Por Daniel Oliveira
Países que têm mais despesa pública e mais receita fiscal (em relação ao PIB) na Europa: Suécia, Dinamarca, França, Finlândia, Bélgica. Países que têm menos receita mas poupam na despesa: Roménia, Bulgária, Eslováquia, Lituânia, Malta. Ler o post completo aqui.
29 comentários 31 Jan 10 em Sem categoria29 respostas ao post “Há ideologia vendida como indiscutível. Depois há os factos.”
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Que analogia tão sectária! Então a Suécia, Dinamarca, França, Finlândia e Bélgica não são dos países mais capitalistas do mundo? É claro que são, pois têm uma banca forte, grupos económicos fortíssimos como por exemplo a Suécia e a França detêm as maiores construtoras do Planeta ou seja países que exportam pois têm um capitalismo forte, consolidado e de boa saúde o que lhes permite ter receita fiscal pois facturam. A despesa pública é função da receita sendo contudo por vezes usada para estimular a receita mas NUNCA a receita é função da despesa pública. A Roménia, Bulgária, Eslováquia e Lituânia sabem-no bem pois viveram no comunismo, onde isso ocorria e vê-se o atraso em que ficaram, Malta não tem dimensão para ser considerada. Ó Daniel permita-me que lhe diga que já começa a ter uma idadezita para deixar-se destes disparates pois se não nunca vai ser respeitado.
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Rui F Reply:
Fevereiro 1st, 2010 at 10:54
Minhoto
Você disse
“A despesa pública é função da receita sendo contudo por vezes usada para estimular a receita mas NUNCA a receita é função da despesa pública.”
Ok…e agora como gerar mais receita se o investimento público está congelado (excepto as MEGA obras do regime clientelar), os salários petrificados, alguns impostos subiram, impostos que fogem, impostos que deveriam aumentar mas, estranhamente ou não, são baixos (exemplo da banca que paga menos imposto do que nos países nórdicos)?
Com uma economia contraída, como vai gerar receita?
Como fazer Portugal exportar e/ou produzir bastante mais, se o LIBERALISMO instalado desde a entrada para a CEE, encarregou-se de fazer o funeral aos poucos sistemas de produção que existiam?
Se não importamos 80% do que consumimos andamos perto!
E porque é que a direita (o PS Liberal incluído) faz guerra ao ensino Público que se quer de qualidade e responsável, como nos países nórdicos?
E porque é que a direita (o PS Liberal incluído) se recusam a combater sem receios a corrupção e o enriquecimento ilícito, como nos países nórdicos?
Minhoto Reply:
Fevereiro 1st, 2010 at 13:02
Ó Rui F e que tal meter mãos á obra, inovar e tentar vencer a crise, o que é feito do “egoismo” do empresário português? O Estado já se viu que não dá vazão.
Em relação ao liberalismo ter destruído os sistemas de produção não é a realidade pois em primeiro não se pode chamar liberal a uma política europeia assente em quotas e subsídios e segundo o que realmente destruiu os sistemas de produção foram as nacionalizações do PREC houve depois uma tentativa de remediar o mal com o investimento no sector produtivo com dinheiro da CEE mas que, como estamos na Europa, virou subsídio.
Em relação à educação eu quero um bom ensino público e um bom ensino privado, onde eu tenha ESCOLHA e não como o BE quer, OBRIGAR os filhos da classe média baixa a estudar nos dormitórios do Porto e Lisboa, fronteira com os bairros sociais problemáticos, de forma a continuar a brincar aos projectos sociais na engenharia social fracturante que empobrece o país.
Em relação aos países nórdicos, o que os diferencia nas atitudes é o factor religioso que passou a mensagem, ou seja o civismo nórdico têm a ver com o Protestantismo e não com Comunismo-Recauchutado agora (dizem eles) sociais-democratas (lol), que nada é similar á Social-Democracia nórdica. É ler o Stieg Larsson e nota-se que aquilo lá para cima não é bem como contam.
Luis Reply:
Fevereiro 1st, 2010 at 13:05
Os países Escandinavos são os que têm um Estado social maior (Dinamarca, Suécia, Noruega) e a funcionar melhor. O nível standard de funcionamento dos serviços nesses países não é algo sequer comparável ao que temos por cá.
