O jornal “Público” mudou hoje de direcção. A saída de José Manuel Fernandes é uma boa notícia. Não se trata de nenhuma alegria revanchista. O “Público”, o meu jornal diário desde a sua fundação, está a morrer. Assisti à sua decadência como se assiste à decadência de um velho amigo. Porque, para quem gosta de jornais, é essa a relação que se mantém com o “nosso” diário. Não foi apenas à sua decadência política: a da transformação de um jornal independente e tendencialmente “progressista” num instrumento de propaganda agressivo de uma direita agressiva, resultado da cegueira ideológica de uma só pessoa.

Um jornal não são apenas os seus editoriais e opiniões. Assisti à perda de rigor deontológico, ao encerramento de bons suplementos, à perda de meios humanos, à degradação da qualidade do jornal, à cedência à facilidade. José Manuel Fernandes não foi só um mau director por causa das suas obsessões políticas. Não foi só um mau director por tratar o seu lugar como um posto avançado de representação de um grupo. Não foi só um mau director pelas relações promíscuas que manteve com um sector político específico (ainda mais estreito do que o PSD). Foi, acima de tudo, um mau director porque foi o rosto visível da degradação do jornalismo no melhor jornal diário português.

Quando o “Público” nasceu foi uma excelente notícia: era um jornal que nascia da cabeça e de um projecto de jornalistas que só depois foram bater à porta de empresários para procurar financiamento. Dava centralidade ao internacional, contrariando a lógica provinciana da nossa imprensa. Queria que a política fosse mais do que as pequenas tricas. Tratava os assuntos de sociedade para lá do “fait divers”. Dava à cultura o lugar que ela merecia. Não cedia à ideia fácil de que os leitores queriam apenas pequenas breves noticiosas e coisas leves. Como qualquer jornal de referência, tinha nas “hard news” o coração do jornal, mas tratando-as com imaginação e inteligência. Tinha rasgo gráfico, bom gosto estético e sentido do risco. Era rigoroso e eticamente exigente. Tudo isso, ao longo dos anos, se foi perdendo. Mas foi com José Manuel Fernandes que a degradação atingiu níveis insuportáveis.

Por tudo isto, a mudança da direcção é, para leitores como eu, que mesmo assim nunca desistiram de comprar o jornal todos os dias, razão de esperança. Trata-se agora de reconquistar os que partiram e fazer as pazes com muitos dos que ficaram.

Tenho de fazer já aqui uma declaração de interesses: sou amigo da nova directora. Não sou comparsa político ou coisa do género. Sou apenas amigo dela. Sei da sua competência, rigor e enorme capacidade de trabalho (sei pouco ou nada das suas posições políticas). E sei que não tem uma agenda que não seja a de salvar o jornal onde trabalha há anos. Da direcção anterior ficam Manuel Carvalho e Nuno Pacheco. E entra outra pessoa que, como qualquer pessoa que o conheça, sempre admirei profissionalmente: o Miguel Gaspar. Uma equipa que é já dá alguns sinais de mudança.

No primeiro editorial não assinado (o que já uma declaração de intenções, retirando aos editoriais o tom de cruzada política que tinham até hoje e deixando aos comentadores e colunistas esse papel), vai-se directo ao assunto: “O fundador deste jornal, Vicente Jorge Silva, disse num texto recente que a credibilidade da imprensa de referência ficou seriamente afectada pelos incidentes que rodearam a última campanha para as legislativas. Um balanço duro, mas uma conclusão lúcida. Não temos nada a acrescentar a uma polémica sobre a qual tudo está dito e da qual não ficaremos reféns. A razão de estarmos aqui hoje é anterior a tudo isso. Mas não escamoteamos o facto de ser nossa primeira obrigação repor essa credibilidade ameaçada, conscientes que estamos da percepção pública de um excesso de peso ideológico no jornal. Acreditamos num jornalismo culto e responsável, que desafia o sensacionalismo e as agendas informativas cada vez mais estreitas.”

