Há um ano o PS disse que o projecto do BE, que permite o divórcio a pedido de um dos cônjuges, seria o mesmo que o «divórcio na hora». Que não era «compatível com o contrato do casamento, que não é propriamente um contrato que se rescinda sem mais nem menos». Que não se podia permitir o divórcio «por mero impulso». Menos de um ano depois mudou radicalmente de posição. Agora acha exactamente o contrário. Talvez isto se explique pela necessidade de piscar o olho à esquerda e aos jovens mais “liberais” sem grande investimento. Mas é claro que o PS não vai aprovar a proposta do BE, apesar de concordar com ela. O PS, com a sua maioria absoluta, nunca faz isso. Vai apresentar o seu próprio projecto no mesmo sentido. E, com alguma infantilidade, fez este anúncio no dia em que o projecto do BE vai ser debatido.

Apesar do PS repetir este hábito de dizer uma coisa e o seu contrário, por meras razões tácticas, e apesar da arrogância que não lhe permite trabalhar com base nos projectos de outros, preferindo a cópia ao original, não deixa de ser uma boa notícia. Porquê? Expliquei aqui, já lá vai quase um ano. Nessa altura o PS fazia coro com o CDS. Hoje faz com o BE. Amanhã quem sabe?


22 respostas ao post “De “divórcio na hora” a “conjugalidade assente nos afectos””  

  1. 1 1  mf

    Não é nada para piscar o olho à esquerda Daniel. Deve ser algum(s) deles que anda(m) com problemas para se divorciar e pronto , assim está resolvido o assunto. Como a tal lei dos piercings e os papás deputados.

  2. 2 2  mdn

    Alberto Martins devia sair do PS e inscrever-se no BE. O PS vai pagar caro eleitoralmente esta iniciativa (e outras). Os “jovens mais liberais” nao chegam para fazer uma maioria absoluta e espantam os menos jovens e menos liberais que sao muitos mais. De resto, estou de acordo com o Daniel, mais valia aprovar o projecto do BE. Seria mais honesto.

  3. 3 3  Dândi

    Sinto que estamos (Bloco) a ser roubados…

  4. 4 4  Isabel Coutinho

    mdn tem razão: isto ainda vai sair caro ao PS. Qual será a próxima? a eutanásia?

  5. 5 5  Justicialista

    Realmente o “divórcio na hora” só devia ser admissível para os casamentos civis. Quanto aos casamentos católicos, é coisa com a Igreja. Já os romanos diziam: “A Cesár, o que é de Cesár.”

  6. 6 6  Isabel Coutinho

    Só me espanta, porque estas pessoas se casam. É por causa da festa? do fato de noiva? da aliança? das fotografias?
    Nada os impede de juntarem simplesmente os trapinhos. Ou nem isso. Podem mesmo mudar de parceiro todos os dias.

    Entretanto tenham ao menos o cuidado de não ter filhos. É que os filhos, não há volta da dar-lhe: são mesmo para a vida.
    O casamento não é um contrato qualquer, que só obriga os contraentes. Quando há filhos, há uma terceira parte interessada, a quem ninguém pede a opinião. E que também não pediu para entrar na brincadeira.
    Não há filhos ilegítimos, mas há pais ilegítimos. Esses do casa - descasa, quando têm filhos, estão na categorias destes últimos. Já há países em que é possível os filhos divorciarem-se dos pais. Se quiserem lançar uma lei destas, eu serei a primeira a aprová-la.

    Posto isto: admito que alguns casamentos sejam impossíveis de manter. Mas isso devia ser a excepção e não a regra.

    “Mas as crianças, Senhor ? …”

  7. 7 7  antónio

    Justicialista

    O divórcio só é possível civilmente (sempre foi assim), na medida em que a igreja nunca o permitiu nem permitirá; «Não separe o homem o que Deus uniu». Aliás, os divorciados casados civilmente não podem aceder à comunhão eucarística.

  8. 8 8  Daniel Oliveira

    Isabel Coutinho, percebi bem? Está a defender que casais com filhos não se devem nunca divorciar?

  9. 9 9  Isabel Coutinho

    Daniel Oliveira 28 Mar 2008 às 13:31
    Isabel Coutinho, percebi bem? Está a defender que casais com filhos não se devem nunca divorciar?

