
No seu texto de domingo, Vasco Pulido Valente (VPV) atira-se ao Bloco porque não será suficientemente revolucionário e marxista. Atirar-se-ia ao Bloco se ele fosse revolucionário e marxista, assim como se atira ao Bloco por ter programa e por não ter programa nenhum. É o nicho de mercado de VPV. Tudo está péssimo quando muda e nada muda e por isso fica péssimo. E todos os que acordam de manhã sem vontade de saltar de um 10º andar ou são idiotas ou oportunistas. E no fundo, tirando o próprio e alguns amigos, todos somos iguais. Louçã, por exemplo, é igual a “Paulo Portas, Sarkozy ou Cameron.”
Não vou aqui fazer um debate mais profundo com VPV. O único argumento que lhe poderia dar seria a prescrição de um anti-depressivo. Fico-me pelo debate sobre o Bloco.
VPV diz duas coisas sobre o BE:
«Agora, também ele faz parte do clube.E, naturalmente, adquiriu a obsessão essencial do clube: o “aparelho”. (…) A “implantação” cresce: aumentou o número de sedes (que não são de graça) e de comissões concelhias. Como qualquer partido que se preza, o Bloco quer a sua fatia de poder local e uns deputados mais na próxima Assembleia.(…) O Bloco é hoje um partido como outro. Um partido do regime, convencional e pobre»
«O Bloco acabou tristemente na social-democracia e só não está ainda no “centrão” porque o PS não precisa dele.»
Os dois fantasmas da esquerda: institucionalização e traição. Percebeu onde dói mais.
Sobre a institucionalização. É o que se pode dizer de qualquer coisa, de qualquer pessoa e de qualquer organização que faça algum esforço para existir. Quando existe fica parecida com o que existe: com “os outros”, “o sistema”, “o regime”, “eles”! É a conversa banal do indignado de café transformada em grande tirada.
É claro que o BE precisa de meios. Todos os partidos e organizações com alguma dimensão precisam. É claro que o BE precisa de aparelho. Todas os partidos e organizações com alguma dimensão precisam. É claro que o BE é um partido que faz parte do regime, seja lá o que isso queira dizer. Se o “regime” é o democrático, todos os partidos que aceitam e defendem a democracia, do PCP ao CDS, fazem parte dele. VPV, ex-deputado e ex-secretário de Estado, homem dependente da notoriedade e da academia, também.
É claro que o Bloco é um partido como os outros. Por uma simples razão: é um partido. E também não é um partido como os outros. E nem o PCP nem o CDS o são. Têm posições ideológicas e programáticas diferentes e modos de agir também diferentes e essa é a única diferença que conta. O resto é poesia. Talvez o PSD e o PS sejam mesmo os únicos partidos quase iguais entre si e isso é um problema na democracia portuguesa que não se repete em todas as democracias. O que faz do PS e do PSD o centrão não é terem autarcas e sedes. É não conseguirem distinguir-se nas questões fundamentais. E, se virmos bem, pelas poucas posições realmente políticas que conhecemos a VPV, também ele está sentado bem no centro do centrão.
Nunca quis que o BE fosse um partido diferente dos outros, no sentido quase metafísico que VPV dá a essa diferença. Quis, como suponho que qualquer militante que se mova por convicções em qualquer partido quer, que ele fosse melhor do que os outros. Sem corrupção, com um funcionamento democrático e aberto à participação das pessoas. Mas sei que os partidos, como todas as organizações onde se junte mais do que uma pessoa, têm limitações. A primeira de todas: dependem das ambições e dos defeitos das pessoas. A segunda: dependem de resultados eleitorais e da malfadada “implantação” para sobreviver. A terceira: têm de regular o seu funcionamento para garantir que ele é o mais democrático possível. A quarta: têm de estruturar a sua acção, o que obriga à existência de um “aparelho”.
O melhor partido que consigo imaginar teria o meu nome como primeiro e único militante. Suponho que acontece o mesmo com cada um dos que me está a ler. O Inferno são mesmo os outros. Acontece que a política se faz com os outros e isso obriga a terríveis cedência ao “regime”. Acontece que os partidos querem e devem querer eleger autarcas e deputados. Se não quisessem não eram partidos. Eram sociedades filarmónicas.
Mas não deixo de me comover com este discurso beato sobre os partidos, o regime e o aparelho. Está a vender imenso. Os alegristas de várias espécies são, neste momento, os seus principais representantes.
