Porque está a direita tão obcecada em desmontar o mito romântico que se foi construindo em torno de Che Guevara? Porque não suportam uma evidência: que, com a democratização da América Latina, o voto tenha posto no poder mais governos de esquerda que, bons ou maus, são contrários aos interesses dos EUA na região do que quando o continente era dominado por juntas militares e ditadores.




Com o armário a abarrotar de esqueletos (exactamente aqueles que ajudaram, por reacção, a dar tanta força simbólica à imagem de Che em todo o continente), há que atacar o sintoma para esquecer a história clínica. Na América Latina, Che não é um símbolo por causa da sua história pessoal ou porque as pessoas andem distraídas. Não é um símbolo de intelectuais diletantes e adolescentes consumistas. É um símbolo popular. E é um símbolo popular por causa da história dos países daqueles que o adoptaram como tal.

Não é o mito do passado de Che que tantos artigos e livros redundantes e simultâneos – no Brasil, nos EUA, em Portugal, um pouco por todo o lado – querem destruir. É o símbolo de uma memória que, naquele continente, contraria a versão muito particular que nos vendem da história do século XX: que de um lado estava a liberdade e a democracia, do outro a opressão e o crime. A América Latina desmente de tal forma o mito que é preciso reescrever a sua memória. E querem salvar o mito por causa do presente e do futuro, claro. Uma discussão ociosas na Europa. Muito importante naquelas paragens.
Por Daniel Oliveira 9 Out 07 em Sem categoria


Bravo Daniel, marcou a sua posição, indepedentemente das opiniões alheias, adversas à sua admiração por “Che” Guevara. Este blog é seu e o resto é cantiga.
Muito bem.
Agora vão tarde. Fizeram há 40 anos uma coisa muito estúpida: assassinaram-no!
É o que tento dizer apenas numa frase, no meu post sobre o Che.
http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/2007/10/40-anos.html
O Atlântico está a exagerar. Fazes bem em contrariar a tese direitista. A América Latina através do voto, portanto da democracia política virou à esquerda, e é isso que os irrita.
“Porque não suportam uma evidência: que, com a democratização da América Latina, o voto tenha posto no poder mais governos de esquerda que, bons ou maus, são contrários aos interesses dos EUA na região do que quando o continente era dominado por juntas militares e ditadores.”
Estás enganado, Daniel. Os governos de esquerda caem por si, como a história já tantas vezes demonstrou. Os que se aguentam são ditaduras como a norte-coreana ou a cubana.
O que lamento, pessoalmente, é o empobrecimento adicional e o atraso de desenvolvimento que estes governos provocam em populações que já estavam empobrecidas, e que muitas vezes demora gerações a recuperar.
És capaz de me apontar um único caso de sucesso de um destes governos de esquerda que pratiquem políticas como aquelas que Che defendia e praticou quando teve responsabilidades governativas?
(Tem uma certa piada incluir o Chile nas fotografias. Achas mesmo que há alguma relação entre Bachelet e Chavez ou Morales?)
http://dn.sapo.pt/2007/10/09/tema/o_outro_lado_mito.html
E a pag. 33, que nem o Che sonharia o socialismo vivo do presente:
“De Hugo Chávez na Venezuela ou Evo Morales na Bolívia, a Lula da Silva no Brasil ou Michele Bachelet no Chile, até Néstor Kirchner na Argentina ou Rafael Correa no Equador, a esquerda está à frente dos destinos da região, após as eleições de 2006, definitivamente.
Enquanto o culto a “Santo Ernesto de la Higuera” segue na Bolívia, como a dizer que a germinação ainda não abandonou a semente.
E não podia vir o post mais a peito, ó Daniel:
“Quem te abateu, ofendendo A santa liberdade.
Fez brilhar, na manhã
Do mundo inteiro,
O teu rosto de
Cristo guerrilheiro,
Como um sol de
Redentora claridade!”
