“O facto de as escutas serem ou não legais é absolutamente irrelevante para o nosso julgamento do que lá é revelado.”
Bruno Alves, Insurgente

Ou seja: se eu colocar microfones na casa de Bruno Alves; se violar a sua caixa de correio e abrir-lhe a correspondência; se entrar no seu computador para ler os seus documentos e descobrir os sites que visita; e se, depois disso, tiver imensas coisas para dizer sobre a pessoa em causa, não se atrevam a querer discutir a moralidade e a legalidade do que fiz. Perante o que eu possa dizer sobre o Bruno Alves, isso será completamente irrelevante e secundário.

Pois para mim, que tenho a pouca simpatia que sabem por Sócrates e que me preocupo com os que usam o Estado para beneficio próprio, a legalidade da utilização das escutas é, por enquanto, tudo o que me interessa. E, logo depois, a legitimidade de fazermos debates políticos (e nem sequer apenas jurídicos) com base em escutas telefónicas das quais, ainda por cima, nem sequer conhecemos o conteúdo exacto. Porque se invertermos a ordem destas prioridades até podemos confirmar que Sócrates é tudo o que imaginamos que é mas, ao mesmo tempo, pomos em causa algumas conquistas importantes dos últimos 35 anos.


80 respostas ao post “Isto é escrito por um daqueles senhores que vive com Estado de Direito na boca”  

  1. 1 1  Sócrates

    A verdade é que hoje em dia para se escutar a alguém parece que se tem que avisar meio mundo… Que por sua vez avisa quem vai ser escutado. Não é por acaso que estes casos aparecem, porque se seguissem os caminhos normais, os escutados, ainda por cima sendo quem são, iriam comportar-se de outra forma.

    Quem não deve não teme e por mim qualquer Governo deveria ser escutado 24/7. Transparência, fala-se muito, faz-se pouquíssimo.

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    Daniel Oliveira Reply:

    “Sócrates”, suponho que se quem não deve não teme (o maior disparate que se pode dizer), o senhor não se importava de ser escutado e espiado.

  2. 2 2  Planetas - Bruno

    Que na justiça o segredo corre mais depressa que os editais já todos sabíamos, mas ainda assim seria de esperar que, de quando em vez, algum funcionário mais incauto, magistrado ou advogado distraido fosse apanhado a prevaricar, mas não, afinal de contas como reza o ditado, em casa de ferreiro espeto de pau. Partidos Políticos ideologicamente desamparados e uma Comunicação Social descartável, são alimentados por aquilo que se tornou numa espécie de carvão barato que apesar de poluir muito ainda faz a máquina andar(…)
    http://planetaspolitik.blogspot.com/2009/11/insolitus-iustitiae.html

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  3. 3 3  António Cunha

    “tenho a pouca simpatia que sabem por Sócrates”

    (campainha com o som de resposta errada) Errado caro Daniel. Você gostando da Amiga Cancio só pode gostar de Socrates. E não venha com essa treta da separação das coisas. Ninguem acredita !!!!

    Portanto voce acha bem que, toda a gente sabendo que Pinto da Costa corrompeu meio mundo da arbitragem, que existam provas que o confirmam, tenhamos pois que aceitar a sua inocência pois as escutas não servem como prova.

    Eu desde que ouvi António Costa dizer ao telefone para o mesmo Socrates que se estava cagando para o segredo de justiça, já não acredito em mais nada desses senhores. Ele que foi ministro da justiça.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    António Cunha,
    As escutas legais servem como prova.
    Quando a ser amigo da Fernanda e por isso gostar de Sócrates, lamento por si. No caso dos seus amigos/as, terá de concordar com as namoradas/os deles/delas. Deve ser uma vida dificil.

    A prova dos riscos das escutas é o senhor. Ouve uma coisa que alguém terá dito, muda quem o disse e vai por aí adiante. Quem disse “estou-me cagando para o segredo de justiça” não foi António Costa.

  4. 4 4  causavossa

    Mas esta gente não consegue ver para lá das lealdades? Não conseguem ver ética em seu lugar? Ou a ética também depende do observador e do lugar?

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  5. 5 5  Planetas - Bruno

    Já sei…vamos todos tomar o Soro da verdade para ver que mais mente!!

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  6. 6 6  T.Mike (Vermelho cor de alface)

    Daniel,
    não vale a pena…
    Respondendo a estes senhores, e porque faz 60 anos que o António Aleixo morreu só me apetece transcrever uma quadra do poeta:

    Ele há gente tão mesquinha
    De tão baixa condição…
    Censuram a vida minha
    Por não ser como eles são !

    Saudações

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  7. 7 7  JV

    Ou seja: se eu colocar microfones na casa de Bruno Alves; se violar a sua caixa de correio e abrir-lhe a correspondência; se entrar no seu computador para ler os seus documentos e descobrir os sites que visita; e se, depois disso, tiver imensas coisas para dizer sobre a pessoa em causa, não se atrevam a querer discutir a moralidade e a legalidade do que fiz

    DO, não se arme em parvo, que não foi isto que sucedeu: o que temos não é um registo materialmente ilegítimo das conversas do PM, obtido com base na violação de uma qualquer regra moral, mas tão-só um registo formalmente ilegítimo das suas conversas, assente estritamente no facto de Sócrates usufruir, injustamente, de privilégios no que concerne à subjugação à lei. Se quer fazer uma analogia, como goradamente intentou no período que transcrevi, isto é o mesmo que estar habilitado legalmente a vasculhar a correspondência de alguém para obter informação sobre crimes que cometa, deparar-se com actos criminosos gravosos para o Estado de Direito cometidos com outra pessoa, e ver-se impedido de fazer tombar sobre ela todo o peso do castigo devido porque ela tem as costas quentes. É com isto que o DO, em nome de formalismo jurídico vazio e estúpido, está a compactuar.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    JV, vá chamar parvo a outro.
    O senhor considera um privilégio não ser escutado. Eu acho que o direito a não ser escutado é a regra, a possibilidade de ser escutado é excepção. E nessa excepção todos os formalismos são pouco e nenhum deles vazio. Considero eu e considera a lei. Quanto ao suposto “privilégio” ele não é para Sócrates, mas para o primeiro-ministro, e tem razões bastante compreensíveis. Mas acontece que ainda por cima estamos a discutir politicamente um conteúdo de umas escutas. Mais: estamos a discutir politicamente umas escutas cujo o conteúdo exacto até desconhecemos. Ainda mais: estamos a discutir politicamente o conteúdo de umas escutas que não conhecemos e que não sabemos se poderão vir a ser usadas legalmente. E ainda mais: estamos a discutir politicamente o conteúdo de umas escutas que não conhecemos, que não sabemos se poderão vir a ser usadas legalmente e que nunca poderiam legalmente ser publicadas em jornais nesta fase do processo em que José Sócrates nem arguido é. Ou seja: para quem, como eu, acha que a possibilidade de se escutar os telefonemas de uma pessoa deve ser absolutamente excepcional num Estado Democrático, há muito que ultrapassamos o que é politicamente admissível. E repito: para escutas, todas os formalismos são poucos. E o senhor, quando lhe calhar a si, achará o mesmo. Porque quem não deve também tem todo o direito a temer o “Big Brother”. Há suspeitas sobre Sócrates? Abra-se um processo seguindo todas as regras e investigue-se.

