
Chamando a atenção para o facto de Hugo Chavez ter sido democraticamente eleito, quer aqui quer no Expresso, já me lamentei do imprudente entusiasmo que a esquerda mostra pelo populismo chavista. A ameaça de nacionalizar os supermercados e lojas é o último passo para o abismo. A esquerda ainda vai torcer a orelha.
Por Daniel Oliveira 16 Fev 07 em Sem categoria
“imprudente entusiasmo”
Soa-me mal. Parece-me que o Daniel não põe em causa o apoio, mas, apenas, a táctica subjacente.
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Já disse o que achava sobre o homem. Não vale a pena querer definir os termos em que digo o que acho.
Mas o Daniel não está, neste caso, a opinar sobre o que acha do homem. Opina sobre a forma como a esquerda o encara. E essa condenação (concedendo), não parece clara, muito embora conceda também que poso estar a ser preciosista.
Mas, caldos de galinha … (como é?) …
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A minha opinião sobre o homem já a escrevi muitas vezes. Não a terei de repetir cada vez que aborde o assunto.
Ora bem. Vejamos se há incongruência.
O Daniel abomina o homem (suponho que). Mas não acha abominável o entusiasmo da esquerda à volta do dito. Acha apenas imprudente.
Que raio … !!!
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1. Não gosto do homem. Mas abomino apenas ditadores. Fidel, por exemplo.
2. Acho que as pessoas se podem entusiasmar com aparentes boas razões pelos os homens errados.
Muito bem.
A César o que é de César e agora esteve bem em desmarcar-se o quanto antes deste ditador…de esquerda.
Refaço a minha observação.
Será:
“É populista, tonto, voluntarista, megalómano e o que mais quiserem” que a esquerda tenha entusiasmo pelo homem.
Imprudente, continua a soar-me a coisa perdulária.
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Dia ainda o Daniel:
“Acho que as pessoas podem entusiasmar-se por aparentes boas razões com os homens errados.”
Eu começaria por dizer que me parece esquisito que as pessoas se entusiasmem por homens (a não ser por outras razões) em vez de se entusiasmarem pelas razões (propriamente ditas).
Soa-me a coisa algo viscosa.
… Já sei, já seu. Hoje acordei com vontade de marrar com o Daniel.
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Nunca vi a esquerda entusiaamada com Chavez!Devo andar distraido.
Em alguma coisa podemos concordar sem reticências
Red Snapper:
“Nunca vi a esquerda entusiaamada com Chavez!Devo andar distraido.”
Eh pá. Que não lhe falte nada:
http://www.avante.pt/noticia.asp?id=17861&area=5&edicao=1729
O Comité Central [...] realça a importância política da reeleição do Presidente Hugo Chavez e dos objectivos anunciados neste novo mandato de aprofundamento do carácter revolucionário do processo bolivariano.
Concordo que Chavez possa estar a esticar a corda… a menos que realmente esteja atrás do sonho… o que infelizmente se revela contrário à natureza do ser humano… A ver os próximos episódios.
Em primeiro lugar, sim o Chavez foi eleito democráticamente, e, pelo povo, o povo real que antes da sua primeira eleição muitos nem direito tinham a votar. E foi reeleito por esse mesmo povo, os indigenas , os pobres e os famintos, a maioria do povo. Caro Daniel eu não concordo com tudo o que Chavez faz, mas em relação ás nacionalizações de empresas e sectores essênciais concordo plenamente com ele, aliás no Bloco ainda se é contra as privatizações. É uma questão de luta de classes o que se passa na Venezuela (tal como em Portugal) e Chavez está do lado da maioria à demasiado tempo oprimida, como não estar do lado dele? Agora neste como em qualquer outro caso há que se saber pensar e criticar os erros, mas também saber enaltecer sem qualquer tipo de receio aquilo que de bom é feito, e não esquecer que na Venezuela estão num processo revolucionário e a realidade que o pais vive.
Eu, por mim, até ver, apoio Chavez e se ele vier a errar não me arrependerei de ter apoiado as boas decisões dele. O socialismo ainda é o caminho, certo?
Zeling, não estamos a falar de nacionalizações de empresas essenciais (que governos da direita democrática já fizeram) mas da nacionalização de supermercados e lojas.
Zellig:
“[...]mas também saber enaltecer sem qualquer tipo de receio aquilo que de bom é feito[...]”
Há aqui um outro que, foi, em devido tempo, também por feitos idênticos muito enaltecido. Deve ser por isso, que no respectivo país o socialismo está muitíssimo mais avançado: a fome está instalada.
http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Mugabe
PSICO-GUERRA MACIÇA CONTRA A VENEZUELA
Por solicitação do Departamento de Estado dos EUA, a empresa Pandemics Studios lançou no mercado o vídeo jogo Mercenaries 2: World in Flames (Mercenários2: O mundo em chamas). O objectivo desta peça é incutir na mente de milhões de adolescentes no mundo todo, em poucos meses, a ideia de que um grupo de cães de guerra deve invadir a Venezuela e executar ali acções de destruição maciça a fim de “defender os recursos petrolíferos” (sic). A versão 1 deste jogo vendeu 1,5 milhão de cópias a centros de vídeo-jogos. Considerando que cada centro pode ser frequentado por 1000 a 2000 jovens, estiveram expostas ao dito “jogo” um total de 1,5 a 3 mil milhões de pessoas no mundo todo.
Daniel Oliveira:
“Zeling, não estamos a falar de nacionalizações de empresas essenciais (que governos da direita democrática já fizeram) mas da nacionalização de supermercados e lojas.”
Mais que prudente dizer isto. Eu não diria melhor.
A esperança …
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Chavez é um lider populista, como muitos que a America do Sul tem criado.
Tem precupações sociais, sem dúvidas, mas daí a ser um idolo da esquerda, tenho muitas dúvidas.
Acho piada quando ele chama sr. jumento ao Bush, estou com ele quando ele resiste ás tentativas de golpe de estado fomentadas pelos americanos, já me cheira mais mal quando ele aparece de braço dado com o Presidente do Irão, o tal do congresso de negação do holocausto, e ainda tenho mais descnfianças, com estas tiradas demagogicas, sobre a nacionalização do pequeno comercio, e da distribuição.
È verdade que os pequenos lojistas, tentam fazer especulação, mas mal vai um país, quando para fazer respeitar as leis, precisa de nacionalizar a mercearia da esquina.
“Por solicitação do Departamento de Estado dos EUA [...]”
GAMBOZINOS !!!
A Vezezuela está a afundar-se por própria iniciativa.
Se os americanos quiserem que ela se afunde, só precisam ficar quietos.
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Caro Daniel, o facto de alguém ser democraticamente eleito, não é nenhum carimbo de virgindade, nem legitima a ditadura da maioria.
Hitler foi eleito (por sinal com os votos comunistas), Allende foi eleito, o Hamas foi eleito, Mugabe foi eleito,Américo Tomás foi eleito, Morales foi eleito e até Amadinejad foi eleito.
A democracia é muito mais do que a mera legitimação dos líderes, como sabe.
De resto, a saga de Chavez está integralmente descrita no livro de Orwell, o “Triunfo dos Porcos”
E o seu destino também..bem como o dos venezuelanos, infelizmente.
Claro que, como no caso de Cuba, haverá que arranjar um bode expiatório para o que aí vem.
Os americanos estão ali à mão e à falta de “bloqueio”, servirão as “tentativas de vergar a revolução bolivariana”.
zeligg:
[O socialismo ainda é o caminho, certo?]
Claro que sim.Citando Adolf Hitler, “os meus desacordos com os comunistas são menos ideológicos que tácticos” e “agora que a idade do individualismo terminou a nossa tarefa é encontrar o caminho que conduza ao socialismo”.
É de facto o caminho!
Para o abismo, claro.
Lidador,
1. Já disse o que achava de Chavez
2. A comparação com Hitler só lhe fica mal a si
3. O exemplo da vitória de Hitler já começa a ficar tão banalizado que começa a parecer que o senhor não gosta é de eleições
Sim Daniel, eu acredito que para pessoas que se orgulham de ser socialistas, a recordação de Hitler e do seu Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, não seja muito agradável.
Mas há que fazê-la…porque todos os socialismos, nacionais ou internacionais, por eleição ou revolução acabam sempre no mesmo.
Quanto ao Chavez, é de bom tom que se comece a demarcar…até porque é aconselhado pelo ministro do “poder popular”, David Velasquez, do Partido Comunista, como não podia deixar de ser, e que se prepara para, numa notável semelhança com os passos de Pol Pot, criar estruturas basistas comunais, controladas directamente de Caracas e que irão substituir as estruturas autárquicas democraticamente eleitas.
O projecto visa criar “cidades socialistas”, para onde serão deslocados habitantes das maiores cidades, e o Sr Velásquez, na fanática certeza ideológica dos seus 28 anos, já garantiu que à medida que cresce o estado “socialista”, o actual aparelho de estado ficará obsoleto.
Nada disto é novo…nem a sua desilusão.
Porque só se desilude quem se ilude.