Nada distingue o funcionamento de uma lista independente (ou de “cidadãos”, como agora se diz, relegando os militantes partidários para uma outra subespécie humana) do funcionamento de um partido. Apenas são estruturas menos permanentes e por isso mais leves. De resto, têm os defeitos dos partidos e mais alguns. São menos democráticas. O líder não é eleito e no entanto tudo se concentra em torno dele. Em vez de ser um programa, estatutos, moções aprovadas democraticamente em congressos (que dependem da existência dessa coisa tenebrosa a que se chama “aparelho”), o que une todos os “militantes” é a personalidade e os caprichos de uma pessoa. O líder. Não trocava todos os defeitos dos partidos por isto. Qual é o sentido de ser “alegrista” se de repente deixarmos de concordar com Manuel Alegre? A ideia de me integrar num grupo em que o elemento aglutinador é o individualismo de um terceiro até me deixa com tonturas. Antes o aparelho.
Mas esta pureza que odeia a “institucionalização” (ou seja, as regras que garantem o funcionamento democrático de uma organização e defendem as minorias internas da vontade de líders iluminados) colhe à esquerda. Se a esquerda perde, está a morrer. Se a esquerda ganha fica igual aos outros traindo-se. Está a morrer. Uma aposta que nunca falha. E enquanto vivemos obcecados a combater a nossa institucionalização, a ficar sempre frescos e leves, quem já tem o poder vai tratando dele e espera que nós sejamos o “escape do sistema”. Uma espécie de Play Station para descomprimir entre coisas sérias.
VPV joga com o segundo terror da esquerda. As palavras e como elas revelam, a cada esquina, a proximidade do maior dos pecados: a traição. «O Bloco acabou tristemente na social-democracia e só não está ainda no “centrão” porque o PS não precisa dele.» Está cá tudo. Traição e oportunismo. Não porque VPV perca o sono com a triste social-democracia. Não que ele ache que isso signifique que o BE se prepara para qualquer entendimento com o centrão. Apenas escreve como se fosse um comunista ortodoxo puro e duro porque só consegue entender a esquerda se ela for assim mesmo.
VPV não acredita que a esquerda possa governar sem se trair. É normal que não acredite. Tal ideia, essa sim, tirar-lhe-ia o sono. Ele quer ter a certeza que a esquerda não deixa de pensar que só é boa se quiser ser derrotada.
Acabar “tristemente na social-democracia” e ficar “como os outros”. As palavras são importantes, gritava Nani Moretti a uma jornalista idiota. Pois são. Mas na esquerda elas por vezes parece que são tudo. Há as palavras mágicas e as palavras proibidas. Cada uma carrega a salvação ou a culpa, um sinal de pureza ou uma cedência. A palavra “socialismo” não precisa de querer dizer nada. A palavra “revolução” tem vida própria e dispensa um país e um mundo concretos. A palavra “sonho” e “utopia” são o paraíso. A palavra “rigor” é neo-liberal. A palavra “dinheiro” é prostituição. A palavra “poder” é já a confissão da venda da alma.
Vimos partir tantos, tantos que desistiram, que estamos apenas à espera de saber quem será o próximo. À espera da palavra que o denuncie. A esquerda sente assim e a direita quer que ela sinta assim. Que procure na política o que apenas a religião lhe pode dar: a pureza. Quer ser pequena e dispensa o poder. Porque o poder corrompe. Têm razão: corrompe! Ainda bem que corrompe. A vida corrompe. A mudança corrompe. A acção corrompe. A inteligência corrompe.
O debate sobre o poder é um jogo de espelhos. Eu escrevo: quero o poder! Olhares de engelha. Mas haveria de querer o quê da política? Passar o tempo? Auto-satisfação? A felicidade eterna? O sentimento do dever cumprido? A política serve para mudar a vida concreta das pessoas e só com poder se muda. Quem acha que serve limpar a alma deveria procurar ajuda junto dos monges tibetanos. Mais: foi entre os mais puros na retórica que na política fui encontrado os mais inconsequentes na acção. Quem não quer sujar a cabeça com considerações tácticas e com a conquista do poder não deve perder tempo com a política. É disto que a política trata. Do poder que nos permite aplicar mudanças, programas, reformas, revoluções, seja o que for. Quem tem nojo do poder e teima em agir na política está à espera do comboio na paragem do autocarro.
Por isso, quero neste longo texto dar razão a VPV. O Bloco ficará como os outros. Se lhe correr bem, terá mais autarcas e mais deputados (devo recordar que são eleitos através do voto democrático), terá aparelho (espero que o mais leve possível) e terá poder. Mais poder. Se não for para isso, então fico-me pelo Sporting. Ganha poucas vezes, mas pelo menos ganha algumas. Não muda nada da minha vida mas dá muito menos trabalho.
