
Para o Parlamento voto em quem representa os meus pontos de vista. É um orgão representativo e a ele cabe dar voz à diversidade política do país. No Parlamento Europeu e Assembleias Municipais a mesma coisa. Na Câmara Municipal há poder e oposição. Elejo, antes de mais, vereadores. A Presidência da República é o único cargo unipessoal deste país. Não há oposição. Há um Presidente. E é por ter percebido isto que a esquerda (PCP e mais tarde pequenos partidos extra-parlamentares) apoiou logo na primeira volta Eanes contra Soares Carneiro e Sampaio contra Cavaco Silva. Nada de novo, então. Apenas se evita a rábula do falso candidato que acabará por desistir.
Não apoiei Sampaio por me rever na personagem. Também não me arrependi, apesar de ser então muito mais um candidato do PS do que é Alegre, porque acabaria sempre por votar nele. Outras fossem as circunstâncias políticas e se existisse um outro candidato capaz de dar corpo político a um movimento social, mesmo sem ganhar (poderia ter sido assim com Pintasilgo, que não apoiei), e outra seria a minha posição. Não é o caso e é em circunstâncias concretas que se tomam decisões políticas. Aliás, por mais dificil que seja de o compreender, Alegre é, como se viu nas últimas Presidenciais, o que se afasta mais da mera aritmética das escolhas partidárias.
Não voto com estados de alma. Voto com racionalidade. Perante a possibilidade de ter Cavaco, e ainda mais Cavaco com um governo do PSD, voto no candidato que o pode derrotar. Perante a possibilidade de ter um presidente que seja um prolongamento de José Sócrates, quero o candidato que podendo derrotar Cavaco se opôs a Sócrates. Perante a possibilidade de ter um candidato oficial do PS escolhido pela direcção do PS, voto no candidato que podendo derrotar Cavaco e não sendo a escolha querida de Sócrates assusta António Vitorino. Perante a possibilidade de um Jaime Gama ou sucedâneo para chegar ao centro-direita tomando a esquerda à esquerda do PS como garantida na segunda volta, voto no candidato que podendo derrotar Cavaco, não é a escolha querida de Sócrates, assusta António Vitorino e precisa do empenhamento de toda a esquerda logo à primeira.
As razões são todas melhores do que a minha simpatia ou atimpatia por Manuel Alegre. São todas melhores do que a pureza imaculada do meu voto. Há “revolucionários” que julgam que o seu voto lhes dará um lugar no céu. Nem um reformista como eu leva a coisa tão a peito. Para mim é um instrumento. Uso a cabeça e apenas ela para o usar. Não tapo caras nem tomo Guronsan no dia seguinte. O que tem de ser faz-se. Sem dramas nem azias.
63 comentários 21 Jan 10 em Sem categoria63 respostas ao post “Guronsans que nunca tomei”
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A disciplina partidária é uma coisa bonita. E se o Querido Líder, sózinho, já decidiu qual o candidato, então não se questione mais.
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Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 1:38
João Costa, tão distraído que anda. Sobre a minha disciplina em relação a decisões eleitorais do meu partido (provavelmente tem apenas memória selectiva ou lembra-se do que lhe dá jeito) e sobre o facto de ter escrito isto mesmo há 15 dias, nem Alegre era candidato, nem o BE tinha falado do assunto.
Fado Alexandrino Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 12:14
nem Alegre era candidato, nem o BE tinha falado do assunto.
O poeta já é candidado desde que meteu baixa para caçar perdizes, e o BE já o apoia desde que ele voltou da baixa.
Portanto …
Daniel, já lhe elogiei aqui a independência de que já deu mostras. Reconheço que a minha “provocação” talvez tenha sido excessiva, mas não passou disso mesmo, de uma provocação.
De qualquer maneira, acho estranho que já tenha decidido aquilo que vai fazer daqui a um ano, pelos vistos sem pestanejar e sem esperar para ver. É que eu acho, um ano, tempo de mais para este tipo de decisões.
É um bocado como marcar o casamento para daqui a um ano, sem saber bem como vai estar a noiva na data do enlace. Pode estar um coirão na altura.
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Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 1:55
João Costa, ainda mais grave: já o tinha decidido há seis meses.
Pode achar estranho, mas raramente as campanhas têm qualquer efeito no meu voto.
Isabel Coutinho Reply:
Janeiro 22nd, 2010 at 4:45
Daniel, para quê tanta necessidade de se justificar?