Será dificil perceber que a dimensão do problema económico sul-americano não se resolve com paninhos quentes ao capitalismo? A “esquerda” como muitas a citam, de forma abstracta e desideologizada, não é mais do que uma manifestação ética. As grandes transformações económicas, a verdadeira alteração das relações de produção (ainda se lembram de Marx?) não se baseia em medidas socializantes com roupas bonitas de terceira via. Chavez é populista? Será. Contudo convém não esquecer que a maioria da informação está nas mãos de privados que mantêm uma forte ligação aos interesses petroliferos (e desde logo americanos) e há que criar equilibrios na informação. Chavez tem um efectivo programa de reformas sociais, educativas e na área da saúde pública. Negoceia com Cuba? Pois claro, Cuba cede milhares de médicos a um país que tinha (ainda tem) uma taxa de acesso à saúde vergonhosa. Seria possível reformar suavemente e com consensos alargados? Talvez, levaria anos, caso fosse possível, mas mesmo isso é duvidoso porque os lobbys, as empresas multinacionais e o capital, em geral, tendem a só negoceiar quando são verdadeiramente ameaçados. É fácil colocar-se à margem e dizer pudicamente : “esta não é a minha esquerda”- principalmente sentado a uma secretária num país com boas condições (se compararmos com a Venezuela são óptimas condições). Quer-me parecer que a “esquerda”, e eu só a entendo verdadeiramente socialista, não pode ficar a dever nada às pessoas que nela confiam, e Chavez tinha um programa que foi votado por mais de 60 % dos venezuelanos. Ele disse que era a revolução que estava em causa, foi a revolução que foi votada, a revolução ganhou as eleições. Na boa lógica do liberalismo político a Revolução deve ser feita. Fica o programa de governo para quem quiser ler http://www.chavezhugo.com.ar/Programa2000-Hugo-Chavez.htm
Zé:
“manifestação ética”
Veremos quanto tempo demorou a manifestação ética a transformar-se em pura corrupção.
Nota: os tempos verbais empregues em “veremos” e “demorou” não são obra do acaso.
“David Velasquez, do Partido Comunista, como não podia deixar de ser, e que se prepara para, numa notável semelhança com os passos de Pol Pot, criar estruturas basistas comunais, controladas directamente de Caracas ”
Afinal, são estruturas “basistas” ou são estruturas “controladas directamente de Caracas”? Em que é que ficamos?
Eu não gosto do Chavez, mas os “conselhos comunais” até me parecem uma boa ideia.
http://www.monografias.com/trabajos33/consejos-comunales/consejos-comunales.shtml
E não são nada de especificamente comunista: Thomas Jefferson também defendia a “ward republic”
Bem, a conversa começou a descambar, vou de frosques.
Uma chapelada a todos.
Daniel,
desdenha de Chavez, mas será que não gostaria de estar na pele dele? Não será esse o desejo modestamente inconfessado de todos os socialistas?
Sinfonia, você como provocador é apenas aborrecido.
“Não será esse o desejo modestamente inconfessado de todos os socialistas?”
Não será mais o desejo modestamente inconfessado de quase todos os capitalistas?
Afinal, normalmente os capitalistas/empresários gostam da sensação de serem poderosos (não sou eu que digo - são montes de economistas pró-capitalistas e “peritos “em gestão de empresas que referem o desejo de ser poderoso como uma das principais motivações dos capitalistas/empresários/gestores)
Caro Daniel, neste post estás a assumir uma posição em tudo similar à que o PCP assumiu em relação ao referendo do aborto: se correr mal serás o primeiro a apontar. É triste que assumas esta posição em relação a Chavez, tanto mais, como qualquer pessoa medianamente intelegente pode perceber, que se trata um processo bastante complexo e que não se pode reduzir a análise a um ou dois fragmentos da realidade. Assim, qualquer comentário (como aqueles que tens vindo a debitar) sobre uma medida em concreto tomada pelo Chavez sem se ter em conta toda a complexidade da sociedade venezulana e da geopolítica latino-americana, cheira a oportunismo balofo ao velho estilo PCP. E, o mais grave, é que deturpas a realidade, porque de acordo com o teu “P”, tal processo de nacionalizações de supermercados só avançará se, e repito o se, as cadeias de supermercados se recusarem a praticar a tabela oficiaL para - e agora repara nesta maldade - os bens básicos como leite , pão, etc.
Resquícios do balofo PCP, Daniel?
rodion:
“E, o mais grave, é que deturpas a realidade, porque de acordo com o teu “P”, tal processo de nacionalizações de supermercados só avançará se, e repito o se, as cadeias de supermercados se recusarem a praticar a tabela oficiaL”
Não há gravidade nenhuma porque a coisa resolver-se-á por outro lado.
Como noutros locais os tais bens essenciais desaparecerão reaparecendo no mercado negro e o dólar clandestino encarregar-se-á de os comprar por um preço bem superior ao praticado antes da iluminada tabela socialista.
Caro Daniel
Respeito integralmente as suas opiniões sobre Chávez, todavia permita-me que lhe diga que as suas opiniões padecem de alguma falta de informação acerca daquilo que realmente se passa na Venezuela. A falta de informação que o Daniel e muitos leitores evidenciam acerca da revolução bolivariana até é normal, se atentarmos à gigantesca desinformação que grassa nos media acerca deste processo político. Aliás os media são opositores claros das políticas que Chávez vem implementando na Venezuela. Tenho pena, que o Daniel tenha esta opinião do Chávez, espero apenas que esta mesma opinião nao seja extensível ao Bloco de Esquerda.
Relativamente às nacionalizações que Chávez tem feito, concordo plenamente com elas, aliás essas nacionalizações só irão tocar os sectores estratégicos da economia, daí que eu fique um pouco abismado, com o facto do Daniel nas suas habituais catilinárias contra Chávez não refira este aspecto essencial. Eu gostava que muitos dos leitores que criticam o lider venezuelano me dissessem onde e quando o Governo venezuelano pugnou pelo fim da propriedade privada. Caso contrário, serei obrigado a tomá-los por mentirosos. Outro argumento que comummente se observa é o populismo chavizta. Ora bem, todos nós sabemos que a história da América Latina está pejada de caudilhos e populistas, todavia antes de se chamar populista a outrem com base em argumentos veiculados pelos media dominantes( desculpe Daniel, mas é exactamente isto o que você faz, parece quase um ventríloquo dos media), é necessário conhecer ao menos a realidade venezuelana. Chávez tem de facto atitudes, em certos casos demagógicas e populistas, mas a sua política não é, de forma alguma populista. E são as políticas que realmente importam e não as atitudes pontuais dos líderes que levam a cabo essas mesmas políticas. Não vou aqui enumerar os enormes, e enfatizo esta palavra, os ENORMES êxitos do Governo Chávez, que são por demais conhecidos. Agora o que eu desejaria, é que o senhor Daniel Oliveira quando voltar a falar acerca de Chávez e do seu governo, apresente argumentos credíveis que sustentem aquilo que afirma, porque aquilo que tem afirmado não tem sustentação nenhuma. O senhor acha que o Chávez é populista ( sem conhecer as políticas que ele tem implementado, porque desculpe que lhe diga, o senhor não conhece minimamente aquilo que tem sido feito desde que o Chávez foi eleito, pois só isso, explica as suas afirmações) sem aduzir qualquer justificação para sustentar aquilo que afirmou. Esse é o problema de muitos comentadores e analistas, falam, falam, falam, no entanto desconhecem aquilo sobre o qual peroram. Não entenda isto como um ataque pessoal( geralmente as pessoas ao lerem o que eu acabei de escrever tendem a ter reacções pavlovianas e debitar frases sem irem ao buzilis da questão)porque não o é, apenas quero alertá-lo para o facto das afiramções que recorrentemente faz acerca do Chávez não terem sustentação, daí que, para terminar, eu o desafie a diversificar as suas fontes de informação acerca do processo venezuelano, busque por exemplo os media alternativos. Não deixa de ser engraçado, eu estar dizendo isto a um bloquista.
“Não será mais o desejo modestamente inconfessado de quase todos os capitalistas?” (Miguel Madeira)
Miguel Madeira,
o que vou dizer pode parecer disparate - em consonância com tudo aquilo que escrevo - mas julgo que deve haver um pequeno ditador dentro de cada um de nós. Qualquer coisa como um Mr. Hyde dentro de um Dr. Jekyll. Daí que concorde consigo. Também os capitalistas se sentem atraídos pelo poder. Mas julgo que o capitalista não é tão perigoso quanto um utópico. Sobretudo se compararmos as utopias clássicas, socialistas e as entrevistas de ocasião dos capitalistas.
Os capitalistas querem o poder pelo poder, mas satisfazem-se com pouco. Os utópicos só ficam contentes quando deformam toda a realidade e a própria vida dos outros.
P.s.: compreenderá melhor o meu raciocínio se ler as utopias clássicas.
Miguel Madeira,
só mais uma coisa. Os capitalistas fundamentam o seu poder no dinheiro que ganham com o seu trabalho. Os socialistas fundamentam o seu poder com o dinheiro que conseguem subtrair aos capitalistas.
“Sinfonia, você como provocador é apenas aborrecido.” (DO)
Daniel,
A ter em conta o calor que põe nas suas respostas, não me parece! Mas mesmo que isso seja verdade, ainda assim estou longe de ser tão aborrecido como o aborrecedor máximo da república: o Dr. Francisco Louçã.
Perfeitamente de acordo, caro Daniel.
Hugo Chavez está a conduzir a Venezuela ao abismo.
Caro João Pinto Basto.
Há um livro que devia ler e onde certamente se iria encontrar retratado:
O “Manual do perfeito-idiota latino-americano” (Alvaro Vargas Losa et all)
Tudo o que você escreve neste seu inenarrável post está lá convenientemente desmontado e analisado.
Vá, faça-se um favor e leia, mesmo que não aprecie.
Se for inteligente, ganhará uma nova perspectiva das coisas.
Se for mesmo idiota (não do ponto de vista sociológico, então nada lhe acontecerá e manterá a sua posição filosófica sobre o novo General Alcazar.
E pode sempre ler o Tintim, que apanhou muito bem o estereótipo do típico caudilho sul-americano…
Por agora a paródia democrática é um fato que serve a Chavez e o caudilho tem à sua frente uns anos de ditadura por decreto que espera fartos e recheados de petrodólares.
Aos poucos irá abocanhar o poder absoluto. Com “métodos revolucionários”, claro!
O populismo não é como os filmes da MGM, raramente acaba bem, e o totalitarismo está no fim do caminho do “socialismo bolivariano” adjectivo com que se reveste agora o velho caudilhismo latino-americano que também se enfeita, para deleite e aplauso dos idiotas úteis da esquerda, com os chavões da retórica “ alter-mundialista, anti-globalizadora”, “contra o neoliberalismo”, etc., num deslizar acelerado para um mundo jurássico que já não se julgava possível.
