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Na divisão de tarefas partidárias, costuma ficar para as “jotas” as mal chamadas “causas fracturantes”. Ficamos sempre na esperança que, quando chegarem ao partido, estes jovens imponham as suas ideias. Nunca acontece. Porque, na verdade, trata-se apenas de chegar ao público alvo. Ainda hoje Sócrates tem medo do debate sobre o casamento entre homossexuais, assunto arrumado na vizinha Espanha. Até o divórcio parece causar incómodo.

A JS tem um cartaz na rua contra a homofobia. Estão de parabéns. O cartaz tem duas mulheres a beijarem-se (mas não na boca). Não me parece que a escolha aconteça por acaso. Claro que as lésbicas merecem a mesma defesa que os gays masculinos. Mas não escapa a ninguém que não só é suportável para o preconceito como até agradável para as fantasias masculinas heterossexuais uma imagem erótica de um beijo entre duas mulheres bonitas. Fica o desafio: um cartaz com dois homens. Se aceitarem, acredito que, para além do preconceito moral, ultrapassaram o preconceito estético. Ainda assim, para não dizerem que tenho mau feitio, antes isto do que nada. E isto sempre é melhor do que a velha tradição “republicana” de Carlos Candal.


Sem respostas ao post “Modernaços, mas com cuidado”  

  1. 1 1  Diogo

    TV Blogo - o canal televisivo da blogosfera

    Nesta primeira emissão, para além de uma apresentadora espectacular (fruto da mais avançada tecnologia de inteligência artificial (autêntico)), temos também um genérico da TV Blogo bastante sugestivo e mais um momento de extraordinário humor, com Jon Stewart do Daily Show, no qual o Primeiro Ministro israelita Ehud Olmert adormece na sessão em que é pedida a sua demissão pela incompetência demonstrada na guerra com o Líbano.

    AQUI“>http://citadino.blogspot.com/“>AQUI

  2. 2 2  RAF

    Daniel,
    Hoje quando passei no marquês vi o cartaz, e passou-me a mesma ideia pela cabeça. Em qualquer caso, pareceu-me que o cartaz é da juventude socialista (mas, eventualmente, poderei estar errado, pois em rigor foquei-me mais na imagem visual e nos dois piercings no nariz das amorosas, coisas de homem hetero).
    Abraços,
    RAF

  3. 3 3  RAF

    Pois é, afinal estou certo, o cartaz é mesmo da JS. O distraído não fui eu:).

    Aqui vai o link do cartaz:

    http://www.juventudesocialista.org/item.tech?id=689

  4. 4 4  João

    Ó Daniel, é a Juventude Socialista, e não a JSD

    http://www.juventudesocialista.org/item.tech?id=689

    Acha que alguma vez os meninos da JSD iam ser vistos a fazer a apologia dessa amoralidade ?

  5. 5 5  PlayGirl

    afinal, percebo que não considero o país um atraso… é apenas aborrecido. nem dá vontade de escrever ou comentar nada sobre o assunto, sobre todos os assuntos… não dá mesmo. já nem me sinto trsite ou irritada, só aborrecida e entediada, como alguém que espera várias horas para ser atendida num consultório particular: uma seca. quanto aos políticos, os jotas e os séniores, são realmente todos iguais. é uma chatisse dizer estas coisas assim, do povo, estas verdades também aborrecidas, estes lugares comuns, mas são, efectivamente, as nossas verdades. nem uma queestão da fotografia do cartaz, essa até entendo: o lesbianismo, dizem, ‘choca’ menos, ok, vá lá. mas pronto, enfim, não vale mesmo a pena. era bom que funcionasse com este cartaz, ou que a merda do cartaz dissesse alguma coisa, tivesse alguma ideia, alguma medida. mas n tem, nem há qualquer intenção disso. é como o daniel diz: é coisa de circunstância, que fica bem à malta nova. uma seca.

  6. 6 6  Daniel Oliveira

    Um “D” a mais involuntário e idiota. Só se a JSD se enlouquecesse. Acrescentei algumas considerações para ser mais claro.

  7. 7 7  João

    Acredito que as pessoas da Juventude Socialista, mesmo perdendo os ideais de esquerda com a idade, irão ser a favor dos direitos dos homossexuais, porque é uma tendência europeia mainstream, que em 10 anos deixará de ser uma questão tão fracturante assim, e permite a partidos liberais como o ps irem buscar votos de esquerda sem perder os do centro direita.

    Por outro penso que a estratégia de usar a homossexualidade feminina como “cunha” para a aceitação da homossexualidade em geral é uma boa ideia. Ir-se habituando as pessoas a aceitar aos poucos em vez de chocar e provocar o gag-reflex.

    Não se pode pedir ao PS que seja muito progressista, porque está sempre com os olhos no centro, e tem aquele núcleo de ultra-católicos … mas já é bom que pelo menos a sua J pegue nestes temas que a direita gosta de chamar “fracturantes” (por ser uma minoria menos evidente) como a legalização da maria ou a união homossexual.

