
Para Pires de Lima ser liberal não apenas na economia mas também em matérias sociais não é defender ou sequer tolerar o casamento entre homossexuais e porcarias deste genero. Um suspiro de alivio para a direita portuguesa. E o esclarecimento terá de certeza o aplauso dos liberais de direita aqui da blogosfera, que são contra a despenalização do aborto, contra direitos iguais para homossexuais, contra um divórcio mais fácil e, em geral, contra o liberalismo que não se aplique apenas aos direitos das empresas. Ou seja, “o liberalismo deve defender a liberdade de escolha” está para Pires de Lima como o “Eu Fico” está para Paulo Portas. É apenas uma boa frase.
Por Daniel Oliveira 21 Mai 07 em Sem categoria


O problema é que o CDS nem sequer na economia é liberal…
O liberalismo destes pseudo-liberais traduz-se, no fundo, em liberalismo para os trabalhadores (que devem “saudavelmente” concorrer entre si pelo prémio de um emprego cada vez mais raro e pior pago); e proteccionismo (ou socialismo) para os empresários, com os seus benefícios fiscais, os seus off-shores, as suas negociatas com o Estado, cada vez mais convertido no braço armado dos conselhos de administração das grandes empresas.
Daniel, onde leste isso? Sinceramente, penso que a frase do António Pires de Lima que terás lido foi seguramente mal citada ou descontextualizada (não por ti, mas na fonte).
Aquilo que o Pires de Lima disse foi que ser liberal não poderia ficar-se apenas na economia mas também ir a matérias sociais. E nessas, não se tratava meramente de tolerar (ao estilo compaixão) o casamento entre homossexuais, antes ter igualmente ter uma perspectiva positiva, de defesa de tais casamentos.
Tens razão Daniel! Eu a concordar com o Daniel Oliveira. Devo estar com febre.
Não estará a ser injusto com o CAA seu colega no Sim No Referendo?
“A direita portuguesa é uma espécie de herdeira do absolutismo do século XIX, mantêm o absolutismo sobre os valores e não tem um discurso de respeito dos direitos dos outros, dos direitos individuais” critica Pires de Lima, em declarações ao jornal Público, acrescentando que o CDS tem de “reconhecer o direito de uma pessoa não ser julgada pelas suas opções de vida.”
O facto de tais palavras virem de um elemento do partido mais à direita do nosso parlamento já pode ser um progresso. Agora só resta que ele, os restantes deputados do CDS e a direita conservadora em geral, entendam que uma nacionalidade ou uma orientação sexual (por exemplo) não são “opções de vida”.
Mais à frente, nessa entrevista, diz que esta preocupação com os direitos individuais não significa que o CDS não seja contra o reconhecimento desses direitos.
Então, podemos todos dormir muito mais sossegados pois vamos passar a ter um partido na AR que - apesar de acharem os nossos “direitos individuais” uma coisa imensamente aborrecida e já terem garantido que não sairá da sua bancada um único voto a favor de qualquer proposta de lei em benefício dos mesmos - vão demonstrar a sua preocupação mandando-nos uma espécie de “beijinho booommmm”. Tá a ver?