Por Daniel Oliveira 7 Jun 07 em Sem categoria


Caro Daniel Oliveira,
Pelos vistos não foi só o Jerónimo de Sousa a dizer que o Bloco tem uma deriva social democrata.
A coisa está a generalizar-se…
Cumprimentos
O primeiro a dizer foi Vasco Pulido Valente. Jerónimo repetiu, uns dias depois. Cada um sabe quem deve ter como inspiração.
“Quem não quer sujar a cabeça com considerações tácticas e com a conquista do poder não deve perder tempo com a política. É disto que a política trata. Do poder que nos permite aplicar mudanças, programas, reformas, revoluções, seja o que for. Quem tem nojo do poder e teima em agir na política está à espera do comboio na paragem do autocarro”. Precisamente. Excelente post. VPV, Pacheco Pereira e outra gente de direita, ataca o BE, e adora a ortodoxia do PCP, porque sabem que o PCP nunca será poder, e apelidam de desvios sociais - democratas direitistas sempre que alguém do BE ou a direcção clama pela sua oportunidade de dizer que também pode governar ou pelo menos lutar pelo poder.
Caro Daniel Oliveira,
Se a primeira reacção foi do VPV, porque é que alterou a ordem cronológica dos postes?
Cumprimentos
concordo consigo, Daniel.
abraço
Muito bom texto.
ribeiro, porque acho Jerónimo de Sousa mais relevante do que Vasco Pulido Valente. Então, está contente agora? Está?
Deriva social democrata? A inspiração política do bloco de esquerda tem pouco de social democrata e muito de trotskista, comunista e de outra esquerda dura. Mas, na ausência de países que consigam levar a cabo o ideário político do bloco, no respeito dos valores éticos, da liberdade de opinião, dos direitos humanos, atingindo ao mesmo tempo prosperidade económica e paz social, o bloco gosta de dar como exemplo de modelo civilizacional e político os países nórdicos e a sua social democracia.
É mais fácil acenar ao povo com o sucesso dos países nórdicos do que fazer a apologia dos velhos e gastos grandes ideólogos da esquerda cuja obra ainda descansa na mesa de cabeceira dos membros do bloco, tal como a biblia ao lado da cama da velha beata.
A social democracia dos países nórdicos é apenas «os amanhãs que cantam» do bloco, algo que as pessoas possam entender. Como chegar lá? Essa já é outra conversa.
No passado Domingo também vi o gato escondido com o rabo de fora ao ler o Publico.
De qualquer modo do Vasco, do Pacheco, da Constança,do Rui Ramos e tantos outros não se espera nada.
Nem sei se vale a pena comentar.
Não se deve gastar latim com tão ruins donos.
DE QUALQUER MODO PARABÉNS PELA SUA EXCELENTE RESPOSTA.
acho que assim não convence ninguém. O louçã no poder, vá lá. O portas, haverá piores. mas no dia em que o jorge costa ou o nuno ramos de almeida forem governantes eu abandono o pais. Enfim, para ser sincero, já o abandonei há um par de anos.
Precisava de ler algo assim, depois de um serão com apontamentos intragáveis. Obrigado! Belo texto!
“Mais: foi entre os mais puros na retórica que na política fui ‘encontraNdo’ os mais inconsequentes na acção.”
Um grande texto, sim. E cheio de acerto e visão objectiva, com variedade de momentos sublimados, como em variações de uma crítica plausível, tão plausível que sobre ela assenta a excelência da acção do partido determinado a crescer e evoluir por transformar e projectar a vida da maior número de gente.
No seu melhor, sim, sem o jogo de pruridos com que também às vezes já me dei a zurzir a generalidade dos políticos e partidos, com aquela liberdade das palavras agradavelmente sonantes.
E certo que apreciei, por quanto admiro quem se sujeita à disciplina partidária no sentido de uma realização própria e colectiva, quanto mais me dou atreita ao egoísmo.
Mas era bom, quem dera, que um dia, assim como por milagre de São BE ou coisa, saíssemos do centrão cinzento que nos seca, em que, felizmente, cada vez menos povo acredita.
EXCELENTE PINTURA! O século XII foi sem dúvida um momento de Renascimento! A violência de Pedro sobre o pobre do soldado terá outro significado? A admoestação de Cristo é pronta!
