalmente vem acompanhada de “luta de classes”, “burguesia” e “neo-liberais”. Nenhuma delas quer dizer o que quer que seja.

  19. 19 19  CausasPerdidas

    Convenhamos que pegar numa notícia de uma fuga de um auto-stop e extrapolar a coisa para chegar a conclusões baseadas num género musical… é obra.
    Não discuto as qualidades cronísticas do Sr. que leva ao “nirvana” alguns dos comentadores, mas segui o “link” e fiquei admirado com a forma como conseguiu fintar o popular “bem feito!” com um toque de calcanhar sociológico: “A cultura musical como factor de ignição comportamental tendente a uma resolução balística.” Brilhante.
    Não? Repare-se no ênfase de (quê, setenta por cento?) do texto dedicado ao género musical com que o baleado ganhava a vida. Assim, um fugiu porque sabia que indumentava todos os atributos estéticos do mau gosto e o outro seria… um crítico musical.
    Não houve um tipo que cometeu a estupidez de fugir de um auto-stop e um agente policial que respondeu desastrada e (talvez!) preconceituosamente a uma fuga. Não há nada a discutir acerca da forma como a Polícia e os Cidadãos se relacionam, nã!

    Confirma-me a teoria. Trazer um cão pela trela não faz de ninguém um Pavlov. É verdade que o cão costuma ser o sujeito mais peludo, mas há excepções e nenhuma delas tem a ver com o número de patas.

    [Responder]

  20. 20 20  João Berninger

    E que tal pelo menos um post sobre a reforma da saúde nos EUA? Espero que a justificação esteja correlacionada com a complexidade do tema..

    Mas pelo menos um post de regojizo! Nem isso?

    [Responder]

  21. 21 21  Daniel Oliveira

    Ele virá, não se preocupe.

    [Responder]

    Fado Alexandrino Reply:

    Ai aceita pedidos?
    Então para não dizer que eu nunca digo nada de jeito, vou manter essa atitude mas aproveito para fazer um apelo.
    Por favor ensine-me se aquela manifestação dos trabalhadores da TAP contra os seus colegas da TAP que tinham decretado uma greve deve ser apoiado ou é uma manifestação intolerável de Divisionismo. contra as justas lutas dos trabalhadores.
    Muito obrigado, sempre ao seu dispor.

  22. 22 22  Luís

    O texto do Alberto Gonçalves não é sério. Não é sério, porque evidencia ignorancia histórica e revela completo desconhecimento das diferentes dimensões do Hip-Hop. O que aliás muito me supreendeu, já que tenho este cronista como sério.

    É o Hip-Hop visto pela óptica “Mainstream”. Gangsters, bling bling, violência , ghetto.

    Curioso. Nunca pensei que um cronista tão sofisticado fosse assinante da MTV.

    PS:De la Soul, Kanye, Gang Starr, Nas, Beastie Boys. Enfim. Gostos.

    [Responder]

  23. 23 23  João Lisboa
  24. 24 24  Ana Cristina Leonardo

    Não sabia que também tinhas escrito sobre o sociólogo. por acaso achei que o sujeito podia ser sociólogo ou assim mas não tinha a certeza.

    http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2010/03/gostas-de-hip-hop-es-previsivelmente-um.html

    [Responder]

  25. 25 25  antónimo

    Daniel Gonçalves sugeriu em crónica que a tortura que o Vitor Jara sofreu foi uma benção para a música – os carrascos fracturaram-lhe as mãos impedindo-o de tocar guitarra.

    Ora, enquanto os dedos não me doerem, espalharei aos quatro ventos a sua vocação de crítico musical tendência Khomeini. Ou de ser humano tendência canalha, se preferirem.

    [Responder]

    antónimo Reply:

    obviamente é alberto e não daniel.

    as minhas desculpas ao imenso tradutor do Quarteto de Alexandria. Não se pode misturar o belo com o execrável.

  26. 26 26  André

    Eu só lamento que AG tenha direito a respostas, por muito boas que elas sejam. Alberto Gonçalves não passa de um cão pago a peso de ouro para dizer os disparates que a direita reaccionária mais gosta.

    Mesmo assim, boa posta.

    [Responder]

    Fado Alexandrino Reply:

    Que sorte que teve André.
    Outro dia por chamarem “criatura” ao senhor Daniel Oliveira ele não deixou passar o texto.

    André Reply:

    Olá Fado.

    Já tive oportunidade de várias vezes vir aqui dizer que acho uma grande treta grande parte das posições políticas tomadas pelo DO. Apesar de tudo, à sua beira, o DO é uma pessoa com quem se pode debater. Ah, e que lê o que comenta. Mas você também não é mau tipo. Desde que não me chateie.

    Já o AG, além de arrogante, insulta tudo e todos e da pior maneira possível. Que sorte teve, Fado, em não ter sido insultado. Olhe que as probabilidades eram grandes.

    Ah, é óbvio que chamar criatura é insultuoso. Mas isto sou eu que tive uma educação à menino do coro. Estas modernices.

    Um forte abraço fado

  27. 27 27  Minhoto

    O Alberto Gonçalves é um senhor. Põe o dedo na ferida e naturalmente ouvem-se berros.
    Será que o Pedro Vieira e amigos também tinham “respect” e “dor” pela a morte de um cidadão branco caucasiano de meia-idade, profissão trolha, tocador de concertina e com cadastro de ter traficado tabaco se fosse abatido pela polícia no Nordeste Transmontano numa operação stop?
    A resposta é politiqueiramente conhecida.

    [Responder]

    CausasPerdidas Reply:

    Tocador de concertina?! Hum… Qual o estilo?

    LR Reply:

    Que comentário mais cretino.

  28. 28 28  Paulo Nuno Santos

    Calma faduxo, que vem ai o santo padre.

    [Responder]

  1. 1 cinco dias » O problema de fazer piadolas com determinada gente
  2. 2 Arrastão: A cretinice não mata. Mas mói.
  3. 3 SEJA – Pinus » A cretinice não mata. Mas mói.

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