  8. 8 8  João

    MAS

    As moças bonitas e reluzentes , muito muito jovens, dão uma ideia sexualizadíssima da homossexualidade. Dá até a imagem que é uma loucura gira e sexy de miúdas pequenas. Um desvairio da catraiada que lhes passa.

    Passaria melhor a mensagem se pusessem duas senhoras de mais idade de mão dada. Que mostrasse amor e não sexo. Que mostrasse que duas pessoas do mesmo sexo se podem amar e que isso não deve chocar ou excitar ninguém.

  9. 9 9  palhaçadas

    exacto.
    e para além do mais, este cartaz é de uma parolada a toda a prova.

  10. 10 10  Nelson Peralta

    Quanto a esse republicanismo, num debate durante a campanha autárquica Carlos Candal afirmou que o Bloco tinha “homens esquisitos”!

  11. 11 11  PlayGirl

    joão, não foi a direita que designou o tema de ‘fracturante’. foi o ps mesmo, e assim é com a história dos divórcios para nem falar da adopção de crianças por casais de pessoas do mesmo sexo: ‘fracturantes’. e andamos nós a reboque desta gente. depois a questão de chocar ou não chocar… estamos à espera do quê para crescer caramba? com medo de quê? olhemos para espanha, que é mesmo aqui ao lado e que toma decisões, independentemente dos grupinhos e das pressões daqui e dali. tenho vários amigos casados com pessoas do mesmo sexo, a maioria homens, e de outros países, naturalmente, que quando me visitam e me sinto envergonhada de todo este atraso me consolam, a mim que sou hetero, e me afiançam que dentro em breve também portugal arrumará estas questões. e eu lá baixo a cabeça, com um sorriso timido, na esperança de que sim senhor, haveremos de tratar estas fracturas.

  12. 12 12  Bang Bang

    O cartaz é péssimo. A mensagem que passa é que homossexualidade é apenas sexo. Só vem confirmar um preconceito que muita gente tem. Em vez de o desmontar, reforça-o.

  13. 13 13  Pedro Morgado

    Bom post. De acordo.

  14. 14 14  leprechaun

    Uma consideração apenas marginal, que nem tem directamente a ver com a celebração desse dia, que já tive a oportunidade de comentar noutro espaço.

    Não é uma ideia muito feliz pretender mudar comportamentos ou promover a aceitação da diferença ou variedade… multiculturalidade também se lhe pode chamar… fazendo campanhas pela negativa, ou seja, contra ou anti, reforçando assim, ainda que subliminarmente, aquilo que se pretende combater.

    De facto, há uma pequena frase em inglês que sumariza o que eu quer dizer: What you resist, persists!

    Independentemente das intenções muito louváveis destas campanhas… e aqui também abranjo os movimentos anti-racistas e anti-xenófobos, outras duas designações terrivelmente infelizes!… o ênfase que é posto naquilo que se quer eliminar - a homofobia, neste caso - é inteiramente contra-producente, já que o realce informativo é justamente dado ao conceito que se pretende combater, e não ao que se quer defender!

    É certo que palavras não são actos, muito menos meros pensamentos. Mas estes tendem a traduzir-se em acções, naturalmente, além de tudo aquilo que é logo à partida rotulado de “contra” ou “anti” provoca uma imediata e mesmo subconsciente reacção de defesa daqueles que estão do outro lado, neste caso da não aceitação da livre escolha e da diferença.

    Talvez para muita gente este tipo de posição nem faça muito sentido ou seja até descartada como uma esquisitice semântica, mas é deveras importante a nível da simples psicologia do ser humano. Repito que é um absoluto contrasenso fazer uma campanha ou um cartaz em que a palavra mais visível e de maior importância significa e representa aquilo que NÃO se quer ou se combate!

    Educação e liberdade de opção, no respeito dos direitos da Pessoa Humana, sim. Mas ignorar rudimentos tão básicos da psicologia da comunicação é cercear logo à partida muito do valor dessa mensagem. E, mais cedo ou mais tarde, se compreenderá a importância destes conceitos tão simples, mas de enorme eficácia: mensagens de conteúdo “pró”, a “favor” ou “positivo” são imensamente mais produtivas, a longo prazo, do que as suas congéneres de sentido contrário. O que é chocante e agressivo pode até produzir algum efeito superficial a curto prazo, mas cria e alimenta resistências de sinal contrário.

    Em suma: para quê criar sequer novos termos… homofobia, xenofobia… com esse terrível radical grego phobos, que realça aquilo que de mais negativo há no Ser Humano, a emoção do medo, directa e frontalmente oposta à do amor, quando o que se pretende é justamente a aproximação ao “outro”, afinal o tal amor ao próximo na aceitação daquilo que cada um É e nada mais?!

    Dia mundial a favor do amor livre de barreiras de género, ou a favor de todas as diferentes culturas e etnias, ou a favor das diversas nacionalidades e do são intercâmbio dos usos e costumes diferentes, e por aí fora… isso SIM!!!

    Slowly, slowly we’ll get there… somewhere! :)

  15. 15 15  Isabel Coutinho

    “imagem erótica de um beijo entre duas mulheres bonitas.”

    E … se forem feias ?

  16. 16 16  snowgaze

    Exactamente o que eu ando a dizer há imenso tempo.

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