Este, como todos os “socialismos”, precisa de inimigos…e Chavez já começou a sua cruzada contra as “forças ocultas” que brevemente passarão a chamar-se “contra-revolucionárias”.
E essas, como Fidel lhe ensinou, costumam ser aos milhares e devem ser tratadas com chumbo grosso.
Esperam-se desenvolvimentos.
Kalashnikovs já há….
Lidador, sempre que discorda de algo, não argumente atacando pessoalmente. Esse tipo de atitudes não o beneficiam em nada. Relativamente à obra que mencionou, já a li, e digo-lhe que não corroboro muitas das coisas que lá vêm escritas. A história da América Latina não se avalia apenas por um livro, a história deste subcontinente avalia-se em todas as suas componentes, e é efectivamente um facto, que os países latino-americanos tiveram em determinados períodos da sua história caudilhos e líderes populistas como Cardenas, Peron ou Getúlio Vargas. Todavia a análise destes fenómenos, deve ser vista nas enormes desigualdades sociais provocadas pelo capitalismo dependente e periférico destes países.
No que toca à sua opinião sobre Chávez, respeito-a totalmente, mas como eu tinha referido no meu post anterior, convém que se informe correctamente antes de afirmar barbaridades como as que afirmou. Relativamente à paródia democrática, só lhe digo uma coisa ( é evidente que o senhor discordará, tal o ódio que tem relativamente a este governo), a constituição bolivariana é das mais democráticas do mundo, por vários motivos entre os quais eu saliento os direitos concedidos a determinadas camadas sociais e minorias étnicas, e o aprofundamento da democracia participativa ( uii, isto para si é um pecado mortal, pois democracia participativa para o senhor Lidador significa populismo e totalitarismo, talvez fosse melhor uma democracia á monsieur Toqueville, isto é, uma democracia restrita, ou então uma democracia á John Stuart Mill, ou seja, uma democracia censitária). Na Venezuela nos últimos 8 anos realizaram-se mais actos eleitorais do que em qualquer outro país no resto do mundo, sendo que, essas eleições foram rigorosamente escrutinadas. Aliás, as tentativas de fraude partiram, sabe de quem senhor Lidador, da OPOSIÇÃO! isto mesmo, as fraudes partiram da oposição, basta que tenha algum tempo, e leia aquilo que ocorreu aquando da colecta de assinaturas para a realização do referendo revogatório. Diga-me por exemplo em que países existe o mecanismo do recall ( excepto os EUA e a Suíça, eu não conhçeo mais nenhum país que utilize este mecanismo), pois este mecanismo que funciona para qualquer cargo público ( eu sei que não gosta de democracia, mas quer maior exemplo de democracia do que este) é um exemplo da democracia participativa que vem florescendo na Venezuela. Aliás eu pergunto-lhe, qual a razão de um ditador ou líder populista, instituir um mecanismo deste tipo, correndo o risco de ser escorraçado do poder. Por aqui já vê que os seus argumentos são falaciosos. Sabia que, por exemplo, as próprias nacionalizações que o Governo Chávez irá realizar poderão ser revogadas mediante um referendo revogatório, basta que a oposição se mobilize para isso. Mas sinceramente duvido que soubesse disto. Eu já nem falo na suposta Lista maisanta, que é talvez dos exemplos mais acabados de guerra maciça mediática contra um governo democrático e legimitado nas urnas. É evidente que a revolução bolivariana não é um filme MGM, é antes de mais, o cumprimento de promessas eternamente adiadas pelas elites que ocuparam desde sempre o poder naquele país. Este processo representa igualmente, parafraseando Tarso Genro, a radicalização democrática e a inclusão das massas democráticas na gestão da coisa pública. Ademais, no ano passado foi implementado um mecanismo de democracia participativa que eu duvido que alguma vez fosse implementado aqui em Portugal: o chamado parlamentarismo de calle, ou seja, a discussão dos projectos e propostas legislativas com os cidadãos, em que eles dão os seus aportes e contribuem para a feitura das leis. É evidente que o Lidador despreza isto, pois qualquer aprofundamento da democracia, representa o despotismo das massas, na linha dos intelectuais liberais, cuja formação democrática desde sempre, foi e é inexistente. O Governo chávez não está isento de erros, e ainda bem que não está. Não aprecio Governos perfeitos, além disso a Venezuela não é evidentemente um paraíso. A única coisa que lhe digo, é que este Governo representa um novo paradigma, que em muito se assemelha ao ideário ( ideário difuso) das forças que pugnam por um alternativa à globalização realmente existente. Para o Lidador, estas forças representam o atraso, a miséria, ou o período jurássico ( essa afirmação de que somos forças jurássicas é risível para não dizer outra coisa), o que não deixa de ser engraçado, pois a maioria do povo latino-americano, dos povos africano e asiático, e em certa medida do povo europeu acha que as forças do atraso, são exactamente as forças neoliberais e conservadoras. Como disse José Barata Moura, estamos regressando a um paradigma que se julgava ultrapassado, isto é, estamos regressando ao século XIX, no que toca à concepção do trabalho e à primazia do mercado sobre tudo. É por isso que o Governo Chávez deve ser apoiado, pois representa uma alternativa ao estado de coisas que pessoas como o Lidador defendem, isto é, representa uma alternativa ao totalitarismo e ditadura do mercado. Os senhores que amiúde se autopropalam como os mais defensores da democracia, são exactamente aqueles que por vezes pugnam pela sua destruição para salvar o deus ex machina chamado mercado. O dr. João Quartim de Moraes disse uma vez algo muito interessante, ao sustentar que os liberais apropriaram-se do conceito de democracia, resultando dessa apropriação o termo democracia liberal, que é uma síntese marcada pela tensão entre o liberalismo e democracia. Mas quer se queira quer não, os liberais prescindirão sempre da democracia quando verificarem que o mercado é colocado em causa. E esta é a diferença entre mim e todos os individuos que criticam o Governo Bolivariano baseados em falácias e calúnias graves.
Caro João Bastos, a retórica utópica é muito redonda e bonita, desde que quem a utiliza não tenha poder para a passar à prática, porque o que se segue, mostra-o a História, é SEMPRE a distopia.
Tudo o que está a acontecer na “Revolução Bolivariana”, já aconteceu antes noutras latitudes, e os resultados foram sempre os mesmos: mercado negro, senhas de racionamento, crescente intervenção do estado, repressão, falta de bens, fome, lojas especiais para a nomenklatura, cuidadosa definição das calorias a que cada cidadão tem direito, enfim, o menu habitual.
Foi justamente por isso que Orwell escreveu “Animal Farm”.
Substitua Napoleão por Chavez e terá o retrato do que se está a passar.
E saberá instantaneamente o que vai acontecer daqui para a frente.
Hugo Chavez faz lembrar o Major Otelo Saraiva de Carvalho, na sua ignorância deslumbrada, no seu voluntarismo irresponsável, na sua convicção de que vê o que os outros não vêm e que está destinado a “mudar o mundo”, enfim, na facilidade infantil com que é manipulado por ideias utópicas e maniqueístas que absorveu algures na leitura de um ou outro livro. Curiosamente um dos que mais cita é o deplorável “Livro Verde” do Coronel Qaddafi e, para além do Sr Velasquez, as ideias caudilhistas e anti-semitas do já falecido Norberto Ceresole, marcaram profundamente H. Chavez.
Otelo também teve os seus “Velasquez”, como Francisco Louça, Fazenda, Arnaldo de Matos, etc, os “Pol-Pot” de serviço que o empurravam e o manobravam, enchendo-lhe a cabeça com as vacuidades da mais básica fraseologia marxista.
A diferença é que Otelo não só não tinha petrodólares, como não chegou a cheirar o poder absoluto.
Chavez sim. E por isso quer mais.
Quer o poder todo e daí a sua obsessão em governar por decreto, como um rei absoluto, quando já tem tudo sob o seu controle, desde o Congresso ao Supremo Tribunal.
No fundo o Tenente-Coronel, ambiciona um aparelho de estado que funcione como um batalhão. Ele emite ordens e os outros cumprem-nas, sem questões e formalismos.
Chavez parece não ter memória histórica e ignora que as suas medidas repetem um velho estilo que costuma desaguar sempre nas mesmas águas salobras.
Há quase 60 anos outro ditador militar (Marcos Jimenez) fez quase tudo igual, tendo também começado por nacionalizar as companhias de telecomunicações, como Chavez se prepara para fazer.
Há 40 anos, outro populista (Andres Pérez ) nacionalizou também os sectores “estratégicos”, entre os quais o petróleo.
No fim de tudo não estava a Montanha de Açucar, mas sim o pesadelo e a miséria e foram inevitavelmente os venezuelanos que pagaram as experiências tresloucadas dos aprendizes de feiticeiro.
A culpa é do “capitalismo”, assegura o João Basto, preso no labirinto instrumental do marxismo.
Engana-se.
A culpa é exactamente da falta dele.
«Foi justamente por isso que Orwell escreveu “Animal Farm”.»
Isto já é fugir ao tema, mas penso que não foi nada por isso que Orwell escreveu “Animal Farm”: a ideia não era criticar os revolucionários em abstrato, era acusar os comunistas de não serem “verdadeiros revolucionários”.
“os comunistas de não serem “verdadeiros revolucionários”.”
Caro Madeira, os “verdadeiros revolucionários” nunca são aqueles que foram.. são aqueles que hão-de ser..um dia no futuro..pode ser que seja desta…ah..que chatice, isto deu para o torto…pode ser que seja na próxima.
Na verdade nunca é o “verdadeiro comunismo”, o “verdadeiro socialismo”, etc.