O caso das “escutas” foi apenas a caricatura do que se passou com o “Público” (e no DN, e em toda a imprensa portuguesa) nos últimos anos. A agenda escondida, a falta de rigor, a promiscuidade com grupos políticos. Não foi ela, como se explica, que levou à mudança da direcção (essa decisão já estava tomada há pelo menos um mês e meio). Mas ela deixou para os novos directores um trabalho ainda mais difícil.

A frase citada já tem bons sinais: a referência ao primeiro director, recordando que o jornal tem uma origem e que nem sempre foi aquilo que é hoje; a explicitação clara dos principais problemas do jornal, o que difere em tudo da cegueira anterior; e assunção de um corte com o passado, até mais firme do que eu esperava.

Deixam também um recado importante: “Não serviremos governos, nem procuraremos certificados de bom comportamento.” Para quem esperava que a saída de Fernandes levasse a transformação do “Público” num “Diário de Notícias” é importante escrever isto. Que a nova directora não será João Marcelino. Todos assistimos àquele triste duelo que aconteceu no “Prós e Contras”, entre o representante do governo, director do DN, e o representante da oposição, director do “Público”. Quem gosta de ler jornais, quem respeita o jornalismo, não é isso que quer dos jornalistas. Espera-se, aliás, que o “Diário de Notícias” também repense o seu papel e tente recuperar a credibilidade (e leitores) que continua a perder.

Aliás, a degradação do jornalismo em Portugal levou a uma degradação dos próprios leitores e da forma como olham para o papel da comunicação social. Se se ataca o governo é porque se está ao serviço do patrão. Se não se ataca é porque se está domesticado pelo poder. E não há mais possibilidades. Mesmo sabendo-se claramente de que família política era Vicente Jorge Silva (até veio a ser deputado), alguém se atreveria a dizer que ele, enquanto director, estava ao serviço de um partido? Foram homens como José Manuel Fernandes e João Marcelino que ajudaram a que muitos leitores fossem incapazes de olhar para os jornalistas com pessoas que, tendo as suas posições políticas, fossem autónomas de outros poderes. Por uma razão simples: nem um nem outro o são. Mas isso não é extensível a todos os jornalistas. Por isso nunca alinhei nas teorias da conspiração em relação ao “Público”. Porque sei que há muitos jornalistas que não aceitam encomendas. Outros, infelizmente, sim. E que, com todos os seus defeitos, desde o seu nascimento até hoje, independentemente dos directores (e até da sua vontade), a redacção do “Público” foi sempre aquela onde, entre os jornais diários, se respirou mais liberdade e autonomia dos jornalistas.

Espero que a Bárbara Reis consiga salvar o “Público”. E espero que os leitores desavindos lhe dêem o benefício da dúvida. A ela, à direcção e aos jornalistas do “Público”, que têm passado por sucessivos processos de “reestrutação”, despedimentos, reduções de salários, polémicas políticas que os ultrapassam, e, ainda assim, ali estão, todos os dias, a fazer o melhor possível. Um país com uma imprensa tão débil como a nossa, tão carente de qualidade no jornalismo, não se pode dar ao luxo de dispensar os excelentes profissionais que trabalham no “Público” nem o projecto ambicioso que ele significou há 20 anos. Veremos se agora melhora.


60 respostas ao post “Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida”  

  1. 1 1  Carlos Marques

    “Todos assistimos àquele triste duelo que aconteceu no “Prós e Contras”, entre o representante do governo, director do DN, e o representante da oposição, director do “Público”.”

    Também estava lá o director do Expresso, que foi aliás muito assertivo e gostava de saber aliás a tua opinião sobre a intervenção do Henrique Monteiro nesse programa.

    Quem terá sido a tal fonte política? Se o Professor Louçã já sabia da matéria antes de a notícia sair, terá sido o BE?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Carlos, não gostei da participação de nenhum dos quatro, director do Expresso incluido. Mas do que estava a falar era do alinhamento partidário.

