O Compromisso Portugal propõe, na sua 2ª Convenção, que o Estado despeça 200 mil funcionários públicos. Fizeram as contas ao que se pouparia em salários, mas esqueceram-se de fazer as contas ao impacto de tão radical medida na sustentabilidade da segurança social. Não espanta. Quanto mais depressa rebentar melhor.
Já repararam que empresários portugueses nunca se juntam para saber o que podem fazer pelas suas empresas? Preferem sempre decidir o que deve fazer o Estado com os seus recursos. A obsessão que estes empresários têm pelo Estado faz parte do seu código genético. Tudo o que querem saber é quanto sobra do dinheiro público.
O Compromisso Portugal, liderado pelo director de campanha de Cavaco Silva (sempre bem pertinho do poder político, como convém), quer ainda a privatização total da CP, TAP, ANA e Administração do Porto de Lisboa. Em quase nenhum destes sectores há regime de monopólio. Porque não criam estes nossos valorosos empresários as suas empresas ou se associam a empresas estrangeiras e vão à luta. Porque se limitam a esperar que o trabalho já feito lhes venha parar ao colo?
Veja-se o caso da PT. O que ganhamos nós com a privatização? Mais concorrência? Mais qualidade? E passou o mercado a funcionar melhor quando o Estado vendeu aos privados, ao preço da uva mijona, a rede fixa de telefones? E a privatização da Rodoviária Nacional nos subúrbios de Lisboa. Temos melhores transportes rodoviários? Houve algum compromisso para manter carreiras deficitárias a funcionar? Não havendo, quem as garante? Como seria com a CP? Como é com a Fertagus, em que os preços proibitivos tornaram o investimento do Estado para a introdução do transporte ferroviário na ponte em dinheiro atirado ao lixo? Ou será como a Ponte Vasco da Gama em que o Estado paga o prejuízo e a empresa tem lucro garantido? Quando quererão estes empresários arriscar uma pevide sem estender imediatamente a mãozinha para receber as devidas compensações do Estado?
Aplaudo uma proposta. Os empresários de Cavaco querem um aumento de 12% para 25% da oferta de escolas privadas e de 23% para 35% do peso dos hospitais privados. Venham mais hospitais e escolas. Desde que quem os construa sejam os privados, sem um tostão público, não me parece que ninguém os vá impedir. Depois contratam professores e médicos e o país agradece. A não ser que, como sempre, precisem que o Estado deixe de cumprir o seu papel para ter mercado. E espero que os saibam gerir. A situação financeira de grande parte dos hospitais privados e a falta de qualidade da maioria das universidades privadas não me deixa muito optimista. Tentarem melhorar a gestão das empresas nacionais, incluindo nestes sectores, aí está um compromisso que valeria a pena e no qual contam, seguramente, com o aplauso geral.
Num país pequeno e pobre, os empresários são fracos, pouco preparados para o risco e dependentes do Estado. É natural. O que me parece é fanfarronice andarem a vender-se como liberais, quando dependem, como todos os portugueses, de mais uma ajudinha do dinheiro público. As propostas destes empresários e gestores não serão seguramente acompanhadas pela esmagadora maioria dos portugueses. Só perderiam com elas. Estes empresários batem-se apenas pelos seus interesses, o que é absoluamente legítimo. O nome de Compromisso Portugal é que me parece um pouco exagerado.
Por Daniel Oliveira 21 Set 06 em Sem categoria


Subscrevo inteiramente o comentário do Daniel.
Se dependesse desses senhores já teriamos concerteza a escravatura restabelecida, desde que não fossem eles os escravos, claro!
“Compromisso Portugal”, não: é mais “Rumo a um Portugal Submisso”. Que colecção de abutres!
A esquerda nunca irá perceber o fundamento destas medidas, basta ouvir a tremenda babuseira que o Louça disse sobre a redução do horário de trabalho.
A classe empresarial portuguesa, que ganha o galardão por ser das mais INCOMPETENTES, CORRUPTAS, mas tambem das mais bem pagas da Europa, vem toda ufana propôr soluções para o país.
Estranho que estas sumidades, não comecem por resolver os problemas estruturais da suas proprias empresas, e a quase total falta de capacidade destas, de competirem em mercados abertos….
Concordo com A. Pacheco e acrescento: uma das faces mais notórias e mediáticas deste
O meu comentário anterior surgiu cortado, suponho que por causa de algum problema durante o envio. Referia eu que estava de acordo com A. Pacheco e acrescentava que uma das faces mais mediáticas deste
Continua a aparecer cortado e o problema não daqui. É mesmo assim que chegou.