Miguel Torga (em versão minha da ideia)
Para quem diz nao ser fa de Che, cinco posts sobre o homem demonstra alguma indignaçao…
Bem esgalhàdo Daniel,agora aplica o mesmo raciocineo sobre Cuba.Querem ver que temos Homem?
“Estás enganado, Daniel. Os governos de esquerda caem por si, como a história já tantas vezes demonstrou. Os que se aguentam são ditaduras como a norte-coreana ou a cubana.”
Bem, qualquer governo democrático acaba, mais cedo ou mais tarde, por “cair por si”, logo, a longo prazo, o JCD está sempre certo - os governos de esquerda que se mantêm ad eternum são ditaduras (quase por definição).
Mas, por outro lado, a história também já demonstrou que os governos de esquerda da América Latina (goste-se ou não deles) muitas vezes cairam derrubados , não “por si” - Arbenz na Guatemala, Goulart no Brasil, Allende no Chile, etc.
Concordo com o Samuel: o assassínio de Che Guevara transformou-o num mártir, num mito. E o palminho de cara também não é alheio ao impacto que ele sempre causou nas pessoas (sobretudo na população feminina!). E antes que me caiam em cima com os mimos do costume, proponho que façam um exercício simples: perguntem às mulheres que vos rodeiam o que acham dele, mesmo as que não fazem a menor ideia de quem ele foi. Depois conversamos.
“quando o continente era dominado por juntas militares e ditadores. ”
Parece que ainda é:
Venezuela: Um militar, cada vez mais ditador. Agora até já dita imposições morais.
Bolívia: Um cocalero cada vez mais ditador, a conduzir o país para a guerra civil ou um golpe de estado
Argentina: Peron era militar e ditador
Velasco Alvarado: Militar e ditador
Cuba: “Comandante” e ditador
Nicarágua: “Comandante” e ditador.
Mas claro que estes são militares e ditadores “bons”.
Matam e ditam, mas em nome do “bem”.
São de esquerda pá…e na esquerda não há maus rapazes…cheiram todos a lavanda e tem hálito a menta.
E quando matam, no fundo não matam…libertam.
O Fidel, por exemplo, já libertou cerca de 30 000 compatriotas.
Mas eram dos maus, claro..
Na mouche! Mas o que irrita a direita nem é o facto de os governos terem virado à esquerda. É o estrondoso falhanço do capitalismo dos Chicago boys que, prometendo a liberdade e a emancipação económica, só trouxe miséria e repressão. Olhando para a história recente destas américas só com muito descaramento é que se podem imputar inflações ao nível dos 700%, as maiores desigualdades entre os mais ricos e os mais pobres do mundo nos anos 80 - se retirarmos África - aos fugazes governos de esquerda. Foram quase todos derrubados por golpes de estado de extrema-dirieta. Chile, Argentina, Brasil, Uruguai - ditaduras sangrentas e opressivas, mas igualmente laboratório para os chicago boys e as suas políticas de mercado livre. É ler o schock doctrine da Naomi Klein, obra que devia ser obrigatória em todos os liceus do país para que se limpe de uma vez por todas as mentiras pusilanimes dos atlânticos deste mundo.
Se gostaram do livro negro do comunismo, então não perca o Livro negro da Escola de Chicago - numa banca perto de si!
Gostava de saber por que mecanismo (os motivos adivinham-se) os comentários (alguns) não são aqui publicados - e ainda por cima, para os autores dos coments “rejeitados”, o acesso aos restantes fica bloqueado.
Meia dúzia de posts mais à frente (quando a atenção que eventualmente poderia incidir neles) já passou, os comentarios “aparecem”
Alta tecnologia,
xatoo. nunca nenhum comentário seu foi rejeitado. Volta a ler o queves fazer no texto antes dos comentários.
“É ler o schock doctrine da Naomi Klein, obra que devia ser obrigatória em todos os liceus do país para que se limpe de uma vez por todas as mentiras pusilanimes dos atlânticos deste mundo.”