Não há factos que possam pôr em causa a religião da utopia, pelo que, no fim de contas, a realidade não conta.
Apenas a inacessibilidade da “coisa em si”.
No entretanto, os homens morrem às mãos do “revolucionário de serviço”.
Não é Napoleão, que chatice, pensávamos que era, talvez o Snowball regresse numa manhã de nevoeiro e então sim…teremos a nossa Montanha de Açúcar…
De acordo com as noticias, o que foi imposto foram tabelas de preços máximos para bens de 1ª necessidade… e essa da mercearia da esquina não é séria, pelo menos de acordo com a noticia do público de 6ªfeira, tanto que a noticia acabava com citações de um dos donos das grandes redes de supermercados da venezuela.
Não me parece mal acabar com a especulação de preços em bens de primeira necessidade, e acabar com os lucros criminosos que só fazem sofrer as classes mais baixas, isto de acordo com as noticias do público.
Caro Lidador
temos diferenças ideológicas e políticas absolutamente inconciliáveis, mas é com muito gosto que discuto e debato consigo. Relativamente ao que afirma acerca de Otelo, até concordo consigo, se há homem que foi inconsequente em quase tudo o que fez ao longo da sua vida política, esse homem foi Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho.Mas faça-me um favor não compare Otelo com Chávez.
No que toca às acusações que faz contra Chávez pouco resta para dizer além do que já referi anteriormente. São acusações falsas, falaciosas, desprovidas de qualquer base credível e aceitável. Apenas registo a insistência no cliché da ditadura chavista. No seu comentário afirmou que Chávez governa por decreto, é verdade, mas também é verdade que esse poder é exercido juntamente com o poder legislativo outorgado à assembleia. As leyes habilitantes que concedem ao presidente o poder de emanar decretos, é um poder que já existia antes de Chávez chegar ao poder, mas aí o senhor Lidador não diz rigorosamente nada, pois nessa altura esse poder de governar por decreto, servia para aprofundar a pobreza dos venezuelanos e para a manutenção de uma espécie de anarco-capitalismo que perdurou neste país durante décadas. Seria bom que o senhor Lidador atentasse nesse facto, antes de continuar nas suas catilinárias contra Chávez baseado num suposto poder ilimitado, que eu gostava que o senhor me provasse. Mais à frente o senhor volta a afirmar que Chávez controla os poderes executivo, legislativo e judiciário. Essa afirmação além de me causar espanto, provocou-me enormes gargalhadas. Olhe para começar ( lá está, tem de se informar antes de afirmar determinadas coisas)o Congresso apenas tem deputados “oficialistas” por uma razão muito simples, a oposição recusou participar nas eleições legislativas, escudada na justificação de que as eleições seriam fraudulentas, acusação que se mostrou completamente falsa. Hoje em dia, até já há elementos da oposição que lamentam não ter participado nas eleições. Como vê a acção golpista da oposição ( que o senhor decerto apoia e adula)apenas prejudica o necessário diálogo democrático. Relativamente ao Judiciário apenas lhe vou explicar em duas linhas como funciona o sistema judicial, mais concretamente o processo electivo dos juízes. Os magistrados do Supremo Tribunal, tal como na Constituição de 1961 são eleitos pelo parlamento ( como acontece em muitos países), convém no entanto acrescentar que actualmente o processo de escolha é bastante mais aberto, pois os interessados podem candidatar-se ao Comité de Postulações Judiciais, por iniciativa própria ou através de organizações do âmbito jurídico. O Comité faz um pré-selecção que apresenta ao denominado Poder Cidadão ( para ser mais exacto à sociedade civil), o qual faz nova pré-selecção, que passa então á Câmara dos deputados. Quer processo mais democrático e transparente do que este? Com certeza sabe que os juízes do Supremo Tribunal dos EUA são nomeados directamente pelo Presidente da República. Portanto face a isto, é perfeitamente visível que quem critica Chávez de controlar o Judiciário, se esqueçe de mencionar a forma como são eleitos e escolhidos os juízes na Venezuela, e esqueçe-se também, de afirmar que nos EUA esse processo possuiu uma carga de politização bastante maior, levando aí sim, a um controle do Judiciário. Basta olhar para aquilo que tem ocorrido durante o Governo Bush.
Como vê, os seus argumentos são facilmente descontruídos pois não têm qualquer sustentação e são baseados nas mais vis mentiras. Relativamente às nacionalizações, eu sou o primeiro a dizer que se as nacionalizações representarem apenas uma mudança ao nível das elites, sem qualquer participação dos trabalhadores na gestão das empresas, então é preferível que tudo fique como está. As nacionalizações só fazem sentido se forem acompanhadas da participação activa dos trabalhadores na vida e gestão das empresas.
O senhor Lidador utiliza com frequência o termo utopia, pois eu digo-lhe utopia é pensar que o mercado pode resolver todos os problemas e ser um antídoto credível contra as desigualdades sociais. Isso sim é uma utopia, e uma utopia perigosa, que é responsável pelo facto de existirem 3 mil milhões de pessoas que vivem com menos de 2 dólares por dia. Devia é precoupar-se com as utopias que levam a este estado de coisas.
Para terminar, o senhor Lidador tem a mania (que aliás é comum a todos os liberais) de confundir o socialismo real soviético ( que de socialismo não teve rigorosamente nada)com marxismo ou com socialismo stricto sensu. Seria bom que não tergiversasse acerca destas questões, pois acaba por confundir leitores menos instruídos nestas matérias. Mas citando Gianni Vattimo a realidade é o que metafisicamente os poderosos nos impõem como crença.
«Caro Madeira, os “verdadeiros revolucionários” nunca são aqueles que foram.. são aqueles que hão-de ser..um dia no futuro..pode ser que seja desta…ah..que chatice, isto deu para o torto…pode ser que seja na próxima.»
Talvez, mas isso não invalida o que eu disse acerca da tese de Orwell quando escreveu o Triunfo dos Porcos ser a oposta da sua.
Caro Madeira não acredito que tenha dotes mediúnicos e que saiba melhor que qualquer outra pessoa as intenções de Eric Blair.
Não é possível sustentar uma argumentação racional com alguém que se reclama supremo intérprete das intenções de uma pessoa já falecida.
As suas convicções são as suas convicções e valem apenas no espaço que existe entre as suas orelhas.
O que Blair descreve no livro é claro como a água: a inelutável distopia totalitária que resulta sempre da utopia revolucionária, qualquer que seja o “ismo” que a sustenta.
O modelo concreto que Blair tinha pela frente eram o universo concentracionário soviético e o nacional-socialismo.
No fundo dois socialismos, o nacional e o internacional.
Mas o livro é e será sempre actual, porque usa metáforas simples para explicar o que mais básico e intemporal existe na natureza humana.
JB: [não compare Otelo com Chávez.]
Já comparei.
Ambos tenentes-coronéis, ignorantes deslumbrados, voluntaristas irresponsáveis, ambos facilmente manipuláveis por vacuidades utópicas e maniqueístas repescadas no bafiento baú do marxismo-leninismo.
A diferença, como lhe disse, é que Otelo não tinha dólares e não provou o poder absoluto.
JB: [Chávez governa por decreto, é verdade]
Ainda bem que admite. Mas, é claro que, para si, há justificação.
Há sempre….Che Guevara fuzilou cerca de 800 pessoas porque eram “contra-revolucionários”.
O problema é que até agora, em TODAS as latitudes os banfeitores da sociedade apareceram para fazer o bem, e acabaram por ficar bem, ao contrário da sociedade em si.
Há aqui um padrão…porque é que acha que desta vez é que é?
Apenas vontade de acreditar?
Trata-se de fé? Bem, se é assim, não posso discutir consigo, porque a fé não se discute.
Eu sustento o que afirmo com base nos factos. E os factos provam que o carro marxista-leninista se estampou SEMPRE, apesar de ser perfeito, na opinião dos seus mentores.
Há portanto um problema. Onde está ?
JB: [As leyes habilitantes que concedem ao presidente o poder de emanar decretos, é um poder que já existia antes de Chávez chegar ao poder,]
Em Portugal também a constituição prevê a suspensão dos direitos e a imposição de uma “ditadura” temporária, nos chamados “estados de excepção”.
Mas o que acha que aconteceria se de repente algum governo resolvesse declarar o estado de excepção para fazer passar leis “revolucionárias”?
Provavelmente seguia-se uma guerra …e o governo não durava uma semana.
JB: [anarco-capitalismo que perdurou neste país durante décadas]
Há 60 anos Marcos Jimenez nacionalizou as companhias de telecomunicações.
Há 40 anos, outro populista Andres Pérez nacionalizou os sectores “estratégicos”, entre os quais o petróleo.
É disso que está a falar?
JB: [suposto poder ilimitado, que eu gostava que o senhor me provasse.]
Deixe-me citá-lo a si: “Chávez governa por decreto, é verdade” .
Porque pretende então que lhe prove algo que você próprio admite como verdadeiro?
JB: [Essa afirmação além de me causar espanto, provocou-me enormes gargalhadas.]
JB, os seus estados de alma e o modo como os expressos, não adiantam nada à discussão e não têm interesse.
Abstenha-se, por favor, de nos dar conta das suas manifestações fisiológicas.
É embaraçoso…
JB: [o Congresso apenas tem deputados "oficialistas" ]
Exacto
JB: [Relativamente ao Judiciário ….Quer processo mais democrático e transparente do que este? ]
Parece que não temos os mesmos conceitos de democracia e direito.
O que é normal, a novilíngua permite chamar Republica Democrática da Coreia do Norte, ao país da dinastia Sung, que não é uma república e muito menos democrática.
Todavia, a HRW, no seu relatório de 2007, diz, textualmente que
“ The Venezuelan National Assembly dealt a severe blow to judicial independence in December 2004 by packing the country’s Supreme Court with twelve new justices. A majority of the ruling coalition, dominated by President Chávez’s party, named the justices to fill new seats created by a law passed earlier that year that expanded the court from 20 to 32 members. At that time, 80 percent of lowercourt judges had provisional appointments and could be summarily dismissed by
the Supreme Court’s Judicial Commission.
