CrazyHorseParis2.jpg

Nem sempre posso concordar com a CGTP. E neste caso do Crazy Horse seguramente não concordo.


Sem respostas ao post “Feminismo só pode ser o contrário das velhas cruzadas pelos bons-costumes.”  

  1. 1 1  José Manuel Faria

    A CGTP tem um papel fundamental e quase único em Portugal na luta dos trabalhadores, mas neste caso meteu o pé na poça, não havia necessidade. As senhoras/meninas são crescidas.

  2. 2 2  maria João F

    Enfim sou a favor da CGTP, obviamente. Como feminista que sou em vez de perder o meu latim numa prosa chata, só me ocorreu responder de forma a esclarecer alguns pontos acerca da sexualidade masculina, na esperança de desviar a atenção da libido desembestada que toma controlo das mentes masculinas para outras minúcias igualmente importantes. Espero que o efeito seja anestesiante para os homens súbditos do órgão sexual.

    O Pénis – Da Masculinidade ao Órgão Masculino, de Nuno Monteiro Pereira, médico, consultor de Urologia, mestre em Sexologia, doutor em Cirurgia-Urologia, professor na Universidade Lusófona, e o responsável da consulta de Andrologia do Hospital Júlio de Matos”

    Correio da Manhã

    “Quem é o homem que recorre ao médico com mais frequência?
    Curiosamente, são aqueles que possuem um pénis normal. Mas que julgam que o respectivo órgão sexual é deveras pequeno.

    Nesses casos, uma intervenção cirúrgica seria um erro?
    Para um homem que tem um pénis normal, mas que está convencido do contrário, não existe nada que se possa fazer para contrariar essa ideia, que não corresponde à realidade. Este é o tipo de doente que é perigoso, porque nunca ficará satisfeito.

    Existem razões?
    A causa pode ser irrealismo: geralmente, os homens não sabem o tamanho dos pénis uns dos outros, e os que vêem são baseados em factos que não são verdadeiros. Refiro-me, por exemplo, aos filmes pornográficos. Não há nenhum actor pornográfico que tenha o pénis normal! E esta situação pode criar o mito de que aquele pénis que o homem está a ver na televisão é normal, mas, na verdade, não é.

    O micropénis fulmina a vida sexual, e aquele cujo tamanho está acima da média traduz felicidade?
    Não, porque um megapénis não funciona bem, porque toda a dinâmica depende das pressões arteriais e da circulação sanguínea. Sendo demasiado grande, não há compressão arterial que seja capaz de o encher.

    A medicina dá alternativas?
    Sim. Eu faço operações em que tenho que diminuir o volume. Os resultados são bons, as pessoas ficam satisfeitas.

    As mulheres têm influência na ida do homem ao médico?
    Total. Quem convence os homens são as mulheres, e inclusive são elas que marcam as consultas. Talvez agora existam menos casos destes, mas indubitavelmente, a intervenção feminina é decisiva, porque é a mulher que disciplina o homem.

    A auto-estima masculina depende da empatia com o pénis?
    Sim. O pénis está muito enraizado na nossa cultura. Tem grande importância, porque na cabeça das pessoas simboliza virilidade, e se não for suficientemente grande e apto, a varonia fica inapta. Também não deixa de ser curioso: os grandes cultores da dimensão peniana são os homossexuais! À população, que, culturalmente, é posta em dúvida o vigor sexual – o que está errado do ponto de vista científico – tem muitíssimas mais preocupações em relação ao tamanho do pénis do que acontece num heterossexual.

    Os homens nunca estão satisfeitos?
    Teoricamente, não.

    É correcto que a idade altera a dimensão?
    Nem sempre o pénis tem tendência a diminuir. Pode-se pensar que a idade provoca atrofia, mas tal não é verdade. Isso só surge se houver doença peniana. Num homem saudável, até tende a aumentar.

    Consumir substâncias estimulantes, ecstasy, red bull, provoca alterações?
    No tamanho e na erecção, não. Mas traz perturbações a nível do desejo sexual.

    Concorda que o apetite sexual masculino e feminino estão longe de serem semelhantes?
    Sim! O desejo masculino não é muito difícil de interpretar. É básico, no sentido de que é mais fisiológico. O desejo feminino é muito complexo. Depende do envolvimento, dos sentimentos.

    O homem é súbdito do órgão sexual?
    Embora seja ‘escravo’ do pénis, não está tanto como estão outros animais. O homem pode ter uma erecção quando não pretende, e na altura em que quer não consegue. A partir do momento em que existem erecções penianas, o pénis, que é possível ser controlado, não é totalmente controlável.

    Ainda há marialvas?
    Estão em via de desaparecimento. A ascensão da influência feminina é a responsável. O marialvismo está ligado à sexualidade, e a partir do momento em que a mulher passou a ter domínio na sociedade ocidental, provocou uma diminuição. Inclusivamente, digo que a libertação da sexualidade feminina causou uma hipotrofia da sexualidade masculina.

    Parece-lhe que metrossexualidade é confundida com homossexualidade?
    Há essa ideia, mas está, de todo, errada. Um metrossexual não é um homossexual. Um homem que se preocupa com a sua imagem, que usa cremes, não quer dizer que sinta atracção pelo mesmo sexo.

    A mentalidade mudou?
    Bastante! Por exemplo, as perfumarias já não têm só uma prateleira com produtos masculinos. Há quinze anos as coisas não eram assim. Lembro-me que os homens que tratavam das unhas faziam-no na clandestinidade. Além de tudo, um homem que se perfumava

  3. 3 3  Daniel Oliveira

    O que tem contra a «libido desembestada que toma controlo das mentes masculinas»? E quer anestesiar-nos? Para quê? Para que a função sirva apenas para a reprodução? Já reparou como trata de forma azeda a sexualidade masculina? Devemos sentir-nos tomados pelo pecado da luxúria?
    Eu acho excelente que a «libido desembestada» tome controlo das mentes femininas e masculinas. Mas isto sou eu, que não sou da Obra. E a conversa sobre o desejo masculino e o desejo femino, tratado assim de forma uniforme, parece-me bastante básica. Mas enfim, peço desculpa à Maria João pelo meu líbido desembestado, estando seguro que esse é mal que não afecta mulheres conscientes e autodeterminadas. O estranho é como nisto há um encontro entre mundos tão diferentes.

  4. 4 4  maria João F

    Não tenho nada contra a libido desembestada masculina, até gosto bem dela,não gosto é de libido mal parada (acho que é mais este caso) dependendo do contexto obviamente, não sei a que mundos paralelos se refere. Limitei-me a fazer um simples exercício, mostrar ao Daniel que as mulheres também tem o poder de reduzir os homens a um mero objecto sexual, neste caso parodiei e os reduzi ao falo, foi uma forma de lhe dar a beber o seu próprio veneno. Devo ter sido bem sucedida, pelo seu ar irritado e descompensado.
    O Crazy Horse reduz as mulheres a um bocado de carne, é ofensivo, para mim e para muitas mulheres também. E deixe-se da história do azedo, é chão que já deu uvas e então essa tirada “Para que a função sirva apenas para a reprodução?” é absolutamente fora de contexto e já nem para fantasia feminina tem lugar.

  5. 5 5  maria João F

    E se tiver dúvidas acerca da forma redutora como as mulheres podem ser tratadas observe as palavras de José Manuel Faria acerca do tema “As senhoras/meninas são crescidas”, não é uma delicia o ar paternalista e condescendente. Daniel não há pior cego do que aquele que não quer ver.

  6. 6 6  shyznogud

    “estando seguro que esse é mal que não afecta mulheres conscientes e autodeterminadas”, ó Daniel, não sejas agoirento, credo! E agora mais a sério, já quase desistir de tentar perceber esta moral bafienta que caracteriza muitas, so called, feministas. E nunca na vida hei-de entender como em que é q ser-se objecto de desejo menoriza uma mulher.

  7. 7 7  a.pacheco

    Cara Maria João desculpe lá, mas o que é que isto que escreveu ,tem a ver com um cartaz , goste-se ou não dele, que se limita a anunciar um espectaculo de cabaret com mulheres nuas.

    Felizmente que há 33 se deu o 25 de Abril , que entre outras coisas acabou com a mentalidade hipocrita e salazarenta , do parece mal.

    Estamos em liberdade, estas artistas de um conhecido cabaret parisiense, limitam-se a dar um espectaculo, quem apreciar o estilo vai ver, quem não apreciar não vai.

    Agora que a CGTP meteu uma argolada ao dar uma de moralismo bacoco, disso não tenho dúvida.

  8. 8 8  Vera Franco

    Sra. Maria João.