  8. 8 8  JV

    Ou a ética também depende do observador e do lugar?

    Não, a ética não está, evidentemente, inscrita na mente das pessoas, mas algures fora delas, no alto dos Céus, de onde Deus Nosso Pai a derrama sobre nós, fazendo-a cair como um jorro de luz que nos ilumina a todos por igual. Este blogue está a transformar-se numa missa…

    [Responder]

  9. 9 9  ana

    Se eu não pedi, como ninguem pediu, para me dizerem o conteúdo das escutas, depois de saber, obviamente que, independentemente do Senhor Presidente do Supremo as considerar nulas por motivos processuais, tenho direito de fazer o meu julgamento como cidadã do primeiro ministro do meu pais. Não posso é querer que a justiça actue sem observar rigorosamente a lei. Seja o Sócrates, seja o padeiro.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    O que Ana está a dizer é que, com base em escutas que nem sabe ao certo o que são deve fazer um julgamento? Eu sou mais exigente: quero que justiça investigue.

  10. 10 10  Toninho

    #12 “…Eu sou mais exigente: quero que justiça investigue.”

    Com todo o respeito pelo Daniel mas eu há muito que desisti de esperar pela triunfante descida do “papai noel” pela chaminé.

    Não seria melhor que retirassem às escutas as supérfolas paneleirices íntimas de que nada temos que saber, tornando públicas aquelas que possam envolver interesses de Estado?

    O povo, essa amálgama estúpida onde me insiro e que perde tempo em deslocar-se às urnas nos momentos “apropriados”, faria a devida “jurisprudência”.

    Bom, agora vou ver os prós & contras que promete.

    Se a socretina deixar, é claro.

    Cumprimentos.

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  11. 11 11  fado alexandrino

    Nunca tinha visto de uma maneira tão absoluta pegar-se numa frase, tirá-la do contexto e vesti-la com as roupagens que nos interessam e que são praticamente o contrário do que no texto (como o senhor gosta fui lê-lo) se infere.

    Como o senhor é um perito em futebol lembro-lhe a similitude com o que aconteceu com Pinto da Costa.
    Foi apanhado nas escutas a corromper, não valeram porque os advogados lá arranjaram uma manigância, não foi condenado, mas toda a gente ficou a saber que era um corruptor.

    [Responder]

  12. 12 12  ana

    DO:
    Não. Quero dizer que partindo do pressuposto que sei o conteúdo das escutas, independentemente de juridicamene estas não serem aceites para a investigação, faço um “julgamento” tão legítimo como o que faço ao facto de alguém proceder a escutas sem autorização legal.

    [Responder]

  13. 13 13  ana

    Eu também quero que a justiça investigue. Antes de qualquer julgamento ou mais lixo. Mas investigue mesmo.

    [Responder]

  14. 14 14  manuelmgaio

    Quem não deve não teme:
    Perante um comunicado como o da Procuradoria Geral da República e a notícia da suspeição de eventuais indícios criminais, quero acreditar que a maior parte dos muitos milhares de portugueses, com e sem filiação partidária, que exercem funções públicas, políticas ou não, das mais simples às mais importantes, recusaria qualquer pretexto legal e seria o primeiro a exigir que fosse levantado um inquérito para apurar responsabilidades, de modo a que não restasse qualquer dúvida sobre o seu comportamento no exercício das respectivas funções.
    Felizmente, muitos já nos deram esse exemplo e muitos outros vão continuar a dá-lo, por dever ético, de consciência, de transparência, de lealdade e de salvaguarda da confiança que os cidadãos devem manter nos que escolhe para os representar.

    [Responder]

  15. 15 15  JV

    O DO prova, com o seu comentário, o velho aforismo pessimista segundo o qual tudo o que começa mal acaba ainda pior. De entrada, demonstra uma iliteracia voluntária que lhe fica mal quando confunde a asserção «não se arme em parvo» com a afirmação de que o DO é parvo. O DO, na minha opinião, tem uma característica em comum com Mariano Rajoy, em tempos denunciada por José Saramago – não é estúpido, mas por vezes gosta de dar-se ares disso. E no caso vertente fá-lo confundindo, como já disse, a ilegitimidade formal com a ilegitimidade material na recolha das escutas. Porque o que eu disse não foi que «não ser escutado é um privilégio»: foi que estar a salvo de ser julgado por um tribunal de 1ª Instância é um privilégio, sendo o as escutas perfeitamente laterais para o meu argumento. E um privilégio que colide, ele sim, com um fundamento do Estado de direito, a igualdade perante a Lei, a isonomia de que falavam os gregos. Sócrates livra-se de um processo-crime que eventualmente o leve preso porque usufrui de uma regalia que nenhum PM, nem ele nem ninguém, deve ter – a de ser julgado de maneira diferente da da generalidade dos cidadãos, como se este vogasse acima deles.
    Portanto, aqui o problema não é o conteúdo das escutas, nem a sua discussão política, nem a sua publicação nos jornais. Eu nada disse sobre o assunto, e o DO refere-o a propósito de coisa nenhuma. Aqui o que incomoda é que se está a estatuir em «fundamento do Estado de Direito» a consagração de um foro privativo antidemocrático em essência, e que pode ter sido usado, diz-nos quem investigou o caso… para prejudicar o Estado de Direito! É no mínimo abismante: o DO acha não só que um direito antidemocrático fundamenta a Democracia, arrasando a estrutura da democraticidade, como também não se indigna minimamente contra ele quando é pode estar a ser usado para livrar um PM de um julgamento, atacando com isso a situação conjuntural da Democracia. Não há como entender isto.

    [Responder]

  16. 16 16  Rui Carlos Gonçalves

    “Perante o que eu possa dizer sobre o Bruno Alves, isso será completamente irrelevante e secundário.”

    Independentemente de ser secundária ou não, se com as suas investigações obtiver provas de que o Bruno Alves cometeu um crime, tal também não fará com que eu deixe de considerar o BA um criminoso. É claro que o DO passava também a ser um criminoso, ou algo parecido.

    O facto das provas serem ilegais, e de fazerem com que alguém deixe de ser condenado em tribunal, não impede que eu o considere um criminoso (admitindo que as provas realmente demostram que a pessoa em causa é um criminoso, o que não é o caso, visto que não tivemos acesso a elas)!