By October 2006 … the judges who gained tenure during this period were not required to win public competitions as prescribed in the Constitution. ..In September 2005 the judicial commission fired all six judges of both courts and their six substitutes, and once more replaced them with temporary appointees. The official reason given was that they failed to pass performance tests. The lack of guarantees to ensure that these key judges may make decisions free of government pressure remains a problem. The 2004 court-packing law also gave the majority party in the National Assembly the power to remove judges from the Supreme Court without the two-thirds majority vote required under the constitution. “
Acredite pois no que quiser, meu caro.
A fé é uma coisa poderosa e as “homilias” de H Chavez na televisão reforçam-na. Tem de mudar de canal…
JB: [pensar que o mercado pode resolver todos os problemas e ser um antídoto credível contra as desigualdades sociais.]
Ninguém pensa isso. Isso é o que o JB pensa que os liberais devem pensar.
O que demonstra que nunca leu Adam Smith , Hayek ou M Friedman, ignorância conveniente que lhe permite escrever vacuidades como esta.
O mercado perfeito é uma abstração académica, como toda a gente sabe e o mercado é até o pior dos sistemas económicos.
O problema é que até agora ninguém inventou um que desse melhores resultados.
Se estou enganado, diga-me então o JB, onde está essa maravilha, mas não vale dizer que a Montanha de Açúcar está na sua cabeça, porque isso também o Pol-Pot achava, bem como o Mao, o Estaline, o Hoxa, o Mugabe, o Chavez, etc.
JB: [(o mercado) que é responsável pelo facto de existirem 3 mil milhões de pessoas que vivem com menos de 2 dólares por dia. ]
Engana-se.
O que é responsável pela miséria é a falta de comércio e mercado.
As sociedades de mercado, democráticas e liberais são justamente aqueles onde as pessoas vivem melhor. A pobreza, a miséria e a repressão, existem onde não há democracia, direito e mercado. Aliás se se informasse em vez de andar enfronhado em evangelhos ultrapassados, saberia que o que os países pobres pedem é a liberalização dos mercados, para poderem vender os seus produtos na Europa.
Ou seja pedem mais mercado e não menos. Pedem mercado sem intervenção estatal, sem taxas, sem alcavalas, sem proteccionismos, apenas regulado pela oferta e pela procura.
JB: [Lidador tem a mania de confundir o socialismo real soviético ( que de socialismo não teve rigorosamente nada)com marxismo ou com socialismo stricto sensu. ]
Um bom crente marxista achará sempre que, no que toca ao comunismo, os factos não servem como critério, mas sim as intenções, razão pela qual o reino do comunismo não é deste mundo e o seu colapso, tão terreno, é imputável ao mundo e não ao conceito em si.
No fundo é algo inacessível como a “ coisa em si” de Kant.
E eu devo ser muito perverso por ousar encontrar nos crimes e na evidente derrocada do comunismo uma vaga prova da sua nocividade.
Infelizmente, meu caro, ao fugir da monstruosa realidade do comunismo defendendo-o com a pureza das intenções e o “strictu sensu”, está a trair o próprio pensamento de Marx, recusando inclinar-se perante o critério da praxis, e refugiando-se na fortaleza inexpugnável do ideal.
Assim, o comunismo real, alcandorado no poleiro da utopia absolve –se dos próprios crimes e fracassos em nome de ideais que espezinhou.
Em 1929 Max Weber profetizava as chacinas comunistas que aí vinham e sabia que jamais algum tartufo ajuramentado aceitaria que a sua utopia fosse desmentida pelos factos.
Tal como em qualquer religião, a bondade de Deus nunca está em causa, mesmo que o templo desabe sobre os fiéis.
Eles têm fé e, tal como você, dirão, perante a terrível ditadura dos factos:
Isto não é o “verdadeiro cristianismo”.
Isto não é o “verdadeiro islamismo”.
Mas então porque pára aí?
Um nazi, pode também dizer que aquilo não o “verdadeiro nazismo”.
Um fascista pode dizer que Mussolini não realizou o “verdadeiro fascismo”.
Um capitalista pode dizer que o que está mal não “ é o verdadeiro capitalismo”, etc.
Não se pode argumentar assim, meu caro. Porque para si, o comunismo é uma cerejeira maravilhosa, da qual, devido ao mais incompreensível dos acasos, só brotam cogumelos venenosos.
Não adianta dizer-lhe que pelo fruto se conhece a árvore, pois não?
Sabe, no fundo tenho contudo alguma admiração por gente como você, pela abnegação com que se bate em prol de uma ideologia que deixou de ter futuro e cujo passado é grotesco estéril e sangrento. Levar tão longe o sacrifício da própria inteligência é algo que tenho muitas dificuldades em compreender.
Lidados:
“Eu sustento o que afirmo com base nos factos. E os factos provam que o carro marxista-leninista se estampou SEMPRE, apesar de ser perfeito, na opinião dos seus mentores.”
Mas, Lidador, em vocabulário JB, os factos que você refere são ‘apenas’ a realidade, que comprovará, somente, que os homens não serão suficientemente perfeitos para alcançarem a suprema bondade da teoria dele. Essa suprema bondade avaliza as múltiplas insistências de implementação do método, e o averbamento de milhares de mortos não será mais que uma remoção de escolhos na via para o amanhã cantante.
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A maioria destes coments,inté metem raiva de tão baixos e de serem escamoteadores da grande ladroage qure reina nas ditas sociedades democráticas (Ma non troppo) que assentam na célula mais democratiaca que há (nas limitadas cabecinhas)-a empresa capitalista.sabe-se,bem que é a essência da democarcia as decisões tomadas nos conselhos de administração em que todos os elementos(Trabalhadores) têm voto na matéria.Daí as sinecuras astronómicas auferidas pelos dirigentes de sucesso das ditas.Se,sempre foram os mesmos a traçarem os rumos como é que esta merda está,como está?São os comunistas os culpados,está claro,né cabecinhas pensantes?Não é o Hugo Chavez que está a espalhar a miséria pelo mundo fora-São os conselhos de administração das corporações,estúpidos
Caro Lidador
Por mais respostas e contra respostas que demos um ao outro é absolutamente impossível chegar a um consenso tal a diferença de mundividências que temos. Mas mais uma vez, volta a cometer erros e a basear os seus argumentos em factos errados. Quanto à questão Otelo, não vou replicar, porque como já disse não há qualquer semelhança entre os dois, ademais o Chávez não é marxista-leninista ( repare que marxismo-leninismo é diferente de marxismo, mas é evidente que para o senhor é tudo igual, pois tudo o que combata o capitalismo é totalitarismo), ele próprio nunca se designou como marxista-leninista, afirmando-se sempre como um leitor ávido de vários autores marxistas, bem como de autores sem qualquer ligação com o marxismo, informe-se melhor e confirmará o que eu acabei de dizer.
No que concerne ao facto de em determinadas matérias, e vou enfatizar esta expressão, em DETERMINADAS MATÉRIAS o Chávez governar por decreto, reafirmo o que disse, e sinceramente não vejo onde está o problema. Pois este “sistema” vigora em quase todos os países democráticos, por exemplo, aqui em Portugal o Governo pode legislar através de decretos-lei mediante uma autorização dada pela Assembleia da República. Mas convenhamos que isto você aprende em qualquer aula de direito constitucional, e isto é tão óbvio que não necessito de dizer mais nada. Apenas digo que o que está acontecendo na Venezuela a este nível, é o que acontece na grande maioria das democracias ocidentais. A diferença é que para determinados sectores políticos, nos quais o senhor se integra, o facto de Chávez usar este mecanismo é evidentemente um perigo pois atenta contra o neoliberalismo selvagem que os senhores adulam. Convém que o senhor Lidador, quando replica um argumento não venha com justificações que nada têm a ver com aquilo que se está discutindo, o que neste caso ocorreu ao mencionar os supostos fuzilamentos por Che Guevara de 8oo pessoas, mas quanto a isso gostava que me indicasse a fonte onde foi beber tais informações, e quando digo fonte, refiro-me a uma fonte realmente credível. Seria também de bom tom, que não comparasse as leyes habilitantes ( que é o mesmo que autorizações legislativas) a estados de excepção como fez no seu comentário. Se fosse estudante de Direito ( não sei se foi ou não) com certeza teria chumbado ao afirmar tal coisa. As leyes habilitantes têm uma determinada função, que na prática, não difere muito daquilo que vem sendo praticado nas ditas democracias ocidentais.
No que toca às nacionalizações do senhor Marcos Jimenez e às de Andrés Perez até sou capaz de concordar consigo, pois tiveram efeitos nefastos. Na prática essas nacionalizações não mudaram integralmente nada, e só fomentaram a formação de uma nova elite parasitária a viver dos rendimentos do petróleo. Aliás até o Hugo Chávez chegar à presidência a PDVSA era autenticamente um estado dentro do Estado.
Quanto ao suposto poder ilimitado do Chávez, mais uma vez o senhor não respondeu, é impressionante como todos os opositores mais ou menos moderados do governo bolivariano são absolutamente incapazes de responder a esta questão.O senhor argumenta com a minha frase, descontextualizando-a, através de uma interpretação completamente errada e falaciosa ( tem de aprender a interpretar as frases, eu penso que desta vez fui ainda mais explícito acerca da forma como Chávez utiliza o poder de emanar decretos-lei e em que matérias ele o pode utilizar). Mais uma vez fica sem resposta esta questão.
Relativamente ao facto do Congresso só ter deputados pertencentes ao partido do Governo parece que nada há a objectar da sua parte, se bem que o senhor se esqueçe de referir as razões que levaram a tal situação. Recomendo-lhe que leia o meu comentário anterior, pois tem lá a resposta. Pode ser que fique mais esclarecido acerca dos intuitos verdadeiramente “democráticos” da oposição.