  2. 2 2  mcl

    exactamente pelo benefício da dúvida, HOJE voltei a comprar o Público.

    agora de uma coisa tenho a minha certeza, se o director do DN saiu mal daquele vergonhoso prós e contras ou do caso da inventona das escutas que dizer dos directores do Público e do Expresso ?

    cá para mim, foram ASQUEROSOS

    [Responder]

  3. 3 3  mcl

    Daniel Oliveira
    1 Nov 2009 às 14:30

    Carlos, não gistei da participação de nenhum dos quatro, director do Expresso incluido. Mas do que estava a falar era do alinhamento partidário.
    =========================

    por favor Daniel, vc está a dizer que os directores do Expresso e do Publico não agiram por alinhamento partidário e interesses económicos dos grupos empresariais que representam?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    mcl, não, não acho que nenhum dos dois (José Manuel Fernandes) tenha agido por interesses económicos dos grupos que representam. Aliás, ao contrário da voz corrente, nunca achei que fosse essa a motivação primeira de JMF. E acho que sou insuspeito de gostar quer dele, quer do dono do jornal. Acho que a motivação de Fernandes era mesmo política. Quanto ao Expresso, não tendo agido neste caso, e independentemente da prestação no P&C que, como disse, não gostei, me pareceu justificável. Eu não sei se publicaria aquele mail. E seguramente não publicaria nas condições de ausência de investigação em que o DN o publicou. Mais uma vez, sou insuspeito de ficar pouco satisfeito com a denúncia de quem era a fonte. Mas há regras que o jornalismo tem de seguir. E, como já aqui escrevi, não tenho certezas sobre a publicação daquele mail. E seguramente não o publicaria sem muitas certezas sobre a sua origem e a forma como foi obtido.

  4. 4 4  Carlos Marques

    Sim, concordo.
    De facto, alinhados pareciam estar mesmo os directores do DN e do Público à data.

    Também espero que o Público volte a ser muito melhor.

    E espero que o Expresso investigue e publique essa questão da fonte política.

    Gosto do Expresso, é o único jornal nacional que compro, apesar de achar que devia ter menos papel e mais conteúdo.

    [Responder]

  5. 5 5  Leo

    “Acho que a motivação de Fernandes era mesmo política.” “Espero que a Bárbara Reis consiga salvar o “Público”.

    Ah! Pois, claro. A bem dos amigos, não dos comparsas políticos ou coisa do género, nem por motivação política. Que ideia…

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  6. 6 6  Antónimo

    Pode ser que volte a comprar qd houver por lá comentadores com que me identifique. Podiam começar por dar aquela página do pacheco pereira a duas ou três pessoas sérias.

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  7. 7 7  Manolo Heredia

    Eu não estou assim tão optimista, porque hoje os jornais e as televisões já não são o que foram outrora; canais de informação independentes do Poder Económico. Hoje são veículos de transmissão de Poder (económico e político).
    O problema foi o Sr. Belmiro pensar que tinha peso suficiente para ir a jogo com os interesses que suportam actualmente o PS. E não tem!

    [Responder]

  8. 8 8  Rafeiro Danado

    Putedo por putedo, comecei a comprar o Correio da Manha. No seu caderno de classificados tem uma secção de relax imbatível, não tem comparação na concorrência.

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  9. 9 9  fado alexandrino

    Da directora não me lembro de ter lido nada.
    Dos outros três só me lembro de ler artigos a elogiar a esquerda.

    Tanto quanto sei, pela lei, o editorial de um jornal não assinado é da responsabilidade do director(a).

    O Público on-line tinha e tem tantos erros que acabei por me fartar e nunca mais vou renovar a assinatura.

    Para o que vale basta o que está de borla na net.
    Sejam felizes.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Sabe mal, Fado. A responsabilidade de um editorial não assinado é colectiva. Representa a instituição. E esta é a pratica normal em quase todos os mais importantes jornais de referencia no mundo. No editorial que linko é dito quem escreverá os editoriais.

    Se nunca leu nada da nova directora é porque não é um leitor frequente. Além de ter sido correspondente nos EUA durante anos, já publicou imensas coisas no jornal onde é jornalista ou desde a fundação ou muito próximo disso.

  10. 10 10  António Vilarigues

    Caro Daniel Oliveira,

    E o vergonhoso (a palavra até é suave…) «despedimento» de Luís Sá por Vicente Jorge Silva?

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  11. 11 11  Leo

    “Além de ter sido correspondente nos EUA durante anos”…

    Pois………..