Fica sempre bem uma gargalhada pela manhã.
jcd, há uma: Bachelet porque falei de governos de esquerda que não são aqueles que os EUA queriam ver no poder. Essa é a relação entre eles. Só não coloquei Lula porque já nenhuma das duas coisas é verdade.
Como já lhe disseram, todos os governos democráticos devem cair por si. E muitos governos de esquerda cairam sem ser por si.
Lidador, o seu comentário deixa claro o que é para si um presidente democráticamente eleito e um ditador. Um presidente democraticamente eleito é aquele que, eleito ou sem ser eleito, o senhor gosta. Um ditador é aquele que o senhor não gosta. É um critério como outro qualquer.
Talvez a grande maioria de governos de esquerda nao cairam por si, porque gostaram tanto de la estar que ja se punham a alterar constituiçoes pra la ficarem mais uns tempinhos… Assim sendo so mesmo a força! O pinochet, que podia ter todos os defeitos do mundo, pelo menos soube referendar a sua saida. Vamos la ver se os governos de esquerda democraticamente eleitos o vao fazer, ja que os que estao la pela revoluçao nao o fazem de certeza…
É preciso não esquecer que o Hitler também foi eleito… isto a propósito de ditadores democraticamente eleitos, e não especificamente do bigode do ché.
E alguém tem dúvidas que Chavéz é um ditador? Em especial, por causa da sua atitude em relação às televisões, por exemplo. Mas, tendo em conta o caso José Rodrigues dos Santos, nem precisamos de ir tão longe… o Mário Soares é que é o visionário no meio disto tudo!
Daniel
o seu post deveria chamar-se
“Fazer LEMBRAR a história através de Che”
Hoje o Che é um símbolo “radical chic”.
Muitos jovens pseudo-revolucionários andam todos contentes com t-shirts de um assassino totalitário. Convencidos que estão a fazer uma afirmação de rebeldia, estão na verdade a fazer figura de idiotas.
Talvez valesse a pena explicar-lhes que mlhões de pessoas sofreram e sofrem com a experiência colectivista do comunismo.
Milhões morreram. E muitos continuam a morrer.
O Daniel já disse que o comunismo foi um crime contra a Humanidade, e que não é fã do Che.
Talvez o Daniel pudesse aproveitar os seus posts para explicar a esses jovens o que foi e é o Comunismo e porque Che é um ídolo com pés de barro, em vez de ve aproveitar a ocasião para … atacar o esse grande papão que é a Direita (esses malvados)…
As suas antipatias sobre o comunismo e Che estão cheios de “mas…”.
é com agrado e satisfação que vejo que o daniel anda a ler o meu blogue.
cumprimentos.
” O Daniel já disse que o comunismo foi um crime contra a Humanidade, e que não é fã do Che”. É por essas e por outras que daqui a nada ainda acaba com lugar de destaque no site do pnr. Aqueles que estão sempre a hesitar, a dizer que sim mas… acabam normalmente por prestar um grande serviço a quem dizem combater. Ás vezes temos saber destinguir a arvore da floresta e é isso que o Daniel muita vezes se esquece.
Bem, Daniel, não me recordo de ter estabelecido qq comparação entre “ditadores” e “líderes democraticamente eleitos”, até porque seria pueril fazê-lo…mais ou menos como comparar beterrabas com carrinhos de linhas.
Não sei o que entende por “democracia” ( o César das Neves por exemplo, acha que no Irão há democracia, o Bernardino Soares baba-se com a democracia do deus juche), mas para mim, ela não é apenas o acto eleitoral, mero formalismo de legitimação do poder. Se a democracia fosse apenas isto, não passaria de um mero atalho para a tirania da maioria, e o poder absoluto de um líder carismático capaz de manipular as emoções, como Hitler, Allende ou Chavez. Por democracia entendo tb “a igualdade perante a lei, princípios de justiça, uma constituição, instituições que garantam a protecção das minorias, direitos humanos, vistos como uma fronteira individual inviolável por qualquer poder, separação de poderes que se compensam e fiscalizam, e liberdade para escolher… mercado… capitalismo…liberalismo. Em suma democracia demoliberal, paradigma que define a nossa civilização.