    De referir que não estou a dizer que agora devemos começar a escutar toda a gente, mas neste caso elas foram obtidas porque o Sócrates estava a falar com um suspeito (e não porque alguém se lembrou de escutar o Sócrates), e acho incrível que os tribunais se entretenham a decidir se devem validar as escutas ou não, em vez de se decidir se elas têm algum conteúdo que justifique a sua imediata destruição (por conter os tais “segredos de estado”) ou se em vez disso, não só não têm segredos de estado, como têm indícios de crimes. E alguém está preocupado com as outras pessoas que também foram escutadas enquanto falavam com um suspeito?

    Também não estou a dizer que o Sócrates cometeu algum crime, pois as escutas nunca foram divulgadas, mas se isso tivessem acontecido, e se provassem que o Sócrates cometeu algum crime, o facto da sua divulgação ser condenável, não me impediria de condenar o Sócrates também.

    “Considero eu e considera a lei.”

    O Berlusconi também fez uma lei que considerava que ele não devia ser julgado enquanto fosse primeiro-ministro… Os políticos gostam de se considerar especiais, e como são eles que fazem as leis…

    [Responder]

  17. 17 17  xatoo

    10 JV
    isto é realmente mais que uma missa; é uma visita do Papa que chega e impõe: “quero que justiça investigue” (D.O.)
    Como é que a “justiça” pode investigar se foi ela, parte interessada que implantou o sistema de escutas em plena consonância com o núcleo duro do bloco central? (o Siresp c/ extensaõ ao Sitel, Dias Loureiro BPN vendeu-o, Branquinho Lobo primeiro secr. MAI (depois chefe das Policias) comissariou-o, Daniel Bessa ministro MAI aprovou-o, António Costa pôs a funcionar, etc, etc,) enfim, é uma longa estória que se tenta explicar mais ou menos aqui
    esta coisa de sonhar com a independência da “justiça” é mesmo coisa de ingénuos…

    [Responder]

  18. 18 18  Luís Maia

    A propósitos deste caso há perguntas que ainda não obtiveram resposta e há investigações que ainda não se fizeram.

    1-Quantas pessoas estiveram envolvidas nas escutas ao Vara ?
    2-Quem foi a pessoa que vendeu o seu conteúdo ao jornal Sol ?
    3-Se não se sabe a respostas, pergunto se já alguém foi convocado (detido seria eu) para averiguações.
    4-Quanto pagou o jornal Sol por obter essas informações ?

    Se a lei não permitir que se obtenham resposta a estas questões é porque alguns estão acima da Lei

    [Responder]

  19. 19 19  FV

    Sendo as escutas conhecidas (ilegais ou não), não há como voltar atrás, por isso mais valia investigar e punir o que foi descoberto.
    Se as escutas são ilegais, que desencadeiem outro processo e punam também estes culpados. Mas agora fazer de conta que não se descobriu nada de grave parece-me absurdo.

    Exemplo extremo: Se a polícia escutasse uma ameaça de morte, e posteriormente se descobrisse que a escuta foi ilegal, devia-se encerrar o caso logo ali ou continuar a investigar?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    FV, a sua comparação faz pouco sentido já que evitar uma morte nunca pode ser anulado.
    Insiste em dizer que se conhecem as escutas, o que, por enquanto é falso.

  20. 20 20  toulixado

    Pois eu estou com o Bruno Alves, merece todo o meu apoio depois daquele golaço contra a Bósnia.

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  21. 21 21  bisMark

    Rigorosamente correcto o que aqui diz o DO. E vou mais longe: as escutas têm algum fundamento ético? As sociedades futuras hão-de rir-se de “antigamente” se usarem estes meios de prova, como agora nos rimos de “antigamente” se usar a tortura como prova. Que estão regulamentadas…pois, pois, só que os regulamentos são para transgredir. Ainda se os meios de escuta estivessem tecnologicamente aptos para só gravarem o que para o objecto de investigação fosse relevante…

    [Responder]

  22. 22 22  José Bastos

    Que justiça podemos esperar quando num dia nos dizem que as escutas foram destruidas, e no outro que afinal não.
    A todo o ruido já criado junta-se uma manobra de diversão que consiste em fazer acreditar que era José Sócrates o alvo dessas escutas, o que é falso.

    Uma coisa é certa, existe um desnorte evidente no campo socialista.

    De outra tenho poucas dúvidas, o conteúdo destas escutas é pornográfico e, tornado público, exporia o pior do “bas-fond” da política neste país e provocaria o imediato desmascarar da “persona” José Sócrates.
    Por qualquer destas razões isto será travado, custe o que custar.

    [Responder]

  23. 23 23  João Costa

    Daniel, já o vi no Eixo do Mal, e agora aqui, a repetir um argumento que não tem ponta por onde se lhe pegue, já que acima de tudo é falso. A permissa de que as escutas foram ilegais é redondamente falso, já que Armando Vara, estava sob escuta por ordem decretada de um magistrado, de forma perfeitamente legal. Dá-se o caso, de Vara falar com mil e uma pessoas ao telefone, entre elas Sócrates.

    Quanto muito, você pode dizer que a retirada de certidões dessas conversas, com o objectivo de iniciar uma nova investigação, é ilegítima, mas não é a mesma coisa. Andar a repetir até à exaustão o argumento de que as escutas foram feitas com base numa ilegalidade, é que já me parece no mínimo má fé.

    E já agora a minha opinião: acho que se deve iniciar um novo processo, caso as conversas escutadas revelem fortes indícios de crime(s), aceitando que aquelas escutas não possam servir como meio de prova para o novo processo , já que o mandato com que foram obtidas se destinava a outra investigação. Ignorar pura e simplesmente o que lá está, repito, no caso de haver matéria incriminatória, isso sim, seria criminoso.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    João Costa, eu não disse que as escutas eram ilegais. Eu disse que a utilização das escutas era ilegal. Não é a mesma coisa.
    Lá está escrito: “Pois para mim, que tenho a pouca simpatia que sabem por Sócrates e que me preocupo com os que usam o Estado para beneficio próprio, a legalidade da utilização das escutas é, por enquanto, tudo o que me interessa.”
    Ora, se a utilização das escutas em julgamento for ilegal torna-se absolutamente imoral que elas possam ser usadas politicamente, já que o objectivo da sua recolha era e só podia ser exclusivamente para investigação judicial (e só dela poderiam resultar consequências políticas). As escutas são um meio ilegitimo de investigação jornalistica ou política. Por isso, sendo inválidas para um julgamento devem e têm de morrer sem vir a público.
    Outro debate é se a sua utilização é realmente ilegal. E essa decisão cabe ao Supremo Tribunal de Justiça.