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    Daniel Oliveira Reply:

    Lol, há limites para a paranóia.

  12. 12 12  Sara

    Cheguei ao Arrastão depois de ter assistido à tertúlia onde o Daniel Oliveira participou, proporcionada pelo Le Monde Diplomatique, e já me alegrou o dia. É com prazer que, passado algum tempo, vou voltar a comprar o Público. Estou a saber da mudança de direcção pelo blog (pensei que a saída de JMF seria mais tardia), e é uma excelente notícia!
    Sou absolutamente contra um jornal servir para propósitos ideológicos dos seus directores / detentores, embora isso cada vez me pareça um futuro inevitável dadas as tendências mundiais. Vou comprar o Público de hoje, na esperança de que volte ao caminho certo.

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  13. 13 13  imagoverbalis

    uma nova equipa e, esperemos, uma nova vida e igualmente uma nova sereidade jornalística, credível. só pelo facto de termos o miguel gaspar nesta nova liderança promete. o jornalismo do público tem assim grandes possibilidades de crescer e progredir ainda mais. o público é bom, pode ficar ainda melhor. estamos todos de parabéns.

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  14. 14 14  Minhoto

    É tudo muito bonito, o jornal vai vender ainda menos se não apostar na investigação jornalística e há efectivamente matéria mas vai bulir com os rabos de palha socialistas, coisa que não interessa. Vai ser para escrever coisas bonitas obamianas.
    A de não assinarem o Editorial é de rir pois desculpa muita coisa, já estou a imaginar a “comuna editorial” a escrever coisas bonitas do agrado da Esquerda.
    Vai ser engraçado ver o JPP no “ponto contraponto” a malhar e o Daniel Oliveira a espumar.

    [Responder]

  15. 15 15  q

    O Público hoje está mais positivo, carregadinho de eufemismos, mais a jeito do glorioso libertador de Alijó… Pois é… Boa sorte. Eu vou deixar de o ler.

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  16. 16 16  q

    Até porque não deve tardar muito até começar a estar escrito em brasileiro.

    [Responder]

  17. 17 17  Almeida

    Ver comentário de “JCD” no blog “Blasfémias.

    [Responder]

  18. 18 18  tonibler

    Fantástica deontologia que não perigava na “independância progressista”… Este post poderia ter sido escrito por Odorico Paraguaçu, na sua proverbial imparcialidade. Já não me ria assim há uns tempos…

    [Responder]

  19. 19 19  cafc

    E em que é que isso contribui para a minha felicidade?

    Há anos que não gasto dinheiro em jornais, pois como é sabido, há outras vias de informação, onde até existe o Princípio do Contraditório.
    Informação “Via Única”, não, obrigado!
    E não vou mais longe, fico mesmo aqui com a “informação” via “rodapé da SIC”.
    Com a diferença que, aqui, se pratica o tal Princípio e surgiram logo as informações para que se pudesse “ver” onde estava a manipulação.

    [Responder]

  20. 20 20  aviador

    Subscrevo o “post” do Daniel.
    Quero desejar as maiores felicidades a Bárbara Reis.
    A partir de hoje voltarei a comprar o Publico diariamente após quase uma nao de interrupção.

    [Responder]

  21. 21 21  Isabel Coutinho

    Por mim continuarei a comprar o Público todos os dias, excepto aos Sábados em que compro Expresso.

    Dia sem jornal (em papel) não é dia.

    (assim o dinheiro continue a dar para jornais … Sem tabaco é que eu não fico!)

    [Responder]

  22. 22 22  João Costa

    “Tenho de fazer já aqui uma declaração de interesses: sou amigo da nova directora. Não sou comparsa político ou coisa do género. Sou apenas amigo dela. Sei da sua competência, rigor e enorme capacidade de trabalho (sei pouco ou nada das suas posições políticas).”

    Imagino que falem de futebol e outras trivialidades, sempre que se encontram. De política, nem pensar.

    Eu, estranhamente, sei perfeitamente qual a orientação política de todos os meus amigos.