Deixou para o fim do seu texto a parte importante da questão. Como elementos da sociedade civil os empresários tem direito (e dever, acrescento) de participar nesta democracia. Já quanto ao facto de concordarmos ou não com as suas ideias depende dos princípios que cada um defende. P.e. percebe-se bem que o seu B.E não goste(pura e simplesmente) de empresários e por isso não goste desta iniciativa. É tudo transparente.
Não tenho nada contra empresários e conheço bastantes que dão o litro num país onde não é fácil investir e onde o jogo está viciado com a relação promiscua entre o poder político e o poder económico. Tenho muito contra estes empresários em cocrecto, precisamente os que mais têm vivido pendurados no Estado e mais vezes cospem no prato onde comem.
Paulo Alves há EMPRESÀRIOS e empresários.
Os primeiros são homens e mulheres que muitas vezes nas mais dificeis condições, levam para a frente projectos, e iniciativas, SEM RECURSO A SIBSIDIOS, fazendo apelo á inteligência, e á dedicação dos seus funciomários, pagando-lhe o justo valor do seu trabalho, empenhando muito do lucro no desenvolvimento de novas tecnicas de produção, estão totalmente abertos aos novos avanços tecnologicos, e acima de tudo tentam levar os seus produtos a novos mercados, NÂO TÊM MEDO DA CONCORRÊNCIA…..
Os segundos, querem menos estado, mas na primeira contrariedade gritam oh da guarda, e desatam a pedir mais um subsidio ao ESTADO…
Pagam mal e porcamente aos seus trabalhadores, não respeitam horarios, feriados, esquecem a regra básica que um trabalhador motivado é um trabalhador mais produtivo.
Os lucros não são reenvistidos, há sempre o ultimo modelo de carro de alta-cilindrada, a vivenda ou o andar de luxo para comprar, as férias de nababo da gozar.
Tranvestidos de empresários, mareceriam mais o nome de CHICOS-ESPERTOS.
Infelizmente em Portugal é esta escola que tem preponderãncia….
A mim o que parece é que há uma superficialidade preconceituosa em todos estes comentários e no próprio post. Se há coisa que devemos evitar é a generalização e as teorias da conspiração. Acredito que a maior parte das pessoas ligadas ao compromisso Portugal estão genuinamente interessadas em que o país progrida. Se há coisa que se poderia criticar é que as soluções apresentadas não são originais, mas tão só aquelas que têm sido aplicadas nos países que tinham graus de desenvolvimento semelhante ao nosso (ou inferior) e que deram a volta por cima. Ainda assim, mesmo sem originalidade, parece-me positivo apresentar soluções, concordem-se ou não com elas. E quando não se concorda que se argumente em relação às ideias e não às pessoas. Também não ajuda usar demagogia. Não vi por exemplo ninguém dizer que ter menos 200 000 funcionários públicos significa despedi-los. Ouvi apenas dizer que era um Benchmark internacional com os países equivalentes que apresentam melhores práticas.
Observações destas parecem-me levianas principalmente porque parece que vivemos num “ mar de rosas”. Mesmo que nos últimos 30 anos o país esteja muito melhor, os serviços são maus para o custo, a educação está na cauda da OCDE e a descolagem com a Europa é constante.
De um modo geral há muito a melhorar e o essencial tem que vir de uma maior consciência de cada um, desde tenra idade, em que é o principal dono do seu futuro.
Penso que esta falta de responsabilidade e consequentemente de iniciativa (por medo da incerteza) é o principal problema de Portugal (aliás há muito estudos sobre o assunto, por exemplo o de Hofstede que caracteriza as culturas de cerca de 100 países). É por causa disso que quase não existem iniciativas da sociedade civil; é por causa disso que vemos no Estado, no patrão, no chefe, um género de PAI responsável por nós. Estou convicto que o movimento tem que ser o de passar para as pessoas mais responsabilidade, o que pressupões deixá-las tomar decisões que hoje lhes estão vedadas.
Mesmo discordando de muitas coisas do Compromisso Portugal, concordo com o princípio geral, de terem que surgir algumas acções fracturantes, pois mudar o que está completamente inquinado, não é possível em alicerces ruídos. Acima de tudo aplaudo o facto de ser uma iniciativa da sociedade civil, embora naturalmente uma franja da sociedade bastante particular. Venham outras iniciativas destas.