    Essa entrevista entediante de um ponto de vista médico/sexólogo sobre o pénis é um argumento ridículo a favor do CGTP. Porque é um pouco presunção pensar que qualquer homem depois de ver a imagem publicada não consegue racionalizar sobre direitos.
    Quer anestesiar os homens agora, como as mulheres foram anestesiadas por séculos? É alguma espécie de vingança?
    Sinceramente, o feminismo está cada vez mais a tornar-se um machismo no feminino..

  9. 9 9  José Rodrigues

    Um bocadinho deslocada esta posta, desculpa lá Daniel, mas como te sei muito bem informado, diz-me lá se conheces esta pessoa - Jorge Alberto Cosme de Sousa Roberto.
    Ou antes, para que o mistério não se adense muito, se este Jorge Roberto é o pretendente a novo reitor da Universidade Independente, se é o mesmo que trabalha para a CGD à 25 anos, se é o mesmo que está subordinado ao Armando Vara na CGD que concluiu licenciatura um mês antes de ser nomeado administrador da CGD, e se é deputado municipal pelo BE em Salvaterra de Magos?
    Tal como eu, suponho também estás interessado em que o primeiro ministro esclareça esta confusão do diploma duma vez por todas, mas agora não te esqueças de juntar também, o que fará correr este Jorge Roberto, deputado municipal do BE em Salvaterra de Magos, pela Universidade Independente?

    Desculpa lá o estar deslocado, mas como ainda não consta aqui nenhum escrito teu sobre esta matéria do Jorge Roberto, tenho que o fazer na tua última posta.

  10. 10 10  Daniel Oliveira

    Maria João, devo recordar-lhe que estão na moda os bares stripers para mulheres em que homens se despem. A comparação certa é essa, e não a das operações ao pénis, que nem percebi que estava a fazer uma ligação, de tal forma é retorcida. Esses bares existem e são um sucesso em despedidas de solteiras. E acho muitíssimo bem. O homem reduzido a objecto sexual. A conquista de anos de luta feminista. Vitória. É isso que deve festejar. O resto, os gostos de cada um e a maneira como resolvem as suas frustrações, alegrias, inseguranças e medos, é coisa para cada um resolver e não me parece que nenhuma organização tenha de tomar grande posição sobre o assunto.

    Os homens fazem crescer o pénis, as mulheres os peitos e cada um sabe de si e dos tamanhos que quer. Os corpos são objectos sexuais. São os mais prefeitos objectos sexuais. Quando queremos que sejam mais do que isso são mais do que isso, quando queremos que sejam apenas isso são apenas isso. E há quem, em momentos da sua vida ou determinadas situações não se incomode em ver o seu corpo ser apenas isso. E até goste. E até queira. Ou apenas não se importe. Os nossos e os dos outros, objectos. Que as mulheres tenham direito a usar e desejar esses objectos, é essa a vitória. Não é a castidade e os bons-costumes.

  11. 11 11  CausasPerdidas

    A CGTP, feminista? Desde quando? Deixem-me rir…
    E um “por outro lado”: parece-me que, com tanta modernidade, há por aí muitos que ainda não se conseguiram desfazer do estereótipo das feministas como incineradoras de “soutiens”…

    Os corpos são objectos sexuais, claro, as bonecas de latex também.
    Não tem nada a ver com o nu e puritanismo, mas no mínimo considerar o contexto da apresentação das imagens.
    Não há nada a debater quando as mulheres são consideradas objectos no sentido de Mercadoria?
    Anti-capitalistas, dizem-se eles…
    O meu patrão considera o meu corpo como um objecto, parte das máquinas com que trabalho (se eu deixar, a minha alma também)e eu não gosto disso. Por isso compreendo que haja mulheres (sem serem as freiras de direita ou de esquerda, tá?)que não gostem de ser vistas como pedaços de carne pendurada no talho.
    Considerar uma conquista o facto de haver clubes de strip tease para mulheres… Caramba! Que liberdade, as mulheres já podem ser alarves como (alguns)homens! Sim, estamos a caminho da igualdade, menos na família, no emprego…

    É a mercantilização estúpidos!
    Podeis continuar a bater à punheta…

  12. 12 12  tralapraki

    Sempre tomei banho, fiz a barba, cortei as unhas e usei perfume, pois tenho certeza de que isso me valoriza diante das mulheres. Sempre gostei de ver cus femininos, quer sejam de feministas quer não. Feministas eram um pouco mais difíceis de comer nos anos 60, mas, com um pouco de trabalho acrescido da nossa parte, bem como um perfume mais caro, também marchavam. Marialva não sou porque nãi sei andar a cavalo nem cantar o fado. “O 25 de abril é bonito, para falar do rancho. Não é para saber quantas vezes eu vou ao pito à minha senhora” (Gato Fedorento)= a CGTP é boa para falar da luta dos trabalhadores (acho eu) mas não para tomar as dores dos bafientos pruridos de mulheres vitimizadas e homens essexuados. Ao diabo essa espécie de moralistas. Daniel, amplie o cartaz.

  13. 13 13  José Manuel

    José Rodrigues: o Daniel foge da questão como o diabo da cruz. Parece-me que em Salvaterra ainda vamos ter muitas surpresas engraçadas

  14. 14 14  REDE

    Uma coisa é um corpo ser objecto de desejo, outra coisa é o corpo ser explorado com fins comerciais e que transmitem imagens que reproduzem e veiculam estereótipos. Para as pessoas mais distraídas, o que está em causa não é uma queixa específica contra este espectáculo em particular. A CGTP fez o que a CIDM faz há muitos anos e vai continuar a fazer (entre outras coisas, claro): identificar e fazer queixa de anúncios publicitários que banalizem a imagem feminina e a degradam. O mesmo se passou com a Menina do Gás, com o anúncio recente da Dolce & Gabbana, com a Bela e o Mestre. Caso não tenham reparado, a menina do Gás foi retirada do ar em pouquissimo tempo. O anúncio da Dolce & Gabbana foi proibido em países como a Espanha. Não se trata de puritanismo bafiento ou de luta contra a sexualidade livre mas sim a identificação e proibição de imagens e conteúdos que não trazem nada de positivo à igualdade. Repare-se, o mesmo se passa com os homens (embora ainda em menor quantidade) e defendo igualmente que tais imagens estereotipadas não devem ser apresentadas em relação aos homens.

  15. 15 15  Daniel Oliveira

    Nunca ouvi falar de tal senhor. E pelo que li no jornal, não vejo como possa ser o mesmo. Terei todo o prazer em confirmar.

  16. 16 16  Daniel Oliveira

    REDE, e eu acho tudo isso assustador. O problema da menina do gás não era o anúncio, era o serviço: novo cliente tem menina bonita em casa dele. Ainda assim, não defendo proibição nenhuma. Agora, querer impedir imagens estereotipadas do homem e da mulher? Tiramos os corpos dos anúncios? Isso é uma lógica horrivel, de liga de defesa da estética aceitável, da imagem aceitável. Defender o direito da mulher à igualdade não é nem pode ser uma forma de ditadura estética. As mulheres livres estão a criar as suas próprias exigências de consumo que se reflectem na publicidade. É por aí.

  17. 17 17  Ana Matos Pires

    Ai afecta, afecta, Daniel! Felizmente, digo eu, que a líbido desembestado afecta mulheres conscientes e autodeterminadas (e feministas!!).

  18. 18 18  Daniel Oliveira

    Confirmei, a pessoa em causa é membro da Assembleia Municipal de Salvaterra, eleita nas listas do BE. O que por rnquanto não me diz nada, já que ele não tinha, que eu saiba, responsabilidades na UnI no tempo a que reportam as investigações nem é suspeito de coisa nenhuma. Mas é tudo o que sei.

  19. 19 19  FuckItAll

    Maria João, acho muito curioso reencontrá-la nesta discussão, depois de a ter visto há pouco tempo tão preocupada com a liberdade das mulheres no mundo islâmico. Mais uma vez, devo concluir que acha que as mulheres devem ter liberdade de aparecer… mas só como a Maria João gosta.

    Permita-me discordar: a mim a imagem do Crazy Horse não me ofende mesmo nada. E reivindico o direito a aparecer como eu entender: vestida, despida, de véu, assexual ou sexualizada. Não lhe diz respeito a si, ou a qualquer grupo - feminino ou masculino. Agradeço ao JMFaria as sábias palavras: eu, e as mulheres que conheço, somos crescidas, Paternalismo e condescendência, só os vejo nas declarações da CGTP e nas suas, que querem defender as mulheres de si próprias e acham que homens e mulheres são blocos monolíticos de maneiras de viver a sexualidade.

    A CGTP, que respeito e apoio 99% das vezes, devia pensar duas vezes antes de apoiar como instituição atitudes moralistas mais próprias de associações paroquiais.

    É por estas e outras que faz, tristemente, sentido ver Salazar ganhar concursos em 2007. Ele estaria de acordo consigo nestes assuntos, isso é certo. Tem saudades, é?