    [Responder]

  23. 23 23  xatoo

    ? “resultado da cegueira ideológica de uma só pessoa”
    a linha editorial de um jornal é definida por uma só pessoa? duvido;
    mas também não vale a pena preocuparmo-nos muito; dizem que o fim definitivo dos jornais de papel está previsto para 2025:
    http://www.newsweek.com/id/220168

    [Responder]

  24. 24 24  Fado Alexandrino

    Não me quero meter em discussão com um especialista de imprensa, o senhor Daniel Oliveira, mas recomendo-lhe que leia este artigo:

    Artigo 39.º
    Identificação do autor do escrito

    1 – Instaurado o procedimento criminal, se o autor do escrito ou imagem for desconhecido, o Ministério Público ordena a notificação do director para, no prazo de cinco dias, declarar no inquérito qual a identidade do autor do
    escrito ou imagem

    Amanhã, se tiver tempo, vou demonstrar-lhe que o editorial é de quem o assinar ou na sua falta do director.

    [Responder]

  25. 25 25  José Semblante

    Então, DANIEL OLIVEIRA, não responde ao Villarigues?!

    Já agora: Gostava que fizesse aqui uma apreciação crítica a José Leite Pereira, director(?) do J.N. . Não acha que o homem(o jornalista?) desempenha (e mal) o cargo de comissário do P.S. junto do jornal?
    Acha que um jornal fundado por Vicente Jorge Silva(não, não me estou a referir ao Comércio do Funchal) pode ter sido tudo o que aqui acaba de dizer?!
    Não acha que o Público, o melhor que tem sabido executar, tem sido uma prática feroz anti PC?
    Etc, etc. Passe bem.

    [Responder]

  26. 26 26  Economista555

    Nem um agradecimento ao Belmiro?

    Abr

    [Responder]

  27. 27 27  LAM

    Daniel Oliveira #6

    “não acho que nenhum dos dois (José Manuel Fernandes) tenha agido por interesses económicos dos grupos que representam.”

    (só agora cheguei à conversa). olhe que não Daniel. Se se lembrar da campanha do Público aquando da OPA da Sonae à PT, e que de resto formou opinião distorcida em muito boa gente, chegará a conclusões diferentes. O mesmo em tudo o resto que implique interesses estratégicos do grupo Sonae.

    [Responder]

  28. 28 28  Mário Moniz

    Boa notícia.
    Vou voltar a ler o PÚBLICO. (Ainda o lia, de vez em quando, na esperança que algo mudasse). Passo novamente a lê-lo com mais assiduidade.

    [Responder]

  29. 29 29  Fado Alexandrino

    Depois de ler todos os comentários fico a saber que José Manuel Fernandes com um chicote impunha a uma redacção constituída por 80% de jornalistas de esquerda uma orientação que os mesmos intimamente repudiavam mas tinham que aceitar com medo da prisão e tortura pela Pide moderna.
    Agora estão livres, já podem voar e em alegre chilrear vão começar a escrever com as duas mãos que Deus (se não gostar ponha aqui outra coisa qualquer) lhes deu.

    [Responder]

  30. 30 30  portela menos 1

    só o facto de o Público não voltar a ter editoriais de JMF já é uma grande mudança.

    ps:
    não saber da existência da actual directora (“Da directora não me lembro de ter lido nada”) vem na mesma linha do desconhecimento da existência do professor universitário José Manuel Pureza.
    Já Luis Filipe Vieira e Paulo Bento, toda a gente conhece … “ambos os dois” :-)

    [Responder]

  31. 31 31  Hugo Ricardo

    (…)”Jornal independente e tendencialmente “progressista” num instrumento de propaganda agressivo de uma direita agressiva, resultado da cegueira ideológica de uma só pessoa.”(…)

    Curioso, quando o jornal era tendencialmente progressista (de esquerda) era independente, quando se tornou tendencialmente conservador (de direita) tornou-se num instrumento de propaganda de direita radical (radical). Dois pesos e duas medidas, Daniel.