Rui F Reply:
Fevereiro 1st, 2010 at 15:34
Minhoto
Bem me parecia que ia culpabilizar o PREC pelos insucessos do Liberalismo Português!
É preciso ter lata.
Não houve nenhuma tentativa de remediar o mal, pela simples razão que o cavaquismo liberal, do lucro fácil e imediato, permitiu que se começassem a abotoar com os subsídios e mega falcatruas. O expoente máximo do cavaquismo foi inicialmente Pedro Caldeira e finalmente Dias Loureiro, BPN e afins.
O BE quer obrigar o quê???? Desculpe, não seja imbecil! Trate-se.
Minhoto Reply:
Fevereiro 1st, 2010 at 16:15
Rui F
É a sua opinião e vale o que vale, mas já reparou que voçês não conseguem construir nada, são tudo nado-mortos (a frustação vira acusação e há sempre culpas a apontar a alguém) e não seja demagogo em relação ao Cavaco pois, se bem que têm muitos defeitos, muito fez ele. Em relação ao lucro fácil e imediato pode perguntar ao Louçã sobre o PPR e ás senhoras Ana Drago e Joana Amaral Dias sobre as acções com que apostavam na “economia do casino”.
Rui F Reply:
Fevereiro 1st, 2010 at 17:25
Ta bem Minhoto
Muito fez o cavaco?
Claro que sim…acha pouco ter parido os amigalhaços do BPN? Roubaram o Estado Português tanto ou tão pouco, que é 60% do PIB do Haiti, por exemplo.
Veja lá se o seu presidente não tirou o dele antes da barracada do BPN…aliás, retirou ele e mais uma mão cheia de compadres.
4 mil milhões de euros de buraco para ajudar á divida do País, é muita fruta não é?
Estamos no bom caminho. Mesmo que a despesa seja para uma Justiça lenta e ineficaz, uma Educação medíocre e uma Administração Pública que funciona em função de si própria. O problema não é pagar impostos, o problema é a forma como eles são aplicados. E parece que têm sido mal. Como sabe, o TC fez uma auditoria a cinco obras e os resultado foi que custaram mais 123,6% que o inicialmente orçamentado.
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Caro Doutor Daniel,
Interrogo-me como é que o empréstimo concedido por Portugal a Angola aumenta o défice externo do vosso país, tal como disse ontem no seu programa Eixo do Mal.
O que Portugal faz é aumentar a sua posição credora e não devedora. É ainda devoção ideológica por ter sido o MPLA a ganhar e não partidários da LCI?
Obrigado
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Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 1st, 2010 at 0:00
Falei da dívida externa. Sabe que o dinheiro que emprestamos temos de pedir emprestado. Porque não o temos.
Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 1st, 2010 at 0:00
Eu ão falei de défice nenhum.
Economista angolano Reply:
Fevereiro 1st, 2010 at 20:22
Mesmo assim…
quanto muito é nulo em termos.
Você ganha uma dívida e um crédito.
e depois?
cá para mim ainda é preconceito ideológico. pode dar as voltas que você quiser mas o MPLA é que é o partido do povo angolano!
Sim, essa do empréstimo a Angola aumentar o nosso défice… deve haver aí algum conceito que me está a escapar.
Reduz é a tesouraria a curto prazo. Aí só comparando as taxas de juros a que emprestamos e a que contraímos dívidas, para ver se traz vantagens. Que não devem haver, dado o empréstimo dever-se mais a ser um país dos PALOPS.