O texto? Não li…
“É claro que o BE precisa de meios. Todos os partidos e organizações com alguma dimensão precisam. É claro que o BE precisa de aparelho. Todas os partidos e organizações com alguma dimensão precisam”
É por isto que, em termos estrictamente racionais e positivistas, o VPV tem toda a razão nesta questão. É que sempre que se adquire “alguma dimensão”, se constroi um “aparelho”, os comportamentos políticos ficam, senão subordinados, pelo menos fortemente condicionados pela avaliação (e receio) do risco da sua perda.
Para suficientemente revolucionário e marxista, para amanhãs que cantam numa economia centralizada e planificada, existirá sempre o PCP…A social-democracia ( ou uma espécie de social-democracia ), estará bem entregue a este centrão instalado… Será que VPV ainda não percebeu a coisa?
Fica-se com a sensação que VPV gostaria que o BE fosse, sempre e só, a “ovelha negra da rua e das causas fracturantes”, de bandeirinha no ar, que jamais quer ser poder.
Uma nota de rodapé: é curioso observar, nestes últimos tempos, que anda muita gente incomodada com o “ pequeno BE ”…
Postal oportuno!
OLá Daniel, desculpa a sinceridade mas este post não é uma resposta ao artigo do VPV. É uma opinião que eu tenho pena que não tenah sido expressa por ti na convenção pois teria sido útil ao debate. Eu sou dos que acham que o VPV escreveu aquilo que alguns bloquistas pensam mas não dizem. Valha-nos que tiveste a coragem de entre linhas confirmar o essencial do que o VPV escreveu apenas contrariando naquilo que é acessório.
Que fique claro que nem toda a gente defende um Bloco igual ao teu.
Conclusão: a estratégia de poder político-partidária prevalece sobre a liberdade de expressão individual. Mas como faze mos promessas de futuro colectivo melhor, a perda da coerência é um mal menor. O indivíduo a sacrificar-se pelo todo.
Não era esperada outra forma de fazer política.
Devo confessar que as opiniões do VPV me interessam tanto como cagar um pé todo logo ao saír de casa.
Já receitar-lhe anti depressivos, caro Daniel, parece-me uma maldade. Já imaginou o efeito da mistura com o (pelo que parece, muito) álcool?
Daniel;
De quando em quando devería dar uma voltinha por comentarios feitos por comentaristas e ja antiguos (que nao por isso passados) que por alí alguma vez se fizeram e completamente actuais
; agradaveis, des-agradaveis, proféticos, puntilhistas, xuiciosos, tal como pode comprobar neste que eu copiei paresce um déjà vu:
Não sei. O Vasco Pulido Valente escolheu “A Desparecida”, um grande western com o John Wayne, como filme da vida dele. Ora explicou ele à doce e fofinha Inês de Medeiros, que “as coisas importantes da vida são todas fruto do acaso” e depois refastelou-se na cadeira com os botões da camisa a descoserem-se mostrando a pilosidade do baixo ventre, num ar de abandono total. A Inês de Medeiros, um pouco incrédula, manteve um sorriso forçado que se foi derretendo à medida que ia insistindo “mas ó Vasco, não acha que nós somos senhores do nosso destino?” e ele “não.. não.. nada.. não vale a pena” e ela “mas mas mas… nós podemos escolher” e ele “escolher o quê Inês? O quê? Isto é tudo um acaso, não vale a pena”.
Ficou um momento de silêncio bem pesado. Inês enfrentou os cornos da câmera de frente e disse “vamos ver o filme”.
Mesmo quando o genérico estava a passar e as luzes diminuem, sabem? E passa a música do genérico? Quando os convidados aproveitam para pedir o número de telefone da entrevistadora, neste caso a doce Inês de Medeiros? Estão a ver?
Nem aí o Vasco se mexeu. A Inês ficou ali, às escuras, aguardando serenamente pelo fim do martírio. Aquilo marcou-a. Foi a passagem à idade adulta.
Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 29, 2004 12:22 PM
“É o nicho de mercado de VPV. Tudo está péssimo quando muda e nada muda e por isso fica péssimo”
toda a razão Daniel, só que…
“O Bloco acabou (tristemente?) na social-democracia e só não está ainda no “centrão” porque o PS não precisa dele”
o VpV também tem razão.
Hoje a esquerda e a direita europeias distinguem-se muito mal, por exemplo, será o Sócrates um social democrata… de direita?
caro daniel
Precisamente porque é óbvio que a política tem que ver com o poder é que a questão do poder não pode ser resolvida constatando simplesmente este facto.