    Estou a dizer que pelo menos não devem encarar o divórcio como um direito natural. Uma coisa que apenas depende dum capricho. Que os direitos dos filhos prevalecem sobre os direitos dos pais.
    E, não me venha dizer que os filhos de pais separados não sofrem com isso. Infligir sofrimento às crianças é contra os seus direitos primordiais.
    Estou a dizer que os pais se devem sacrificar pelos filhos. E quem não se sente capaz disso, então, que não os tenha.
    O casamento não é só uma relação de amor. Para ter uma relação de amor não é preciso casar. Hoje em dias as uniões de facto já não são socialmente mal vistas.
    Então porque se casam? Foi só isso que perguntei.
    Eu sei que há casos em que a separação é a única solução, mesmo quando há filhos. Mas esses casos são muito mais raros que os divórcios que por aí há.
    Há casais que já não se amam, mas que se mantêm juntos até aos filhos já serem crescidos, a ponto de compreender. São pais que amam os filhos.
    Eu estou-me nas tintas para o sofrimento dos adultos. Mas já não me é indiferente o sofrimento das crianças.
    Fui mais clara agora, Daniel?

  10. 10 10  rosario

    “Há casais que já não se amam, mas que se mantêm juntos até aos filhos já serem crescidos, a ponto de compreender…”

    … e que estã a ensinar os filhos a não amar.

    Como podem amar os seus filhos, se não se amam a si próprios, ao ponto de se permitir uma relação em que não amam?

    Os filhos ensinam-se com exemplo, não com palavras. Por isso, criança abusada, tendencialment, é adulto abusador.

    Criança que presencia diáriamente o não amor dos pais, como sabe o que é amar…. e ser amada?

  11. 11 11  Isabel

    Rosário

    Concordo consigo. Se os pais não estão em harmonia, o que transmitem aos filhos não é nada saudável.

    Há maneiras de manter a harmonia ao longo da vida. A relação trabalha-se, mas o essencial é que os dois estejam dispostos a isso, coisa que hoje em dia não acontece. Enquanto o casamento os servir está tudo bem. Pensar no bem comum é um conceito demasiado elaborado para as suas mentes “nestlé”.

    Penso que era a esta necessidade de pensar primeiro nos outros do que em si próprio, que a Isabel Coutinho se refere.
    Muitas vezs um entendimento consegue-se com esforço e vontade, a bem das crianças.

  12. 12 12  Levy

    “Há casais que já não se amam, mas que se mantêm juntos até aos filhos já serem crescidos, a ponto de compreender. São pais que amam os filhos.”

    Mas têm liberdade para fazer isso. A questão é ao contrário: quem não quer fazer isso, parece que não pode, porque a Isabel acha que não.

    Desta vez concordo com o Daniel, apesar de ele hoje fazer coro contra o PS, daqui a uns tempos não se sabe….
    A questão de fundo é sempre a mesma: há sempre uns quantos que querem impor a outros determinadas regras relativas aos costumes e à moral. Se 2 pessoas se querem divorciar, porque raio é que não o hão-de poder fazer rapidamente? Quem é a Isabel para dizer a este ou aquele que não se pode divorciar (ou não deve) por causa dos filhos e por causa seja la de que for??? Há coisas que são do absoluto dominio da liberdade individual e que nunca devem ser postas em causa porque há uns quantos que acham que “parece mal”.
    São as mesmas pessoas que há mais de 30 anos se manifestavam contra o concurso miss portugal, há 20 contra a IGV e o divorcio que agora acordaram e viram aqui uma janela de oportunidade para debitar a sua verborreiazinha moralizante. Daqui as uns tempos serão elas a protestar também contra os casamentos Gay, que não se percebe porque é que ainda não são de lei.

  13. 13 13  António Manuel

    Vejam a excelente peça de ironia sobre este assunto em:
    http://incontinentesverbais.blogspot.com/2008/03/acabe-se-com-o-casamento-e-com-os.html

  14. 14 14  antónio

    «Se 2 pessoas se querem divorciar, porque raio é que não o hão-de poder fazer rapidamente?»