    O que me parece é que há demasiadas pessoas que não compreendem o que está aqui em causa: uma nova forma de fazer política, em que a polícia escuta e passa para os jornais e mesmo que a escuta seja inútil ou ilegitima judicialmente passa a ser um facto político o que é dito ao telemóvel. E isso é que me parece extraordinário.

    “acho que se deve iniciar um novo processo, caso as conversas escutadas revelem fortes indícios de crime(s), aceitando que aquelas escutas não possam servir como meio de prova para o novo processo”

    Assino por baixo e não é contraditório com nada do que escrevi. É isso mesmo que quero dizer com “investigue-se”. E no caso de escutas defendo uma feroz defesa do segredo de justiça, para que apenas sejam conhecidas as escutas relevantes para o processo (o do Vara ou o de Sócrates, se chegar a existir) e quando houver acusação. Caso contrário estamos a dar ao poder judicial um poder político muitíssimo perigoso.

  24. 24 24  Pão Metálico

    Eu gostava de comentar o post e deixar aqui a minha opinião, mas vou ter de me abster.
    Tenho receio que o meu comentário seja interceptado.

    [Responder]

  25. 25 25  blocodemarvila.blogspot.com

    depois de “os três pilares da economia”

    Agora:
    Os três pilares da Justiça
    http://blocodemarvila.blogspot.com/

    [Responder]

  26. 26 26  Sebastião Dias

    Admitamos que as escutas efectuadas a José Sócrates não podem ser utilizadas como prova. Admitamos também que nessas escutas estejam conversas reveladoras de actos ilícitos suficientemente graves e passíveis de ser escrutinados.

    Seja o Presidente do Supremo uma pessoa de bom senso, espero que neste momento o PM esteja a ser escutado por telefone e por outros meios, pois os indicios são mais do que suficientes.

    Será que tel está a contecer?

    Certamente que não: não se podem utilizar as provas recolhidas mas também não se investiga daqui para a frente.

    [Responder]

  27. 27 27  Isabel Coutinho

    As escutas foram feitas legalmente a Vara. E se este quiser usá-las para sua defesa, há direito de as destruir, só porque Socrates aparece lá no meio?

    [Responder]

  28. 28 28  José Bastos

    Claro que também se pode dar o caso de Vara e Sócrates apenas terem falado de bola, gajas e colecções de selos.

    [Responder]

  29. 29 29  José Bastos

    “Quem disse “estou-me cagando para o segredo de justiça” não foi António Costa.”

    Entrou na conversa mas a frase não foi dele:

    http://www.youtube.com/watch?v=8FPLhDFaylc

    [Responder]

  30. 30 30  The Studio

    O Daniel Socretino Oliveira,

    Como já lhe explicaram as escutas eram legais. Sucedeu que, aparentemente, foram descobertos indícios de novos crimes durante essas escutas, que não aqueles que estavam a ser investigados. Quando um inspector da PJ se depara inopinadamente com indícios de crime, o que acha que deverá fazer?

    Se quer um conselho, mude de partido Daniel.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    The Studio, pela enésima vez: leia o texto. Eu nunca disse que as escutas eram ilegais. Disse que a sua utilização será ilegal. Não é a mesma coisa.

    Não perco tempo a dizer o que penso de Sócrates, porque quem visita este blogue, incluindo o senhor, sabe bem a minha opinião sobre a figura. Mas, ao contrário de si, tenho alguns principios que estão antes da minha oposição política a alguém. Basta visitar o seu blogue ou ler os seus comentários aqui para perceber que o senhor nunca compreenderá do que estou eu a falar. O senhor move-se quase em exclusivo pelo ódio (aos gays, aos imigrantes, aos muçulmanos, aos políticos e partidos que lhe são mais distantes) e pelo ódio tudo vale. Eu movo-me pelas minhas posições políticas. E tenho algumas em relação àquilo que deve ser o poder policial do Estado (como sabe e tanto o irrita – nessas alturas lembra-se como sou bloquista, agora manda-me mudar de partido, depende como lhe fá jeito), sobre o jornalismo e sobre a Justiça. Não as mudo só porque era melhor para atacar um adversário. Devia tentar fazer o mesmo. Tem uma vantagem: dá-nos alguma autoridade moral.

  31. 31 31  Carlos

    Daniel, perdoe-me a correcção à citação que fez no último “Eixo do Mal”. O poeta citado é Carlos Drummond de Andrade e não Chico Buarque.

    QUADRILHA

    João amava Teresa que amava Raimundo
    que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
    que não amava ninguém.
    João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
    Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
    Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
    que não tinha entrado na história.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Carlos, bem sei e mal passamos para as imagens pensei corrigir por me ter apercebido do disparate que tinha acabado de dizer.
    Mas já iamos para outro sentido e não ficava bem.

  32. 32 32  isagt

    Considero as escutas, um meio de investigação, como qualquer outro, desde que devidamente autorizadas por um Juíz. Aqui será importante considerar que não deveria chegar a Juíz, qualquer um, pois que Justiça teremos nós, se não se puder confiar, na sua competência e imparcialidade?
    Partindo deste importante pressuposto e numa investigação, já com fortes indícios criminosos, tenho que acreditar que a autorização será baseada na necessidade de prosseguir a investigação e não, por causa de qualquer outro motivo mais obscuro e aí, o juíz se não tiver provas suficientes, terá que o negar aos investigadores e se calhar, estes por sua vez deveriam poder pedir, um segundo parecer a outro juíz, no caso de duvidarem da sua imparcialidade.
    Agora, tudo poder acabar na mão de apenas 2 pessoas (PGR, PSTJ), que em nome da Justiça, podem fazer avançar ou anular tudo, um poder absoluto num longo processo que pode voltar à estaca zero, aí não me sinto tão confiante, pois onde houver uma maior concentração de poder é onde a falha pode ser maior.
    Não tenho qualquer interesse em saber o que estava nas escutas, mas quero acreditar que vivo num país onde a Justiça funciona do princípio até ao fim, doa a quem doer.
    O problema está nas excepções, seja alguém estar acima da lei ou pôr o assunto ao nível das novelas de cordel e um bom exemplo será o caso de Nixon e dos dois jornalistas que levaram um Presidente da América, a demitir-se.

    [Responder]

  33. 33 33  Miguel L

    Este caso tem vindo a revelar o inexplicável poder da sucata em Portugal. ;-)

    Porque vai o braço do sr. Manuel Godinho tão longe?