Já no que toca ao Judiciário, eu faço-lhe novamente o apelo que fiz à pouco, responda com argumentos sólidos, e não fuja da questão em causa, pois tal como ocorreu “a priori” o senhor acabou falando na Coreia do Norte. Nunca fui defensor do regime norte-coreano que considero um regime totalitário, portanto não venha com essas lengas-lengas, seja sério a argumentar. Quanto ao facto de não termos os mesmo conceitos de democracia e direito, parece-me claro que não temos. Para o senhor democracia confunde-se com economia de mercado, democracia e mercado são incindíveis. Para mim não, democracia e mercado não são conceitos que se assemelhem antes pelo contrário, democracia é antes de mais a valorização exponencial da esfera pública face à esfera privada. Mas isso levar-nos-ia a outra discussão. Para terminar este quesito, apenas faço remissão para o meu comentário anterior acerca do processo de eleição dos juízes do Supremo Tribunal, que tem sido escrupulosamente cumprido até agora. Se o senhor insiste em veicular e aceitar embustes o problema é seu. E tal como referi nesse comentário, compare a democraticidade do sistema venezuelano com o sistema estadunidense e veja a enorme diferença, mas claro o senhor só tem uma visão que o impede de aceitar algo que seja diferente daquilo que pré-concebeu.
Relativamente à questão do mercado, repito o que disse o mercado tende a criar desigualdades insuportáveis, que neste momento são por demais evidentes, basta olhar para o continente africano, ou então para a América latina vítima das políticas do Consenso de Washington que o senhor tanto adula. O engraçado é que os povos latino-americanos nas inúmeras eleições realizadas, têm manifestado uma opinião diferente da sua, no que toca aos benefícios do mercado. Aconselho-o vivamente a ir uma dia destes, como eu já fiz, percorrer alguns países da América do Sul, pode ser que veja o que o “fantástico” capitalismo tem feito pelos povos destes países. Já li alguns desses autores ( se há coisa que eu gosto é de ler e de me informar acerca de todas as correntes de pensamento) e posso-lhe garantir que discordo totalmente do ideário desses senhores. Aliás não deixa de ser engraçado que por exemplo o senhor Hayek foi o maior defensor do regime pinochetista. Esses senhores apenas viam mercado à frente dos olhos, sendo que, para eles a democracia estava completamente funcionalizada e submetida à ideia do mercado. Caso o regime democrático se “subvertesse” e desprezasse o mercado, então aí seria necessário recorrer a regimes ditatoriais, por maior que fosse o incómodo com a violência desses mesmo regimes. Este tipo de ideias foram defendidas e preconizadas por exemplo pelo senhor Hayek. Portanto quando me vêm falar em democracia eu torço sempre a orelha, porque realmente se há corrente política e económica, que em muitas situações viu na democracia um escolho, essa corrente foi o liberalismo e não o socialismo. Penso que existem alternativas ao neoliberalismo selvagem, mas também acho que neste momento, no momento presente, é quase impossível qualquer governo de esquerda prescindir da iniciativa privada ( e quando eu falo da iniciativa privada, eu falo das pequenas e médias empresas), seria até irresponsável fazer algo desse género. Acredito firmemente num marco civilizatório em que o mercado não seja a força predominante, e esta crença deriva da leitura que faço do marxismo e da realidade que me rodeia. Agora ao contrário do senhor, eu não tenho modelos preconcebidos, por isso não vou apresentar-lhe aqui qualquer modelo, até porque esse foi um dos maiores erros cometidos pela esquerda no passado, que acabou por redundar no facrasso da experiência soviética.
Relativamente ao último ponto do seu comentário, reitero integralmente o que disse, o senhor confunde “socialismo real” com marxismo, e isto desculpe que lhe diga é teimosia e sinónimo de estreiteza intelectual. Eu sou o primeiro a reconhecer os crimes hediondos do estalinismo, bem como, o facto de na ex-URSS ter vigorado um regime castrador das liberdades. Agora sou também o primeiro a reconhecer, que a ex-URSS teve uma importância bastante grande no desenrolar dos processos de descolonização ( a ex-URSS foi um dos grandes impulsionadores deste processo), ademais este país contribuiu sobremaneira para a moderação do próprio sistema capitalista, isto é, o chamado modelo social ou Welfare State ( que neste momento está sendo destruído) deve em parte a sua existência, à presença da URSS. Este é um facto indubitável. O capitalismo teve a necessidade de moderar os seus aspectos mais negativos, de molde a impedir o aumento da popularidade do campo comunista. Mas, como hoje é visível, a existência deste modelo entrou em total contradição com o sistema capitalista, daí que seja necessário fazer uma escolha muito simples: ou mercado ou democracia, sendo que eu escolho a democracia, ou seja, aquilo a que Tarso Genro chama a “radicalização democrática”. Eu não tenho qualquer crença absoluta no que toca ao marxismo, aliás se conhecer bem a obra de Marx, saberá bem que ele foi o primeiro a alertar, para esse tipo de comportamentos. O marxismo não é um ideário monolítico, fechado numa redoma ou então algo imperscrutável. O marxismo é um guia para a acção, mas também um instrumento valioso para análise das realidades sociais, económicas,etc., o que leva à necessidade de estar em permanente renovação. O senhor Lidador, é curioso, pensa como os antigos académicos da Academia de Ciências da ex-URSS. Aliás atrevo-me a dizer que o senhor pensa com base naqueles manuais de marxismo-leninismo provenientes da URSS. Nesse aspecto os estalinistas do PCP e os liberais mais empedernidos assemelham-se sobremaneira.
JPB
“O marxismo é um guia para a acção, mas também um instrumento valioso para análise das realidades sociais, económicas,etc., o que leva à necessidade de estar em permanente renovação.”
Esta é divinal. A “renovação” é mesmo de gritos.
Suponho que será apenas um caso em que, quanto mais a realidade se afasta da teoria, mais a pessoa se transfere para o mundo da teoria. Aí, a felicidade será a que se quiser, será apenas uma questão de a renovar de cada vez que o orgasmo esmoreça.
Uma opinião à atenção de
JPB e Lidador
O mercado funciona (funcionou) até ao capitalismo monopolista. A partir daí é um arremedo. Então, hoje, com as transnacionais da globalização, e com a finança que se sobrepôs em absoluto à economia, temos concentração global do poder (na sua expressão política o imperialismo, na sua expressão ideológica o neo-liberalismo – no capitalismo também há ideologia, ou não, oh Lidador? ) o mercado e a ideia de liberdade que lhe vem associada não passam de uma fraude bem conservada (não utupia!,JPB – a utopia é o que nos leva a avançar e o progresso é a realização das sucessivas utopias, já lá dizia o Óscar Wilde).
Claro que os países e os povos esmagados pelo universo concentracionário do poder financeiro anseiam por liberdade que são levadas, se não virem outro caminho, a associar ao mercado livre (que já não existe realmente, nunca é de mais sublinhá-lo – olha a OPA, olha OPA, um belo exemplo de que a concorrência é outra fraude e só serve para a concentração. Veja-se a indústria automóvel, a farmacêutica, etc. Ficam os nomes de marcas diferentes mas sob a mesma posse.). Mas por mais que anseiem não o alcançam. Esse tempo já passou e a globalização financeira acaba com os nichos que se diferenciem.
A concomitância de modos de produção diferentes foi praticamente extinta pelo imperialismo e pela globalização financeira e onde existem zonas ainda não totalmente assimiladas, apenas figuram formas rudimentares de funcionamento das sociedades e das economias como sustentação de poderes pessoais ou de cliques (chamemos-lhes assim para significar a expressão mais refinada e brutal de um poder de classe) elas mesmas em íntima ligação ao poder financeiro mundial e integradas no sistema global.
Como o Lidador é um genuíno apoiante da invasão e da mortandade no Iraque para que a democracia finalmente chegue àquele povo, e acha – ou não? -que a guerra é uma forma suprema (não pode ser outra) de acabar com os ditadores e de levar a democracia neo-con a todo o mundo, temos de ter cuidado porque ele irá defender o ataque de Bush ao Irão e, se o Chávez exorbitar, à Venezuela. A que propósito vem isto? Vem: é que a guerra imposta pelo império contra os povos é a sua actual forma de sobreviver e se alimentar, de pôr ordem no caos real a que a apropriação das sociedades pelo poder financeiro conduziu. Aliás a “corrupção é o lubrificante da democracia” como dizia Espinoza, o senhor absoluto das ligações entre a alta política, a alta hierarquia da Igreja, e a banca, na Itália retratada na série “O Polvo”, agora de novo em exibição na RTP Memória.
Sem a ordem do império – a guerra – o estado a que chegou o sistema só pode parir o caos.
Por isso contra o caos mas também contra a guerra e o imperialismo se movimentam pessoas, governos, povos, intelectuais, cientistas, artistas. Procurando respostas novas, sempre sabendo que nada é absolutamente novo. Uma só certeza: a resposta está na liberdade e na diversidade e que o actual estado a que chegou o capitalismo é contra isso, radicalmente.
No Médio Oriente por razões históricas o imperialismo defronta-se com uma oposição armada sem tréguas e lá parte os dentes.