  20. 20 20  Ana Matos Pires

    Que tal a nova palavra de ordem “Mulheres unidas jamais serão despidas”?!

    Só um alerta, sobre cresce e encolhe, como tudo no corpo humano, o que não é usado… atrofia, mirra!

    (se levo isto a sério irrito-me e fico com rugas, e isso é que não!)

  21. 21 21  rosa-que-fuma

    ok, dou a minha posta para não estar calada. feminismo é assunto recorrente no meu telejornal ideológico. Acho irrelevante um cartaz em especial, bilhas do gaz, cervejas mamudas. O lixado é que a gente fala todos das igualdades, mas assobia para o lado a dizer, são os costumes. Rosna mais às mulheres que vivem EXPLICITAMENTE da troca de serviços sexuais, do que ás que o fazem implicitamente, esqucendo que não são ELAS, mas somos todos, emissores e receptores duma mensagem. Há muitos empregos onde me pedem para me maquilhar e estar atraente e não é esse o serviço que pretendem que execute. Já vi meninas do gaz verdadeiras com garrafas pluma e não pluma. Acontece que há uma fatia gigante do feminismo, que é difícil de tratar porque remete para o privado, para o trabalho não remunerado, para um código antigo de troca de favores sexuais e reprodutivos (haviam de ver a minha cara de espanto a ver os direitos no trabalho das mulheres na noruega)que anda enredado no foro religioso e não no civil

  22. 22 22  My Mother by georges bataille

    toda a gente sabe que as mulheres são presentemente encaradas como “funcionárias”, incapazes de autoridade sobre a sua própria presença. Vestem-se na cosmopolitan e apresentam-se a serviço na maxman. De vez em quando lá chegam a um cargo de poder fora da saude ou educação e toda a gente diz que parecem homens, que perderam qualquer coisa. Mas afinal, que coisa é essa que perderam? A indignarmo-nos com anuncios era uma razia. Uma coisa é certa, o pessoal tem um terror freudiano do feminismo. Silencio é o que mais se ouve na malta politizada, só o toleram a estrangeir@s, e ás vezes até apreciam. Como uma pescadinha de rabo na boca: feminino é frágil, se não for frágil, é certamente histérica.

  23. 23 23  panúrgio

    acho muito injusta esta acusação de moralismo bafiento que aparece a torto e a direito. é uma deturpação afirmar-se que o que preocupa algumas feministas é a mulher ser um objecto de desejo. simplesmente não é verdade e acho que se ultrapassa os limites da honestidade argumentativa com esta crítica, ela sim, bacoca.

    não é o corpo da mulher, a sua sexualidade ou o desejo que provoca que está em causa. aliás, vocês falham ao não explicar como é que partem de um caso como o da crítica ao crazy horse e generalizam afirmando que a mesma crítica se aplica a qualquer demostração de nudez feminina, expressão de erotismo e provocação de desejo. mais uma vez, isso simplesmente não é verdade

    sinceramente, acho que chega a ser um pouco retorcida essa argumentação

    depois, já me parece justo e razoável criticar esta posição feminista partindo do argumento que este tipo de estereótipos não é percinicioso para a igualdade entre géneros. pessoalmente penso o contrário mas acho que essa discussão é muito necessária

    acho que realmente é uma expressão do patriarcalismo e da dominação da mulher pelo homem. contribui em grande medida para a uniformização mercantilizada do que é rico e diverso. contribui para a criação de uma imagem irreal das mulheres que causa muitas frustações, sofrimento, leva adolescentes a estados de doença e coloca o desejo masculino no centro omnipotente do direito ao desejo. os clubes de strip masculino são excepções quer em número como em significado na vida das mulheres. argumentar com essas excepções parece-me ao mesmo nível que o recurso à diminuta existência de violência de mulheres contra homens para contrapor ao problema da violência ser sobretudo e essencialmente um problema que afecta as mulheres

    a publicidade, tal como a propaganda, cria realidades, molda-as, não é inocente nas mensagens que passa, tem uma agenda. não sei porque é que no caso das mulheres haveriamos de olhar para a mercantilização, a coisificação, a estereotipagem, a uniformização, de forma diferente de outros “produtos”

  24. 24 24  maria João F

    Quanto ao anuncio da marca italiana Dolce & Gabbana, em Espanha foi retirado imediatamente o anúncio onde um homem prende pelos pulsos uma mulher deitada no chão enquanto outros quatro contemplam a cena, por considerar que incita a violência para com as mulheres e que pode ser interpretado como sendo admissível a utilização da força enquanto meio de imposição sobre as mulheres. O artigo 3 da Lei Geral da Publicidade proíbe qualquer anúncio que “atente contra a dignidade da pessoa ou vulnere os valores ou direitos reconhecidos na Constituição”. Por outro lado, a lei espanhola concretiza a proibição de anúncios que apresentem as mulheres de forma vexatória.”
    Os Espanhóis claro, porque aqui no burgo até o pessoal com obrigação de ser mais esclarecido, fala de fantasias femininas e atira para o ar outras fantásticas postas de pescada para justificar o aviltante.
    A REDE tem razão no que diz, não lhe tiro nem uma virgula, e agradeço desde já a forma clara como esclareceu o obvio. E sinceramente choca-me que uma pessoa como você, tão sensível a questões de descriminação e atentarias da dignidade humana, tão paritário, igualitário e etc neste caso não seja capaz de ver o evidente.
    Quantos aos estereótipos femininos e masculinos existem vários, e nesse mundo existem arquétipos redutores, que não promovem a igualdade entre os sexos, e trazem o pior que existe nos marialvas de pacotilha, como é prova a frase de José Manuel Faria acerca do tema “As senhoras/meninas são crescidas” - devia sentir-se enorme.
    Mais uma vez no tragico cenario portugues o Rei vai nu, e obviamente não está feliz com o tamanho do seu falo. Nada de novo por tanto.

  25. 25 25  rosa-que-fuma

    bem, não creio estar a sobrecarregar a “comentação” visto que existe uma gestão da coisa. Então retomando: qual a relação entre liberdade de expressão e publicidade? Pode-se falar de liberdade de representação? Suponho que a publicidade emite imagens identitárias dos consumidores que pretende alvejar (tipo cupido!). Pode-se regulamentar essas emissões, como se assume no caso de publicidade para crianças? 2º civil e consumidor são o mesmo (remeto para os cartazes do marquês. interessante, não?)? Bem, parece evidente que temos que analisar o consumidor pela sua representação, e simultâneamente, analisar o civil como aquele que procura dominar as representações, como se tem visto nas correntes queixas de anuncios que exploram o “sexo” dos homens heterosexuais através da prestação de serviços de mulheres com as suas condições laborais garantidas. Diria que gaz, internet e cerveja são produtos a que apenas homens procuram aceder, e um ambiente laboral prospero para muitas mulheres. Concordo, é uma chatice que esse sector do mercado de trabalho seja tão largo, comparado com outros. É mesmo aviltante sentir que certos lavores femininos sejam tão bem pagos e outros tão mal ou nem sequer pagos. Será que a sobre-representação do sucesso da carreira sexual é a causa da escassez de outras saídas profissionais, como se o mercado e a sociedade civil dissessem em únissono, “a procura é tão grande, porque querem fazer outra coisa”? Bah, balelas, chega de ficção científica. O que avilta é estar um circo montado para a representação da identidade masculina, que move milhões em trabalho gratuito e desvalorizado, invisível, que não chega aos parlamentos a não ser na estatística demográfica. A tal mulher sexual, aviltante, é a “mulher-tranquilizante” que não é civil, que é a maioria de nós quando escorremos do ultimo copo para a noite esmifrada dos preconceitos.

  26. 26 26  REDE

    Daniel, não é assustador. É o que acontece diariamente. Existem regras e elas têm que ser cumpridas senão vamos continuar a manter o status quo durante séculos. Queixas são feitas de forma períodica à ERCS para proibir este tipo de situação. O caso mais recente é o da Bela e do Mestre, que tb foi alvo de indicação porque é selvaticamente estereotipado; ainda nãos e conhece o parecer mas a TVI já se está a coçar… Já está pensar fazer o Belo e o Mestre, para ver se não vê o programa proibido…
    O caso da Menina do Gás é perigoso porque não percebo o que é que uma miúda em calções tem a ver com bilhas de gás. Tb não percebo como é que os homens não se indignaram com a imagem dos homens apresentados no anúncio, bacocos que ficam de boca aberta ao ver uma miúda passar. É esta a imagem que querem transmitir dos homens e mulheres em Portugal? Os homens portugueses são uns palermas que não pensam em mais nada a não ser em sexo?