    Ver uma opinião interessante em “Últimas”: A Verdade da Mentira:

    http:www.classemedia.biz

    [Responder]

  34. 34 34  Luís Vicente

    O absurdo dos defensores das escutas “à outrance” é evidente nesta frase de António Cunha: “Portanto você acha bem que, toda a gente sabendo que Pinto da Costa corrompeu meio mundo da arbitragem, que existam provas que o confirmam, tenhamos pois que aceitar a sua inocência pois as escutas não servem como prova”

    Bem, ou existem provas, ou não. Se as escutas são as únicas provas que existem e não são válidas…lamento, mas a investigação que fosse competente! O problema é que esta gente acha que a única tarefa da polícia e do MP é fazer escutas. Se fossem competentes, mesmo não podendo usar as escutas, não deixariam de apertar o cerco até encontrar provas válidas.

    Mas o pior é que pelo ódio ao Sócrates estão dispostos a deitar para o lixo mais de cem anos de progresso contra o arbítrio do poder. No dia em que aceitarmos que podemos escutar toda a gente, porque “quem não deve não teme” (bela tirada moralista), acaba o Estado de Direito. Esta gente tem saudades da RDA…

    [Responder]

  35. 35 35  Spartakus

    1. Sócrates não foi escutado. Foi apanhado em escutas ( legais ) ao seu amigo Vara.
    2. Sócrates não é só mais um cidadão. É também primeiro ministro.
    3. O que é válido para atacar Berlusconi ( e bem, aliás ) já não serve para o menino d’ouro?

    Cumprimentos.

    [Responder]

  36. 36 36  João Costa

    Daniel, a sua defesa “tout-court” do segredo e justiça, parece por vezes revelar alguma ingenuidade, ou autismo. Então o Daniel acha que as sucessivas violações do segredo de justiça acontecem por que razão? Acha que quem escarrapacha na comunicação social notícias sobre processos em segredo de justiça, o faz por puro gozo ou por estar corrompido pelos “media”?

    Não lhe ocorre, que num sistema de justiça, em que o Procurador Geral da República é nomeado pelo Presidente da República, sob proposta do Governo, e em que o Director Nacional da Polícia Judiciária, é nomeado directamente pelo Ministro da Justiça, possam existir constrangimentos na prossecução de investigações que envolvam altas figuras do estado, nomeadamente as que decidem sobre estas nomeações?

    Então, eu garanto-lhe que estas fugas acontecem fundamentalmente por um motivo: é a forma mais eficaz, embora perversa, que os investigadores encontram, para tornar irreversíveis, investigações que de outra forma ficariam a marinar em cima das secretárias da P.J. ou P.G.R., por pressão do poder político. Não, não ando a ler livros do Dan Brown, nem sou dado a teorias da conspiração, simplesmente não ando a fingir que vivo num país em que o Poder Político e o Poder Judicial são independentes um do outro.

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  37. 37 37  isagt

    “A verdade não conhece perífrases, a justiça não admite reticências.”
    Guerra Junqueiro (1850-1923)

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  38. 38 38  Raoul de Joinville

    A PIDE deixou um legado sinistro à mentalidade portuguesa…

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  39. 39 39  PedroM

    “Ou seja: se eu colocar microfones na casa de Bruno Alves; se violar a sua caixa de correio(…) ”

    Caro Daniel, começou mal. O que este parágrafo pretende dizer com a comparação é que foram colocados microfones no telefone de Sócrates. Mas isso já foi bem apontado pelo #28 João Costa.

    Agora ao que interessa. Vou dar um exemplo semelhante ao caso em questão e colar o Daniel ao que aqui defende, metendo-o no filme:

    Se, numa escuta (ou filmagem) legal a um determinado indivíduo (previamente validado por um juiz), suspeito de ter praticado (ou praticar) crimes, surgisse casualmente o dito indivíduo com a sua mulher (não sei sequer se tem; é apenas pela argumentação) numa cena amorosa. Um coisa do estrito domínio da esfera privada e intima, portanto.
    Acontece que essa gravação chega ilegalmente ao domínio público (ou parte dela, alegadamente), quebrando-se o segredo de justiça.

    Ora, o que está nesta gravação não constitui ilícito criminal nenhum. Então, uma vez que a sua utilização não pode ser considerada para os fins para a qual foi feita – e acrescido o facto de o Daniel ter tomado conhecimento delas através doutro crime (quebra do segredo de justiça), só lhe restaria um caminho: continuar alegremente casado (ou junto, tanto faz), a amar e ter pela sua mulher a consideração e respeito que sempre teve, uma vez que tais factos são para o Daniel ignorar pelas razões acima descritas (por mim e por si).

    O que o Daniel diz é que consegue passar uma esponja no que viu e se abstém de fazer qualquer juízo ou interpretação e tirar outras consequências, pois “a legalidade da utilização das escutas é, por enquanto, tudo o que me (lhe) interessa.”. Faz sentido?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    PedroM: acontece que com quem eu vivo ou deixo de viver apenas a mim me diz respeito e uma separação também. Posso ate querer acabar uma relação porque desconfio de infidelidade sem ter qualquer prova ou até indicio. Apenas porque acho que sim. Os mesmos critério não se aplicam ao debate político. Claro que o Pedro e eu podemos ter as nossas convicções sobre o que aconteceu. Isso ninguém pode proibir ou sequer achar ilegítimo. Outra coisa é trazer isso para o debate publico. Seria o mesmo que o Pedro (se não se importa passamos para si e para a sua mulher) achar que tem legitimidade para pôr o video na Net. Está a ver a diferença?

  40. 40 40  Júlio de Matos

    Diz Daniel Oliveira:

    «Porque, se invertermos a ordem destas prioridades, até podemos confirmar que Sócrates é tudo o que imaginamos que é mas, ao mesmo tempo, pomos em causa algumas conquistas importantes dos últimos 35 anos».

    Está aqui tudo: em primeiro lugar, a insidiosa proclamação «[até podemos confirmar que] Sócrates é tudo o que imaginamos que é»!

    Mesmo querendo mostrar-se isento e racional, a um nível consciente, o Daniel Oliveira não consegue esconder o seu pérfido e recalcado subconsciente. Deixe-me dizer-lhe que essa imaginação delirante, que desta forma espelha, é uma das características mais demolidoras da psicologia das multidões: aquilo que “nós imaginamos que os outros são”, regra geral, é tão vergonhoso que deveríamos ter pudor sequer de o admitir para nós, quanto mais de o mencionar publicamente (ainda que para um público em geral tão mesquinho e vulgaróide, nojento e abjecto, que se lambuza de ódio e de intolerância ignorante e estúpida a cada comentário).

    O que “nós imaginamos que o Sócrates é”, ou que o Cavaco é, ou que o Isaltino é, ou que o Dias Loureiro é, ou que o Pinto da Costa é, ou que o Paulo Portas é, ou que o Souto Moura era, ou que o Cunhal foi, ou que o Hitler foi, é nem mais nem menos o combustível de que se alimenta a calúnia, a insídia, a denúncia do vizinho, os julgamentos populares e os linchamentos.