É por isso que nem a Alemnha nazi, nem Gaza, nem a Venezuela, são “democracias”.
Mas pelos vistos são-no para si.
Ok, cada um revê-se nos conceitos que lhe agradam.
Quanto aos ditadores militares, estes que referi são tão militares e tão ditadores como Pinochet,e outros caudilhos de direita.
Referi-os porque o Daniel parecia tê-los excluído do conceito ” ditadores militares”.
E deduzi que o “esquecimento “, só podia dever-se ao facto de o Daniel ver bem apenas com o olho esquerdo, cruzando miradas apenas para a direita.
Ter-me-ei enganado?
Já agora, o Che era tb “El Comandante” e enquanto esteve no poder, ministro de qq coisa, além de ter trocado açucar cubano por limpa-neves russos, muito úteis nas ruas de Havana, foi um ditador.
Referia-se tb a ele?
Ou prefere assobiar para o ar e adormecer nas líricas do mito?
Lidador, se tudo o que diz são condições para considerarmos que um país é uma democracia, terei de concluir que praticamente não há democracias no Mundo.
Lidador:
existem dois conceitos de “ditadura militar”, vem nos clássicos da luta de classes:
1 - uma máquina ao serviço da Oligarquia que define as regras e cujos mercenários “limpam” radicalmente as minorias contestatárias, (Por exemplo, os Paramiltares de Uribe na Colômbia), e
2 - o Exército do Povo onde o poder da maioria eleita (como na Venezuela, e já por dez eleições ou referendos seguidos)o exército é posto ao serviço dos programas de emancipação das classes mais desfavorecidas.
Querer meter tudo dentro do mesmo saco do “militarismo” é tendencioso. Já agora não se esqueça de meter também o Eanes, um dos homens mais influentes no país, no saco do militarismo e descobrir uma hipotética 3ª via no militarismo (oculto) - veja lá se descobre o que é que o homem, munido do canudo da Opus ei, anda a fazer,,,
Pois, Daniel, é por isso que a democracia é uma coisa exigente.
Não a há perfeita, como na vida real.
Mas há-as mais perfeitas que outras.
A da Alemanha nazi e do Hamas em Gaza, eram mais imperfeitas que as de Chavez (talvez..a ver vamos), mas mais perfeitas que a de Cuba, ou da Coreia do Norte.
A do Irão, o Dr César das Neves acha-a divina.
Na sua sacristia (este blogue), parece que embicando para a esquerda, as ditaduras ão menos duras que outras.
Xatoo, língua mortas só arranho o latim.
O vocabulário do dialecto marxista e as delícias da novilíngua, deixo-o para os zombies.
Lidador, a Venezuela não é uma ditadura.
Como nada sabe sobre a Palestina, como já se viu pelos seus comentários sobre a matéria, passo essa. Acho só estranho que no próprio dia em que houve as primeiras eleições na Palestina ela tenha passado a ser uma ditadura.
Quanto à esquerda, vá ver o que fui escrevendo sobre Cuba, sobre a China, etc, para perceber que aquilo de que me acusa não faz qualquer sentido.
Já de si nunca li uma linha para criticar o presente ou passado cheio de cadáveres da direita
eu nao acredito no que acabei de ouvir.
a democracia da alemanha nazi era mais perfeita do que o que existe em cuba.
meu deus onde e que estas a querer chegar?
eu espero que isto seja tudo ignorancia.
cuba em 2003 matou 3 piratas que tinham sequestrado um barco cheio de cubanos e entao foram condenados a morte.
eu sou o 1º a vir contestar a pena de morte e o fuzilamento dessas 3 pessoas.
A comunicaçao social fez de fidel um monstro, so que se esqueceu que no mesmo ano nos e.u.a houveram mais de 1000 execuçoes e imagino quantos deles inocentes.
mas a democracia americano é mais perfeita nao é???
