A pedido de vários comentadores começa hoje no Arrastão um inquérito sobre o Tratado de Lisboa. Mas não me fico pelo “sim” e pelo “não”. Venham também as razões de cada posição. Poderão votar em três possibilidades (votem só nas do “não” ou só nas do “sim”). Desculpem se não estão todas contempladas. Tentei ser o mais abrangente possível.

Como votaria num referendo ao Tratado de Lisboa?

Sim, porque o Tratado é bom para Portugal
Sim, porque o Tratado reforça a Europa
Sim, porque o Tratado reforça as instituições europeias eleitas, como o Parlamento Europeu
Sim, porque o tratado permite que a Europa tenha uma política externa comum
Sim, porque o Tratado simplifica a tomada de decisões numa União a 27
Sim, porque se o Tratado não avançar a Europa entra num impasse
Sim, porque o Tratado de Lisboa dá prestígio ao país

Não, porque o tratado é mau para Portugal
Não, porque o Tratado reforça o poder dos países mais fortes instituindo a Europa do Directório
Não, porque o Tratado impõe uma política neo-liberal
Não, porque a integração europeia deve seguir um caminho mais lento e cauteloso
Não, porque o processo que levou ao Tratado foi pouco democrático
Não, porque não quero que os estados percam soberania
Não, porque sou contra a participação de Portugal na União Europeia

Votem na coluna da direita.

Ao inquérito anterior os leitores responderam que se o que se passou na paralisação dos camionistas fosse da responsabilidade de sindicatos as autoridades teriam sido mais duras (66%). 29% acha que teriam o mesmo comportamento e apenas 5% teriam sido menos duras.


16 respostas ao post “Inquérito: Tratado Europeu”  

  1. 1 1  A.R.

    Não, porque a integração europeia deve seguir um caminho mais lento e cauteloso.
    Não, porque o processo que levou ao Tratado foi pouco democrático.
    Não por ter sido uma farsa, mal por mal,a constituição era honesta.
    Um voto na margem sem opção, faltava ou/outra, no questionário.

  2. 2 2  JLS

    «Não, porque o processo que levou ao Tratado foi pouco democrático»

    Para já esta vai à frente. Não deixa de ser extremamente curioso já que antes deste, houve o de Nice, Amesterdão, Maastricht e Roma e inúmeros protocolos. Mas siga! :)

    De qualquer forma não me parece racional “obrigar” a eleger ou 3 “não’s” ou 3 “sim’s”. Mais racional será reconhecer que existem prós e contras.

    PS: O “sim” porque trará prestígio a Portugal é um bocado ridículo e mostra uma certa limitação da sua parte… Mas o blogue é seu.

  3. 3 3  á de moura pina

    Porque não tinha buraquinho, deixei-lhe a resposta aqui.

  4. 4 4  anonimo

    Mas que grande inquerito

    Sou a favor porque sim, sou contra porque não. Bem, procura ser o mais abrangente possivel englobando todas as opiniões o que se fosse para escolher um modelo de estado levaria aquilo que esta a acontecer na europa um impasse.

    Qual é a prespectiva ou o modelo de estado que a europa pretende adoptar com esta treta dos tratados , de uma moeda unica, etc etc,. Continuar com os nacionalismos e haver só uma mera cooperação economica tipo antiga CEE, ou estamos a caminhar para algum modelo de estado em que os nacionalismos do passado vão sofrer modificaçoes e vai surgir uma união nova uma federação ou confederação. O problema é este e as pessoas devia –se perguntar se são contra ou a favor.

    Não se pode querer fazer um modelo de união pedindo a opinião, ou em que todos sejam concordantes, isso é impossivel e fazendo isso numa europa de séculos de nacionalismos não se vai a lado nenhum. As pessoas relegam o problema politico e votam por outras componentes como o modelo social, o desemprego, o custo do nivel de vida, as pac´s, o abatimento dos barcos de pesca, isso é evidente nos comentarios, mas anda tudo longe do modelo de estado politico a desenvolver por exemplo.

    Mas uma coisa é certa não se faz nada na europa sem a alemanha e frança mas pode se fazer muito com essas duas naçoes.

    A coisa é, a europa quer caminhar para um sistema de federalismo, quer explicar isto as pessoas? pode começar por ai, o resto são tretas. ou se é contra este sistema ou se e a favor, mas é para este que a europa se pretende aproximar, deixemos de lado os nacionalismos bacocos que sempre levaram a guerras e lutas territoriais. Desde carlos magno que a europa tem tentado a união politica de um espaço fisico que caiu com o imperio romano, formou-se então uma tentativa de estabelecer um modelo de imperio temporal/religioso, o cesaropapismo, o sacro imperio romano que começou depois da queda do imperio romano com carlos magno aliado ao papado durou mil e tal anos e só terminou de vez com a queda dos estados pontificios e a criação do estado do vaticano no tempo de mussolini pelo tratado de latrão em 1928. Por isso eu não sou a favor dos nacionalismos. não sou a favor de uma união forçada que foi tentada no passado por meio da força militar ou casamentos reais. Mas vejo que para haver paz e estabilidade na europa tem de haver um modelo que aproxime os estados de uma união e essa para mim é o federalismo, pouco me importa que digam que é preciso um parlamento constituinte ou isso foi feito por um tratado o fim é o mesmo, a criação de um estado com caracteristicas federalistas, e isso ja esta definido no própio conceito de federalismo a posteriri sim, havera eleiçoes para presidente, camaras, senado etc, quando se fala em referendos ninguem fala nisto, nem aqui nos blogues a palavra federalismo surge porque? As minhas razoes para ser a favor do tratado são estas:

