A falta de objectividade e equilíbrio da imprensa inglesa em relação ao jogo com Portugal, tal como sucedera com a imprensa portuguesa a quando do jogo com a Holanda, é mais uma prova de uma evidência: não há jornalismo desportivo. Há líderes de claques que escrevem em jornais e fazem comentários em televisões. Ou, na melhor das hipóteses, há vendedores de notícias que escrevem o que os leitores querem ler. Se isso não se sente de forma clara nos campeonatos nacionais, porque há públicos com opiniões contraditórias, quando chega às selecções a parcialidade, que às vezes roça a imbecilidade, parece estar inscrita no código deontológico.
Os comentários a este vídeo, que teve, em apenas um dia, quase 200 mil visitas, dizem quase tudo. Há uma semana, também Rodrigo Guedes de Carvalho, na SIC, depois do jogo com a Holanda, usou de termos completamente despropositados. Quando chega à bola, os jornalistas acham que deixam de ter obrigações profissionais.
Por Daniel Oliveira 4 Jul 06 em Sem categoria


Isto é mesmo assim, quando o prazer de ver um bom jogo de futebol é substituído por teorias e perspectivas belicistas sobre a modalidade, tudo vale à semelhança de uma guerra.
Grave é também pensar que os jornalistas descartam assim tão facilmente a sua credibilidade jornalística em prol dum jogo, imagine-se o que se passa qunado “valores mais altos se levantam”.
Também é de lamentar a ofensa que o jornal o Jogo lança ao jogador Ribery da França porque este se enganou e disse que Scolari era um bom jogador. O jornal apelida-o de idiota…eu que não compro jornais desportivos tive assim uma motivação adicional para não comprar.
É a guerra dos novos tempos, com a ética de sempre (ausência dela).
Felizmente a BBC digital tem uma opcao para retirar os comentarios e so’ escutar o som do estadio…
Mas “jornalismo” desportivo, é jornalismo? São futeboleiros que escrevem, basta reparar nos trÊs pasquins portugueses dedicados á bola, que não ao desporto que é sempre atirado para umas notas de rodapé. Mas enfim, como o dito cujo sério tambem anda pelas ruas da amergura.
Posso indicar de repente uma duzia de nomes que fazem, em inglaterra, jornalismo desportivo, aliás, jornalismo desportivo como não há jornalismo politico ou cultural no portugal do Daniel. O Daniel, na sua eterna pressa, não diz o que quer nem sabe o que diz. Ao menos que tenha consciência disso. E não me venha com aquelas merdas de que gosta de “provocar” e mais não sei o quê.
Infelizmente esse tipo de jornalismo existe apenas em Inglaterra.
Basta ver o que aconteceu no Euro 2000 no jogo contra a França quando o Abel Xavier colocou a mão à bola e foi marcado penalty. Durante quanto tempo foi defendido que não era penalty? Só espero que hoje, contra a França, não aconteça nenhum lance parecido.
Sou jornalista desportivo e aceito, porque partilho dessa ideia e sou já de uma geração mais antiga à juventude que se vê desbragada por ecrãs e colunas de opinião, todas as críticas feitas.
Tenho vergonha, até, de colegas de trabalho, mesmo no meu jornal.
Tenho pena de sozinho, embora saiba de outros colegas da minha geração que comungam dos mesmos ideais, não poder mudar a situação.
O problema começa nas altas esferas editoriais/ditatoriais, subjugadas aos ditames económicos das administrações que têm de zela pelo interesse dos investidores.
Esta é a cadeia que nos prende e à qual muitos se atam deliberadamente porque não se preocupam com o produto jornalístico.
Chega ou querem mais?…