Caro Daniel, farto-me de falar mal do Hitler e do Nazismo que, para si, são “direita”.
Dou porrada de criar bicho no fascismo que, para si, é direita.
(Para mim não porque tanto Hitler como Mussolini eram socialistas, estatistas e anti-liberais, mas isso são outras contas).
Sobre a Palestina, perdoe-me a imodéstia, mas tenho certeza de que sei mais do que aquilo que se aprende em romagens de subserviência ao Hamastão…por acaso é um assunto que me interessa bastante,porque uma parte do meu nariz, não o parecendo, é adunco…
Quanto ao Jorge Gaspar, segundo o extraordnário critério do Daniel, a Alemanha nazi era mais democrática que Cuba, porque Hitler ganhou eleições, ao contrário do El Comandante, que se aboletou no poder mandatado não se sabe por quem, provavelmente porque tinha mais espingardas que os outros, uma vez que nao consta que os cubanos tenham alguma vez votado nele.
Quanto a risquinhos na coronha, o Fidel já leva uns apreciáveis 30 000.
Claro que é pouco, comparado com o Adolfo, mas é tudo relativo.
O Salazar, por exemplo, limpou o sebo a 60, em meio século, e veja o que por aí vai de indignação.
Mas é como dizia o Estaline, outro democrata à la Daniel…um morto é uma tragédia, 1 milhão é estatística.
Lidador, ou seja o senhor bate na direita quando julga que ela é de esquerda…
Não venha com a ascendência que eu também não o faço.Ficamos assim combinados. O meu interesse pela Palestina não começou com a minha viagem à Palestina. Foi o contrário. Ainda assim não lhe afaria mal lá ir e comer um pouco menos de propaganda. O seu discurso sobre os muçulmanos é em tudo igual ao discurso anti-semita contra os judeus. No seu caso, a coisa chega a limites inacreditáveis e racistas.
Quanto aos seus números, estou curioso de conhecer as fontes e o que entra em Cuba e sai em Portugal. Se a guerra não conta, espero que não conte nos dois países. Se bem que este tema deve interessar-lhe mais a si. Eu sou anti-salazarista e anti-castrista. E o senhor?
lidador independentemente do que o daniel disse, consideras hitler mais democratico que fidel?
tu escreveste isto:
“Por democracia entendo tb “a igualdade perante a lei, princípios de justiça, uma constituição, instituições que garantam a protecção das minorias, direitos humanos, vistos como uma fronteira individual inviolável por qualquer poder, separação de poderes que se compensam e fiscalizam, e liberdade para escolher… mercado… capitalismo…liberalismo. Em suma democracia demoliberal, paradigma que define a nossa civilização.
nao achas que os caracteristicas mais fortes de uma democracia sao a proteçcao das minorias e dos direitos humanose e a igualdade perante a lei?
queres fazer a comparaçao entre o trabalho que hitler fez numa dezena de anos e o trabalho que fidel fez em 50.
depois diz que fidel matou 30 mil e que fazer comparaçao com os milhoes que hitler matou é relativo, mas afinal concordes com estaline.
e nao consideras que a igualdade de oportunidades dadas por um estado perante o seu povo é um dever de uma democracia?
eu acho que a unica diferença de uma economia de um regime comunista perante um capitalista é que numa existe uma ditatura do proletariado e na outra existe a ditatura das grandes empresas, dos grandes lobys.
ou tu achas que algum presidente americano vai acabar com a venda legal das armas a um qualquer americano com mais de 16 anos.
é so um exemplo
Caro Daniel, fiquemos então pelo facto de que, contrariamente ao que sentenciou, este seu amigo não é ignorante do que acontece na Palestina e em Israel.
Você não sabe mais do que eu e eu não sei mais do que você.
Mas eu sei de que lado estou, não vivo na lua e não estou a observar de fora um jogo que me diz respeito.