    Por outro lado, acerta em cheio quando diz «pomos em causa algumas conquistas importantes dos últimos 35 anos»: toda a gente de bem sabe que, mais do que destilar ódio contra o Sócrates, o que se procura no fundo com tudo isto é precisamente pôr em causa, não algumas, mas mesmo TODAS AS CONQUISTAS importantes dos últimos trinta e cinco anos!

    Neste aspecto, honra ao Daniel Oliveira que aparentemente não sucumbe à histeria suicida de certos “maiorais”, armados em justiceiros de ocasião (porque lhes convém, isto é, porque lhes escasseiam dramáticamente os argumentos para a discussão política), e continua a distinguir os PRINCÍPIOS e os VALORES que constituem o património mais valioso, diria mesmo sagrado, do 25 de Abril!

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Júlio, eu tenho direito de imaginar tudo o que queira. Não faço é acusações com base na minha imaginação.

  41. 41 41  Very

    Daniel Oliveira, haja a coragem de acabar com todas as escutas. Não encontro nenhuma vantagem nas escutas, a não ser um ataque violentissimo à liberdade. E como sou filho de Abril a minha luta continua. Hoje a liberdade que cada um de nós tem é menor do que a que tinha em 24 de Abril de 1974.

    [Responder]

  42. 42 42  Júlio de Matos

    Daniel, em política, como bem sabe, o que parece é!

    Pode não fazer acusações, sim, mas dizer neste “blogue” a frase de que visceralmente discordei e que não me canso de lhe repetir (“Sócrates é tudo o que imaginamos que ele é”), ainda por cima pondo o sujeito no plural, para assumir um julgamento já colectivo, se não é uma acusação, é uma presunção pública da mesma.

    Se não concorda, eu aceito. Mas experimente lê-la como um seu leitor e admirador e imagine o que vai REALMENTE

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Júlio, acho que nem sequer percebeu a quem me dirigia quando usei o plural e que aviso estava a fazer à navegação. Por isso está, não me leve a mal, a fazer o debate ao lado. O que se diz é isto: temos direito a ter má opinião sobre uma pessoa e a desconfiar da sua conduta, isso não nos dá o direito de esquercer princípios éticos e regras democráticas. O que faz o senhor? Fica a discutir se temos o direito a ter má opinião sobre uma pessoa e a desconfiar da sua conduta.

  43. 43 43  Júlio de Matos

    ser entendido (sobretudo pelos maus entendedores, claro…)!

    [Responder]

  44. 44 44  Socrates

    DO em Democracia todos os edificios do Poder (Legislativo, Executivo, Judicial, Local, etc) deveriam ser de vidros e deixar que se ouvisse tudo.

    Eu nao me importo de ser escutado e espiado, agora nao sei e’ se valera’ muito a pena pois eu nao tenho o poder de um Primeiro Ministro ou outros, o dinheiro investido se calhar nao iria ter grande retorno, a nao ser que ande a corromper ou a encobrir milhares ou milhoes de euros em favorecimentos, que nao ando.

    Volto a dizer, quem nao deve nao teme e Jose’ Socrates se quer ter a confianca das pessoas devia era esclarecer ao Povo Portugues o conteudo das escutas, caso contrario andamos aqui em honestidades podres e que ja’ comecam a cheirar demasiado mal.

    [Responder]

  45. 45 45  Socrates

    Ja agora acho piada virem dizer que destruir as escutas e’ preservar o que foi conquistado no 25 de Abril… Sai um ditador, entra a ditadura da corrupcao protegida pelo chamado “Estado de Direito”. Falhamos redondamente entao.

    [Responder]

  46. 46 46  PedroM

    Daniel, o post #47 não lhe merece nenhum comentário?

    Gostaria de saber como é que encaixa a sua argumentação naquela situação.

    É costume raramente responder ou comentar situações em que o coloquem perante uma situação bem concreta e entreter-se (e a nós, claro) com coisitas de pormenor. Pelo menos por mim falo.

    Sinceramente, se o objectivo não for esse (debater e explicitar ideias e pontos de vista diversos) diga, que não perderei mais tempo aqui.

    [Responder]

  47. 47 47  José Luiz Sarmento

    Daniel, eu não quero que o cidadão José Sócrates seja punido sem que se prove cabalmente a sua culpa e sem que sejam observadas todas as formalidades que são, como você bem diz, conquistas civilizacionais irrenunciáveis.

    Mas José Sócrates não é só um cidadão, é um político. E um político é como um vendedor de carros usados: ele é que tem que provar que merece a minha confiança, não sou eu que tenho que provar que a não merece.

    Parece-me inaceitável que as formalidades jurídicas que servem para proteger os cidadãos contra as arbitrariedades do poder sirvam também para proteger os políticos contra o julgamento dos cidadãos.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    José, acontece que o instrumento da escuta só é admissível para uso juridico. E só depois de ter esse uso é que, graças a todos os procedimentos formais, tem leituras políticas. Não se pode transformar, antes de mais, num instrumento de avaliação política. Imagina os perigos que isto tem? É que é realmente isso, e não Sócrates, que me preocupa.

  48. 48 48  LAM

    (referindo-me directamente ao post do Daniel), a situação, de usar as escutas como prova e daí publicamente fazer o julgamento, não é nova e não consta que noutras situações passadas tivesse havido o mesmo cuidado. Pegando no caso do “apito dourado” por ex, em que toda (3 casos) a acusação e “convicção” pública baseada única e exclusivamente nas escutas, ditou quase o fim do Boavista (ou o fim mesmo, ainda se há-de ver).

    E isso não foi coisa que mexesse unicamente com uma pessoa (o que no caso seria e foi irrelevante) mas ditou quase o fim de uma instituição com mais de 106 anos de história. E aí, tirando os próprios adeptos e simpatizantes, houve “unanimidade nacional”.

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  49. 49 49  Lusitânea

    Aquele de não gosta nem nunca gostou(o botas claro) dizia que em política o que parece é.Sócrates é um africanizador e um mafioso.Só os papalvos é que não o vêm…

    [Responder]

  50. 50 50  Lusitânea

    Aquele de QUE…

    [Responder]

  51. 51 51  PedroM

    #58 Daniel Oliveira
    “acontece que o instrumento da escuta só é admissível para uso juridico. E só depois de ter esse uso é que, graças a todos os procedimentos formais, tem leituras políticas.”

    Acabei de lho provar (post #47), apesar do seu óbvio incómodo, que é falso!

