E de repente, quem quer por os funcionários públicos na ordem defende que as decisões administrativas dos hospitais devem obedecer, antes de tudo o mais, à defesa dos direitos dos médicos. O que interessa já não são as necessidades dos serviços, mas os direitos daqueles que neles querem trabalhar. Só faltou mesmo que este nosso “liberal às vezes” falasse de direitos adquiridos. Claro que, neste caso, os trabalhadores são médicos o que dá outro glamour à coisa. Claro que o que está em causa é a objecção de consciência em matéria de aborto. Claro que isto do interesse público estar à frente dos interesses dos funcionários depende dos dias, das classes profissionais e dos temas que estão em debate.
Por Daniel Oliveira 18 Jun 07 em Sem categoria


Exactamente.
Consuante mudam as leis, mudam as exigências que são feitas aos trabalhadores.
Os professores vão ter de trabalhar até aos 65 anos…ninguém pode objectar…
Acho que os médicos têm direito ao objector, porque é um direito seu, mas os direitos laborais dos outros profissionais, têm de ser igualmente respeitados.
E estes liberaizinhos… mete nojo.
Porque é que o liberalismo não pode defender direitos dos trabalhadores? Não são esses direitos, liberdades? Que os liberais, supostamente, deviam defender? Há direitos laborais que podem ser destruídos por um decreto de lei; outros não, porque são um atentado à liberdade individual?
Parabéns pela prespicácia Daniel!
Por mais direitos que as mulheres tenham em fazer um aborto, tal como ele está previsto na lei, não se pode obrigar médicos objectores de consciência a pratica-los. Mas vá lá, como eu sei que o que interessa ao Daniel são as audiências, dizendo assim umas coisas no ar para provocar movimento no blog, e depois de muitos insultos a si e ao bloco de esquerda, então concretizar uma ideia digna desse nome, enquanto cidadão anti-aborto abstenho-me de comentar para já preferindo primeiro ouvir as ideias modernas que o bloco e o Daniel têm para propôr nesta matéria.
Daniel, é só para lhe lembrar o apelo do Vaticano para que os fieis a que se deixe de contribuir para as organizações internacionais que abertamente apoiam o aborto.
Quem é amiguinho, quem é?
Pois claro! Se os motoristas da Carris se recusassem a transportar passageiros mal cheirosos, invocando objecção de consciência ou mera abjecção, dir-se-ia que este país assim não poderia ir para a frente e que é necessário flexibilizar os ditos motoristas.
OBJECÇÃO DE INCONSCIÊNCIA
Leio o seu comentário e não vejo respondida a questão mais pertinente:
Se fosse V. a decidir como decidiria?
- Negaria o direito de invocar o direito de consciência?
- Dispensaria os objectores de consciência e admitiria outros especialistas não objectores?
Devo esclarecer que não sou médico nem tenho interesses, indirectos que sejam, no assunto. Tão pouco sou contra a lei do aborto.
O que eu não sei é como pode concretizar-se uma lei sem a adesão mínima daqueles que a têm de executar. A menos que os contratos sejam resolúveis em consequência da indisponibilidade de uma das partes para a execução de actos que estão dentro das suas competências profissionais. E admitir quem esteja disponível.
Ou não?
Caro Daniel:
O direito à “objecção de consciência”, por mais que lhe custe, não é um direito equiparável a um aumento de mais 1 ou 2 % no ordenado). O direito à objecção de consciência é um direito fundamental numa sociedade pluralista e democrática, mesmo que não se concorde com as ideias do objector.
Este post nem parece seu…
Luís
Nada contra a objecção de consci~encia. Se se dá o caso infeliz de todos serem objectores de consciência o Estado tem de contratar quem não seja, sem despedir que lá está. É melhor ler com atenção o post do rodrigo.
Se um médico se recusasse a tratar um drogado porque “só sabem é roubaa”, podia ser despedido.
Se um médico se recusasse a tratar um violador, podia ser despedido.
Se um médico se recusasse a tratar neonazi, podia ser despedido.
Se um médico se recusa a fazer um aborto, negando a uma mulher o direito de o fazer com segurança e sem julgamento, está a exercer objecção de consciência…
É melhor não seguir por caminhos de confronto que não levam a lado nenhum.Há médicos não objectores de consciência suficientes para fazer o aborto sanitário.
Como todas as mudanças leva algum tempo, mas como é justa , vai vencer!