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Deixei um comentário lá no destino. Mas, não vão perder-se as preciosidades que de vez em quando expectoro a benefício da multidão ignara, transcrevo-o aqui:
Se agora relacionar a taxa de crescimento da despesa pública com a taxa de crescimento do PIB, e se comparar as duas com o endividamento externo, talvez possamos ver alguma coisa no meio do nevoeiro. Assim, não. É que o aumento do endividamento externo contribui para o PIB, com o inconveniente de a dívida ter de ser paga, com juros, um dia, o que significa que se o investimento não for reprodutivo … Depois, o raciocínio segundo o qual os países nórdicos estão mais adiantados económica e socialmente por terem um rácio alto despesa pública/PIB é, para dizer o mínimo, um raciocínio simplista. Com boas razões se pode dizer que não é por causa de o rácio ser alto: é apesar desse facto. Afinal de contas, os países nórdicos ganharam algum adiantamento antes de terem altíssimas taxas de despesa pública. Depois, com bons sistemas de ensino, com ética de trabalho e de empreendedorismo, com espírito comunitário e respeito pela propriedade pública – numa palavra, com uma cultura diferente da nossa – puderam aprofundar e manter os seus sistemas sociais, que aliás agora têm vindo a adaptar à força das mudanças demográficas, à realidade da competição globalizada e aos ares do tempo.
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Já tinha disto noutro post.
E o Canadá, a Suíça, o Japão, a Australia…?
Ou esses não contam como factos?
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E mais uma coisa, a despesa publica em Portugal ultrapassa os 50% do PIB, superior inclusive a países nórdicos como o Finlândia ou a Noruega.
GOSTAVA MESMO MUITO QUE COMENTASSEM ISTO!
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Depense-publique-sur-PIB.png
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Daniel?
quais factos? Isso não são factos, são números. Acredita realmente que aquilo que se aplica á Finlândia serve de forma igual a Portugal? Que existe uma fórmula económica universal que se aplica a todo lado, independentemente da cultura e dos recursos? Já pensou no absurdo que isso representa?
Os países que não atingem essa despesa é porque não podem chegar a mais, como acontece com Portugal. Gasta 46% de forma tão estúpida que acrescenta logo mais 9,3% ao pote da dívida pública. Amanhã já não consegue gastar mais porque não tem. Os Suecos gastam 52% bem e conseguem porque amanhã ainda têm dinheiro.
Porque é que não somos como os Suecos? Quer realmente fazer essa pergunta?
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Agora gostava de saber, se aquilo que vi numa reportagem, não ajudará a economia de certos países de Leste; Andaram a entrevistar (muitos) membros de gangs (c/correntes de ouro ao pescoço) que andavam a construir a suas moradias, nos respectivos países, à conta do que andavam a roubar pela Europa e, muito orgulhosos desse facto.
Basta olhar para o aumento, dos crimes violentos no Algarve e saber que não são feitos por portugueses.
Temos que dar aos meliantes portugueses, uns cursos de formação, a ver se contribuem, para melhorar o nosso défice
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“libertário”:
O comentário é simples: isso é falso.
E o curioso é que é falso mesmo de acordo com a imagem que apresenta como “prova”, onde Portugal surge a laranja o que mostra uma despesa entre 45-50%.
Na verdade, de acordo com os dados da OCDE, o peso do estado na economia em Portugal é inferior à média da zona euro.
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Libertário Reply:
Fevereiro 1st, 2010 at 12:12
Quando se fala do peso do estado na economia estamos a falar de despesa pública / PIB, não estamos a falar apenas de taxação, que essa sim deve andar à volta dos 37%.
E segundo os dados da OCDE no ultimo ano em ultrapassamos os 50% do PIB, BEM ACIMA DA MAIOR PARTE DOS PAÍSES NÓRDICOS!!
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=349962
Daniel:
É verdade que a correlação relevante seria entre crescimento económico e peso do estado na economia, e não entre PIB e peso do estado na economia.
Pois é possível alegar que a causualidade está em sentido inverso: que o peso do estado elevado seria, alegadamente, um luxo a que os mais ricos se poderiam dar.
E é verdade que o crescimento económico tem um pico nos 30% do peso do estado, um valor abaixo daquele que é normal nos países desenvolvidos.
Mas a dispersão dos dados é enorme, e a correlação muito pequena. Bem maior é a correlação entre equidade e peso do estado na economia, e muito significativas as correlações entre dispararidade de rendimentos e criminalidade, depressões, etc…
O peso do estado na economia, por si (assumindo que falamos de valores normais, entre os 35% e 55%), não é determinante para saber se um país enriquece rápido ou não. Mas é determinante para saber se a sua qualidade de vida é boa ou má.