Quanto às vítimas do salazarismo, foram 60 (30 das quais de doença no Tarrafal) estão bem documentadas num livro, se não me engano prefaciado pelo seu colega F. Rosas.
As vítimas do Fidel, não as contei, tal como nao contei as de Hitler ou de Estaline, mas o historiador Hugh Thomas atira para aí, contando com execuções e mortos na fuga para os EUA.
De resto em 1961, Fidel admitiu ter 20 000 presos políticos.
Não se sabe o que lhes aconteceu. O Daniel pode confirmar lendo por exemplo os relatórios do HRW.
Se sou anti-salazarista?
Claro que sim…mas sou mais anti-nazi e muito mais anti-comunista. É uma questão de escala.
A diferença é que o salazarismo não volta, o nazismo muito menos, mas o comunismo recusa-se a morrer e há até quem o defenda com a maior desfaçatez, descupando-se com a pureza das intenções.
Caro Gaspar, acho que não percebeu a ironia.
Para mim, nenhum desses países é uma democracia.
Para o Daniel é que “democracia” parece ser apenas eleições.
Caro Lidador, gostei dos 30 por doença. Deve ter sido da corrente de ar. E acho que devia contar com os mortos na Guerra Colonial.
Daniel, podia ter incluído o Presidente Lula do Brasil, do Partido dos Trabalhadores (PT), e o Presidente Tabaré Vasquez do Uruguay, do Partido Socialista (PSU). Não são propriamente anti-EUA mas são claramente de esquerda e têm uma política externa muito mais multilateral e independente que a dos seus antecessores! Além disso o Presidente do Perú, Alan García Peréz, apesar de todas as acusões de violações de direitos humanos na sua anterior gestão e o seu péssimo resultado do seu ex-governo, é presidente filiado num partido da Internacional Socialista, o Partido Aprista Peruano, que tem grande historial na resistência anti-imperialista fundado pelo grande líder latino-americano Victor Raul Haya de la Torre como partido pan-americano.
Tem alguma piada vir aqui alguém dar vivas ao Haya de la Torre, um cromo que reivindicava ser o “aprismo” a superação do marxismo, e que metia a teoria da relatividade na converseta ideológica.
Tem piada, porque o que Haya dizia era justamente que urgia desenvolver o capitalismo na America Latina, antes de se pensar em demolir o que não existia.
Dizia mais…que se devia imitar o que os EUA tinham feito para se desenvolver.
Haya nunca chegou ao poder e a sua morte acabou por ser piedosa porque lhe evitou constatar o desastre a que o seu discípulo Alan Garcia conduziu o Peru.
Tem piada, porque só a imbecilidade contumaz se dá ao luxo de repetir como boas, as mesmas receitas que a realidade se encarregou de desacreditar sem misericórdia.
Mas no fundo esse é o problema da esquerda….repete as mesmas receitas, completamente alheia ao seu falhanço histórico.
Caro Daniel Oliveira,
Independentemente de concordar ou não consigo, parece-me despropositado por a Bachelet em tais companhias.
“Deve ter sido da corrente de ar”
Bem, o Daniel pode perguntar ao F. Rosas. O livro chama-se “As vítimas de Salazar” e tem a chancela da esquerda….se fossem mais pode ter a certeza que lá vinha.
É só para lhe dar a perspectiva.
É claro que uma morte por motivos políticos é uma tragédia, mas é por isso que importa comparar os demónios.
Se a minha escolha tivesse que ser feita entre Salazar e Fidel, escolheria Salazar.
A minha probabilidade de ficar vivo seria maior.
E entre Pinochet e Hitler, preferia Pinochet, pelas mesmas razões. E entre Estaline e Mao, escolheria o Estaline.
É tudo uma questão de proporção…
E o Daniel o que escolheria, se não tivesse mais escolhas e ignorasse o seu estatuto nas repectivas sociedades (uma espécie de véu de ignorância, à Rawls)
Fidel ou Salazar?