    Agora há que esclarecer: quando estas queixas são efectuadas não se pretende tirar os corpos da publicidade, esconder a sexualidade ou um retrocesso. O que está em causa é mostrar mulheres e homens de uma forma não estereotipada e que respeite umas e outros. Vender sexo sob a forma de um automóvel ou de uma loção bronzeadora é fácil. Difícil e inteligente é vender o produto de uma forma que respeite o público-alvo e que não veicule estereótipos. A DOVE é um exemplo disso mesmo. Depois do lançamento da sua campanha “Beleza real”, que mostra mulheres bonitas mas com formas reais, com problemas que as mulheres enfrentam no dia a dia, que não colocam as mulheres num espartilho impossível, aumentou em mais de 30% as suas vendas. Este é apenas um exemplo claro de como a publicidade feita à medida das pessoas tem um impacto positivo nas vendas. É possível fazer publicidade como deve ser. É possível ainda ter benefícios com isso. Então porque é que continuamos a legitimar este tipo de posturas??? Mainstreaming de género faz-se em todas as áreas, mesmo na fotoografia, na publicidade, no marketing, na TV…

  27. 27 27  Daniel Oliveira

    É exactamente como diz a Fuck, parece que há movimento que se diz feminista (eu acho que é apenas moralista e por isso anti-feminista) que quer decidir exactamente quanto é que a mulher se pode tapar e destapar em público. Cabelo tapado é demais, rabo destapado é demais. E o que é extraordinário é que em qualquer um dos casos partem do princípio que a mulher está tapada ou destapada contra sua vontade. Andamos todos a lutar pela autodeterminação da mulher para depois determinarmos por lei até onde pode ela se autodeterminar.

  28. 28 28  The Studio

    Desta vez concordo com o Daniel. Grassa por aí um moralismo hipócrita que manifesta um comportamento pidesco tentando censurar e silenciar tudo o que se opõe aos seus preconceitos. A menina do gás, do D&G e agora este. Mais ridículo é a CGTP, uma associação sindical em defesa dos trabalhadores andar metida nesta palhaçada minando a sua própria credibilidade.
    Já agora, o Daniel e o Pacheco até são bons rapazes, vejam lá, cuidado, não sejam expulsos do partido por serem demasiado reaccionários.

  29. 29 29  REDE

    Oh Daniel, esperava mais de si, homem de qualidade que respeita a igualdade de género!! Mas então os estereótipos e os grilhões sociais que nos aprisionam aos papéis de género não são, na esmagadora maioria dos casos, voluntários?? Voluntários porque as pessoas os assumem com liberdade. Mas são impostos, pelo processo de socialização, que tenta normalizar o que fazemos, como fazemos e quando fazemos. Normaliza tanto que, pessoas como o Daniel não veem nada de mal nisso. E todos/as sabemos que, no que diz respeito à sexualidade, as mulheres tendem a ser agrilhoadas ao papel de santas ou de putas… Não é preciso é ter cartazes com esta dimensão a mostrar ainda mais o estereótipo.

  30. 30 30  maria João F

    Fuck permita-me discordar consigo, o Salazar provavelmente iria ver o espectáculo, diria mesmo o Salazar o Fuck e o Daniel. Acho que a opinião do Daniel tem seguidores na direita e na esquerda, pode se dizer que reúne consenso em todas os quadrantes, não fosse está uma sociedade tremendamente machista, agora e antes, infelizmente. Sinceramente quando o grupo do berlinde se reúne, não há paciência, o autismo prevalece. DESISTO

  31. 31 31  Daniel Oliveira

    A sexualidade vive de estereótipos, de ideias feitas e de preconceitos. Não há sexualidade correcta e só a liberdade da mulher muda os estereótipos. E está a mudar, com a criação de uma estética de homens-objecto, de mulheres dominadoras, etc. Aliás, se reparar, todas as queixas que mencionou não incluíam representações da mulher enquanto boa dona de casa, mão exemplar, etc. Apenas a de “puta”.

    Não, Salazar não só não veria como não autorizaria este espectáculo.

    Outro debate é sobre a liberdade de expressão e o mau caminho de “justicializar” o feminismo. Mas isso é outro debate. Espero ter tempo este fim-de-semana para fazer um texto maior sobre todo este assunto.

  32. 32 32  Ana Matos Pires

    É “a” FuckItAll, Maria João F, e não “o”!!!! Porque será que achou que era um homem?

  33. 33 33  José Rodrigues

    Não tinha responsabilidades na UnI, só que pretende vir a ter, isso é que é estranho, tanto mais que omite que trabalha na CGD sob as ordens de Armando Vara e também omitiu que era deputado municipal eleito pelo BE em Salvaterra de Magos. Perante mais este candidato a gerir a UnI, espero que o Mariano Gago faça o que tem a fazer. Encerrar aquilo e garantir a transferência dos alunos para outras universidades. A menos que, haja receios a nível governamental de que de dentro daquela universidade ainda saiam algumas “bombas atómicas”. Daí que talvez a todo o custo, haja necessidade de garantir alguém por lá, para manter alguns papéis nos arquivos.

    NB- Já agora sobre o conteúdo deste post, estou de acordo com o que dizes. Para não morrer ignorante, como se costuma dizer, já tive oportunidade de ver um espectáculo do Crazy Horse em Paris. Não tem nada a ver com pornografia.
    A preocupação da CGTP não faz sentido algum.

  34. 34 34  Daniel Oliveira

    José rodrigues, não conheço a pessoa em causa e até ontem nunca tinha ouvido falar dele. Por isso, não entro nesse debate. O ter ou não omitido que era da CGD dificilmente é um problema político.

    Quanto a ser eleito independente pelo BE a uma assembleia municipal, não vejo nenhum problema. terá de me explicar qual é exactamente a questão, que ainda não percebi.

  35. 35 35  santhomas

    Ui, não vamos ser apelidados de tias vesgas, o Crazy mais o casino são do mais avançado da História.
    Vai dar uma volta às tripas. Batatas, meu chiapa!

  36. 36 36  FuckItAll

    REDE, a publicidade não fala senão de estereótipos, de uma forma ou de outra; e o que me incomoda é que nunca se vê este tipo de indignações senão quando aparece uma mulher nua e/ou sensualizada. Acrescente-se que aqui não falamos tanto de publicidade, mas do espectáculo do Crazy Horse, não exactamente uma novidade na cultura europeia… Eu julgava que só velhinhos do interior e fundamentalistas religiosos é que ainda se chocavam com isto. Esqueci-me dos que ainda pensam que ser feminista é criar um novo conjunto de regras, igualmente puritanas, para aplicar às mulheres e às suas imagens.

    Maria João, eu sou mulher - é por isso que me ofende esta ideia de que as mulheres tem que ser escondidas e protegidas por uns censores iluminados que nos vão dizer a forma correcta de nos vestirmos e vivermos com o nosso corpo. E me ofende ainda mais quando me querem convencer de que isto é feminismo.

    Quanto ao Salazar, tenho sérias dúvidas que não saiba que ele reagiria exactamente como a MªJoão: antes do 25 de Abril, este espectáculo nunca seria aprovado, muito menos a afixação pública deste cartaz. E o argumento seria, justamente, o da degradação da mulher.

  37. 37 37  FuckItAll

    Já agora: a FuckItAll iria, definitivamente, ver o espectáculo do Crazy Horse (de preferência noutro lugar, admito). A FuckItAll não se sente ameaçada pela visão de um rabo.

    Causas Perdidas, claro que os corpos são objectos sexuais - sempre que um adulto decidir que o seu corpo pode ser um objecto sexual, ou um objecto erotizante. As tais mulheres que não gostam (nem comento a imagem do talho, cada um sabe o que vê quando vê corpos) não são obrigadas a mostrarem-se - não podem é proibir as outras de fazê-lo.

    Ah, e o contexto, neste caso, são as artes do espectáculo. Como muito bem refere, há muitas formas de um corpo ser utilizado; a nudez e o sexo estão, na maior parte dos casos, longe de ser as piores…

  38. 38 38  panúrgio

    porra, é triste. até ao salazarismo se chegou. ó fuckitall, take it easy!

    como é que se pode vir dizer que se tem o direito a aparecer despedida quando o que a outra parte critica é a esterotipização? dah

    dispam-se à vontade mas tenham a gentileza de sair da frente quando outras criticam, não o vosso despir, mas as formas industrializadas de transformar o ser humano num produto

    o Daniel já expõs as cartas: para ele a sexualidade é estereotipagem, preconceito e ideias feitas. não em consciência e em liberdade parece, mas entregue a quem detém o poder de difundir os preconceitos e os estereotipos (até me parece que esta tirada deve ter saído um bocado para o “não queria dizer bem isto”)

    quem é moralista neste caso? a mim parece-me que o patriarcado e o mercado não são propriamente amorais

    uma nota para os espíritos mais exaltados: entre a crítica e a proibição ainda vai uma distância razoável

  39. 39 39  a.pacheco

    O Salazar é que era um hipocrita e falso moralista, aliás como a maioria dos seus empregados.