    -Existência de uma Constituição como base jurídica do Estado, esta representa no Estado Federal, o pacto ou a aliança firmada pelas entidades que o integram, sendo a base jurídica comum de todas as entidade federativas, que encontram na Constituição todos os principais elementos relativos às suas inter-relações recíprocas

    -Repartição constitucional de competências, o núcleo, a própria razão de ser do Estado Federal reside na característica da descentralização política, onde diferentes níveis de governo ou de centros decisórios possuem a faculdade, delegada pela constituição, de emitir, criar ou editar as normas jurídicas necessárias para controlar a conduta humana em determinado espaço territorial

    -Autonomia das entidades federadas, trata-se de aspecto característico e essencial do regime federativo, residir na autonomia das coletividade parciais integrantes do Estado nacional, o que nos faz ver o Estado Federal como união de coletividades políticas autonomas, onde existem vários centros decisórios, por haver a consagração da existência de duas ou mais ordens governamentais distintas e autonomas entre si.

    -A soberania pertence ao Estado Federal, Os Estados-membros, dispõem de autonomia e não soberania. No momento em que o pacto federativo se viabiliza, com a promulgação e publicação da constituição, perdem os Estados a soberania que lhes era característica, para cedê-la ao Estado Federal, que passa a ser o único a deter capacidade de pessoa jurídica de direito internacional público, reunindo parcelas de poderes que não são superados por nenhum outro poder ou Estado

    -Ausência do direito de secessão, em virtude de os Estados-membros não mais possuírem soberania (para legitimação de uma decisão separatista) é que os mesmos não mais poderão se retirar do pacto federativo, que dizer, no Estado Federal a união de coletividades políticas autônomas se dá em carácter perpétuo, sendo a indissolubilidade do vínculo criado uma de suas marcas características,
    mas por exemplo o Tratado de Lisboa reconhece explicitamente a possibilidade de um estado membro sair da União

    -Rendas próprias para as entidade federadas, detentoras de competências administrativas e legislativas, as entidade federadas necessitam de recursos financeiros para dar cumprimento às missões ou deveres que a constituição impõe

    -Existência de uma Corte Suprema Nacional, ponto característico do Estado Federal é a existência de uma corte Jurídica que seja suprema e superior, em termos de competência decisória, a todas as outras esferas do Poder Judiciário, para que sua atuação sirva de elemento estabilizador da sociedade, principalmente por atuar como legítima guardiã da Constituição Federal, que é o documento revelador dos aspectos funcionais do regime federativo

    -Existência de um dispositivo de segurança necessário à sobrevivência do Estado federal.

    Se ha alguma potencia que deva ter receio deste modelo devem ser o EUA. O modelo europeu pos guerra aperfeiçoado com a CEE, foi o unico que teve exito e procurou ser adoptado noutras partes do mundo sem igual sucesso, porque o modelo europeu não é baseado em simples actos e trocas comerciais mas em principios de soliariedade para com os paises aderentes menos desenvolvidos isso fez dele a par do estado providencia um modelo impar para o desenvolvimento de muitos estados perifericos, depois temos o aspecto politico uma europa com estas caracteristicas tinha o poder de fazer frente ao poder hegemonico de qualquer potência e não veriamos 4 ministros nas bases das lajes com o presidente de uma potencia, mais meia duzia falando contra, e os restantes abstendo-se. Ha aqui quem trabalhe ao gosto dos EUA, e terminando so me faz pena ver a defesa dos velhos estados nação nacionalistas bélicos e que foram o passado da europa.

  5. 5 5  Euroliberal

    Falta um “NÃO”, e logo o mais importante:

    NÃO porque sou burro, bota-abaixo e revoltado pelo facto de não já não existir o SOL DA TERRA do grande ZÉ DO MARTELO (esse mesmo, o dos bigodes, o paizinho dos povos)

  6. 6 6  rui mota

    NÃO por três razões: porque o processo foi pouco democrático; porque devia levar mais tempo a discutir-se o Tratado e porque favorece o poder do directório.
    Para ser democrático e transparente, o referendo devia ter sido efectuado em todos os países, no mesmo dia, sendo os resultados validados em função dos “sim” e dos “não” e nunca dos interesses nacionais.

  7. 7 7  Maria

    Bom pelo numeros de comentadores
    que aqui trouxeram o seu desagrado e o seu apoio e demais felicidade pelo nao irlandes, nao e de espantar que esteja o nao com maioria. Logo nem vale a pena votar. A opiniao estava feita a partida.