É importante, a este respeito, distinguir entre retórica e realidade; porque se tomarmos o exemplo dos EUA, vemos que o crescimento económico foi em média muito mais alto quando a esquerda esteve no poder, e mais baixo quando esteve a direita. Isto apesar dos défices terem sido sempre maiores com a direita que com a esquerda.
Isto para não falar na equidade, onde a diferença consegue ser ainda mais significativa (a favor da esquerda).
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Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 1st, 2010 at 11:22
“O peso do estado na economia, por si (assumindo que falamos de valores normais, entre os 35% e 55%), não é determinante para saber se um país enriquece rápido ou não. Mas é determinante para saber se a sua qualidade de vida é boa ou má.”
E era apenas o que se queria dizer.
Daniel, este post é para rir ou é para ser levado a sério? Se for para rir, é um post eficaz.
Já agora, o Daniel, não quer colocar aí os números relativos ao endividamento público (em percentagem do PIB) da Suécia, Finlândia. Dinamarca e Bélgica?
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http://sweet.ua.pt/~afreitas/opiniao/semanec37.pdf
O Monstro
A Figura 1 mostra a evolução da despesa pública em Portugal, desde meados do século passado até 2002. O diagrama está dividido em fatias, para se poder ver a evolução das suas componentes. Ao nível agregado, os dados sugerem 3 episódios de forte aumento da despesa pública: 1974-1976, 1980-1981 e 1990-1993. Seria, no entanto, errado procurar nesses episódios as razões que levaram ao aumento do peso do Estado na economia. Aliás, a figura é até muito sugestiva no que respeita à causa fundamental: a instauração da Democracia.
Ao nível desagregado, a evolução das despesas não foi uniforme. A componente que maior aumento registou nos últimos 30 anos foi a das transferências correntes, onde estão incluídas as pensões de reforma e os subsídios de desemprego. A segunda componente que mais cresceu foi a das despesas com pessoal, que reflectem o nível de intervenção do Estado em áreas tão diversas como a Saúde, a Educação, a Justiça e a Segurança Pública. Também as despesas de capital, que incluem as obras públicas, registaram um aumento relativamente ao nível médio verificado durante a Ditadura, embora menos significativo. Os subsídios às empresas e as despesas com juros da dívida pública também aumentaram após a Revolução, mas voltaram depois a baixar, no âmbito da transição para o Mercado Único e para a Moeda Única, respectivamente.
É sabido que em Portugal há grandes desperdícios na utilização dos recursos públicos. Nomeadamente, devido ao excesso de burocracia e a sistemas de incentivos perversos, que resultam em despesas sem retorno e em baixa produtividade. Mas, se nos últimos anos a despesa do Estado aumentou o que aumentou, tal foi certamente o resultado de uma interacção entre políticos e eleitores, que os últimos tiveram oportunidade de sancionar. No conjunto, nada impede que o aumento registado na despesa pública tenha correspondido a um desejo por parte da maioria dos eleitores de uma maior intervenção do Estado e, em particular, de uma maior coesão social.
Há quem defenda que o aumento da despesa pública é uma perversão da Democracia. Porque aqueles que mais beneficiam com as despesas do Estado tendem a organizar-se para as manter ou mesmo para as aumentar. Quando os grupos de pressão são politicamente muito influentes, as despesas públicas podem assumir um comportamento do tipo “roldana”, tendo mais facilidade na subida do que na descida. O receio de que o escrutínio eleitoral seja insuficiente para travar a subida da despesa pública tem levado alguns países a adoptar tectos para a despesa pública. No nosso país, essa ideia tem vindo a ganhar adeptos.