Vote lá onde quiser.
Que temos nós a ver com isso?
Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 22nd, 2010 at 8:32
Isabel,desculpe, mas este deve ser o comentário mais tonto que já aqui li. Não me estou a justificar. Estou a escrever sobre política. A argumentar. Porque este é um blogue sobretudo político. É o que se faz em blogues assim. Se não quer saber das minhas opiniões talvez faça sentido não me ler.
Joao Costa, e o imperador, sua alteza Cavaco Silva, ja decidiu o proximo lider do PSD? Com um pouco de genica, saca-se a Fernando Lima a resposta num jornal qualquer. Ou melhor, aguarda-se, que ele escreve ou susurra qualquer coisinha.
Daniel, penso da mesma forma (em tudo, incluindo nas opcoes que deste como exemplo). Quantos dissabores ja a esquerda sofreu por nao ser capaz de interiorizar essa atitude.
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É então aquilo a que se pode chamar uma questão de fé…
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Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 2:23
Pelo contrário, toulixado. Tem fé quem acredita demasiado nas campanhas.
Guronsan não é para a azia, é para a ressaca. Aliás, para a “fadiga adulta”
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Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 9:42
Onde é que se disse que era para a azia?
“voto no candidato que podendo derrotar Cavaco, não é a escolha querida de Sócrates, assusta António Vitorino e precisa do empenhamento de toda a esquerda logo à primeira.”
DO: Cavaco ganhará à primeira independentemente de haver 1 candidato, 2 candidatos, três candidatos á esquerda! bata que na primeira volta tenha 50% dos votos mais um.
Louçã fartou-se de explicar isto há 5 anos. O próprio Alegre acusado por Soares de dividir a esquerda fartou-se de explicar isto há 5 anos.
Afinal a pluralidade de candidatos à esquerda já não acrescenta votos à esquerda? Já há donos dos votos? o Be defende agora o voto útil à primeira? O que mudou?
Tudo e nada: O BE quando pode vai na…onda. Foi assim com sá fernandes – sê-lo-á agora com mais alegria.
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Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 9:29
Zé Manel, a questão de precisar da esquerda é política, não é aritmética. Quanto ao voto útil, acho que o texto é claro.
DO:
ainda a propoósito dos gurosans.
Não faz a mínima ideia do esforço real que muitos trabalhadores fizeram, desempregados e muitos com salários em atraso, para votarem em Soares na 2ª volta para derrotar Freitas, pois não?
A sua referência ao gurosan, DO é um insulto grosseiro a todos esses trabalhadores e às suas famílias.
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Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 9:26
Zé Manel, peça-lhes desculpa da minha parte mas no caminho tome um.
Já agora: eu tinha então 16 anos, a minha família era de trabalhadores, detestaram votar no Soares. Acha que lhes devo telefonar a pedir desculpa pelo atrevimento?
ze manel Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 9:56
DO eu tinha 12 anos e adorei a derrota do Freitas. Vim para a rua,para a festa, orgulhoso com a bandeira vermelha do PCP!
De acordo!..”Não voto com estados de alma. Voto com racionalidade”.Por isso mesmo, algumas vezes, voto em branco!
No que diz respeito ao Presidente da República: Quase chego à conclusão que se implante novamente uma monarquia…
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Cavaco sozinho com Alegre na 1ª volta, arrasa o segundo. Pela falta de alternativas à esquerda e de um aumento da abstenção/branco/nulo.
Havendo várias candidaturas à esquerda no primeiro turno, o eleitor vota no “seu” candidato, podendo obrigar Cavaco a nova votação e Alegre fica com alguma hipótese de vencer.
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Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 10:45
José Manuel Faria, só há uma forma de competir com Alegre: tentar cola-lo ao PS. E isso terá um preço na segunda volta. Só há uma forma de não deixar que isso aconteça: garantir que Alegre não é o candidato oficial do PS nem de nenhum partido.
Fado Alexandrino Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 12:17
garantir que Alegre não é o candidato oficial do PS nem de nenhum partido.
Bem, pelo menos candidato oficial do BE já ele é.
Antónimo Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 22:32
A mim parece-me que a colagem do Alegre ao PS tem de ser clara e até nisso a clara separação de águas confrontado pela esquerda ajuda à coisa. É aí que se pode fazer a reorganização.
Mas alguem acredita que Alegre será um bom presidente. Convenhamos….
