Altos responsáveis de países que se consideram faróis da «civilização» multiplicam apelos à «contenção» e ao «cessar-fogo» em Gaza, como quem procura assim cumprir uma obrigação perante o «agravamento da crise» no Médio Oriente. (…) Tais apelos baseiam-se na objectividade de um pretenso distanciamento entre as «partes em conflito», assim se exigindo uma rigorosa simetria de comportamentos como numa guerra convencional entre exércitos clássicos. Simetria, pois, entre civis indefesos e as forças armadas que ocupam o quarto lugar no ranking das mais poderosas do mundo; entre ocupados e ocupantes; entre morteiros mais ou menos artesanais e o poder de fogo dos F-16 e dos tanques de última geração; entre comunidades famintas sujeitas há anos a um feroz bloqueio de bens essenciais e uma nação estruturada apoiada sem limites pelo mais poderoso país do planeta. (…)

O Hamas quebrou a trégua e tem de pagar, devendo desde já sujeitar-se ao regresso ao cessar-fogo faça o inimigo o que fizer, sentenciam os diplomatas civilizados. Trégua que verdadeiramente nunca existiu, uma vez que foi desde logo desrespeitada pelo Estado de Israel ao violar um dos seus pressupostos essenciais: o fim do bloqueio humanitário a Gaza. Durante os últimos seis meses o cerco não apenas se manteve como se apertou.

Indispensável ler o texto completo de José Goulão. No site do Le Monde Diplomatique.


20 respostas ao post “Hipocrisia sangrenta”  

  1. 1 1  Ar.

    acrescente-se o texto de Fernando Nobre http://fernandonobre.blogs.sapo.pt/6062.html

  2. 2 2  xatoo

    o “distanciamento”
    nas palavras de Laila El-Haddad que tem um blogue intitulado “Diário de uma Mãe Palestiniana”, na prática, citando a própria, é isto:
    “mais um dia, mais um massacre, mais deliberações diplomáticas, mais silêncio, mais cumplicidade”

  3. 3 3  Spartakus

    Estamos a chegar ao momento decisivo.
    O Hamas resistiu. Aguentou-se.
    Israel recua e sofre a segunda humilhação, depois do Líbano, apesar da barbaridade que utilizou ou avança para a solução final. Aí só Deus e Nasrallah sabem…

  4. 4 4  Samuel

    “Gaza, ainda assim, será diferente de Sabra e Chatila. Agora, os soldados israelitas sujam mesmo as mãos com o sangue das populações indefesas – salpicando inevitavelmente os hipócritas que os defendem.”

    É um grande final para um excelente texto.

    Abraço

  5. 5 5  toino

    José Goulão, é talvez quem mais sabe e conhece o problema do médio oriente, tem obra documentada, poucas vezes é xamado a dar opinião na televisão portuguesa, ficariamos a ganhar com os conhecimentos que ele tem acerca deste problema que é o genocidio do povo da palestina, este país dá-se ao luxo de colocar na gaveta e na prateleira jornalistas desta natureza, fico sempre atento ao que ele escreve.

  6. 6 6  António Cunha

    Ao contrario do Jornalista da SIC este sim é uma pessoa isenta. Excepto o facto de estar ligado ao BE e ao Manuel Alegre. :)

    Este Daniel é só rir…….

    Ah, existe algo nesse texto que já não corresponde à verdade.

    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1355198

  7. 7 7  Arsénico

    Os “Civis indefesos” passam a vida a atirar rockets para cima do Estado vizinho - e gabam-se disso, bem como se gabam do cada vez maior alcance dos mesmos. E, sim, é necessária simetria -aí sim, entra a reciprocidade: quem quer ser respeitado que respeite - desde logo, que respeite o direito dos outros a viverem em paz. Não consta que tenham andado israelitas a desviar aviões, a assassinar equipas olímpicas, ou a cometer atentados suicidas. Já chega de tantos “COITADINHOS” que passam a vida a explodir-se junto aos outros. E já chega, a propósito, do mundo inteiro ser chulado ( é o termo) para asssitência humanitária, que raramente chega a quem precisa, e é desviada para o bolso de alguns dirigentes, ou que fazem depender a atribuição do prato de lentilhas da prévia filiação na “Causa” - ou não tem sido isso que o Hamas tem feito?

  8. 8 8  O aprendiz de ignorante

    Neste conflito de povos e religiões, onde uns se confrontam e outros envenenam, não há razão que sobre para nenhum dos lados. UE e ONU têm fantoches sem dinâmica ou projecto global que promovam.
    Fiz um pequeno texto miserável sobre o problema. Não será erudito, mas ninguém o é!

    Saudações bloguísticas

  9. 9 9  Rafeiro Trauliteiro

    Quanto a hipocrisia, estamos falados.
    O que ainda ninguém explicou é como acabar com este conflito.

  10. 10 10  gazua

    Ganda Zé Goulão!
    Consegue tomar partido por um grupo que a ONU considera terrorista do que um Estado de Direito!
    Nem o Eichman diria coisas destas.
    Vamos lá a ver se ele também consegue justificar porque é que os turras do Hamas se entrincheiraram numa escola da ONU e dali dispararam contra a tropa israelita…

  11. 11 11  gazua

    Aliás estes tipos do Hamas que lutam contra Israel, fazem lembrar o neo-facista Mário Machado que também luta contra o Estado Português. Imaginem que nem deixaram o rapaz ter umas armazitas em casa. Aquilo é que foi uma humilhação…

    Se o gajo e a pandilha dele se revoltam, com certeza que o Daniel o vai apoiar. (E aí o Spartakus delira!)