  8. 8 8  Bolota

    Derrepentemente, fui assaltado por uma ideia, que é esta:…os Irlandeses votaram não e bem, mas votaram mal…e se os Irlandeses votassem sim, ainda bem que não, tinham votado bem???

    A isto é o que pode chamar democratas dá tanga

    Eu gostava de ter sido Irlandês VIVA OS IRLANDESES

    Volto para justificar porque votei não.

  9. 9 9  Patricia

    É dificil responder a perguntas sobre matérias tão pouco discutidas no nosso País,de uma forma tipo branco ou preto.Não li o tratado e não posso ter uma perspectiva sobre o saldo entre as condições favoráveis e as desfavorávias alem de que este tratato remete para alterações e adendas aos tratados anteriores que já foram rectificados.Se tivessemos feito o referendo talvez que estas matérias tivessem sido mais clarificadas.

  10. 10 10  Bang Bang

    NÃO porque quero que os USA continuem a mandar no mundo.

  11. 11 11  Luis Costa

    Não, porque a democracia anda arredada deste processo!!

  12. 12 12  Manuela Magno

    Faço minhas as palavras do Rui Mota!

  13. 13 13  Bolota

    Porque votei não??

    Votei não, porque o não em referendo, tem tanto peso como o sim
    Votei não, porque esse direito me é consagrado em todos os canhenhos dos direitos do homem.
    Votei não, porque a UE enquanto agremiação unificadora…falhou. O tratado de Lisboa já não existe enquanto tal.
    Votei não, porque a UE o que deu com uma mão, se deu alguma coisa, tirou com as duas
    Votei não, porque a UE me encheu de auto-estradas, mas retirou-me o carro para as utilizar.
    Votei não, porque a UE me tirou as migas, o queijo de Serpa e encharcou-me de
    salsichas alemãs e de Lasanha Italiana.
    Votei não, porque a UE me quer impor horários de trabalho, (65 horas semanais) quando os meus pais lutaram pelas 8 horas de trabalho
    Votei não, porque a UE o que tem de bom, é para os outros. O que tem de mau, estamos na 1ª Fila.(salários por exemplo)
    Votei não, porque a UE é tudo menos social, esta aflição em volta no não Irlandês, é disso exemplo.
    Porque Votei não??? Porque me apeteceu votar não.

    Vou-me repetir, os Irlandeses votaram não, mas segundo a casta iluminada, votaram mal…e se os Irlandeses votassem sim, tinham votado bem???

    Como se não chegasse a que reduziram o Iraque, Afeganistão, o MUNDO, o Irão está na calha.
    É por estas e por outras que: NÃO, NÃO, NÃO e NÃO.

    Ainda voltei atras. Se isto é condição para ser comunista…que seja.

  14. 14 14  JLS

    «Não li o tratado e não posso ter uma perspectiva sobre o saldo entre as condições favoráveis e as desfavorávias alem de que este tratato remete para alterações e adendas aos tratados anteriores que já foram rectificados»

    Sim, é verdade, a vantagem do “constitucional” é que era construído do zero… o Tratado da União Europeia assim como o da Comunidade Europeia desapareciam. Assim, analisar o tratado torna-se mais complicado, logo de imediato. Mas de certeza que já existem versão compiladas (quer na net, quer em livro) onde se junta tudo e se exibe num único texto, sem ser necessário andar a ver tratado a tratado o que foi alterado. Existem até já 4 edições à venda: http://www.almedina.net/catalog/advanced_search_result.php?keywords=tratado+lisboa&x=0&y=0
    Mas certamente encontrará uma versão do texto aqui na net.

  15. 15 15  Joana Dias

    Sim, porque eu quero que a “Europa-que-acabou-de-aprovar-a-possibilidade-de- 65-horas-semanais-e-que-representa-um-retrocesso -de-uma-conquista-de-100-anos” me continue a sodomizar um bocadinho mais e sem lubrificante!
    Orlando Jones, Evolução: “THERE’S ALWAYS TIME FOR LUBRICANT!!!”

  16. 16 16  Euroliberal

    O meu esquerdalho de estimação:

    “Entretien avec Daniel Cohn-Bendit

    Comment expliquez-vous la montée du non en Irlande ?
    Par la folie de ce genre de référendum. On est dans des sociétés à logique égoïste. Les Irlandais qui disent non à l’Europe, c’est comme la Ligue lombarde qui rassemble 40 % des électeurs dans le nord de l’Italie pour ne pas payer pour le sud du pays. Pourquoi dire oui à quelque chose qui oblige à partager ce qu’on reçoit avec les nouveaux membres de l’Union que sont les pays de l’Est ?
    La réaction basique est de protéger ses propres acquis. Dans le processus qui existe aujourd’hui avec la réforme de la PAC - politique agricole commune - , les Irlandais savent, comme les Français, qu’ils ne seront plus protégés comme avant, qu’ils devront faire un effort pour renflouer les caisses de l’UE, qu’ils devront payer et non plus recevoir. Il faudrait qu’un référendum ait des conséquences : si on dit non, on sort de l’Europe.”

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