    Há por aqui uma grande confusão. Para isso não é necessário mexer na lei actual. É possível haver divorcio por MÚTUO consentimento em cerca de 20 minutos: http://sic.sapo.pt/online/noticias/vida/20080313-Divorcio+na+Hora.Com.htm

    A nova proposta de lei é apenas para o litigioso a pedido de um cônjuge.
    Como todos sabemos o casamento (do ponto de vista legal) é um contrato que pode ser quebrado por mutuo acordo, ou apenas por um dos cônjuges quando o outro viole um dos deveres conjugais. O que esta lei acrescenta apenas, é que esse contrato pode ser denunciado unilateralmente por falta de …amor. Concordo. Tudo isto é perfeito se este fosse um mundo perfeito. Agora num casal onde haja dependência financeira de um sobre o outro, acham que o elo mais fraco vai romper o contrato por falta de…amor.
    Esta proposta de lei defende apenas o mais forte (normalmente o homem).

  15. 15 15  Isabel

    “São as mesmas pessoas que há mais de 30 anos se manifestavam contra o concurso miss portugal, há 20 contra a IGV e o divorcio que agora acordaram e viram aqui uma janela de oportunidade para debitar a sua verborreiazinha moralizante. Daqui as uns tempos serão elas a protestar também contra os casamentos Gay, que não se percebe porque é que ainda não são de lei”.

    Levy:

    Para quando a legalização da pedofilia? Dizem os psiquiatras que é apenas uma “orientação sexual”. Os gregos e os romanos utilizavam-na como ritual de iniciação. Não me diga que parece mal?
    Talvez seja abusivo porque viola os direitos de outrém. E se o “outrém” quiser? Com dezasseis anos por exemplo, já pode ser sexuado.

    E a necrofilia? Não é também uma “orientação”? Tem ainda a vantagem do abusado, não ficar psicologicamente traumatizado e não apresentar queixa.

    Acha que isto é verborreiazinha moralizante?

    Nota. Sou só Isabel. Não a I. Coutinho.

  16. 16 16  Rosário

    “Esta proposta de lei defende apenas o mais forte (normalmente o homem).”

    Permite que te corrija com conhecimento de causa, pois que sou mulher…. e que te diga que a lei como está é que protege o mais, forte, normalmente o homem.

    É o homem que se recusa a divorciar-se, pois que não quer perder a sua “propriedade”, a mulher.

    E, quando quer divorciar-se, basta arranjar dois amigalhaços para fazer prova que a mulher violou os deveres do casamento… isto quando nao faz justiça por suas mãos, com base nas suas suspeitas, como se verifica nas 5 mulheres assassinadas por mes em Portugal.

  17. 17 17  Isabel Coutinho

    A nova proposta de lei é apenas para o litigioso a pedido de um cônjuge.

    E o outro? Se um se quer divorciar e o outro não, qual é a vontade que pervalece?
    Pois é … voltamos ao litígio.

  18. 18 18  antónio

    Rosário
    este projecto lei termina com os assassinatos? se termina, então, através de decreto, acabe-se com a indisciplina na escola, com a fome, etc, etc.

    Isabel

    obviamente ninguém deve ser obrigado a estar casado contra vontade; para isso existe a figura «ruptura de vida em comum» que era de 3 anos e passa a ser de um .

  19. 19 19  Rosário

    “E o outro? Se um se quer divorciar e o outro não (…)”

    Mas hoje em dia alguem fica casado sem o querer? ou só porque um dos dois nao se quer divorciar?

    A diferença, é que, o que se quer divorciar, com esta lei, não precisa insultar e ofender o outro. Não precisa de criar ou fazer valer provas, quer elas existam ou não, para ter o divórcio… pois que o tem sempre.

    Além disso, a discussão sobre os bens, é independente do divorcio, quer exista, ou não, dependencia economica.

  20. 20 20  Levy

    Isabel
    29 Mar 2008 às 23:34

    Eu respondia à Isabel Coutinho. Mas aquilo que escreu na sua ultima posta é ainda mais hilariante…

    Em relação à legalização da pedofilia, não conheço ninguém que a defenda. Parece claro que há separação entre relações sexuais com adultos e relações sexuais com não adultos.
    Lançar a pedofilia aqui é só para baralhar a conversa. A não ser que seja daquela pessoas que “confunde” homossexualidade com pedofilia.

    A necrofilia então nem comento.

    O seu discurso para alem de ser verborreico e moralizante é pouco esclarecido, para não dizer ignorante, porque mistura alhos com bugalhos.

  1. 1 Arrastão: Dois anos
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