  12. 12 12  xatoo

    António Cunha
    vc e o Público não fazem outra vida senão lançar bitaites maliciosos. Israel interrompe a agressão durante 3 horas por dia. E então? qual é a diferença no mal que já está feito, nas restantes 21 horas do dia e nos dias futuros?
    veja se arranja tino

  13. 13 13  Celan

    Ao aceder ao texto do Goulão, no url surge “sem categoria”. O url não mente…

  14. 14 14  jcd

    Assim é que está bem.

    O Goulão, que tomou claríssimo partido pelo Hezbolah na guerra do Líbano e que agora defende os terroristas do Hamas é que é um exemplo de clarividência e isenção.

    O tal que em vez de condenar os que exigiram a morte dos cartoonistas dinamarqueses, condenou a imprensa livre por estar a incomodar a rua árabe.

    O tal que garantia que Israel ia assassinar Arafat.

    O tal que dizia que foram os EUA que assassinaram Sérgio Vieira de Melo.

    Isto é que é isenção. O Cymerman, esse, é um agente judeu.

  15. 15 15  António Cunha

    xatoo

    Voce precisa de abrir os olhos….

  16. 16 16  o sátiro

    Veremos onde anda a hipocrisia e o racismo:

    Por falar em GENOCÍDIO:(Criminosamenre esquecido pelos media)

    http://bl112w.blu112.mail.live.com/mail/InboxLight.aspx?FolderID=00000000-0000-0000-0000-000000000001&InboxSortAscending=False&InboxSortBy=Date&n=235571216

  17. 17 17  Minhoto

    Ó Daniel o que o senhor faria se fosse dirigente de um país a “sério”? Responda sff.
    Nota: O artesanal (mais ou menos diz o camarada Oliveira!) chegou aos 40 km (qts Vickers aguentará o tubo?).

  18. 18 18  Manduca

    Ora, o Daniel e demais arabistas sabem aquilo que os outros ainda não sabem: é que os israelitas ja´têm um sistema que os proteje dos Kassam. Ora vejam:

    http://www.youtube.com/watch?v=f4XH6R8G4Mw

  19. 19 19  Maria

    Os altos responsáveis nunca se lembram dos pobres que morrem seja lá onde for, faz parte do serviço não se lembrarem e quando alguém os lembra costumam acrescentar que a informação lhe chegou tardota mas que vão ler com muita atenção, enquanto isso sempre os que assassinam tem mais tempo, foi assim aquando das denuncias sobre o holocausto nazi e assim hoje e será assim amanhã.
    Enquanto os altos responsáveis não forem homens de bem, será sempre assim.

  20. 20 20  anónimo

    (“Altos responsáveis de países que se consideram faróis da «civilização» multiplicam apelos à «contenção» e ao «cessar-fogo» em Gaza, como quem procura assim cumprir uma obrigação perante o «agravamento da crise» no Médio Oriente”)

    Isto é a treta do costume, Os amigos dos amigos acorrerem a separar os amigos que se embrulharam numa contenda, mas não resolve nada acalma a opinião pública e parece que tudo volta a normalidade aparentemente, pois as causas do mal estão lá, o ódio está lá o querer exterminar o outro está lá, é só uma acalmia e sossegar a opinião pública pelo dever cumprido, e rearmar-se novamente, recrutar mais alguns milicianos suicidas e volta tudo ao dantes.

    Os arabes disseram-no quando da criação do estado israelita em 1948 que não aceitavam tal estado e que reagiriam pela violencia, cumpriram. Fizeram guerra a essa pretensão,e sempre foram derrotados mas nunca desistiram. Há acordos de paz, há tréguas, grandes figuras politicas serviram e servem de intermediários mas tudo volta sempre ao principio. Isto só acaba com um claro vencedor e um claro vencido, mas como, se isso implica não lutando contra um exército regular sem farda que aproveita instalaçoes públicas como escolas, hospitais, e instalações da própria onu para rampas de lançamento, fugindo depois e escondendo-se no meio da população como se combate isto sem atacar civis como se acaba com isto sem acabar com a população? Só quando a população os isolar e tomar consciência que fez uma má escolha. Porque ao contrário da al quaeda que não tem preocupações sociais o hezbola e o hamas disfarçam essa ideologia com preocupaçoes sociais da população, com algumas obras de apoio e assistência e isso permitiu-lhes ganhar a confiança da população e alcançar o poder e de caminho implantar a sua ideologia e ter uma “base militar” de ataques a israel.

    O hamas quebrou o passado reinvindicativo palestiniano, e não quer paz em troca de terras ele quer todas as terras e o fim do estado israelita e israel também já está de sobreaviso em dar terras em troca de paz pois quando fez isso em 2004 /2005 e saiu da faixa de gaza deixando o controle desse território o que se passou a seguir foi que esse território se transformou numa “base militar” de lancamentos sobre israel, com pessoas diariamente sob ameaça o que leva a uma situação insustentável que originou tudo isto de novo.

    Quando o hamas tomou o poder não se preocupou muito com melhorar a vida dos palestinianos criando infaestruturas normais de progresso, casas, escolas, hospitais, estradas e relacionamento diplomático com o vizinho pelo contrário limpou logo os seus irmãos opositores, criou e aproveitou-se foi de todos os meios que permitiam atacar israel, túneis para contrabando ja que não o podia fazer pelas fronteiras, aumentar as milicias e endoutrinação etc. O hamas, e não sei se os palestinianos, não querem a paz, querem a destruição do estado de israel quem não percebe isto, e elogia as tréguas e o cessar fogo não percebe nada, isso é so um meio de adiar o problema. Daqui a uns meses ou uns anos estamos a falar do mesmo. A guerra por terrivel que seja e por vitimas inocentes que provoque havendo um vencedor e um vencido pode ser um fim de conseguir uma paz e a criação de condições futuras duradouras.

Leave a Reply