Na América Latina, gera-se, a nível mundial, uma resposta política, económica e social ao capitalismo. Não foi por acaso que lá começaram os “fóruns” sociais, depois de no ventre do Império, em Seattle, se ter gerado um movimento de protesto e reacção alternativo. Por isso a preocupação com o que possa acontecer na Venezuela para que não se caia em estereótipos já condenados, aliás, pela própria história. Mas uma coisa é certa: Chávez corre riscos, afronta o Império, melhora as condições de vida dos pobres, usa o dinheiro do petróleo para a educação e a saúde do povo. Tem respeitado as regras da democracia representativa sem esganar a participação popular heterodoxa, pelo contrário, convocando-a. É fácil criticar, com um sorriso de superioridade, as horas que ele usa na TV estatal. Mas isso, no caso, quer dizer que a TV privada existe e está nas mãos dos antigos donos da Venezuela, que usaram o petróleo para dominarem e enriquecerem à tripa forra. E que a disputa política está acesa e é aberta e livre. O poder está, por enquanto, com os milhões de desapossados. É bom sinal. O Lidador (que anonímia insinuante…) acha que por esse caminho vem aí a ditadura!… Ou seja, que só não há ditadura se o poder estiver sob ou com a malta fina do capital e da finança.
Vamos ver. O importante é que por aquelas bandas se conjugam esforços entre vários países para gerar força e cooperação com um sentido positivo para os respectivos povos e orientados para travar a ganância dos EUA. O tempo do quintal parece que já lá vai.
Mário Tomé
Vale a pena que todos os defensores, ou que simplesmente ainda possuem dúvidas sobre a vilania que acompanha os “novos regimes socialistas” latino-americanos, leiam notícias como esta do El País. Chávez, Morales e, é claro, o mais que velho Fidel Catro, aceitam de braços abertos e com estatuto de aliados os terroristas bascos da ETA. Eles não são maus por serem socialistas: são maus e ponto final.
“Caro Madeira não acredito que tenha dotes mediúnicos e que saiba melhor que qualquer outra pessoa as intenções de Eric Blair.”
Isto já é uma conversa totalmente paralela ao post, mas não é preciso ter dotes mediúnicos para saber as intenções de Eric Blair. Basta ler os outros textos dele (nomeadamente os “não-ficção”) e atender às suas filiações politicas (recorde-se que ele era do ILP, à esquerda dos comunistas).
Afinal, parece-me que a lei aprovada não falará em “nacionalizações” (a menos que seja isso que quer dizer “ocupação temporal”)
http://www.aporrea.org/poderpopular/n90798.html
Mário Tomé:
“porque ele irá defender o ataque de Bush ao Irão e, se o Chávez exorbitar, à Venezuela.”
Lembremo-nos que casos houve em que vozes de esquerda não faltaram a reclamar “e ninguém faz nada”?
Esperemos que seja a mesma esquerda que agora se apresta a reclamar a “bondade” de Morales que, quando a fome se instalar na Venezuela se apresente a encontrar soluções para a alimentar e que não passem por reclamar essa assistência dos Estados Unidos, bradando que “foram eles que arranjaram o sarilho, eles que o reparem”.
Evidentemente que, entretanto, lá terão que engolir o sapo de verificarem que os agricultores (grandes ou minúsculos) preferirão vender pelo mercado negro a vender pelo mercado “legal” Já se adivinha que, por essa altura, Morales acusará os agricultores de sabotagem e proporá a sua expulsão, nacionalização, empréstimo temporal de terras, etc, … onde é que eu já vi isto?
Quando não houver mais culpados (além dos americanos, claro), serão finalmente os próprios cidadãos que serão globalmente sabotadores, justificando umas limpesazitas por aqui e por ali. Os sabotadores já não estarão então do lado da revolução, mas isso pouco importará: por um lado a bondade do socialismo justificará a coisa, por outro, justificar-se-á, por ser apenas uma fase passageira para um amanhã cantante …
JB: [o Chávez governar por decreto… e sinceramente não vejo onde está o problema. Pois este "sistema" vigora em quase todos os países democráticos, por exemplo, aqui em Portugal]
De facto não vivemos em mundos iguais. Saiba todavia que o facto de acreditar que um autocarro é um sabonete, não implica que consiga ensaboar-se com ele.
JB: [Apenas digo que o que está acontecendo na Venezuela a este nível, é o que acontece na grande maioria das democracias ocidentais.]
Claro que sim…e a lua também não existe.
JB: [supostos fuzilamentos por Che Guevara de 8oo pessoas…gostava que me indicasse … fonte realmente credível.]
Não sei o que poderá será credível para quem acredita que nas democracias ocidentais o poder executivo é absoluto, mas recomendo-lhe que se informe sobre o que aconteceu em La Cabaña. Há muita informação disponível para quem não apaga deliberadamente as luzes
JB: [Já no que toca ao Judiciário, eu faço-lhe novamente o apelo que fiz à pouco, responda com argumentos sólidos,]
Eu transcrevi o que sobre o tema vem escrito no Relatório da Human Rights Watch. Para mim é mais sólido do que as homilias panfletárias que o JB consome sem mastigar. De resto recomendo-lhe que saia do seu labirinto e leia a imprensa internacional, investigue as razões pelas quais até Daniel Oliveira se está a distanciar (e antes dele, outras referências da esquerda portuguesa)?
Acha então que é você o único magala do batalhão que vai com passo certo?
JB: [Para mim não, democracia e mercado não são conceitos que se assemelhem]
Para mim também não. Nem são aliás coisas comparáveis ou sequer dicotómicas como parece acreditar. Não pode comparar cebolas com comboios, meu caro.
JB: [democracia é antes de mais a valorização exponencial da esfera pública face à esfera privada.]
Isso será a “demokracia”, ou seja, fascismo, comunismo, e outros totalitarismos. A sua definição, triunfo da novilíngua, vai ao encontro da definição que Mussolini dava do fascismo:
“Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”, ou do que Estaline pensava, quando comparava os indivíduos a meras “engrenagens dessa máquina maravilhosa que é a URSS”
Infelizmente para as suas crenças, a democracia liberal e o capitalismo estão intimamente ligados.
Os países onde há democracia, Estado de Direito separação de poderes são todos capitalistas, e funcionam com economias de mercado.
Aliás, o próprio Marx escreveu que “o capitalismo produziu a democracia burguesa como forma própria de governo”.
Não concorda com ele?
É claro que a democracia como método de legitimação do poder pode existir sem estado liberal (direito, separação de poderes). Foi o que se passou com Hitler, Allende e Chavez. E pode haver estados de direito e economias de mercado que (ainda) não são democráticas, como Singapura, Mónaco,China etc.
Mas são as democracias liberais onde tudo isso existe e onde o JB vive, como um parasita que delas se alimenta para as atacar.
JB: [basta olhar para o continente africano]
Não JB, não simplifique. África está mal por causa de má governação, por causa do marxismo tropical que teve de gramar durante mais de 20 anos, e porque, de base, tem valores culturais errados.
O que o que destruiu as economias africanas foi a estatização imposta pelas “elites” comunistas e socialistas que tomaram conta do Continente após as independências.
Basta citar-lhe Moçambique, que só após o abandono do marxismo, voltou a crescer, ou o Zimbabwe, ali ao lado, que era um país próspero, produzindo milho para metade de Africa e que agora se afunda na fome e na miséria, pela mão comunista de Mugabe.
Ao longo de 40 anos, entre 1960 e 2000, a Africa recebeu, por habitante, 4 vezes mais créditos e que a América Latina ou a Ásia.
Então o meu amigo acha que em África há democracias liberais? Capitalismo?
Mas sabe lá você o que é o capitalismo?
A “aura sacra fames” de todos os tempos, não é capitalismo, meu caro, mas a natural e humana avidez, que existiu sempre, na China, como no Benim.
Capitalismo meu caro, é um estilo de vida norteado por normas que surgem no quadro de uma ética. O capitalismo não encontra lugar para se fundar, nas profundezas do Zimbabwe. Imagine porquê…. e imagine porque razão a China , passados os disparates socialistas se decidiu pelos instrumentos capitalistas, para criar riqueza.
JB: [Aliás não deixa de ser engraçado que por exemplo o senhor Hayek foi o maior defensor do regime pinochetista.]
Esta sua tirada demonstra por si só que nunca leu Hayek, mas sim o que outros fiéis da sua crença disseram de Hayek, nomeadamente Louça.
É falso … Hayek nunca defendeu, nem sequer aconselhou Pinochet.
A mistificação em que acredita, resulta de uma entrevista que Hayek deu em 1981 ao “El Mercúrio”. Respondendo a uma pergunta sobre ditaduras, Hayek respondeu que “é possível que um ditador governe de forma liberal. E é tb possível que uma democracia governe com total falta de liberalismo. Pessoalmente eu prefiro um ditador liberal a um governo democrático em que o liberalismo esteja ausente”.
Ora isto é verdade…eu também preferia viver no Mónaco do que na Alemanha hitleriana, tal como o JB, penso…
De resto, Hayek (O caminho da servidão) escreveu que “ não defendo cegamente a democracia ilimitada. Os governos devem ter restrições. Não acredito que alguém esteja de acordo em que a maioria, por sê-lo, tenha direito a, por exemplo, decidir como há-de assassinar a minoria”
Percebeu o JB a diferença?
A democracia não é apenas um método electivo. Para ser liberal, ou burguesa, como queira, tem de vir acompanhada pelo estado de direito, liberdade de escolha e separação de poderes. Justamente o que não acontece na Venezuela.
JB:[Agora ao contrário do senhor, eu não tenho modelos preconcebidos, por isso não vou apresentar-lhe aqui qualquer modelo]
Não tem nenhum…os que tinha faliram..por isso é que se agarra desesperadamente ao chavismo, a nova fronteira de uma velha utopia. E quando essa redundar no inevitável, agarrar-se-á a outra. Porque continua enfronhado na vulgata marxista, incapaz de perceber a intemporalidade da natureza humana.
Eu sou liberal em termos económicos, não porque “acredite” em utopias, mas porque esse modelo tem obtido bons resultados.
Adam Smith, (Riqueza das Nações) limitou-se a constatar que há países mais ricos que outros e procurou descobrir as razões dessa riqueza, para daí extrair, não os dogmas que a esquerdalhada adora, mas algumas hipóteses interpretativas que respeitam os factos que efectivamente ocorreram.