O debate que interessa ter politicamente é sobre o que é o poder, que tipos de poder existem, como se exerce o poder, etc..
A política trata do poder mas a ideia da “conquista do poder” tal como aqui a exprimes - que pressupõe que ele é uma “coisa” algures sitiada - é apenas uma das formas de conceber a questão.
Felizmente não é a única. (E, não é a tua única forma de conceber a questão, claro está, ou de outra forma não se compreenderia, por exemplo, todo o teu esforço de reflexão crítica em torno da forma de organização interna dos partidos de esquerda).
um abraço
zé neves
“É o nicho de mercado de VPV. Tudo está péssimo quando muda e nada muda e por isso fica péssimo”
toda a razão Daniel, só que…
“O Bloco acabou (tristemente?) na social-democracia e só não está ainda no “centrão” porque o PS não precisa dele”
o VpV também tem razão.
Hoje a esquerda e a direita europeias distinguem-se muito mal, por exemplo, será o Sócrates um social democrata… de direita?
Daniel Arruda, não deves ter ouvido com atenção a minha intervenção na convenção.
“É claro que o BE precisa de meios. Todos os partidos e organizações com alguma dimensão precisam. É claro que o BE precisa de aparelho. Todas os partidos e organizações com alguma dimensão precisam”
Se analisarmos a questão numa perspectiva racional, positivista (condição necessária para se poder considerar de esquerda) há que reconhecer que o VPV tem razão. De facto, depois de esforçada, ardua e estrenuamente se adquirir “dimensão” e constituir “aparelho”, as acçoes políticas ficam subordinadas, são determinadas ou, no mínimo, são condicionadas pelo receio de perder a “dimensão” e afectar a sobrevivência do “aparelho”.
José Fonseca, mal seria que a acção política de um partido não fosse condicionada pelo seu eleitorado. A questão é até onde. Sempre.
Neste caso Vasco Pulido Valente tem toda a razão. E mta gente no BE sabe que é assim.
jb2, e agora não aplica a si próprio o facto de se juntar a Vasco Pulido Valente nas críticas. Olhe que ele também é do “arco neo-liberal” (ver comentários a post anterior). Ou só é do arco neo-liberal que critica o PCP.
Daniel:
está a ver porque não apoio a legalização do cannabis! È por isto. Muito fuma esta gente… Notam-se logo as “mocas” que andam por aqui!!! Arranje-se café e gurosans para todos…
Excelente, este poste do Daniel.
A confirmar que quem é inteligente e começa na extrema-esquerda porque calhou a ler um livro que lhe deu a volta à cabeça nos verdes anos de todas as influências, à medida que amadurece e pensa por si, vai transitando paulatinamente para o pensamento pragmático e realista.
O Daniel não está longe de se poder definir como um neoconservador ( neocon).
Digo isto sem qualquer ironia mas sim como um elogio.
O Dr Pacheco Pereira e o Dr Durão Barroso já fizeram esse trajecto….
Não sei porque depois de falar de inteligência refere Durão Barroso. E ainda mais os neoconservadores, essa espécie em vias de extinção, que teve como homem de mão de três neurónios e meio. Digamos que dispenso bem esse elogio.
Daniel Arruda anoto que agora tens como mentor o Vasco Pulido Valente, gostos homem gostos….
Mas nestes dias tivemos na net uma optimo momento de RTP memoria, a CDU colocou uns videos de uma Assembleia Municipal de 2005 em que se tratou da permuta dos terrenos do Parque Mayer com a Feira Popular, para dizer estão a ver, só nós nos opusemos…
Só que Santana hoje a Alberta Marques Fernandes deixou cair uma pequena frase, que pode ser assassina para os objectivos do PCP.
Vejamos o negocio da permuta , tinha como condição por parte da Braga Parques, que todo o restante espaço da Feira Popular, que fosse a asta publica posteriormente, tivesse a Braga Parques o direito de preferencia, ou então RECUSAVA todo o negócio.
Segundo Santana enviou a carta a Antonio Modesto Navarro Presidente á época da Assembleia Minicipal e membro do PCP.
Só que como é publico muitos deputados municpais de varios quadrantes não tiveram acesso á tal carta.
O que anda a esconder o PCP e o Modesto Navarro com os ditos videos, aguardamos a resposta.
DOEU MUITO, NÃO FOI CARO DANIEL?