    Lembrem-se dos escandalos dos Ballets Rose, e dos Ballet Bleu, para ver onde estava a moralidade dos Salazarentos.

    Aliás em algumas Boites da noite de Lisboa, havia espactaculos para clientela selecionada que em nada ficavam a dever ao que de mais pornografico hoje se faz, só que tudo muito bem escondido por debaixo da capa.

    E infelizmente é aqui que a CGTP falha, ao criticar o cartaz, porque denota infelizmente o mesmo espirito moralista e hipocrita .

    Critica-se o cartaz mas se calhar vão todos ver o espectaculo.

  40. 40 40  Palhaçadas

    O feminismo é o inverso do machismo e por isso tão mau como. Presto a minha solidariedade para com todos os Homens vítimas de machismo. Se à mulher foi designado um papel, a verdade é que ao homem foi designado outro. E não tão simpático como alguns feministas parecem acreditar. Se a mulher era instruída para tratar da casa, cuidar dos filhos e ir à missa, já o homem era instruído para pôr o pão na mesa e para avançar de peito aberto para a guerra na obrigação de defender o país, as mulheres e as crianças. Não sei o que será pior: se convencer as mulheres a serem púdicas, se convencer os homens de que devem morrer pela pátria e que se a sua virilidade depende disso. Se as mulheres são vítimas de estereótipos, o homem também o é. Mas cabe às mulheres libertarem-se destes estereótipos e conquistarem o seu espaço e a sua própria maneira de estar no mundo. Há ao longo de toda a História perfis de mulheres que sempre lutaram pela afirmação da sua identidade para além das normas e que o conseguiram.

  41. 41 41  joao

    Acho que a CGTP também se devia pronunciar sobre os ginasios que só aceitam mulheres, onde não podem trabalhar homens.

  42. 42 42  FuckItAll

    Panúrgio, precisamente: há todo um espaço entre dizer “não gosto disto” e dizer “porque eu não gosto, isto não se pode dizer/fazer/mostrar”. O segundo conduz-me, irresistivelmente, ao salazarismo.

    Claro que a sexualidade e o erotismo são feitos de estereótipos - parece-me evidente. Toda a nossa vida mental - sexo incluído - inclui ideias feitas e estereótipos. O que não significa é que sejamos passivos e acríticos perante esses estereótipos.

    Mas, no caso vertente, um cartaz a anunciar um espectáculo, expliquem-me lá qual é o perigoso estereótipo do cartaz. E quem é que é explorado/ofendido.

    Palhaçadas, outra vez, clap!, clap! - excepto num ponto: eu diria “alguns feminismos são só outra máscara para o velho machismo puritano e paternalista”. O feminismo é outra coisa e não tem culpa dos disparates que se dizem em nome dele.

  43. 43 43  panúrgio

    nop, há montes de leis que proibem coisas que algumas pessoas não gostam e não levaram ao salazarismo. vir falar de salazarismo nesta questão é despropositado e ofensivo para as feministas

    realmente, há uma distorção do que é o feminismo nesta posição tão exaltadamente pseudo-anti-moralista / pseudo-anti-puritana. alguém já o havia afirmado mais lá para baixo mas na altura não estava tão claro. para ilustrar na perfeição essa distorção temos o discurso do palhaço e o consequente aplauso

    só digo uma coisa às caras contendentes: vejam lá se a moralidade do mercado não vos torna/tornou em merco-puritanas. pela linguagem já começaram - aderindo entusiasticamente às classificações “politicamente incorrectas”
    dos modernaços conservadores.

    no caso do dono da casa até é piada porque pertence a um partido com um líder considerado um tele-evangelizador pelos adversários. agora quer pregar a outras a mesma partida

    tenho respeito por estas pessoas por outras batalhas mas neste caso é a desgraceira total :)

  44. 44 44  REDE

    Palhaçadas e FuckItAll, se acham que feminismo é o oposto de machismo aconselho vivamente a consulta de dicionário da língua portuguesa. Estão ambos a precisar de uma reciclagem urgente de conceitos. Sim, porque posições como as que assumem só podem resultar de um grande desconhecimento acerca do tema. Sugiro, FuckItAll que leia com atenção o que foi escrito por atrás e pode ser que veja a luz em relação ao cartaz do Crazy Horse.

    Para finalizar, como já referi em vários posts escritos neste espaço, todo o tipo de anúncios têm sido alvo de queixa, incluindo o já célebre “é que é já a seguir”, que mostrava a mulher mãe, na cozinha, etc, etc, etc, etc… Pensei foi que neste espaço estavamos a falar do Crazy Horse e consequentemente da mulher vista como prostituta.

  45. 45 45  maria João F

    FuckItAll não admira que tenha pensado que era homem, a sua veneração falica até arrepia. Não precisa de lamber as botas ao Macho alfa do blog, aprenda de umas vez por todas que já não somos primatas. Agradecia por tanto que deixasse o ramo das arvores e a estafante actividade de catar pulgas para ser aceite pelo grupo dos berlindes. Não há paciência. E como diz Pacheco na epoca do Salazar os senhores doutores também adoravam e frequentavam esse tipo de espectaculos. Contudo o que está em causa é o cartaz já que das mentalidades nem se fala.

  46. 46 46  FuckItAll

    Maria João, que curioso: enquanto achou que eu era um homem, aceitava que eu estava a colocar opiniões; sendo mulher, na sua cabeça, só posso estar a seguir algum homem, não é? Mulher que é mulher não tem opiniões, muito menos diferentes das suas, que desplante!
    Quanto ao resto da falta de chá, não conta comigo para conversas dessas.

    Rede, vamos admitir que uma dançarina de cabaret é uma prostituta (que é algo puxado). Eu não tenho nenhum problema moral com mulheres prostitutas. Ou homens, já agora. A prostituição só é um problema quando as circunstâncias impedem que os seus praticantes o façam de facto por escolha. As circunstâncias e as moraizinhas.

  47. 47 47  FuckItAll

    Panúrgio, num regime democrático de direito nenhuma lei proíbe coisas com base no gosto e e opinião deste ou daquele grupo. É isso que define uma democracia e um Estado de direito laico, que as leis não sirvam para impôr opiniões ou morais privadas.

    Seja como for, a menção a Salazar pretendia apenas sublinhar a consonância de visões acerca do que deve ser a mulher e a sua imagem pública - e de se as instituições do Estado devem pronunciar-se sobre isso. E apenas porque me deixa especialmente triste que esta consonância venha de dentro da CGTP que, repito, é uma instituição por que tenho o maior respeito e, quase sempre, uma total concordância.

    (Rede, agora reli o seu comentário; peço-lhe que releia o meu. Eu disse, justamente, que feminismo não é o oposto de machismo; apenas às vezes há pessoas que nos querem vender velhos discursos machistas como sendo feminismo. O meu feminismo é muito diferente deste, que defende que as mulheres e o corpo feminino devem estar escondidos; ou, como a Maria João me dizia há pouco tempo, que a sexualidade feminina pode existir mas só se estiver escondida no recato do lar. Pois, quando penso em feminismo não é bem por aqui.)

  48. 48 48  Palhaçadas

    Afinal o que é isso de se ’ser mulher’? Será entre outras coisas achar que as tarefas domésticas podem e devem ser divididas com os homens, será entre outras coisas achar que a mulher tem direito à liberdade de opinião, à liberdade de acção, e será entre outras coisas achar que se deve lidar descontraídamente com a sexualidade. Não é por se cobrir os seios e as nádegas de um corpo feminino que se conquistam mais direitos para as mulheres. Porque razão esconder o lado sexual da mulher se traduz, para certos espíritos, numa protecção da sua dignidade? A mulher tem ou não uma forma diferente do homem de ’ser sexual’? E esta ‘dimensão sexual’ da mulher pode, ou não pode ser abordada de uma forma artística? Pode ou não pode ser apreciada? E sendo abordada de um ponto de vista artístico, deve ou não ser encarada como uma certa forma de prostituição, ou como uma certa forma de aplaudir e apoiar a escravatura sexual que por este mundo fora grassa? Com franqueza, encarar um espectáculo erótico como uma forma enviesada de perpetuar estereótipos é um insulto. E prezado Panúrgio, aponte no bloco de notas: sou assumidamente moralista. Sabe porquê? Porque ao contrário do que se pensa, a moral não é uma esfera estanque da dimensão humana. E quanto ao puritanismo, não censuro as pessoas que não queiram ir ver o crazy horse. FuckItAll, refere bem: o feminismo é outra coisa…

  49. 49 49  palhaçadas

    Maria João F:
    quanta amargura. Conheço uma guesthouse maravilhosa na carrapateira.
    Uns diazinhos sem pensar em nada faziam-lhe bem. Repare: a minha ideia de ’ser mulher’ vai muito para além do “imaginário pródigo feminino pululado por massagistas tipo Apolo ou tipo Adónis, musculados de peito bronzeado e voz sedosa”… pense nisso.