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José Bastos Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 11:11
A questão não é essa António, é o melhor que se arranja quando se rapa o fundo ao tacho de guisado de sapo…
As eleições são processos racionais pelos quais seleccionamos candidatos que são imperfeitos e insuficientes nas suas qualidades mas que correspondem o melhor possível a um objectivo ou uma ideia que tempos “de como as coisas deviam ser”. Não pertencendo a nenhum partido, nunca me sinto obrigado a votar “nas minhas convicções”. Alegre não me é simpático, não votei nele nas anteriores eleições, mas é bastante evidente que é a única figura à esquerda que pode eventualmente derrotar Cavaco. Isso e o facto de não se ter andado a rebaixar a Sócrates para conseguir ser o candidato do PS são razões suficientes para poder apostar nele. Bom, de resto o texto de DO diz o essencial de forma clara.
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Se o naipe final se resumir aos dois figurões pre-anunciados, tratar-se-á de optar pela cólera ou pela peste. Com a decorrente acção.
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José Manuel Faria tem toda a razão em dizer que a pulverização de candidatos, à esquerda e à direita, retira percentagem a Cavaco Silva. A eleição para PR é uma questão aritmética, sim. Ou a racionalidade chega ali e pára?
Se a “única forma de derrotar Alegre” é evitar a colagem do candidato ao Ps ou a qualquer partido, então o apoio expresso de BE e Francisco Louçã foi um assassinato premeditado do candidato.
Também não compreendo onde o Daniel está a ver “a possibilidade de ter Cavaco, e ainda mais Cavaco com um governo do PSD”. Pura futurologia para não encarar a situação actual e que, tudo promete, será a continuação de um governo de direita legitimado pela própria direita.
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Meu caro Daniel
Em “Manuel Alegre 2.0″, escrevi o que pode ser considerada como uma resposta antecipada, nas questões essenciais, a este teu texto.
Há, no entanto, algumas questões que me levam a voltar ao assunto. Uma, de pormenor histórico.
Um de nós está enganado. Na eleição Eanes contra Soares Carneiro, dois pequenos partidos extra-parlamentares (PSR e UDP) apoiaram Otelo.
Mas, fundamental (numa perspectiva de esquerda), é não entrar num “discurso” de radicalização entre quem se situa nesta área política. De facto:
1- Não há um único candidato à Presidência da República;
2- Afirmar-se, desde já, que Manuel Alegre tem que obter “o empenhamento de toda a esquerda logo à primeira”, pode dar origem a:
A) Perguntar porque é que (nas últimas presidenciais), pelo menos Francisco Louçã, não desistiu a favor de MA?
B) “Afastar” alguns dos que, apesar de tudo, se manifestam disponíveis para “engolir mais um” mas, não logo à primeira.
Reafirmo que a unidade da esquerda (com um projecto político próprio na sua pluralidade) nunca se fará com “tacticismos”.
Manuel Alegre, poderá (sublinho poderá) ser um mal menor. Nunca será um factor unificador e mobilizador da esquerda.
Meu caro Daniel, “há mais vida para além de Manuel Alegre”.
Um abraço.
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Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 14:13
cafc, quando disse “mais tarde pequenos partidos extra-parlamentares” referia-me a Sampaio, obviamente.
cafc Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 14:57
Meu caro Daniel
Como escrevi, essa não é a questão mais importante. Porém, como foi a essa que me respondeste, tomo a liberdade de transcrever essa parte do teu texto:
“E é por ter percebido isto que a esquerda (PCP e mais tarde pequenos partidos extra-parlamentares) apoiou logo na primeira volta Eanes contra Soares Carneiro e Sampaio contra Cavaco Silva.”
Portanto, o teu obviamente, não será tão óbvio.
Quanto ao essencial, reafirmo tudo quanto já escrevi. Unidade da esquerda plural, com um projecto estratégico. Sem preconceitos, nem condições prévias.
Um abraço.
O que se está a ver é que Manuel Alegre está longe de fazer o pleno entre os bloquistas. Então porquê toda esta precipitação, este lançar de foguetes, quando nem o próprio apresentou candidatura?
Cá por mim continuarei a lutar por um candidato anti-capitalista e anti-Sócrates. E não venham com histórias de que as presidenciais não são legislativas porque luta política é luta política e é isso que vai acontecer no próximo ano. Em Portugal o agente do capital no poder é Sócrates (veja-se a nomeação de Van Zeller) e Alegre não soube dizer não ao PS.
