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Critiquei aqui, talvez com excessiva dureza, a ideia de que a história do assassino de Virgínia não deveria ser contada por uma qualquer razão preventiva ou moral. Mantenho que o jornalismo procura saber o porquê, até ao limite, mesmo onde ele parece impossível. Coisa bem diferente é a exibição de “tempos de antena” gravados por uma pessoa desequilibrada, apenas para que alguém lhes pegasse. O jornalismo não deve esconder, mas deve mediar. Se não, não é jornalismo. É o púlpito de todos os exibicionistas. Mesmo os mais perigosos.


Sem respostas ao post “Linha directa”  

  1. 1 1  gabriela

    Uma coisa que me irrita (para dizer o menos) no jornalismo actual é a forma como actua muitas vezes (demasiadas, até): tudo vale para atingir um fim (lucro) sem olhar aos meios.
    Esse é um exemplo desse tipo de jornalismo.
    Porque não nos podemos esquecer que a sociedade tem, infelizmente, indivíduos doentes que vêem esse tipo de notícias de forma diferente da de uma pessoa “não-doente”.
    Não me admiro nada que outro “louco” tente fazer (ou faça) o mesmo só para depois aparecer na TV!

    Não à censura, mas sim ao bom senso.
    Só que este conta cada vez menos face ao $$$$!

  2. 2 2  Cabral

    O jornalismo e’ tambem um drama de identidades. De um lado temos o “monstro”, e o seu tempo de antena serve para o afirmar ou confirmar. Depois temos os “martires”, os “sobreviventes”, e os “herois”. E cada um parece inscrito em pedra, inalteravel de Columbine ate’ Virginia Tech.

  3. 3 3  António

    O Jornalismo não deve “mediar”. Deve é informar. E foi o que o editor da NBC fez: Informar.

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    Como é que os “media” (ops!) informam sem mediar?

  5. 5 5  dlm

    Não se trata assim um “compagnon de route”

  6. 6 6  bluesmile

    Há situações concretas em que a ética jornalística implica o filtrar da informação.
    Exemplo concreto - as notícias sobre suicídios , quando muito explícitas e mediatizadas conduzem a mais casos de suicídio por efeito de mimetismo ou possibilidade de incentivar este comportamento em pessoas vulneráveis.
    Com a exibição em massa destas imagens de um indivíduo gravemente perturbado, o efeito é o mesmo e existe o risco de haver comportamentos de emulação.
    O Jornalismo deve informar - mas a informação implica limites éticos e responsabilidade.

  7. 7 7  l.rodrigues

    Há um estudo sobre o impacto de suicidios mediatizados nas taxas de suicidio em dias subsequentes.

    Não só há uma relação quantitativa como qualitativa. A pessoas que resolvem fazer o mesmo são tendencialmente de perfil identico ao primeiro suicida, que apareceu na páginas dos jornais e nos telejornais locais (é um estudo americano). O método também tende a ser imitado.

    Se isto não coloca sobre os media uma tremenda responsabilidade não sei o que o fará.

  8. 8 8  Bang Bang

    Daniel,

    Tu és um homem com muita categoria. E, o Ferreira Fernandes, se calhar, até que nem é assim tão mau como o pintas.

  9. 9 9  Pluralismo Democrático

    Concordo contigo, Daniel, mas o curioso é que estás a fazer o mesmo que a NBC fez. Até colocaste uma das imagens violentas do Cho, e tudo.

    Sobre o massacre: Tenho pena das vítimas, obviamente, mas de todas as vítimas, incluindo o Cho, que também foi uma vítima. Algo de errado vai mal na sociedade (seja ela norte-americana ou outra) quando produz pessoas desiquilibradas o suficiente para fazerem coisas assim. Deviam pensar mais nisso do que em desatar a meter as culpas nos jogos de vídeo ou nos filmes violentos.

  10. 10 10  PlayGirl

    sabe uma coisa daniel? ainda bem que esse triste filmou tudo. primeiro, significa que é o verdadeiro e autêntico filho, legítimo, dos nossos tempos, os do voyeurismo e não os do jornalismo (aliás, que coisa é essa, afinal, o ‘jornalismo’ em portugal? não nos façam rir) depois, foi bom. para nós vermos. sim, para nós vermos em que se pode transformar um ser humano: num monstro. e ainda bem que vimos. para evitarmos que se repita. por último, creio que o que está seriamente em causa não é, mais uma vez, o ‘jornalismo’. somo nós, as pessoas, os cidadãos, coresponsáveis uns pelos outros, coresponsáveis por aquilo em que deixamos que o mundo se torne, dia após dia. por indiferença, por conveniência, por cobardia, por ignorância. o caso de ff parece-me ser este: a ignorãncia, a falta de formação, de alguma profundidade nos valores (não, não sou do cds… urghhhh). por isso ele viu e reviu, e parece que viu com gozo, o que considera que nós não devemos ver. mas, no quintalinho dos ‘jornalistas’ e cronistas, e num país de analfabetos (sim, todos cinéfilos de carteira, espectadores atentos da gala dos óscares e do logro do curriculo do PM, mas um bando de analfabetos) esta posição tão… bonita, tão moralista, fica-lhe bem e deu-lhe créditos.