  50. 50 50  Maria João

    Palhaçadas que descaramento achar que por ler um texto meu fica a conhecer todo o meu imaginário, desplante absoluto. Quando aos seus lugares de repouso dispenso saber a sua localização, acrescento que a ideia do meu imaginário poder tocar o seu tira-me resfria a minha libido. Quanto a Fuckltall (esse nik cara senhora Freud explicaria como um caso típico de inveja fálica, é tão obvio que até cansa), apenas gostaria de saber onde leu que eu achava que a sexualidade devia existir apenas na esfera do sagrado lar, e já agora acho que neste tema a sua opinião não é mais do que prova que a sua interiorização de valores machistas a impede de ver para mais além.

  51. 51 51  Daniel Oliveira

    O nome Fuckltall demonstra uma “inveja fálica”? Porquê? Fiquei curioso. Porque tem uma conotação sexual? Maria João, não costumo levar o debate para aqui, mas começa a parecer que associa tudo o que tenha alguma relação com o sexo com algum tipo de inveja fálica. E é neste seu discuro (aqui) que se denota um moralismo castrador (outra referência fálica). Vou mesmo escrever o texto que prometi.

  52. 52 52  shyznogud

    tento manter-me caladinha para não parecer que venho defender a partner (a fuckit) mas é difícil. Estou como o Daniel, a rebentar de curiosidade (e de riso) para saber onde é que a Maria João vê “inveja fálica” no nick fuckitall (fode tudo, é? eheh)

  53. 53 53  panúrgio

    cara Fuckitall, acerca da moralidade das leis estamos também em pleno desacordo. arranjando um exemplo próximo do que se está a discutir, então não é proibida a nudez completa em espaços públicos? aliás, numa democracia é normal que as leis sejam o reflexo da moralidade da maioria de votantes, logo, de um grupo de cidadãos, que normalmente nem é maioritário, sobre @s restantes

    palhaçadas, repetindo mais uma vez: ninguém quer tapar as mulheres!!! vocês é que fizeram uma generalização completamente a despropósito mas nada de parecido foi aqui dito

    “o feminismo é outra coisa…”

    então não era o inverso do machismo? eheh

    e a homofobia é o inverso de heterofobia?

    o que eu acho incrível é esta defesa do direito a tornar as pessoas em produtos. é como a história de dar liberdade de expressão a fascistas, inverte-se completamente os papeis d@s protagonistas em nome de uma qualquer ideia abstracta de liberdade e/ou de amoralismo

    =

  54. 54 54  Daniel Oliveira

    panúrgio, as pessoas é que têm o direito de se transforamrem a si próprias em produtos. Aliás, não fazem outra coisa na vida. Só que se acha aceritável mercantilizar a força de trabalho, a inteligência, o talento, o tempo, a imaginação, etc, e, por uma razão que me escapa, isso deve parar no corpo. Como se o corpo fosse um espaço sagrado. Não é. E é aí que está o conservadorismo.

    Eu defendo que o corpo da mulher ou do homem não pode ser um produto contra a sua vontade. E nisso sou absolutamente coerente, porque acho o mesmo de tudo o resto que mencionei. E acho que a mulher e o homem têm a liberdade de usar o seu corpo para seu proveito, exibindo-o se assim o entendem.

    Os talentos da mulher estão demasiado associados às suas características estéticas? Talvez. Mas não se pode dizer o mesmo sobre a associação homem/força. E alguém no seu prefeito juízo que fazer desaparecer as imagens de força física do espaço de comunicação?

    A forma de combater a discriminação não é esconder o corpo da mulher ou criar regras estéticas para a sua exibição. É subverter. ou seja, é exibir os corpos masculinos, transformando-os em objectos de desejo. Olhe para estética gay masculina e veja como mesmo sem o factor feminino essa transformação do corpo do outro em objecto é natural. E as mulheres começam a exigir o mesmo regalo para os olhos.

    A imagem da mulher forte (que eu aqui coloquei no dia da Mulher) e do homem bonito está a ganhar espaço na nossa sociedade. E a mim parece-me que há feministas que vão pelo caminho pior: juntarem-se ao conservadorismo que vê o corpo como toda a fonte de pecado.

  55. 55 55  Ana Matos Pires

    Mantendo-me no registo pouco sério, para bem da minha saúde mental e da mediana boa educação que tenho, não resisito a pedir à Maria João para definir “inveja fálica”.

    Já agora aproveito para a relembrar das críticas, do meu ponto de vista adequadas, que são feitas ao Freud exactamente no que ao seu péssimo contributo para uma saudável sexualidade feminina diz respeito. Ou o apelo à teoria psicanalítica é uma defesa do(s) dogmatismo(s)? Isto porque não quero acreditar que desconhece os escritos e as posições freudianas, claro.

    Tanta teia de aranha… Vou fazer consulta!

  56. 56 56  palhaçadas

    Maria João,
    então? cansou de ser sexy?
    é por demais evidente que o meu imaginário resfriaria a sua ideia de libido. É que no meu imaginário, poucas coisas são mais femininas que uma mulher com vontade de dançar o tango em fio dental com o traseiro voltado para a cara do seu parceiro homem. Ou dançar de fio dental para agradar o homem é uma coisa que naturalmente só acontece quando a mulher está subjugada ou é prostituta?Mais feminino que isto, só mesmo lavar as peúgas do marido, enquanto claro, este rega as plantas de avental e faz um panelão de sopa para o resto da semana.
    A minha ideia de feminismo está definitivamente nos antípodas da sua.

  57. 57 57  maria João F

    Cara Palhaçadas através de algumas leituras entre elas de Anais Nin, pioneira na escrita erótica feminina, parece evidente que no essencial muitas fantasias não têm género, talvez nem cultura ou época, sendo apenas um revelar da nossa humanidade comum, de desejos partilhados e de tudo aquilo que em nós é tão semelhante, as necessidades básicas do prazer físico, não muito distantes do comer e dormir. Se para si é fazer uma cena de strip, está de parabéns, espero que seja satisfatório para ambos e que não seja apenas um exercício de masoquismo narcísico seu. Do que você está a falar é de sexualidade e erotismo e não de feminismo. Que eu saiba o tema em causa não é, nem nunca foi esse. A dançarina do Crazy Horse não é a Senhora Palhaçadas, e que eu saiba o publico não é apenas o seu marido ou companheiro etc, o rabo do cartaz também não é o seu. Eu apenas me insurgi contra o cartaz.
    Quanto ao erotismo de lavar as peúgas ao marido, não faço a mínima, não sou casada, contudo acho que pode haver ai algum potencial erótico por explorar. Vejamos a máquina de lavar roupa ligada, com as meias lá dentro, e com a ajuda da trepidação da mesma (principalmente na altura da centrifugação) uma cambalhota bem dada, nada mau. Obrigada pela ideia.

  58. 58 58  panúrgio

    não peçam que a maria joão explique a inveja fálica porque me parece que não tem outra explicação que uma resposta aos trambolhões às acusações de salazarismo e moralismo bafiento. é o que dá usar esse tipo de discurso

    daniel, mas metem tudo no mesmo saco quando também há quem não concorde com a mercantilização do trabalho, da inteligência ou da imaginação. logo aí há um erro de apreciação.

    há também outro erro de raíz que foi de início esclarecido pel@ rede e ignorado nas intervenções posteriores. disse el@ que os estereótipos relacionados com o homem também devem ser alvo de crítica…

    se a tese de que existem estereótipos nestas mensagens, e que esses estereótipos desfavorecem a igualdade entre géneros, beneficiando a manutenção de uma sociedade patriarcal for de facto verdadeira, então essa opinião sobre o conservadorismo desta crítica mudaria ou não? para mim é esta a discussão que faz sentido. é por pensar que essa tese é verdadeira que a crítica existe e não por moralismo ou salazarismo

    discordamos logo no ponto em que consideramos a vontade própria das pessoas em se deixarem estereotipar e mercantilizar. para mim essa vontade é quase sempre forçada e não livre. a criação de produtos implica a existência de um batalhão de fazedores de consciências, fabricadores de consensos, criadores de comportamentos, ao serviço de interesses que não são os dos indivíduos. ah! e eles são bons no que fazem, se são!

    não é por ser vendável e haver quem queira vender, ser vendid@ e comprar que uma coisa passa a ser necessariamente passível de se tornar num produto.

    não é o corpo que é sagrado. é o abuso, o preconceito e a subjugação que são malditos. no caso das mulheres existe a agravante da sua histórica submissão, que é própria das mulheres, a somar ao que os indivíduos em geral têm que suportar. por isso é que não aceito os exemplos dos clubes de strip masculino e os comparo à discussão sobre as diferenças ou semelhanças entre a violência contra as mulheres e contra os homens

    mais uma vez: ninguém quer esconder o corpo das mulheres

    que se levante quem pensar tal coisa ou se cale para sempre. a ver se deixam de nos acusar disso

    uma pergunta. como é que se transporia esse raciocínio de subverter o patriarcado transformando os homens em objectos de desejo, para outros tipos de discriminação? o racismo ou a homofobia, por exemplo?