Recordem o comício de Coimbra em que Alegre enaltece o PS como defensor do Serviço Nacional de Saúde!…
Petição por um candidato anti-capitalista
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O marreta Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 17:08
O PCP apresentará o candidato “anti-capitalista” – não se preocupem! Só têm é de votar nele.
Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 17:42
Daqueles que vai a votos ou dos que só usam os tempos de antena?
Sendo anticapitalista, isso inclui o sistema chinês e angolano ou é um anticapitalismo apenas doméstico?
Anti-capitalista Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 17:50
Dos que vão a votos claro, quero ter em quem votar.
Não sabia que China e Angola não eram regimes capitalistas…
E sobre as relações de Portugal com Angola e a China… o que pensa o Manuel Alegre?
Sabemos o que pensa sobre as escutas e a podridão no PS, isso sabemos.
Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 17:52
Também não sabia, anticapitalista. Mas o PCP explica-lhe que sim.
Anti-capitalista Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 18:37
Não sou do PCP, sou do Bloco. Mas entre o PS e o PCP para compagnons de route escolho definitivamente o PCP. Na política concreta é com o PCP que o Bloco vota no parlamento e se encontra nas lutas sociais. Raramente com o PS. E não estamos a falar da revolução mas sim de uma candidatura presidencial neste regime e nesta correlação de forças, em que o BE até já é mais representativo eleitoralmente que o PCP.
Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 18:42
Anticapitalista, não tenho qualquer intensão de ter o PS como compagnon de route.
Renato Teixeira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 20:51
Daniel: “não tenho qualquer intensão de ter o PS como compagnon de route”. Esta é de ir às lágrimas.
Daniel:
O que é extraordinário é o Bloco de Esquerda abdicar de apresentar candidatura própria para ir atrás desse pavão cujo único fito é a auto-promoção!
O que é extraordinário é o bloco de esquerda agarrar-se a meia dúzia de actos inconsequentes do deputado-poeta para justificar o apoio. Alegre votou contra o código do Trabalho? Votar contra não teria significado algum senão atirar areia para os olhos da esquerda – quando o guterres precisava de votos limianos pelo empate técnico 115-115 na AR, nunca o Alegre se importou com os “descamisados”. E quanto a estar no sítio certo… Ainda em Setembro esteve em coimbra, no sítio certo, em palco, a apelar no voto PS!
Por fim, extraordinário é o Bloco de Esquerda que se diz tão democrático decidir estas coisas por meia-dúzia de dirigentes iluminados – pois se até membros do C.C. bloquista vêm a terreiro clamar que nada puderam opinar… Isso é mesmo extraordinário! E ainda chamam carneirada aos militantes do PCP.
Gurozan? Nunca tomou? Comece a tomar, Daniel! Vocês têm o rabo entalado: por isso é artigo justificativo atrás de artigo justificativo!
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Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 17:42
marreta, os partidos não têm qualquer obrigação (e até o devem evitar, quando possível) de apresentar candidaturas próprias à presidência da república.
Daniel:
A sua resposta é o cúmulo da desonestidade política! então quando você no restaurante do brasuca lançou pela primeira vez o nome Francisco Louçã, como contrapeso à candidatura do Jerónimo, aquilo era o quê?!?!
E o que dizer da própria candidatura do Louçã em 2006!?!?!?!
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Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 18:33
Eu disse quando possível.
Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 18:33
De resto, não me lembro de ter participado em nenhuma sessão pública no Brazuca. É possível.
Realmente dá para ver nesta discussão (e outras) que ainda há muita gente à esquerda que prefere estar fechada num cantinho inútil, ao invés fazer algo que tenha realmente algum efeito no panorama político português. É uma espécie de vírus clubista em versão política. E o bizarro é o crescimento do Bloco ser justamente a maior evidência das virtudes dum comportamento contrário. Suponho que para os isolacionistas da “candidatura que não dá dores de barriga a ninguém” seria melhor que o Bloco continuasse a ser apenas um pequeno partido a mandar a sua Carmelinda Pereira ciclicamente a eleições. Serve para aliviar a consciência mas nada mais… E assim “somos de esquerda”!
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Claro, Daniel, claro…
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Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 19:07
Foi público? Se foi, recorde-me. Se não, não entendo porque o comenta.
Foi só um comício em Coimbra. Deixem lá isso que já ninguém se lembra… Ele até estava lá a visitar a família…
Quererá dizer alguma coisa o timing do anúncio da disponibilidade (não da formalização da candidatura, porque não foi isso que fez, apenas manifestou disponibilidade/vontade)?