Caro João o compromisso Portugal não fala em que os gestores portugueses estão entre os mais bem pagos da Europa, e os trabalhadores têm dos salários mais baixos.
Não fala que os bancos portugueses são dos que debitam aos clientes as maiores despesas, levam das taxas de juros mais altas da UniÃo Europeia,e por isso têm dos maiores lucros.
Não fala que paises semelhantes ao nosso têm uma percentagem de funcionalismo públlico ainda maior.
Não diz que em muitos paises da União Europeia os impostos sobre as grandes fortunas , são uma norma comum.
Que a carga fiscal sobre os lucros das empresas é superior á portuguesa, e que a fuga ao fisco é paga com PRISÂO.
ETc ETC ETC.
Pois é o compromisso, é o compromisso, com a incompetencia, o tachismo , o amiguismo, a corrupção, a fuga aos impostos, as jogadas, mas o que tem isto a ver com Portugal….
Segundo a minha optica….NADA
Caro a. pacheco
Não discordo de si em relação às análises que faz, apesar de me parecerem questões colaterais ao objectivo do compromisso Portugal, que não ia naturalmente fazer um trabalho de auto-análise. Mesmo sendo verdade o que diz, são conclusões próprias do modelo de sociedade de consumo em que vivemos (e para o qual a globalização empurra o mundo), quer gostemos dele ou não. É bom sermos idealistas e procurarmos transformar a sociedade, mas convém não nos deixarmos ficar demasiado dessintonizados com a forma como o mundo funciona, pois penso ser preferível canalizar energias para coisas que pragmaticamente se podem alterar.
Dizermos que os nossos gestores são dos mais bem pagos da Europa é verdade e injusto, por comparação com os restantes trabalhadores que são dos menos bem pagos, mas isto é precisamente sinónimo de uma sociedade pouco desenvolvida em que: 1 – há uma assimetria muito grande nas qualificações das pessoas; 2 – há um grau de exigência baixo da sociedade civil e de auto-regulação que uma sociedade desenvolvida e mais cívica gera; 3 – há poucos bons gestores, como há poucos bons políticos, bons médicos, bons carpinteiros, etc. (as falhas de educação e algumas características culturais menos adaptadas têm estas consequência); 4 - há um “novo riquismo” associado a tudo isto que demora tempo a ajustar-se (lembre-se que 1974 foi há pouco mais de 30 anos).
Relativamente à questão das margens dos bancos, penso que há uma distorção na sua análise. Numa sociedade de mercado é suposto existir concorrência e é essa concorrência, associada às leis da procura e da oferta que definem os preços. Gerir bem é precisamente encontrar esses equilíbrios e portanto não devemos ter a ingenuidade de pensar que um bom gestor vai baixar um preço, se as pessoas continuam a comprar o seu produto, excepto em determinadas condições promocionais outras bem definidas.
É claro também que seremos sempre capazes de encontrar países que conseguem ter sucesso, com maior administração pública, com mais impostos às empresas, com sistemas de segurança social mais completos, etc. No entanto são países com outras vantagens competitivas (indústrias competitivas, elevada educação, imagem de marca em alguns sectores, maior credibilidade, burocracia baixa, maior organização). Convém compararmo-nos com alguns que se tenham algumas semelhanças a nós.
Além disso o que precisamos é urgentemente de encontrar algumas vantagens competitivas Portuguesas e transformarmos a nossa sociedade com base numa estratégia que use essas vantagens.
E para isso, qualquer que seja a abordagem, a educação tem que ser um pilar, a justiça tem que funcionar e os processos (de um modo geral) têm que ser mais eficazes. Parece-me que quaisquer contributos sustentados neste sentido, como o compromisso Portugal, são bons contributos. Ficarmos como estamos é na verdade recuarmos.
pode até ser que o compromisso portugal, tenha por tras de si os mais incapazes dos gestores, que vivam agarrados as saias de um estado mais incapaz do que eles, mas peço que analizem a historia recente do seculo XX. não é isso que os estados comunistas, financiando empresas em regime de monopolio, que não contribuiram para o desenvolvimento desses mesmos estados, fizeram.ao criticar-se o oportunismo dos gestores portugueses tera de se confrontar essa situação , com o monopolio criado pelos estados comunistas que em nada beneficiaram os cidadãos, e que por fim traçaram o fim do bloco soviético.a verdade , é que o comunismo, como essencia anda perto de um mundo de puro capitalismo