    [Responder]

  32. 32 32  Luís Marvão

    Penso que é redutor dizer que o José Manuel Fernandes é o culpado pelo estado a que o Público chegou, a ponto de fazer recair na nova directora, Bárbara Reis, a responsabilidade de “salvar” o jornal. Eu não sei se o Público está à beira do abismo, problemas económicos, recuo das vendas, etc., afectam quase todos jornais da imprensa diária, em Portugal e por esse mundo fora.
    Também não me parece correcto o estabelecimento de qualquer equivalência, moral ou política, entre o José Manuel Fernandes e o João Marcelino. O primeiro tem, é certo, motivações ideológicas que são tão legítimas quanto as do Daniel. Já sobre o João Marcelino, nele não vislumbro nada para além do interesse interesseiro de agradar ao governo, o que até nem é novo no caso do Diário de Notícias.
    Não estou aqui a fazer a defesa de JMF, de quem estou ideologicamente falando nos antípodas, mas creio que são bem mais complexas as razões do declínio do Público.
    Eu sou leitor do Público desde a primeira hora, continuo a comprar o jornal, mas já não todos os dias: agora é mais umas vezes Público, outras vezes I.
    Penso que o Público alargou o espaço da opinião sem grandes resultados. Tem muita “opinião cinzenta”. Acho que é hoje um jornal com “opinião a mais” e notícias a menos. E investigação jornalística só às vezes(estranhamente, é por causa desta última que o jornal tem sido tão atacado). Mesmo o tratamento das notícias tem padecido da falta de rigor. Há cada vez mais erros e omissões. E o Suplemento Ipsílon está cada vez mais pobre e refém das estreitas lógicas de mercado. Há cada vez menos divulgação de música, a não ser a que se enquadra dentro de uma certa previsibilidade. E este foi um domínio em que Público já deu cartas: basta lembrar os Suplementos Sons e Pop/Rock; andava por lá gente como o Fernando Magalhães, gente que já não está entre nós e que bem falta faz. No último Ipsílon, o David Fonseca teve direito a três páginas, enquanto o Steve Reich apenas uma… Outros exemplos de coisas hoje menos boas, são as críticas/cobertura de concerto e eventos (género, festivais de cinema). Têm hoje menos espaço no jornal;também a impressão de algum comodismo da parte dos jornalistas, que praticamente não saiem de Lisboa ou do Porto, a não ser nos festivais de Verão. Eu lembro-me que o Fernando Magalhães ia a todo o lado, onde quer que houvesse boa música. Sinto que foi este lado voluntarioso que hoje se perdeu no Público e que fez pender o jornal para um certo cinzentismo. Enfim, nem tudo se resume ao JMF.

    [Responder]

  33. 33 33  Luís Marvão

    Daniel,

    Mas um jornal não pode ter uma agenda/linha ideológica? Não integrou o Daniel o corpo jornalístico da Capital?

    [Responder]

  34. 34 34  Daniel Oliveira

    Não, Luís. Fui colunista. Os colunistas não fazem parte do corpo jornalístico de uma publicação. A não ser que lá sejam jornalistas, são externos ao jornal. Era assim na Capital, assim é no Expresso.

    [Responder]

  35. 35 35  Daniel Oliveira

    Hugo, é a diferença entre “tendencialmente” e “propaganda agressiva”.

    [Responder]

  36. 36 36  Daniel Oliveira

    José Semblante, mas há algum jornal sem ser o Avante! e algum jornalista que não tenha como principal propósito fazer campanhas ferozes contra o PCP? Não é Jerónimo de Sousa tratado com uma agressividade nunca vista por todos os jornalistas? Não está o mundo todo, com excpeção da classe trabalhadora, obcecado em destruir o PCP?

    [Responder]

  37. 37 37  Daniel Oliveira

    Fado, a responsabilidade criminal não é o mesmo que a autoria.

    [Responder]

  38. 38 38  Antonio Cunha

    Portanto o tio Belmiro lá se resignou e entregou o jornal a quem percebe da poda. A malta de esquerda !!!

    Já agora Vicente Jorge Silva é esse grande sr que chamou geração rasca à minha geração, não é ?

    [Responder]

  39. 39 39  portela menos 1

    o quê? JMF é de direita? :-)

    [Responder]

  40. 40 40  Fado Alexandrino

    Não integrou o Daniel o corpo jornalístico da Capital?