Não será mais um frete ao PS/Sócrates?
Porquê agora? Quando se discute o OE e mais uma negociata PS/CDS, mais um queijo…
Dará jeito ao PS que por estes dias ande toda a gente a discutir o Alegre, enquanto isso…. “Alegremente” ninguém repara no orçamento e em mais uma negociata que tem na sua genesis o aprofundamento da politica de direita que vem sendo seguida, mais privatizações, mais destruição de serviços públicos, mais tachos e distribuição de dinheiros pelos de sempre, “abafar” os escândalos submarinos, sobreiros e afins onde o Portas está enterrado até ao pescoço…
Porque não anunciou o mês passado? Porque não daqui a dois meses?
Porque neste exacto momento?
O que aconteceu para que tivesse que ser já?
Pense nisso…
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Daniel Oliveira: “não tenho qualquer intensão de ter o PS como compagnon de route”. Esta é de ir às lágrimas. A rir, claro. A rir.
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 21:32
Vou apoiar Manuel Alegre, não vou apoiar o PS. Já os socialistas que se têm sentido traídos por Sócrates, com esses quero trabalhar. Até porque sem eles não há uma esquerda ganhadora. E isso é que o Renato nunca percebeu. É com essa gente, a quem o seu discurso ultra-sectário e ultra-doutrinário nada diz, que podemos reconstruir a esquerda.
Renato Teixeira Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 21:54
Nenhuma das minhas doutrinas é menor do que as suas. O meu sectarismo não tem comparação ao seu oportunismo. E isso eu sei que o Daniel Oliveira sempre compreendeu. Ultras somos todos. Eu das minhas convicções o Daniel Oliveira das suas.
Trabalhar com os desiludidos do socialismo democrático todos queremos o que ninguém compreende é que se queira trabalhar com esses desiludidos caminhando em direcção à origem do seu desapontamento.
Uma pergunta clara e directa. Pressupondo que o PS apoia Alegre, algo que julgo que já reconheceu que é o mais provável, e assumindo que o José Sócrates e o Daniel Oliveira são militantes disciplinados e entusiastas da candidatura de Manuel Alegre, está na disposição de colar cartazes, apelar ao voto, fazer comícios e arruadas na companhia do primeiro-ministro e demais membros do Governo?
Consegue ser claro a responder a esta questão? Absolutamente claro?
Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 22nd, 2010 at 0:48
Renato, não quer nada. Ou melhor, os seus desiludidos do socialismo são aqueles que pensam como o Renato. Só que esses não existem.
Não só acho provavel como acho desejável.
Não sou militante disciplinado. Apenas leal, como se espera de qualquer militante. Não sou apoiante entusiasta, como fica claro de todos os textos.
Já colei cartazes com militantes do PS. Na campanha do aborto. Não me arrependo. Não, não me parece que vá fazer arruadas com Sócrates. Mas é o genero de coisas em que não penso nestes casos. Digamos que há assuntos mais relevantes na política do que as pessoas com quem vou colar cartazes.
Renato Teixeira Reply:
Janeiro 22nd, 2010 at 1:12
Exactamente! Há acordos bem mais importantes do que o acordo de ir colar cartazes. É exactamente ai que queria chegar.
Daniel Oliveira Reply:
Janeiro 22nd, 2010 at 8:41
Pois não tenciono fazer acordo nenhum. Apenas apoiar e votar no unico candidato que podendo vencer votou contra o Código do Trabalho.
Renato Teixeira Reply:
Janeiro 22nd, 2010 at 11:12
E não tem nada que ver com o PS e o Governo. Absolutamente nada!
Não entendo a sua relutância em esconder que o PS será sempre o partido que marcará qualquer mandato que Alegre venha a ter. Ou melhor, entendo, mas tinha o Daniel como um tipo mais corajoso politicamente, em particular a assumir o lado “da má moeda” de Manuel Alegre.
Acho estranho que um bloquista pense em votar Alegre.
Há uns anos, entre Sampaio e Cavaco, votei pela primeira vez em branco. Entre Alegre e Cavaco voltarei a votar em branco. Ou talvez aposte em Garcia Pereira ou Rui Marques ou alguém sem um passado tão podre.
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Daniel e Cafc
Entendo as vossas posições: uma racional e outra mais com o coração.
Devo confessar que simpatizo mais a do coração, daí concordar com CAFC em se fazer um debate alargado à esquerda, sem agenda prévia mas com o objectivo de fazer sair o melhor (melhor, no sentido de coerência política) candidato presidencial.