Caro a.pacheco, gostava de saber de onde foi buscar que eu tinha como mentor o VPV?? A minha última frase no comentário diz exactamente o contrário. Eu não defendo o que ele diz existir mas reconheço ao contrário de ti que realmente ele tem razão nalgumas coisas. Reconhecer que o VPV por vezes acerta uma não é mal nenhum que eu saiba reconhecer isso não é sinal de concordancia.
Daniel ouvi e li aqui no Arrastão e não precebo onde queres chegar. A sério que não.
[ E ainda mais os neoconservadores, essa espécie em vias de extinção, que teve como homem de mão de três neurónios e meio. Digamos que dispenso bem esse elogio.]
Não é uma questão de dispensar ou não. É-se aquilo que se é, não aquilo que se pensa que se é.
O Daniel pensa como um neocon, tem um percurso igual aos neocons, escreve como um neocon, cheira a neocon….bem, o que lhe falta paa ser um neocon?
Provavelmente fazer o que fizeram os outros como ele: sair do armário e assumir aquilo que é.
Note que não estou a fezer juízos de valor…apenas a colocar-lhe um espelho à frente.
Se não lhe agrada ser um “neocon” à “Kristol”, bem, pode ser um “neocon” à
Bernard Kouchner, socialista, grande compincha da esquerda festiva e que não só faz parte do governo Sarko, como acha que as democracias têm a obrigação de se imiscuir nos assuntos internos das ditaduras e, se necessário, usar a força militar para salvar as populações dos ditadores, caso estes não larguem a cadeira de livre e espontânea vontade.
Mas há para aí mais neocons disfarçados:
Guterres, que apoiou a intervenção no Kosovo, mesmo sem mandato da ONU, o grande malandro.
Ana Gomes que, no seu habitual registo peixeiral, exigiu aos berros e de mão na anca a intervenção militar em Timor e no Darfur, etc.
E ainda não lhe falei da Drª Isabel do Carmo, pois não?
Da revolução armada ao charme discreto da burguesia…
Está o Daniel no caminho certo.
Perdidas as verdades absolutas do dogma, e a aspiração de ser vanguarda revolucionária, a sabedoria vem ao de cima.
É um bom sinal.
Provavelmente irá acabar como o Dr Alberto Martins, na bancada parlamentar do PS
Grande Educador da Classe Operária é que não, porque o ridículo mata e sente-se mais com a idade.
Caro Daniel Oliveira não gostando do senhor VPV dado ser uma pessoa que tem a mania que ele é que é bom e o resto é tudo raça inferior,faço a seguinte pergunta? O Bloco é o quê? A esquerda do PS? Sabe qual é a minha opinião ? O Bloco é uma invenção dos média e quando estes deixarem de lhe achar graça o Bloco volta a ser aquilo que sempre foi; um conjunto de pessoas que se reunem por aí.
Aceite os meus cumprimentos.
francisco vieira,
Já deixaram de lhe achar graça. E no entanto ele aí está.
Daniel Oliveira, o teu texto tem duas virtudes para mim: é muito bom na contra argumentação ao VPV e além disso é, como já referiu alguém, um ensaio que revela o teu pragmatismo político. é a parte melhor do post. principalmente essa tua reflexão sobre o ser militante de um partido. o fazer parte. creio que há uma pedagogia da política a fazer contra este discurso anti politica e anti partidos que, paradoxalmente, alguns partidos ou movimentos politicos andam a executar como forma de angariarem militantes, votos e apoios. tem um grande defeito para mim: constituindo-se como contra-argumentação ao VPV, e mesmo que lhe seja eficaz, acaba por ficar com os limites da pobreza franciscana da análise que tenta contradizer. É que de facto o Bloco de Esquerda tem um sério problema político enquanto movimento que faz o trabalho de recauchutagem de linhas politicas de esquerda e extrema-esquerda, através de um abrir a campos do ecopensamento politico. e esse problema, porque nem sequer tinha sido aflorado a sério, ficou sem resposta. ou seja, Daniel Oliveira, levaste, quanto a mim, ao tapete, VPV, marcaste pontos na reflexão sobre a pertença/integração de um na politica, mas ficou por responder aquilo que era mais importante: só um partido que tem como base ideológica um emaranhado confuso, perturbado de ideias é que pode patrocinar um slogan politicamente tão pobre como “O Zé faz falta”.
«É claro que o BE é um partido que faz parte do regime, seja lá o que isso queira dizer».
OK. Estamos perfeitamente entendidos. Seja lá o que isso queira dizer.
Caro Daniel.
As crónicas do VPV valem por dez andares de anti-depressivos.