  11. 11 11  José Rodrigues

    Concordo mais com esta sua posição. Mas o Daniel defende o mesmo para as imagens da Al-Qaeda quando reivindicam os atentados?As televisões deviam ou não também mediar aqui?

  12. 12 12  Daniel Oliveira

    José Rodrigues, claro que acho. Ainda assim, eu não sou contra a exibição das imagens, desde que com tratamento jornalístico que escolham o que é e não é relevante.

  13. 13 13  Lopez

    Já nada disto se põe em causa quando vemos um jovem perturbado com um cinturão de explosivos e de arma na mão a vociferarar impropérios ao grande satã e aos seus filhotes.
    Nestes casos para além da justa luta todas as outras nunca serão a do lucro e afins e mal de quem nao passe tais videos, porque seria a maior censura …
    Ah sim ta bem entendi

  14. 14 14  Fado Alexandrino

    Por casualidade comento hoje a necessidade de mediação expressa por Miguel Gaspar in Público.
    Repito aqui.
    A gentinha deve ser protegidade de más notícias sem tratamento que não compreendem.
    Como lá digo, Salazar não fez diferente.

  15. 15 15  marinela

    Oh, e o gajo ainda topou a moda da pala do boné pa trás, pobre Cho, à maricana…

  16. 16 16  Diogo

    [Mantenho que o jornalismo procura saber o porquê, até ao limite, mesmo onde ele parece impossível]

    O peculiar percurso de 2 horas do estudante sul-coreano Cho Seung-Hui na manhã de 16 de Abril de 2007

    1) Matar um homem e uma mulher num alojamento do campus da Virginia Tech. A polícia foi chamada por volta das 7h15 da manhã.

    2) Gravar um vídeo de si próprio.

    3) Transferir o vídeo para o computador.

    4) Gravar o vídeo num DVD.

    5) Embalar o DVD.

    6) Ir aos correios.

    7) Enviar a encomenda para a NBC às 9h01.
    8) Matar mais 30 pessoas no edifício de Engenharia do campus da Virginia Tech, menos de duas horas depois do primeiro tiroteio (portanto antes das 9h15m).

    9) Suicidar-se.

  17. 17 17  Daniel Oliveira

    Lopez, você está a falar de quem. Isto está cheio de lunáticos.

  18. 18 18  LMG

    Post interessante.

    A minha opinião sobre o assunto é a mesma, mas vou um pouco mais longe. Embora também atribua alguma responsabilidade destes casos à facilidade de adquirir armas, penso que o maior responsável é mesmo o mediatismo destes casos.

    E colocar estas imagens no ar, em todo o mundo, fará com que estas situações se repitam, e não só nos EUA.

    Lá pode ser mais fácil comprar a arma, mas imagens como estas a dificuldade ou não de adquirir armas, por exemplo na Europa, não impedirá crimes destes.

    Mas sei que é uma questão complexa e já velha. Debate-se esse assunto em coisas tão diversifiadas como suicídios ou incêndios.

    Mas eu não hesitaria em não mostrar tal coisa. A mesma situação aplica-se ao terrorismo. No dia em que fosse possível impedir qualquer visualização dum acto terrorista ou até dum simples comunicado duma organização terrorista, o terrorismo extinguir-se-ia em larga escala. Mas sabemos que isso não é possível.

  19. 19 19  rr

    Exemplos de “mediação” jornalistica portuguesa:

    - Arrastão em Carcavelos
    - Casa Pia
    - Uni Independente
    - Ferro Rodrigues pedófilo
    - O carlos Cruz do Laranjeiro, etc…

    A esta hora estariam os media portugueses a;

    a) Saber quais eram os professores do rapaz e ver conexões c/ 1º ministro Sócrates.

    b)saber se era um ilegal clandestino e contactar o lider do PNR p/saber sua opinião sobre o tema.
    Chama-se a isto contraditório.

    c)Tentar “descobrir” casos em que individuos de raça chinesa/coreana ou parecida tenham tido comportamentos suspeitamente violentos. Cães de raça chinesa ou coreana tambem servem.

    d) Para alguns “notorios” especialistas seria evidente o link entre este assunto e a crise nuclear norte-coreana.

    e) O David Borges no programa da SIC N, dificilmente evitaria a sacrossanta pergunta a F. Seara:
    ” Acha que pode existir algum problema com a contratação do junior chinês do benfica e a sua integração no balneario da Luz?

    f) Pacheco Pereira e JMF., clamariam pela condução por parte do PR da politica externa e alertariam em editoriais inflamados para o perigo amarelo, que alias eles bem conhecem.

    etc…, etc…

  20. 20 20  fred

    o que seria de nós sem estes jornalistas mediadores? se calhar crescíamos de vez. os gajos ainda não perceberam que se passaram de esbirros a simplesmente dispensáveis.

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