ALEGRE mostra sempre reservas á sua esquerda ou seja, torce sempre o nariz ao Bloco e ao PCP. Os Alegristas também já mostraram os “dentes” antes das ultimas legislativas, preferindo outro tipo de alianças.
O único tipo do PS que os teve no sitio e veio a publico dizer que não lhe “aquecia nem arrefecia” uma aliança PS-Bloco, dizendo até “porque, não?”, foi o Mário Soares lembram-se?
Então…porquê este frenesi todo com o Alegre?
E se o PS não apoiar Alegre?
Que vai fazer Daniel? “Morrer” orgulhosamente na praia à primeira volta?
E no “day after”, vai acabar o Alegrismo, diluindo-se no BE ou num Sócratismo da enésima via?
Acho pouco provável o Alegrismo diluir-se no BE se não houver o tal reformismo no Bloco que o Daniel defende.
O meu herói era o Otelo.
Tinha eu uns 10 anos quando fui sozinho á Praça do Giraldo a um comício dele. Hoje provavelmente ele é um dos meus vilões…
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apesar de [Sampaio] ser então muito mais um candidato do PS do que é Alegre
Daniel Oliveira, você é um maroto… você mata-me de tanto rir…
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João Reply:
Janeiro 22nd, 2010 at 9:16
Esta teoria Sampaio / Alegre é da autoria do Louçã, para entreter o povo bloquista… E ele di-lo com um ar sério: “toda a esquerda apoiou a primeira candidatura de Sampaio que era secretário-geral do PS”.
leio o Daniel desde os primórdios da blogosfera, sempre me divertir a discordar dele mas cada vez mais me parece ser dos raros casos em que a esquerda da opinião não segue a lógica canina de ortodoxia partidária, tentativas espalhafatosas de impressionismo intelectual e tropeções em discussões doutrinárias como se estivéssemos em 1920. parece-me uma análise simples, clara e inteligente sobre a candidatura de Alegre no momento em que vivemos. acho que interpretar a realidade como esta é e não como uma projecção de como gostaríamos que fosse (ou não fosse) é o melhor caminho para trazer justiça aquilo que analisamos.
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“Louçã é um Cavaco do avesso. Estou farto das lições de moral. Não aceito a direcção espiritual de Louçã que parece ter errado a vocação. Ele deixou de combater Cavaco Silva e persiste em combater as forças de esquerda. Ele anda aqui atrás de uns dinheiros e de uns votozinhos. Eu sou de outro campeonato. Eu tenho um passado político de luta e de resistência, Louçã não sei se tem.”
Manuel Alegre na campanha eleitoral de 2006.
Manuel Alegre votou no dia 14 de Outubro de 2006 a favor da proposta de Lei de Nacionalidade do Governo que negava a nacionalidade automática aos filhos de imigrantes nascidos em Portugal.
O orçamento do queijo limiano” do Governo Guterres foi aprovado à custa do vergonhoso negócio da compra do voto do deputado Campelo. Manuel Alegre podia ter impedido esta nódoa se tivesse juntado os seus votos aos dos dois deputados bloquistas.
Manuel Alegre foi sempre deputado desde que há eleições livres em Portugal. Com o 25 de Abril foi nomeado coordenador da RDP cargo que suspendeu em 1975 com a eleição para deputado. Em mais de trinta anos por ser deputado nunca mais exerceu funções na rádio continuando contudo a efectuar descontos como funcionário. Não trabalhava mas fazia descontos. Por essa razão teve direito a uma reforma vitalícia de 3 219,95 euros que agora acumula com a reforma de deputado. Manuel Alegre, questionado, disse desconhecer que estava a descontar para essa reforma. Manuel Alegre, diga-se, não cometeu nenhuma ilegalidade, mas este processo não o honra.
Manuel Alegre votou o aumento da idade da reforma, a alteração da fórmula de cálculo das aposentações (um aposentado em 2005, com a nova fórmula, perdeu 10% na sua pensão – eu perdi 13% – e as gerações que entraram agora no mercado de trabalho vão perder quase 50%) sem cuidar de olhar para quem estava à porta da saída. Votou ainda por duas vezes contra as propostas do Bloco e do PCP pela reforma aos 40 anos de idade, independentemente da idade. Votou o aumento do IVA. Apoiou as privatizações no sector energético.
Chega???
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