  59. 59 59  Cenas Obscenas

    2 perguntas:
    -Essa da “inveja fálica” do Freud não deveria ser substituída por “xivaísmo militante”? esses é que adoram falos sem reservas e sem subterfúgios retorcidos.
    - “FuckItAll” denota essa “inveja”? How curious. São eles que o fazem, presumo. Elas, não, credo! A Messalina era gajo, de certeza.

  60. 60 60  Ana Matos Pires

    Que paternalista, panúrgio! Deixe a Maria João dizer de sua justiça.

  61. 61 61  Luís Lavoura

    Eu também não concordei com a posição do Bloco de Esquerda contra a criação de um casino em Lisboa.

    Foi uma posição moralista que, por motivos de pura luta política contra Santana Lopes, fez o Bloco parecer um partido da direita cristã americana.

    Nessa altura era militante do Bloco e protestei. Espero que o Daniel também tenha protestado.

  62. 62 62  panúrgio

    paternalista? :| não estava a responder por ela mas a dar a minha opinião do porquê da bacorada

  63. 63 63  palhaçadas

    Maria João,
    percebi que ficou muito irritada com a história do rabo em fio dental e do tango e das peúgas do meu suposto marido. Mas não resisto em escrever um último post e endereça-lo especificamente a si: Anaïs Nin é realmente uma referência incontornável na literatura erótica feminina; contudo, não aconselho a leitura da sua obra a pessoas que não consigam ter um olhar suficientemente pacífico sobre a nudez.

  64. 64 64  Maria João

    Para começar considero o ângulo morto de Freud é a mulher, deu alguns contributos validos mas contudo ficou aquém. Os meus conceitos dizem respeito a Lacan, acho que a minha explicação é extremamente pessoal e não considero correcto fazer psicologia selvagem, poderia ser ofensiva para a tal pessoa com o nik Fuck.
    Que a palavra Fuck encerra um carácter de agressividade, que pessoalmente, e talvez por preconceito considero ser uma expressão mais masculina que feminina, que F. all demonstra uma noção de libido de sinal negativo, isso obviamente são percepções minhas e discutíveis. Através dessas construções pessoais com algum fundamentação teórica levam-me a deduzir que é um caso de inveja fálica, pode ser um disparate, mas para mim é uma evidência consubstanciada na reverencia que ela faz ao macho alfa, que neste caso é o dono do blog.

  65. 65 65  Maria João

    Enganou-se não fiquei irritada com o seu pretenso tango em fio dental, até fiquei bastante bem disposta, de qualquer forma senti-me honrada por ter confidenciado algo tão da esfera íntima. Já agora por uma questão de reciprocidade de segredos privados eu danço Kizomba, mornas e coladeiras magnificamente (momento de rivalidade histerica único na blogesfera). A piada de eu não lidar bem com a nudez é uma falsa questão e você sabe bem disso, dançar para o namorado nua ou ter o rabo num placar são coisas distintas. O meu olhar sobre a nudez é bem mais pacifico do que o seu e indubitavelmente mais respeitador.

  66. 66 66  Sebastião Dias

    Têm piada as pessoas que para parecerem muito cultas e inteligentes fazem citações e refugiam-se por detrás do nome de autores, quando não têm a nenhuma capacidade para compreeder o que eles escreveram. Quando contrariadas passam para o insulto. Sim, é para si, Maria João. Já agora, onde é que exerce psicologia? Na revista Maria?

  67. 67 67  Maria João

    Insulto onde Sebastião Dias????? Para mim, só para mim, quanta honra!

  68. 68 68  FuckItAll

    Maria João, tem toda a razão, estava a confundi-la com outra comentadora na discussão sobre a publicidade da Dolce&Gabana, aqui:
    arrastao.weblog.com.pt/arquivo/2007/03/erotismo_sem_ambiguidade#comments

    As minhas desculpas, really.

    Quanto ao resto, tenho dificuldade em ver inveja fálica no nick; agressividade, sem dúvida - sem direcção, daí o It All. Agora inveja? de quem?, e ainda por cima fálica, não vejo.

    Tem graça que ache que eu tenho o machismo incorporado nas minhas ideias; porque eu vejo muito machismo e, sobretudo, machismo puritano, nas suas.

    Por fim, eu que não danço coisa nenhuma, tenho que lembrar-vos que, justamente, aquele rabo não é de ninguém aqui presente, nem consta que a sua proprietária se queixe do cartaz. E acrescente-se, em jeito de fait-divers, que há uns anos o Crazy Horse teve um espectáculo com rabos igualmente apelativos e femininos só que… com travestis. Pergunto-me se isso também seria uma exploração inaceitável dos travestis, indiscutíveis vítimas que são do machismo homofóbico.

  69. 69 69  palhaçadas

    Maria João:
    LOL!!!
    Afinal não era o meu último post. O seu problema é, porventura, pressupor demasiadas coisas. O que escrevi foi “no meu imaginário, poucas coisas são mais femininas que uma mulher com vontade de dançar o tango em fio dental com o traseiro voltado para a cara do seu parceiro homem” ; você, num episódio de transtorno de humor, optou por pressupor que se tratava do “meu pretenso tango”, da “minha esfera íntima”, “do meu namorado” e do “meu fio dental”.
    O que na verdade importa salientar é que, para mim, poucas coisas são mais femininas, e feministas se quiser, que uma mulher a dançar o tango em fio dental com o rabo virado para a cara do seu parceiro homem, ou, se lhe fizer menos confusão, para uma plateia inteira de homens, ou, para uma plateia inteira de mulheres, ou, para uma plateia inteira de elfos lunares ou de qualquer outra forma de vida alienígena, como duendes venusianos ou anémonas intergalácticas. Isto é que me parece claro, desde que essa mulher dançarina o faça evidentemente de livre vontade e de livre vontade faça afixar o seu rabo num cartaz. Consegue perceber a diferença?
    p.s. - “indubitavelmente” é uma péssima palavra; utilize antes as palavras “talvez” ou “é possível”.

  70. 70 70  FuckItAll

    Ah, e para esgotar o assunto: se concordar com as pessoas é reverência, então sim, eu passo o tempo a reverenciar umas pessoas numas coisas, outras noutras. Às vezes até reverencio o Daniel, é bem verdade. Enfim, é a religiosidade que tenho incorporada.

  71. 71 71  Maria João

    Pensei que a questão em análise era o cartaz.
    A Fuck tem o dom de misturar temas, uma espécie de massada mental para confundir as hostes. Ora diz que sou Salazarista por não partilhar das suas ideias (um insulto gravíssimo), agora vai desencantar os travestis e as vitimas homofóbicas, que tal focalizar-se na questão central – cartaz/CGTP e deixar-se de deambulações.
    A Palhaçadas confunde conceitos, é um fartar de vilanagem - sensualidade, erotismo e feminismo passaram a ser sinónimos, fantastico. O recado é o mesmo o objecto de analise é o cartaz e a apropriação de um determinado arquetipo feminino que não é positivo, e que em nada contribui para a paridade entre os sexos, que eu saiba nunca foi o expectaculo.

  72. 72 72  Maria João

    Pensei que a questão em análise era o cartaz.
    A Fuck tem o dom de misturar temas, uma espécie de massada mental para confundir as hostes. Ora diz que sou Salazarista por não partilhar das suas ideias (um insulto gravíssimo), agora vai desencantar os travestis e as vitimas homofóbicas, que tal focalizar-se na questão central – cartaz/CGTP e deixar-se de deambulações.
    A Palhaçadas confunde conceitos, é um fartar de vilanagem - sensualidade, erotismo e feminismo passaram a ser sinónimos, fantastico. O recado é o mesmo o objecto de analise é o cartaz e a apropriação de um determinado arquetipo feminino que não é positivo, e que em nada contribui para a paridade entre os sexos, que eu saiba nunca foi o expectaculo.

  73. 73 73  FuckItAll

    Maria João, o que estamos a discutir é, justamente, que para alguns de nós aquele cartaz não tem nada de negativo.

    Eu disse que a insistência em não deixar mostrar corpos femininos nem sexualizar publicamente a mulher coincide com a atitude do Estado Novo. É à ideia, não à Maria João, que chamo salazarista.

