Nunca fui fã de Cosmo Kramer que no seu humor apalhaçado fica a léguas dos meu heróis: George Constaza e Elaine Benes. Mas o seu papel é aquele e não me recordo de ninguém capaz de o desempenhar melhor do que Michael Richards.

Mas depois de ver as imagens de Michael Richards a insultar os “pretos”, num ataque de raiva (e nãoi de humor) incompreensível, não conseguia olhar para ele da mesma maneira. Claro que todos temos na vida maus dias e felizmente não há sempre um telemóvel para os registar. Mas esses maus dias não costumam ser, espera-se, tão maus como este nem em cima de um palco. E isso faz toda a diferença. Em cima de um palco, como na televisão, os maus dias pagam-se caro. E é assim que deve ser.

Não se trata de punir o actor. Se é bom, não é por ser um pulha que o deixa de ser. Mas, por mim, tinha deixado de lhe conseguir achar graça.

Vi agora o seu pedido de desculpas. Não é aquele pedido de desculpas da praxe, à Hollywood. Diz coisas, coisas simples e importantes, que um racista não saberia dizer. Sentimos que estamos a presenciar uma conversa que não é connosco, que não devia ser ali. Muito menos com aquele público, incapaz de distinguir a realidade da ficção – quem se ri de tudo é tão bronco como quem não se ri de nada. Confesso que me rendi. Felizmente Michael Richards tinha Jerry Seinfeld como amigo. E para os amigos um mau dia doutro amigo não é mais do que um mau dia. Como tem de ser.

Ao contrário do que se passa com Michael Richards, a frase racista de Mel Gibson, há uns meses, sobre os judeus, poderia ter tido uma pequena vantagem. Se se tivesse perdido uma carreira, não se tinha perdido grande coisa.

(Este video via 5 dias)

Li por aí alguma opinião que critica Michael Richards para depois recordar que os negros americanos também já mostraram, noutras ocasiões, que são bem capazes de ser racistas. É indiscutivel. Só que a necessidade deste “mas…”, neste caso, não diz nada sobre o caso e diz tudo sobre quem o escreve.


Sem respostas ao post “Kramer contra Kramer”  

  1. 1 1  SemNome

    Peço desculpa pelo off-topic Daniel, acho que vais adorar este videoclip:

    http://www.youtube.com/watch?v=7KWlOOhShhs

  2. 2 2  Lopes

    Fico cada vez mais atordoado com o teu condão para deturpar a realidade…

  3. 3 3  Daniel Oliveira

    Explique-se, Lopes.

  4. 4 4  ti burçio anti-traidores de gema

    Brancos do mundo inteiro uni-vos

  5. 5 5  Pacheco

    Ultimamente parece que un esgoto se abri-o,aqui no arrastão,devido á categoria de certos comentários.

  6. 6 6  Sebastião José

    “Só que a necessidade deste “mas…”, neste caso, não diz nada sobre o caso e diz tudo sobre quem o escreve.”

    É exactamente o que se passou a seguir ao 11 de Setembro. Houve pessoas que criticaram os atentados, para logo depois recordar que os americanos já tinham feito seja o que for e portanto estavam a merecê-las. Como diz e bem, no caso dos atentados não diziam nada sobre os atentados e diz tudo sobre quem os escreveu.

    Concluindo, isto das condenações de certos actos seguida de um “mas” a justificar o acto é previlégio e honestidade de qualquer quadrante politico, com a diferença de a direita não se arroga de uma superioridade moral que no fundo ninguém tem.

    Já agora, o Lopes chegou a explicar-se para que todos possamos concluir que ele é um grande fascista?

  7. 7 7  Máquina Zero

    Meu caro Daniel Oliveira, o que acha você de uma música cujo título é “Branco mete nojo”?

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