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  52. 52 52  xatoo

    48 Júlio de Matos
    eh, eh, eh fazes bom fundamento do nick que usas: “o património sagrado do 25 de Abril…” – calcula-se que, por contaponto, se poderá dizer em vez disso “o património profano do 25 de Novembro”, mas isso sou eu, ateu que me confesso, que estou a precisar de ir à missa… com urgência, que é para compreender como é que o poder da justiça não está na ponta das espingardas

    [Responder]

  53. 53 53  PedroM

    Daniel, grande confusão…

    Para já, pode ser a minha mulher a servir de exemplo. Quando o usei como exemplo (e desconheço em absoluto e pouco me interessa a sua situação conjugal) foi apenas para se colocar na situação e sentir na pele o caso. Obviamente que eu, para ter dado o exemplo, já me pus nessa pele. E como tal, posso garantir-lhe que outras consequências teria tal descoberta, apesar de conhecida através de meios ilegais. Não tenho essa capacidade de “reset”.

    Mas explicando a confusão:

    1- “Os mesmos critério não se aplicam ao debate político”.
    Acha então que, no exemplo que dei, se podem tirar outras ilações e consequências e discutir o caso com os interessados (eu e a minha mulher) mas se o assunto em causa for político já não? É que, neste caso, os interessados somos todos nós!
    “acontece que com quem eu vivo ou deixo de viver apenas a mim me diz respeito”, disse o Daniel e eu concordo. É privado. Política é interesse público. Daí a discussão envolver os interessados e não apenas os envolvidos (que no meu caso seriam coincidentes – eu e a minha mulher).

    2- ” Seria o mesmo que o Pedro (se não se importa passamos para si e para a sua mulher) achar que tem legitimidade para pôr o video na Net.”
    Mas foi o Sócrates ou o Vara quem pôs as escutas nos jornais? É que, pelo que percebi, alguém que não os envolvidos o fez mas sim terceiros. Logo, não faz sentido a observação. Apareceu, pronto. Está lá

    Se o exemplo o melindrou peço desculpa mas não foi essa a intenção mas sim que o Daniel (e os que o leram) se ponham nessa situação. E muitos mais casos se poderiam dar. Sentia-se confortável se soubesse, pelos mesmos métodos deste caso, que um professor dum filho pequeno seu (é apenas exemplo; não sei se tem ou não) fosse um pedófilo inveterado? Ignorava e não ponderava sequer nada? Não tomava providências? Não se exigiam medidas?Eu garanto-lhe que as tomava.
    É que, por mais que uma marretada na cabeça seja feita de forma ilegal, não é possível fingir que não sentimos a dor.

    Para terminar, já não é a 1ª vez que o Daniel faz considerações a vários níveis sobre factos vindos a público através de escutas ou imagens obtidas de maneira ilegal, uma vez que o “instrumento da escuta só é admissível para uso juridico”. Estava a lembrar-me, por ex, daquele caso indecoroso da IURD (ou alguma deita parecida) no Brasil, onde o padrinho da coisa gozava com aquilo tudo. Não há crime mas há tudo o resto. E deve ser comentado e discutido. E o Daniel fez bem. Não aceito é que o possa ser em todos os planos (como os exemplos que dei e que o Daniel não refutou), como o ético, moral, carácter, etc, menos no político.

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  54. 54 54  PedroM

    E o mais gritante foi o “apito dourado”. Escutas consideradas ilegais em tribunal.

    “acontece que o instrumento da escuta só é admissível para uso juridico”, disse o Daniel mas isso não bastou para que não comentasse e tirasse as suas conclusões, certo?
    O que discutiu (e muita gente) não foi se as escutas eram admissíveis como prova ou não e se deviam ser presos mas sim que existiam. E que os envolvidos nunca se prestaram a declararem-nas falsas. Daí, podermos fazer todo o tipo de juízos sobre os personagens em questão. Conta para quê? Para tomarmos cada vez mais consciência cívica sobre quem nos dirige os destinos.

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  55. 55 55  Sebastião Dias

    Vamos sim discutir o que é mais importante para o país:

    (Hoje no I on-line)

    QUÍMICOS DOS PLÁSTICOS FAZEM NASCER RAPAZES MAIS FEMININOS

    Químcos presentes em plástico tornam os cérebros dos bébés mais femininos, aponta um estudo recente. Crianças que, ainda no ventre da mãe, sejam expostas a doses elevadas do químico ftalato, têm menos probabilidades de brincar com brinquedos mais “masculinos”, como carros. Estão também menos inclinados para participar em jogos mais agressivos.

    Este estudo é mais uma prova de que alguns químicos presentes em milhares de produtos caseiros estão a interferir com o desenvolvimento das crianças. Activistas ambientais já disseram que o estudo é “bastante preocupante” e exige uma intervenção.

    Os Ftalatos são químicos capazes de replicar o estrogénio. Alguns especialistas acreditam que são um dos responsáveis pelo aumento de deficiências genitais nos rapazes. Contudo, este é o primeiro estudo a estabelecer uma ligação comportamental.

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  56. 56 56  PedroM

    Num post com esta temática e com a posição assumida pelo Daniel, já repararm nos anúncios que estão à direita da página?

    “Instala o Localizador”
    “Investigação Comercial e Privada”
    “Localizar Pessoas por GPS”
    “Telemóvel Espião”

    Há com cada coisa… São as ironias da vida.
    Enfim, sinais dos tempos.

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  57. 57 57  cafc

    E, de repente, recordei-me de “1984″, de George Orwell.
    Também me lembrei das “guerras e guerrilhas” que as “instituições da justiça” andam a travar, entre si, para controlar o “sistema”.

    Deixo-vos “isto”, e adaptem-no aos “tempos modernos”:

    “Foram-se os bandos de chacais
    Chegou a vez dos tribunais
    Vão reunir o bom e o mau ladrão
    Para votar sobre um caixão
    Quando o inocente se abateu
    Inda o morto não morreu.

    A decisão do tribunal
    É como a sombra do punhal
    Vamos matar o justo que ali jaz
    Para quem julga tanto faz
    Já que o punhal não mata bem
    A lei matemos também.

    Soa o clarim soa o tambor
    O morto já não sente a dor
    Quando o deserto nada tem a dar
    Vêm as águias almoçar
    O tribunal dá de comer
    Venham assassinos ver.

    Se o criminoso se escondeu
    Nada de novo aconteceu
    A recompensa ao punho que matou
    Uma fortuna a quem roubou
    Guarda o teu roubo guarda-o bem
    Dentro de um papel a lei.

    (Coro dos tribunais, de ZECA AFONSO)

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  58. 58 58  Xico

    Para animar mais a discussão e, sobretudo, para ajudar a abrir a cabecinha do camarada Daniel recomendo a leitura da crónica da Mário Crespo. E só ler nas entrelinhas….tem lá tudo.

    http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo

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  59. 59 59  Carlos Marques

    Então e o artigo que o Nicolau Santos publicou no último Expresso?

    Qualquer dia ainda o Daniel anda a falar no Estado de Direito e já Portugal não existe.

    Estado de Direito é o Tribunal de Contas ser fintado à custa dos contribuintes?