    Ainda bem que falou n’ A Capital. Como sabe foi o único jornal que até hoje tomou público partido numa eleição e declarou isso na primeira página apoiando a parte de esquerda na referida eleição.

    Tinha como director um génio do jornalismo que era apontado como o expoente máximo de uma nova geração.
    Não me lembra agora o nome, eles são tantos.
    O jornal faliu logo a seguir.
    Quem vos avisa …

    [Responder]

  41. 41 41  Isabel Coutinho

    Só espero que se mantenham os “cronistas” da última página: de Rui Tavares a VPV.

    [Responder]

  42. 42 42  Isabel Coutinho

    Desculpe lá, Fado Alexandrino, mas a Capital (o melhor de todos) começou a decair quando perdeu como Director, o grande Francisco de Sousa Tavares.

    [Responder]

  43. 43 43  Tiago Lima

    Pois eu era leitor do Público desde o primeiro número e deixei de o ser a partir de hoje.
    Detesto a imprensa socretina (i.e., socrática+cretina) que prolifera em Portugal e a que o Público acaba de juntar-se (o editorial de ontem não deixa margem para dúvidas…).

    [Responder]

  44. 44 44  Tiago Lima

    Essa de o editorial ser de responsabilidade colectiva, e não do director, constitui certamente a última novidade em matéria de direito da comunicação social…

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Tiago, responsabilidade editorial não é o mesmo que responsabilidade criminal. Mais: se o jornal decidir identificar o autor do editorial, a responsabilidade primeira é de quem o escreveu e não do director (que é sempre solidário na responsabilidade, mesmo no caso do que é assinado).

  45. 45 45  Tiago Lima

    Claro que lhe fico muito grato, Daniel Oliveira, por essa lição de Direito… Vou servir-me dela para as aulas de amanhã. Mas não posso garantir que os meus alunos aceitem pacificamente a novidade, por claramente divergente do que lhes tenho ensinado nos últimos anos. E eles têm pressa: já lhes faltam poucos meses para começarem os estágios…

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Tiago, diga, já agora, o que disse de erra. Supondo, claro, que é especializado neste ramo do direito.

  46. 46 46  Miguel

    O Daniel Oliveira tem toda a razao: os editoriais do Financial Times, do Le Monde, do New York Times nao sao assinados.

    [Responder]

  47. 47 47  Piscoiso

    Pois eu comprei-o desde que nasceu.
    Com a invasão do Iraque e o seguidismo dos editoriais de JMF, sem o distanciamento que se impunha, para o jornal a que estava habituado, senti algum desalento, mas continuei fiel.
    Com o Freeport, já quase não o lia, mas continuei a comprar.
    Com o caso das escutas, deixei de comprar.
    Espero que a pouca vergonha tenha acabado com a saída do trafulha JMF.

    Voltou o Público à minha companhia pela manhã.

    [Responder]

  48. 48 48  Fado Alexandrino

    Daniel Oliveira
    2 Nov 2009 às 20:32

    O assunto já foi debatido aqui e noutros lados e a questão é sempre a mesma.
    O editorial passa a representar a opinião de todos os jornalistas do jornal?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Não, Fado. Representa a posição do Jornal enquanto instituição.

  49. 49 49  Fado Alexandrino

    Não, Fado. Representa a posição do Jornal enquanto instituição.

    Espere lá, há aqui qualquer coisa que me escapa.
    Como sabemos há jornalistas no Público que também têm coluna de opinião, são aliás os mais em evidência.
    Então quando o editorial, que ele também co-escreveu, defender uma posição ideológica diferente da que habitualmente escreve, em quem é que devemos acreditar.
    Nele quando estava no colectivo ou nele quando pensava pela sua cabeça?

    Claro que isto deve vir a ser uma pergunta retórica porque a partir de agora a cartilha é rezarem todos pelo socialismo moderno simplex.
    Gostei imenso de ler a primeira pergunta que colocaram aos leitores naqueles inquéritos on-line, foi como que um sinal.

    [Responder]

  50. 50 50  José Bastos

    A sua amiga, a nova directora, também gosta de Sérgio Godinho?

    [Responder]

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