Mas a fixação de um tecto para a despesa pública depara-se com uma dificuldade fundamental: qual o peso ideal do Estado? Em teoria, a intervenção do Estado na economia envolve um compromisso entre prestação de serviços públicos e distorções provocadas pelos impostos. Quando o peso do Estado é muito reduzido, o que se poupa em distorções não compensa as insuficiências na prestação de serviços essenciais, como o Estado de Direito, a segurança, a supervisão económica e financeira. Quando o peso do Estado na economia é demasiado grande, o efeito negativo dos impostos tende a dominar, resultando em menor eficiência. Algures no meio estará a dimensão do Estado que maximiza a eficiência,
Mas a política orçamental não se deve guiar apenas por critérios de eficiência. As sociedades podem estar dispostas a sacrificar um pouco de eficiência económica para beneficiar de maior coesão social. E sobre essa escolha, a Teoria Económica tem pouco a dizer. Ao contrário do que se passa com o défice orçamental, que por envolver questões de equidade inter-geracional deve estar sujeito a limitações, o peso do Estado na economia (tal como a distribuição das receitas e a estrutura da tributação), é uma matéria essencialmente política e por
conseguinte deve estar sujeita ao escrutínio democrático. Se os contribuintes acharem que os impostos pagos não compensam os benefícios, podem sempre votar em programas políticos orçamentalmente menos exigentes. Mas também devem ter a liberdade para escolher o contrário.
Em defesa do argumento, note-se que a despesa pública se reduziu significativamente em vários países da Europa ao longo da última década, sem que para tal tenha sido necessário criar novas instituições. Em Portugal, após três décadas de convergência da despesa pública para o nível médio da União Europeia, no último acto eleitoral os eleitores parece terem-se rendido à ideia de um choque fiscal. O que, dada a situação orçamental de partida, obrigaria a uma atitude muito agressiva por parte do governo em matéria de controlo da despesa pública.
Apesar de os salários dos funcionários públicos terem sido praticamente congelados e não obstante toda a propaganda associada a alguns cortes nas despesas sociais, a evidência mais recente sugere que o Monstro continua à solta: de acordo com a Comissão Europeia, tanto a despesa total como a despesa corrente primária do Estado em percentagem do PIB atingiram em 2003 novos máximos absolutos (Quadro 1). A estimativa para 2004 é ligeiramente menor, mas pertence ainda ao reino das previsões.
O facto de as despesas públicas continuarem a aumentar não augura em favor de um choque fiscal durante a presente legislatura. Até ao momento, o sucesso conseguido na frente do défice parece dominar a opinião pública, ofuscando o facto de a trajectória da despesa ser incompatível com o cumprimento da promessa eleitoral. Mas muito me surpreenderia se em 2005 o nível de tributação e o peso do Estado na economia não estivessem bem no centro do debate político.
Miguel Lebre de Freitas
Semanário Económico, 14-5-2004
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Tambem em relação ao investimento publico vs impacto na economia
http://cachimbodemagritte.blogspot.com/2010/02/e-esta-hein.html
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Não podemos comparar cargas fiscais de países com níveis de rendimento muito diferentes. Vejamos, para alguém que ganha 1000 euros/mês pagar 30% significa um sacrifício muito maior do que para alguém que ganha 3000. Para um Sueco médio, o esforço que tem de fazer para pagar a mesma carga fiscal é menor do que aquela que tem de fazer o Português. No fim de contas, este argumento que leva a crer que Portugal até nem tem uma carga fiscal demasiado elevada porque países de rendimento muito superior têm uma carga superior é argumentar contra a progressividade de um sistema fiscal. Só a ignorância ou má fé motivada por questões politico-ideológicas pode levar a que se façam estas comparações.
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João Vasco,
«O peso do estado na economia, por si (assumindo que falamos de valores normais, entre os 35% e 55%), não é determinante para saber se um país enriquece rápido ou não. Mas é determinante para saber se a sua qualidade de vida é boa ou má.»
Quer-me então dizer que países como Austrália, Canadá e Japão tem fraca qualidade de vida, porque segundo os padrões europeus o peso do estado nas respectivas economias é baixo? Obviamente, não é determinante nem de uma coisa nem de outra, existem exemplos para tudo.
Peso do estado na economia medido pela despesa total em % do PIB:
Portugal-51,6%
Japão-41,6%
Austrália-37,5%
Canadá-43,6%
Estes 3 países estão sistematicamente entre aqueles com maior IDH juntamente com os nórdicos onde de facto estas percentagens são superiores à nossa tirando a Noruega onde é 44,4%. Nada justifica um peso do estado como aquele que nós temos.
Quem quiser consultar a fonte aqui vai:
http://www.oecd.org/document/61/0,3343,en_2649_34573_2483901_1_1_1_1,00.html
É só verificar Annex Table 25. General government total outlays
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