    [Responder]

  60. 60 60  Bolota

    “ Eu sou mais exigente: quero que justiça investigue. “

    DO,

    Tá com´amim.

    Mas…uma coisa é escutar o Bolota, que não deve ter grande interesse em ser escutado, a não ser as conversas c´a Balbina e pouco mais, outra é escutar quem ultimamente aparece em tudo o que é falcatrua.

    Anular as escutas porque pode por em perigo…mas que merda de 1º Ministro é este que ao telefone fala em segredos de estado??? Assim sendo, não há que destruir nada.

    Mais, com todo o direito que os escutados tenham em preservar o que falaram, eu no mínimo, tenho o direito em ter opinião e, a minha opinião é esta.

    O problema não são os ridículos 10.000 euros que Vara recebeu…o problema são as carradas de dinheiro que os partidos de poder ( PS,PSD,CDS) consomem para alimentar as suas clientelas e que tem de vir de algum lado. O lado, neste caso chama-se Godinho, noutros chama-se Preto, Brancos e amarelos…importante é que a maçaroca apareça a qualquer preço.
    Isto tem um nome que pouca gente pronuncia, FINANCIAMENTO DOS PARTIDOS.

    Investiguem profundamente esta área obscura da politica e verá que a corrupção tal como a conhecemos, não desaparecendo, toma outros contornos.

    [Responder]

  61. 61 61  José Bastos

    As escutas só poderiam ter sido consideradas nulas pelo Presidente do STJ, e ordenada a sua destruição, por uma de duas razões;

    1 – Não terem sido legalmente autorizadas

    2 – A necessidade de proteger irmãos obreiros

    [Responder]

  62. 62 62  Bolota

    DO,

    Quem mesmo sem rendimentos não entregar a declaração é multado como muitosssssssssssssss reformados foram, situação que o BE levantou e bem , por seu lado , José Penedos não entrega declaração no TC há dez anos 10.000 euros??? Esta cambada mais parecem os irmãos metralha.

    Ainda a escutas, segundo se vais sabendo aqui e ali, o seu continuado não tem nada a ver com segredo de estado e muito a ver com conversas corriqueiras ou muito em ingerência em empresas de comunicação social. Dai, destruir porquê???

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  63. 63 63  ana

    Uma questão que ainda não encaixei bem é como num “Estado de Direito” as escutas passaram a ser um problema, uma tortura, quando se começou a investigar os políticos! Quando investigam passadores de droga toxicodependentes nunca ouço nínguem falar sobre a evasão da vida privada dessas pessoas.
    Ou há pessoas mais iguais do que outras?

    [Responder]

  64. 64 64  ana

    *invasão dsc

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  65. 65 65  Manuel Pacheco

    Daniel
    Ofereço estes dois versos do meu amigo Rodela.
    Um dedicado ao Zeca Afonso e outro a lembrar António Aleixo.

    “Saudades do Zeca Afonso”

    Povo de Abril!… sai à rua
    A vinte e três de Fevereiro…
    Faz serenatas à Lua,
    Recorda o teu cancioneiro…

    Não rezes meu povo, canta!
    Porque quem canta a razão,
    Traz o Zeca na garganta
    E o credo no coração.

    Abril, tempo de fartura,
    Funeral da ditadura,
    Zeca Afonso e liberdade…

    Mas disto já nada resta,
    Só a viola se presta…
    P´ra me matar a saudade.
    ____

    “O graxa da minha rua”

    Quantos cá me chamam graxa
    Troçando da profissão,
    Mas eu vivo desta caixa
    Não de engraxar o patrão

    Os rapazes nas esquinas
    C´os sapatos que eu engraxo,
    São espelhos das meninas
    Pela minha rua abaixo…

    Sinto-me um graxa orgulhoso
    Toda a arte tem segredos,
    Sei pôr um moço vaidoso
    Com as pontas dos meus dedos.

    Não sou polidor de esquinas,
    Mas dou-me bem com os ladrões,
    Sou companheiro de ardinas,
    Aliam-se as profissões…

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  66. 66 66  Júlio de Matos

    «O que se [Daniel Oliveira] diz é isto: temos direito a ter má opinião sobre uma pessoa e a desconfiar da sua conduta, isso não nos dá o direito de esquecer princípios éticos e regras democráticas. O que faz o senhor [eu, Júlio de Matos]? Fica a discutir se temos o direito a ter má opinião sobre uma pessoa e a desconfiar da sua conduta».

    Caro Daniel, nada disso. Percebi todo o significado do seu texto, mas assumo estar a fazer o debate talvez ao lado, se quiser, eu diria um degrau mais à frente, se me permitir, pensando precisamente naqueles que não o saibam ler e interpretar tão bem quanto você merece (sabe, eu já dei aulas de Matemática, no Secundário, e sei bem que a mesma linguagem tem efeitos muito distintos, consoante o grau de preparação dos receptores da mensagem).

    Vamos lá a ver se nos entendemos desta: a questão não é o direito a ter má opinião sobre uma pessoa, ou a desconfiar da sua conduta: o problema mesmo é usar essa convicção íntima num fórum público como se fosse um facto inquestionável!

    Uma coisa seria, por exemplo, eu dizer aos meus compinchas lá da taberna “eu acho (sim, “acho”…) que o Presidente da República Prof. Cavaco Silva (ou qualquer outra distinta e alta individualidade, como o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ou o Senhor Procurador-Geral da República) é um finório, um aldrabão compulsivo, um incompetente político, um carácter fraco e cobarde e um oportunista sem quaisquer escrúpulos!”. Ninguém me daria sequer ouvidos: era tão irrelevante quanto a minha própria opinião…

    Outra coisa, bem diferente, seria o meu grande amigo Miguel Bombarda, Director do prestigiado Semanário “A Voz do Povaréu”, lido por milhões de portugueses, escrever um Editorial a dizer “Calma, meus amigos, bem sei que todos nós fazemos uma ideia muito precisa do que ele deve ser; contudo, temos de parecer muito bem educados e respeitadores da Lei e não o dizer explicitamente, deixar apenas que essa ideia se vá infiltrando insidiosamente no subconsciente colectivo, até ser finalmente apercebida como um facto indesmentível pela esmagadora maioria dos leitores, que aí teremos obtido os mesmíssimos resultados que obteríamos violando as sacro-santas regras, mas sem prejuízo das nossas respeitabilidades, nem das nossas consciências (assumindo que alguns ainda a tenham)!”.

    Ainda estou a fazer o debate ao lado?

    (Presumo que, no nosso meio jornalístico, nunca ninguém tenha ouvido falar de um tal Prof. Dr. Josef Göbbels…)

    [Responder]

  1. 1 Tweets that mention Arrastão: Isto é escrito por um daqueles senhores que vive com Estado de Direito na boca -- Topsy.com
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