O liberalismo não projecta criar uma sociedade perfeita, mas sim identificar práticas que parecem resultar.
Por seu lado, o socialismo, o fascismo, o nazismo, o comunismo, etc, são ideologias, desvarios construídos à priori, a montante e à revelia dos factos. São, por isso intrinsecamente falsas, procurando adaptar o ser humano a si próprio
o liberalismo, meu caro, não é o socialismo virado do avesso e a verdade verdadinha é que as práticas liberais têm resultado razoavelmente bem.
Por outro lado, se é verdade que o capitalismo não proporciona (nem ambiciona a tal) “igualdade”, as ideologias que o contestam muito menos o fazem, bem pelo contrário, a não ser que se considere “igualdade” a miséria massificada.
Por isso comparar a perfeição da “coisa em si” que não existe-a utopia comunista- com o que existe-o capitalismo democrático- é pura desonestidade.
JB: [o chamado modelo social ou Welfare deve em parte a sua existência, à presença da URSS.]
Portanto o seu paradoxal argumento é que o comunismo teve um papel positivo exactamente onde não foi posto em prática.
Ou seja, onde foi posto em prática falhou, e onde o liberalismo triunfou, na verdade não foi o liberalismo mas sim o comunismo que aí não foi aplicado.
Não sei se se apercebe da completa imbecilidade deste seu argumento …provavelmente não.
De resto é um embuste
Dezenas de anos antes dos 1ºs teóricos socialistas foram os liberais do séc XIX que levantaram a chamada “questão social”, à qual responderam com várias leis fundadoras do estado social moderno.
Foi o liberal Guizot quem, em 1841, na França, fez aprovar a 1ª lei para limitar o trabalho infantil, foi o liberal Bastiat quem, em 1849 pela 1ª vez na história exigiu o reconhecimento do direito à greve, foi o liberal Waldeck-Rousseau quem, em 1884, aprovou a lei que conferiu personalidade jurídica aos sindicatos, numa altura em que os socialistas eram contra porque isso “iria dividir a classe operaria”. Foi a Alemanha de Bismarck quem introduziu as bases dos modernos sistemas de segurança social e foi a odiada pátria do capitalismo quem cunhou a expressão “welfare state”.
JB:[O marxismo é um guia para a acção]
Você lá sabe os cartapácios que o guiam, mas deveria talvez guiar-se pela sua cabeça…é apenas uma sugestão.
Mas se acredita que o marxismo é a “Verdade Revelada”, um novo Alcorão, que está lá tudo escrito e previsto e que tudo o resto é uma questão de fé, então seja feliz , recite os mantras e cumpra os rituais. A fé dá sempre respostas fáceis, remete para os livros sagrados e dispensa os crentes de pensarem demais.
Relativamente ao facto do Chávez utilizar o poder de emanar decretos-lei em determinadas matérias, e de esse mecanismo se assemelhar ao que se passa em muitos países da Europa Ocidental, isto é uma verdade la palisseana. Se acha isto um argumento absurdo, bem eu não posso fazer nada, apenas constato factos. No que toca aos supostos fuzilamentos de Che Guevara (eu não digo que ele tenha sido um santo, aliás eu sou a primeira pessoa a recusar a sua mitificação, ele foi sobretudo um homem com H grande)geralmente essas informações provêem da oposiçao radicada em Miami que pessoalmente a mim não me merece qualquer crédito, a si talvez, mas a mim nenhum. Relativamente à Human Rights Watch, isso daria outro texto. A Human Rights Watch ( não obstante o seu papel positivo noutras latitudes) tem desempenhado fundamentalmente um papel de opositora ao Governo Chávez, fazendo uso de mentiras descaradas. Aliás nesse aspecto, o HRW e os Repórteres sem Fronteira assemelham-se bastante, e são vários os exemplos em que foram transmitidos à opinião pública supostas violações dos direitos humanos cometidas pelo Governo, que mais tarde se viriam a comprovar como totalmente falsas. Enfim grandes democratas, aliás democratas de opereta.
Relativamente à concepção de democracia liberal, vmaos ser claros, aliás eu num dos textos que escrevi anteriormente referi isto explicitamente. O liberalismo apropriou-se do conceito de democracia, não porque fosse uma tendência do liberalismo democratizar-se, nunca foi nem nunca será. Outro dia ao ler um livro do professor Vieira de Andrade, um livro que tinha como título Direitos Fundamentais, voltei a ler essa argumentação, de que o liberalismo ao desenvolver-se democratizar-se-ia. Ora, eu volto a repetir o liberalismo não tem qualquer problema em desenvencilhar-se da democracia sempre que tal seja necessário. O lidador fala em Hitler, mas esqueçe-se de dizer que o nazismo foi uma resposta absolutamente necessária da parte do capitalismo para conter a expansão do comunismo. Foi assim durante anos, o objectivo era travar a expansão do comunismo. Falou do Welfare State, e eu reitero o que disse, qualquer cientista político ou social dir-lhe-á o mesmo, se bem que o senhor nunca entenderá isto. A ex-URSS teve clara influência na construção do estado-providência, pois o capitalismo sentiu necessidade de dar uma resposta reformista aos problemas das massas proletárias, ao invés de correr o risco delas se sublevarem. Este era o dilema do capitalismo, principalmente na Grande Depressão. O Welfare State é uma construção política e económica que deve a sua existência aos partidos social-democratas e democratas-cristãos, mas também e fundamentalmente aos trabalhadores que lutaram arduamente pelos direitos e regalias, que senhores como o lidador entendem como caducos e prejudiciais ao desenvolvimento pleno do capitalismo.
Falou em África, é absolutamente arrepiante a forma como debita e repete argumentos que vêm regularmente transcritos nos media tradicionais, culpando única e exclusivamente os africanos pelo actual estado de coisas. África está no estado em que está devido ao colonialismo que teve de enfrentar durante séculos, ao neocolonialismo desempenhado em primeira instância por organizações como o BM, FMI ou OMC, isto sem olvidar, as elites corruptas que têm sido sustentados pelas governos europeus e americano. Portanto não venha com a lenga-lenga do marxismo , que o senhor nem sequer sabe o que é. Atenção, eu não digo que não tenham sido cometidos erros, claro que foram, mas os principais problemas que enfrenta África não se devem ao marxismo, até porque nos países em que se enveredou por uma via socialista, houve obstáculos que redundaram em guerras civis e por vezes étnicas. Aliás, o senhor Lidador não sabe, mas as guerras étnicas que grassam em África têm sido fomentadas pelo dito Ocidente, numa estratégia que visa a apropriação total das matérias-primas africanas. Não me venha com o exemplo do Zimbabwe, como se eu fosse um defensor desse regime, aliás peço-lhe que não demonstre tanta estreiteza intelectual, que é própria em todos os liberais, de associar esquerda com Coreia do Norte, Zimbabwe, Enver Hosxha ou Estaline.
No que toca a Hayek você próprio confirmou o que eu disse, é preferível um ditador liberal, do que uma democracia em que o liberalismo não seja valorizado. Face a isto estamos completamente conversados acerca do vosso conceito de democracia, ou para ser mais exacto, da inexistência de qualquer conceito de democracia. Afirmou novamente que não existe estado de direito na venezuela, bem eu penso que, de facto não vale a pena estarmos aqui continuamente a responder um ao outro, porque nunca chegaremos a um acordo, simplesmente porque o senhor ignora factos óbvios. A cegueira ideológia que o senhor tanto critica, afinal de contas é o senhor que a demonstra em toda a sua plenitude. Para terminar, o Mário Tomé referiu algou que para mim é absolutamente decisivo, e que grande parte dos cidadãos ainda não se aperceberam, no estadual estádio de desenvolvimento do capitalismo ( vulgo neoliberalismo), este sistema necessita de recorrer à estratégia de guerra preventiva, que aliás tem sido correctamente desempenhada pela administração Bush. Estas sucessivas guerras, e as que poderão vir a suceder-se são inerentes ao próprio capitalismo, daí que seja necessário a mobilização dos cidadãos para contestar e lutar contra este estado de coisas. Hoje mais do que nunca, faz todo o sentido o alerta de Rosa de Luxemburgo: socialismo ou barbárie!
JB: [o nazismo foi uma resposta absolutamente necessária da parte do capitalismo para conter a expansão do comunismo]
Meu caro Hitler não só era socialista, como era o chefe do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.
Citemo-lo:
1-“não sou apenas o vencedor do marxismo…sou o seu realizador. Aprendi muito com o marxismo e não tenciono escondê-lo. O que me interessou no marxismo foram os seus métodos….todo o nacional-socialismo está lá contido”
(Hermann Rauschning, “Conversas com Hitler”)
2- “meus desacordos com os comunistas são menos ideológicos que tácticos”
3-”agora que a idade do individualismo terminou, a nossa tarefa é encontrar o caminho que conduza ao socialismo”.
5- “o problema dos políticos de Weimar foi nunca terem lido Marx”.
6-“…estamos a combater o capitalismo. Estamos a tornar as pessoas completamente livres”
Quanto ao resto do seu post, já entendi que para si a verdade é apenas aquilo em que acredita.
Se o HRW diz uma coisa que lhe agrada, é verdade, se não lhe agrada é mentira.
Para si a verdade e a mentira são intermutáveis a pedido.
Uma coisa come a outra. Teme-se e trama-se. A perfeita ilustração da má-fé, tão bem explicada por Fernando Gil em “Acentos”
Não diz aquilo que quer dizer diz e diz aquilo que não quer dizer .
É meta-estável.
Nunca está errado e por isso não necessita de corrigir o erro, diga uma coisa ou o seu contrário.
Sempre certo. Sempre em pé!
Os erros são meramente fácticos, na verdade nem sequer são erros, porque, por definição, não pode errar.
E assim se imuniza da realidade.
Não erra e por isso quando erra, no fundo não erra. É livre e não paga nada.
Um mundo maravilhoso, o seu.