    Os travestis, como expliquei, foram objecto de trabalho da mesma casa que o cartaz em discussão. Basta ler com calma o que escrevi para perceber o que pergunto: se o rabo em questão fosse dum travesti, também era ofensivo? E machista?

  74. 74 74  Maria João

    Se o rabo em questão fosse dum travesti, também era ofensivo?
    Obviamente que sim.
    E machista?
    Claro que sim.
    Explique-me onde esta a diferença, não é a objectualização do indivíduo em ambos os casos?
    Claro que você vê nesse cartaz uma pretensa vitoria, um sinal da libertação sexual, eu apenas vejo a caricaturização patética do ser humano.

  75. 75 75  FuckItAll

    Onde é que eu falei de libertação?!

    Vejo um cartaz, um espectáculo de cabaret, um rabo. Ponto. Seja neste caso, seja no dos travestis.

  76. 76 76  FuckItAll

    Onde é que eu falei de libertação?!

    Vejo um cartaz, um espectáculo de cabaret, um rabo. Ponto. Seja neste caso, seja no dos travestis.

    E vejo no suposto escândalo uma tentativa de limitar a expressão dos outros por moralismos particulares, que é uma coisa que me incomoda. E um moralismo que inclui o princípio de que mulheres só podem ser vistas bem tapadinhas e sem conotações sexuais, que é outra coisa que me incomoda.

  77. 77 77  FuckItAll

    A nossa libertação acerca deste género de coisas foi há 33 anos, é coisa antiga.

  78. 78 78  Maria João

    Fuck essa é de mestre.
    Só começou em 1974, o resto foi paisagem, interessante ponto de vista. Acha mesmo que não houve nenhuma luta para uma libertação feminina, que as suas avôs nada fizeram? A senhora é feminista?

    Esquecendo a esteira das sufragistas para não cansar.
    lembro:

    O Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, que foi a mais duradoura das organizações de mulheres portuguesas, foi fundada sob o impulso da República liberal em 1914, por Adelaide Cabete, ginecologista e militante dos direitos das mulheres. Adelaide Cabete tinha já participado, em 1909, com Ana de Castro Osório e Fausta Pinto de Gama, na criação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, movimento ligado ao partido republicano, que apoio a queda da monarquia constitucional. As primeiras dirigentes da Liga eram membras de diversas lojas maçónicas femininas, casos de Ana de Castro Osório e de Adelaide Cabete (venerável da Loja Direito Humano). Estas mulheres pertenciam à média e alta burguesia das cidades, e eram activas dentro do movimento republicano é fundada o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP).
    Os estatutos do CNMP foram aprovados em Abril de 1914 e definiam-no como «uma instituição feminina, não se subordinando a nenhuma escola ou facção filosófica, política ou religiosa». Os seus objectivos eram o de federar as associações femininas, e não apenas feministas, portuguesas «que se ocupam da mulher e da criança» e de «coordenar, dirigir e estimular todos os esforços tendentes à dignifição e a emancipação das mulheres». Era também seu objectivo «defender tudo o que diga respeito ao melhoramento das condições materiais e morais da mulher, especialmente da proletária» e a renumeração equitativa do trabalho.

    O CNMP, como os outros conselhos europeus, queria mostrar que o feminismo é respeitável e que «o feminismo não pretende a masculinização da mulher», mas a «dignificação feminina». O primeiro Boletim Oficial do CNMP foi editado em Novembro de 1914 e foi publicado até 1916, mudando o título para a Alma feminina , em Janeiro de 1917.

    Sem entrar em detalhes sobre o período do Estado Novo, saliente-se apenas que o CNMP, muito embora sofrendo grandes limitações à sua actividade, manteve uma pequena rede de sócias (200 em 1933), e o Estado Novo não ilegalizou inicialmente. Adelaide Cabete retirou-se em 1930 e para a sua direcção entraram jovens profissionais, algumas das quais eram escritoras e jornalistas, como Maria Lamas e Elina Guimarães. O Conselho sobreviveu até ao após-guerra, sendo dissolvido apenas a 28 de Junho de 1947, na sequência da organização de uma exposição internacional de «livros escritos por mulheres» na Sociedade de Belas Artes. Foi a sua estreita associação ao movimento pela paz, de iniciativa comunista, nos primeiros anos da «guerra fria» que serviu de pretexto ao seu encerramento pelo governo.

  79. 79 79  Maria João

    A nossa libertação não começou em 1974 e infelizmente ainda não foi conseguida, acorde!

  80. 80 80  FuckItAll

    Começo a ficar cansada… eu disse “acerca destas coisas”, leia-se, de tentativas de censura de tudo o que envolva o corpo e a sexualidade feminina. Essa libertação ficou razoavelmente consumada em 74 - mesmo apesar de, de tempos a tempos, haver quem se levante para tentar impôr restrições, como no caso presente. O que prova que as libertações, depois de feitas, precisam de quem as defenda.

    Mas já agora, a minha história do feminismo não passa só por Portugal e muito menos só pelas sufragistas. Também me interessa, por exemplo, a história das greves e lutas operárias, nomeadamente em indústrias que empregavam sobretudo mulheres, muitas das quais as “feministas” de classe média/alta achavam inconvenientes para o movimento. E interessa-me tudo o que foi feito depois da década de 40, também. Sabe que houve algumas coisitas a passarem-se depois disso, não sabe?

    E já que fala de operárias: eu acho que a dignidade das mulheres é posta em causa quando se permitem coisas como a medição do tempo de ida à casa de banho, e coisas semelhantes. Ou quando se sabe que as mulheres continuam a ser, massivamente, pior pagas do que os homens para fazer o mesmo trabalho. Não acho que uma bailarina (ou uma modelo de revista, ou quem for) que se dixa de livre vontade fotografar, sendo paga a preço de ouro para o fazer, seja um problema feminista.

  81. 81 81  FuckItAll

    Não resisto, por fim, a deixar aqui um link que a minha parceira de blog usou hoje e pode dar uma ideia mais clara do tipo de feminismo em que me inscrevo, no que respeita às questões do corpo e da sexualidade.
    en.wikipedia.org/wiki/Sex-positive_feminism

  82. 82 82  BabyDoll

    A mim fazem-me confusão as feministas retrógradas, e sexulamente frustradas… ò Maria João, tem a certeza de que a sua vida sexual anda bem? A mim não me parece. Acho que anda a carregar consigo a frustração de anos e anos de mau sexo! Isto não é uma crítica, é uma mera constatação. Tanto azedume só pode ser resultado de falos insatisfatórios e de falta de espectáculos do crazy horse capazes de despertar a libido de quem está encarregue de a satisfazer sexualmente. Sabe, há outras soluções…
    Viva a emancipação feminina sem complexos.

  83. 83 83  panúrgio

    a conversa destas feministas 180º é exactamente igual à dos conservadores, poderia perfeitamente ser escrita pelos habituais do blasfémias, e depois vêm falar de salazarismo. de feministas assim não precisamos

    na verdade este discurso não me deixa esquecer a matilde sousa franco e a sua posição no referendo do aborto. queria ela passar a ideia que os pró-vida é que eram modernos e progressistas. só porque sim!

    as feministas 180º não podem ouvir falar em estereótipos que julgam logo estar perante moralismo, salazarismo e frustração sexual. eu digo que é o contrário. esta gente anda a fazer o jogo moral e propagandístico dos conservadores, a adorar o mercado, e a insistência no despir… das outras… não delas próprias, repare-se, é concerteza e comprovadamente recalcamento e e frustração. fundamento as minhas certezas da mesma forma que as feministas 180º fundamentam as delas… !

    do início ao fim, esta conversa é uma desgraceira. infelizmente o feminismo é sempre a menos radical das proposições de libertação. querem levar as mulheres do campo para a fábrica (dar-lhe 5 minutinhos para mijar) e já está: liberdade enfim!

    (acabei de responder no mesmo tom que vocês usaram desde o início… tomai lá)

  84. 84 84  FuckItAll

    Pois, se comprassemos essas fomes de censura, as unicas mudanças qualquer dia seriam mesmo do campo para a fabrica.

  85. 85 85  FuckItAll

    Olhem, o titulo e conteudo deste post servem-me aqui:

    womenageatrois.blogspot.com/2007/04/laia-de-ponto-final.html

    Guardamos a nossa discordancia para a proxima? Tenho a certeza que vai haver proxima…

  86. 86 86  panúrgio

    da próxima vez trocamos de posições. as radicais começam o chingamento e as conservadoras respondem à letra :)

  87. 87 87  REDE

    O que começou como uma discussão em torno d eopiniões diferentes termina com o estereótipo: feminista que defende determindas opiniões só pode ser uma frustrada do ponto de vista sexual!!! É lamentável caras e caros!!! É nestes momentos que se percebe que há muto, muito a fazer…

    Pessoalmente parece-me que a verdadeira mudança social não implica objectificar os homens tal e